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terça-feira, 18 de setembro de 2018

MPF e MPPA abandonam comunidades de Barcarena e protegem os crimes da Hydro

Comunidades da bacia do rio Pará repudiam acordo dos MPs e Estado com a Hydro: "morremos em silêncio", denuncia

Caiu como uma bomba nas comunidades impactadas - provocando descrédito e desconfiança na eficácia de sua execução - o termo de ajuste de conduta, também conhecido por TAC, firmado entre os Ministérios Públicos Federal e Estadual com o Estado e a mineradora norueguesa Hydro, proprietária das indústrias Albrás e Alunorte, em Barcarena.



Em " nota de repúdio " enviada ao Ver-o-Fato, as comunidades ribeirinhas da bacia do rio Pará manifestam indignação com a asssinatura do documento, elaborado justamente por quem deveria promover ações criminais contra os barões do capital norueguês, mas que passaram meses sendo ignorados e rejeitados pela Hydro, até que ajustaram suas regras do acordo ao que a mineradora pretendia, obtendo finalmente a assinatura no papel. Veja, abaixo, a íntegra da nota das comunidades: 
O igarapé ( ao fundo) morreu e o povo vive doente. Foto de Catarina Barbosa
 
"O direito a vida, mais uma vez foi sonegado pelo poder público, que mesmo ciente do lançamento de efluentes sem tratamento, fora dos padrões da resolução Conama 430/2011, na bacia do Rio Pará, restringiu o atendimento emergencial às comunidades da bacia do Rio Murucupi.

Milhares de pessoas que sobrevivem da pesca, que usam a água do rio Pará para matar a sede, estão impossibilitadas de fazer estas atividades, pois sabem que a água e o peixe estão contaminados por metais pesados.

Como avaliar a extensão da contaminação e a extensão da ajuda se o efluente, ao ser lançado no rio Pará, não se restringe apenas ao rio Murucupi, muito pelo contrário se distribui pelo rio Pará, chegando a Abaetetuba, as ilhas Trambioca, Onças, Arapari, etc. Como tem demonstrado os estudos científicos.


Existem estudos, como os do Laquanam, da UFPA, onde todos os compromissários têm ciência, que diversas comunidades da bacia do Rio Pará, Rio São Francisco, Rio Murucupi, estão consumindo água contaminada, por chumbo e alumínio  principalmente.

Nós não temos direito nem de fazer um exame, para constatarmos se estamos, ou não contaminados, morremos em silêncio.
A vida, a dignidade, nesse TAC, passam longe, quem nos garante que nosso pescado, que nossa plantação, principalmente o açaí e camarão não estão contaminados!?

Falam de prevenção e precaução nesse tac, mas se realmente seguissem tais princípios e se estivessem ao lado da sociedade, por todo exposto e por tais princípios, pelo direito a vida digna, ao meio ambiente equilibrado e pelas futuras gerações, esse empresa não deveria estar mais funcionando e sim reparando e compensando os danos que cometeram.

Que a comunidade internacional defenda as populações tradicionais da Amazônia e o meio ambiente, pois aqui somos vistos como empecilhos ao capital e ao poder público elitista".
***
Fonte: http://www.ver-o-fato.com.br/2018/09/comunidades-da-bacia-do-rio-para.html#more

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Liderança de Barcarena denuncia governo do Pará à ONU, PGR e STJ


Liderança de Barcarena entrega denuncia contra o governo do Para para Procuradoria-geral da República e Superior Tribunal de Justiça

Em evento da Organização das Nações Unidas, organizado em conjunto com entidades de defesa dos direitos humanos, foi reafirmado compromisso da entidade e parceiros para proteger os defensores de meio ambiente amecadosa de morte, perseguidos e coagidos pelos grandes projetos minerais e agropecuários, principalmente na Amazônia. Evento ocorreu nesta última segunda-feira, 03/09, no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro.

Maria do Socorro Costa da Silva e outras lideranças, além de falarem para as autoridades e personalidades artísticas e ambientais no evento, é uma das que tem exposição sobre sua luta no mesmo Museu. Organizado pela ONU Meio Ambiente, com apoio da Global Witness e o jornal britânico The Guardian, as entidades demonstraram profunda preocupação com a garantia de vida dos defensores do meio amvieamb, principalmente no Brasil, o lugar onde mais se mata esse tipo de ativistas no mundo.

Barcarena/PA, município próximo a capital paranaense, esta no olho do furacão. Presidente da Associação de Caboclos, Indígenas e Quilombolas da AmazoAma, Socorro Silva, entregou na oportunidade denuncia à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e ao presidente do Superior Tribunal de Justiça, Antonio Herman Benjamin contra o governo do estado do Pará (SEMAS e SEGUP).

Socorro Silva falou com exlusiexclusi ao Alem da Frase e disse que espera que com essa denúncia: "O que as autoridades vao fazer com a Hydro, que poluiu tudo. Nosdos rios, solos, envenenou a gente, não nasce mais nada na terra, os peixes estao mortos.". Outra coisa que preocupa a liderança quilomba é a grilagem de terras.  Quaid as "providências sobre os nossos títulos de Terra?". Direito constitucional até hoje negado para esse povo e as dezenas de comunidades tradicionais do município.

Acostumada a lutar, ela é incisiva nas denúncias e cobranças: "É crime ambiental, assassinatos no nosso Basil.  E como vamos salva tudo isso?! Nós nao queremos morrer. Queremos que as autoridades brasileiras, especialmente os orgãos que deram os laudos [como o Instituto Evandro Chagas]  que afirma que estamos contaminados por metais pesados seja respeitados pela imprensa, Hydros."

Consciente de seus direitos ela não exita em exigir justiça. Cadê a  condenação da Hdros? Por que não obrigam ela a pagar nossas emergências? E como também as indenizações individuais? Agora, logo! Já!".

Ela reclama da morosidsde da justiça, que leva meses para analisar e responder positivamente às comunidades atingidas pelos efluentes tóxicos da multinacional norueguesa. "É urgente. Eles tinham a responsabilidade de fornecer água mineral a todas as comunidade que estão prejudicadas. A Hydro tem que respeitar o Brasil e os Órgão.".

Disposição de luta

Consciente da força coletiva dos povos tradicionais e trabalhadores, Silva reforca a importância de se lutar juntos, porque "junto estamos fortes. E de olho. Nós, temos aliados na natureza. O passarinho nos avisou. O pescador também alertou. Queremos de volta nossas riquezas que a Hydros levou para a Noruega. E só deixou aqui câncer e desgraças. Aqui no Brasil e em Barcarena, Abaetetuba. Não somos somos jirau.", ela conclui.

Os movimentos sociais e organizacoes devem aproveitar o Grito dos ExlExcluí para denúnciar a pratipr de rapina da Hydro Alunorte, maior refinaria de alumina do mundo, assim como todas as degradações ambientais, sociais e econômicas promovidas por essas indústrias no Distrito Industrial de Barcarena.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Barcarena a sombra de Mariana

Maria do Socorro, presidente da Cainquiama, quilombola, ameçada de morte, em protesto
contra os crimes da Hydro Alunorte em Barcarena. Foto: Cainquiama/Facebook.
por Marcus Benedito
Maria do Socorro Costa da Silva, líder comunitária de uma das 60 comunidades tradicionais atingidas pelas indústrias do Distrito Industrial de Barcarena, nordeste do Pará, já teve sua casa invadida seis vezes. A última ocorreu dia 05 de janeiro de 2018. Um capitão da Polícia Militar do Estado do Pará e mais 4 policiais foram até sua residência e agiram de forma truculenta, sob a justificativa de que estavam fazendo busca de um “suspeito”. Evidente tentativa de intimidação. Fato de extrema gravidade que expõe uma das cadeias que envolvem multinacionais poderosas, agressões ao meio ambiente e desrespeito às populações tradicionais.
Socorro Silva, como a líder comunitária é conhecida, dentre várias lideranças, vêm sendo perseguida, pois resolveu se levantar contra os desmandos, não só da empresa norueguesa Norks Hydro, assim como da Bunge, Imerys, etc. Desde dezembro que os protestos no Distrito Industrial de Barcarena ficaram mais intensos, pois os efeitos nocivos dos empreendimentos tornaram-se insuportáveis. É o que denunciam milhares de pessoas, Ministério Público Estadual, Federal e Defensoria Pública do Estado do Pará.
Vermelho cor de morte
No dia 17 de fevereiro, o jornalista Carlos Mendes publicou com exclusividade em seu blog Ver-o-Fato, entrevista, fotos e imagens depois que uma das bacias de rejeitos sólidos da mineradora Hydro Alunorte transbordou, atingindo dezenas de comunidades em Barcarena, assim como igarapés, rio Mucurupi, solo e poços de toda a região.
Imagem do dia 17/02, após transbordo de lama tóxica
da Hydro. Fonte: Facebook.
O Relato de dona Maria Salustiana Cardoso, idosa de 68 anos, dá a dimensão do sofrimento e angústia pela qual passam 400 famílias que estão imediatamente no olho da tsunami de lama tóxica. Moradora de uma comunidade com o sugestivo nome de Bom Futuro, ela viu sua casa ser invadida por água na madrugada de sábado. Com a residência a menos de 40 metros de uma das bacias de rejeitos minerais da norueguesa Norks Hydro “ela foi acordada por uma chuva muito forte e entrou em pânico. A água havia entrado na residência e alagado tudo, causando-lhe prejuizos materiais. O que mais chamou a atenção dela, porém, foi a coloração da água. “Muito vermelha, parecia sangue”.”
A matéria de Carlos Mendes revolta, amedronta e espanta. Chamam de bacia, mas as montanhas de rejeitos tóxicos que transbordaram têm incríveis 30 metros de altura, mais se assemelhando a uma montanha ou morro, o que expõe o tamanho da gravidade e sanha dos governos que permitiram a instalação dessa máquinas de destruição na Amazônia. “Enquanto dona Maria Salustiana pedia a ajuda de vizinhos, também com suas casas inundadas, outro morador da área chegava com o alerta de que algumas bacias da Hydro haviam transbordado e vazado a lama vermelha, que passou a misturar-se com a água da chuva nas ruas alagadas.”.
Mais dia um protestos dos moradores de Barcarena contra os
crimes da Hydro Alunorte. Foto: Maycon Nunes.
Dona Salustiana retrata uma verdadeira calamidade. “O que está contecendo aqui é muito triste.”. Sua entrevista para Mendes faz a indignação fervilhar em qualquer um. “A água vermelha entrou por todos os cantos. O pessoal veio aqui pra ver e ficou com muito medo.”. Indagada sobre sua condição de saúde, ela responde que está “queimando por dentro”, pois foi obrigada a tomar água de seu poço, mesmo após este ser atingido pela água contaminada. “Estou com uma ardência, uma queimação dentro de mim, principalmente no estômago. Tem horas que não posso nem almoçar ou comer alguma coisa, porque esse ardimento no meu estômago não deixa. Eu estou secando de uma hora para outra, por dentro, me sentindo mal.”
A Norsk Hydro, que segue impune por todos os crimes até aqui cometidos contra os povos tradicionais e seu meio ambiente, teve a desfaçatez de negar o sinistro. Não precisa ser pesquisador para ver que esse povo vive um acentuado sofrimento psicossocial. Estão doentes do corpo e da alma. A lama tóxica, além de bauxita (responsável pela tonalidade vermelha), é composta de bário, chumbo, soda cáustica, alumina e outros metais pesados. O Instituto Evandro Chagas divulgou laudo na quinta-feira (22/02), em que atesta que foram encontrados esses metais na lama que invadiu tudo na madrugada do último dia 17.
Tragédia anunciada
Esta é a 16ª agressão ambiental de graves proporções promovidas pela Hydro nos últimos 20 anos. Encravada no coração de uma das maiores e mais importantes bacias hidrográficas da Amazônia, a Norsk Hydro, multinacional norueguesa, que tem como um dos garotos propagandas, o vocalista da banda A-HA, é proprietária da Hydro Alunorte e da Hydro Albrás. A primeira transforma a bauxita em alumina e a segunda, alumina em alumínio. Os resultados desse processo minero siderúrgico são catastróficos.
Idealizadas pelos governos militares, que sempre pensaram a Amazônia como um ilimitado paiol de riquezas, porém vazio de gente, vidas e vontades, foram construídas após muitas transações eivadas de escândalos, corrupção e morte. Para que duas megas indústrias eletro intensivas pudessem existir, era necessário produzir energia. Eis que o governo militar e seu então ministro da fazenda, Delfim Neto, conseguem a peso de muita propina, a tecnologia para que metade das turbinas fossem feitas em Paris e metade aqui, assim iniciam a construção de uma das maiores represas do mundo: a Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Isso tudo nos conta o jornalista Lúcio Flávio Pinto, em seu livro Tucuruí: a barragem da Ditadura.
Fez-se luz, a corrupção já tinha, necessitava apenas de um governo local subserviente. Nem precisou inventar a pólvora. Até ensaiou firula, resistir no início, mas não tardou e logo o então governador do estado do Pará, Jader Fontenele Barbalho, entrou em “acordo” com os japoneses, detentores da tecnologia, e essa monstruosidade pode ser assentada em Vila do Conde, Barcarena, às margens da magnifica baía do rio Pará, com impactos incalculáveis em tudo que habita a região, endividando os cofres públicos e adoecendo a população.
Há algo de podre no reino do Grão Pará
Não são só as carcaças das 5.000 mil cabeças de gado que afundaram com o navio Haidar em outubro de 2015 no porto de Vila do Conde, que fedem nos ares de Barcarena e região. Por essas bandas, há muito, que a sujeira dos governos exala seu odor e é vista na pele da população, que sofre com os impactos derivados do Distrito Industrial de Barcarena, o maior de todo o Norte do país. Até chuva ácida já foi comprovada em Barcarena. Felizmente o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA) apresentaram duas denúncias contra a Hydro Alunorte. Em uma delas são solicitados o embargo de parte das operações da empresa e que as famílias atingidas sejam indenizadas pelos prejuízos materiais e físicos causados.
Contudo, o prefeito de Barcarena, Antonio Carlos Vilaça (PSC), o governador Simão Jatene (PSDB), seguem agindo como se nada tivessem a ver com essa barbárie que ocorre em Barcarena. A grande mídia do estado, nas mãos da família Barbalho e Maiorana, encobrem como poeira da lama tóxica, os reais motivos dessa tragédia se abater na regiã. Quase nunca citam os responsáveis. Pelo contrário, até pouco tempo a TV Liberal mostrava o Morten Harket, vocalista do A-HA, chegando em seu cavalo Audi para o próprio vistoriar como andavam as atividades de sua empresa. Lógico, numa peça esdrúxula e muito distante da realidade. A propaganda aceita quase tudo. E a farsa mostrava funcionários das Norsk e povo da região, como se não adoecessem, devido as péssimas condições de trabalho e como moradores de um paraíso na terra. Só que não.
Vilaça até hoje, nada fez para que os responsáveis pela tragédia do Haidar, fossem punidos e para que seu povo fosse devidamente indenizado. Pelo contrário, até água mineral parou de distribuir para a população ribeirinha. Jatene, através da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), faz vista grossa e permite que empresas como Hydro, Imerys e Bungue sigam impunimente causando prejuízos de proporções incalculáveis para o meio ambiente e o povo da região do Baixo Tocantins, principalmente de Barcarena. Até o banco de dados onde constava o registro de uma área de preservação foi deletado do banco de dados da SEMAS. Fatos gravíssimo, que exige comissão independente para investigar e punir os culpados, a começar pelo governador Jatene. Pior que tudo, a floresta e a área desapareceram para dar lugar às famigeradas bacias da Hydro Alunorte.
Total apoio às famílias! Indenização e remoção para um local seguro já!
É preciso se solidarizar e defender as lideranças comunitárias ameaçadas de morte
A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH-PA), a Defensoria Pública do Estado do Pará e outras entidas acompanham o caso de diversas lideranças da região que vêm denunciando na corregedoria de polícia e ministérios públicos as ameaças de morte que têm sofrido por exporem o que a Hydro até semana passada negava: as bacias de rejeito da Hydro Alunorte podem romper a qualquer momento.
O país ainda vive sob o signo da tragédia de Mariana. A BHP Billiton/Samarco/Vale também negavam irregularidades nas suas operações e foram responsáveis pela destruição do rio Doce e pela morte de cerca de 20 pessoas no estado de Minas Gerais, quando uma bacia de rejeitos da empresa se rompeu despejando toneladas de lama tóxica sob a comunidade de Bento Rodrigues e ecossistema do Doce. Nada foi feito para recuperar o rio Doce e até hoje ninguém foi devidamente indenizado.
Esse filme não é ficção. Desde dezembro que o alerta vermelho, cor da lama da morte, se acendeu em Barcarena. Inclusive, vários funcionários da Norsk Hydro, que não querem se identificar com medo de represálias, assumem que a situação é grave e que não está descartado rompimento das bacias de rejeitos da Hydro Alunorte.
O que exige da gente solidariedade para com os que lutam em defesa de suas vidas e do meio ambiente na região. A cadeia de produção da bauxita mata. Porque o a lógica do capitalismo, o lucro, também mata. Eis o lago Batata em Oriximiná, que morreu vermelho e não pode mais contar história. Foi poluído por ter sido usado como receptador de descarte da mineradora Mineração Rio do Norte, no vale do Rio Trombetas, Oeste do Pará. É preciso lutar e exigir punição para os proprietários da Norsk Hydro, para Vilaça, Jatene e Temer, verdadeiros responsáveis por essa calamidade pública.
Indenização já para todas as 400 famílias atingidas pela poluição da Hydro Alunorte e demais empresas do Distrito Industrial de Barcarena!
Que os governos distribuam água potável e comida para população das 60 comunidades!
Por um plano imediato de remoção das famílias (de acordo com suas vontades e necessidades)!
Por um projeto de recuperação e despoluição do meio ambiente, dos igarapés, rios e solo de Barcarena!
Punição e confisco dos bens de todos os executivos da Nork Hydro, Vilaça, Jatene e de seus secretários!
Estatização sob o controle dos trabalhadores da Hydro Alunorte, Hydro Albrás e demais empresas envolvidas em crimes ambientais em Barcarena e todo país!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Hydro pode causar tragédia maior que de Mariana em Barcarena

A Hydro é responsável por uma tragédia de proporções incalculáveis e que superaria Mariana em centenas de vezes. É o que temem ambientalistas e as populações tradicionais que diariamente denunciam os absurdos e crimes ambientais promovidos pela empresa no município de Barcarena, a cerca de apenas 60 Km de Belém. É o que diz a matéria abaixo sobre terríveis vazamentos que estão a ocorrer nas bacias de contenção de lama tóxica da empresa.


CHEGA DE MENTIRAS, HYDRO


Do alto é possível observar claramente o transbordamento dessa bacia da Hydro
Aqui, no detalhe, o que a foto de cima exibe fica mais evidente
por Carlos Mendes, para o Ver-o-Fato

De helicóptero, a serviço da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), técnicos do órgão comprovam o transbordamento dos rejeitos minerais de uma das bacias da multinacional norueguesa Norks Hydro.

Isso ocorreu devido às chuvas, fazendo escorrer para fora da barragem a temida lama vermelha rumo as florestas, igarapés e rios da região, como denunciaram ao Ver-o-Fato moradores das comunidades vizinhas à empresa. Ou seja, as famílias mais expostas à contaminação.

A Hydro nega, em nota, os vazamentos, e dá a entender que está tudo bem. Mas como está bem, se as comunidades se queixam que não podem mais beber a água dos poços artesianos, se a lama da cor de sangue apareceu trazidas pelas águas das chuvas e o medo toma conta de todos.

Funcionários da própria Hydro em contato com o blogue confirmam as denúncias dos moradores, mas pedem que seus nomes sejam preservados, para evitar demissões.

Não é exagero dizer que a Hydro está mentindo, ao negar o que vídeos de moradores, fotos e imagens de helicóptero em missão oficial da Semas mostram: isto é, exatamente o contrário do que a empresa diz.

Técnicos do Instituto Evandro Chagas estão em Barcarena para coletar amostras de águas nos locais indicados pelos moradores. Ao mesmo tempo, os Ministérios Públicos Federal e Estadual avaliam a situação, que já exige uma postura mais incisiva dos fiscais da lei.

Barcarena e seu povo merecem respeito. Coisa que a Hydro não manifesta. Ao contrário, é arrogante, manipuladora e mentirosa. Comporta-se como se estivesse acima das leis brasileiras.

Pior é deixar que ela assim se sinta.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A Hydro promove barbárie em Barcarena

São gravíssimos os fatos que ocorrem em Barcarena, ao lado de Belém, capital do Pará. Não é de hoje que a região sofre com os grandes projetos instalados em Vila do Conde, no município de Barcarena, às margens de um dos mais fantásticos ecossistemas do planeta: a baía do Rio Pará ou do Marajó.
Desde quando o então governador Jader Barbalho (PMDB) se vendeu para os japoneses interessados nos incentivos dados pelos militares para que indústrias neocolonizassem a Amazônia. Vieram os grandes projetos mineros siderúrgicos. Indústria pesadíssima. Verdadeiros dragões encravados no coração da floresta e de seus rios e lagos. Para que o mega parque de alumina e alumínio pudesse existir ao largo de um destruidor mega porto, era necessário fazer energia. Por isso o show de horrores e corrupção que está aí: usina hidrelétrica de Tucuruí. Uma das três maiores do mundo. E Barcarena abrigou o maior complexo industrial da Amazônia Legal. Explorando e adoecendo seu povo, poluindo tudo, matando tudo.
Hoje a Albrás/Alunorte está sob o controle da multinacional norueguesa Nosrk Hydro e a Hydro patrocina mais do que diz sua propaganda fajuta na TV com o A-HA. No olho da pororoca estão as populações tradicionais. Tal qual a canadense Belo Sun (com os dentes prontos para rapinar o ouro do Xingu), que patrocina a violência e o abuso às liberdades constitucionais, ao passo de invadirem um seminário na Universidade Federal do Pará (UFPA), agredindo a renomada Prof. Dra. Rosa Acevedo Marin, do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) desta instituição, a Hydro e tantas outras empresas não se milidram quanto a prática de crimes.
Para isso contam com as elites locais, os governos e seu aparato repressor.
É o que várias comunidades vem denunciando há tempos. Mas agora as coisas ficaram muito mais evidentes. As multinacionais já não conseguem comprar todo mubdo. Como também já não conseguem mais calar a voz do povo indignado São mais de 60 comunidades tradicionais que sofrem de forma direta os impactos da forma criminosa como estas indústrias vem desenvolvendo suas atividades na Vila do Conde e região.
É o que veremos na matéria abaixo do renomado repórter Carlos Mendes publicada em seu blog Ver-O-Fato. É preciso denunciar e lutar contra esses abusos. O governador Jatene, o secretário de segurança pública, o comando da Polícia Militar do Estado do Pará e a Hydro serão responsabilizados se algo vier a ocorrer contra a vida e dignidade das liderenças comunitárias de Barcarena.

LÍDER COMUNITÁRIA QUE DENUNCIOU HYDRO FAZ OCORRÊNCIA DE INVASÃO DE DOMICÍLIO CONTRA CAPITÃO DA PM E 5 MILITARES

por Carlos Mendes

A líder comunitária de Burajuba, em Barcarena, Maria do Socorro Costa da Silva, há tempos está jurada de morte por forças poderosas que atuam naquele município, hoje transformado em lixeira de empresas multinacionais.

Ne véspera do Natal, sem qualquer ordem judicial, a casa de Socorro foi invadida por policiais militares comandados pelo capitão Gama e um soldado identificado por José, além de outros 4 militares. Eles alegaram, para entrar no domicílio sem o consentimento dos proprietários, violando a Constituição Federal, que estavam à procura de um indivíduo não identificado.

 Segundo boletim de ocorrência registrado na Corregedoria da Polícia Militar por Socorro Silva, os militares interrogaram os moradores sobre os pertences da casa, acusando-os de ter muitas coisas. Socorro não estava na residência na hora da invasão.

Ha cerca de 15 dias, Socorro e o líder comunitário Bosco de Oliveira estiveram no programa "Linha de Tiro", ao vivo, transmitido habitualmente toda quinta-feira à noite pelo Facebook e na página do Ver-o-Fato, denunciando a empresa norueguesa Hydro por crimes ambientais. Eles também já fizeram outras denúncias pela imprensa contra grandes grupos multinacionais, como Bunge e Imerys, por poluição de rios, igarapés e matas da região.

"Já tive minha casa invadida por seis vezes e até hoje sofro ameaças de morte", afirmou Socorro. Por outro lado, Bosco Oliveira também já foi vítima de atentado a bala e invasão de domicílio e tem sido alvo de "armações" de policiais que a todo custo tentam incriminá-lo, sem provas.

 Proteção e denúncia

 O advogado Ismael Moraes, defensor das 60 comunidades de Barcarena, informou ao Ver-o-Fato que, baseado no BO feito por Socorro Silva à corregedoria da PM irá solicitar garantias de vida para ela e para Bosco Oliveira, denunciando a invasão de domicílio à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e à Promotoria Militar para que sejam tomadas providências.

De acordo com Moraes, a responsabilidade pelas perseguições aos líderes comunitários é do governo Simão Jatene, que nada tem feito para apurar os crimes denunciados pelas entidades e movimentos sociais de Barcarena. Nota do blogue: o Ver-o-Fato não conseguiu falar com os militares citados no BO de dona Socorro Silva, mas abre espaço para que eles se defendam e apresentem suas versões dos fatos acima publicados, já objeto de investigação pela Corregedoria da PM.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Hydro Alunorte, da norueguesa Norsk Hydro, viola direitos trabalhistas em Barcarena

SINDICALISTAS SÃO IMPEDIDOS DE ENTRAR EM FÁBRICA DE ALUMINA NO PARÁ

Vista de entrada da Hydro Alunorte, em Vila do Conde, Barcarena/PA. Foto: link
Os diretores do Sindicato dos Químicos de Barcarena no Pará foram impedidos de entrar na empresa Hydro Alunorte para protocolar documento junto ao departamento de Recursos Humanos da empresa. 

O fato ocorreu nesta quarta-feira, 13, quando os sindicalistas fariam valer o resultado de uma consulta aos operários ocorrida semana passada, quando os funcionários que trabalham com resíduos sólidos rejeitaram a proposta da empresa e aprovaram o fim da super exploração, exigindo a volta da quinta turma de operários para esse setor. Hoje o setor de resíduo sólidos funciona com quatro turmas, o que faz com que os trabalhadores laborem por seis dias consecutivos e folguem apenas dois. Com 5 turmas, trabalharão seis dias e folgarão 4.

Ao impedir a entrada dos representantes do sindicato, a empresa, que hoje é de capital norueguês, rasga a convenção 87 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a qual versa sobre a liberdade sindical. Além disso rompeu com o conceito de trabalho decente formalizado pela OIT em 1999.
Trata-se de grande abuso de autoridade, pois o Brasil e a Noruega são signatários dessa Convenção, onde reafirmam os seus compromissos de respeitar, promover e realizar, de boa fé, os princípios relativos aos direitos fundamentais no trabalho, ou seja, a liberdade de associação e o reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva, e a eliminação da discriminação em matéria de emprego e de profissão. 

Então como justificar uma truculência partindo da Hydro Alunorte contra o presidente e o secretário do Sindicato, os quais foram recentemente eleitos e legitimados pelos trabalhadores com a fenomenal marca de 77% dos votos? Será que na Noruega, sede da NORSK HYDRO, eles agem com essa violência contra os representantes dos trabalhadores?

Fica aqui nosso repúdio a toda forma de discriminação e truculência contra aqueles que lutam por direitos e liberdade sindical. Que a Hydro Alunorte respeite seus trabalhadores, pois antes de serem sindicalistas, são funcionários e que com seus trabalhos ajudam a construir há mais de vinte anos esta empresa.