quarta-feira, 5 de julho de 2017

Altamira, 20h43

31/05/2017

por Marcus Benedito

No Bar do Pedro. Rolando o DVD do Samba Social Clube. Ensaiei meu samba o ano inteiro. Música linda de Benito Di Paula. Um  grupo de barbudos representando. Som que remete a muita coisa boa. Momentos únicos. Não tem como citar um sequer, porque muitos. Me foge à lembrança, como já cantou outro poeta. Lugar relativamente povoado. Espaço alternativo. Muito gostoso de estar. Com pessoas nunca antes vistas. Numa cidade nunca antes vista e caminhada. O som e as cervejas correntes te trazem pra perto. Gostoso para beber o gelado chopp artesanal do Pedro. 

Segundo dia que estou na cidade. Que bom que não tardei a conhecer aqui. Chama atenção um cartaz prestimosamente emoldurado do encontro dos Povos do Xingu, realizado entre os dias 19 e 23 de maio (o cartaz não diz. Vi depois que foi em 2008) em Altamira. Organizado pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre, resposta às agressões promovidas pelo governo Dilma (PT-PMDB) e empreiteiras, no que ficou materializado como um dos maiores atentados contra o meio ambiente e os povos da Amazônia: Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no coração do Xingu. Uma monstruosidade que só a sanha e a corrupção seriam capazes de planejar e executar.

Mas bonitamente ornamentado e frequentado, o Bar do Pedro não é o centro. O centro é o continente, claro, com seus belos e feios conteúdos: Altamira. Altamira é uma cidade distinta de todos os outros lugares que vi e sobre-vivi. Altamira é uma cidade surgida de um monte. Lugar pensado para que nele pudesse ser feita uma boa fortificação (ou ponto de mira apenas). Uma visão privilegiada que pudesse dar precisão às miras do canhão que levaria a pique qualquer tentativa de invasão desta vasta e bela e rica região por qualquer atrevido corsário ou estrangeiro no período do Grão Pará e Maranhão. Tudo ali. Uma mira alta. Só que o jogo nunca inverteu e o canhão continua estourando do lado da maioria do povo. Os canhões da destruição da maquinaria pesada, com o exército de 30 mil homens, 7 vezes e meia a mais do que foi empregado pelos faraós para a construção há milênios, das curiosas pirâmides do Egito. Ou mais impressionantes ainda, as que são encontradas espalhadas pela Amazônia e toda a América pré-colombiana.

Altamira, embaixo da mira, é uma cidade de gente fechada. Os canhões da Norte Energia S/A, conglomerado de megas empreiteiras de propriedade dos principais indiciados e presos pela Lava Jato, produziram e deixam marcas muito marcantes, porque profundas. Chagas fortes em tudo que habita e ama por essas paragens. Mais de R$ 30 bilhões de reais que nada produziram senão açoite e escárnio.

Como em tudo, não é de cara que se conhecem as coisas e as pessoas aqui. Altamira é muita superficialidade. Ainda que a morte seja berrante. Recentemente reconhecida como a cidade mais violenta do país. Onde mais se mata e morre. Não era por menos. Só o povo que vive e jazz aqui sabem a dor e a delícia de ver o que era doce desaparecer. Adeus mais lindo estuário e berçário das dezenas de espécies de peixes que tinha ali. Daqui da frente dava pra ver a Ilha dos Papagaios. Que literalmente pegou fogo. Nem James Cameron, que também esteve aqui, poderia conceber cenas mais cruéis e indecentes. Adeus Volta Grande. O rio, que tinha cara e gosto de guaraná Xingu, agora está com os olhos opacos, a cara própria e, portanto, também morada de peixe morto. Quem depende do peixe adoece e morre igualmente. Gente que engole choro. Ouve-se gritos de indignação, uhus, tormento, ilusão, tragédia.

Da orla a foto parece linda. Mas o rio Xingu é um rio que padece, propriamente agoniza. Está parado, envenenado, assassinado. Não se poderia esperar outro resultado para tamanho assombro. Empreendimento que fez esse povo experienciar as formas mais sanguinárias e primitivas que o capitalismo e a corrupção dos governos se utiliza para exterminar os povos. Os movimentos sociais, os ambientalistas, os atores Sigourney Weaver e Leonardo Di Caprio, o cantor Sting, mais do que eles: Raoni, Megaron, Antônia Melo, a guerreira Tuíra, já haviam denunciado aos quatros cantos do mundo a hecatombe que seria Belo Monstro sobre a vida de tudo que se meche ou não, respira ou não, nessa mágica região.

No DVD, Tereza Cristina e o grupo Semente (não deu tempo de ler o resto do nome), interpreta aquela que diz que vai manter a tradição. Vai meu bloco, tristeza e pé no chão. Recuso-me a pensar que esse será de fato o fim do Xingu e tudo que depende desse ecossistema. Recuso-me a pensar que tudo será dores. É preciso falar de flores.  E depois dela Chico Buarque de Holanda reforça que Vai Passar. Que embora a região e pátria estejam, desde os tempos do invasor Cabral, a serem subtraídas, que teremos um dia, alegria afinal.

Mas como essa tal felicidade, se o rio está morto? Se parentes morrem todo dia? Sensação de que o que sobra é uma avenida na beira do rio que foi enforcado. Lugar por onde passou a curumim e bailou um pajé, de sambas imortais, cantados pelos índios no desfile da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval deste ano, povo que viveu milênios até ter que presenciar essa ofegante epidemia chamada Belo Monte. O estandarte do Sanatório Geral vai passar? Espero que sim. Embora tenhamos constatado que essas pessoas estejam doentes do corpo, da mente e da alma.


A região que ouviu a promessa de que tudo seria festa, obras, melhorias, empregos, vida boa, em suma, o paraíso, não sabia que em vida seus povos conheceriam a verdadeira face do terrorismo de estado. O mesmo que gera fel, inferno, invade favelas, expulsa quilombolas, mata sem terras e sem tetos, promove dor, sofrimento, fome miséria, morte, inferno. Mas a revanche se opera. 

Queremos o Rio Xingu Vivo para Sempre! Alcione se despede: foi o fim, o sonho bonito de paz. As jornadas de lutas do primeiro semestre deste ano nos sugere que não. Não tocou, mas vale lembrar Cazuza: a história não acabou e ainda estão rolando os dados.

As quedas de Mossul e Raqqa e os rumos do jihadismo

A origem do jihadismo

Fonte: Correio do Brasil
por Taílson Silva

O que significa jihad? A palavra árabe jihad significa esforço ou luta. Para o Islamismo jihad tem um duplo sentido, pode ser aplicado num sentido bélico, a jihad sendo uma luta contra os inimigos do Islã e considerada como uma ação de legítima defesa contra um ataque violento. Pode ser aplicada no sentido da natureza espiritual, jihad sendo uma luta interior na qual todo muçulmano deve realizar para atingir a plenitude como indivíduo.

Dito isto, podemos aferir que a ação dos grupos jihadistas perpassa por uma interpretação literal e/ou deturpada das escrituras islâmicas, quando aplica de forma unilateral a jihad no sentido bélico. Isto é assim, pois a religião muçulmana leva implícita uma mensagem de paz e harmonia, apesar de alguns grupos extremistas (jihadistas) imprimirem a luta armada e as ações terroristas, ou seja, uma ideia de Guerra Santa. Logo a frente veremos que a ação dos grupos jihadistas está mais ligada aos seus objetivos políticos ou territoriais do que propriamente a salvação do islamismo.

Os primeiros grupos jihadistas apareceram no Egito, na década de 1970 e estes grupos foram imitados por outros países árabes em maior ou menor proporção. Nas décadas de 1970 e 1980, durante a Guerra do Afeganistão, ocorreu um salto na evolução dos grupos jihadistas, uma vez que os soviéticos haviam ocupado o país e alguns muçulmanos consideravam a legitimidade de se defender contra uma potência estrangeira que ocupava um território tradicionalmente muçulmano. O jihadismo também tem “suas versões” estatais, como os governos teocráticos e fundamentalistas da Arábia Saudita e do Irã, fortalecendo-se bastante com a chegada dos aiatolás ao poder no Irã em 1979.

A partir de então surgiram no mundo árabe grupos dispostos a expulsar os invasores, os infiéis e, por fim, todos aqueles que não seguiam as doutrinas do Islã. Em 1988, a Al-Qaeda surgiu com um movimento político-religioso que propunha a extensão da jihad em qualquer território onde os muçulmanos estivessem ameaçados, como a Palestina, a Síria e o Iraque. O jihadismo mais conhecido é o salafista, uma corrente que defende o regresso do verdadeiro Islã, promovendo ações para livrar os países muçulmanos de qualquer influência estrangeira.

O Estado Islâmico

Atualmente existem vários grupos jihadistas que atuam em várias partes do mundo, como Estado Islâmico, Al-Qaeda, Boko Haram, Al-Shabbab e outros. O grupo jihadista de maior atuação e com mais visibilidade nos dias atuais é o Estado Islâmico (EI) e por isso vamos nos ater a ele.
O Estado Islâmico é uma organização ditatorial-militar-burguesa, que tem um programa reacionário e teocrático, onde as leis são baseadas na deturpação das escrituras islâmicas pelo “Califa” Abu Bakr Al-Baghdadi. O EI cresceu na perspectiva de construir um “Califado” com base na conquista de territórios na Síria e no Iraque, mas também, no Oriente Médio e no Norte da África, com intuito de se apoderar de vastas regiões e dominar suas riquezas, muito além do propalado objetivo jihadista. É uma organização islâmica sunita, é uma ruptura da Al-Qaeda e foi parte da resistência iraquiana contra a invasão de Bush, ou seja, sua origem se deu a partir da atuação do imperialismo europeu e estadunidense na região, que provocou a desestabilização da região e o afloramento dos conflitos sectários entre os povos e as distintas frações religiosas do islamismo. Mas também teve forte contribuição dos governos regionais, ora por financiamento direto das monarquias sunitas dos países do golfo pérsico ou da Turquia, ora pela repressão dos governos teocráticos xiitas, como Irã e o Iraque, sobre as minorias sunitas desses países, o que fez ter um apoio inicial entre os sunitas do Iraque.

As ações do EI também são financiadas a partir da cobrança de impostos da população das cidades que controla, assim como pela venda no mercado “ilegal”, do petróleo (cerca de 1,6 milhões por ano) e de relíquias, oriundas dos patrimônios históricos das civilizações antigas (que tem potencial de alcançar cerca de 100 milhões por ano), entre outras fontes, como sequestros e etc. O Estado Islâmico cresceu, com a aliança com organizações como o Boko Haram e outros pequenos grupos no Oriente Médio e Norte da África passando a atuar em países como Egito e Líbia. Crescimento que foi base para a proclamação do “Califado” Islâmico em 2014.

O “califado” Islâmico e o crescimento das ações terroristas

A proclamação do "califado" foi no dia 29 de junho de 2014, com a conquista da cidade iraquiana de Mossul, uma grande e importante cidade do norte do Iraque, com cerca de 2 milhões de habitantes na época e banhada pelo rio Tigre. Logo depois, com a captura da cidade síria de Raqqa, uma cidade média, de cerca de 200 mil habitantes em 2014, banhada pelo rio Eufrates, o EI passou a ter uma capital para seu “califado”. A partir de então, o EI foi expandindo as fronteiras do “califado” e ganhando influência territorial e política pelo mundo.

O crescimento do territorial do Estado Islâmico, também provocou uma grande leva de ataques terroristas pelo mundo, que vitimaram civis em várias partes do planeta, mas que tem na população que reside nos países de maioria islâmica suas principais vítimas, principalmente na Síria, Iraque, Paquistão, Egito, Líbia, Turquia, Afeganistão, e outros da África e Oriente Médio.

Nos países ocidentais as principais ações jihadistas ocorreram na França. Em 13 de novembro de 2015, uma série de ataques contra bares, restaurantes e uma sala de concertos em Paris deixou ao menos 130 mortos e cerca de 350 feridos. Em 14 de julho de 2016, durante as festividades do Dia da Bastilha, um caminhão avançou sobre uma multidão em Nice, no sul da França, e matou 86 pessoas.
A Turquia é um dos países que mais sofreram com atentados. Um ataque suicida numa festa de casamento, em 20 de agosto de 2016 no sudeste do país, deixou ao menos 54 mortos. Dois meses antes, em 28 de junho, membros do EI realizaram um ataque com bombas no aeroporto de Istambul, onde 45 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas. Em outubro de 2015, um atentado em uma manifestação contra o governo em Ancara matou mais de 100 pessoas.

Nos seis primeiros meses de 2016, ocorreram 31 ataques terroristas de autoria confirmada. Desses, apenas 3 foram em países do Ocidente, enquanto outros 28 ocorreram espalhados em países como Iraque, Afeganistão, Egito, Líbia e Paquistão. Mais de 904 pessoas morreram só neste ano por conta de ataques coordenados por grupos terroristas fora de países do Ocidente.

O ataque mais grave ocorreu justamente neste mês de julho, no Iraque. Mais de 300 pessoas morreram no dia 3 de julho, com atentados com carros-bomba e explosivos. Uma das ações coordenadas atingiu uma movimentada área comercial do centro da capital iraquiana, que estava repleta de gente devido ao Ramadã, mês de jejum muçulmano. O próprio Estado Islâmico reivindicou o ataque. No Iraque, de janeiro até o mês de julho foram seis ações terroristas no país, deixando centenas de mortos e milhares de feridos.

A queda do “Califado”

Após quase três anos da proclamação do “califado” o EI vem sofrendo uma derrota histórica em suas ambições territoriais. Ocorre a quase um ano, desde outubro de 2016, conflitos pelo controle de Raqqa na Síria e de Mossul no Iraque. Existe a possibilidade concreta da queda de Mossul e Raqqa a qualquer instante, o que poderá selar o destino do Estado Islâmico. Em Mossul restam cerca de 300 militantes do EI no centro histórico, a maioria estrangeiros, que não abrandaram os combates, mas que não terão forças de combate, é questão de dias para Mossul ser totalmente libertada do Estado Islâmico.

Em Raqqa o EI encontra-se completamente cercado, tendo perdido, esta semana, o controle de uma região ao sul do rio Eufrates, cortando assim a última estrada que poderia ser utilizada para se retirar da cidade. O EI perdeu recentemente o controle das cidades de Palmira na Síria, Tikrit, Ramadi, Sinjar e Fallujah e uma grande área perto de Erbil, todos no Iraque, pode perder agora o controle de Mossul, terceira maior cidade do Iraque e o último grande reduto jihadista no Iraque e também sobre Raqqa na Síria, a capital do então "califado". Em 2 anos, o Estado Islâmico perdeu mais da metade da porção territorial que controlava, tendo seu “califado” pulverizado em pouco menos de 1 ano de combates.

Era uma vez o Estado Islâmico? Como “califado territorial”, sim! Como organização jihadista, não!

Apesar da pouca visibilidade dada na mídia, estes conflitos são importantes e podem ditar dinâmicas regionais no oriente médio e no norte da África, assim como no restante do planeta. A recente perda de territórios do EI no Iraque e na Síria, faz esta organização jihadista reacionária, perder seu "califado islâmico", mas faz este grupo partir para outra estratégia que pode gerar ações mais violentas, descentralizadas, mundiais e distantes do seu propalado objetivo de construir um “califado” no Iraque e na Síria, algo que é bastante perigoso a nível mundial. Podemos assistir nos próximos meses a ocorrência de mais atentados em diferentes locais do planeta, pois a metamorfose do EI, faz esta organização viver uma espécie de Al-Qaedização, ou seja, uma organização jihadista que viverá de ataques e atentados, sem nenhuma ambição ou perspectiva territorial.

E quem protagonizará a derrota do EI em Mossul e Raqqa? Muitos grupos (as potências imperialistas, os governos árabes, milícias xiitas e cristãs e os diferentes grupos curdos) querem ser este ator principal e dependendo de quem será, principalmente se for os dois primeiros, nada de bom pode ser esperado para o futuro da resistência dos rebeldes sírios, dos povos do oriente médio e também dos curdos, pois fortalecerá o poder de governos reacionários regionais, como o iraniano de Rohani, o sírio de Assad e o iraquiano da coalizão yankee, além da força política que ganhará na região, figuras como Trump e Putin.

O peso dos curdos nestas batalhas é mais uma vez determinante para o futuro da luta deste povo por sua sonhada autodeterminação nacional, centralmente nas batalhas no Curdistão sírio (Rojava), da mesma forma como foram as heroicas batalhas em Kobane em 2015, onde os curdos derrotaram as hordas do EI.

Ainda há o drama de centenas de milhares de civis, centralmente em Mossul, que estão em meio ao fogo cruzado, onde cerca de 500 mil estão sofrendo com o desabastecimento de água e de comida, o que poderá aumentar o já grande número de refugiados no oriente médio, pois só até dezembro de 2016, cerca de mais de 100 mil civis foram deslocados.


O Estado Islâmico não luta pela libertação dos povos do oriente médio e do norte da África e por isso deve ser derrotado, mas não por uma intervenção militar dos países imperialistas, liderada pelos Estados Unidos, que estará a serviço da estabilização da região para o seu posterior controle político e econômico. Mas, sim por iraquianos (xiitas e sunitas), curdos e rebeldes sírios, numa perspectiva revolucionária de libertação nacional e anti-colonização imperialista.
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Taílson Silva é professor de Geografia da rede pública e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores/PSOL.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Manifestantes ocupam Brasília e preparam greve geral contra Temer e as reformas


Ontem foi um dia histórico. O governo Michel Temer (PMDB-PSDB) está encurralado. Não adiantou reprimir.

O povo marchou desde as 9h até as 18h30. Eram quase dois mil repressores. Mas uma avalanche de manifestantes. Foi em vão o uso de toneladas de gás de pimenta, cavalaria, cachorros, tiro porrada e bomba. Foi o povo pobre, a juventude e fundamentalmente a classe trabalhadora que os encurralou.

Ninguém arredou pé da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três corruptos poderes até que decidisse que era hora de voltar pra casa. O recado foi dado em alto e bom som. Foram quase 200 mil pessoas marchando no Ocupa Brasília. Temer, Maia/DEM, Rollemberg/PSDB (governador do DF) e os ratos de Brasília sentiram que eles estão por um fio.

Até um decreto autorizando as forças armadas nas ruas para reprimir o povo, o covarde e criminoso Temer fez. Não adiantou de nada. Os trabalhadores sentiram pela primeira vez que eles é quem têm a força. O gás não surtia mais efeito.

O que primou foi o ódio contra todo esse sistema e a vontade de incendiar Brasília. E a gente incendiou. Não só Brasília, mas o país e o mundo assistiu ao vivo o surgimento de uma nova etapa na luta de classes deste país. O tempo em que ninguém mais tem medo de polícia, capitão ou traficante, playboy ou general.

Pode vir quente nós estamos fervendo! "E joga mais, e joga mais, tô viciado na porra desse gás", se ouviu por várias vezes da boca dos que protestavam. Mas o que amendrotou mesmo os velhos de Brasília foi ver dois ministérios pegando fogo, o chamado a uma nova #GreveGeral de no mínimo 48h e a indignação estampada na cara de quem vai colocar pra #ForaTemer e todos os corruptos e botar abaixo esse regime apodrecido.

Os trabalhadores têm que tomar o poder em suas próprias mãos! Decidir seu destino. Colocar na cadeia todos esses bandidos, estatizar todas as empresas envolvidas na corrupção, suspender o pagamento da dívida pública e fazer reforma agrária e urbana, por fim à guerra aos pobres e à matança da juventude negra, e conquistar serviços públicos de qualidade e justiça social.

Apenas começamos!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Há 21 anos do massacre de Eldorado dos Carajás

Curva do S, Eldorado dos Carajás, local onde o governo Almir Gabriel determinou o massacre de 19 sem terras em 1996.

Semana passada estive na Curva do S, Eldorado dos Carajás, onde está montado esse acampamento do MTS (foto acima) e onde ocorreu há 21 anos o brutal massacre de 19 trabalhadores rurais sem terra.

De 17 de abril de 1996 pra cá nada mudou. Entramos no tão falado século XXI, mas as práticas das elites latifundiárias ainda são do tempo das Capitanias Hereditárias.

Direitos do povo são respondidos a bala. A justiça paraense segue sendo a mais injusta e impune do planeta. O governo, como o de Almir Gabriel (PSDB há época), mandante dessa chacina, segue ignorando as questões sociais e respondendo a Reforma Agrária com ferro e fogo.

Não a toa o Pará, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), permanece como o estado campeão em assassinatos de trabalhadores e lideranças rurais. Um quadro vergonhoso e de revolta, que mais uma vez nos faz homenagear e lutar pela memória dos que tombaram em Curumbiara, Eldorado dos Carajá, Anapu, Parauapebas.

Exigimos cadeia e punição exemplar para o oficiais e policiais da PM que cumpriram a ordem do governador Almir de desobstruir em abril de 1996 a PA 150! Exigimos o fim das mortes de trabalhadores no campo! Para isso, exigimos dos governos do estado e do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) um ousado plano de Reforma Agrária neste país.

Só enfrentando a ganância e o ódio do latifúndio teremos justiça social, comida boa e barata na mesa dos brasileiros e a tão sonhada paz.

"MST, a luta é pra valer!
Reforma Agrária quando?
Já!"

domingo, 16 de abril de 2017

A Senhorita Andreza e nós


por Carlos Mendes

Nem heroína, nem mártir. Apenas uma jovem nascida num bairro pobre de Belém e igual a tantas outras que passou pela vida sem que a vida tivesse passado por ela. É fácil apontar o dedo falsamente moralista e dizer que ela não estudou porque não quis, que poderia ter se espelhado em alguém da vizinhança, focado em outro caminho na vida. 

Não falta quem diga também que estaria viva se não tivesse frequentado ambientes perigosos, onde as pessoas se drogam ou se reunem para praticar crimes. Andreza Ariani Castro, aos 22 anos, seguiu um caminho que poderia ter volta, mas não teve. Nessa idade, é mais fácil errar do que acertar e ela errou e pagou por isto, como dizem alguns donos da verdade, nas redes sociais. 

No Facebook, no Twitter, nos programas policialescos de rádio e de TV, a morte de Andreza é o assunto da hora. "Ela teve o que mereceu", sentenciou um desses julgadores cheio de virtudes e razões. "A senhorita Andreza levou o farelo", bradou outro moralista. Também há os que lamentam pelas duas crianças, filhas de Andreza, que agora não terão a mãe por perto, como antes já não tinham o pai, também assassinado.

Não importa se foi alguém de motocicleta, carro prata, carro cinza, carro preto, se foi milícia militar ou paramilitar, se foi "acerto de contas entre bandidos", o que importa é que a jovem da Cabanagem deixou de ser um problema, não se sabe se para a polícia, para o tráfico ou para os que comemoram a morte dela, inclusive compartilhando a fotografia com a cabeça coberta de sangue. Um sadismo escancarado.

Haverá inquérito ou investigação para saber quem matou Andreza? Parece que é pedir demais num Estado onde a impunidade de "justiceiros" mata jovens a toda hora, inocentes ou com ficha policial. Os governantes precisam dormir em paz, cercados de seguranças armados, cães de guarda e câmeras de vigilância. Isto é o bastante.

Nós, os que por omissão mantemos a inércia oficial, também corremos o risco de ser as próximas vítimas. Sem heroismo ou martírio. Aliás, nem precisamos de rótulos para virar estatística fúnebre. Afinal, já fizemos as nossas escolhas. Assim, podemos morrer de susto, de bala ou de vício, como na música de Caetano.

Pouco interessa que sejamos cidadãos "do bem", porque estudamos, temos profissão definida, a geladeira abastecida e bons amigos. Ou "do mal", porque somos iletrados, rebeldes, desempregados, com amigos "perdidos", a pele negra ou sexualidade diferente.

Somos iguais no abandono e na insegurança. Se culpados ou não por nossas escolhas, como Andreza Ariani Castro, pouco importa. Ela "pagou" pelo que fez ou deixou de fazer. 

E nós, também, devemos "pagar".
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Carlos Mendes é jornalista e editor do blog Ver-o-Fato.

domingo, 9 de abril de 2017

Revolução e contra-revolução na disputa do território sírio


por Tailson Silva

Há mais de 6 anos atrás, inspirados pela primavera árabe, onde os povos do norte da África e do oriente médio, lutaram contra governos ditatoriais e chegaram a derrubar Ben-Ali na Tunísia, Mubarak no Egito e Khadafi na Líbia que eram ditadores de décadas, os sírios saíram as ruas para protestar pela derrubada do "seu" ditador Bashar Al-Assad, que junto com o seu pai (Hafez Al-Assad), governam a Síria por cerca de 60 longos anos. Protestos que foram prontamente reprimidos por Assad e deram vazão a organização dos rebeldes sírios e sua justa luta pela derrubada de Assad. 

Para tentarmos entender o que se passa na Síria, podemos nos auxiliar pela discussão sobre o conceito de território e como esta categoria geográfica é disputada por diferentes atores, no caso sírio, os atores são diversos, regionais e mundiais.

Segundo alguns teóricos, como Claude Raffestin, a construção do território revela relações marcadas pelo poder. Para ele, faz-se necessário enfatizar, que é o poder exercido por pessoas ou grupos que definem o território. Onde poder e território, tem que ser enfocados conjuntamente para a consolidação do conceito de território. 

Marcelo Lopes de Souza afirma que todo espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder é um território, seja ele um quarteirão aterrorizado por uma gangue de jovens ou até o bloco constituído pelos países membros da OTAN. Sendo que os territórios podem ser: temporários ou permanentes.

Marcos Aurélio Saquet consolida a opinião de Souza, quando afirma que o território pode ser temporário ou permanente e que este efetiva-se em diferentes escalas, não apenas naquela convencionalmente conhecida como o “território nacional” sob gestão do Estado-Nação, podendo um Estado-Nação possuir diferentes territórios, controlados e disputado por diferentes atores e/ou grupos.

Em uma tentativa de síntese: O Estado nacional sírio e suas muitas regiões, estão desde 2011 sendo disputadas por muitos e diferentes atores, que temporariamente avançam em um sentido ou outro. Desenvolvendo e abrindo caminho ora para a revolução síria e ora para a contra-revolução, onde Assad e os demais atores envolvidos buscam consolidar suas relações de poder sobre determinados territórios dentro da Síria.

Na busca pela volta da dominação completa do território sírio, Assad nunca se pôs negociar, provocando o início da guerra civil síria. Em 6 anos, diferentes conjunturas sucederam-se nesta guerra, com Assad fortalecido no início, os rebeldes fortalecidos após 1 ano de conflitos quando chegaram as "portas" de Damasco e controlando grandes cidades como Aleppo, a entrada em cena do Estado Islâmico que se apossou de parte da síria em 2013 e 2014 e com a retomada da força de Assad no último ano, com a entrada pesada da Rússia e de outros aliados de Assad. 

A guerra civil síria é permeada por vários e distintos interesses políticos, militares e econômicos de diferentes atores, não sendo fácil nenhuma leitura deste conflito. 

O governo de Assad grande representante da contra-revolução está sufocando os rebeldes, colocando quase que um ponto final no conflito, como fez na brutal retomada de Aleppo e tenta se manter a ferro e fogo no poder, nem que pra isso seja usada armas químicas como foi feito esta semana em Idlib. Controla regiões do sul, oeste (litoral) e centro.

Os rebeldes sírios, apesar da posição política da direção do Exército Livre da Síria, são os grandes atores territoriais da revolução síria, tentam resistir e lutar pela derrubada do genocida Assad, buscando aliados que nem sempre os ajudaram de fato, como alguns governos árabes ou países imperialistas. Têm sua condição de luta atual, após fortes derrotas, recolocadas ao patamar da resistência, diferente do patamar inicial de avanço da revolução pelo território sírio. Estão no sul, centro e norte do país.

Os Estados Unidos querem voltar a saquear as riquezas da região com "normalidade", coisa que a guerra atrapalha, e é por isso que Trump tenta ser protagonistas para impor o fim da guerra, deixam de um tímido apoio logístico aos rebeldes e aos curdos e passam a uma intervenção mais direta, não se sabe quais seriam seus próximos passos depois do bombardeio a uma base militar síria na última quinta. Tentam forçar a saída de Assad na tentativa de formar um novo governo, nem que a fragmentação do território sírio seja a consequência disto tudo. Mesmo sendo contra Assad não representam nenhum avanço da revolução em território sírio, são parte da estratégia geral de derrota dos processos revolucionários da primavera árabe.

A Rússia quer manter Assad no poder, pelas relações políticas, militares e econômicas, que seu país possui com Assad, por isso "arrastaram" o Irã, milícias xiitas iraquianas e o Hezbollah para a guerra, no intuito de defender Assad e retomar posições chaves, como conseguiram fazer recentemente em Aleppo. Os aliados de Assad, como o Hezbollah estão no sudoeste da Síria.

O governo da Arábia Saudita e do Catar querem a derrota de Assad, financiando milícias jihadistas, para desestabilizar os governos aliados ao Irã, para tentar retomar o anterior grau de protagonismo regional perdido no último período. 

O Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra que querem construir seus objetivos territoriais e jihadistas em meio ao pântano atual da Síria, como o proclamado califado do EI. Foram parcialmente derrotados com a diminuição de suas forças na Síria, mesmo assim são atores fortes neste conflito e são os elementos mais contra-revolucionários de todos. Controlam o leste e regiões do centro sul da Síria.

A Turquia quer derrotar os curdos também no território sírio, por isso ataca estes, sob a justificativa de ações de defesa do território turco na fronteira, para "impedir" a entrada de jihadistas do EI e o fortalecimento dos curdos. As oscilações de posições da Turquia, ora se comportando como "opositores" de Assad e ora como "aliados", foi vital para o recente fortalecimento territorial de Assad. Atuam no norte da Síria.

Os curdos que apesar de erros estratégicos compondo estranhas alianças, seguem sendo um dos principais elos territoriais da revolução síria, lutando pelo poder em seu território e por sua autodeterminação como nação, tanto contra Assad, o EI, a Turquia, o Irã, o Iraque, os Estados Unidos e a Rússia. Controlam regiões do norte sírio.

Mesmo de longe, podemos ter opinião e lado neste conflito: o lado da revolução. Que nos instáveis e temporários territórios sírios, tentam resistir e quem sabe poder derrotar os muitos e gigantes poderes contra-revolucionários de Assad e de tantos outros atores.

Em memória aos quase 500 mil mortos na guerra da Síria, das formas mais brutais possíveis, como nos bombardeios químicos. Em especial as crianças sírias e curdas que sonham com a vitória da revolução para terem o poder de viver em território de uma Síria livre e justa e na futura nação curda.
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Tailson Silva é professor de Geografia na rede pública de ensino do Pará e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST-PSOL).
Fonte imagem: Folha.

sexta-feira, 31 de março de 2017

GREVE GERAL 28 de abril! Fora Temer! Barrar a destruição da previdência e o fim dos direitos trabalhistas!

As Centrais sindicais decidiram convocar a classe trabalhadora a paralisar sua atividade no dia 28 de abril “como alerta ao governo de que a sociedade e a classe trabalhadora não aceitarão as propostas de reformas da Previdência, Trabalhista e o projeto de Terceirização aprovado pela Câmara, que o governo Temer quer impor ao País. Em nossa opinião, trata-se do desmonte da Previdência Pública e da retirada dos direitos trabalhistas garantidos pela CLT. Por isso, conclamamos todos, neste dia, a demonstrarem o seu descontentamento, ajudando a paralisar o Brasil”. Essa convocação de Greve Geral, para “Parar o Brasil” saiu no dia 27/03, durante reunião da CUT, Forca Sindical, CTB, UGT, CSB, CGT, Nova Central, juntamente com CSP-CONLUTAS e INTERSINDICAL.
Construir a greve geral é a tarefa mais importante!
Estivemos presentes na reunião e vamos construir a Greve Geral do dia 28 de abril. Do mesmo modo como estaremos nas manifestações unificadas do dia 31/03. Os ataques do governo Temer e do presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM), exigem uma resposta coordenada do conjunto da classe trabalhadora, da cidade e do campo. Também será fundamental a unidade com a juventude, as classes médias, os setores populares, os sem-teto, para construir protestos unificados e realizar gigantescas passeatas. Devemos aproveitar a fragilidade do governo de Michel Temer (PMDB/PSDB), o momento de crise política e institucional, o ódio popular contra esse governo patronal e corrupto para garantir uma forte greve geral para barrar os ataques e derrubar Temer, Rodrigo Maia e todo o corrupto congresso nacional. A greve geral de 28 de abril, é hoje o melhor meio de defender direitos e responder a intransigência de Temer. Por isso a classe trabalhadora, os sindicatos, oposições, partidos anticapitalistas, movimentos sociais classistas devem se apropriar desse calendário e construir desde já como toda a força a greve geral por todos os meios e de todas as formas.
Nenhuma confiança nas direções das maiores Centrais sindicais!
Infelizmente a data da greve geral ficou muito distante, desaproveitando a energia das Jornadas de Março. Deveriam ter convocado imediatamente a greve geral, em meio ao ótimo clima de luta que predomina no país, sem dar fôlego ao governo. Ao contrário, as Centrais apostaram em negociações trágicas sobre a Terceirização, confiando em Rodrigo Maia. Sabemos que as direções governistas, como o deputado Paulinho da Forca Sindical, vão barganhar mais cargos no governo ou fazer “corpo mole” em troca do retorno da contribuição assistencial. Já as direções ligadas ao ex-presidente Lula, como Wagner Freitas do PT e da CUT, querem um dia controlado, para seguir desgastando Temer, buscando canalizar a indignação para as urnas de 2018. Como se os problemas dos trabalhadores pudessem esperar as eleições, cujo resultado é comprado pelas empreiteiras. Por isso os trabalhadores não devem confiar nessas direções pelegas. Devem confiar em sua união e mobilização, organizando o 28/04 nas bases. Os trabalhadores devem tomar esse calendário em suas mãos e construí-lo desde já nos locais de trabalho, moradia e estudo. Divulgar a data da greve geral e seu objetivo e organizar todos e todas que estejam dispostos a somar forças nesse dia é nossa tarefa.
Organizar assembleias e construir Comandos Locais de base nas categorias! Construir Comitês da greve nos bairros, escolas e universidades!
A disposição de luta das bases explica a construção da greve geral. E será preciso agir para garantir essa luta. Temos que exigir que as Centrais convoquem assembleias e construam comitês de base para preparar a greve, que convoquem reuniões nos bairros, igrejas, escolas e universidades para apoiar a greve geral. Que as centrais convoquem plenárias estaduais para coordenar as principais manifestações unitárias. Que o dia 28/04 seja bem divulgado, com panfletagens, jornais unificados, anúncios em rádios, TV, outdoor. E que a greve seja bem organizada com piquetes para paralisações efetivas e fortes passeatas para barrar as contrarreformas e colocar para fora Michel Temer e Rodrigo Maia. E tudo que as direções das Centrais não fizeram os sindicatos classistas, as oposições e os ativistas de base deve fazer de forma autônoma!
Construir a Frente de Esquerda e Socialista em todo país!
Em meio as lutas precisamos construir uma alternativa política combativa e anticapitalista, ao estilo da Frente de Esquerda e Socialista do Rio de Janeiro. É necessário que o PSOL, o MTST, a CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL, o MPL, a Esquerda da UNE e ANEL, o PSTU, PCB, UP, o MAIS, NOS e outras organizações construam um polo alternativo, batalhando pela concretização da greve geral. Este polo deve organizar a greve geral como ela deve ser feita, realizando as reuniões e assembleias, construindo comissões de base e comitês que as direções das Centrais se negarem a chamar. Se eles não fizerem a esquerda classista e os movimentos combativos deve fazer para ajudar a luta a triunfar. Teria ainda a missão de construir um programa alternativo para o país, propondo a suspensão do pagamento da dívida interna e externa, canalizado esses recursos para as áreas sociais. Estatizando o sistema financeiro e as empresas envolvidas em corrupção e fraudes na qualidade de seus produtos. Defendendo a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução do salário, para evitar o desemprego. Propondo a reposição semestral da inflação e congelamento dos preços da cesta básica e das tarifas de água, luz, combustíveis e transporte para evitar a carestia. Dentre outras medidas, que deveriam ser construídas coletivamente numa plenária ou reunião nacional.
30 de março de 2017,
Corrente Socialista dos Trabalhadores – http://cstpsol.com

quarta-feira, 29 de março de 2017

Lista dos deputados paraenses inimigos dos trabalhadores

O governo Michel Temer (PMDB/PSDB) e o Congresso corrupto aprovaram no último dia 22/03 o projeto que permite a terceirização irrestrita. Essa medida, se efetivada, é o começo do fim dos direitos trabalhistas e dos concursos públicos. 
Precisamos exigir que a CUT e a CTB mobilizem de fato pra que dia 28 de abril seja a maior Greve Geral da história desse país. Único caminho para acabarmos com esses corruptos e suas medidas. Abaixo, a gente vê a imagem dos deputados do Pará que traíram o povo.
#ForaTemer #ForaTodosOsCorruptos #GreveGeral


sábado, 18 de março de 2017

Operação Carne Fraca: Empresários pensam apenas nos lucros, o capitalismo mata!


por Ricardo Wanzeller e Tailson Silva
No dia 17/03 mais um caso de corrupção foi desvendado pela Polícia Federal, esquema que envolve frigoríficos e fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura. A operação carne fraca revela a péssima qualidade dos produtos vendidos por duas gigantes brasileiras do setor de carnes: JBS, dona das marcas Friboi, Seara e Big Frango, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão, além de outras empresas 29 companhias frigoríficas que são acusadas de vender carnes estragadas, maquiadas com produtos cancerígenos e de péssima qualidade, tudo em nome do lucro.
Para o esquema funcionar as empresas subornavam fiscais que utilizavam-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina e atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. O dinheiro das propinas abasteciam políticos do PP e PMDB que são parte deste esquema criminoso, entre eles o ministro da justiça, Osmar Serraglio, que se elegeu deputado federal em 2014, com meio milhão de reais de financiamento direto do agronegócio.
Mais um capítulo da relação promíscua entre empresas e políticos, que tem no financiamento empresarial de campanha, no caixa dois, no favorecimento de empresas em licitações públicas e nas leis em favorecimento do lucro das empresas o casamento de interesses perfeito entre estes dois elos.
 JBS e BRF: Impérios favorecidos pelo dinheiro público
A JBS é um império do setor de carnes fundada há 54 anos, e teve um boom recente, tornando-se uma grande empresa no mercado global a partir de 2003, durante o Governo Lula (PT), quando o BNDES, passou a conceder empréstimos pesados e até se tornar seu sócio. Parte dos recursos que entravam na JBS acabaram sendo usados para adquirir pequenos e grandes concorrentes. Sendo atualmente um conglomerado internacional que além da produção de carnes, controla fábricas de celulose, biodiesel, um banco e uma emissora de televisão.
Tanto JBS quanto BRF receberam o impulso da política das “campeãs nacionais” dos Governos petistas, que reforçavam financiamento público via BNDES a setores empresariais considerados promissores. O que gerou grandes lucros as duas empresas, por exemplo o lucro líquido divulgado pela JBS em 2015 foi R$ 4,6 bilhões, o dobro do registrado em 2014, quando o resultado foi de R$ 2 bilhões. Já a BRF, também em 2015 anunciou um lucro líquido de R$ 3,1 bilhões, um crescimento de 46% em relação ao registrado em 2014. Favorecimento que foi recompensado com a doação de R$ 5 milhões da Friboi para a campanha da chapa Dilma/Temer em 2014.
Exigimos punição aos responsáveis
Até o momento 38 mandados de prisão estão sendo cumpridos, 33 servidores do ministério da agricultura foram afastados e 3 frigoríficos foram fechados. O que ainda é insuficiente, pois muita gente grande está por trás deste esquema. Os lutadores deste país precisam ir as ruas com um programa concreto contra a corrupção, que defenda a punição para todos os corruptos e corruptores do país, sejam eles empreiteiros, lobistas, doleiros, banqueiros, ruralistas, empresários nacionais e internacionais ou políticos do PT, PMDB, PSDB, DEM, PR, PP e outros, com cadeia, confisco dos seus bens e estatização das empresas envolvidas. Só uma greve geral neste país, para prender todos corruptos e derrotar os ataques aos nossos direitos sociais e trabalhistas, desferidos por estes mesmos corruptos.
Capitalismo: o lucro que mata.
Esquemas criminosos e corruptos como esse não são novidade, são próprios da atual fase do capitalismo, que só destrói as forças produtivas da humanidade. Atualmente para empresários, governos e políticos vale tudo contra o povo pobre e trabalhador do planeta. Pois para os capitalistas uma premissa é básica: o lucro a qualquer custo, inclusive da humanidade.
Esta situação não é apenas um problema do sistema de vigilância da atual política nacional de alimentação e nutrição do Brasil. Precisamos enfrentar mais a fundo a estrutura sobre a qual está organizada a extração, produção e exportação do conjunto da alimentação humana. Defender uma nova estrutura de organização, qualidade e vigilância da nossa alimentação é defender o controle desta política por parte dos agricultores familiares e pequenos produtores rurais que enfrentam o agronegócio na luta pela reforma agrária e pela soberania alimentar.
É preciso que seja feita uma investigação séria e que os envolvidos tenham uma punição severa, mas somente isso não será suficiente, pois este é apenas um caso criminoso dentre tantos que existiram, existem e irão existir, enquanto este corroído sistema econômico vigorar.
A máxima do socialismo ou barbárie está mais concreta do que nunca! Vamos à luta!
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Ricardo Wanzeller é Assistente Social, mestrando pelo ICSA/UFPA e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST-PSOL).
Tailson Silva é professor de Geografia na rede pública e militante da CST-PSOL.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Romênia: povo esquenta protestos e desestabiliza governo

Uma espetacular demonstração de força do povo romeno contra o governo corrupto do país!


por Taílson Silva

No dia 31 de janeiro de 2017 o governo do Partido Social-Democrata (PSD) da Romênia aprovou uma lei, sem passar pelo Parlamento, que despenalizava alguns crimes de corrupção e abuso de poder, caso tenham provocado um prejuízo não superior a 44.000 euros (cerca de 150.000 reais). A ideia do governo era reformar o Código Penal para abrandar as penas por corrupção, sendo o principal articulardor o líder do PSD, Liviu Dragnea, indiciado pelo Ministério Público romeno num caso de abuso de poder e corrupção com danos estimados em 24.000 euros (82.000 reais), não podendo ocupar o cargo de primeiro-ministro devido à sua condição de indiciado. 

Por trás do discurso de diminuir a população carcerária do país, estava a intenção dos políticos romenos de se livrar de investigações e condenações, que nos últimos anos levou a centenas de detenções de políticos e responsáveis públicos. A ideia da inpunidade dos políticos é muito evidente, pois neste momento mais de 2.000 casos de abuso de poder estão em investigação na Romênia. Segundo um relatório de 2016 do centro de estudos IPP, 89 dos deputados eleitos nas eleições de 2012 – ou seja 15% do total – tinham sido investigados ou mesmo condenados por corrupção. 

O governo e os políticos corruptos da Romênia esqueceram de combinar com o povo, com a juventude e com os trabalhadores do país, que apesar das temperaturas congelantes do inverno europeu, se colocaram no front de batalha e realizaram uma forte e imediata reação, começando os primeiros protestos contra o famigerado decreto naquela mesma noite. No dia seguinte os protestos já eram descritos como os maiores desde a queda do regime estalinista em 1989. Aos gritos de “Ladrões” e “não vão safar-se com isto” os romenos começavam a derrotar nas ruas as intenções do governo. Manifestações que explodiram no dia 05 de Fevereiro, um domingo a noite, quando cerca de 600 mil romenos foram as ruas do país, em Bucareste e em outras 40 cidades da Romênia, forçando o governo a realizar uma reunião extraordinária pra revogar o decreto. 

Mas a população continua mobilizada realizando novas manifestações de milhares de pessoas para manter a pressão sobre o governo, exigindo a renúncia do primeiro-ministro social-democrata Sorin Grindeanu. "Queremos escolas e hospitais, não casos de corrupção. Os ladrões devem estar na prisão e não no governo", disse Elena Comam, estudante de Filologia na Universidade de Bucareste, durante um dos muitos protestos no mês de fevereiro. "O governo atual perdeu toda a sua credibilidade. O Partido Social-democrata venceu as eleições, não discutimos, mas deve encontrar gente honesta para comandar o país", declarou um dos manifestantes, Gheorghe, aviador aposentado. "É importante estar alerta, dizer aos governantes que os vigiamos e que não toleraremos mais corrupção", criticou Madalina, bibliotecária de 45 anos. 

Os gritos de “Demissão” para o governo romeno crescem e colocam em risco a estabilidade do governo corrupto do país, com a preocupação dos Estados Unidos e da União Europeia quanto a participação da Romenia na OTAN e na UE, caso esta crise não cesse. Os acontecimentos na Romênia acendem ainda mais a faísca do atual barril de pólvora da situação política internacional, marcada por questionamentos e enfrentamentos aos governos do mundo, a exemplo do que ocorre com Donald Trump nos Estados Unidos e no mundo. A luta dos romenos foi e segue sendo uma espetacular demonstração de força do povo romeno contra o governo corrupto do país, num evidente sinal de força e esperança aos povos, a juventude e aos trabalhadores do mundo que lutam contra os ataques e a retirada de seus direitos sociais e trabalhistas e contra a corrupção dos governos pelo mundo. Todo apoio a justa e massiva luta dos romenos contra o governo de ladrões do país. #Demissão!
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Tailson Silva é professor de Geografia na rede pública e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST-PSOL).
Imagem: Radio France Internationale - REUTERS/Alex Fraser.
Artigo publicado originalmente no jornal Combate Socialista, publicação mensal da CST-PSOL.

quarta-feira, 15 de março de 2017

15/03: Parar o país contra a Reforma da Previdência! Fora Temer!

Por uma plenária nacional de base chamada pelas centrais sindicais! Greve geral já, a partir de abril!
Um governo e um congresso corrupto querem roubar o nosso direito à aposentadoria. Esses bandidos que governam o país, apoiados pela grande imprensa e pelos grandes empresários, querem impor um dos maiores ataques contra nossos direitos nas últimas décadas.
A reforma da Previdência (PEC 287/2016) já tramita a todo vapor na Câmara Federal. Uma comissão especial foi instalada e o relator do projeto, deputado Arthur Maia (PPS-BA), parlamentar que teve a sua campanha financiada por fundos de previdência privada, pretende votar o seu relatório até o final de março. Para aprovar esse ataque o governo corrupto de Temer (PMDB) já prometeu verbas e cargos para os deputados na velha política do toma lá dá cá. Ou seja, Temer vai dar dinheiro da população trabalhadora para os deputados corruptos aprovarem o roubo dos nossos direitos.
O dia 15 de março convocado pelas centrais sindicais é um dia muito importante para barrarmos a reforma da Previdência. As centrais e a maioria dos sindicatos devem sair das palavras e partirem para a ação, mobilizando em cada local de trabalho, pois só assim poderemos acabar com essas medidas contra o povo e também com o governo Temer!
Conheça as principais medidas da contrarreforma da Previdência: 
Aumento da idade mínima de aposentadoria para homens e mulheres 
A PEC propõe igualar a idade mínima para homens e mulheres, que passariam a se aposentar aos 65 anos de idade. Um verdadeiro ataque aos direitos de todos os trabalhadores, em especial ao das mulheres, que enfrentam dupla e até tripla jornada de trabalho. Essa proposta não leva em consideração que a expectativa de vida é diferente dependendo da região brasileira.
Aposentadoria integral somente com 49 anos de contribuição 
Para se ter o direito a aposentadoria integral será preciso contribuir por 49 anos. Ou seja, para o trabalhador se aposentar aos 65 anos terá que começar a trabalhar aos 16 anos, idade escolar, e ter emprego com carteira assinada de forma ininterrupta sem uma única demissão. Tudo isso em um país onde o índice de desemprego é altíssimo. A grande maioria vai morrer sem se aposentar. Os que conseguirem não receberão o benefício de forma integral.
Redução no valor das Pensões 
Pela proposta do governo a pensão por morte deixa de se integral, sendo reduzida para 50%, com acréscimo de 10% por cada dependente menor. Mais uma vez são as mulheres que mais sofrem, pois a grande parte dos pensionistas são mulheres, que na maioria das vezes tem apenas essa renda para sobreviver. Para piorar, o reajuste da pensão será desvinculado do reajuste do salário mínimo o que impedirá qualquer aumento real no valor da pensão. Existem ainda outras medidas que atacam os diretos dos trabalhadores, como o fim do regime especial de aposentadoria para professores; criação de fundos de previdência complementar para todos os estados e o aumento da idade de 65 para 70 anos para que os beneficiários pela Lei Orgânica de Assistência Social e do Benefício Assistencial de Prestação Continuada (BPC) recebam o seu benefício.
Pela continuidade do calendário rumo a greve geral
Para derrotar as contrarreformas previdenciária e trabalhista será necessário darmos continuidade ao dia 15. Somente uma greve geral pode derrubar o corrupto governo Temer e todas as medidas de ataques contra os trabalhadores e para isso as Centrais sindicais tem que convocar uma greve geral para abril unificando todas as categorias. Por isso exigimos que logo após o ato do dia 15 as centrais sindicais chamem uma plenária nacional aberta para discutir a continuidade da luta contra as reformas e o governo Temer.
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quinta-feira, 9 de março de 2017

O Dia Internacional da Mulher

Ação política das operárias russas que desencadeou a revolução de fevereiro e deu origem ao Dia Internacional da Mulher, em 1917.
por V. I. Lênin

O resultado principal, fundamental, obtido pelo bolchevismo e pela Revolução de Outubro é haver atraído para a política justamente aqueles que eram mais oprimidos sob o capitalismo. Eram camadas que os capitalistas escravizavam, enganavam, roubavam, tanto no regime monárquico como nas repúblicas democrático-burguesas. Esse jugo, esse engodo, essa pilhagem do trabalho do povo, por parte dos capitalistas, era inevitável enquanto existisse a propriedade privada da terra, das fábricas, das usinas.
A essência do bolchevismo, do poder soviético, consiste em que ao desmascarar a mentira e a hipocrisia do democratismo burguês, ao abolir a propriedade privada da terra, das fábricas e das usinas, concentra todo o poder do Estado nas mãos das massas trabalhadoras e exploradas. Essas massas tomam a política em suas mãos, isto é, a tarefa de construir uma nova sociedade.
É uma tarefa difícil: as massas estavam escravizadas, sufocadas pela capitalismo, mas não existe nem pode existir outro caminho para sair da escravidão do salário, da escravidão capitalista.
Não é possível, porém, atrair as massas para a política se não se atraem as mulheres. No regime capitalista, de fato, a metade do gênero humano, constituída pelas mulheres, sofre dupla opressão. A operária e a camponesa são oprimidas pelo capital e, além do mais, mesmo nas repúblicas burguesas mais democráticas, persiste, em primeiro lugar, a desigualdade jurídica, porque a lei não lhes concede igualdade com os homens e, em segundo lugar — e essa é a questão essencial — elas sofrem a «escravidão doméstica», são «escravas domésticas», sufocadas pelo trabalho mais mesquinho, mais humilhante, mais duro, mais degradante, o trabalho da cozinha e da casa, que as relega ao âmbito estreito da própria casa e da própria família.
A revolução bolchevista soviética, arranca as raízes da opressão e da desigualdade das mulheres muito mais profundamente do que o tenha ousado, até hoje, qualquer partido e qualquer revolução. Entre nós, na Rússia soviética, não restou nenhum vestígio da desigualdade jurídica entre homens e mulheres. O poder soviético aboliu por completo a desigualdade particularmente ignóbil, abjeta e hipócrita que caracterizava o direito matrimonial e de família, a desigualdade em relação aos filhos.
Tudo isso é apenas o primeiro passo para a emancipação da mulher. Todavia, nenhuma das repúblicas burguesas, nem mesmo a mais democrática ousou dar esse primeiro passo. Não o ousou, tímida, detendo-se diante da «sagrada propriedade privada».
O segundo passo, o mais importante, consistiu na abolição da propriedade privada da terra, das fábricas e das usinas. Essa abolição, e somente ela, abre caminho para a emancipação completa e efetiva da mulher, para sua libertação da «escravidão doméstica», porque assinala a passagem da mesquinha e fechada economia doméstica para a grande economia socializada.
Essa passagem é difícil, pois é preciso transformar uma «ordem de coisas» das mais enraizadas, tradicionais, enrijecidas e inveteradas (na verdade trata-se de infâmias e barbarias e não de uma «ordem de coisas»). Mas a passagem foi iniciada; pusemo-nos ao trabalho e já marchamos por um novo caminho.
Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, as operárias de todos os países do mundo, reunidas em inúmeros comícios, enviarão sua saudação à Rússia soviética, que iniciou uma obra extremamente difícil, árdua, mas grandiosa, de porte mundial, precursora de uma verdadeira emancipação da mulher. Erguerão apelos corajosos para que não se deixem atemorizar pela reação encarniçada e às vezes feroz da burguesia. Quanto mais um país burguês é «livre» ou «democrático», tanto mais o bando dos capitalistas se desespera e enfurece contra a revolução operária; basta tomar como exemplo a república democrática dos Estados Unidos. Mas a massa dos operários já despertou. As massas adormecidas, ou semi-adormecidas, inertes, da América, da Europa e da atrasada Ásia despertaram definitivamente com a guerra imperialista.
Em todas as partes do mundo, rompeu-se o gelo.
A libertação dos povos do jugo imperialista, a libertação dos operários e das operárias do jugo do capital realiza progressos irresistíveis. Essa obra foi empreendida por dezenas e centenas de milhões de operários e operárias, de camponeses e camponesas. Por isso, essa obra, a libertação do trabalho do jugo do capital, triunfará no mundo inteiro.
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Primeira Edição: Publicado no suplemento da Pravda, nº 5, de 8 de março de 1921. (Obras Completas, vol. XXVI, págs. 193-194.)
Fonte: O Socialismo e a Emancipação da Mulher, Editorial Vitória, 1956.
Tradução: Editorial Vitória.