terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Irã anuncia mais execuções de quem não aceita a ditadura de Mahmoud Ahmadinejad

Envio a todos notícia da agência Internacional sobre as execuções no Irã. O regime quer mostrar, às vésperas do aniversário da revolução islâmica, que eles estão com o controle da situação e não permitirão protestos, como os que têm acontecido em todos os calendários importantes. Olhemos para o Irã nos próximos dias! Salvemos a vida dos ativistas com uma campanha internacional. O Lula vai visitar o Armadinejad agora noIrã; vamos protestar contra isso.
João Santiago, coordenador geral do Sinditfes (por email).
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Irã anuncia que nove condenados por protestos serão executados

Teerã, 2 fev (EFE).- O Irã confirmou hoje que executará as nove pessoas condenadas à morte por suposta participação nos protestos surgidos após a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, em junho passado e que causam distúrbios no país desde então.

O primeiro adjunto à chefia do Poder Judiciário, Seyyed Ebrahim Raïssi, disse hoje, em declarações divulgadas pela agência local "Fars", que "todos eles foram acusados de atentar contra a revolução e de participar dos protestos".

"Dois foram executados e os outros nove o serão em breve por participação nos protestos", acrescentou durante uma reunião na segunda-feira em uma mesquita da cidade santa de Qom.

O Irã enforcou na quinta-feira passada Mohamad Reza Ali Zamani, de 37 anos, e Arash Rahmanipour, de 20, acusados de conspirar para derrubar o regime.

Embora ambos tenham sido detidos meses antes do início dos protestos, foram julgados junto aos detidos nos atuais distúrbios.

O chefe do Poder Judiciário, aiatolá Sadeq Larijani, confirmou no domingo que os dois opositores enforcados na quinta-feira passada foram detidos antes das polêmicas eleições presidenciais e eram acusados de terrorismo.

Em declarações divulgadas neste domingo pela imprensa local, o clérigo ressaltou, além disso, que aqueles que forem acusados de "mohareb" (inimigos de Deus, um delito punido no Irã com a morte) serão tratados como merecem.

Nesse sentido, Larijani insistiu que a Justiça iraniana será implacável e "não mostrará clemência alguma com aqueles grupos de "mohareb" que prejudicam a segurança nacional e causam distúrbios na República Islâmica".

"Alguns pensaram que o Poder Judiciário servisse a outra coisa que não a justiça. Essas esperanças políticas são ilegais e contrárias à ética", disse.

O Irã está imerso em uma grave crise política e social desde a reeleição de Ahmadinejad, cujo triunfo eleitoral a oposição reformista considera produto de uma "fraude maciça".

Na repressão dos protestos morreram pelo menos 30 de pessoas, segundo números oficiais, e 72, de acordo com o cálculo da oposição, que também denunciou torturas nas prisões.

Moção de repúdio do ANDES-SN contra grandes projetos hidrelétricos na Amazônia

Do blog Xingu Vivo para Sempre

Proponente(s): Antônio Libório Fhilomena (APROFURG), Fábio Duarte (SESDUFT), Maria Alice Vieira (ADUFU-SS), Maurício Alves da Silva (SESDUFT), Neila Nunes de Souza (SESDUFT), Paulo Henrique Matos (APUG).

Destinatário(s): Presidência da República do Brasil; Ministério Público Federal; Ministério do Meio Ambiente (MMA); Ministério das Minas e Energia (MME); Gabinete da Casa Civil; Senado da República; Câmara dos Deputados Federais; União das Nações Unidas (ONU); Organização dos Estados Americanos (OEA); Governo do Estado do Pará; Assembléia Legislativa do Estado do Pará; Ministério Público do Estado do Pará; Prefeitura Municipal de Altamira-PA; Câmara Municipal de Altamira – PA; Movimento Metropolitano Xingu Vivo para Sempre; CNBB; Comissão Pastoral da Terra (CPT); Conselho Indigenista Missionário (CIMI); Arquidiocese de Altamira-PA; Arquidiocese de Belém-PA; Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra (MST); Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH); Ordens dos Advogados do Brasil (OAB); Arquidiocese de Porto Velho; Governo do Estado de Rondônia; Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia; Ministério Público de Rondônia.

Fato motivador da Moção:

Impactos sociais, ambientais e econômicos decorrente dos projetos Hidrelétricos no Brasil.

MOÇÃO DE REPÚDIO CONTRA OS GRANDES PROJETOS HIDRELÉTRICOS NA AMAZÔNIA

Os delegado (a)s do 29º CONGRESSO do ANDES-SN, realizado de 26 de janeiro a 01 de fevereiro de 2010, reunidos na cidade de Belém, estado do Pará, manifestam seu repúdio ao governo brasileiro contra os projetos hidrelétricos na Amazônia e denunciam as nefastas consequências desses empreendimentos para o ecossistema, como as usinas Hidrelétricas de Tucuruí no Pará, Samuel em Rondônia, Balbina no Amazonas e Estreito na divisa dos estados do Tocantins e Maranhão. A implantação desses projetos inundou milhares de quilômetros quadrados da floresta, o que resultou no remanejamento compulsório de milhares de pessoas, como povos originários, populações tradicionais, pequenos agricultores - moradores das áreas impactadas, que após serem obrigados a saírem de suas regiões são abandonadas, aumentando os bolsões de miséria nas periferias urbanas.

Nesse sentido, observamos, hoje, o rio Madeira e seus afluentes já começam a sofrer os impactos negativos da construção de duas novas hidrelétricas no estado de Rondônia - Santo Antonio e Jirau. No estado do Pará o projeto para a construção das usinas hidrelétricas de Belo Monte no rio Xingu, bem como de outros projetos de usinas no rio Tapajós, caso aprovados, resultarão em danos sócio-ambientais irreparáveis, o que, consequentemente, afetará inúmeras comunidades do entorno desses rios.

Cabe destacar que há previsão de se construir mais de quatrocentas usinas hidrelétricas na região, beneficiando o agronegócio e as grandes indústrias instaladas na região e, ao contrário do que a grande mídia tem divulgado, a população não será beneficiada com a redução do preço da energia. Nesse sentido apoiamos todos os movimentos sociais e populares que lutam contra os projetos que destroem o ambiente em favor do lucro, defendemos que os projetos a serem implantados na Amazônia, respeitem a vida da floresta e as culturas locais; que possibilitem a integração do conhecimento científico aos saberes tradicionais e os aspectos sociais, econômicos, políticos e ambientais da região; e que permitam a preservação de todo o bioma Amazônico.

Assim, exigimos a imediata interrupção das obras das usinas no rio Madeira e a suspensão do processo de licenciamento das usinas de Belo Monte.

Babá: coerência e luta ao lado dos trabalhadores e do povo pobre

Babá é professor universitário, formado em Engenharia Mecânica, com pós-graduação no ITA. Atualmente é mestrando no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ).

Fundador do PT e da CUT teve cinco mandatos como parlamentar construídos ao calor das lutas. Elegeu-se pela primeira vez como vereador da cidade de Belém (PA) no ano de 1988. Foi duas vezes deputado estadual (1990 e 1994) e duas vezes eleito deputado Federal (1998 e 2002). Expulso do PT, por votar contra a Reforma da Previdência que retirava direitos dos trabalhadores e dos aposentados, Babá e vários militantes fundaram o PSOL.

Seus mandatos estiveram sempre ao lado das lutas do povo, como foi o caso da ocupação que liderou em Marituba(PA) acampado junto com os trabalhadores , no que depois se converteu no Bairro Che Guevara.

Comprometido com as tarefas da construção do PSOL, que exigia como primeiro passo a coleta de meio milhão de assinaturas em 9 estados Babá, em 2004, transferiu seu domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro contribuindo com sua experiência na construção de um PSOL forte em um dos principais estados da Federação.

Entre os projetos apresentados na Câmara dos Deputados destacamos a PEC 463/2005 que cria novo instrumento de democracia participativa, a fim de permitir a auto-convocação popular para realização de plebiscito possibilitando à própria população revogar os mandatos daqueles parlamentares envolvidos em corrupção e o PL 4641/04 que considera os delitos de corrupção ativa e passiva como crime hediondo.
Na defesa da classe trabalhadora, em seu seu primeiro mandato, apresentou projeto de lei que reduzia a jornada de trabalho dos motoristas de transporte rodoviário.

Babá é um militante internacionalista.Esteve na Venezuela em 2002 e 2003 combatendo o golpe imperialista e o lockout petroleiro e apoiando as lutas da classe trabalhadora e dos setores classistas daquele país contra a criminalização das lutas sociais e sindicais. Participou em Cuba do encontro contra o pagamento da dívida externa e na Argentina esteve presente nas mobilizações do “Argentinazo”.

Pela sua destacada atuação parlamentar foi considerado pelo DIAP e pelo Congresso em Foco como um dos parlamentares mais atuantes na Câmara dos Deputados. E pela sua atuação junto aos movimentos sociais é querido e respeitado como seu aliado e porta-voz.
A sua atuação de luta e coerência credenciam Babá como um importante pre-candidato à presidência da república pelo PSOL.

Confira na íntegra do PL 4641/04
http://intranet.camara.gov.br/sileg/integras/258650.pdf
Confira a PEC 463/05
http://intranet.camara.gov.br/sileg/integras/341741.pdf

Acompanhe mais notícias no Blog da Pré-candidatura Babá Presidente.

Assita versão reuzida de documentário contra Belo "Monstro"

Infelizmente hoje, o Ibama concedeu a licença prévia para a construção da famigerada usina hidrelérica de Belo Monte, no rio Xingú. Uma obra criminosa, que afetará a floresta amazônica, afundará três municípios e atingirá outros nove. Será uma obra do tamanho da ganância e da rapinagem de nossos dirigentes (Lula e Ana Júlia - governadora do Pará) e de seus sócios: s empreiteiras.
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Do blog Xingu Vivo para Sempre

Assistam a versão reduzida do documentário Xingu: porque não queremos Belo Monte , onde comunidades indígenas e ribeirinhas que vivem na região da Volta Grande do Xingu revelam como as bases simbólicas e materiais que garantem sua sobrevivência serão afetadas pela construção da Usina, e reafirmam sua resistência ao projeto, diante da ofensiva de setores do governo em aprová-lo sem debate com as comunidades afetadas e sem realizar a obrigatória consulta às comunidades indígenas prevista na Convenção 169 (OIT), da qual o Brasil é signatário.

Lula, o grande traidor


Lula está, sem sombra de dúvidas, na galeria dos estadistas que mais mentiram e mais se afastaram dos seus métodos, política e ideiais iniciais. Isso porque Lula sempre foi o que ele sempre foi: um mentiroso e traidor. Antes mesmo da criação do PT em 1980, o então sindicalista Lula, que em meio às greves, extraordinárias greves do ABC paulista, já traía os trabalhadores rebaixando a pauta de greve em favor dos patrões. Este Lula, que cresceu politicamente mentindo para o povo, pois Lula sempre viveu de aparências e falácias. Mentia para o povo, quando dizia em 1989 que queria "pegar o Baú do Silvio Santos [também candidato à presidência da república], dar um chute na bunda dele para fora e distribuir o Baú para o povo".

Lula só era aparência de radical, de militante honesto, de lutador de esquerda. Como o próprio Filme escroto da vida dele mostra, ele assume que "nunca foi contra o patrão, mesmo porque é o patrão que me paga".

Mais uma grande mentira, quando até o meu sobrinho de 09 anos sabe que o salário de qualquer trabalhador é fruto de seu próprio suor, é resultado de seu trabalho (e que todo patrão rouba parte do salário do trabalhador, transdormando em seu lucro, o que Marx vai desenvolver em suas análises como a mais-valia). Enfim, certamente que Lula fica emparedado com os grandes traidores no hol da história, como os stalinistas, um dos grandes traidores do movimento de massas".

Um grande serviçal da burguesia e catalisador dos extraordinários lucros que as empreiteiras, multinacionais (como as montadoras de veículos), industrias e banqueiros obtiveram nesses seus quase oito anos de presidente da República. Lula deu migalhas ao povo pobre e imorais lucros ao capital. De que lado ele sempre esteve? Ao lado dos nossos inimigos de classe. Ao lado dos que alimentam diariamente os nossos haitis. Lula está ao lado do Sarney, do Calheiros. Lula beijou a mão de Jáder Barbalho. Lula é o defensor dos corruptos e criminosos. Lula, a exemplo do ditador Getúlio Vargas, pode parecer "amigo ou pai dos pobres", mas não passa de uma extraordinária mãe para a burguesia.

Mais uma mentira do Lula foi quando disse que tiraria o povo a merda. Os seus oito anos de governo só reforçaram essa egradante situação. Aumentou vertiginosamente o nível da barbárie diária. Os transportes públicos pioraram, a saúde piorou (virando epidemia doenças erradicadas por Oswaldo Cruz), a eucação piorou, a criminalidade idem, a corrupção nunca foi tão evidente e a impunidade habitual. O Regime está mais que apodrecido. O corpo morreu, só precisamos da povo organizado e fortalecer as lutas unificando Conlutas, Intersindical, etc. e todos Unidos pra Lutar para enterrarmos o corpo apodrecido desse Regime político e fome e miséria comandado por Luís Inácio.

A cara de pau desse governo é tamanha, que o PT quer pela repetição exaustiva da mentira, fazer a todo o povo crer que Lula é um mito: o amigo do pobre, o presidente que beijou mulher com hanseníase. É um absurdo o aparato e o peso da repetição. Eles aprenderam bem as táticas a criação de um mito. Muita mentira, manobra e apoio da mídia podre, a exemplo do Estado novo golpista de Getúlio Vargas. Esse foi o clima lastimável da ida de Lula ao Ginásio Gigantinho em Porto Alegre, neste fim de semana durante o fórum social mundial.

Na foto, Lula com um dos seus novos amigos de maracutaias:
Fernando Collor de Melo (ex-presidente impedido (cassado))
pelo congresso Nacional em meio à muitas lutas dos trabalhadores e
estudantes nas ruas, em 1992.


Campanha de Babá ( pré-candidato do PSOL) é notícia na imprensa

Ex-deputado federal e radical de esquerda, Babá surge como nome do PSol para a disputa do Planalto
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/01/21/politica,i=168044/EX+DEPUTADO+FEDERAL+E+RADICAL+DE+ESQUERDA+BABA+SURGE+COMO+NOME+DO+PSOL+PARA+A+DISPUTA+DO+PLANALTO.shtml

Corrente do PSOL lança Babá pré-candidato à Presidência
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/01/20/corrente-do-psol-lanca-baba-pre-candidato-idencia-915657861.asp

Babá se lança pré-candidato à Presidência
http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=31541

Babá, Plínio e Zé Maria no Fórum Social Mundial

do blog língua ferina

Terminou ontem em Salvador o Fórum Social Temático, versão descentralizada geograficamente do Fórum Social Mundial. O leitor Arnaldo José esteve no evento e disse que “... o Fórum foi lastimável, ao contrário das atividades da Conlutas, ANEL e Intersindical. Ontem presenciamos o abraço fraterno de PLÍNIO, BABÁ E ZÉ MARIA. Foi emocionante... Plinião colocou que a única vitória que tivemos no ano passado foi o início das conversas da unificação das centrais SOCIALISTAS e anti-imperialistas. Hasta la victória, SIEMPRE!”

Duranto o evento e em plenária conjunta, Conlutas, Intersindical e outros setores aprovaram o manifesto “Organizar a resistência dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras” e o calendário de unificação com as seguintes datas:

Inscrição de teses: até 15 de março
Assembléias para eleições de delegados: 01 de abril a 15 de maio
Pagamento de inscrições: até 20 de maio
Congresso: 05 e 06 de junho

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Reação de índios e ribeirinhos é imprevisível, diz Bispo do Xingu


O presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Erwin Kräutler, afirmou hoje (1º) que é imprevisível a reação dos povos indígenas e das populações ribeirinhas contrárias ao projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, se a usina for realmente construída no Rio Xingu, no Pará. "Esse povo vai chorar, vai gritar, vai se levantar", disse o bispo, durante debate sobre a construção da usina.

De acordo com dom Erwin, que também é bispo de Xingu, não se descarta a possibilidade de os índios e os ribeirinhos recorrerem à violência para protestar contra a remoção da área, por causa do alagamento de suas casas. "Eu peço a Deus que a violencia não aconteça", afirmou o religioso.

A Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, é um dos principais projetos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.
Dom Erwin disse que, para os índios, sair da região teria um impacto ainda maior do que para os ribeirinhos, devido à relação cultural que eles têm com a terra. "Transferência de povos indígenas é horrível", afirmou. "Arranca-se um povo de um lugar que habitaram por milhares de anos. Não é possível, eles não têm o direito de fazer isso", completou.

Para o bispo, a construção da hidrelétrica é mais uma forma de explorar as riquezas do estado sem foco no desenvolvimento local, como ocorre com a mineração, a extração de madeira e a criação de gado. "O que a família paraense normal está ganhando com aquilo tudo, neste momento, neste segundo? Não sei quantos comboios de minério seguem para o Porto de São Luís, no Maranhão, levando minério pelo mundo afora. E nós com uma mão na frente e outra atrás", reclamou.

O bispo duvida, inclusive, dos postos de trabalho que, segundo os defensores do projeto, serão criados com a instalação do empreendimento. "Esse negócio de empregos diretos e indiretos, isso para mim é falácia, eu não acredito", ressaltou. "Está claro que, hoje em dia, uma construção dessas não vai dar tanto emprego porque tudo é feito por máquinas."

Ele criticou também a maneira como alguns agentes do governo apresentam o empreendimento aos indígenas. "Esse povo que está no alto escalão não tem didática para trabalhar com os povos indígenas. Eles pensam que podem falar como se estivesse em uma faculdade de engenharia." Essa falta de tato foi, segundo dom Erwin, um dos motivos pelos quais um engenheiro da Eletrobrás foi agredido com um facão em uma audiência com diversas etnias sobre a usina, em maio de 2008.

O bispo citou ainda a expressão "forças demoníacas", segundo ele, usada em setembro pelo Minas e Energia, Edison Lobão, para se referir aos que são contra o projeto da usina. Para dom Erwin, trata-se de uma fala racista.

Por ser de interesse das grandes empreiteiras, que fariam a obra, e das mineradoras, que usariam a energia, diz o bispo, tenta-se construir a usina a qualquer custo, apesar de existirem outras opções. "O sujeito histórico é o projeto. Onde esse sujeito histórico tem que ser realizado, aparece um povo indígena. É preciso uma solução para esse povo, mas não se questiona o projeto. Aí é que está o erro de lógica." Como opções, ele apontou o uso das energias eólica e solar e a modernização de hidrelétricas mais antigas para que produzam mais.

Do blog Daniel Munduruku.

O PSOL e o chamado de Chávez para formar a V Internacional

Debate
Do site da CST-PSOL

Em dezembro, o presidente venezuelano Hugo Chávez convocou à conformação da V Internacional, com o objetivo estratégico, em suas palavras, de alcançar “a superação do capitalismo pelo socialismo”.

Pedro Fuentes, companheiro da direção do MES e do PSOL, divulgou nota, reproduzida pelo blog de Luciana Genro, aderindo ao chamado e propondo que o PSOL participe, no próximo mês de abril, da reunião em Caracas. Posição que justifica a partir da caracterização de sua corrente sobre o processo latino- americano e a situação mundial.

Avaliamos corretas duas definições apresentadas pro Pedro Fuentes: que existe uma “brutal crise do capitalismo” assim como um “vazio no terreno internacional”. Contudo, discordamos de sua conclusão, uma vez que coloca este chamado como uma estratégia privilegiada na construção de uma alternativa em resposta à profunda crise capitalista.

Que a esquerda socialista de diversos países esteja com disposição para retomar o debate sobre a organização internacional só pode ser bem-vindo! É pela importância da questão, que vemos fundamental intervir neste debate, colocando nossa visão, e chamando o PSOL a desenvolver uma discussão sobre a perspectiva, a estratégia e o programa dos socialistas e dos revolucionários face à revolução latino-americana. E destacar o que consideramos um erro do PSOL, caso vier a se somar à V Internacional chavista, com graves consequências para os trabalhadores e povos do continente.

Para ilustrar brevemente a gravidade desta definição, queremos tomar o exemplo que Chávez trouxe da China. O PCCH esteve presente na reunião de Caracas, considerada por Pedro Fuentes como uma presença que “sobrava”, conforme dito em seu texto. Independente se o PCCH vier ou não a conformar a V, é um fato que existe uma estreita relação de Chávez com a cúpula da ditadura capitalista chinesa, país que levou o presidente da Venezuela a declarar, admirado, que a China “é uma potência, mas não é um império”, e que continuará avançando... Como parte desta proximidade, ao fundar a Escola de Dirigentes do PSUV, Chávez reafirmou que o “núcleo fundacional da escola devia passar pela escola de formação de dirigentes do PCCH”.

Não nos surpreende então, o Seminário que o governo chinês está promovendo para o mês de maio de 2010 na cidade de Sozhou, denominado “A crise do capitalismo e sua solução: O Socialismo do Século XXI”, utilizando a mesma formulação de Chávez.

Foi Andrés Solis Rada, ex-ministro boliviano, este sim um nacionalista consequente, quem ao analisar o papel da China, denunciou a intervenção do gigante asiático na África para obter grandes excedentes econômicos baseados numa desenfreada procura de recursos naturais provocando severa contaminação ambiental. Afirma que China obtém petróleo, diamantes, cobre e madeiras da África, detêm o monopólio da construção civil e da indústria imobiliária em Camerum. Em Zâmbia, Nigéria, Ghana e Angola os trabalhadores são trazidos da China. Denuncia que o governo chinês provê armas à ditadura do Sudão e, no confronto entre Etiópia e Eritréia, vendeu armas aos dois lados.

Ao contrário da admiração que Chávez demonstra pelo governo ditatorial chinês, devemos explicar a nossa militância e denunciar publicamente, que na China a burocracia do PC restaurou com mão de ferro o capitalismo com a consigna “é glorioso ser rico”. Os ex-burocratas viraram trilionários a ponto de já integrarem a lista dos mais ricos do mundo da revista Forbes. O imperialismo mundial levou suas montadoras para o que é chamado internacionalmente como a “fábrica do mundo” e isto é possível porque na China os trabalhadores são semiescravos, não há direito a sindicalização, as greves são ferozmente reprimidas, a jornada de trabalho é extorsiva, as liberdades democráticas inexistem.

Queremos demonstrar com este texto que não é o governo ditatorial chinês quem sobra na V chavista, mas é o PSOL com certeza quem sobraria, a menos que abandonasse por completo seus objetivos democráticos, libertários, classistas e socialistas.

Uma nova interpretação da realidade latino-americana

Nosso continente viveu nos últimos dez anos uma realidade tumultuada. Profundos processos de ascenso revolucionário, com destaque para Venezuela, Bolívia e Equador, os quais provocaram mudanças na correlação de forças, na superestrutura política desses países e na relação com o imperialismo, obtendo, o movimento de massas, conquistas democráticas, políticas e, em menor grau, econômicas. Este processo gerou países e governos com elementos de independência política do imperialismo, o que significou uma importante vitória.

Passada uma década, é importante avaliar qual a situação do movimento de massas, a dinâmica do processo revolucionário, a política do imperialismo, e, sobretudo, como estão respondendo estes governos à crise mundial do sistema capitalista.

Não podemos menos que polemizar com a visão de Pedro Fuentes e a localização que outorga ao Brasil, uma vez que define que existirá uma polarização crescente, colocando como exemplo Honduras onde houve “de um lado a radicalização expressa por Zelaya, e de outro um importante e majoritário setor da burguesia nativa que segue submissa à política dos EUA. Isso é generalizado em toda a América Latina, no Brasil com o bloco PSDB/PPS/DEM”. Desse paralelo fica a pergunta: e onde está Lula? A resposta, seguindo o raciocínio do dirigente do MES é óbvia: estaria no outro pólo, o equivalente ao da “radicalização” de Zelaya, visto que não seria submisso à política dos EUA!

Esta nova versão do papel de Lula se complementa quando analisa a política do imperialismo, a do “porrete e a cenoura” que significa “agressão” e “negociação”. O porrete com as bases militares na Colômbia, o golpe em Honduras e a reativação da quarta frota. A “cenoura” com a “política do desgaste fortalecendo a burguesia clássica latino-americana sócia minoritária do império”. Esta análise novamente deixa de fora Lula da política imperialista para o continente. Sob nossa ótica, Lula cumpre um papel de primeira ordem na estratégia de recuperar o controle do “pátio traseiro” por parte de governo Obama.

O governo Lula e sua política são funcionais aos interesses do imperialismo norte-americano e mundial, inclusive com os “atritos” parciais que, por momentos, possa ter com algum aspecto da política dos EUA. É funcional, em momentos de declínio e crise da hegemonia norte-americana, pois, pelo peso econômico do Brasil, pela política de favorecimento do capital financeiro e das multinacionais que aplica Lula e com o apelo político que tem uma ex-liderança operária, hoje com altos índices de popularidade, ajuda não só comandando a missão imperialista na ocupação do Haiti, como negociando nos pontos altamente “perigosos” para os interesses imperialistas no continente. Este é o papel que cumpriu Lula na Bolívia, impondo critérios favoráveis à Petrobrás contra os interesses do povo boliviano nas negociações pelo preço do gás; ou quando, após a derrubada do presidente neoliberal Sanchez de Losada em 2003, a diplomacia brasileira correu ao país vizinho para facilitar a fuga de helicóptero do presidente derrubado pela mobilização popular. Também quando exigiu a presença dos fascistas da meia lua boliviana para ajudar na “negociação” entre ela e o governo, quando o movimento de massas tinha a força e a disposição de derrotar nas ruas à besta fascista. Cumpriu bem seu papel de “negociador” e “mediador” quando na reunião da UNASUL realizada em Bariloche conseguiu que não saísse nenhum repudio a instalação das bases imperialistas na Colômbia na declaração final. Ou defendendo a Odebrecht quando expulsa do Equador, pelo governo Correia, pelo não cumprimento dos contratos.

Os fatos provam que Lula é mais do que nunca submisso aos EUA. No Haiti após o terremoto, Lula envia mais soldados, na mesma linha do governo Obama, quem o trata como um verdadeiro subalterno, uma vez que a diplomacia brasileira teve que pedir permissão a Hilary Clinton para que os aviões do país pudessem pousar em Porto Príncipe visto que são os ianques os que controlam o espaço aéreo! Em Copenhague apesar de todo o discurso, fechou um acordo com Obama, China, Índia e África do Sul. Contra, estiveram Venezuela, Bolívia e Cuba, dentre outros. Inclusive em Honduras, o papel da diplomacia brasileira foi sempre procurando a negociação, nunca defendendo a reivindicação popular da Assembléia Constituinte, para evitar o único elemento qualitativo que poderia ter derrubado a ditadura: a mobilização independente do movimento de massas.

Se não fora assim temos que nos perguntar por que Lula foi chamado de “o cara” por Obama, e foi altamente aclamado como homem do ano pela imprensa imperialista como “El País”, “Le Monde” e jornais britânicos. Agora, o sistema financeiro internacional o premia em Davos como a personalidade do ano!

Nossa opinião é que, os fracassos imperialistas no Iraque, Afeganistão e Oriente Médio no sentido de retomar o controle da região impossibilitado pela resistência de massas, a brutal crise da economia capitalista mundial, as derrotas sofridas frente às lutas do movimento de massas como na Venezuela em 2002 ou em outros países como Bolívia e Equador, explicam o maior peso que a negociação tem na política imperialista nesta conjuntura, sem que tenha abandonado sua agressividade militarista. Por isso, seu agente preferencial é Lula, o “negociador” por excelência, e ninguém chama Uribe de “o cara” nem este é paparicado pela imprensa imperialista mundial.

A superestimação, na atual conjuntura, da ofensiva militarista do imperialismo tem por objetivo coesionar os povos em torno dos governos, justificando as políticas antipopulares implementadas como necessárias frente à iminente “agressão imperial”.

Frente à crise capitalista Chávez aplica receitas capitalistas

Ao contrário do que afirmava Chávez no começo da crise econômica mundial, que o país estava “blindado”, que o preço do petróleo podia continuar baixando que não iria afetar a economia do país, vemos, hoje, a Venezuela mergulhada numa importante crise.

Após onze anos de governo, quando a economia cresceu com os preços do petróleo nas alturas, e com o apoio incondicional da maioria do povo venezuelano, tendo derrotado sucessivas vezes as tentativas golpistas do imperialismo, a situação atual é outra.

A relação do governo com a população já vinha se deteriorando na medida em que não se resolviam os problemas de fundo que afetam o povo trabalhador. A crise energética, a crise na saúde pública, a inflação mais alta do continente, a falta de negociação salarial, a criminalização da luta social, a impunidade dos assassinatos de dirigentes camponeses e operários, o clima de insegurança frente ao aumento da delinquência, e o enriquecimento ostensivo da burocracia governamental, todos estes problemas estavam aumentando a desconfiança e a desilusão de setores do povo com o processo encabeçado por Chávez.

A prova de fogo veio, então, com a crise. Frente a ela, só existiam duas saídas: ou as receitas da burguesia de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores, ou enfrentá-la defendendo os interesses da maioria explorada, fazendo com que a paguem os ricos. Não existe meio termo. Infelizmente, o Presidente Chávez optou claramente por um plano de ajuste capitalista que descarrega sobre os mais pobres o peso da crise, beneficiando e protegendo os interesses da burguesia venezuelana e mundial.

Após aumentar em 30 % o IVA (imposto sobre o valor agregado) penalizando o consumo dos setores mais pobres da população, e de haver estimulado o endividamento do país, acaba de aplicar mais uma medida clássica do receituário neoliberal ao desvalorizar a moeda em 100% (1) apoiada com entusiasmo pelo FMI. Aumentou de 10% a 30% os dólares que os exportadores poderão reter sem vender ao Banco Central venezuelano e decidiu outorgar aos empresários o dólar preferencial de 2,60 para o pagamento da dívida externa privada. Concretamente, reduz os salários quase a metade frente aos inevitáveis efeitos inflacionários; multiplica os lucros da burguesia exportadora que obterá o duplo de bolívares por dólar e reterão o triplo de dólares, e ademais lhe subsidia o pagamento das suas dívidas. Este é o significado mistificador que tem a expressão “Socialismo do século XXI”.

Esta política teve antecedentes já com a liberação dos preços dos alimentos em 2008, a flexibilização dos requisitos para as importações privadas e a proclamação da “aliança estratégica com a burguesia” convocada em um ato pelo “Reimpulso Produtivo” realizado em 11 de junho daquele ano, ato pelo qual passaram satisfeitos os mais representativos dirigentes econômicos do golpe de abril de 2002. Lembre-se ainda que, em dezembro de 2007, Chávez anistiou os golpistas de 2002.

Mas, curiosamente, Pedro Fuentes, que considera a crise econômica como um dos elementos determinantes da realidade mundial, não fala dela na hora de avaliar a política de Chávez, considerado por ele como um “consequente anti-imperialista”. E atribui à “débil resistência do movimento dos trabalhadores” a existência de “certo aumento relativo da mais-valia” ocultando que a política de Chávez enfraquece a resistência dos trabalhadores e favorece os empresários para que tenham o aumento da mais-valia.

A política chavista não é um “erro” de percurso, mas o resultado de uma trajetória e de uma política que tem fronteiras de classe, fronteiras sobre as quais Pedro Fuentes nunca faz referência. Prefere falar de um “campo anti-imperialista”, no qual estaria Chávez, a burguesia nacional, os trabalhadores, os camponeses e o povo. Campo dirigido pelo Presidente, ao qual devem se submeter os trabalhadores venezuelanos. A novidade é que agora, ademais dos trabalhadores venezuelanos, Fuentes chama à classe operária e os setores populares do continente a se subordinar, se integrando na V Internacional, o que significa, do nosso ponto de vista, um verdadeiro suicídio político.

O Estado burguês, a burocracia e o presidente Chávez

Os companheiros de Marea Socialista, coletivo do PSUV que toma parte do reagrupamento internacional ao qual pertence Pedro Fuentes, em uma importante nota editada em dezembro, definem corretamente que na Venezuela existe um Estado burguês, capitalista. “Este estado é um freio para o avanço da revolução e a burocracia que o dirige o defende porque é ele o oxigênio para manter seus privilégios. [...] no Estado capitalista [...] se mantêm íntegros os mecanismos para beneficiar as classes exploradoras e a seus gerentes dentro da estrutura estatal”.

Infelizmente, desta correta definição, os companheiros não tiraram todas as conclusões, uma vez que consideram Chávez por fora da estrutura do Estado burguês, como se a presidência do país não fosse um dos pilares fundamentais do Estado, o responsável por comandar nada menos que “o” pilar fundamental do Estado burguês: as suas forças armadas e sua polícia. Tanto eles como Fuentes atribuem os problemas da Venezuela a uma burocracia todo poderosa à qual Chávez não conseguiria controlar. Pelo qual se repetiria na Venezuela um fenômeno parecido ao de Lula com a corrupção e o mensalão, quando os governistas brasileiros argumentavam que o presidente “nada sabia” do que acontecia no seu próprio palácio! Remontando décadas atrás, o mesmo argumento era utilizado pela juventude peronista argentina quando atribuíam ao “entorno” do governo do presidente Perón a existência dos grupos fascistas, tirando toda responsabilidade do “general”, ocultando que era ele mesmo quem amparava os grupos paramilitares que atacavam os lutadores operários e populares. Na verdade, o texto do dirigente do MES atribui os avanços políticos acontecidos na Venezuela ao papel de Chávez, subestimando o papel das heróicas lutas do movimento operário e popular. Mas, na hora de definir a responsabilidade pelos problemas que golpeiam a vida do povo, tira do Presidente todo protagonismo para atribuir os retrocessos a uma nebulosa burocracia que o rodeia e o impede avançar.

Foi Trotsky, a partir da experiência da revolução chinesa em 1927, quem definiu que nos países coloniais a luta contra o imperialismo é inseparável das tarefas anticapitalistas, pelo qual para consolidar a independência política se faz necessário avançar em direção ao socialismo. Podemos dizer que esta definição foi popularizada por Che Guevara na sua famosa afirmação “Revolução socialista ou caricatura de Revolução”. Isto não significa negar a importância daqueles países que conquistam sua independência política do imperialismo ainda nos marcos do capitalismo, aos quais temos a obrigação de defender dos ataques imperialistas, da mesma forma que temos que defender todo país colonial ou semicolonial agredido por uma potência imperialista.

No entanto, os países independentes são estados burgueses, e seu estado tem a missão de manter a exploração e a submissão dos trabalhadores principalmente com o exército e a polícia. Pedro Fuentes tirou da categoria de “país independente” a contradição de classe que ela contém, reduzindo a contradição a do país dependente x imperialismo, anulando da análise e da política as classes sociais. Por tanto, para justificar sua política de subordinação da classe trabalhadora e dos socialistas ao governo burguês de Chávez, tem que introduzir elementos usados até a exaustão pelos governos populistas e pelo stalinismo para justificar sua subserviência à burguesia nacional, como esta da “impossibilidade” do governo nacionalista de romper o cerco da burocracia que o rodeia. Toda política da pequena-burguesia ou da burguesia nativa frente a esses estados, sempre leva à perda da independência, a uma sinuca de bico: para manter a independência há que avançar ao socialismo, mas não querem ir nessa direção.

Na Bolívia independente de Evo Morales, indígenas, camponeses, estudantes, e mineiros saíram às ruas, foram centenas de milhares nas estradas para lutar contra a direita fascista de Oriente que pretendia derrotar o processo revolucionário em curso e até dividir o país. Quem freou essa dinâmica? Quem chamou a negociar com a direita fascista? Na Bolívia, nessa oportunidade, faltou correlação de forças ou faltou uma política correta e consequente baseada na mobilização das massas? Sem dúvida, a política de Evo foi no sentido inverso das necessidades e da disposição das massas, mostrando na prática a limitação destes governos, que são independentes, mas, à frente de estados burgueses, compondo e conciliando com a burguesia.

Podemos tomar também como exemplo o governo do Irã, país que consideramos independente politicamente do imperialismo. Sua defesa como tal não pode significar o menor apoio à política do presidente Ahmadinejad, como por exemplo, de repressão às mobilizações democráticas da população e aos direitos das mulheres iranianas. Ou Fuentes também nos propõe fazer uma Internacional nos subordinando à direção burguesa independente de Ahmadinejad avalizando sua repressão ao movimento democrático e às lutas das mulheres?

Portanto, para os socialistas a política de classe continua sendo linha divisória fundamental, pois são os trabalhadores e o povo pobre com sua mobilização a única força social consequente, capaz de manter e aprofundar a independência nacional, atacando para isso as bases materiais do estado capitalista, da burguesia nativa e imperialista, avançando em direção ao socialismo.

O “Socialismo do Século XXI” não é socialismo! Assim como a burocracia stalinista deturpou o nome do socialismo e em seu nome cometeu as atrocidades mais brutais, hoje está se deturpando, mais uma vez, apresentando como socialismo uma política claramente capitalista, com elementos de independência política do imperialismo e com algumas nacionalizações parciais. Pois o fato que subjaz por baixo da denúncia e da fraseologia anticapitalista e esquerdista de Chávez é sua política de empresas mistas, de conciliação com os golpistas, de “aliança estratégica com a burguesia”, de ataques à autonomia e as lutas operárias, de criminalização das ações de luta do movimento de massas, de cooptação e de conformação de uma burocracia governamental amparada pelo projeto chavista.

Vejamos alguns exemplos desta política anti-operária e antisindical. Em 6 de março do ano passado, o presidente da República ameaçou aos trabalhadores em Guyana de utilizar os grupos de inteligência e enfrentar qualquer tentativa de greve nas empresas estatais. Já em 24 de março de 2007, durante o lançamento do PSUV, Chávez advertia que a autonomia sindical era um “veneno” herdado da IV República, que devia ser erradicada e que certamente não seria tolerada no PSUV. Em 2009, o vice presidente do PSUV, Muller Rojas, explicou que os sindicatos não tinham razão de existir em um estado socialista, pois a contradição capital-trabalho não mais existia.

Com esta orientação governamental, em 2009, 473 sindicalistas foram demitidos e 33 afetados com medidas judiciais por ter exercido o direito de greve. Atualmente, há mais de 200 dirigentes operários com medidas cautelares, como os das empresas Fundimeca, Sanitários Maracay, da indústria petroleira e das empresas básicas em Guyana. Rubén Gonzáles, Secretário-geral do Sindicato da empresa estatal Ferromineira do Orinoco, uma das principais metalúrgicas do país, e filiado ao PSUV, foi detido e processado por “instigar a delinquência, restrição à liberdade de trabalho, descumprimento do regime especial das zonas de segurança”, quando a verdadeira razão é que Rubén Gonzáles dirigiu a greve exigindo o cumprimento da convenção coletiva.

Na Venezuela, nos opomos de forma categórica à política chavista de, em nome do “Socialismo do Século XXI”, atacar os direitos da classe trabalhadora enquanto beneficia o sistema financeiro, a grande burguesia e a burocracia crescida ao seu amparo. Chamamos à classe trabalhadora a não aceitar nenhum sacrifício enquanto a Venezuela continue a ser um estado capitalista. Exigimos o pleno direito de greve e demais direitos dos trabalhadores. Todas as lutas da classe são legítimas por se desenvolver nos marcos de um estado capitalista, ainda que seja um país independente. Nossa política frente à crise, é que a paguem os ricos, os oligarcas, os grandes empresários, os latifundiários, as multinacionais. Opomo-nos aos sacrifícios que os chavistas, líderes de um estado burguês, pedem aos trabalhadores.

As diversas Internacionais e a V de Chávez

Funtes, no afã de justificar sua política de subordinação ao Estado burguês venezuelano e ao seu presidente, argumenta que a V Chavista tem que ter traços parecidos com a Primeira Internacional de Marx, que se constituiu sem um programa acabado. Impactado pelo discurso do presidente, que recapitulou a história das internacionais, passa a idéia que a criação da V seria uma continuidade das quatro primeiras experiências de organização internacional de trabalhadores.

Podemos concordar que o programa da Iª Internacional não foi “acabado”. Mas tinha um categórico conteúdo de classe e de defesa da independência de classe, expresso tanto no manifesto de lançamento da Associação Internacional de Trabalhadores (outubro 1864), quanto nas resoluções políticas e programáticas dos seis congressos e conferências realizados até 1872. Não somente fazia um chamado de caráter internacional aos trabalhadores, quanto fazia uma categórica denúncia das condições de vida da classe operária e da exploração capitalista, assim como as resoluções e propostas programáticas estreitamente vinculadas à defesa das condições de vida e de trabalho do proletariado, sempre na perspectiva da conquista do poder político pela classe trabalhadora. Também, ainda que participassem diferentes correntes e movimentos, entre eles democratas radicais e republicanos, e houvesse polêmicas e luta política, sobretudo entre marxistas e prudhonistas e entre marxistas e bakuninistas, nunca a I Internacional fez um chamado para que se integrassem nela governos à frente de Estados burgueses. Nem houve nenhuma experiência de participação de correntes operárias em governos burgueses naqueles anos. A experiência governamental do período foi a extraordinária experiência proletária da Comuna de Paris.

A participação em governos burgueses é um processo que só vai existir na II Internacional, tendo início com o millerandismo, na França. Sendo que na III Internacional “estalinizada” a aliança com a burguesia é transformada em uma estratégia com o nome de frente popular. Nunca é demais lembrar que as polêmicas programática, ideológicas e de concepção levaram à ruptura da I Internacional entre a ala de Marx e Engels e a anarquista, encabeçada por Bakunin.

A luta da classe operária pelo poder tem em torno de 160 anos. As diversas organizações internacionais de trabalhadores que surgiram neste mais de século e meio refletem as experiências, as lutas, as vitórias e as derrotas da classe trabalhadora e dos setores populares contra o capitalismo. Seus programas são expressões das diferentes etapas e experiências vividas. E novas internacionais foram criadas quando os programas e as organizações ficaram velhos para responder aos novos desafios.

Não por acaso Pedro Fuentes renuncia ao programa e à construção da IV Internacional. Esta quarta experiência de organização internacional de trabalhadores fundada por Trotsky em 1938 significou o fio de continuidade das lutas e experiências dos revolucionários socialistas, assim como sua atualização programática possibilitou enfrentar os novos fenômenos. Do ponto de vista da organização, após a morte de Trotsky, a IV foi e continua como um “movimento” - defensivo durante longos anos - de numerosos grupos e pequenos partidos pelo mundo, sem que exista até o presente uma única organização internacional que possa se reivindicar e que tenha autoridade como “a Quarta”. No entanto, do ponto de vista político e programático, os alicerces fundamentais da IV de Trotsky continuam tendo atualidade e vitalidade extraordinárias, sem desconsiderar as necessárias atualizações que muitos textos daquela época precisaram. O Programa da Quarta de Trotsky condensa a luta contra a burocracia stalinista e pela democracia operária, a luta contra o fascismo, a luta anti-imperialista e a luta anticapitalista, tendo, na teoria-programa da revolução permanente, a base científica indispensável para a teoria marxista revolucionária na atualidade. A restauração do capitalismo, sob as mãos da burocracia, no leste europeu e na China, comprova a vitalidade e os acertos das elaborações da IV Internacional e de Trotsky.

Por sua vez, os que assassinaram Trotsky têm continuidade hoje, entre outros, nos ditadores capitalistas chineses e no governo ditatorial, stalinista e repressor da Bielorrússia, todos esses elogiados por Chávez.

Assim, o PSOL tem que definir uma clara política de classe, se diferenciando das experiências stalinistas, pós-stalinistas, populistas e nacionalistas burguesas. Não tem que pairar nenhuma dúvida que a proposta socialista e libertária do PSOL é inconciliável com a do governo chinês. Pelo contrário, nosso partido se soma às vozes que, na China e no mundo, lutam para derrubar a ditadura capitalista que aplica métodos de semiescravidão na exploração dos trabalhadores, tanto naquele país, quanto nos países onde suas vorazes empresas estão instaladas.

Ao contrário do que prediz Pedro Fuentes, não rechaçamos a V chavista por defendermos uma internacional com um “programa acabado”. Pelo contrário, defendemos que a política internacional do nosso partido se articule em torno de alguns poucos pontos que a nosso entender são decisivos. São a luta intransigente pela independência de classe; o apoio às lutas dos trabalhadores e explorados em todos os países, sejam eles imperialistas, semicoloniais ou independentes; o apoio à democracia operária contra todo tipo de burocracia sindical ou estatal; a defesa da autonomia, da mobilização autônoma e de governos dos próprios trabalhadores e do povo; e a defesa consequente de todo país e governo agredido pelo imperialismo.

Com estes parâmetros, temos certeza que o partido saberá se localizar corretamente nos diversos confrontos da luta de classes. Sem perder o rumo, sem capitular aos governos burgueses dos países independentes, inclusive para melhor defendê-los das incursões imperialistas, contribuindo a construir a solidariedade entre os trabalhadores do mundo na perspectiva da sua luta pelo poder, pelo qual Marx e Engels conformaram há mais de um século e meio a Primeira Associação Internacional de Trabalhadores.

Do mesmo modo, defendemos que o PSOL participe e impulsione campanhas unitárias e internacionais de forma ampla. Um exemplo urgente do presente é uma atividade internacional em solidariedade aos trabalhadores do Haiti que a última reunião da Executiva do Partido negou-se a encaminhar.

Engana-se Fuentes quando acredita que uma organização política internacional dirigida por Chávez servirá para impulsionar o processo revolucionário no nosso continente e no mundo. Entre outros argumentos, porque a realidade da situação venezuelana nos indica que governo chavista e processo revolucionário não são equivalentes, mas radicalmente antagônicos. E cai num erro ainda mais grave ao definir que a V chavista servirá para “combater a burocratização dos processos em curso”. Se aliando aos burocratas e subordinado a eles é como o texto de Pedro Funtes indica o caminho para combater à burocratização! Pelo contrário, continuamos acreditando que não será nos unindo com governos burgueses, burocracias de Estado, dirigentes de partidos como o PRI mexicano, o Justicialismo argentino, ou outras expressões do nacionalismo burguês que derrotaremos as burocracias.

Como mais de 150 anos de luta da classe trabalhadora mundial o demonstram, será, a classe trabalhadora e o povo mobilizados em defesa de suas necessidades, a única força social capaz de sepultar as burocracias, eternas excrescências dos estados e dos regimes de privilégio.


(1) Em que pese a existência de dois tipos de câmbio e de estabelecido o preço de 2,60 BsF por dólares para produtos considerados prioritários pelo governo, a maioria das importações serão regidas pelo dólar a 4,30 e pelo mercado paralelo.

Toninho do Incra era o PM Cerutti


Do blog Língua Ferina

Brigadiano revela como se passava por servidor federal para ter acesso e espionar os sem-terra que deram origem ao MST

Entre 1980 e 1982, acampamento dos sem-terra em Encruzilhada Natalino [Rio Grande do Sul].

No meio das barracas de lona que ocupam os dois lados da estrada Passo Fundo-Ronda Alta, um rapaz loiro, magro, bem falante, com uma planilha presa a uma prancheta de madeira, toma chimarrão com o chefe da família acampada. O ambiente é tenso porque vigora o regime militar (1964-1985), que proíbe manifestações pela reforma agrária. Mas a conversa flui, afinal o jovem de 24 anos é Toninho do Incra, um funcionário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que se dispõe a ajudar os agricultores.

Duas décadas depois, no município de Pontão, a 17 quilômetros de Ronda Alta.

Um oficial da Brigada Militar canta o Hino Nacional durante solenidade em Pontão, pequena cidade agrícola que surgiu na região de Encruzilhada Natalino. Ao final do evento, o prefeito Nelson José Grasselli (PT) aproxima-se e pergunta:

– Tu não és o Toninho do Incra?

A resposta é curta:

– Sou.

Vinte anos atrás, Grasselli conhecera Toninho do Incra quando ele comprava víveres da família – ovos, galinha, mel, carne de porco. Grasselli se tornou um dos dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que nasceu na Encruzilhada Natalino. Já o oficial é o coronel Waldir João Reis Cerutti, hoje com 54 anos, que era tenente quando se infiltrou no acampamento dos sem-terra passando-se por servidor do Incra.

O disfarce era tão perfeito que enganou os próprios colegas de farda. Parado em uma barreira da BM, Cerutti foi revistado e ainda ouviu desaforos de um policial, que o acusou de colaborar com a sedição dos colonos.

Localizado por ZH, Cerutti concorda em revelar o lado desconhecido de seu trabalho como integrante da Agência Central de Inteligência da BM, a chamada P2. Mas impõe condições: nada de gravador ligado ou bloco de anotações por perto.

O primeiro encontro ocorre numa noite fria do inverno de 2008, em um bar de Porto Alegre.

Oficialmente, ele está na reserva da corporação. Porém, um agente de serviço de inteligência jamais se aposenta.Foi quase por acaso que Cerutti virou agente infiltrado. Durante o conflito entre caingangues e colonos que haviam invadido uma reserva indígena de Nonoai, em 1978, foi enviado pelo comando da BM para fazer um levantamento da situação. Objetivo: descobrir se era possível mandar tropas para desalojar os índios de suas trincheiras.

Em um Fusca, disfarçado de comerciante, Cerutti andou pela região ouvindo indígenas e agricultores.

– Pelo grau de radicalização dos dois lados e as armas que tinham, uma intervenção direta da corporação significaria uma banho de sangue. Aconselhei uma outra abordagem – recorda.

A observação conciliadora de Cerutti é confirmada pelos que protagonizaram aquele confronto, como o cacique Nelson Xangrê, líder da rebelião.

Depois, na Encruzilhada Natalino, Cerutti coordenava uma equipe de agentes que se introduziu na ebulição do acampamento. Flutuando nos bastidores da reforma agrária, revela que Exército, Marinha, Aeronáutica e Polícia Federal tinham os “seus lá”. Os brigadianos foram mais eficientes devido aos laços culturais com os acampados.

A maioria das centenas de fotos, filmes e relatórios produzidos pelos infiltrados na Encruzilhada Natalino teria desaparecido. São documentos que nunca vieram à luz. Restou a memória dos infiltrados como testemunho. E o coronel Waldir Cerutti avisa:

– Conheço um por um os caras do MST. Sei da história deles. Isso os incomoda. Mas é bom que se incomodem.

Leia mais:
Encruzilhada Natalino tinha 20 infiltrados

Espalhar boatos e intrigas como tática

Cerutti substitui o major Curió

Fonte: Zero Hora, Porto Alegre, 31/01/2010.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Recordando a Nahuel Moreno

Por Mercedes Petit
Unidade Internacional dos Trabalhadores – UIT-QI
Tradução Denis Vale


Nosso fundador e mestre Nahuel Moreno foi um dos mais conseqüentes e destacados seguidores da luta de León Trotsky em construir a Quarta Internacional. Neste novo aniversário de seu falecimento, reproduzimos uma reportagem de 1985 no que sintetizou o significado do Trotskysmo.

Nahuel Moreno, 1985

O enfrentamento trotkismo versus estalinismo, é apenas uma antiguidade do século XX? Acreditamos que não. Com novos ou os mesmos términos, e com novos protagonista, segue expressando o debate e o enfrentamento entre os reformistas e os revolucionários que atravessou todo o século passado. Essa disputa deu lugar a que, há quase 70 anos, em agosto de 1940, um agente de José Stalin assassinasse Trotsky.

A queda do Muro de Berlim e a dissolução da outrora poderosa União Soviética marcaram o total fracasso do falso “socialismo” das ditaduras dos partidos comunistas, inauguradas pelo triunfo de Stalin na década de 20, quando derrotou León Trotsky. Este foi não só o principal dirigente, junto com Lenin, da primeira revolução obreira e campesina e do governo dos soviets na Rússia em 1917. Trotsky encabeçou a disputa contra a burocracia que se impôs na URSS e em todos os partidos comunistas do mundo. Foram esses burocratas, essa “sífilis”, quem salvaram ao capitalismo imperialista e abriram caminho ao retorno da burguesia nos países onde se havia expropriado. Desde aí a vigência atual da luta do trotskismo.

Em 1985, numa reportagem, Nahuel Moreno a sintetizou em alguns poucos parágrafos, poucos anos antes que caíssem aqueles burocratas. E os três aspectos que Moreno menciona seguem sendo a chave da luta revolucionária no século XXI: a mobilização até acabar com o capitalismo, a democracia obreira contra todo burocrata e a construção da direção revolucionária em cada país e no mundo, a Quarta Internacional. O reproduzimos.

Ser trotskista hoje

“Comecemos por entender o que significa ser verdadeiramente marxista. Não podemos fazer um culto, como se fez de Mao ou de Stalin. Ser trotskista hoje não significa estar de acordo com tudo aquilo que escreveu ou o que disse Trotsky, mas sim saber fazer-lhe críticas ou superá-lo, como a Marx, a Engels ou Lênin, porque o marxismo pretende ser científico e a ciência ensina que não há verdades absolutas. Em primeiro lugar, ser trotskista é ser crítico, inclusive ao próprio trotskismo.

No aspecto positivo, ser trotskista é responder a três análises e posições programáticas claras. A primeira, que enquanto existir o capitalismo no mundo ou em um país, não há solução de fundo para absolutamente nenhum problema: começando pela educação, a arte, e chegando aos problemas mais gerais da fome, da miséria crescente, etc..
Junto a isso, ainda que não seja exatamente o mesmo, o critério de que é necessária uma luta sem piedade contra o capitalismo até derrotá-lo, para impor uma nova ordem econômica e social no mundo, que não pode ser outra que não o socialismo.

Segundo problema, naqueles lugares onde se há expropriado a burguesia (falo da URSS e de todos os países que se reivindicam socialistas), não há saída se não se impuser a democracia operária. O grande mal, a sífilis do movimento operário mundial é a burocracia, os métodos totalitários que existem nesses países e nas organizações operárias, os sindicatos, os partidos que se reivindicam da classe trabalhadora e
que se corromperam pela burocracia. E esse é um grande acerto de Trotsky, que foi o primeiro que empregou essa terminologia, que hoje é universalmente aceita. Todos falam de burocracia, as vezes até os próprios governantes desses estados que nós chamamos de operários. Enquanto não houver a mais ampla democracia, não se começará a construir o socialismo. O socialismo não é só uma construção econômica.
O único que fez essa análise é o trotskismo, e também foi o único que sacou a conclusão de que era necessário fazer uma revolução em todos esses estados e também nos sindicatos para alcançar a democracia operária.

E a terceira questão, decisiva, é que é o único consequente com a realidade econômica e social mundial atual, quando um grupo de companhias transnacionais domina praticamente toda a economia mundial. A este fenômeno sócio-econômico é preciso responder com uma organização e uma política internacional.

Nessa era de movimentos nacionalistas que opinam que tudo se soluciona no próprio país, o trotskismo é o único que diz que só há solução ao nível da economia mundial inaugurando a nova ordem, que é o socialismo. Para isso, é necessário retomar a tradição socialista da existência de uma internacional socialista, que encare a estratégia e a tática para alcançar a derrota das grandes transnacionais que dominam o mundo inteiro, para inaugurar o socialismo mundial, que será mundial ou não será.

Se a economia é mundial, tem que haver uma política mundial e uma organização mundial dos trabalhadores para que toda revolução, toda país que faça sua revolução, a extenda à escala mundial, por um lado; e por outro lado, cada vez mais dê direitos democráticos à classe operária, para que seja ela a que tome seu destino em suas mãos por via da democracia. O socialismo não pode ser nada mais que mundial. Todas as tentativas de se fazer um socialismo nacional fracassaram, porque a economia é mundial e não pode haver solução sócio-econômica dos problemas dentro das estreitas fronteiras nacionais de um país. A quem se deve derrotar são as transnacionais à escala mundial para abrir espaço à organização socialista mundial.

Por isso, a síntese do trotskismo hoje é que os trotskistas são os únicos no mundo inteiro que têm uma organização mundial (pequena, débil, tudo o que se queira dizer), porém a única internacional existente, a Quarta Internacional, que retoma toda a tradição das internacionais anteriores e a atualiza frente aos novos fenômenos, porém com a visão marxista: que é necessária uma luta internacional.

Vigília contra liberação da licença prévia de Belo Monte


A Amazônia mais uma vez está ameaçada. Para atender às ordens das grandes mineradoras, os governos de Lula e Ana Júlia preparam o que poderá ser o maior desastre ambiental da nossa história: A construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte, no rio Xingu.

Caso o projeto seja implementado, mais de 20 mil pessoas serão retiradas de forma violenta de suas casas; 100 mil pessoas migrarão para a região, mas ao final da obra só restarão 700 empregos; de toda a energia que poderá gerar a UHE 80% será levada para o Sul e Sudeste do País e o restante servirá para alimentar as máquinas destruidoras e engordar o lucro das empresas Alcoa e Vale do Rio Doce. Isso deixará apenas destruição, miséria, fome e violência para toda a biodiversidade dos 13 municípios que sofrerão os impactos de Belo “Monstro”.

Neste momento os povos do Xingu contam com nossa solidariedade para resistirem ao mais pesado ataque do capital de toda a sua história. Por isso, o Comitê Metropolitano do Movimento Xingu Vivo Para Sempre convida todos e todas as pessoas comprometidas com a sobrevivência dos povos da Amazônia a dizer “Sim” à Vida e “Não” à Belo “Monstro”!!!

Participe da atividade:

DIA: 04/02/10 (QUINTA)
LOCAL: CONCENTRAÇÃO NO CAN, ÀS 18H, EM NAZARÉ, SEGUINDO
EM CAMINHADA ATÉ O IBAMA, NA AV. CONSELHEIRO FURTADO,
1303, BATISTA CAMPOS.

Belo Monte tem licenciamento liberado

O Diário Oficial da União (DOU) publica na segunda-feira (1º), o documento que concede o licenciamento ambiental para a construção da Usina Belo Monte, considerado o maior empreendimento de geração de energia a ser construído no país. A informação foi confirmada ao DIÁRIO por um dos técnicos responsáveis pelo estudo de implantação da usina.

O governo federal tentou manter em segredo a informação, mas uma fonte do Palácio do Planalto “vazou” para a Agência Globo que publicou a notícia, confirmada posteriormente com exclusividade ao DIÁRIO.

A hidrelétrica de Belo Monte será construída na chamada “curva grande” do rio Xingu, próximo à cidade de Altamira, no oeste do Pará, a 740 quilômetros de Belém. A usina terá sua capacidade máxima de geração na época da cheia do rio – 11.2 mil megawatts, o equivalente a 10% de toda energia consumida no Brasil. A geração firme de Belo Monte será da ordem de 4.675 MW médios para uma obra que está orçada em cerca de R$ 16 bilhões – embora o valor real seja definido apenas no leilão, organizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Analistas de mercado acreditam que o valor final possa ser muito mais elevado.

POLÊMICAS

Este é um dos principais pontos polêmicos que envolvem a construção da usina: um valor muito alto para pouca quantidade de energia gerada na média. Técnicos do setor elétrico alegam que, com as compensações ambientais impostas no licenciamento, o valor da usina deve subir muito no leilão, o que pode tornar o empreendimento inviável do ponto de vista financeiro.

Outro ponto polêmico que vem gerando inúmeras ações na Justiça é justamente o dano ambiental que a usina poderá acarretar. No documento, a equipe técnica do Ibama responsável pela emissão da licença prévia afirma que, entre outros itens destacados, não foi possível aprofundar as discussões no que diz respeito às questões indígenas e as contribuições dadas pela população nas audiências publicas realizadas.

“Ressalta-se que, tendo em vista o prazo estipulado pela Presidência, esta equipe não concluiu sua analise a contento. Algumas questões não puderam ser analisadas na profundidade apropriada, dentre elas as questões indígenas e as contribuições das audiências publicas. Além disso, a discussão interdisciplinar entre os componentes desta equipe ficou prejudicada. Essas lacunas refletem-se em limitações neste Parecer”, é o que informaram os técnicos à página 2.417 do referido Parecer.

Outra conclusão do documento é de que o estudo do “hidrograma (sic)” do rio Xingu naquela localidade não apresenta informações que “concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade e as condições de vida das populações do TVR (trecho de vazão reduzida). A incerteza sobre o nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite inferir a manutenção das espécies, principalmente as de importância socioeconômica, a médio e longo prazos”. (Diário do Pará)

Belém também embaixo d´água

A falta de planejamento, saneamento básico e limpeza dos canais e rede de escoamento pluviométrico são as causas do sofrimento e prejuízos causadoas pelas chuvas em nossa cidade. O prefeito charlatão e corrupto, Duciomar Costa, nada faz para resolver esse crime. A foto de Thiago Araújo (do Diário do Pará), retrata a situação esta semana, na Escola Honorato Figueiras, aqui na capital paraense.

Movimento denuncia não divulgação de documento que reprova Belo Monte

A construção da usina hidrelétrica de Belo Monte ganha mais caso de denúncia. Nesta sexta-feira (29), o Movimento Xingu Vivo para Sempre enviou para vários orgãos de imprensa um documento assinado por seis analistas ambientais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), onde fica atestada a reprovação da construção da usina por conta de danos à natureza e à população de indígenas e ribeirinhos, com a denúncia de que o material foi omitido do caso.

De acordo com o movimento, formado por pessoas contrárias à construção da hidrelétrica este é o último parecer técnico do Instituto sobre a obra e deveria ter sido divulgado no site, junto do restante do processo de licenciamento ambiental, o que não aconteceu.

No documento, o tópico 'Conclusão' afirma, entre outros pontos, que espécies de animais do rio não conseguirão mais viver no local e que o 'elevado' grau de 'incerteza' não dá condições para a obra.

'A incerteza sobre o nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite inferir a manutenção das espécies, principalmente as de importância socioeconômica, a médio e longo prazos. Para a vazão de cheia de 4.000m3/s a reprodução de alguns grupos é apresentada no estudo como inviável', informa o documento e completa: 'Ha um grau de incerteza elevado acerca do prognostico da qualidade da água, principalmente no reservatório dos canais.'

O Portal ORM entrou em contato com o Ibama para comprovação do documento e posicionamento sobre a denúcia de omissão do mesmo no site do órgão.

Fonte: Portal ORM. Do blog Língua Ferina