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terça-feira, 1 de julho de 2014

Lula, Helder e a nova política

Jader, Lira Maia, Helder, Lula e Paulo Rocha. Foto: Heinrich Aikawa/ Instituto Lula

O candidato ao governo do estado pelo PMDB, com apoio funesto do PT, PCdoB, PDT, PROS e PTN é Helder Barbalho (ex prefeito de Ananindeua/PA por 2 mandatos consecutivos), afilhado de Simão Robson Jatene/PSDB (pela segunda vez governador do estado e concorrente à reeleição), e que nada tem de novo, muito menos "representa a nova política", como disse ontem Lula da Silva, na convenção do partido.


Helder Barbalho (PMDB), como todos sabem, é um dos dois filhos do casal de políticos: senador Jader Fontenelle Barbalho e da deputada federal Elcione Zahluth Barbalho. Ambos também do mesmo partido.

Na referida convenção eleitoral, o ex presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva fez duas afirmações emblemáticas: uma, o site Diário Online (de propriedade da família) se encarregou de destacar: "'Helder vai ser eleito governador', garante Lula". A outra não virou manchete. E justamente não teve a devida importância, porque de tão forçosa que é, acaba abusando do poder de criticidade da opinião pública. Algo deve explicar o porquê do Diário do Pará e demais emissoras da família do candidato do PMDB não repercutirem a outra importante frase de Lula, a que diz que "Helder representa a nova política".

A tragédia
Jader Barbalho é uma figura que foi talhada para se tornar um "político profissional". Já em 1963, quando cursava o Clássico (corresponde ao Ensino Médio) no Colégio Estadual Paes de Carvalho (Belém), segundo o seu site "onde inicia sua vida pública: é eleito vice-presidente e logo a seguir presidente do Centro Cívico Honorato Filgueiras". 

Lembramos que a partir 1° de abril 1964 o país passa a viver sob um regime sangrento: a Ditadura Militar, a qual passou a interferir diretamente nos órgãos de representação de classe e estudantis. Foi assim que surgiram, por exemplo os Diretórios Acadêmicos, atrelados às direções das universidades e aos militares, o que levou que os movimentos de esquerda criassem os Diretórios Centrais dos Estudantes "Livres". 

Jader nunca foi de esquerda. Estava em outro ponto dessa luta. Estava num Centro Cívico. Uma espécie de grêmio estudantil domesticado pela direção da escola, em sintonia fina com o regime ditatorial.

Em 1967 ingressa no Curso de Direito da Universidade Federal do Pará e no mesmo ano é eleito pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) vereador de Belém.

Para quem pensa que a Ditadura era boazinha e permitia um partido da oposição existindo no país, saiba que isso tudo era fachada. O MDB era uma oposição de brincadeirinha, de faz de conta, consentida pela Ditadura. O objetivo era a busca de, como se fosse possível, se dar um "verniz democrático" ao regime de torturas, prisões, assassinatos e ataque aos direitos humanos. Além do MDB, havia apenas o Arena, partido oficial dos presidentes generais.

Jader, ainda foi eleito deputado estadual e duas vezes federal, antes de se tornar governador do estado pela primeira vez, em 1982, pelo voto direto. Após deixar o governo, José Sarney o nomeou, em 1987, Ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário. No ano seguinte, assume a pasta da Previdência e Assistência Social. Em 1991 é eleito para o segundo mandato de governador do estado do Pará. Em 1994, deixa o estado em frangalhos na mão de seu vice, o empresário Carlos Santos, e consegue votos suficientes para se tornar senador da República até sua renúncia em 2000, após os famosos embates com outro cacique político, o senador baiano Antônio Carlos Magalhães pelo antigo PFL, atual DEM, mas principalmente devido aos escândalos de corrupção nos quais se envolveu.

Jader consegue voltar ao Congresso em 2002, desta vez como deputado federal, onde permaneceu até conseguir, mesmo sendo um ficha suja, eleger-se senador (2010).

As farsas
Os mandatos de Jader, principalmente os de governador, são atravessados de polêmicas e notórios assaltos aos erários públicos. Ele foi responsável por um dos maiores rombos nos cofres do Banco do Estado do Pará, o Banpará (Oficial).

Como figura política nacional foi capaz de orquestrar megas rombos no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), como o famoso escândalo do ranário de sua atual esposa, o que levou à sua prisão. Através de formação de quadrillha, peculato, etc. Jader Barbalho conseguiu montar um império das comunicação do estado. Jader,é o proprietário do Grupo RBA de Comunicação, afiliado à Rede Bandeirantes de Televisão e do jornal Diário do Pará, além de ser segundo o site Wikipedia, um dos acionistas da TV Tapajós, afiliada à Rede Globo, em Santarém no Oeste do Pará. "Com início humilde em Belém, Jader tornou-se um milionário após várias décadas na política.", concluiu o site.

Como vemos, e ainda nem falei de sua mãe, o DNA de Helder remonta há quase 50 anos de política no estado. Mas não qualquer política. A pior das políticas, pois oligárquica, venal, corrupta, sanguinária, indecente, violenta que matou e mata milhares e milhares de paraenses no atacado.

Como se percebe, Helder não representa, como disse Lula, o mentiroso, "uma nova política"! Helder Barbalho e seu padrinho Jatene são a mais pura excrescência e expressão do que há de mais sórdido e bandidesco na política paraense e brasileira. E por isso precisam ser derrotados!

Parafraseando Marx, em seu XVIII Brumário de Luís Bonaparte, Jader Barbalho foi e é a tragédia. Helder e Jatene, ambos crias da mesma costela, são as farsas. Nunca é demais lembrar que foi Jader que colocou Simão Jatene na política lá pelos idos de 1982, quando o tirou da condição de professor da UFPA para tranformá-lo em seu secretário de estado de planejamento e no DAS mais antigo do estado do Pará.

Com DEM, pelo poder
O vice de Helder, Lira Maia, é um dos homens que mais enriqueceu na política em todo o oeste paraense. Verdadeira demonstração de como o vale tudo pelo poder é a palavra de ordem nessas eleições. 

Assim como Lira Maia é dono de uma mansão que mais parece um "Taj Mahal" no município de Santarém/PA, e é também um dos prefeitos que mais têm denúncias contra si, devido a malversação de dinheiro público, o MDB de Jader e o atual PMDB nunca tiveram escrúpulos políticos alguns. 
Hoje estão aliados do PT de Dilma ao PCdoB de Panzera, porque a única coisa que interessa de fato para esses grupos, é o poder pelo poder. Dane-se o povo, dane-se a ética na política, dane-se a coerência, dane-se o erário público. 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Aos 50 anos do Golpe Militar, Dilma e Cabral decretam estado de exceção na Maré

O que dizer ante uma aterradora imagem como essa abaixo?

Soldados do Exército Brasileiro, que NÃO são treinados e nem preparados para o policiamento ostensivo, senão para o front direto contra o inimigo, ocuparam a mando da presidente Dilma Rousseff (PT), atendendo a pedido do governado do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), duas favelas do Complexo da Maré e como a gente pode ver, a intenção não é prender traficantes e nem reprimir o crime organizado, mas criminalizar os pobres e roubar o futuro de nossas crianças.

"Muitas vezes quem tem a infância roubada,
acaba furtando o futuro de alguém." Sergio Vaz

Por aqui todo dia nasce o Neymar
Pobre criança...
Só aprende a driblar o sistema de segurança.

Ou, se liga num outro tipo de carreira
O mundo é louco,
Te transforma em pó, depois te cheira.

Se a criança é a esperança
Veja a pedofilia...
Tão estuprando nossa esperança todo dia.
Prefeitos são cirurgiões, eu já sabia...
Operam nossos bolsos, sem nem mesmo anestesia.

(Alan Antunes)

Índios, as maiores vítimas da ditadura

E para eles, imposição autoritária de decisões e leis do regime militar ainda seguem como norma

Desenho feito por um waimiri atroari entre 1985 e 1986 mostra homens munidos de bombas dinamites e fuzis cercando uma aldeia, segundo a traduçãao do indigenista Egydio Schwade. As anotações citam índios (UOL)
Por Leão Serva, para a Folha

Os índios são apenas 0,47% da população brasileira. Ainda assim, mais indígenas morreram por decisões da ditadura iniciada há 50 anos do que as vítimas de outros grupos, armados ou não. Um único povo do Amazonas perdeu mais habitantes pela violência da imposição da construção de uma estrada em suas terras, a partir de 1971, do que todos os não índios mortos segundo as maiores estimativas. Como esse, inúmeros outros grupos foram vítimas do lado mais brutal e, até hoje, menos conhecido daqueles anos de chumbo.

A Comissão da Verdade, que investiga crimes cometidos pelo governo ou agentes do regime autoritário, suspeita que tenham sido mil mortos ou desaparecidos políticos entre 1964 e 1985. A construção de estradas na Amazônia, no governo do general Garrastazu (1969-1973), matou 8 mil índios, segundo estima a comissão.

Quando considerados os mortos indígenas relativamente à população das etnias, os resultados apontam
para um genocídio. No Amazonas, os Waimiri-Atroari habitavam área em que o governo quis passar a rodovia Manaus-Boa Vista; perderam 75% de sua população entre 1971 e 1985. Os Panará (ou Krenhakarore), cuja saga inspirou uma música no primeiro disco solo de Paul McCartney (1970), estavam no traçado da rodovia Cuiabá-Santarém (Pará); eram cerca de 450 no contato, em 1973; em dois anos restavam 74 (-84%).

Índio vítima da Ditadura.
Ainda considerando apenas exemplos relacionados às estradas do Programa de Integração Nacional (PIN, o PAC dos anos 1970): os 200 Parakanã contatados em 1971, em área da Transamazônica no Pará, foram reduzidos a 94 em dois anos (-53%); em Roraima, 14 aldeias Yanomami no rio Ajarani, foram reduzidas a uma única maloca de 71 sobreviventes (-90%, pelo menos); outro conjunto de aldeias, no rio Catrimani, perdeu 50% de sua população para uma epidemia de sarampo introduzida por trabalhadores da rodovia Perimetral Norte.

As agressões aos índios na ditadura estão sendo apuradas por um núcleo da Comissão da Verdade liderado pela psicóloga Maria Rita Kehl. Ainda que esse passado seja agora expiado, o atropelo dos direitos indígenas por interesses de setores da sociedade abrangente persiste no Brasil atual. Quando se trata de realizar obras decididas em Brasília, impô-las goela abaixo dos índios ainda é a norma. Antes era PIN, agora PAC, mas vale a lógica expressa pelo ex-governador de Roraima: "Uma área rica como essa, com ouro, diamantes e urânio não pode dar-se ao luxo de conservar meia dúzia de tribos indígenas que estão atrasando o desenvolvimento do Brasil" (gen. Fernando Ramos Pereira, "O Estado de S. Paulo", 1.mar.1975).

É exemplar o caso da hidrelétrica de Belo Monte: as obras seguem sem respeito ao rito legal que prevê consultas prévias e compensações aos povos indígenas afetados. Questionamentos judiciais à construção são barrados com base no mecanismo de "suspensão de segurança", criado na ditadura, pelo qual o Executivo derruba decisões do Judiciário sob alegação de "ocorrência de grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas".

Para os índios, o regime autoritário, iniciado em 1964, ainda sobrevive na lógica desenvolvimentista, no descaso por seus direitos e no uso de leis daquele tempo.