sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O homem que amava os gatos e os cachorros

Chico Braga, de pescador a compositor, músico, cantor e mestre praiano de carimbó

Lamento profundamente a morte do compositor e cantor de carimbó Chico Braga, 60. A nossa arte hoje canta de forma distinta.

Chico Braga um ser distinto. Na Ilha, ligado no mundo. Artista sem igual.

Dois dias distintos próximo ao mestre. Foi mestre, educador, parceiro, amigo, rival.
Tem até foto.

Isso foi no verão amazônico de julho de 2014. Ilha de Algodoal.

Ficamos cantando carimbó a madrugada inteira, após o ter reencontrado exatamente no mesmo lugar onde tinha se apresentado há umas 4 ou cinco horas.

Ele, eu, sua cachorrinha e a garrafa de abisinto. Ele provou. Gostou. A cachorra,  que de vez em quando me dava uma mordidinha no calcanhar. "É ciume, é ciúme", ele dizia. Compus um carimbó com ele..

Parei. Pensei não estar no caminho certo. Ele disse surpreendentemente: "Continue, continue".
Pela terceira vez percebi a presença do dono do bar lá em cima. Me despedi. Ele ficou lá com a cachorrinha, com sua voz única, cantando.

Chico Braga era uma figura controversa. Tinha, como todo mundo, seus problemas. Um deles era votar no PSDB, devido suas políticas clientelistas para com os artistas.

"Chico Braga mora na praia. Em cima daquele morro".
Chico Braga criava gato, Chico Braga criava cachorros. Para eles, todos os dias, fazia "seu mingau".

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