segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Discurso de Dilma a anos luz da realidade


Por Joice Souza

Penso que nem a própria Dilma acreditou no seu discurso de ontem, que mais parecia uma tentativa desesperada de fazer o brasileiro crer que as coisas vão bem, quando é nítido o caos em que vivemos. 

Com justificativas vagas do tipo: "nenhuma economia é perfeita", a presidenta enrolou, enrolou e disse quase nada.
Depois de junho de 2013, nada será como antes. 
 A realidade é que cresce o caos social e com ele cresce a insatisfação com os governos. Segundo Pesquisa do IBOPE apenas 3 dos 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal tem o governo estadual avaliado como bom ou ótimo por mais de 50% de sua população e em 19 estados, mais de 50% da população não confia no seu governador.

Também cresceu a desconfiança no governo federal, de 25% em 2012 para 41% agora no final de 2013. O governo comemora a pesquisa em que 43% da população avalia o governo de Dilma como ótimo ou bom, mas finge não levar em conta que antes de junho esse índice era de 54% e a aprovação da maneira de governar da presidenta que em 2012 era de 77% chegando a 79% em março deste ano, despencou para 56% nos últimos noves meses.

Se os resultados gerais já não bons para o PT, piora quando passamos para a avaliação de políticas específicas. A política [neoliberal] de DILMA para a educação é desaprovada por 58% da população , 72% desaprova a política do governo para área da saúde e 70% para a segurança pública. Mesmo no combate à pobreza ( carro-chefe da propaganda do governo do PT) houve queda na aprovação de 11 pontos percentuais em relação ao mês de março.( de 64% para 53%). 

Essa pesquisa pode ser até ser contestada, dado o histórico de manipulações nas pesquisas de opinião, mas os fatos que levam a resultados como esses estão aí e sentimos na pele todos os dias. 

Enquanto Dilma pede tranquilidade e promete melhoras na qualidade de vida, o salário mínimo aumenta míseros R$ 46,00 (aumento real de 1,18%, segundo o DIEESE) e logo esse aumento deve ser engolido pela inflação.

Enquanto Dilma fala em equilíbrio na economia que beneficie “tanto as classes trabalhadoras como o setor produtivo”, quase metade do orçamento da União para 2014 irá para o pagamento da dívida pública, ou seja, para os bolsos dos banqueiros.

Enquanto Dilma fala carinhosamente das populações tradicionais, nossos povos indígenas seguem sendo cruelmente atacados pelo agronegócio com a conivência da presidenta, que aliás foi muito elogiada pelos ruralistas em 2013.

O tom cambaleante de Dilma não engana ninguém. O ano de 2014 não será o ano da copa e de brasileiros no sofá como sonhava os governos e os patrões. 2014 será ano de muita luta, será o ano dos trabalhadores e da juventude indignada não só no Brasil, como no mundo inteiro.

Joice Souza é jornalista e faz parte da assessoria de imprensa do SINTSEP-PA.

Atualizado às 23h45, dia 07/01/2014.

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