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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Pela unidade das lutas: derrotar a ofensiva de Trump e do imperialismo contra os trabalhadores e os povos!


Chamado internacional da Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional 

A ascensão de Donald Trump à presidência dos EUA constitui uma ameaça grave para os oprimidos e explorados. Trump é o comandante do imperialismo mundial e expressão de um setor do imperialismo que pretende lançar uma nova ofensiva contra os trabalhadores e os povos, precarizar ainda mais o trabalho, especialmente dos jovens, intensificar a depredação da natureza e atacar os direitos básicos das mulheres, dos povos oprimidos e dos imigrantes pobres, com o único objetivo de preservar o sistema imperialista e os lucros das multinacionais e grandes empresas capitalistas. Esta ofensiva é econômica e pode traduzir-se também em ações militares, diretas ou indiretas, e impulsionar uma escalada repressiva dos regimes burgueses contra seus povos.
Trump está apoiando o endurecimento da política genocida de Israel contra os palestinos. Na Grécia, Brasil, França e dezenas de países, atacam-se brutalmente as conquistas sociais dos trabalhadores. As multinacionais e os bancos continuam afundando as nações, com o valor cada vez maior da dívida externa, para seguir saqueando-as e explorando seus povos. Volta a aumentar a fome em vários países, enquanto uns poucos multimilionários controlam grande parte da riqueza mundial. Está enraizada no próprio capitalismo imperialista, nesta sua fase de decadência e putrefação, a crise que se agrava, sem cessar a miséria das massas e ameaça a sobrevivência da espécie humana.
Cem anos depois da Revolução Russa, a humanidade continua, mais do que nunca, ante a necessidade imediata da luta por libertar a humanidade do capitalismo imperialista e pela implantação do socialismo com democracia para os trabalhadores. É urgente e imperioso expropriar as multinacionais e os bancos, nos EUA, Europa, Reino Unido e Japão, transformando-os em propriedade social e coletiva. O mesmo se deverá fazer com as grandes empresas e latifúndios de todos os países. Para consegui-lo, os trabalhadores, a juventude, as mulheres e os setores populares devem lutar por governos dos trabalhadores em cada país. É nesta perspectiva que se deve enfrentar a nova contraofensiva imperialista. A rebelião dos trabalhadores, dos povos oprimidos, das mulheres e da juventude é a resposta à política reacionária dos Trump, Merkel, Macron & Cia. Em que pese a derrota da revolução síria, pelo massacre de Alepo, continua viva a rebelião dos povos árabes, hoje com as mobilizações em Rif no Marrocos e a heroica resistência do povo palestino, enquanto na Grécia e França as greves operárias enfrentam os planos de austeridade e as reformas trabalhistas da burguesia.
Na América Latina, por falta de apoio popular, caiu o governo petista de Dilma Rousseff e está cambaleante o governo de Temer, enquanto na Venezuela cresce a rebelião popular contra o ajuste e as intenções ditatoriais de Maduro. Grandes greves, especialmente dos docentes, eclodiram na Colômbia, Peru, Argentina e outros países. Outro fenômeno que se observa em todo o mundo são as grandes mobilizações de mulheres contra o feminicídio e a violência patriarcal, pela igualdade de direitos e o direito ao aborto. São, também, expressão deste processo de rebelião dos povos e de luta por autodeterminação, movimentos independentistas como o da Catalunha.
Estas lutas têm sido boicotadas pelas direções reformistas e pelas burocracias sindicais, e a traição aberta aos reclamos populares de responsabilidade dessas direções, juntamente com os partidos e governos socialdemocratas e os reformistas de esquerda, como Syriza e Podemos ou os governos ditos progressistas da América Latina, confunde politicamente setores operários e populares, que passam a votar em alternativas de direita. Este é o caso do fracasso do “socialismo do século XXI” de Chávez e Maduro, mas também de Lula-Dilma no Brasil e Evo Morales na Bolívia, que governaram pactuando com as multinacionais e impondo ajustes a seus povos.
Frente a esta situação, chamamos a uma ampla e urgente unidade de ação das lutas para enfrentar Trump e os governos imperialistas e capitalistas. Unidade de ação internacional contra o ajuste que prejudica os trabalhadores e setores populares, contra a criminalização do protesto e a degradação da natureza, pelo não-pagamento da dívida externa e os direitos democráticos das mulheres, por alimento, saúde e educação acessíveis ao povo, pela preservação do emprego e garantia de futuro para os trabalhadores, contra a fome, a repressão e os desastres climáticos. Unidade em apoio à luta da resistência palestina e à rebelião popular na Venezuela contra os ajustes e o totalitarismo de Maduro.
Hoje, o que as massas mais necessitam é superar a crise de direção revolucionária. Diante da traição dos aparelhos reformistas, necessitamos construir fortes partidos revolucionários que lutem pela independência de classe e o internacionalismo, retomando a via revolucionária que nos legaram Lênin e Trotsky.
O VI Congresso da UIT-CI ratifica o chamado a unir os revolucionários de cada país e de todo o mundo numa organização internacional revolucionária para a reconstrução da Quarta Internacional. Neste caminho, a UIT-CI repudia todo tipo de sectarismo e auto-proclamação. Por isto, fazemos um novo chamado a todas as organizações que reivindicam a vigência da luta pela revolução socialista mundial e por governos dos trabalhadores a trabalhar em comum e dar passos com vistas à unidade dos revolucionários em cada país e no mundo.
Pela unidade das lutas contra os ajustes econômicos e a repressão antipopular! 
Pela unidade dos revolucionários para a reconstrução da Quarta Internacional na luta por derrotar o capitalismo e por governos dos trabalhadores verdadeiramente socialistas!
VI Congresso da Unidade Internacional dos Trabalhadores-Quarta Internacional 
(UIT-CI)
Julho de 2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Repúdio mundial a Trump

Protesto contra Trump no dia de sua posse em Washington. AFP PHOTO / Andrew CABALLERO-REYNOLDS
Por Simón Rodríguez Porras*
O novo presidente dos Estados Unidos assumiu o cargo em meio a uma onda mundial de repúdio. Durante a sua posse em Washington, no dia 20 de janeiro, houve grandes manifestações, com repressão policial e mais de duzentas pessoas detidas. Foi a demonstração de repúdio mais importante desde a posse de Richard Nixon, rejeitado por mais de 60 mil pessoas em 1973. No dia anterior, milhares de pessoas haviam-se concentrado em Nova York para repudiar o presidente empresário, um presidente racista, misógino, xenófobo e belicista. Mas foi no dia seguinte à posse que se viu a demonstração mais contundente do repúdio dos povos ao novo chefe político da principal potência imperialista. Com a Marcha das Mulheres, meio milhão de pessoas saíram às ruas contra Trump em Washington, e um milhão e meio em quinhentas cidades dos cinco continentes.
Os integrantes do novo governo do Partido Republicano, muitos dos quais são oriundos da extrema direita cristã retrógrada e xenófoba, ameaçam diretamente o direito ao aborto. O próprio Trump tem-se revelado abertamente misógino, com um longo histórico de declarações machistas e agressão às mulheres, o que, para milhares de pessoas, justificou amplamente a necessidade de se mobilizarem.  A juventude e os estudantes, que, desde a eleição, se mobilizam contra “o Donald”, também reforçaram em grande número as manifestações, ao lado dos latinos, negros, muçulmanos e membros da comunidade LGBT, também atacados nos discursos do novo presidente. Trata-se de um movimento amplo, talvez sem a radicalidade das lutas de outros tempos nos EUA, como as ocorridas durante a invasão do Vietnã, mas com enormes possibilidades de se desenvolver e amadurecer no calor da luta contra um governo reacionário que reflete a crise e a decadência do império. Nele coexistem ativistas de várias tendências, desde os ligados a movimentos como Occupy Wall Street, surgido em 2011 contra a desigualdade capitalista, ou o Black Lives Matter, contra a brutalidade policial racista, até os simpatizantes de Clinton e Obama e mesmo os que apoiaram Sanders nas primárias e depois se abstiveram, além de militantes das pequenas organizações de esquerda. A ameaça representada por Trump fez crescer o interesse pelo ativismo e aumentar o número de filiações nas organizações de defesa dos direitos humanos, das liberdades civis e das políticas de planejamento famíliar.
As primeiras ações do novo governo confirmam que só se pode esperar o pior. Num alarde ultranacionalista, Trump proclamou o dia de sua posse como “Dia Nacional de Devoção Patriótica”, num decreto que reza “não haver povo mais grandioso que os cidadãos estadunidenses” e que “acreditando em nós mesmos e em nosso país não há nada que não possamos conseguir”. Suas primeiras decisões incluem a proibição de financiamento federal para ONGs de planificação familiar que defendam a opção do aborto, como também o estímulo aos oleodutos Keystone e Dakota Access, paralisados por importantes lutas sociais. Outras decisões retiraram os Estados Unidos das negociações para o Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP, em inglês) e proibiram os membros da Agência de Proteção Ambiental de se manifestarem na imprensa. O novo governo pretende também retirar os EUA do Acordo de Paris e outros convênios internacionais que impõem limites à emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global. Além disto, pretende flexibilizar a concessão de autorizações ambientais para as empresas, ao mesmo tempo em que anuncia a ampliação do muro na fronteira com o México e a proibição de entrada para imigrantes provenientes do Oriente Médio e Norte da África.
No caso do oleoduto Dakota Access, que passaria sob o lago Ohae com risco para importantes fontes de água, a luta da comunidade sioux Standing Rock, apoiada por milhares de ativistas, ganhou notoriedade internacional em razão da brutalidade da repressão. Durante vários meses o governo reprimiu os manifestantes com cães, disparos e jatos d’água, realizando dezenas de detenções. Finalmente, em dezembro de 2016, Obama suspendeu a construção do oleoduto e determinou a mudança do seu trajeto. Trump, que até cerca de um ano atrás possuía um milhão de dólares em ações da Energy Transfer Partners, empresa texana encarregada do projeto, designou Rick Perry, membro do diretório da mesma empresa, para chefiar a Secretaria de Energia. Portanto, não surpreende que uma de suas primeiras medidas seja dar novo impulso ao projeto do oleoduto. Outras nomeações reveladoras da orientação fascistizante de Trump incluem a de Rex Tillerson, ex-membro da direção da Exxon Mobil, para a Secretaria de Estado, e a do ultra sionista David Friedman para ocupar a embaixada norte-americana em Israel.
A brutalidade do novo governo poderia gerar falsas expectativas sobre o papel do Partido Democrata como alternativa de oposição, e já se cogita de uma possível futura candidatura de Michelle Obama. No entanto, esta opção exige previamente um balanço dos últimos oito anos de governo. Apesar de Obama vestir a máscara de um imperialismo mais “brando”, no seu governo continuou aumentando a desigualdade social e, enquanto financiava os bancos e as multinacionais, milhares de pessoas perdiam suas casas na crise imobiliária e persistiam todos os problemas estruturais de racismo e discriminação. Sem ter fechado o campo de torturas de Guantánamo, como havia prometido, e com o saldo de quase três milhões de deportações, Obama foi sarcasticamente apelidado de “deportador em chefe”. Além disto, ordenou milhares de bombardeios com drones que assassinaram milhares de civis em países como Iraque, Afeganistão, Iêmen e Paquistão,  protegeu os torturadores da CIA e criminalizou os que, como Manning, Assange e Snowden, facilitaram a divulgação de documentos reveladores dos crimes de guerra praticados pelos EUA em várias partes do mundo.
Bernie Sanders, que se apresenta como socialdemocrata e crítico em relação ao antidemocrático regime ianque, logo após o apoio recebido nas prévias do Partido Democrata com um programa à esquerda dos políticos tradicionais do bipartidarismo, que defendia o aumento do salário mínimo e a universalidade do acesso à saúde e à educação, repudiando a ingerência na  América Latina, encerrou lamentavelmente a sua campanha apoiando a candidatura de Clinton. Com a vitória de Trump adotou uma posição ambígua, afirmando que apoiará as medidas do novo governo favoráveis aos trabalhadores e se oporá àquelas que prejudiquem a população. No Senado, foi contrário a algumas nomeações de Trump, mas, por outro lado, apoiou para a Secretaria de Defesa a designação de James Mattis, um general racista que cometeu atrocidades no Iraque e Afeganistão.
O legítimo ódio de milhões de pessoas a Trump e seu governo põe em evidencia a necessidade de uma alternativa política de esquerda, que reúna a juventude e os trabalhadores, os negros e as mulheres para romper com o regime de dois partidos dominado pelos democratas e republicanos. É agora o momento de construir esta alternativa, no calor das mobilizações de milhares de pessoas contra o novo governo e suas criminosas medidas.
*Membro da Unidade Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-CI)
Fonte: http://cstpsol.com/home/index.php/2017/01/27/repudio-mundial-a-trump/