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sábado, 5 de agosto de 2017

Do rádio à Irituia. Wladimir Costa em nove minutos


Alguns perfis nas redes sociais repercutiram esta semana um evento social que contaria com a participação do deputado federal Wladimir Costa (SD-PA). Oportunidade para testar sua popularidade na ressaca de ter sido um dos mais bizarros protagonistas da sessão ao vivo que salvou Michel Temer de ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

O fato é que muitos desses perfis passaram a dizer que era a "hora de dar o troco." De que "ninguém tem que ir na festa" promovida pelo deputado. Concordamos com eles. É necessário repudiar Costa. E o povo de Irituia, cidade do nordeste do estado, cerca de 160 KM de Belém, está muito certo.

Wladimir Costa é uma figura de sangue real. A real quadrilha de vorazes aves de rapina. Sangue de assaltante de cofre público.

Hoje é um dos donos de grande sistema de rádio e televisão no Pará. Aprendeu muito bem com seu professor, Jader Fontenelle Barbalho (ex governador e atual senador pelo PMDB- PA), quando foi eleito pela primeira vez em 2002. Pelo PMDB. Cargo que ocupa até hoje, mesmo que cassado.

Começou sua carreira na rádio Rauland FM, capital paraense, sede no largo do Centro Arquitetônico de Nazaré. Apresentava um programa que tinha grande audiência. O Chamada Geral acordava com a cidade. Das 5 às 7h. Utilizava esse gogó instridente e parecia falar grosso com políticos e todo mundo.

Por várias vezes ele reperia no radio que nunca entraria na política. Que tinha nojo. Falou mal de Jader. De deus e todo mundo. Até que lhe calassem. Há várias histórias sobre isso. Tem deputado federal que o processa até hoje, por denúncias supostamente infundadas do período em que foi perfeito de Belém. Trata-se de Edmilson Rodrigues (PSOL-PA).

O Edmilson, na época tinha (1997-2004), como dizia o povo, tinha língua presa. Mas falava e fala por horas esquecidas. Contudo quem queimou a língua foi Wladimir Costa. Caiu no colo do líder do PMDB no estado.

Aproveitaram-se mutuamente. Embarcaram na onda. Wlad surfo na audiência e começou a fazer o que muitos fazem: extorsão. E assim foi se fazendo como radialista. No lado A e lado B.

Como deputado, executou o que de melhor sabe fazer: politicagem, assistencialismo, tráfico de influência. Tudo embalado, já nesse tempo, pelo seu primeiro grande empreendimento: a Banda Wlad e um complexo de trios elétricos.

Vários trios, galpões e propriedades espalhadas por todo estado.  De concessionária a restaurante, passando por um motel que em breve será inaugurado na Perimetral, Marco, Belém. O radialista sabe que o povo até aumenta, mas nunca inventa. Onde tem fogo, tem fumaça.

Banda Wlad. Merengue. Lavagem de dinheiro, poderia deduzir-se?
Não importa. Wlad arrastava povo.
Bordão de sua primeira campanha era "vai ter muita onda em Brasília".
Um pingo d'água incomoda mais do que ele.

Campeão de faltas. Sumiu 80% das vezes do "trabalho". Um cínico, propriamente.
Cortejado, se fez.

Dançou com todo mundo. PMDB dos Barbalhos, quando então deu um loop na sua vida e nas comunicações. Com o governo do PT de Ana Júlia Carepa, Cláudio Puty e Paulo Rocha, de empregado virou patrão. Nas redações dono e doutor. Imagine.

Quem dá mais? Abandonou o padrinho, deixou o PMDB e foi para o SD do arque corrupto, "meu presidente", escarrou em horario nobre naquela fatídica sessão. Foi apoiar o candidato do PSDB. Outro dr. Economista, professor da UFPA, prof. Simão Robson Jatene. Ser que como ninguém sabe fazer uma negociata. Foi com Jader que ele aprendeu.

E então o músico Simão impediu a reeleição de Ana Júlia. Estave ele a fazer discursos por todo o estado em cima de trios do Wlad, no tempo que podia, regado a banda Wlad. Churrasquinho. Por baixo dos panos 50 reais, gasolina no posto do filho e amigos, cesta basica. A fome com a vontade de comer.

Até hoje o asno oferece festas de graça, regada a churrasquinho de gato, em eventos, como o programado para esta noite em Irituia/PA. Onde pretende comemorar o aniversário de uma de suas rádios, a Nativa FM.

Eleito pelo Solidariedade para o 4° mandato em 2014, Wladimir Costa descobriu cedo a fórmula do sucesso. Panis et circenses. Mas nem na Roma Antiga e nem em lugar algum se faz uma farra dessas sem verba pública "legal", imoral, e/ou sem roubar e desviar muita grana dos cofres públicos.

Para isso se conta com empresas, governo do estado, prefeituras e o governo Federal (exemplo são as fartas emendas de junho/julho passados).

Mas a máscara caiu. O que parecia uma tatuagem para o resto da vida: a certeza da impunidade e arroubo, se acabou.
Ao ir ao fundo do poço nas últimas semanas, exagerado de escárnio, ao ajudar a salvar Temer, Wlad pode ter declarado o fim de seu rebolado.

Depende do povo. A força hoje está com Iriruia/PA! Mas precisa ir além. Wlad tem que ser definitivamente cassado, investigado, suas empresas estatizadas e ele severamentr punido por todos os crimes que já cometeu!
Força, Irituia!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

FORA TEMER! FORA TODOS! Fora Renan, Cunha, Serra, Aécio, Dilma e Lula!

Michel Temer (PMDB) assumiu provisoriamente a presidência da república. “Eleito” de forma indireta, por um congresso nacional corrupto, esse novo/velho governo é composto por inúmeros partidos tradicionais. Um governo ilegítimo que deve ser derrotado por greves, ocupações e protestos como as jornadas de junho de 2013.

O ministério de Temer é patronal e conservador. Possui a cara da elite milionária. São exemplos: Blairo Maggi (PP), famoso por ser o maior plantador de soja do mundo; Alexandre Moraes (PSDB), ex-Secretário de Segurança de São Paulo, repressor das ocupações de escola, da luta contra o aumento das passagens e das periferias; Romero Jucá (PMDB), que deseja liberar a exploração mineral em áreas indígenas; José Serra, que dispensa apresentação. Henrique Meireles, ex-presidente do Bank off Boston e Ilan Goldfajn, economista-chefe e sócio do Itaú. Grande parte desse time está investigada pela operação Lava Jato ou consta na lista da Odebrecht.

Até agora, o discurso do governo Temer está concentrado na “pacificação” e na necessidade de “equilibrar as contas”. Eles desejam reativar os ataques contra conquistas sociais, já que nos últimos 3 meses a crise política dificultou o ajuste. Uma medida é a retomada da contrarreforma da previdência, que retira direitos, por meio da elevação da idade mínima para aposentadoria. Não por acaso agora a previdência integra o Ministério da Fazenda, onde está instalado o núcleo duro da austeridade a serviço do FMI. Vai ser preciso organização e luta para barrar essas medidas e derrotar Temer. Nós da CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores), uma ala classista do PSOL, estamos nas greves, ocupações, campanhas salariais, preparando esse combate!

A traição do PT nos levou a essa situação!

Para entender como chegamos ao governo atual, temos que analisar o retrocesso que o PT impôs após 13 anos. Temer era vice de Dilma Roussef desde 2010 e como líder do PMDB apoia o PT desde 2005. São mais de uma década de parceria, qualificada por Lula e Dilma como estratégica. Não por acaso o governo federal investiu milhões no Rio de Janeiro, governado pelo PMDB de Cabral, Cunha, Pezão e Paes. A antiga base aliada de Lula e Dilma hoje é a base aliada de Temer, incluindo ministros em comum. Lula e Dilma possuíam representantes do agronegócio, da indústria e do sistema financeiro na sua equipe. Durante as jornadas de junho atuaram junto com o PSDB contra os manifestantes. Na Copa estabeleceram parceria com as Secretaria de Segurança do Rio de janeiro e São Paulo. O PT atacou as mulheres e LGBT’s ao fazer acordos com os fundamentalistas. Reprimiu os negros ao colocar o exército na Maré. O ajuste de Dilma/Levy, foi articulado por Temer. A contrarreforma da previdência, o PL 257, contingenciamento, privatizações, lei antiterrorismo de Dilma, Temer quer levar adiante. Fomos contra o impeachment impulsionado pela FIESP, Vem Pra Rua e MBL, pois se trocou 6 por meia dúzia. Defendemos o Fora Todos! Eles não nos representam, todos defendem retrocessos trabalhistas, previdenciários, ambientais e democráticos.
 
Exigimos da CUT e demais centrais: a unificação das campanhas salariais, coordenação das lutas e a preparação de uma greve geral de 24 horas!

Um setor da burocracia sindical está apoiando o governo Temer. A Força Sindical, UGT, CSB e NCST reuniram com o governo e declararam sua participação num o grupo de trabalho que vai debater a reforma da previdência. Pretendem que a reforma seja “para os futuros contribuintes”. Nós repudiamos essas negociatas! Somos contra qualquer contrarreforma que retire direitos. É preciso que os trabalhadores exijam assembleias democráticas para discutir a posição das Centrais. Exigimos que a Força Sindical, UGT e demais Centrais rompam com Temer e coloquem seus sindicatos a serviço da luta contra os ataques.

As direções da CUT e CTB se negaram a participar de uma reunião com Temer. Nos últimos meses eles se dedicaram a defesa da Dilma, o que foi absurdo. Agora é preciso que essas direções rompam os pactos com os empresários e a linha do “volta Dilma”. Exigimos que a CUT e a CTB unifiquem as campanhas salariais de maio, as greves e construam um calendário de lutas por meio de assembleias. É preciso retomar a proposta que a CUT e demais centrais agitaram até maio de 2015: “greve geral contra o ajuste”. É preciso que as federações dos servidores organizem uma campanha contra o PL 257. É preciso passeatas do MPL e do MTST.

Um plano econômico e social para combater a crise!

Lutamos contra as demissões e o desemprego (que atinge 12 milhões de pessoas), contra o arrocho salarial e a alta inflação (de 10%), péssimas condições de trabalho e a retirada de direitos. Não aceitamos o desmonte e privatização da saúde, educação e transporte. Combatemos a corrupção. Para solucionar esses problemas propomos um plano econômico e social alternativo cuja primeira medida é parar de pagar dívida interna e externa ao sistema financeiro. Dessa forma teremos recursos para investir nas áreas sociais e nos serviços públicos, implementar um plano de obras federais que gere emprego, construa casas populares e um sistema de transporte estatal. Defendemos reposição salarial de acordo com a inflação e a redução da jornada de trabalho. Exigimos prisão, confisco dos bens dos políticos e empresários corruptos e estatização sem indenização das empresas mafiosas.

Construir uma verdadeira oposição de esquerda!

E preciso construir um caminho alternativo a polarização entre PMDB/PSDB e PT/PCdoB. Uma verdadeira esquerda que batalhe por uma saída operária e popular, diferente de partidos capitalistas como a REDE. Infelizmente a maioria da esquerda prefere marchar ao lado de Lula e Dilma, o que é errado. Por isso exigimos que o campo majoritário do PSOL, a direção do MTST e a INTERSINDICAL, rompam com o lulismo e ajudem a construir uma alternativa classista. É fundamental que o Espaço de Unidade e Ação, impulsionado pela CSP-CONLUTAS, convoque uma nova manifestação nacional em SP, pelo Fora Todos. Propomos aos sindicatos, comandos de greve, escolas ocupadas, organizações políticas, movimentos, a realização de uma plenária sindical, popular e estudantil para discutir a saída para a crise. Defendemos o fortalecimento das lutas para batalhar por um governo de Esquerda, dos Trabalhadores e do Povo.

Corrente Socialista dos Trabalhadores – PSOL

terça-feira, 5 de abril de 2016

Fora Dilma, Lula, Temer, Renan, Cunha e Aécio! Fora todos!

Investigação e punição para os políticos da lista da Odebrecht!

OdebrechtLista
No dia 23/03 foram divulgadas as listas da Odebrecht contendo nomes de mais de 200 políticos, superando duas dezenas de partidos, beneficiados por doações de campanha. As maiores siglas lideram a lista. PT, PSDB e PMDB, junto com os nomes de Aécio, Mercadante, Romero Jucá, Luiz Marinho, Eduardo Paes, Sarney, Lindbergh, Manuela D’Ávila. Isso mostra como os grandes partidos, os maiores políticos e a linha sucessória da república estão envolvidos nos esquemas das empresas. Dilma, Temer, Renan, Cunha, Aécio, governadores e prefeitos, estão todos juntos com a Odebrecht. Essa é a falsa democracia em que vivemos. Uma república de empreiteiras, bancos e empresários, onde o financiamento de campanha serve para obter licitações, verbas e apoio.
Por isso exigimos a mais ampla investigação de tudo e de todos, doa a quem doer: políticos, empresários e empresas. Queremos a punição rigorosa dos corruptos. Discordamos do sigilo sobre o caso imposto pelo Juiz Sergio Moro e exigimos da Justiça a divulgação de todos os dados, planilhas, escutas telefônicas, mensagens, anotações e delações. Propomos a abertura do sigilo bancário, fiscal, telefônico, contábil de todos os investigados. Mas para conquistarmos essas propostas devemos retomar as ruas, protestar e realizar mobilizações.
Entendemos que mesmo as doações empresariais, registradas e legais, devem ser debatidas nesse momento. Se as doações são legais ou ilegais não muda o fato de que é errado receber doações de empreiteiras e outras empresas, diretamente ou por intermediários. Sempre fomos contra as contribuições de empresas e empresários nas campanhas eleitorais.
Não podemos defender o PT como se fosse um mal menor
O PT é o principal partido no poder, que governou o país na última década em parceria com o PMDB. É atualmente o principal beneficiado pelas empreiteiras. O pior é que utiliza esse mecanismo ilícito, em benefício próprio e de suas siglas, para obter mais fatias do poder e aprovar projetos de ajuste fiscal e privatizações, nada diferente do PSDB. Agora o novo ataque do governo Dilma e governadores é um pacote fiscal para tentar massacrar os servidores públicos.
Esse debate é importante porque vários dirigentes da esquerda participaram do ato do dia 18/3 e com seu prestigio ajudaram a convencer a muitos/as ativistas a participarem honestamente do ato “pela democracia e contra o golpe”, sendo que na realidade o ato do dia 18 era em defesa do governo Dilma, de Lula e do PT. Em seguida a US e RZ do PSOL e correntes da esquerda psolista (como a Insurgência e o MES), o MTST, o PCB, decidiram realizar uma manifestação no dia 24/03 com a mesma política. Acreditamos que o chamado pela “defesa da democracia”, na realidade se resume à defesa do mandato de Dilma e a defesa de Lula. Trata-se de um erro político grave justamente quando Dilma retoma o pacote fiscal e listas da Odebrecht são divulgadas. As manifestações do dia 24/3 foram fracas. Porém o mais importante é que foram atos lulistas e governistas, tanto que o Presidente do PT, Rui Falcão, esteve no caminhão de som em São Paulo, falando contra o suposto “golpe”. O que os dirigentes do PT chamam de golpe é o impeachment de Dilma e as investigações da Lava Jato sobre Lula. Dois problemas que vão se agravar com o aprofundamento da crise com o PMDB do Vice Michel Temer, a desintegração de sua base “aliada no congresso” e a incapacidade de abafar as investigações da polícia federal. O que eles chamam de golpe é na verdade a ruptura das massas com o governo Dilma, levando Lula e o PT para o “volume morto”.
O papel da esquerda não é o de sustentar Dilma e Lula. Na verdade deve ser o de construir uma alternativa contra os petistas e tucanos. Por isso, foi um erro construir atos que tentam reanimar o governo que idealizou e sancionou a lei antiterrorismo.
1º de Abril | Ocupar as ruas pelo Fora Todos!
A esquerda anticapitalista e os movimentos combativos devem apoiar as lutas e greves, a exemplo da forte greve dos profissionais da educação da rede estadual do Rio de Janeiro. Luta que unifica várias categorias e os estudantes secundaristas.
Outra tarefa é a busca da unidade dos que desejam construir um terceiro campo. Uma primeira iniciativa, nesse ano, para começar a unificar as organizações que desejam construir essa saída pela esquerda, será o dia 1º de abril. Essa manifestação, convocada pelo Espaço de Unidade e Ação, será um primeiro passo para começar a construir um embrião de polo alternativo ao PT e ao PSDB. Construiremos essa manifestação de vanguarda, no sentido de buscar unificar as organizações que estão pelo Fora Todos. Todos os que querem colocar para Fora Dilma, Lula, Temer, Cunha, Renan e Aécio.
25/03/16 | Comitê Executivo da CST-PSOL

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A privatização da orla de Belém

Há cerca de um mês, o presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), Parsifal Pontes, afilhado político do senador Jader Barbalho (PMDB), anunciou em entrevista ao jornalista Mauro Bonna no Programa Argumento (TV RBA, de propriedade de Jader), que está em "processo avançado de estudo" a privatização de toda a área da CDP em Belém. 

Sobre isso vale a leitura do artigo (abaixo) do jornalista Carlos Mendes, que não fala dessa assombrosa proposta de Pontes, mas me remeteu de imediato a ela. Segundo o presidente da companhia, que é uma autarquia federal ligada ao Ministério dos Transportes, "só tem interesse dos investidores, caso a privatização seja de todo o espaço e imóveis que compõe os metros quadrados que vai da Escadinha do Cais do Porto até o armazém 8 (Av. Marechal Hermes). 

Aliado a proposta do prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) e governador Simão Jatene (PSDB), que pretendem "gourmertizar" o Ver-O-Peso, tranformando-o em um shopping center da gastronomia, artesanato, etc., esses projetos representam verdadeiros atentados ao direitos dos moradores de Belém sob sua própria cidade. Há tempos que Belém está fechada para o rio. Seu povo enclausurado por empreendimentos privados que o impedem de usufruir de seus quilômetros de orla. É chegada a hora da sociedade problematizar essas questões e responder com mobilização para reverter esse processo de assalto ao patrimônio natural, social e cultural da quatrocentona Belém do Pará.

Os "donos" da orla de Belém. E nós

por Carlos Mendes

Um local excelente, para a logística militar. O inimigo estaria de frente para a cidade e seria um alvo fácil de ser combatido. O capitão português Francisco Caldeira Castelo Branco, ao fundar Belém, tinha na cabeça a estratégia de defesa da cidade  em caso de ataque por conquistadores franceses, holandeses e espanhóis. O que ele não imaginava, porém, é que, 400 anos depois, a orla que ele tanto queria proteger, para permitir que o morador da cidade visualizasse o inimigo da Baía do Guajará ou do Rio Guamá, fosse tomada de assalto por empresas, madeireiras, portos clandestinos e até prédios de 40 andares. 
Pois é isto a que foi reduzida a orla da capital, hoje literalmente privatizada nas barbas do Poder Público - ou com a conivência deste. Não cabe jogar a culpa pelo fato aos colonizadores portugueses. Fomos nós mesmos, nativos ou por adoção, os dilapidadores do patrimônio natural que herdamos. A possibilidade de contemplação da bela paisagem nos foi roubada e nós, moradores, nada fizemos contra isso.
A ocupação da orla por grandes empresas é ilegal e imoral. Não possui nenhuma sustentação jurídica. Ou seja, tudo poderia ser derrubado e os invasores obrigados a indenizar o Município. Um estudo feito e publicado em livro em 2005 pelo geógrafo e professor Saint-Clair Trindade Jr. em parceria com Marcos Alexandre P. da Silva em forma de coletânea de artigos, intitulado 'Belém: a cidade e o rio na Amazônia', desnuda o problema.

Os números dessa ocupação desordenada impressionam: uso residencial (em geral, são residências de pessoas de baixo poder aquisitivo): 4,23%; industrial (principalmente indústrias madeireiras, mas também outras como castanha, bebida etc): 12,26%; comercial (atacado e varejo, principalmente): 34,67%; recreação, lazer e turismo (seriam, aqui, bares, restaurantes, espaços de lazer etc): 4,23%; serviços (aqui seriam sobretudo estações hidroviárias de passageiros): 20,51%; institucional (o campus da Universidade Federal do Pará é um exemplo significativo, e positivo, dessa ocupação): 4,65%; feiras e mercados (alguns exemplos bem conhecidos são o Porto da Palha, Ver-o-Peso, Feira do Açaí etc): 1,90%; misto: 33%; aglomerados multifuncionais: 2,96%; subutilizado ou não utilizado: 8, 67%; outros: 3,59%. Eis a distribuição do espaço na orla de Belém.

Não tem sentido viver na Amazônia sem poder contemplar o rio, receber no rosto a brisa que sopra da baía do Guajará e do rio Guamá. A expropriação dos espaços públicos foi tão grande e impune que algumas empresas avançam com seus portos sobre a baía, como faz o Grupo Chibatão, de Manaus, localizado na rodovia Artur Bernardes. Tudo sem que o Serviço de Patrimônio da União (SPU) ou a prefeitura de Belém movam uma palha sequer.

Já passou da hora de se fazer alguma coisa. A campanha eleitoral para prefeito de Belém vai começar. Mas, por favor, sem demagogia, promessas que não podem ser cumpridas, ou arroubos de candidatos em busca de votos. A ocupação ilegal da orla está na pauta.

O blog Ver-o-Fato será implacável na cobrança. A orla precisa ser devolvida ao verdadeiro dono: o morador de Belém.     
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Carlos Mendes edita o blog Ver-o-Fato

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Moradores de Barcarena denunciam uso político de cestas básicas e cobram salário prometido por Helder

por Carlos Mendes

Depois que o secretário dos Portos, Helder Barbalho, apareceu em Barcarena, anunciando que seriam entregues 5 mil cestas básicas e também o pagamento de 1 salário mínimo para cada família atingida pelas consequências do naufrágio do navio Haidar e a morte de pelo menos 4.800 bois, parece que a demagogia e a exploração política passaram a tripudiar sobre as carências da população pobre daquele município.

As cestas começaram a ser distribuídas, é verdade - não se sabe se todas as cinco mil foram efetivamente entregues às famílias necessitadas -, mas até uma ex-candidata a prefeito pelo PMDB, Luziane Cravo, provável candidata ao cargo na sucessão do prefeito Vilaça, além dos deputados desse partido, Scaff e Chicão, resolveram aparecer no meio da tragédia como salvadores da pátria. O Ministério Público precisa averiguar essa denúncia feita ao blog. Os deputados citados e Luziane não foram localizados pelo blog para dizer o que estavam fazendo no meio da distribuição dos alimentos. 

Helder, segundo um vídeo em poder do blog Ver-o-Fato, declarou, no porto de Vila do Conde, que 10 mil cestas básicas seriam distribuídas.  Se eram 10 mil, como anunciou Helder, onde estão as outras cinco mil cestas? Quem as recebeu? Onde estão estocadas? Os boatos em Barcarena se espalham como rastilho de pólvora. Algumas comunidades impactadas pela tragédia reclamam que até agora não receberam sequer um quilo de arroz dessas cestas que a elas seriam destinadas. O que os moradores estão cobrando, além de transparência na distribuição das cestas, é como fica o pagamento de uma salário mínimo anunciado por Helder com pompa em sua meteórica passagem por Barcarena.

Foi para fazer essa cobrança que hoje pela manhã um grupo de moradores de Vila do Conde realizou um protesto em frente ao porto da Companhia Docas do Pará (CDP). A assessoria de comunicação da CDP informou que vai conceder o subsídio de um salário mínimo às famílias cadastradas pela Defesa Civil e listadas pelo Ministério Público Federal na ação ajuizada contra a CDP na última sexta-feira (16).

Ainda de acordo com a assessoria, a ajuda financeira deve ser concedida enquanto durar o problema social e ambiental em Vila do Conde. O Laboratório Central do Pará, por outro lado, aguarda o resultado de análises de amostras coletadas da água na última quarta-feira (14). Os resultados devem indicar se há contaminação do meio ambiente e riscos para o consumo humano.

Os primeiros resultados de análises da água coletada no dia 8 de outubro indicaram que as amostras não apresentavam riscos de contaminação por bactéria. Na última quinta-feira (15), foram coletadas mais cinco amostras de água e os resultados devem ser liberados na próxima semana.

 
Os moradores fecharam a frente da CDP de Vila do Conde e exigem que promessas sejam cumpridas
 
O deputado Chicão, do PMDB, posa ao lado das cestas, na companhia de Luziane

Outro deputado do PMDB, Scaff, ao lado de Luziane Cravo, entrega cesta a um morador


Fonte: http://ver-o-fato.blogspot.com.br/2015/10/moradores-de-barcarena-denunciam-uso.html

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Jader: uma história de assalto aos cofres públicos e de impunidade


Já vos caiu a ficha que Jader Barbalho (PMDB) pode ficar completamente impune?! 

Sem decisão final da justiça, seus crimes estão prescrevendo. Facilidades de um país onde corruptos fazem as leis. Legislam em causa própria.

Sobre ele pairam dezenas de denúncias. Processos recheados de documentos que comprovam os crimes de improbidade administrativa, de responsabilidade e de formação de quadrilha.

Do Banpará e da SUDAM foram bilhões desviados. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a quadrilha liderada por Jader Barbalho, desviou só da SUDAM 1,2 bilhão de reais.

Ele e Tourinho chegaram a ser presos em 2002 (foto) por determinação da justiça federal no Tocantins. Doze denúncias apresentadas. Um arsenal de provas recolhidas por agentes da Polícia Federal, auditores da Receita Federal, e procuradores da República. Barbalho beneficiou-se do vergonhoso foro privilegiado.

A mamata era tamanha, que o político não titubeou em trazer os esquemas para sua intimidade. Refiro-me ao famoso caso do Ranário financiado pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia. 

Sua esposa era dona desse Ranário (criação de rãs). De tão famoso, o caso virou filme de diretor americano, foi exibido no Festival de Roma e mostra a conexão entre corrupção e violência (http://www.bbc.com/portuguese/reporterbbc/story/2007/04/070426_mandabaladiretorbg.shtml).

Seu apadrinhado antigo, colega ginasial e amigo, Arthur Tourinho (o mesmo que presidiu o Paysandu), foi escolhido para ser o seu homem na SUDAM. 

A fome com a vontade de comer

É vergonhoso saber que para grandes bandidos, os que roubam muito, políticos como Jader e Renan Calheiros (PMDB/AL), que não podem, segundo a lei, mas que têm verdadeiros impérios de comunicação, não têm o peso da Lei.

Para eles chá, café, banquetes e tapinha nas costas. Tudo pago com dinheiro do contribuinte. 

Mas acima de tudo: para eles, o doce gostinho da impunidade. Tourinho também se beneficiou de foro privilegiado, pois elegeu-se deputado estadual em 2002. Lógico, pelo PMDB de Jader.

Jader Fontenelle Barbalho está solto. É senador da República. O filho, ministro. A ex esposa, deputada federal. O primo, deputado federal (que o protegeu muit,  quando presidente da 'Comissão da Amazônia' da Câmara Federal). 

Até hoje, passados anos e dezenas de kilômetros de processos nas varas judiciais de 1ª, 2ª e 3ª entrâncias, nenhum centavo (nenhum!) foi devolvido aos cofres públicos do Pará e do país.

Jader está solto. Podre de rico. Dono de latifúndios. Segundo o jornalista Alceu Luís Castilho escreveu em seu livro Partido da Terra, o político paraense é membro efetivo do violento e escravocrata "partido da terra" (bancada ruralista no Congresso Nacional).

Uma história que merece ser contada, lida, vista, repudiada. Pois uma história de vil rapina. O enredo é marcante e não faria feio, se confrotado, com qualquer série no Netflix.

Baiano concorda com delação premiada e pode demolir Eduardo Cunha e parte do PMDB

O acordo com a PGR prevê, pelo menos, outro anexos aonde ele detalhará sua participação no esquema da Petrobras. O lobista deve continuar preso na Polícia Federal até novembro. 



De acordo com o consultor e delator Julio Camargo, Baiano é “sócio oculto” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e teria recebido propinas de US$ 10 milhões pelos contratos dos navios-sondas. Desses, US$ 5 milhões teria ido para Cunha. O presidente da Câmara nega a acusação.

Baiano passou a quarta-feira prestando depoimentos na sede da Polícia Federal em Curitiba. A reportagem apurou que o operador já falou sobre três dos oito anexos inicialmente previstos no acordo. Entre os temas acordados, está a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. E a participação de políticos ligados ao PMDB no esquema.

Durante os dois meses de negociações para colaborar com a Justiça, Baiano adiantou aos investigadores de que o pagamento de propina relativas a refinaria americana não seu deu em 2006, quando a Petrobras comprou 50% da refinaria da Astra Oil. E, sim, durante as negociações para compra dos outros 50% da empresa a partir de 2008.

O acordo de Baiano pode alavancar outra colaboração emperrada na PGR: a do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.
Isso porque Baiano não soube explicar em detalhes como as negociações para a aprovação de Pasadena foram feitas internamente na Petrobras. Cerveró se comprometeu a entregar dados de como dirigentes da estatal participaram do esquema montando para a compra de Pasadena.

Fernando Baiano é apontado pelo doleiro Alberto Youssef e outros colaboradores como o operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras. Teria sido ele o operador de propinas do principal partido da base aliada do governo Dilma.
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Fonte: http://br29.com.br/baiano-fecha-delacao-premiada-e-pode-demolir-eduardo-cunha-e-parte-do-pmdb/

sábado, 8 de agosto de 2015

NEM GOVERNISTAS, NEM TUCANOS! FORA TODOS

PT, PMDB e PSDB não nos representam! Por uma Assembléia Nacional Constituinte pra reorganizar o país


Derrotar o ajuste e a corrupção de Dilma, Cunha, Aécio e governadores!

A crise política do governo Dilma/Temer avança aceleradamente, sendo que o executivo não possui capacidade de comandar o país. Embates decisivos acontecem e as instituições políticas estão ameaçadas, pois a linha sucessória da velha republica está mergulhada na corrupção e o Congresso não possui legitimidade. Está em debate nos partidos do sistema distintas saídas: “sangrar o governo até 2018”, “impeachment”, “novas eleições”, “unidade PT/PSDB” e “governo conciliador de Temer”. Além de rumores de um possível renuncia de Dilma. Saídas conservadores cuja preocupação é preservar a política neoliberal e o ajuste fiscal de Dilma, do Congresso e dos governadores. O que combina com a defesa das instituições da velha republica de 1988. Algo prejudicial aos interesses dos trabalhadores e do povo. Nesse contexto vão ocorrer os protestos do dia 16 e 20 de agosto, sobre os quais apresentaremos nossa visão, buscando construir uma saída alternativa de esquerda, conectada com as jornadas de junho de 2013 e da onda grevistas de 2014.

Não vamos ao dia 16 com os tucanos!

Sabemos que muitos trabalhadores estão insatisfeitos com o governo do PT e procuram uma alternativa para se opor aos desmandos de Dilma. Na ausência de uma alternativa visível pela esquerda e diante da falta de iniciativas e erros dos setores combativos, muitos trabalhadores acham que o dia 16 pode ser uma alternativa. No entanto, alertamos que uma manifestação construída pelos grupos de direita do facebook e convocada pelo PSDB não pode gestar algo positivo, principalmente, porque está centrada apenas na saída de Dilma para que assuma o vice Michel Temer ou para que ocorram novas eleições e vença Aécio. Ou seja, mudar algo, para que os que sempre governaram mantenham tudo como está. Por outro lado, sabemos muito bem quem são os tucanos. Basta lembrar dos anos de FHC ou verificar os governos atuais de Beto Richa e Alckmin com suas privatizações ou repressão policial.

Não vamos ao dia 20 com os governistas!

O MTST junto com várias organizações governistas, comandadas pelo PT e PCdoB, estão convocando um protesto para o dia 20 de agosto. Essa manifestação, cujo eixo é “por direitos, liberdade e democracia”, possui um viés de defesa do governo Dilma em contraponto ao dia 16 dos tucanos. Tanto é assim que Rui Falcão, o site do PT e o blog de Zé Dirceu convocam o dia 20 para blindar Dilma e Lula diante da crise geral do país. Não é por outro motivo que a cúpula burocrática da CUT, CTB, UNE e MST estão convocando o dia 20, enquanto abandonaram os “dias de luta” de maio sem construir uma greve geral e nada fizeram para apoiar a greve das universidades. Boicotam as lutas para apoiar projetos patronais como o PPE. Ou seja, uma manifestação que pretende defender um governo odiado pela maioria dos trabalhadores, da juventude, das classes médias e do povo pobre brasileiro.

O Governo Dilma é de direita! É impossível disputar seus rumos!

A direção do MTST tenta reeditar a velha linha de disputa dos rumos do governo Dilma, “criticando suas políticas antipopulares”. Pelo importante peso adquirido por este movimento, a partir da justa luta por moradia digna na qual somos parceiros, temos que debater as estratégias que o MTST apresenta. A “disputa dos rumos do governo” é uma orientação conciliadora que foi utilizada pelo PT e PCdoB durante o primeiro mandato de Lula para tentar confundir o movimento de massas. Uma política que não deu certo, pois após 12 anos estamos diante de governos cada vez mais conservadores. Ao mesmo tempo contêm o erro de tratar o PT e o próprio governo Dilma como parte do campo da “esquerda” e não como um inimigo. Um inimigo que integra e defende o sistema capitalista. Por isso, a convocatória do dia 20 declara guerra apenas a Cunha sem citar “Dilma”, se limitando a dar conselhos ao Planalto. Um erro em desconexão com o sentimento das ruas. E para quem tem dúvidas sobre o governo Dilma, basta ver que as principais frações da burguesia estão nele: financeiro, industrial e agronegócio.

Após o descrédito dos governistas, em função do estelionato eleitoral, do ajuste fiscal e por seu envolvimento na corrupção, apenas setores da esquerda podem lançar mão desse velho discurso. Por isso, Lula propôs uma suposta “frente de esquerda contra a direita”, para que novos atores sociais, com influência em setores de massas, incorporassem essa linha funcional ao PT. Infelizmente Guilherme Boulos e a direção do MTST estão errados em sua estratégia, e por conta dela escolheram um lado diante da polarização política atual: em agosto estão ao lado de Lula e dos Lulistas.

Construir um terceiro campo!

A tarefa mais importante, em meio à crise geral do velho regime burguês, é construir um terceiro campo. Não podemos cair na polarização entre petistas e tucanos. A foto de Dilma com governadores, os discursos de Mercadante elogiando o PSDB comprovam que eles possuem acordos fundamentais. No entanto, setores da ala esquerda do PSOL cederam às pressões dos governistas e convocam o dia 20. Um equívoco, sobretudo, para MES e Insurgência, que lideram o campo “Manifesto ao PSOL”, aglutinando a esquerda socialista e democrática do PSOL. No caso do MÊS e da companheira Luciana Genro trata-se de uma contradição, pois falam de construir um terceiro campo, “um novo junho”, “colocar abaixo este regime político e suas instituições”, mas constroem a marcha dos governistas. Algo sem sentido. Esperamos que esses companheiros, com os quais temos inúmeras lutas e bandeiras em comum, reflitam e mudem para que possamos construir efetivamente um terceiro campo. Uma alternativa que necessita do peso político e social dessas duas organizações e de toda a esquerda Psolista. Precisamos construir/fortalecer lideranças e organismos políticos/sociais independentes, vocalizando os interesses dos setores explorados que estão nas ruas, nos piquetes, nas ocupações, com uma estratégia classista e uma orientação de oposição de esquerda ao governo Dilma. Construindo uma alternativa pela esquerda a falsa oposição tucana e outras variantes do próprio sistema. Isso é mais importante diante da crise terminal do governo Dilma. Uma tarefa que poderia ser encabeçado pelas organizações que integram o “Manifesto ao PSOL”.

Ao mesmo tempo concordamos com os encaminhamentos da última reunião do Espaço de Unidade e Ação, conformada pela CSP-CONLUTAS e outras organizações. No manifesto dessa plenária afirma-se que a falência do governo do PT é progressiva e que devemos lutar para que não seja capitalizado pelo PSDB, nem pelo PMDB. Além disso, coloca a necessidade de construir uma alternativa conectada com os interesses da classe trabalhadora. Por isso, chama a INTERSINDICAL, MTST, PSOL, PCB, PSTU, dentre outras organizações, a construir um polo alternativo.

Propomos as organizações que compõe o Espaço de Unidade e Ação, as correntes e parlamentares que compõe o campo “Manifesto ao PSOL” e a outras organizações políticas e sociais que defendam a necessidade de um “terceiro campo”, começar a concretizar essa tarefa no interior da greve das Universidades e dos Servidores Federais, batalhando por seu fortalecimento, tratando de unificar e massificar a greve.

FORA TODOS! Por uma assembleia constituinte livre e soberana!

É preciso explicar aos trabalhadores e setores populares que não se trata de tirar Dilma para que assuma Temer ou para que Aécio e o PSDB volte a governar. Todos eles estão juntos aplicando o mesmo plano de ajuste fiscal contra os trabalhadores e todo estão envolvidos nos esquemas corruptos da operação Lava Jato. Por isso, a esquerda não pode estar colada aos governistas, deve se afastar de Dilma e Lula. Deve estar nas ruas, junto aos grevistas, lutando para colocar todos eles para fora, apresentando um plano econômico alternativo combatendo o ajuste fiscal, a corrupção e lutando pelas pautas vigentes desde as jornadas de junho. Lutar pelo Fora Todos e propor uma Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana para reorganizar o país sobre novas bases. E concordamos com Vladimir Safatle pois em tal Assembléia “poderiam se apresentar candidatos independentes, fora de partidos políticos, com controle estrito do poder econômico”. Na mobilização para essa Constituinte poderíamos debater a ordem política, econômica e social da republica e poderíamos reverter todas as medidas contrarias aos interesses dos trabalhadores e do povo.

07/08/2015
Corrente Socialista dos Trabalhadores - PSOL

terça-feira, 7 de abril de 2015

Tenebrosas transações e fraude fundiária de sobrinho de Jatene

Sobrinho de Jatene envolvido em fraude fundiária em Castanhal. Crime envolve também o prefeito Paulo Titan (PMDB). É mais um rolo de Eduardo Salles, o sobrinho de Jatene, que também é sócio do empresário Antonio Carlos Vieira, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do advogado Jorge Pimentel.


O governador Simão Jatene: sobrinho milionário e enrolado comanda o Nordeste do Pará.

por Ana Célia Pinheiro

O empresário Eduardo Salles, sobrinho do governador do Pará, Simão Jatene, e o prefeito de Castanhal, Paulo Titan, do PMDB, estariam envolvidos em um rumoroso caso de fraude fundiária naquele município.

Segundo fontes do Ministério Público Estadual, que investiga o caso desde 2013, já há fortes indícios de crime e “a fraude é grande”.

Ela envolveria a expedição de títulos de aforamento, com a adulteração e até sumiço de processos e de livros de inscrições de imóveis daquela Prefeitura. Uma secretária municipal já teria admitido, em depoimento ao MP, que os livros são falsos.

O MP obteve autorização do Tribunal de Justiça do Estado para investigar o caso, já que o prefeito de Castanhal possui foro privilegiado.

Ainda não se sabe quanto hectares teriam sido fraudados. No entanto, fontes do MP não descartam a necessidade de um recadastramento fundiário naquele município.

Não é a primeira vez que o sobrinho do governador Simão Jatene é envolvido em um escândalo de grandes proporções.

Um empreendimento imobiliário de Eduardo Salles em Castanhal, o Salles Jardins, tem como sócia uma empresa pertencente ao empresário Carlos Antonio Vieira, acusado de ser um dos mandantes dos assassinatos do advogado Jorge Guilherme Araújo Pimentel e do madeireiro Luciano Capaccio, em março de 2013, no município de Tomé-Açu.

O ex-gerente regional do Detran em Castanhal, Washington Luís Antunes Nóbrega, que foi afastado do cargo, em 2013, por suposto envolvimento em uma quadrilha que fraudava carteiras de habilitação, é um dos sócios da Engecon, empresa que funcionava no galpão de uma das fazendas de Eduardo Salles.

A Engecon faturou milhões no primeiro Governo de Jatene, entre 2003 e 2006. Washington chegou a figurar como preposto de Eduardo em processos da Justiça do Trabalho que nada tinham a ver com a Engecon, mas, com fazendas pertencentes ao sobrinho do governador.

A Perereca conseguiu comprovar o registro cartorário de cerca de 5 mil hectares em nome de Eduardo Salles, nos municípios de Castanhal e Inhangapi.

Ele também é ligado a várias empresas e até exporta gado para o Líbano. 

A Plataforma Logística do Guamá, na qual o governador Simão Jatene promete investir milhões, fica às proximidades das terras de Eduardo Salles, anteriormente já beneficiadas com a pavimentação de estrada, pelo governo estadual, e até com um projeto de recuperação da piscosidade de rios e igarapés.

Segundo jornalistas de Castanhal, Eduardo Salles é presidente de honra do PSDB daquele município. Ele também representa o tio em palanques eleitorais de candidatos a prefeito no Nordeste do Pará.

No Governo Jatene que foi de 2003 a 2006, quem comandava a Regional da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa) era a assistente social Maria de Fátima Motta Salles, que seria mulher de Jorge Salles, irmão de Eduardo.

Jorge Salles é hoje presidente do Instituto de Previdência de Castanhal e Maria de Fátima é assessora do prefeito Paulo Titan.

Embora do PMDB, o prefeito apoiou a reeleição do tucano Simão Jatene ao Governo do Pará, no ano passado. O vice de Titan, Milton Campos, foi eleito deputado estadual pelo PSDB nas últimas eleições.

A Perereca está tentando obter mais detalhes do MPE acerca desse caso de fraude fundiária em Castanhal. 

Leia as reportagens já publicadas pelo blog sobre os rolos e o impressionante enriquecimento do sobrinho do governador:

10 de abril de 2012 - "Família feliz: projeto do Governo do Estado vai beneficiar região onde sobrinho de Jatene adquiriu milhares de hectares. Serão R$ 50 milhões no Complexo Integrado do Guamá, que abrange o Porto de Vila Pernambuco, em Inhangapi. Mas não se sabe se Eduardo Salles, o felizardo sobrinho de Jatene, ainda mantém a propriedade desses terrenos”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/04/familia-feliz-projeto-do-governo-do.html 

28 de fevereiro de 2013 – “Sobrinho de Jatene enriquece a olhos vistos e comanda o nordeste do Pará. Só por um terreno ele pagou R$ 1 milhão e duas de suas fazendas somam mais de 5 mil hectares. E mais: um investimento de R$ 66 milhões do governo vai valorizar ainda mais as terras do sobrinho do governador. Afinal, de onde vem a fortuna de Eduardo Salles?”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/02/sobrinho-de-jatene-enriquece-olhos.html 

26 de abril de 2013 – “Ligações Perigosas: Sobrinho do governador do Pará é sócio do empresário acusado de mandar matar o advogado Jorge Pimentel. Empresário, que é pai do prefeito de Tomé-Açu, está foragido”: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/04/ligacoes-perigosas-sobrinho-do.html 

27 de abril de 2013 – “Uma turma da pesada: sobrinho do governador Simão Jatene é sócio do empresário que seria mandante de assassinatos em Tomé-Açu, e que também seria sócio de empresário envolvido em fraude imobiliária em Alagoas. E mais: Eduardo Salles, o sobrinho de Jatene, e Carlos Vieira, que está foragido, também estão envolvidos em complicadas transações pela posse de terrenos, em Ananindeua e Rondon do Pará”: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/04/uma-turma-da-pesada-sobrinho-do.html 

31 de outubro de 2013 – “Presidente da OAB ameaça denunciar Pará a organismos internacionais e a levar Jatene a responder por crime de responsabilidade. Assassinato do advogado Jorge Pimentel vai completar 8 meses, supostos mandantes continuam foragidos e governador não pede ajuda à Polícia Federal. Sobrinho de Jatene estaria ajudando foragidos. Presidente da OAB diz que Justiça do Pará só funciona “para a ralé” e que “a paciência acabou”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/10/presidente-da-oab-ameaca-denunciar-para.html 

5 de outubro de 2014 – “Fortuna da família do governador Simão Jatene pode chegar a mais de R$ 40 milhões. Postos de gasolina de Beto Jatene faturam 21,6 milhões por ano e valem pelo menos R$ 15 milhões. Fazendas, terrenos e empreendimentos imobiliários de Eduardo Salles, sobrinho de Jatene, alcançam quase R$ 15 milhões. Apartamentos de luxo da família do governador valem mais de R$ 3 milhões. E ainda falta contabilizar casas noturnas e cabeças de gado”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2014/10/fortuna-da-familia-do-governador-simao.html
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Fonte: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2015/03/sobrinho-de-jatene-envolvido-em-fraude.html

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Jesus não ressuscitou

Impressiona o barbarismo. Impressiona porque a barbárie se expressa através da morte. O Rio de Janeiro já conta com mais mortos por "bala perdida" este ano, que durante todo o ano passado. Um verdadeiro rio de sangue.

No Facebook, com a seguinte frase: "Todos os partidos de viés religiosa, sem exceção, votaram a favor da redução da maioridade penal. Não é interessante? Fonte: Max Cavalera
por Marcus Benedito

O menino Jesus foi morto pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) na quinta-feira, 02, fruto de uma “guerra” nada santa. Ontem não teve Páscoa no Complexo de favelas do Alemão, pois nem Eduardo de Jesus, 10, e nenhum dos outros cerca de 50 assassinados pela polícia ressuscitaram, como aconteceu com o personagem do Novo Testamento há cerca de 2.015 anos.

O Estado, através do secretário de Segurança Pública, Beltrame, e de sua porta-voz oficial, as organizações Globo, falam que isso ou foi "probleminha que ainda ocorre" ou que foi resultado do "despreparo da polícia".

Os movimentos sociais, os de defesa dos direitos humanos e as organizações não governamentais dizem que "quem atira na cabeça não é despreparado".
Concordo em gênero, número e grau com estes.
O estado programou as polícias para matar
O programa Brasilianas.org da TV Brasil, apresentado por Luis Nassif, convidou para debater o ‘genocídio brasileiro’ em julho passado, o professor e jurista Luiz Flávio Gomes, presidente do Instituto Avante Brasil (que estuda a analisa a violência urbana) e a fundadora e coordenadora do Movimento Mães de Maio Débora Maria da Silva. 

Cabe destacar o que o renomado jurista disse nesse programa: “há um verdadeiro genocídio em curso no Brasil. É uma ação consciente dos governantes. Independe de partido. PT, PSDB, todos convergem para essa mesma política. Pela ação ou omissão, promovem um escancarado genocídio das camadas populares".

Gomes e Débora foram chamados para debater, à luz da recente publicação do Mapa da Violência de 2014, esse processo de higienização social que tem vitimados centenas de milhares de brasileiros em menos de 4 anos.
 
No site GGN, a chamada para o programa diz o seguinte: "Dados do Mapa da Violência de 2014 mostram um crescimento de 13,4% dos assassinatos no Brasil em comparação a 2002. As principais vítimas são jovens do sexo masculino e negros". 
Mãe de Jesus enfrenta policiais no Alemão
Apenas entre os anos de 2008 e 2011, foram mais de 200 mil pessoas assassinadas no Brasil. "Um volume muito maior do que qualquer outro registrado nas zonas de guerra mundo afora."

"O tema está sendo abordado pela criminologia de forma crítica, com destaque para os estudos abordados pelo filósofo do direito Wayne Morrison. Ele reivindica hoje ampliação do objeto de estudo da clássica criminologia para que se preste mais atenção aos massacres provocados por ação ou omissão do Estado."

Segundo o professor, nesse processo há várias implicações, uma para o estado e as outras para a sociedade. Uma de cunho jurídico e as outras sociológicas. 

No que se refere a sociedade, é o que todo mundo já está cansado e REVOLTADO de saber: a maioria das vítimas dessa guerra aos pobres, disfarçada de guerra às drogas, são negros, pobres, jovens de 13 a 29 anos, moradores das favelas, periferias e baixadas das grandes cidades. Os executores, ainda segundo Luiz Flávio Gomes, são os agentes de segurança pública. Já os responsáveis, são os governantes. Governantes cometendo, por "ação ou omissão", crimes contra a humanidade e "crimes contra a humanidade, não prescrevem, os seus responsáveis podem ser criminalizados a qualquer época", conclui Gomes.

Tem muita razão o jornalista e escritor Mário Magalhães, quando diz que "Se o menino Jesus, 10, fosse morto em Ipanema, haveria comoção nacional. Eduardo de Jesus não provocou uma comoção entre os brasileiros", tampouco na grande mídia. 

E não provocou porque a grande mídia é racista, fascista e apoia esse processo de genocídio. A Rede Globo, por exemplo, consegue se indignar mais com os paparazzi que não deixam a família real britânica em paz do que com a morte, por tiro de fuzil na cabeça, de uma criança. A TV Globo se indigna e faz campanha para salvar uma pessoa em situação de rua, apenas quando esta é branca e bonita. Aliás, o caso de uma “mendigata” e de  um "mendigato", receberam mais minutos nos telejornais e programas da família Marinho do que toda a cobertura das mortes "por bala perdida" no Complexo do Alemão este ano.

Contra esse processo de genocídio, sociedade e organizações já começaram a se organizar

Na sexta-feira houve protesto de familiares e moradores do Morro do Alemão pedindo o fora das Unidades de Polícia Pacificadora, assim como do Exército Brasileiro, que há meses, sitia, amedronta e ameaça os moradores da favela.

Sobre essa carnificina em geral e o assassinato de Eduardo em particular, o vereador da capital fluminense, Babá (PSOL-RJ) disse em sua página em uma rede social que "O povo trabalhador do Rio de Janeiro não vai mais aceitar calado que crimes hediondos como este sejam cometidos por agentes públicos fardados. Chega de abuso contra os moradores das favelas. Ser pobre não é crime".

Babá falou ainda que seu mandato, assim como os demais movimentos organizados, estarão "insistentemente defendendo a memória e a história do menino Eduardo. O discurso de ódio não vai vencer", fazendo referência à vergonhosa campanha que tentaram realizar contra a vítima, o associando ao perfil de um garoto segurando, não se sabe em que circunstâncias, uma arma. Diz que não aceitarão que desrespeitam "a memória do menino. Agora tentam difamar e caluniar o jovem de 10 anos para justificar a brutal e criminosa ação da PM no Complexo do Alemão".

Não passarão!

É preciso lutar e agir como fez bravamente a mãe de Eduardo, dona Maria de Jesus. É preciso enfrentar os governantes e sua polícia assassina. Se faz imperativo a desmilitarização das polícias e a pressão pela aprovação da proposta de emenda constitucional 51, que reestrutura as policiais. (Clique aqui para saber mais sobre a PEC-51).

Como prova o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), desmilitarizar as Polícias Militares é uma questão de vida ou morte, pois, diz o texto, "a  cultura organizacional das PM's favorece a formação de organizações criminosas", as famigeradas milícias e grupos de extermínio.

Na busca de institucionalizar ainda mais o genocídio brasileiro, o Congresso Nacional discute uma sórdida proposta de redução da maioridade penal. A sanguinária bancada da bala tem a ousadia e desfaçatez de querer atacar o artigo 227 da Constituição Federal de 1998 e acabar com o mais avançado, copiado e premiado sistema protetivo e assistencial do mundo: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A frase do pai de Eduardo, ao desembarcar no Piauí para enterrar seu filho, é emblemática: "Nunca fomos ameaçados por bandidos, sempre pela polícia". O povo pobre e trabalhador precisa se organizar e fazer como os moradores do Alemão, que diariamente tem realizado protestos e exigido o fim da matança.

Nesse sentido é preciso que a juventude, os trabalhadores e o povo pobre do morro desça e ocupe as ruas. “Se a gente não tem paz, os governantes não vão dormir”, deve ser a palavra de ordem. Pois só com mobilização e luta, aliados aos movimentos sociais, entidades de defesa dos direitos humanos e partidos da oposição de esquerda, se poderá por fim ao plano de extermínio da população pobre encabeçada pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e pela presidenta Dilma Rousseff (PT) nas comunidades do Rio de Janeiro. Exemplo que serve para todo o Brasil.
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Última atualização: 20h57, 06/04/2014.