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A imagem é de janeiro, mas retrata a realidade atual de quem vive em Belém. Foto: Ary Souza |
As informações são desencontradas, mas tentei um resumo da ópera que vivemos atualmente na capital paraense, dirigida pelos maiores entendidos em ópera dessas paragens amazônicas.
- É fato que a coleta de lixo está paralisada na Região Metropolitana de Belém, uma das 15 maiores do país, há 3 dias.
- É fato também que a instalação de um aterro sanitário no município de Marituba, um dos sete da região metropolitana, provoca protestos há pelo menos dois anos e nessa semana moradores fecharam, não se sabe ao certo por quanto tempo, o acesso ao aterro.
- As prefeituras de Belém e Ananindeua, os dois maiores municípios da metrópole, ambas administradas pelo PSDB, culpam o protesto dos moradores de Marituba pela paralisação da coleta.
- O colunista Mauro Bonna, ligado ao PMDB, disse em seu perfil no twitter que o problema é no pagamento das empresas que realizam a coleta.
- Enquanto as versões se desencontram, outros fatos são muito preocupantes.
- Apenas Belém, todos os dias, produz 1100 toneladas de lixo domiciliar. Soma simples até para mim, são 3300 toneladas de lixo, portanto, abandonadas nesse momento pelas ruas da cidade.
- Estamos em março, mês das maiores chuvas do inverno amazônico. Lixo acumulado nas ruas, mais chuvas torrenciais, outra soma simples: doenças.
- Mesmo que o problema se resolva amanhã, poderemos já ter que lidar nos próximos dias com consequências graves de saúde pública. Estou falando de leptospirose e demais doenças potencialmente mortais.
- Enquanto isso, o prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, publicou um comunicado na internet aconselhando os moradores a estocarem o lixo em suas casas.
- Estamos aceitando ideias para o que fazer com nossos estoques residenciais de lixo.
EXTRA: Enquanto a gente afunda no lixo, o prefeito está de férias em Ibiza, na Espanha.
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Helena Palmquist é jornalista e assessora de imprensa do Ministério Público Federal do Pará.
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