segunda-feira, 13 de maio de 2013

Amapá se especializa em corrupção e na exportação de doentes

Última atualização: 14/05/13 às 02h05
 
Após 66 anos de fundação, o estado do Amapá, criado a partir da divisão do Pará, especializou-se em colecionar escândalos políticos, desvios de verbas públicas e em exportar doentes.


O que mais impressiona é a banalização do que deveria ser algo excepcional. Como é o caso do recurso ao TFD – Tratamento Fora de Domicílio.

No site da Agência Amapá de Notícias, órgão oficial de comunicação do Governo do Estado, está em destaque a visita feita pela Secretária de Estado de Saúde, enfermeira Olinda Araújo, a Casa de Apoio em Belém do Pará.

Segundo a matéria, o maior esforço do governador Camilo Capiberibe/PSB será o de buscar regularizar a ajuda financeira (não informaram de quanto) aos 1200 pacientes e acompanhantes na fila de espera e/ou os que já estão fazendo uso do TFD.

Já se passaram décadas, gerações, mas até hoje o único hospital de clínicas e o único pronto socorro do estado, que conta segundo o último censo do IBGE com mais de seiscentos mil habitantes (quatrocentos mil só na capital, Macapá) são ainda do tempo em que o Amapá era Pará.

De lá pra cá nada foi feito no sentido de se inverter essa violenta e degradante lógica. O que deveria ser exceção, ou quase inexistir, virou regra. 
E o maior investimento de Camilo Capi tem sido na ponte aérea e em agências de viagens.

Contrariando o que preconizam a lógica e pesquisas, que rezam que um paciente apresenta resultados altamente positivos em relação às terapias nele administradas, quando está em um ambiente mais humanizado, familiar, em sua própria comunidade, cultura, cidade e local. 
 
No entanto, o que faz o governador Camilo Capiberibe?! 
Vergonhosamente exporta seus enfermos. E o pior!, com passagem só de ida.

Ainda nessa mesma reportagem, a secretária Olinda aponta que será algo muito extraordinário, como se materializando a solução dos problemas e a cura dos pacientes de alta e média complexidade, a “regularização” da ajuda financeira (sabe-se lá de quantos mirrados reais) dada pelo governo aos pacientes e acompanhantes vindos à capital do Pará. Nestes termos, iInfelizmente, o calvário desses pacientes e suas famílias apenas terá, mal e meia-boca, iniciado.

O enfermo, distante de seu locus, de sua moradia, de seus amigos, de sua igreja ou comunidade religiosa, de sua escola e de sua família; em uma cidade estranha, diferente, grande, amedontradora e desconhecida, se for paciente de oncologia (como é o "caso da maioria"), experimentará o que é o verdadeiro DESESPERO HUMANO: o vaivém nas degrandantes e humilhantes filas do Sistema Único de Saúde materializado em seu hospital de referência, o Ophir Loyola. Que quando não tem nenhuma máquina quebrada, geralmente agenda uma consulta para no mínimo 120 dias.
 
Eis a catástrofe que não envergonha. Que ganha holofotes e que está de destaque no site do governo do Amapá.
 
Eu sou cria da sua costela
 
Sob o governo da petista Ana Júlia Carepa (2007 - 2010), esse tenebroso e degradante expediente foi aplicado à exaustão. Reportagens e denúncias de familiares tomaram as páginas dos jornais e blogs no estado, pois sem dúvida tratava-se de um imensurável escândalo e atentado aos direitos humanos e aos cidadãos paraenses que necessitassem de tratamento para curar o câncer. 
 
Paciente e acompanhante eram enviados pela ex governadora Ana Júlia Carepa, vejam só!, a um verdadeiro ostracismo em Terezina/PI e Palmas/TO, capitais com muito menos recursos tecnológicos, logísticos e humanos que Belém. Com uma ajuda de custo diária de apenas R$ 18,00 que deveria custear todas as refeições do paciente e do seu acompanhante.
 
O que então justificava que o Pará estivesse exportando seus pacientes? O velho assalto aos cofres públicos, que naqueles anos, estiveram sob o geenciamento do PMDB de Jader Barbalho, que além do Departamento de Trânsito do Pará (DETRAN/PA), da Secretaria de Finanças (SEFA), comandou Junta Comercial do Pará (JUCEPA) e a Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA). Esta última, sendo tomado pelo PT apenas na reta final de governo, quando Ana Júlia e o PT haviam percebido o tamanho da desgraça que fora seu governo, e mais desgraçado ainda, porque áreas estratégicas foam entregues a gente que sempre viveu e atuou na coisa pública para esquartejá-la e arrebanhá-la em função de causa própria. 
 
No meio da quadrilha, havia também uma gangue de ratos. Os quais não tardaram em mudar de lado e pular para o barco do tucanato, que em 2010, derrotando a petista, retornavam ao poder. Novamente assumia o Palácio dos Despachos, um homem que sabe dançar e organizar uma quadrilha: Simão Robson Jatene/PSDB.

Amapá não difere em nada do estado que cedeu a costela. Na verdade a bandalheira, a rapina do patrimônio mineral e biológico, os crimes contra a administração, ali adquiriram conotações supremas. Com a chegada do oligarqua e arquicorrupto maranhense José Sarney (PMDB), as elites amapaenses ganharam um mestre.
 
Dinheiro e recursos públicos há de sobra para se inverter esse caótico quadro da saúde, educação, moradia, segurança e desemprego pela qual passa querido Amapá. Estão aí para provar isto os sucessivos escândalos de corrupção e de assalto aos cofres públicos protagonizados por prefeitos, vereadores, deputados e governadores. Dinheiro há de sobra para se melhorar os indicadores sociais no estado. Inclusive recentemente vimos a notícia de que a corrupta Assembléia Legislativa do Amapá estaria contratando sob a astronômica cifra de 2 milhões de reais uma empresa para fazer um site. Absurdo sem fim.
 
O que falta mesmo no estado irmão, o qual tem uma valorosa poluação, que além de bela, tem valentia e fortaleza, é vergonha na cara dos políticos e indignação no coração do povo para expurgar do poder esses coveiros de sonhos.
 
Acompanhe a fatídica matéria da Agência Amapá de Notícias:

Secretária de Estado da Saúde visita Casa de Apoio em Belém
Da Redação
Agência Amapá


Com o objetivo de vivenciar in loco o acolhimento e o tratamento que vêm sendo oferecidos aos pacientes do Amapá, a maioria oncológicos, a secretária de Estado da Saúde, Olinda Araújo, esteve em Belém (PA) realizando visita à Casa de Apoio – administrada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). O Governo do Amapá possui um acordo com o Pará, onde este oferece terapia contra o câncer a pacientes encaminhados por meio do Programa Fora de Domicílio (TFD) para a capital paraense.
 
"A Casa de Apoio é de extrema importância para os pacientes que são encaminhados para Belém. Ela abriga tanto paciente como acompanhante, garantindo comodidade e conforto", ressaltou a secretária.
Somente no período de junho de 2012 a maio deste ano foram encaminhados para aquele Estado 469 novos pedidos de TFDs. Atualmente, existem 572 processos autorizados para a Casa de Apoio aguardando pelos usuários. Além disso, foram agendadas em média 340 consultas no mesmo período.

Os exames de alta e média complexidade foram outros serviços acompanhados e realizados pela equipe da Casa de Apoio. Os pedidos são encaminhados para o Dere/SESMA, onde são autorizados. Com isso, é realizado o agendamento destes procedimentos.  
 
Ouvindo a quem precisa
A secretária de Saúde, acompanhada de técnicos da Sesa, esteve na Casa de Apoio avaliando o atendimento de assistência à saúde dispensada aos quase 70 amapaenses que hoje fazem tratamento em Belém.

Para a secretária Olinda Consuelo, Casa de Apoio é de extrema importância aos pacientes e acompanhantes que são encaminhados a Belém
Olinda Araújo conversou com pacientes, ouviu e anotou as reivindicações para que a Sesa tome as medidas necessárias com o objetivo de oferecer um atendimento de saúde mais digno e humanizado.

 
A paciente Erotilde Brandão, que faz tratamento em Belém, ficou feliz em receber a visita da secretária de Estado da Saúde. "Isso demonstra a preocupação da secretária com os pacientes do Amapá atendidos pela rede pública de saúde do Pará", afirmou.
 
A secretária disse que uma força-tarefa foi criada dentro da Sesa para agilizar todos os processos que hoje tramitam dentro da secretaria. "Tramitam na Sesa cerca de 1.200 processos. Nossa meta é regularizar todos até esta sexta-feira, 10, pois, a partir de junho, queremos que o usuário de TFD possa receber seu auxílio financeiro junto com a emissão da passagem", comentou Olinda Araújo.
 Alieneu Pinheiro/Sesa

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