sexta-feira, 14 de março de 2014

Alphaville Belém destrói cerca de três milhões de metros quadrados de mata virgem na Ilha de Outeiro

Anúncio de corretora, a partir de foto aérea que dá a dimensão da tragédia.
Para ser mais exato, o empreendimento Alphaville Belém, que segundo o site alphaville.com. br  "está pronto para morar", foi construído a largos passos num terreno de mata virgem que mede 4.365.891m². 

A considerar informações ainda no mesmo site, que diz que desse montante apenas "70.272 m² de áreas verdes, incluindo a sede do clube e proximidade com o Rio Maguari" foram mantidas intactas, constatamos a dimensão da tragédia ambiental que se processou nas barbas e bigodes do povo de Belém: cerca de 4 milhões de metros quadrados da encantada e milenar Ilha de Caratateua, nosso famoso e querido Outeiro (Distrito de Belém-PA), com suas seculares árvores e todo um riquíssimo ecossistema, simplesmente viraram pó.

Projetado para 429 unidades residenciais e 34 comerciais, contando com uma Marina (ao lado do empreendimento) com capacidade para 502 embarcações, os impactos do Alphaville Belém já podiam ser sentidos pela população de Outeiro mesmo antes de sua implantação. 

Por conta da especulação imobiliária, muitas famílias sofreram, inclusive com a incidência de grileiros como foi o caso dos irmãos Ronaldo e Rômulo Maiorana (donos do jornal e TV Liberal, afiliada da Rede Globo), os quais reclamaram com a maior cara de pau do mundo na justiça uma suposta titularidade sobre uma vasta Área de Marinha, onde há décadas residem centenas de famílias de baixa renda. Obviamente que não lograram êxito neste processo de rapina.

Mas além da especulação, moradores protestaram contra o empreendimento, pois não conheciam os estudos de impacto ambiental e não sabiam das possíveis implicações que a construção de tal magnitude causaria em um sistema tão frágil quanto o da Ilha, principalmente do Rio Maguari, que sofre com um avançado processo de assoreamento e poluição. 

Não custa lembrar que outro danoso empreendimento imobiliário foi construído com centenas de apartamentos às suas margens, justamente próximo de sua área mais sensível, o mega condomínio Viver Ananindeua.

É necessário que o Ministério Público Estadual e Federal entrem em cena, pois moradores de Outeiro denunciam inclusive um acelerado processo de desertificação no que sobrou de área verde no município. 
Assim a Amazônia vai se despedindo dos seres que nela vivem e dela dependem. Lastimável.

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