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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Wladimir Costa monopoliza a bizarrice na Câmara na votação sobre denúncia de Temer

Deputado do Solidariedade, que tatuou nome de Temer no ombro, protagoniza espetáculo de exibicionismo e joga a seriedade de uma votação dessa magnitude no lixo


por Felipe Betim, para o El País

Foto: Evaristo Sá (AFP)
A inédita votação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara dos Deputados já tem um triste protagonista: o deputado Wladimir Costa, do Solidariedade. O protagonismo, neste caso, se deve às cenas bizarras que brasileiras e brasileiros, que se chocaram com os discursos vazios dos parlamentares durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff no ano passado, voltaram a assistir nesta quarta-feira pela televisão, mesmo antes da votação da denúncia.
Em alguns momentos, Costa monopolizou a bizarrice. Ao proferir um exaltado discurso para orientar a bancada de seu partido, o deputado do Pará defendeu a rejeição da denúncia contra Temer exclamando: "Nós, deputados da base do Governo Temer, temos moral para derrubar esses falsos moralistas e incompetentes (...) Tenham vergonha na cara! O Temer é um homem ético, transparente, tem preparo e hombridade. Vocês podem se preparar para chorar hoje no muro das lamentações", gritou e gesticulou, diante de um Jean Wyllys (PSOL) às gargalhadas. Costa também bateu no ombro ao defender o presidente. "Quem é Temer mostra a cara e até tatua o nome aqui no ombro", gritou Costa, que garante que no Pará o mandatário tem "80% de popularidade". Ao retomar o microfone para proferir seu voto, mais uma vez gritou: "Abaixo o Datafolha, abaixo o Ibope! Temer é um homem decente, preparado, honesto! Meu voto é sim!"
A tatuagem mencionada por Costa foi exibida no começo desta semana por ele mesmo: uma bandeira do Brasil e palavra "Temer" em seu ombro. Ele garante que gastou 1.200 reais e que o desenho é definitivo, mas já há tatuadores experientes dizendo que é temporário. Seja como for, utilizou as redes sociais para se justificar: "Eu não sou hipócrita". Nesta quarta, deputados da oposição foram ao microfone durante a fala de Costa para pedir que mostrasse o desenho. Ele foi inspiração inclusive para os adesivos que parlamentares colaram seus ombros com a frase "Fora Temer".
Sobre esses deputados da oposição, de partidos como o PT, PC do B, REDE e PSOL, Costa disse, como de costume, que formam parte de "organizações criminosas" — até que levou uma bronca do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Depois de seu discurso, o deputado do Solidariedade se comportou como aluno de primário, enchendo dois pixulecos do ex-presidente Lula para, durante os discursos da oposição, bater um no outro e fazer barulho. Até que os deputados petistas Valmir Prascidelli e Carlos Zarattini o empurraram e rasgaram, a dentadas, um dos bonecos. Nesse momento, com a confusão instalada na Câmara, a oposição começou a jogar dinheiro falso para o alto — as cédulas foram levadas em uma mala de dinheiro, em referência a Rodrigo Rocha Loures, ex-parlamentar e homem de confiança de Temer acusado de receber 500.000 reais em nome do presidente.
Costa acusa os partidos da oposição mas também tem telhado de vidro. Ele foi julgado pelo Tribunal Regional do Pará por abuso de poder econômico, devido à suspeita de arrecadação e gastos ilícitos em sua campanha de 2014. Em julho de 2016 teve seu mandato cassado, uma vez que a Corte concluiu que o parlamentar não registrou mais de 400.000 reais de gastos. A decisão final precisa ser confirmada agora pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Meses antes da decisão, Costa já havia protagonizado na Câmara outro show de horrores em uma sessão decisiva: a votação sobre a abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, também comparou os políticos petistas com os chefes do crime organizado e, em seguida, soltou uma frase de efeito: “O que Lula e Dilma fazem é um verdadeiro tiro de morte no coração, na alma do povo brasileiro”, gritou. De repente, disparou uma pistola de confetes coloridos.
O parlamentar está longe de ser alguém exemplar. Foi um dos que mais faltou a sessões em 2015, segundo o jornal Extra: de 125, compareceu a apenas 20. Quando aparece, puxa os holofotes para si e protagoniza momentos patéticos. Costa sintetiza toda a bizarrice que tomou o Congresso Nacional depois que a máscara de muitos de seus representantes corruptos caiu.

Câmara salva Temer e revolta o país


O Brasil acordou indignado com a podridão na política. Os picaretas do Congresso são convictos da impunidade e acreditam que enganam a população, por isso impediram o presidente de ser investigado por corrupção passiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF)

Salvaram o corrupto Michel Temer (PMDB) com uma esfarrapada desculpa de que importa mais a "estabilidade econômica" do que um país governado por gente honesta. Onde já se viu?! A "estabilidade" deles foi o perdão da dívida multibilionária com a Previdência concedida para a bancada ruralista por Temer na noite anterior a votação da Câmara. Um toma lá, dá cá repugnante. 

A imoralidade na política foi zerada nos últimos dias no Brasil. Ontem teve de tudo no Congresso. De deputado engasgando na hora de votar a deputada (Simone Morgado -PMDB/PA) que disse ter se enganado. Antes era o "rouba, mas faz". Agora é o "rouba, mas investiga só Dia de São Nunca".  

O PT, PCdoB, MST e MTST, que dirigem a CUT, CTB, Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo são os principais responsáveis por essa catástrofe, pois liderados por Lula, nada fizeram pra impedir a impunidade. Não chamaram e nem construíram nenhum ato e nenhuma paralisação no país. 

Lula e seus aliados fizeram um grande acordão com os corruptos do PMDB, PSDB e DEM para salvar todo mundo, enterrar a Lava Jato, deixar Temer sangrando até 2018 e colocar o nefasto Lula lá nas próximas eleições. Não Passarão!

Basta de roubalheira e impunidade! Cadeia pra todos eles! O que só será possível com uma poderosa Jornada de lutas nesse país, a exemlo de março/abril de 2017, e com o povo mobilizado na rua.

Para barrar o aumento dos impostos, derrotar as Reforma da Previdência e revogar as já aprovadas é necesario colocar pra #ForaTemer e todos os corruptos!

Wlad é uma vergonha: Deputado é flagrado pedindo para uma mulher ‘mostrar a bunda’ durante votação

O fotógrafo Lula Marques registrou conversas de Whatsapp do deputado que tatuou o nome de Temer no braço direito.

por Rafael Bruza, para o Independente


O deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) teve conversas de Whatsapp registradas e divulgadas pelo fotógrafo Lula Marques nesta quarta-feira (02). Segundo o fotógrafo, que compartilhou as imagens no Facebook, o deputado conversou no Whatsapp durante “boa parte da sessão” em que se discutia a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) na Câmara dos Deputados. O parlamentar apareceu na imprensa essa semana por tatuar o nome de Michel Temer no braço direito, em sinal de apoio ao presidente. Em uma das conversas divulgadas, Wladimir Costa deixa uma mulher constrangida ao pedir que ela “mostre a bunda”.
“Mostra a bunda, mostra. Afinal, não são suas profissões que a destacam como mulher, é sua bunda. Vai lá, põe aí garota”, disse o deputado para um perfil de Whatsapp chamado M. Melo.
A interlocutora manda emojis de resposta e diz: “sem graça”.


O deputado insiste em outra mensagem.
“Fátima Bernardes, Sonia Abrão, Marília Gabriela, Mariza Godói são elogiadas, respeitadas e até desejadas pelas suas capacidades técnicas e não por um par de bunda, já bastante banalizada por todo o Tapajós do decano shortinho preto, que reveza com o vermelhinho, já bastante desbotado pelos anos”, diz o deputado.
A mulher responde: “Você poderia perder seu valioso tempo com coisas mais interessantes. rs #sóAcho”.
O fotógrafo Lula Marques já flagrou conversa do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) com o filho, Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) em fevereiro.

Em outro momento da conversa, M. Melo tem postura diferente com o deputado.
“Teria sido bem melhor se eu tivesse ficado quieta. #desculpas Esquece isso! Fica bem”, afirma em mensagem.
“Tá”, responde o Wladimir Costa. “Boa noite para vocês, afinal ele mora quase dentro da tua casa”.
Wladimir Costa votou a favor de Michel Temer nesta quarta-feira (02). Durante a tarde, na sessão, ele fez um discurso que gerou confusão entre os parlamentares.
Outra conversa
Falando com outra mulher, ainda durante a sessão dedicada à denúncia da PGR contra Michel Temer, o deputado recebe a seguinte mensagem: “Então vá lá tirar onda com outra. Não tenho estômago para isso. #Chato!”, escreve a uma mulher identificada como “Aneissa Show”.
“Suas ausências e várias invenções pra me abandonar ai, hoje sei de tudo com provas, mas enfim, se estás mais feliz com eles siga em frente, prefiro ser ultra-seletivo e modelo como um ser monogâmico”, escreve o deputado.

Deputado da tatuagem
Wladimir Costa apareceu na imprensa esta semana ao dizer que fez uma tatuagem definitiva do presidente Michel Temer no braço direito. Um tatuador de Brasília, que trabalha no estúdio citado inicialmente pelo deputado, disse que não fez a tatuagem e contrariou o parlamentar ao afirmar que a arte era de hena – provisória, não permanente como Costa havia declarado.
O deputado prometeu expor a tatuagem durante seu voto sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não mostrou o braço.
Em junho Wladimir Costa ficou conhecido por relatar como costuma pedir cargos e verbas ao presidente da República com “cara de coitadinho”.
Ele é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), desde 2010, por supostamente abrigar funcionários fantasma em seu gabinete em julho do ano passado.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará também chegou a determinar, por decisão unânime, a cassação de seu mandato. O parlamentar foi condenado por uso de caixa 2 e por ter omitido o gasto de R$ 410 mil na prestação de contas de sua campanha eleitoral em 2014.

terça-feira, 14 de abril de 2015

15 de abril é Dia Nacional de Paralisação


Em defesa do Emprego e do Salário!

Ir à luta, porque o governo Dilma (PT/PMDB) e os empresários promovem ataques sem precedentes na história aos trabalhadores.

Diante do aprofundamento da crise econômica, o governo Dilma Rousseff (PT/PMDB) lançou um ajuste fiscal que ataca conquistas da classe trabalhadora. As medidas provisórias (MP’s) 664 e 665 dificultam e atacam o acesso ao seguro desemprego; reduzem e retiram o direito à pensão vitalícia por morte; mudam as regras de seguro em caso de doenças ou acidentes no trabalho; do seguro defeso para pescadores e do abono salarial (direito ao PIS). 

Para piorar, no último dia 08/03, a Câmara dos Deputados - com o aval do principal ministro do governo Dilma, o banqueiro e ministro da fazenda Joaquim Levy - aprovou o Projeto de Lei (PL) 4330. Esse PL permite a terceirização de todos os setores da economia e coloca em risco todos os direitos da classe trabalhadora, conquistados por meio de muitas lutas. A aplicação desse projeto reduzirá, ainda mais, os salários dos trabalhadores, piorará as condições de trabalho provocando mais acidentes, doenças e mortes. O projeto afetará os servidores e os serviços públicos. Querem precarizar, ainda mais, os serviços como saúde, educação, aposentadoria e previdência, etc. Ao invés de melhorar a qualidade desses serviços, investindo recursos em hospitais e escolas, o dinheiro público vai parar diretamente nas mãos de empresários que superexploram trabalhadores e não têm o menor interesse em atender à população.


Medidas favorecem patrões e banqueiros

Além disso, o governo decretou o aumento e a reedição de impostos, impôs o aumento de combustíveis e da energia elétrica (que poderá alcançar até 70% no estado do Rio de Janeiro); vetou a correção da tabela do Imposto de Renda (IR); aumentou os juros bancários para 12,75% com impacto no endividamento das famílias brasileiras e que terá forte repercussão no aumento da dívida pública, retirando ainda mais recursos da saúde e educação para o pagamento de juros das dívidas interna e externa. No serviço público, Dilma determinou a diminuição de verbas em todas as áreas e só a educação sofreu corte de R$ 7 bilhões em 2015. O mesmo governo que remeteu 45,11% de todo o orçamento federal de 2014 para pagamento de juros aos agiotas nacionais e internacionais, prevê a destinação de 47% dos recursos de 2015 para o mesmo objetivo. 

Essas medidas em favor dos banqueiros e demais patrões provocarão ainda mais retração econômica, precarização do trabalho, degradação e privatização dos serviços públicos, combinadas com a alta do custo de vida. 


Saída para os trabalhadores é unificar as lutas, enfrentar os ataques e construir a Greve Geral

Contra esses ataques, os trabalhadores colocaram-se em movimento. Assim fizeram os metalúrgicos da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, que resistiram com 11 dias de greve à imposição de 800 demissões e, por meio da luta e da solidariedade de classe, mantiveram os empregos. O mesmo caminho foi trilhado pelos metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos que, depois de 8 dias de greve, reverteram em torno de 800 demissões. Os servidores do DF enfrentaram com greves e manifestações os atrasos de pagamento de salários. No Paraná, o governador Beto Richa (PSDB) teve que recuar, diante de uma poderosa greve e manifestações de rua, do pacote que ataca o plano de cargos e salários e a previdência de diversas áreas do funcionalismo público estadual. Agora estão em greve os professores de São Paulo e de diversos outros estados.

No Rio de Janeiro, os garis e os trabalhadores desempregados no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) deram um exemplo: Organizaram –se contra as direções pelegas dos seus sindicatos e contra os planos dos governos e disseram: Os garis e desempregados do ALUSA/ ALUMINI / Comperj não vão pagar pela crise! 

No dia 15 organizaremos paralisações, atividades em nossas categorias e uma manifestação de rua em conjunto com várias centrais sindicais. Trata-se do primeiro passo visando um plano de mobilização que unifique as campanhas salariais, as categorias em luta e os movimentos sociais para resistir aos ataques e para construir uma efetiva greve geral. Nesse sentido, exigimos que a CUT, CTB, NCST abandonem a defesa do governo Dilma e convoquem juntamente com os setores combativos a continuidade da mobilização unificada para construir uma poderosa greve geral que derrote o conjunto das medidas do ajuste fiscal de Dilma/Levy.


Nem Dilma (PT/PMDB), Nem Aécio Neves (PSDB/DEM): construir uma alternativa dos trabalhadores!

Diante do desafio imposto pelo governo e as classes dominantes, é preciso intensificar a organização e a unificação da nossa classe de forma democrática e independente para derrotar governos e empresários.

O programa de Dilma Rousseff (PT/PMDB) não difere em nada do projeto de Aécio Neves (PSDB), tanto que aplica as mesmas medidas anunciadas pelo tucano. Tanto o governo conservador de Dilma (PT/PMDB) quanto a oposição de direita, capitaneada por Aécio Neves (PSDB) estão de acordo em atacar e retirar os direitos da nossa classe. Aos trabalhadores e ao movimento sindical classista, ao movimento popular combativo e a verdadeira esquerda resta apenas construir uma alternativa que atenda aos interesses dos trabalhadores, distante de Dilma (PT) e de Aécio Neves (PSDB). Para isso precisamos forjar, nas lutas e nas ruas, um plano econômico alternativo e um governo dos trabalhadores.

•Barrar o ajuste fiscal de Dilma/Levy! Em direito não se mexe: Não ao PL 4330/04 das terceirizações! Revogação das MP’s 664 e 665! Unificar as lutas da classe trabalhadora para enfrentar os ataques e assegurar direitos e construir a Greve Geral contra o pacote do governo!

•Suspensão do pagamento das dívidas externa e interna para ter recursos para saúde, previdência e educação públicas e de qualidade. 

•Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores: confisco e estatização das empresas envolvidas em corrupção, manutenção dos empregos e plano de obras públicas para atender aos interesses da classe trabalhadora.

•Reforma agrária e moradia popular sob o controle dos trabalhadores. Reforma urbana, direito à habitação, a transportes públicos, estatais e de qualidade.

•Os trabalhadores não vão pagar pela crise: Que os ricos paguem pela crise, imposto progressivo sobre as grandes fortunas, heranças e sobre a remessa de lucros. 

•Todo apoio às greves! Reajuste dos salários de acordo com a inflação! Por melhores condições de trabalho! Fim das perseguições aos lutadores!

•Defesa dos serviços públicos e estabilidade no emprego. Contra as privatizações dos hospitais federais, da previdência pública, das empresas estatais (Petrobras, Caixa Econômica Federal, etc).


•Suspenção dos aumentos e congelamento das tarifas de energia, água e gás.

15 de Abril, Dia Nacional de Paralisações. Ato público unificado. Concentração às 16 horas – Trajeto, Candelária – Federação das Indústrias do RJ (Firjan), Av. Graça Aranha, 112.


Assinam: CSP-Conlutas, Unidade Classista, Unidos Pra Lutar, Andes-SN, SR RJ, Sinasefe, Sintuff, Sintufrj Vermelho, Comissão de trabalhadores do Comperj – Movimento S.O.S Emprego, MTST, Vamos à Luta.


Fonte: http://www.cstpsol.com/viewnoticia.asp?ID=704

terça-feira, 25 de março de 2014

Oi, Tim, Claro, Vivo, Globo e deputados vendidos querem acabar com a Internet livre no Brasil



Marco Civil da Internet: e eu com isso?

Entenda o que muda na sua vida com a aprovação deste projeto

*Por Pedro Ekman, na CartaCapital

Nas próximas horas, uma batalha decisiva pelos seus direitos na internet será travada no Congresso Nacional. O Marco Civil da Internet (PL 2126/2011) será votado de forma pioneira no Brasil, definindo as regras de um jogo que está sendo debatido e disputado em todo o mundo.

De onde veio isso?

Esse não é um projeto só do governo brasileiro, ele foi construído coletivamente definindo direitos e deveres dos cidadãos e empresas na internet. O enorme esforço de diversos setores da sociedade deu forma ao projeto com o maior consenso possível para a garantia dos principais direitos civis na internet.

1 — LIBERDADE DE EXPRESSÃO

O que acontece hoje?

Hoje, o que você escreve na rede pode ser eliminado sem qualquer chance de defesa. A velha e boa censura, que aterrorizou o país durante a ditadura militar, é uma prática corrente na internet, com a diferença que não é mais necessário um órgão especializado do Estado autoritário para se retirar textos, imagens, vídeos e qualquer tipo de conteúdo do ar. Basta um telefonema, ou um email de quem não queira ver o conteúdo divulgado.

A falta de leis que se refiram à internet cria uma insegurança jurídica para os sites que hospedam os conteúdos e, com o receio de serem responsabilizados pelo que foi publicado pelos seus clientes como se fossem eles mesmos os responsáveis, simplesmente retiram o conteúdo do ar.

Isso faz, por exemplo, com que prefeitos que não gostam de críticas ameacem processar por difamação um provedor que hospeda um blog. Ou que corporações da indústria cultural notifiquem o youtube para retirada de conteúdos que utilizem obras protegidas por direito autoral.
E eu com isso?

Você pode pensar: “Mas é justo que sejam punidos difamadores ou quem o usa indevidamente obras protegidas de propriedade intelectual privada”. Talvez, mas a pergunta é: “Quem decide isso?” Quem disse que o uso era realmente indevido? Quem disse quer se tratava de difamação, e não apenas de uma crítica ou denúncia?

Essa decisão não pode ser tomada unilateralmente nem pelo denunciante, nem pelo denunciado. Por isso, as democracias modernas inventaram um sistema para tentar resolver essa questão que se chama sistema judiciário, colocando a responsabilidade da decisão na mão de um juiz.

Como não há lei na internet, políticos e corporações se valem do risco econômico que os sites estão sujeitos e, com simples notificações, criem uma indústria de censura automática na rede, sem respeitar qualquer processo legal, ou dar o direito de defesa a quem produziu e divulgou os conteúdos questionados. Você perde liberdade para se expressar na rede e de se informar pelo que foi censurado!

E o que muda com a aprovação do Marco Civil da Internet?

O artigo 20 do Projeto de lei 2126/2011 retira a responsabilidade dos sites sobre os conteúdos gerados por terceiros, acabando com a insegurança jurídica e com a desculpa utilizada para a censura automática.
E quem joga contra?

A pressão da Rede Globo conseguiu criar no Marco Civil uma exceção para esta regra, ao definir que, para conteúdos com direito autoral, serão tratados especificamente na Lei de Direito Autoral, o que mantém a situação atual para esses tipos de conteúdo até que a lei seja reformada.
Com isso, a Globo seguirá censurando o debate acerca de sua obra na internet, mas os outros tipos de conteúdos passam a ter uma garantia legal contra a censura automática.

2 — PRIVACIDADE

O que acontece hoje?

A privacidade se transformou, literalmente, em uma mercadoria na internet. Geralmente, nos diversos serviços gratuitos que podem ser utilizados na rede, o produto a ser comercializado é o próprio internauta na forma dos seus dados mais íntimos.

Plataformas como Google e Facebook utilizam suas informações pessoais, os dados gerados pelo seu comportamento, tais como buscas, avaliações positivas e negativas de conteúdos existentes e o próprio conteúdo da sua comunicação para vender para empresas interessadas no seu padrão de consumo, ou mesmo para fornecer a governos que estejam monitorando a movimentação política de seu país ou de outros.

O ex-agente da NSA, Edward Snowden, revelou ao mundo que a agência de espionagem estadunidense monitorava a comunicação privada de cidadãos de forma massiva e não apenas em investigações pontuais. Snowden também revelou que a espionagem contava com a colaboração de empresas de tecnologia e infraestrutura.

E eu com isso?

A lógica da privacidade como mercadoria compromete a própria liberdade de expressão. Sem regras de proteção da privacidade, estamos vulneráveis ao humor de um Estado autoritário, vigilante e aos interesses privados das empresas. Quanto vale o acesso aos dados dos seus exames médicos? E do seu histórico contábil? Suas preferências políticas, sexuais e culturais?

E o que muda com a aprovação do Marco Civil da Internet?

O Marco Civil estabelece uma série de proteções a nossa privacidade na internet. O artigo 7 define que as fotos e textos que você excluiu há muito tempo do Orkut e que pensa terem sido apagados com a sua saída desta rede social, finalmente terão que ser efetivamente excluídos com a aprovação da lei.

O marco civil não impede a espionagem americana, mas coloca na ilegalidade a cooperação entre empresas e governos no monitoramento massivo. A lei também não impedirá Google e Facebook de venderem nossas informações, mas define que isso deve ser autorizado de forma livre, expressa e informada. Isso sim impede que as empresas de telecomunicação guardem os dados de tudo o que fazemos na rede.

E quem joga contra?

As bancadas policialescas do Congresso Nacional conseguiram a inclusão do artigo 16 ao projeto. Este artigo define o armazenamento obrigatório de tudo que se fizer em determinados sites para fins de investigação policial.

Esta inclusão vai de encontro a todo espírito de proteção da privacidade ao estabelecer a vigilância em massa. Inverte o preceito constitucional da presunção de inocência, onde todos passam a ser considerados culpados até que provem o contrário.

3 — NEUTRALIDADE DE REDE

O que acontece hoje?

Este é o ponto de maior polêmica entre sociedade civil e empresas de telecomunicações. Com a aprovação da neutralidade de rede como um princípio, as empresas donas dos cabos por onde trafegam os pacotes de dados ficam impedidas de favorecer esse ou aquele serviço, esse ou aquele produto no tráfego.

Basicamente, todo conteúdo deve trafegar da mesma forma, com a mesma qualidade. Essa definição é importantíssima para garantir que a internet se mantenha como um meio democrático, onde todos têm as mesmas condições de falar e ganhar repercussão.

Ter uma rede neutra é definir que o dono da estrada não pode definir que veículos podem andar mais rápidos e quais tem que enfrentar um congestionamento.

Se nossas estradas não fossem neutras em relação a quem viaja por elas, existiriam uma larga pista para quem pagasse mais e um pista estrita para quem não tivesse dinheiro.

Ou ainda a administradora da estrada poderia definir, em um acordo comercial com montadoras, que algumas marcas de automóveis passam sem pagar pedágio, enquanto as outras são obrigadas a pagar.

Como não existem leis obrigando a neutralidade na rede de internet, hoje as estradas digitais são administradas de forma assimétrica por quem controla os cabos.

E eu com isso?

Sem uma rede neutra, você não tem como saber se o serviço que usa está ruim por um motivo técnico, ou por um acordo comercial que você desconhece.

Você não tem como saber se o serviço de voz do Skype está ruim por que a Microsoft (dona do Skype) não paga a NET para passar os seus produtos pela rede.

Sem neutralidade, a internet pode ser vendida como uma TV a cabo e você perde dos dois lados.

O seu site não será tão visto na internet quanto o de uma corporação transnacional que poderá pagar por isso. Além disso, você não encontrará os conteúdos pelos quais não puder pagar. Perde-se dos dois lados e quem controla a infraestrutura ganha dos dois lados.

E o que muda com a aprovação do Marco Civil da Internet?

O artigo 9 no marco civil diz, claramente, que a empresa de infraestrutura deverá “tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação”. Ou seja, deve ser neutra em relação ao que passa nos seus cabos vendendo apenas capacidade de tráfego sem interferir no tráfego em si.
E quem joga contra?

As empresas de telecomunicação, mais conhecidas como Vivo/Telefônica, Claro/Embratel, TIM e Oi, são as principais opositoras, pois querem poder negociar de todos os lados do balcão e impor condições assimétricas para o consumidor.

Essas empresas depositam no deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) suas esperanças de obstruir o projeto de lei que as obriga respeitar direitos civis na rede.

O QUE PODE SER FEITO?

Para fortalecer a luta em defesa de um Marco Civil da Internet, que seja capaz de estabelecer, democraticamente, princípios, direitos e deveres para o uso da Internet, ativistas e organizações da sociedade civil organizaram uma agenda intensa de mobilizações para os próximos dias:

Assine a petição on line: http://www.avaaz.org/po/o_fim_da_internet_livre_gg/?mmc

*Do Coletivo Intervozes