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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Pesquisadores que estudam impactos da mineradora Belo Sun denunciam intimidação

Estudantes e professores universitários fizeram denúncia ao MPF depois de tentarem apresentar resultados de pesquisa na UFPA e serem impedidos por prefeito favorável à mineradora

por ASCOM-MPF

Um grupo de pesquisadores apresentou denúncias de intimidação e ameaças ontem ao Ministério Público Federal (MPF) em Belém, depois de terem sido, segundo os relatos, impedidos de apresentar resultados de pesquisa no evento Veias Abertas da Volta Grande do Xingu, que ocorreria dentro do campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém. As denúncias foram apresentadas ao procurador regional dos Direitos do Cidadão, Felipe Moura Palha.

 Os pesquisadores, acompanhados de ativistas e moradores da região da Volta Grande do Xingu, relataram que o evento acadêmico foi interrompido antes mesmo de começar, com a chegada do prefeito de Senador José Porfírio, Dirceu Biancardi (PSDB), acompanhado de um grupo de cerca de 40 pessoas, trazidas por ele de ônibus até Belém, vindos do município que fica às margens do rio Xingu, no oeste do Pará.

O prefeito se posicionou em defesa da empresa canadense Belo Sun, que planeja instalar a maior mineração de ouro do país na região. Se dizendo favorável ao empreendimento, o prefeito, de acordo com os relatos dos estudantes e professores presentes ao evento, liderou palavras de ordem contra organizações não-governamentais e teria incitado a violência contra os participantes, impedindo que as pesquisas que tratavam dos impactos de Belo Sun fossem discutidas.

A professora Rosa Acevedo Marin, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA, que coordenava o evento, resolveu encerrá-lo diante da falta de condições, mas foi agredida e obrigada a ficar no local. Pessoas ligadas ao prefeito empurraram a professora e fecharam as portas do recinto, impedindo a saída de todos. A professora registrou boletim de ocorrência na Polícia Federal. A defensora pública do estado do Pará, Andrea Barreto, que também participaria do evento acadêmico, relatou que tentou contornar a situação apresentando seus questionamentos jurídicos ao empreendimento da Belo Sun, mas o prefeito sentou-se à mesa e tomou a palavra, em defesa da empresa.

Posteriormente, o deputado estadual Fernando Coimbra (PSD) chegou no auditório do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, onde ocorria o debate, e sentou à mesa em apoio ao prefeito Dirceu Biancardi e à mineradora canadense. Tensão na Volta Grande - No relato que fizeram ao MPF, os pesquisadores também informaram que a tensão na região da Volta Grande está crescendo, por conta dos problemas fundiários relacionados ao empreendimento da Belo Sun e pela postura do prefeito.

Na semana passada, em 23 de novembro, os pesquisadores haviam tentado apresentar o estudo sobre o impacto da mineradora no município de Senador José Porfírio, ao lado de integrantes do Movimento Xingu Vivo para Sempre e também foram intimidados pelo prefeito. “Houve ameaças aos integrantes do Xingu Vivo tanto na UFPA quanto no Xingu. Ameaçaram diretamente a dona Antônia Melo”, informaram os denunciantes. Antônia Melo é a principal liderança do Movimento Xingu Vivo e recentemente recebeu um prêmio internacional pelo seu trabalho em defesa dos atingidos por Belo Monte e Belo Sun.

O advogado da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Marco Apolo Santana Leão, apresentou um documento denunciando o que ocorreu em Senador José Porfírio no dia 23 de novembro. “Foi um desrespeito com a universidade e com os pesquisadores. A UFPA foi impedida de cumprir com a sua função social que é pesquisar e apresentar o resultado de suas pesquisas à sociedade, e o mais grave é que isso ocorreu dentro do próprio campus universitário”, relatou uma das denunciantes.

Os nomes das pessoas que fizeram os relatos serão mantidos no anonimato por segurança. Muitos se dizem ameaçados e uma das providências que o MPF vai tomar é verificar a necessidade de providenciar proteção a pessoas ameaçadas na região do Xingu. Investigação - O MPF abriu procedimentos de investigação, tanto para apurar o que ocorreu na UFPA quanto para garantir a segurança das pessoas que se sentiram ameaçadas nos eventos recentes.

O MPF já tem dois processos judiciais contra a mineradora Belo Sun e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) por irregularidades no licenciamento da mineradora. Atualmente, a licença da instalação concedida pelo governo do Pará à empresa canadense está suspensa por ordem do Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1).

Cercado de acusações de irregularidades fundiárias e ambientais, o empreendimento da Belo Sun foi objeto de um estudo realizado pela ong Repórter Brasil, que seria lançado em Senador José Porfírio e em Belém, justamente nos eventos interrompidos pelo prefeito Dirceu Biancardi. O estudo também foi entregue ao MPF para análise.

Fonte: Ministério Público Federal no Pará

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Barros Barreto, uma tragédia anunciada



Imagem do reboco que caiu do teto da ala feminina. Enviada por WhatsApp. 
Atualizado às 21h23, 10/01/2017

No início da tarde de domingo, 08/01, desabou parte do reboco de concreto do teto do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB). Desta vez  no lado oeste do terceiro andar. Justamente na área externa da ala feminina, setor de infectologia. O HUJBB pertence a Universidade Federal do Pará (UFPA), assim como o HU Bettina Ferro de Souza (HUBFS - referência regional em otorrinolaringologia e oftalmologia). Ambos estão sob a administração da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares  (Ebserh).

Referência nacional em doenças tropicais e regional em HIV/Aids, o Barros Barreto é o reflexo do caos que vive a saúde e a educação públicas no estado do Pará. Tudo acentuado por sucessivas administrações superiores incompetentes, omissas e imorais.

Desde que o ex reitor Carlos Maneschy conseguiu aprovar de forma autoritária, e em uma questionada votação on line (via email) do Conselho Superior Universitário (CONSUN), a adesão dos dois hospitais da instituição à adminitração da EBSERH (no ano de 2015), as coisas só pioraram nos dois estabelecimentos.

Ebserh é privatização e precarização

Sancionada em dezembro de 2011 pela presidenta Dilma Rousseff (PT), a Lei 12.550 estabelece a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (empresa pública de direito privado). Desde então o que tem se atestado nos HU's pelo país é uma queda drástica nos serviços prestados a população e precarização das condições de trabalho dos servidores e prestadores de serviço desses estabelecimentos. No Hospital Universitário da Universidade Federal do Ceará, desde a adesão a Ebserh, 50% dos leitos foram fechados. No HU da Universidade Federal do Triângulo Mineiro as cirurgias eletivas foram reduzidas em 33%. Dados de 2015. No HUJBB cerca de metade dos leitos do hospital estão sem uso. São dados da Federação dos Servidores das Universidades Federais Brasileiras (FASUBRA) e do Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior (SINDTIFES).

Esse quadro de ataques e redução de atendimentos não é por falta de demanda. Todos os dias assistimos ao desespero de quem precisa conseguir uma internação nesses hospitais.

Tragédia anunciada


Sobre os problemas do hospital e a queda do reboco do teto, falamos com a técnica de enfermagem do HUJBB e diretora do Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições de Ensino Superior (Sindtifes/PA), Zila Camarão. Ela fez um comovente e revoltante desabafo do quadro caótico pelo qual passa o estabelecimento de assistência à saúde, de ensino, pesquisa e extensão no qual trabalha.

Sobre a queda do reboco do teto, Zila Camarão  diz que os diretores do HUJBB consideram esses episódios tão comuns, que a única providência tomada é fastar os cacos do local. Apesar da EBSERH ter captado R$ 17 milhões no ano de 2016, que deveriam ser investidos em melhorias do HUJBB e HUBFS. 

"A Ebserh e o reitor transformaram o Barros e o Bettina em verdadeiros cabides de emprego para seus apadrinhados", relata a sindicalista. Estão criando vários cargos desnecessários com salários altíssimos, como o cargo de gerente de hotelaria. "Pra quê gerente de hotelaria? Basta falar com qualquer servidor ou acompanhante de usuário aqui para saber que não existe roupa de cama e nem banho." Aliás, faltam alguns medicamentos, insumos básicos material técnico. As vezes falta água potável e/ou copos descartáveis. 

Crise

O Além da Frase conversou com vários servidores em distintos momentos do ano passado e agora nesse episódio da queda do teto. Estivemos em protestos, paralisações e greves. Percorremos os corredores e enfermarias do HUJBB. Sabemos que tem gente de todo canto do estado e até de fora. Em busca de cura. De apoio. Alento. As queixas são muito parecidas. Os acompanhantes e funcionários compram marmitas de fora. Os pacientes se aproveitam disso e também injerem dessas refeições. O que ompromete o tratamento, a dieta e representa risco patológico.

No dia 19/12/2016 no HU João de Barros Barreto, 12 homens encapuzados e com armas de grosso calibre rederam os vigilantes e servidores da portaria. Foram até a entrada principal do hospital, local onde estão os caixas eletrônicos de dois bancos. Não conseguiram abrir os caixas e saíram sem levar nada, porque o maçarico deles não funcionou até o final. Ninguém ficou ferido. Resta aguardar o inquérito aberto na Polícia Civil.

Em uma reunião com o reitor Emanuel Tourinho sobre a segurança no hospital, a representante do Sindtifes lembrou o magnífico das promessas de campanha. "Se elas tivessem sido cumpridas, a gente não estava passando por esses problemas", ressaltou a servidora. Tourinho assumiu há cerca de 120 dias. 

O caos nos hospitais universitários do Pará tem nomes, CNPJ e endereço. É o antigo e atual reitor. São os diretores biônicos impostos pela EBSERH. O Barros Barreto, não é de hoje que o sindicato, servidores e usuários denunciam, é um barril de pólvora. 

Há 4 anos caiu novamente o reboco do teto. Em outra ala. Três pacientes se feriram. Há enfermarias que quem ameça cair são os aparelhos de ar condicionado. Em outros lugares estão caindo água, de infiltrações no teto. Só não cai o número de apadrinhados e aliados do reitor que são remanejados da UFPA para os HU's para desenvolverem sabe-se lá o quê e receberem altos salários e gratificações da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Um capítulo sobre o movimento estudantil na Escola de Teatro e Dança da UFPA

Voz na Cena

por Bernard Freire


De todas as histórias que modificavam o cotidiano da escola, me entreguei a uma que refletia sobre o processo mais importante que fazia tudo funcionar: dirigir um Centro Acadêmico com outros mobilizadores de ideias. Lá abríamos a porta para o diferente: planejávamos a recepção dos calouros, as atividades de consentimento artístico, as contribuições que mantinham em pé a nossa casa, vivíamos de tudo. Junto com outros estudantes arrumávamos os quartos, limpávamos a sala e montávamos a feira diante do público.

Desenvolvíamos bem as atividades que exigiam nossa disciplina de discente dentro da academia. Em alguns casos buscávamos concentrar um grande número de alunos para discuti os problemas existentes em nossa instituição. Tínhamos dificuldade em nos juntarmos com o curso de Dança e os cursos Técnicos que eram em horários diferentes do Teatro. Nossa estratégia era reunir com os representantes de turmas, mas isso complicava um pouco porque a dinâmica que planejávamos nem sempre atingia a todos. Nos concentrávamos em nos politizar primeiramente.

Reunião do CALT e CADAN, gestão Voz na Cena – 2013.

A centralização de nossa categoria estudantil mostrava a nossa contribuição de querer resolver os problemas que enfrentávamos na ETDUFPA. Através da nossa mobilização conseguimos uma sala para o C.A, uma xerox, organizamos encontros estudantis e debatíamos a implementação de um Restaurante Universitário que é o maior problema enfrentado pelos estudantes da escola. Sempre levávamos propostas de solução desse problema para uma direção maior que não abraçava a causa dos estudantes; gritávamos sozinhos. Foi daí para as reuniões de conselho que derramei o leite que trazia da cozinha. Na gestão que dirigi, não conseguir junto aos estudantes, resolver essa parte do problema. Como qualquer instituição, as ordens determinam até onde teus pés podem te levar; a ETDUFPA é como uma segunda casa para os estudantes que passam o dia desenvolvendo atividades que esgotam o corpo.


Nessa vivência, fui compondo versos que dialogavam com os estudantes e passei do eu para todas as outras extensões. Multipliquei fatos que conduzissem uma relação aberta entre cada indivíduo, dando voz às paredes que apenas observavam as histórias pertencentes ao universo da escola de teatro. Sentia-me bem em caminhar pelos quatro cantos e usufruir de cada detalhe, transvendo cada parte que atravessavam os meus sentidos. Ali me desqualifiquei. Parei no tempo e minha energia se desfez pelas gotas que escorriam do teto. Fui buscando pontos de fuga para desenvolver um novo raciocínio daquele espaço. Tudo gritava dentro de mim e as aulas já não faziam mais sentido. A repetição do cotidiano me desgastava e minha falta de paciência em compartilhar minhas noites me bloqueava os pensamentos. Dentro da escola zerei as condições de sobrevivência, fiquei no game over.[1]

O estranho era ver que todos permaneciam de acordo com seus movimentos, porém com a rotina de turmas antecedentes a minha. O espaço se fechou e escureceu as minhas retinas, meus pés enraizavam-se sobre um grão de areia, o ar sufocava-me como gás metano, explodia-me, ocupava-me do nada. Em outros momentos me pertencia ao céu, aglutinando-me ao silêncio movente que desenhava o não visto. Chegava à conclusão de ruptura, de desistência dos passos. Ficar preso trazia um grande conforto de não mover-se, de estar ali apenas para cumprir minha obrigação de discente. Mais que discente seria esse que não produz? Que não se dá nem a intenção de alimentar-se do conhecimento? O teatro me dava mais sede quando eu o descobri, mas a fonte já não me saciava e a ociosidade contemplava meu desempenho durante os semestres. Mesmo tendo a ideia de explorar o vazio, pra onde quer que eu corresse, me sentiria como se ainda estivesse a fazer o mesmo de sempre, sem avançar a um outro entendimento do espaço daquela escola. Precisava perfurar as camadas que encobriam a minha pele. Olhar além do olho da máscara.

Eu canso quando o som ao redor se expandi dentro de mim. Mostro ausência de sensatez e me cubro de metáforas aglutinadas na minha imaginação. Busco um revés que modifica os estreitos caminhos oblíquos da rotina. Paro. Sufoco em pensamentos. Desabo em poeira soltas que invadem minha retina. São tempos rápidos e o entendimento dessa situação gera um caos nos poros que aniquilam o individuo. Tudo é confuso. Bagunça encaixotada. Energia esquálida derradeira. Movo, prendo-me a mim mesmo. Observo o andamento das paredes e caio no chão que sustenta o mundo. Tudo é frenético. Ausência de motivação. Grito escorado nas cordas vocais. Vazio cintilante que acompanha a rotina. Circulação interrompida pelo espaço. Olho de dentro e não enxergo nada. Tudo é fato. Choro trancado. Batimentos que soltam os brilhos invisíveis. Palma. Estabilidade caminhante. Encadeamento imóvel. Até aqui o silêncio busca um confronto com ele mesmo. Por de trás, visões incandescentes que te sustentam na linha cotidiana. Fluxo de sentimentos. Pedaços embrulhados num lencinho de papel. Ar codificado de gases. Movimentação psicodélica. Tudo é misturado, andamento retardado, choque de explosão do intestino. Postagem: Rosácea das forças[2] (Blog Corpo Palavra, 01/09/2015 - http://goo.gl/tqZnOe).

Desenvolver atividades na escola se tornou mais contribuição coletiva junto aos estudantes do que ter um bom desempenho. Mudar as rotinas me estabelecia certo tipo de dedicação que se evaporava em mim tal qual algodão doce na água. Tinha que escolher entre assistir aula ou me encantar com o mundo artístico oferecido pelo outro lado do muro. Até ali eu só percebia a escola de teatro como universidade. Nada além de um quadrado que me ensinava valores profissionais que um artista deve ter na sua qualificação de cidadão. Eu rompia o elo que meu cérebro desenvolvia com a realidade durante as disciplinas que me despertavam um bom funcionamento das teorias teatrais. No terceiro céu[3] sobrevoava na pequena janela para equilibrar o silêncio que escapava quando um olhar me dirigia e me fazia buscar no ar uma explicação sobre aquele magnífico espaço que tomou conta do meu ser durante esses anos de curso.

Como um balão levantando voo, redobrava as voltas no quarteirão e desenvolvia um novo olhar sobre o entendimento do espaço. O curso me ensinava formas de sobreviver; de investir em conhecimento e desbravar as fronteiras que me aglutinavam os pensamentos.  A vontade de sobreviver me distanciava do portão; caminhar acordavam meus pés e pude reler em mim a extensão de um olhar que observava sem ser visto. Ultrapassei o muro da escola, da universidade e fui produzindo novos registros de aprendizado:

Carrego a minha mochila. Topo. Tudo bagunça. Volto e recomeço. Descanso o corpo para a mente poder acompanhar. Respiro, solto sufoco. Amo, renasço. O teatro sempre me mostra um bom ponto para recomeçar e descobrir como é que se conquista. Penso muita coisa, quase tudo. E o que me sobra no pensamento compartilho para os outros terem um pouco de mim. Postagem: Congratulações (Blog Corpo Palavra 30/03/2015 - http://goo.gl/KWXpNt).










[1] Game over significa fim de jogo, onde game significa jogo e over fim. A expressão é muito utilizada para jogos de vídeo game, computador, jogos online e etc., e aparece sempre que a pessoa chega ao fim do jogo ou acabou de perder.
[2] Rosácea das forças: "trata-se de um espaço direcional adaptável a todos os movimentos do homem, sejam eles físicos ou psicológicos, um simples movimento do braço ou uma paixão devoradora, um gesto da cabeça ou desejo profundo, tudo nos leva ao 'empurrar / puxar'". (O corpo poético - Jacques Lecoq, 2010).
[3] Terceiro andar do prédio da ETDUFPA onde fica localizada a sala da direção geral da escola.

Continue lendo no blog do autor: http://www.corpopalavra.com/2016/04/voz-na-cena.html
Bernard Freire é estudante de licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Pará. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Dilma e Manescky querem privatizar 'Barros Barreto' e 'Betina'

Discussão sobre a EBSERH. Fazendo a fala, Newton Lima, presidente.
Em meio a epidemia de zika, chykungunia e dengue, ante uma das maiores crises na saúde pública nacional, a pauta no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) e Betina Ferro de Souza (HUBFS) centros de excelências em salvar vidas e que pertencem a Universidade Federal do Pará, é a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

A EBSERH é uma criação dos governos do PT, que segue a lógica dos governos tucanos e os do PMDB. A matemática é simples. Eles sucateiam os serviços públicos, não realizam concursos e apresentam as Organizações Sociais (OS's) como salvadoras da pátria. A EBSERH é uma delas.

Dilma (PT), Jatene e Zenaldo (ambos do PSDB) são governos que impulsionam esse tipo de organizações. No papel elas parecem legais. Na prática, nos inquéritos e ações penais que burbulham pelo país, são organizações criminosas. Todo mundo viu o recente escândalo de uma OS no Rio de Janeiro. Controlava dois hospitais municipais entregues pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB). Os proprietários estão presos pelo desvio de cerca de 46 MILHÕES DE REAIS. Ainda que suas ligações com o prefeito sejam evidentes e os indícios de caixa 2 e corrupção passiva latentes, nada aconteceu até o momento com o nefasto alcaide.

Os governos corruptos fazem um verdadeiro "toma lá da cá" com os corruptores nas OS's (além de bancos, empreiteiras, etc.). Uma mórbida marcha que conta com a conivência do judiciário e a cumplicidade dos parlamentos.

Referências
O HUJBB é referência nacional em doenças tropicais e regional em HIV/AIDS, além de oferecer dezenas de serviços e especialidades, que vão da saúde bucal à nutrição, formando profissionais e pesquisadores em saúde e produzindo saber público na Amazônia.  O HUBFS é referência regional em otorrinolaringologia e oftalmologia.

Em que pese todo o sucateamento e os sucessivos cortes de verbas promovidos pelo reitor Carlos Maneschy e pela presidenta Dilma Rousseff, o HUJBB e o HUBFS são hopitais fundamentais para a saúde da sociedade e para a formação de qualidade dos alunos e pesquisadores da maior universidade pública do Norte/Nordeste do país.

Ameça
Tudo isso está ameaçado pela EBSERH. O presidente da empresa, Newton Lima, que é condenado na justiça por improbidade administrativa, está neste momento no auditório do HUJBB tentando enfiar "goela abaixo" esta privataria assassina.

Sugundo o diretor da Federação dos Servidores das Universidades Federais (FASUBRA) e da tendência sindical Combate, Pedro Rosa, "as experiências com a EBSERH são trágicas". Para exemplicar, ele cita o caso de dois estados: o hospital universitário da Universidade Federal do Ceará, onde a empresa "desativou 50% dos leitos e de forma criminosa praticamente extinguiu os transplantes".  Em MG foram canceladas as cirurgias no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triangulo Mineiro (HC-UFMT).

Resistência
Na UFPA há resistência por parte do corpo administrativo, comunidade discente e docente. De acordo com Zila Camarão, servidora do "Barros" e diretora do Sindicato dos Servidores das Instituições Federais de Ensino Superior do Pará (SINDTIFES-PA), a "EBSERH representa uma grave ameaça para saúde pública no estado. Os leitos fecharão, serviços ficarão mais precarizados, os alunos das universidades particulares serão favorecidos e centenas de funcionários da FADESP [Fundação de Amapara à Pesquisa/UFPA] serão demitidos".

Sem dúvida que a adesão (ou não) do HUJBB e Bettina Ferro de Souza a EBSERH é uma questão de saúde pública e demanda uma reposta urgente de toda a sociedade. Não há como se permitir a privatização de dois hospitais públicos dessa relevância e grandeza!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dilma e Maneschy tentam dar golpe no ANDES


Chamamos todos os ativistas e democratas de luta para virem urgentemente para a sede da CNBB aqui na Barão entre Almirante e 25.

Dilma/MEC querem destruir com o ANDES-SN.

O governismo chamou hoje assembleia para se criar sindicato pelego, o PROIFES, na base da ADUFPA-SS, ADUFRA-SS e Andes-Sindicato Nacional. Para tanto, estão se utilizando de segurança privada e Polícia Militar do Pará. Até agressões a professores já ocorreram.

O ANDES-SN e suas seções têm história de luta e coerência. São fundamentais na defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade social.

Quem comanda o golpe é a própria reitoria, através do vice reitor da #UFPA Horácio Schneider, que envergonha os professores de todo o Brasil, principalmente os grevistas.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Algazarra


Vocês não podem ouvir (e nem ver), mas por essas copas passam centenas de periquitos. Bosque/UFPA

quinta-feira, 20 de março de 2014

Sob um aparato de guerra Dilma vem ao Pará e enfrenta protestos

Ontem a noite os servidores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em greve há quatro dias, fizeram um protesto em frente ao Hotel Hilton (onde a presidente hospedou-se) para denunciar o descaso do governo Dilma Rousseff (PT/PMDB) para com a educação superior. 

Foi repudiada a privatização do Hospital Universitário (HU) João de Barros Barreto e do HU Bettina Ferro de Souza (ligados à instituição), assim como repudiaram as mentiras do governo federal o qual vem descumprindo todos os acordos com os técnicos acerca de reajustes salariais e de melhorias na carreira dos técnicos administrativos das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

Atividade do comando de greve do Sindtifes.
Hoje, em solenidade no Hangar Centro de Convenções, a presidente da República anunciou um investimento de cerca de R$ 315 milhões em obras de mobilidade urbana, que compreenderiam a suposta construção de seis portos, dentro do PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento). Além disto, Dilma acaba de seguir para Marabá-PA onde entregará do orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário, 100 máquinas para 89 municípios. Ou seja, ano eleitoral, doações e visitas intesificam-se, fortalecendo a conquista de palanques para a aliança federal e regional do PT de Paulo Rocha e Ana Júlia Carepa com o PMDB de Jader e Helder Barbalho (este, candidato do partido ao Palácio dos Despachos com apoio da presidenta e bênçãos de Lula).

PF também faz protesto e cobra investimentos de Dilma

 No Hangar a presidenta enfrentou mais protestos dos técnicos, professores e estudantes das IFES, assim como dos agentes da Polícia Federal (PF), os quais denunciaram que o governo Dilma tem interferido de forma absurda nos trabalhos da instituição. 

Os cortes no orçamento da PF beiram a inanição. Não há verba até mesmo para combustível. Segundo policiais, o que é colocado nas viaturas não dá para se rodar nem 20 KM. Segundo informações, o Ministério da Justiça e Superintendências da PF têm dificultado, senão mesmo impedido, que a PF faça investigações de políticos e governos corruptos. Um descalabro sem precedentes na história da corporação.

O fato é que o governo sabe que o povo brasileiro não é bobo e que está a cada dia que passa mais descontente com seu nefasto e privatista governo. 
Não a toa vimos o mega aparato policial em frente ao Hilton Hotel e no Hangar, inclusive com dezenas de viaturas do tático da PM, que aqui é comandada pelo governo tucano de Simão Jatene.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Protesto cultural na UFPA

Ontem aconteceu um protesto cultural na Capela Universitária, que infelizmente está em ruínas como é o caso do conjunto da instituição, ainda que existam dezenas de obras.

Organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE)e pelos Centros Acadêmicos (CA's), a intenção do evento, que contou com a apresentação de várias bandas e com a exposição de um varal de cartazes é de protestar contra um acelerado processo de privatização interior da instituição, bem como de repúdio às ações discriminatórias da Instituição e seus agentes de segurança, que criminalizam os ribeirinhos, acomunidade universitária e as pessoas que buscam interagir com a natureza, contemplar e usufruir da orla do Campus do Guamá.

Cartazes denunciaram a presença permanente da polícia, que é vexatória e não condiz com o espaço universitário, que deve ser o espelho da democracia e da busca do entendimento pelas idéias. O inverso de tudo aquilo que as forças policiais representam, principalmente a militar, com seus vícios, resquícios e práticas oriundos dos sombrios anos de Ditadura no país.

Foi denunciada ainda a obra milionária do muro de arrimo na orla da UFPA, que de nada tem servido, pois o processo de erosão segue a passos largos.

No momento em que eu fazia as fotos, um típico toró amazônico precipitou-se sobre o rio Guamá, e pude presenciar o desespero da equipe de produção para salvar os equipamentos das nervosas goteiras que se apresentaram na Capela Universitária, que não faz muito tempo, havia sido "restaurada", mas que também está cercada de um lago com água parada. Terreno fértil para o mosquito da dengue.

Antes da Chuva



Depois da chuva