quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Pela unidade das lutas: derrotar a ofensiva de Trump e do imperialismo contra os trabalhadores e os povos!


Chamado internacional da Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional 

A ascensão de Donald Trump à presidência dos EUA constitui uma ameaça grave para os oprimidos e explorados. Trump é o comandante do imperialismo mundial e expressão de um setor do imperialismo que pretende lançar uma nova ofensiva contra os trabalhadores e os povos, precarizar ainda mais o trabalho, especialmente dos jovens, intensificar a depredação da natureza e atacar os direitos básicos das mulheres, dos povos oprimidos e dos imigrantes pobres, com o único objetivo de preservar o sistema imperialista e os lucros das multinacionais e grandes empresas capitalistas. Esta ofensiva é econômica e pode traduzir-se também em ações militares, diretas ou indiretas, e impulsionar uma escalada repressiva dos regimes burgueses contra seus povos.
Trump está apoiando o endurecimento da política genocida de Israel contra os palestinos. Na Grécia, Brasil, França e dezenas de países, atacam-se brutalmente as conquistas sociais dos trabalhadores. As multinacionais e os bancos continuam afundando as nações, com o valor cada vez maior da dívida externa, para seguir saqueando-as e explorando seus povos. Volta a aumentar a fome em vários países, enquanto uns poucos multimilionários controlam grande parte da riqueza mundial. Está enraizada no próprio capitalismo imperialista, nesta sua fase de decadência e putrefação, a crise que se agrava, sem cessar a miséria das massas e ameaça a sobrevivência da espécie humana.
Cem anos depois da Revolução Russa, a humanidade continua, mais do que nunca, ante a necessidade imediata da luta por libertar a humanidade do capitalismo imperialista e pela implantação do socialismo com democracia para os trabalhadores. É urgente e imperioso expropriar as multinacionais e os bancos, nos EUA, Europa, Reino Unido e Japão, transformando-os em propriedade social e coletiva. O mesmo se deverá fazer com as grandes empresas e latifúndios de todos os países. Para consegui-lo, os trabalhadores, a juventude, as mulheres e os setores populares devem lutar por governos dos trabalhadores em cada país. É nesta perspectiva que se deve enfrentar a nova contraofensiva imperialista. A rebelião dos trabalhadores, dos povos oprimidos, das mulheres e da juventude é a resposta à política reacionária dos Trump, Merkel, Macron & Cia. Em que pese a derrota da revolução síria, pelo massacre de Alepo, continua viva a rebelião dos povos árabes, hoje com as mobilizações em Rif no Marrocos e a heroica resistência do povo palestino, enquanto na Grécia e França as greves operárias enfrentam os planos de austeridade e as reformas trabalhistas da burguesia.
Na América Latina, por falta de apoio popular, caiu o governo petista de Dilma Rousseff e está cambaleante o governo de Temer, enquanto na Venezuela cresce a rebelião popular contra o ajuste e as intenções ditatoriais de Maduro. Grandes greves, especialmente dos docentes, eclodiram na Colômbia, Peru, Argentina e outros países. Outro fenômeno que se observa em todo o mundo são as grandes mobilizações de mulheres contra o feminicídio e a violência patriarcal, pela igualdade de direitos e o direito ao aborto. São, também, expressão deste processo de rebelião dos povos e de luta por autodeterminação, movimentos independentistas como o da Catalunha.
Estas lutas têm sido boicotadas pelas direções reformistas e pelas burocracias sindicais, e a traição aberta aos reclamos populares de responsabilidade dessas direções, juntamente com os partidos e governos socialdemocratas e os reformistas de esquerda, como Syriza e Podemos ou os governos ditos progressistas da América Latina, confunde politicamente setores operários e populares, que passam a votar em alternativas de direita. Este é o caso do fracasso do “socialismo do século XXI” de Chávez e Maduro, mas também de Lula-Dilma no Brasil e Evo Morales na Bolívia, que governaram pactuando com as multinacionais e impondo ajustes a seus povos.
Frente a esta situação, chamamos a uma ampla e urgente unidade de ação das lutas para enfrentar Trump e os governos imperialistas e capitalistas. Unidade de ação internacional contra o ajuste que prejudica os trabalhadores e setores populares, contra a criminalização do protesto e a degradação da natureza, pelo não-pagamento da dívida externa e os direitos democráticos das mulheres, por alimento, saúde e educação acessíveis ao povo, pela preservação do emprego e garantia de futuro para os trabalhadores, contra a fome, a repressão e os desastres climáticos. Unidade em apoio à luta da resistência palestina e à rebelião popular na Venezuela contra os ajustes e o totalitarismo de Maduro.
Hoje, o que as massas mais necessitam é superar a crise de direção revolucionária. Diante da traição dos aparelhos reformistas, necessitamos construir fortes partidos revolucionários que lutem pela independência de classe e o internacionalismo, retomando a via revolucionária que nos legaram Lênin e Trotsky.
O VI Congresso da UIT-CI ratifica o chamado a unir os revolucionários de cada país e de todo o mundo numa organização internacional revolucionária para a reconstrução da Quarta Internacional. Neste caminho, a UIT-CI repudia todo tipo de sectarismo e auto-proclamação. Por isto, fazemos um novo chamado a todas as organizações que reivindicam a vigência da luta pela revolução socialista mundial e por governos dos trabalhadores a trabalhar em comum e dar passos com vistas à unidade dos revolucionários em cada país e no mundo.
Pela unidade das lutas contra os ajustes econômicos e a repressão antipopular! 
Pela unidade dos revolucionários para a reconstrução da Quarta Internacional na luta por derrotar o capitalismo e por governos dos trabalhadores verdadeiramente socialistas!
VI Congresso da Unidade Internacional dos Trabalhadores-Quarta Internacional 
(UIT-CI)
Julho de 2017

Wladimir Costa monopoliza a bizarrice na Câmara na votação sobre denúncia de Temer

Deputado do Solidariedade, que tatuou nome de Temer no ombro, protagoniza espetáculo de exibicionismo e joga a seriedade de uma votação dessa magnitude no lixo


por Felipe Betim, para o El País

Foto: Evaristo Sá (AFP)
A inédita votação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara dos Deputados já tem um triste protagonista: o deputado Wladimir Costa, do Solidariedade. O protagonismo, neste caso, se deve às cenas bizarras que brasileiras e brasileiros, que se chocaram com os discursos vazios dos parlamentares durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff no ano passado, voltaram a assistir nesta quarta-feira pela televisão, mesmo antes da votação da denúncia.
Em alguns momentos, Costa monopolizou a bizarrice. Ao proferir um exaltado discurso para orientar a bancada de seu partido, o deputado do Pará defendeu a rejeição da denúncia contra Temer exclamando: "Nós, deputados da base do Governo Temer, temos moral para derrubar esses falsos moralistas e incompetentes (...) Tenham vergonha na cara! O Temer é um homem ético, transparente, tem preparo e hombridade. Vocês podem se preparar para chorar hoje no muro das lamentações", gritou e gesticulou, diante de um Jean Wyllys (PSOL) às gargalhadas. Costa também bateu no ombro ao defender o presidente. "Quem é Temer mostra a cara e até tatua o nome aqui no ombro", gritou Costa, que garante que no Pará o mandatário tem "80% de popularidade". Ao retomar o microfone para proferir seu voto, mais uma vez gritou: "Abaixo o Datafolha, abaixo o Ibope! Temer é um homem decente, preparado, honesto! Meu voto é sim!"
A tatuagem mencionada por Costa foi exibida no começo desta semana por ele mesmo: uma bandeira do Brasil e palavra "Temer" em seu ombro. Ele garante que gastou 1.200 reais e que o desenho é definitivo, mas já há tatuadores experientes dizendo que é temporário. Seja como for, utilizou as redes sociais para se justificar: "Eu não sou hipócrita". Nesta quarta, deputados da oposição foram ao microfone durante a fala de Costa para pedir que mostrasse o desenho. Ele foi inspiração inclusive para os adesivos que parlamentares colaram seus ombros com a frase "Fora Temer".
Sobre esses deputados da oposição, de partidos como o PT, PC do B, REDE e PSOL, Costa disse, como de costume, que formam parte de "organizações criminosas" — até que levou uma bronca do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Depois de seu discurso, o deputado do Solidariedade se comportou como aluno de primário, enchendo dois pixulecos do ex-presidente Lula para, durante os discursos da oposição, bater um no outro e fazer barulho. Até que os deputados petistas Valmir Prascidelli e Carlos Zarattini o empurraram e rasgaram, a dentadas, um dos bonecos. Nesse momento, com a confusão instalada na Câmara, a oposição começou a jogar dinheiro falso para o alto — as cédulas foram levadas em uma mala de dinheiro, em referência a Rodrigo Rocha Loures, ex-parlamentar e homem de confiança de Temer acusado de receber 500.000 reais em nome do presidente.
Costa acusa os partidos da oposição mas também tem telhado de vidro. Ele foi julgado pelo Tribunal Regional do Pará por abuso de poder econômico, devido à suspeita de arrecadação e gastos ilícitos em sua campanha de 2014. Em julho de 2016 teve seu mandato cassado, uma vez que a Corte concluiu que o parlamentar não registrou mais de 400.000 reais de gastos. A decisão final precisa ser confirmada agora pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Meses antes da decisão, Costa já havia protagonizado na Câmara outro show de horrores em uma sessão decisiva: a votação sobre a abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, também comparou os políticos petistas com os chefes do crime organizado e, em seguida, soltou uma frase de efeito: “O que Lula e Dilma fazem é um verdadeiro tiro de morte no coração, na alma do povo brasileiro”, gritou. De repente, disparou uma pistola de confetes coloridos.
O parlamentar está longe de ser alguém exemplar. Foi um dos que mais faltou a sessões em 2015, segundo o jornal Extra: de 125, compareceu a apenas 20. Quando aparece, puxa os holofotes para si e protagoniza momentos patéticos. Costa sintetiza toda a bizarrice que tomou o Congresso Nacional depois que a máscara de muitos de seus representantes corruptos caiu.

Picaretagem


Câmara salva Temer e revolta o país


O Brasil acordou indignado com a podridão na política. Os picaretas do Congresso são convictos da impunidade e acreditam que enganam a população, por isso impediram o presidente de ser investigado por corrupção passiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF)

Salvaram o corrupto Michel Temer (PMDB) com uma esfarrapada desculpa de que importa mais a "estabilidade econômica" do que um país governado por gente honesta. Onde já se viu?! A "estabilidade" deles foi o perdão da dívida multibilionária com a Previdência concedida para a bancada ruralista por Temer na noite anterior a votação da Câmara. Um toma lá, dá cá repugnante. 

A imoralidade na política foi zerada nos últimos dias no Brasil. Ontem teve de tudo no Congresso. De deputado engasgando na hora de votar a deputada (Simone Morgado -PMDB/PA) que disse ter se enganado. Antes era o "rouba, mas faz". Agora é o "rouba, mas investiga só Dia de São Nunca".  

O PT, PCdoB, MST e MTST, que dirigem a CUT, CTB, Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo são os principais responsáveis por essa catástrofe, pois liderados por Lula, nada fizeram pra impedir a impunidade. Não chamaram e nem construíram nenhum ato e nenhuma paralisação no país. 

Lula e seus aliados fizeram um grande acordão com os corruptos do PMDB, PSDB e DEM para salvar todo mundo, enterrar a Lava Jato, deixar Temer sangrando até 2018 e colocar o nefasto Lula lá nas próximas eleições. Não Passarão!

Basta de roubalheira e impunidade! Cadeia pra todos eles! O que só será possível com uma poderosa Jornada de lutas nesse país, a exemlo de março/abril de 2017, e com o povo mobilizado na rua.

Para barrar o aumento dos impostos, derrotar as Reforma da Previdência e revogar as já aprovadas é necesario colocar pra #ForaTemer e todos os corruptos!

Wlad é uma vergonha: Deputado é flagrado pedindo para uma mulher ‘mostrar a bunda’ durante votação

O fotógrafo Lula Marques registrou conversas de Whatsapp do deputado que tatuou o nome de Temer no braço direito.

por Rafael Bruza, para o Independente


O deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) teve conversas de Whatsapp registradas e divulgadas pelo fotógrafo Lula Marques nesta quarta-feira (02). Segundo o fotógrafo, que compartilhou as imagens no Facebook, o deputado conversou no Whatsapp durante “boa parte da sessão” em que se discutia a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) na Câmara dos Deputados. O parlamentar apareceu na imprensa essa semana por tatuar o nome de Michel Temer no braço direito, em sinal de apoio ao presidente. Em uma das conversas divulgadas, Wladimir Costa deixa uma mulher constrangida ao pedir que ela “mostre a bunda”.
“Mostra a bunda, mostra. Afinal, não são suas profissões que a destacam como mulher, é sua bunda. Vai lá, põe aí garota”, disse o deputado para um perfil de Whatsapp chamado M. Melo.
A interlocutora manda emojis de resposta e diz: “sem graça”.


O deputado insiste em outra mensagem.
“Fátima Bernardes, Sonia Abrão, Marília Gabriela, Mariza Godói são elogiadas, respeitadas e até desejadas pelas suas capacidades técnicas e não por um par de bunda, já bastante banalizada por todo o Tapajós do decano shortinho preto, que reveza com o vermelhinho, já bastante desbotado pelos anos”, diz o deputado.
A mulher responde: “Você poderia perder seu valioso tempo com coisas mais interessantes. rs #sóAcho”.
O fotógrafo Lula Marques já flagrou conversa do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) com o filho, Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) em fevereiro.

Em outro momento da conversa, M. Melo tem postura diferente com o deputado.
“Teria sido bem melhor se eu tivesse ficado quieta. #desculpas Esquece isso! Fica bem”, afirma em mensagem.
“Tá”, responde o Wladimir Costa. “Boa noite para vocês, afinal ele mora quase dentro da tua casa”.
Wladimir Costa votou a favor de Michel Temer nesta quarta-feira (02). Durante a tarde, na sessão, ele fez um discurso que gerou confusão entre os parlamentares.
Outra conversa
Falando com outra mulher, ainda durante a sessão dedicada à denúncia da PGR contra Michel Temer, o deputado recebe a seguinte mensagem: “Então vá lá tirar onda com outra. Não tenho estômago para isso. #Chato!”, escreve a uma mulher identificada como “Aneissa Show”.
“Suas ausências e várias invenções pra me abandonar ai, hoje sei de tudo com provas, mas enfim, se estás mais feliz com eles siga em frente, prefiro ser ultra-seletivo e modelo como um ser monogâmico”, escreve o deputado.

Deputado da tatuagem
Wladimir Costa apareceu na imprensa esta semana ao dizer que fez uma tatuagem definitiva do presidente Michel Temer no braço direito. Um tatuador de Brasília, que trabalha no estúdio citado inicialmente pelo deputado, disse que não fez a tatuagem e contrariou o parlamentar ao afirmar que a arte era de hena – provisória, não permanente como Costa havia declarado.
O deputado prometeu expor a tatuagem durante seu voto sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não mostrou o braço.
Em junho Wladimir Costa ficou conhecido por relatar como costuma pedir cargos e verbas ao presidente da República com “cara de coitadinho”.
Ele é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), desde 2010, por supostamente abrigar funcionários fantasma em seu gabinete em julho do ano passado.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará também chegou a determinar, por decisão unânime, a cassação de seu mandato. O parlamentar foi condenado por uso de caixa 2 e por ter omitido o gasto de R$ 410 mil na prestação de contas de sua campanha eleitoral em 2014.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O PSOL-RJ está com o povo da Venezuela, não com o governo Maduro!

A juventude do PSL, partido irmão da CST/PSOL na Venezuela, chama a seguir a rebelião não votando na Constituinte fraudulenta. Abstenção e continuar a mobilização! 

A Executiva estadual do PSOL-RJ recebeu com grande surpresa uma nota emitida ontem pela Secretaria (nacional) de Relações Internacionais do partido em apoio ao governo da Venezuela, de Nicolás Maduro.

É absurdo que, sem nunca haver incentivado o debate sobre a situação do país vizinho, a direção majoritária do partido emita posição de um setor em nome do conjunto do PSOL. Este método não é o que tem pautado a existência e funcionamento do nosso partido, pelo menos no Rio de Janeiro.

O drama vivido pela Venezuela e seu povo trabalhador é complexo o suficiente para exigir muita seriedade: o desfecho daquela situação terá impacto decisivo sobre como a esquerda é e será vista no mundo inteiro, em particular na América Latina.
Afinal, Nicolás Maduro leva adiante uma política econômica desastrosa e nada “esquerdista”, que cria uma tragédia humanitária em que o povo trabalhador sofre pela falta de alimentos e remédios. Maduro comete, ao mesmo tempo, cada vez mais atrocidades autoritárias, como suspender eleições, impedir legalização de partidos, prender oposicionistas, ordenar repressão brutal de manifestações, com mais de 100 mortos nas ruas desde o início do ano.

Nosso partido não pode apoiar Maduro, assim como tampouco apoia a oposição de direita representada pela Mesa de Unidade Democrática (o MUD), com a qual temos profundas diferenças ideológicas. Somos solidários com a oposição de esquerda da Venezuela que há tempos luta contra um regime autoritário e corrupto, por uma saída verdadeiramente popular e democrática.

Por todas essas razões, o PSOL-RJ se diferencia da direção nacional e sua nota e pretende promover o quanto antes um amplo debate, com movimentos, personalidades e partidos aliados dos trabalhadores, sobre o que se passa na Venezuela.

Rio, 1/8/2017
Executiva Estadual do PSOL-RJ

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Altamira, 20h43

31/05/2017

por Marcus Benedito

No Bar do Pedro. Rolando o DVD do Samba Social Clube. Ensaiei meu samba o ano inteiro. Música linda de Benito Di Paula. Um  grupo de barbudos representando. Som que remete a muita coisa boa. Momentos únicos. Não tem como citar um sequer, porque muitos. Me foge à lembrança, como já cantou outro poeta. Lugar relativamente povoado. Espaço alternativo. Muito gostoso de estar. Com pessoas nunca antes vistas. Numa cidade nunca antes vista e caminhada. O som e as cervejas correntes te trazem pra perto. Gostoso para beber o gelado chopp artesanal do Pedro. 

Segundo dia que estou na cidade. Que bom que não tardei a conhecer aqui. Chama atenção um cartaz prestimosamente emoldurado do encontro dos Povos do Xingu, realizado entre os dias 19 e 23 de maio (o cartaz não diz. Vi depois que foi em 2008) em Altamira. Organizado pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre, resposta às agressões promovidas pelo governo Dilma (PT-PMDB) e empreiteiras, no que ficou materializado como um dos maiores atentados contra o meio ambiente e os povos da Amazônia: Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no coração do Xingu. Uma monstruosidade que só a sanha e a corrupção seriam capazes de planejar e executar.

Mas bonitamente ornamentado e frequentado, o Bar do Pedro não é o centro. O centro é o continente, claro, com seus belos e feios conteúdos: Altamira. Altamira é uma cidade distinta de todos os outros lugares que vi e sobre-vivi. Altamira é uma cidade surgida de um monte. Lugar pensado para que nele pudesse ser feita uma boa fortificação (ou ponto de mira apenas). Uma visão privilegiada que pudesse dar precisão às miras do canhão que levaria a pique qualquer tentativa de invasão desta vasta e bela e rica região por qualquer atrevido corsário ou estrangeiro no período do Grão Pará e Maranhão. Tudo ali. Uma mira alta. Só que o jogo nunca inverteu e o canhão continua estourando do lado da maioria do povo. Os canhões da destruição da maquinaria pesada, com o exército de 30 mil homens, 7 vezes e meia a mais do que foi empregado pelos faraós para a construção há milênios, das curiosas pirâmides do Egito. Ou mais impressionantes ainda, as que são encontradas espalhadas pela Amazônia e toda a América pré-colombiana.

Altamira, embaixo da mira, é uma cidade de gente fechada. Os canhões da Norte Energia S/A, conglomerado de megas empreiteiras de propriedade dos principais indiciados e presos pela Lava Jato, produziram e deixam marcas muito marcantes, porque profundas. Chagas fortes em tudo que habita e ama por essas paragens. Mais de R$ 30 bilhões de reais que nada produziram senão açoite e escárnio.

Como em tudo, não é de cara que se conhecem as coisas e as pessoas aqui. Altamira é muita superficialidade. Ainda que a morte seja berrante. Recentemente reconhecida como a cidade mais violenta do país. Onde mais se mata e morre. Não era por menos. Só o povo que vive e jazz aqui sabem a dor e a delícia de ver o que era doce desaparecer. Adeus mais lindo estuário e berçário das dezenas de espécies de peixes que tinha ali. Daqui da frente dava pra ver a Ilha dos Papagaios. Que literalmente pegou fogo. Nem James Cameron, que também esteve aqui, poderia conceber cenas mais cruéis e indecentes. Adeus Volta Grande. O rio, que tinha cara e gosto de guaraná Xingu, agora está com os olhos opacos, a cara própria e, portanto, também morada de peixe morto. Quem depende do peixe adoece e morre igualmente. Gente que engole choro. Ouve-se gritos de indignação, uhus, tormento, ilusão, tragédia.

Da orla a foto parece linda. Mas o rio Xingu é um rio que padece, propriamente agoniza. Está parado, envenenado, assassinado. Não se poderia esperar outro resultado para tamanho assombro. Empreendimento que fez esse povo experienciar as formas mais sanguinárias e primitivas que o capitalismo e a corrupção dos governos se utiliza para exterminar os povos. Os movimentos sociais, os ambientalistas, os atores Sigourney Weaver e Leonardo Di Caprio, o cantor Sting, mais do que eles: Raoni, Megaron, Antônia Melo, a guerreira Tuíra, já haviam denunciado aos quatros cantos do mundo a hecatombe que seria Belo Monstro sobre a vida de tudo que se meche ou não, respira ou não, nessa mágica região.

No DVD, Tereza Cristina e o grupo Semente (não deu tempo de ler o resto do nome), interpreta aquela que diz que vai manter a tradição. Vai meu bloco, tristeza e pé no chão. Recuso-me a pensar que esse será de fato o fim do Xingu e tudo que depende desse ecossistema. Recuso-me a pensar que tudo será dores. É preciso falar de flores.  E depois dela Chico Buarque de Holanda reforça que Vai Passar. Que embora a região e pátria estejam, desde os tempos do invasor Cabral, a serem subtraídas, que teremos um dia, alegria afinal.

Mas como essa tal felicidade, se o rio está morto? Se parentes morrem todo dia? Sensação de que o que sobra é uma avenida na beira do rio que foi enforcado. Lugar por onde passou a curumim e bailou um pajé, de sambas imortais, cantados pelos índios no desfile da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval deste ano, povo que viveu milênios até ter que presenciar essa ofegante epidemia chamada Belo Monte. O estandarte do Sanatório Geral vai passar? Espero que sim. Embora tenhamos constatado que essas pessoas estejam doentes do corpo, da mente e da alma.


A região que ouviu a promessa de que tudo seria festa, obras, melhorias, empregos, vida boa, em suma, o paraíso, não sabia que em vida seus povos conheceriam a verdadeira face do terrorismo de estado. O mesmo que gera fel, inferno, invade favelas, expulsa quilombolas, mata sem terras e sem tetos, promove dor, sofrimento, fome miséria, morte, inferno. Mas a revanche se opera. 

Queremos o Rio Xingu Vivo para Sempre! Alcione se despede: foi o fim, o sonho bonito de paz. As jornadas de lutas do primeiro semestre deste ano nos sugere que não. Não tocou, mas vale lembrar Cazuza: a história não acabou e ainda estão rolando os dados.

As quedas de Mossul e Raqqa e os rumos do jihadismo

A origem do jihadismo

Fonte: Correio do Brasil
por Taílson Silva

O que significa jihad? A palavra árabe jihad significa esforço ou luta. Para o Islamismo jihad tem um duplo sentido, pode ser aplicado num sentido bélico, a jihad sendo uma luta contra os inimigos do Islã e considerada como uma ação de legítima defesa contra um ataque violento. Pode ser aplicada no sentido da natureza espiritual, jihad sendo uma luta interior na qual todo muçulmano deve realizar para atingir a plenitude como indivíduo.

Dito isto, podemos aferir que a ação dos grupos jihadistas perpassa por uma interpretação literal e/ou deturpada das escrituras islâmicas, quando aplica de forma unilateral a jihad no sentido bélico. Isto é assim, pois a religião muçulmana leva implícita uma mensagem de paz e harmonia, apesar de alguns grupos extremistas (jihadistas) imprimirem a luta armada e as ações terroristas, ou seja, uma ideia de Guerra Santa. Logo a frente veremos que a ação dos grupos jihadistas está mais ligada aos seus objetivos políticos ou territoriais do que propriamente a salvação do islamismo.

Os primeiros grupos jihadistas apareceram no Egito, na década de 1970 e estes grupos foram imitados por outros países árabes em maior ou menor proporção. Nas décadas de 1970 e 1980, durante a Guerra do Afeganistão, ocorreu um salto na evolução dos grupos jihadistas, uma vez que os soviéticos haviam ocupado o país e alguns muçulmanos consideravam a legitimidade de se defender contra uma potência estrangeira que ocupava um território tradicionalmente muçulmano. O jihadismo também tem “suas versões” estatais, como os governos teocráticos e fundamentalistas da Arábia Saudita e do Irã, fortalecendo-se bastante com a chegada dos aiatolás ao poder no Irã em 1979.

A partir de então surgiram no mundo árabe grupos dispostos a expulsar os invasores, os infiéis e, por fim, todos aqueles que não seguiam as doutrinas do Islã. Em 1988, a Al-Qaeda surgiu com um movimento político-religioso que propunha a extensão da jihad em qualquer território onde os muçulmanos estivessem ameaçados, como a Palestina, a Síria e o Iraque. O jihadismo mais conhecido é o salafista, uma corrente que defende o regresso do verdadeiro Islã, promovendo ações para livrar os países muçulmanos de qualquer influência estrangeira.

O Estado Islâmico

Atualmente existem vários grupos jihadistas que atuam em várias partes do mundo, como Estado Islâmico, Al-Qaeda, Boko Haram, Al-Shabbab e outros. O grupo jihadista de maior atuação e com mais visibilidade nos dias atuais é o Estado Islâmico (EI) e por isso vamos nos ater a ele.
O Estado Islâmico é uma organização ditatorial-militar-burguesa, que tem um programa reacionário e teocrático, onde as leis são baseadas na deturpação das escrituras islâmicas pelo “Califa” Abu Bakr Al-Baghdadi. O EI cresceu na perspectiva de construir um “Califado” com base na conquista de territórios na Síria e no Iraque, mas também, no Oriente Médio e no Norte da África, com intuito de se apoderar de vastas regiões e dominar suas riquezas, muito além do propalado objetivo jihadista. É uma organização islâmica sunita, é uma ruptura da Al-Qaeda e foi parte da resistência iraquiana contra a invasão de Bush, ou seja, sua origem se deu a partir da atuação do imperialismo europeu e estadunidense na região, que provocou a desestabilização da região e o afloramento dos conflitos sectários entre os povos e as distintas frações religiosas do islamismo. Mas também teve forte contribuição dos governos regionais, ora por financiamento direto das monarquias sunitas dos países do golfo pérsico ou da Turquia, ora pela repressão dos governos teocráticos xiitas, como Irã e o Iraque, sobre as minorias sunitas desses países, o que fez ter um apoio inicial entre os sunitas do Iraque.

As ações do EI também são financiadas a partir da cobrança de impostos da população das cidades que controla, assim como pela venda no mercado “ilegal”, do petróleo (cerca de 1,6 milhões por ano) e de relíquias, oriundas dos patrimônios históricos das civilizações antigas (que tem potencial de alcançar cerca de 100 milhões por ano), entre outras fontes, como sequestros e etc. O Estado Islâmico cresceu, com a aliança com organizações como o Boko Haram e outros pequenos grupos no Oriente Médio e Norte da África passando a atuar em países como Egito e Líbia. Crescimento que foi base para a proclamação do “Califado” Islâmico em 2014.

O “califado” Islâmico e o crescimento das ações terroristas

A proclamação do "califado" foi no dia 29 de junho de 2014, com a conquista da cidade iraquiana de Mossul, uma grande e importante cidade do norte do Iraque, com cerca de 2 milhões de habitantes na época e banhada pelo rio Tigre. Logo depois, com a captura da cidade síria de Raqqa, uma cidade média, de cerca de 200 mil habitantes em 2014, banhada pelo rio Eufrates, o EI passou a ter uma capital para seu “califado”. A partir de então, o EI foi expandindo as fronteiras do “califado” e ganhando influência territorial e política pelo mundo.

O crescimento do territorial do Estado Islâmico, também provocou uma grande leva de ataques terroristas pelo mundo, que vitimaram civis em várias partes do planeta, mas que tem na população que reside nos países de maioria islâmica suas principais vítimas, principalmente na Síria, Iraque, Paquistão, Egito, Líbia, Turquia, Afeganistão, e outros da África e Oriente Médio.

Nos países ocidentais as principais ações jihadistas ocorreram na França. Em 13 de novembro de 2015, uma série de ataques contra bares, restaurantes e uma sala de concertos em Paris deixou ao menos 130 mortos e cerca de 350 feridos. Em 14 de julho de 2016, durante as festividades do Dia da Bastilha, um caminhão avançou sobre uma multidão em Nice, no sul da França, e matou 86 pessoas.
A Turquia é um dos países que mais sofreram com atentados. Um ataque suicida numa festa de casamento, em 20 de agosto de 2016 no sudeste do país, deixou ao menos 54 mortos. Dois meses antes, em 28 de junho, membros do EI realizaram um ataque com bombas no aeroporto de Istambul, onde 45 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas. Em outubro de 2015, um atentado em uma manifestação contra o governo em Ancara matou mais de 100 pessoas.

Nos seis primeiros meses de 2016, ocorreram 31 ataques terroristas de autoria confirmada. Desses, apenas 3 foram em países do Ocidente, enquanto outros 28 ocorreram espalhados em países como Iraque, Afeganistão, Egito, Líbia e Paquistão. Mais de 904 pessoas morreram só neste ano por conta de ataques coordenados por grupos terroristas fora de países do Ocidente.

O ataque mais grave ocorreu justamente neste mês de julho, no Iraque. Mais de 300 pessoas morreram no dia 3 de julho, com atentados com carros-bomba e explosivos. Uma das ações coordenadas atingiu uma movimentada área comercial do centro da capital iraquiana, que estava repleta de gente devido ao Ramadã, mês de jejum muçulmano. O próprio Estado Islâmico reivindicou o ataque. No Iraque, de janeiro até o mês de julho foram seis ações terroristas no país, deixando centenas de mortos e milhares de feridos.

A queda do “Califado”

Após quase três anos da proclamação do “califado” o EI vem sofrendo uma derrota histórica em suas ambições territoriais. Ocorre a quase um ano, desde outubro de 2016, conflitos pelo controle de Raqqa na Síria e de Mossul no Iraque. Existe a possibilidade concreta da queda de Mossul e Raqqa a qualquer instante, o que poderá selar o destino do Estado Islâmico. Em Mossul restam cerca de 300 militantes do EI no centro histórico, a maioria estrangeiros, que não abrandaram os combates, mas que não terão forças de combate, é questão de dias para Mossul ser totalmente libertada do Estado Islâmico.

Em Raqqa o EI encontra-se completamente cercado, tendo perdido, esta semana, o controle de uma região ao sul do rio Eufrates, cortando assim a última estrada que poderia ser utilizada para se retirar da cidade. O EI perdeu recentemente o controle das cidades de Palmira na Síria, Tikrit, Ramadi, Sinjar e Fallujah e uma grande área perto de Erbil, todos no Iraque, pode perder agora o controle de Mossul, terceira maior cidade do Iraque e o último grande reduto jihadista no Iraque e também sobre Raqqa na Síria, a capital do então "califado". Em 2 anos, o Estado Islâmico perdeu mais da metade da porção territorial que controlava, tendo seu “califado” pulverizado em pouco menos de 1 ano de combates.

Era uma vez o Estado Islâmico? Como “califado territorial”, sim! Como organização jihadista, não!

Apesar da pouca visibilidade dada na mídia, estes conflitos são importantes e podem ditar dinâmicas regionais no oriente médio e no norte da África, assim como no restante do planeta. A recente perda de territórios do EI no Iraque e na Síria, faz esta organização jihadista reacionária, perder seu "califado islâmico", mas faz este grupo partir para outra estratégia que pode gerar ações mais violentas, descentralizadas, mundiais e distantes do seu propalado objetivo de construir um “califado” no Iraque e na Síria, algo que é bastante perigoso a nível mundial. Podemos assistir nos próximos meses a ocorrência de mais atentados em diferentes locais do planeta, pois a metamorfose do EI, faz esta organização viver uma espécie de Al-Qaedização, ou seja, uma organização jihadista que viverá de ataques e atentados, sem nenhuma ambição ou perspectiva territorial.

E quem protagonizará a derrota do EI em Mossul e Raqqa? Muitos grupos (as potências imperialistas, os governos árabes, milícias xiitas e cristãs e os diferentes grupos curdos) querem ser este ator principal e dependendo de quem será, principalmente se for os dois primeiros, nada de bom pode ser esperado para o futuro da resistência dos rebeldes sírios, dos povos do oriente médio e também dos curdos, pois fortalecerá o poder de governos reacionários regionais, como o iraniano de Rohani, o sírio de Assad e o iraquiano da coalizão yankee, além da força política que ganhará na região, figuras como Trump e Putin.

O peso dos curdos nestas batalhas é mais uma vez determinante para o futuro da luta deste povo por sua sonhada autodeterminação nacional, centralmente nas batalhas no Curdistão sírio (Rojava), da mesma forma como foram as heroicas batalhas em Kobane em 2015, onde os curdos derrotaram as hordas do EI.

Ainda há o drama de centenas de milhares de civis, centralmente em Mossul, que estão em meio ao fogo cruzado, onde cerca de 500 mil estão sofrendo com o desabastecimento de água e de comida, o que poderá aumentar o já grande número de refugiados no oriente médio, pois só até dezembro de 2016, cerca de mais de 100 mil civis foram deslocados.


O Estado Islâmico não luta pela libertação dos povos do oriente médio e do norte da África e por isso deve ser derrotado, mas não por uma intervenção militar dos países imperialistas, liderada pelos Estados Unidos, que estará a serviço da estabilização da região para o seu posterior controle político e econômico. Mas, sim por iraquianos (xiitas e sunitas), curdos e rebeldes sírios, numa perspectiva revolucionária de libertação nacional e anti-colonização imperialista.
***

Taílson Silva é professor de Geografia da rede pública e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores/PSOL.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Manifestantes ocupam Brasília e preparam greve geral contra Temer e as reformas


Ontem foi um dia histórico. O governo Michel Temer (PMDB-PSDB) está encurralado. Não adiantou reprimir.

O povo marchou desde as 9h até as 18h30. Eram quase dois mil repressores. Mas uma avalanche de manifestantes. Foi em vão o uso de toneladas de gás de pimenta, cavalaria, cachorros, tiro porrada e bomba. Foi o povo pobre, a juventude e fundamentalmente a classe trabalhadora que os encurralou.

Ninguém arredou pé da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três corruptos poderes até que decidisse que era hora de voltar pra casa. O recado foi dado em alto e bom som. Foram quase 200 mil pessoas marchando no Ocupa Brasília. Temer, Maia/DEM, Rollemberg/PSDB (governador do DF) e os ratos de Brasília sentiram que eles estão por um fio.

Até um decreto autorizando as forças armadas nas ruas para reprimir o povo, o covarde e criminoso Temer fez. Não adiantou de nada. Os trabalhadores sentiram pela primeira vez que eles é quem têm a força. O gás não surtia mais efeito.

O que primou foi o ódio contra todo esse sistema e a vontade de incendiar Brasília. E a gente incendiou. Não só Brasília, mas o país e o mundo assistiu ao vivo o surgimento de uma nova etapa na luta de classes deste país. O tempo em que ninguém mais tem medo de polícia, capitão ou traficante, playboy ou general.

Pode vir quente nós estamos fervendo! "E joga mais, e joga mais, tô viciado na porra desse gás", se ouviu por várias vezes da boca dos que protestavam. Mas o que amendrotou mesmo os velhos de Brasília foi ver dois ministérios pegando fogo, o chamado a uma nova #GreveGeral de no mínimo 48h e a indignação estampada na cara de quem vai colocar pra #ForaTemer e todos os corruptos e botar abaixo esse regime apodrecido.

Os trabalhadores têm que tomar o poder em suas próprias mãos! Decidir seu destino. Colocar na cadeia todos esses bandidos, estatizar todas as empresas envolvidas na corrupção, suspender o pagamento da dívida pública e fazer reforma agrária e urbana, por fim à guerra aos pobres e à matança da juventude negra, e conquistar serviços públicos de qualidade e justiça social.

Apenas começamos!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Há 21 anos do massacre de Eldorado dos Carajás

Curva do S, Eldorado dos Carajás, local onde o governo Almir Gabriel determinou o massacre de 19 sem terras em 1996.

Semana passada estive na Curva do S, Eldorado dos Carajás, onde está montado esse acampamento do MTS (foto acima) e onde ocorreu há 21 anos o brutal massacre de 19 trabalhadores rurais sem terra.

De 17 de abril de 1996 pra cá nada mudou. Entramos no tão falado século XXI, mas as práticas das elites latifundiárias ainda são do tempo das Capitanias Hereditárias.

Direitos do povo são respondidos a bala. A justiça paraense segue sendo a mais injusta e impune do planeta. O governo, como o de Almir Gabriel (PSDB há época), mandante dessa chacina, segue ignorando as questões sociais e respondendo a Reforma Agrária com ferro e fogo.

Não a toa o Pará, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), permanece como o estado campeão em assassinatos de trabalhadores e lideranças rurais. Um quadro vergonhoso e de revolta, que mais uma vez nos faz homenagear e lutar pela memória dos que tombaram em Curumbiara, Eldorado dos Carajá, Anapu, Parauapebas.

Exigimos cadeia e punição exemplar para o oficiais e policiais da PM que cumpriram a ordem do governador Almir de desobstruir em abril de 1996 a PA 150! Exigimos o fim das mortes de trabalhadores no campo! Para isso, exigimos dos governos do estado e do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) um ousado plano de Reforma Agrária neste país.

Só enfrentando a ganância e o ódio do latifúndio teremos justiça social, comida boa e barata na mesa dos brasileiros e a tão sonhada paz.

"MST, a luta é pra valer!
Reforma Agrária quando?
Já!"

domingo, 16 de abril de 2017

A Senhorita Andreza e nós


por Carlos Mendes

Nem heroína, nem mártir. Apenas uma jovem nascida num bairro pobre de Belém e igual a tantas outras que passou pela vida sem que a vida tivesse passado por ela. É fácil apontar o dedo falsamente moralista e dizer que ela não estudou porque não quis, que poderia ter se espelhado em alguém da vizinhança, focado em outro caminho na vida. 

Não falta quem diga também que estaria viva se não tivesse frequentado ambientes perigosos, onde as pessoas se drogam ou se reunem para praticar crimes. Andreza Ariani Castro, aos 22 anos, seguiu um caminho que poderia ter volta, mas não teve. Nessa idade, é mais fácil errar do que acertar e ela errou e pagou por isto, como dizem alguns donos da verdade, nas redes sociais. 

No Facebook, no Twitter, nos programas policialescos de rádio e de TV, a morte de Andreza é o assunto da hora. "Ela teve o que mereceu", sentenciou um desses julgadores cheio de virtudes e razões. "A senhorita Andreza levou o farelo", bradou outro moralista. Também há os que lamentam pelas duas crianças, filhas de Andreza, que agora não terão a mãe por perto, como antes já não tinham o pai, também assassinado.

Não importa se foi alguém de motocicleta, carro prata, carro cinza, carro preto, se foi milícia militar ou paramilitar, se foi "acerto de contas entre bandidos", o que importa é que a jovem da Cabanagem deixou de ser um problema, não se sabe se para a polícia, para o tráfico ou para os que comemoram a morte dela, inclusive compartilhando a fotografia com a cabeça coberta de sangue. Um sadismo escancarado.

Haverá inquérito ou investigação para saber quem matou Andreza? Parece que é pedir demais num Estado onde a impunidade de "justiceiros" mata jovens a toda hora, inocentes ou com ficha policial. Os governantes precisam dormir em paz, cercados de seguranças armados, cães de guarda e câmeras de vigilância. Isto é o bastante.

Nós, os que por omissão mantemos a inércia oficial, também corremos o risco de ser as próximas vítimas. Sem heroismo ou martírio. Aliás, nem precisamos de rótulos para virar estatística fúnebre. Afinal, já fizemos as nossas escolhas. Assim, podemos morrer de susto, de bala ou de vício, como na música de Caetano.

Pouco interessa que sejamos cidadãos "do bem", porque estudamos, temos profissão definida, a geladeira abastecida e bons amigos. Ou "do mal", porque somos iletrados, rebeldes, desempregados, com amigos "perdidos", a pele negra ou sexualidade diferente.

Somos iguais no abandono e na insegurança. Se culpados ou não por nossas escolhas, como Andreza Ariani Castro, pouco importa. Ela "pagou" pelo que fez ou deixou de fazer. 

E nós, também, devemos "pagar".
****
Carlos Mendes é jornalista e editor do blog Ver-o-Fato.

domingo, 9 de abril de 2017

Revolução e contra-revolução na disputa do território sírio


por Tailson Silva

Há mais de 6 anos atrás, inspirados pela primavera árabe, onde os povos do norte da África e do oriente médio, lutaram contra governos ditatoriais e chegaram a derrubar Ben-Ali na Tunísia, Mubarak no Egito e Khadafi na Líbia que eram ditadores de décadas, os sírios saíram as ruas para protestar pela derrubada do "seu" ditador Bashar Al-Assad, que junto com o seu pai (Hafez Al-Assad), governam a Síria por cerca de 60 longos anos. Protestos que foram prontamente reprimidos por Assad e deram vazão a organização dos rebeldes sírios e sua justa luta pela derrubada de Assad. 

Para tentarmos entender o que se passa na Síria, podemos nos auxiliar pela discussão sobre o conceito de território e como esta categoria geográfica é disputada por diferentes atores, no caso sírio, os atores são diversos, regionais e mundiais.

Segundo alguns teóricos, como Claude Raffestin, a construção do território revela relações marcadas pelo poder. Para ele, faz-se necessário enfatizar, que é o poder exercido por pessoas ou grupos que definem o território. Onde poder e território, tem que ser enfocados conjuntamente para a consolidação do conceito de território. 

Marcelo Lopes de Souza afirma que todo espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder é um território, seja ele um quarteirão aterrorizado por uma gangue de jovens ou até o bloco constituído pelos países membros da OTAN. Sendo que os territórios podem ser: temporários ou permanentes.

Marcos Aurélio Saquet consolida a opinião de Souza, quando afirma que o território pode ser temporário ou permanente e que este efetiva-se em diferentes escalas, não apenas naquela convencionalmente conhecida como o “território nacional” sob gestão do Estado-Nação, podendo um Estado-Nação possuir diferentes territórios, controlados e disputado por diferentes atores e/ou grupos.

Em uma tentativa de síntese: O Estado nacional sírio e suas muitas regiões, estão desde 2011 sendo disputadas por muitos e diferentes atores, que temporariamente avançam em um sentido ou outro. Desenvolvendo e abrindo caminho ora para a revolução síria e ora para a contra-revolução, onde Assad e os demais atores envolvidos buscam consolidar suas relações de poder sobre determinados territórios dentro da Síria.

Na busca pela volta da dominação completa do território sírio, Assad nunca se pôs negociar, provocando o início da guerra civil síria. Em 6 anos, diferentes conjunturas sucederam-se nesta guerra, com Assad fortalecido no início, os rebeldes fortalecidos após 1 ano de conflitos quando chegaram as "portas" de Damasco e controlando grandes cidades como Aleppo, a entrada em cena do Estado Islâmico que se apossou de parte da síria em 2013 e 2014 e com a retomada da força de Assad no último ano, com a entrada pesada da Rússia e de outros aliados de Assad. 

A guerra civil síria é permeada por vários e distintos interesses políticos, militares e econômicos de diferentes atores, não sendo fácil nenhuma leitura deste conflito. 

O governo de Assad grande representante da contra-revolução está sufocando os rebeldes, colocando quase que um ponto final no conflito, como fez na brutal retomada de Aleppo e tenta se manter a ferro e fogo no poder, nem que pra isso seja usada armas químicas como foi feito esta semana em Idlib. Controla regiões do sul, oeste (litoral) e centro.

Os rebeldes sírios, apesar da posição política da direção do Exército Livre da Síria, são os grandes atores territoriais da revolução síria, tentam resistir e lutar pela derrubada do genocida Assad, buscando aliados que nem sempre os ajudaram de fato, como alguns governos árabes ou países imperialistas. Têm sua condição de luta atual, após fortes derrotas, recolocadas ao patamar da resistência, diferente do patamar inicial de avanço da revolução pelo território sírio. Estão no sul, centro e norte do país.

Os Estados Unidos querem voltar a saquear as riquezas da região com "normalidade", coisa que a guerra atrapalha, e é por isso que Trump tenta ser protagonistas para impor o fim da guerra, deixam de um tímido apoio logístico aos rebeldes e aos curdos e passam a uma intervenção mais direta, não se sabe quais seriam seus próximos passos depois do bombardeio a uma base militar síria na última quinta. Tentam forçar a saída de Assad na tentativa de formar um novo governo, nem que a fragmentação do território sírio seja a consequência disto tudo. Mesmo sendo contra Assad não representam nenhum avanço da revolução em território sírio, são parte da estratégia geral de derrota dos processos revolucionários da primavera árabe.

A Rússia quer manter Assad no poder, pelas relações políticas, militares e econômicas, que seu país possui com Assad, por isso "arrastaram" o Irã, milícias xiitas iraquianas e o Hezbollah para a guerra, no intuito de defender Assad e retomar posições chaves, como conseguiram fazer recentemente em Aleppo. Os aliados de Assad, como o Hezbollah estão no sudoeste da Síria.

O governo da Arábia Saudita e do Catar querem a derrota de Assad, financiando milícias jihadistas, para desestabilizar os governos aliados ao Irã, para tentar retomar o anterior grau de protagonismo regional perdido no último período. 

O Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra que querem construir seus objetivos territoriais e jihadistas em meio ao pântano atual da Síria, como o proclamado califado do EI. Foram parcialmente derrotados com a diminuição de suas forças na Síria, mesmo assim são atores fortes neste conflito e são os elementos mais contra-revolucionários de todos. Controlam o leste e regiões do centro sul da Síria.

A Turquia quer derrotar os curdos também no território sírio, por isso ataca estes, sob a justificativa de ações de defesa do território turco na fronteira, para "impedir" a entrada de jihadistas do EI e o fortalecimento dos curdos. As oscilações de posições da Turquia, ora se comportando como "opositores" de Assad e ora como "aliados", foi vital para o recente fortalecimento territorial de Assad. Atuam no norte da Síria.

Os curdos que apesar de erros estratégicos compondo estranhas alianças, seguem sendo um dos principais elos territoriais da revolução síria, lutando pelo poder em seu território e por sua autodeterminação como nação, tanto contra Assad, o EI, a Turquia, o Irã, o Iraque, os Estados Unidos e a Rússia. Controlam regiões do norte sírio.

Mesmo de longe, podemos ter opinião e lado neste conflito: o lado da revolução. Que nos instáveis e temporários territórios sírios, tentam resistir e quem sabe poder derrotar os muitos e gigantes poderes contra-revolucionários de Assad e de tantos outros atores.

Em memória aos quase 500 mil mortos na guerra da Síria, das formas mais brutais possíveis, como nos bombardeios químicos. Em especial as crianças sírias e curdas que sonham com a vitória da revolução para terem o poder de viver em território de uma Síria livre e justa e na futura nação curda.
****
Tailson Silva é professor de Geografia na rede pública de ensino do Pará e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST-PSOL).
Fonte imagem: Folha.