Assistindo desenho com o Rafinha. Matheus dormiu. A cachorrinha foi pra cozinha. Tio Mauro prepara um almoço daqueles, que não digo porque senão seria, como já disse um amigo, ostentação.
Mamãe e Margô contando aqueles adoráveis causos e falando de amigos, histórias, comida, gente, vida.
Como são divinas essas histórias. Como isso me lembra da casa da vovó, de nossa casa em Abaeté, de nosso quintal. Mamãe na beira do quintal. A gente e nossa patota de amigos de toda a vizinhança sempre por ali reunido. Correndo para pegar a fruta-pão quando caía. Desespero do Seu Torquato. Égua di velho sovina!
Por falar nele, me alembrei do Tietê. Campo de Futebol do Clube do Tietê, aos fundos do nosso quintal e do Seu Torquato, Seu Antônio da Farmácia e tantos outros. Campo grande. Para mim era um mundo. Caramba... Brincamos muito e corríamos por ali.
Mas também era caminho. Para o Vicente Maués, escola onde eu estudei a primeira série. Tinha 6 anos. Atravessar o Tietê parecia atravessar o mundo de tão grande que me era. Tão grande quanto a distância que lhe separava do Grupo Educacional Barão do Rio Branco, que ficava na Barão.
Engraçado... Lá, estudar parecia gostoso. Eu acordava cedo. Ia feliz. Vou pra escola... Lá, eu fui alfabetizado. Lia jornal. Dizem. Não lembro. Lembro que gostava de ver o Jornal Nacional, porque meu pai, que viajava muito, sempre assistia em casa. Era sagrado. Hoje ele nem liga. Lê jornal, ouve a Clube, se revolta com a politicagem e pornofonia deles, desliga.
Além do campo tinha a Sede Social do Tietê. Nossa primeira matinê. Que incrível! O velho Torquato oferecia, de graça, a festa para as crianças de toda a cidade toda a semana. De cinco as sete. Muito flash, dance, refrigerante para quem podia pagar.
Seu Torquarto não dava pão, diretamente. A gente pegava. Mas dava festa. Menos mal. Somos carnival, já disse um poeta.
A gente pirava naquelas luzes azuis que faziam o material da língua de nossos tênis e as roupas brancas acenderem. Nada reluzia como as línguas!
Ao som do flash, aquela badernas..., aquela paquera, aquela correria...
Que bom lembrar daqueles dias!
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domingo, 3 de maio de 2015
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Domingo: dia de protestar por uma porta para o rio
Certa feita, um burguês do ramo da pesca industrial, que se acha muito experto, conseguiu convencer prefeitos, juízes, promotores, vereadores e até mesmo parte da população de que ele merecia roubar um pedaço vital da cidade.
Assim ele o fez. Há décadas uma grande empresa meteu um portão na rua Félix Rocque, Cidade Velha, e se apoderou de um locusvital para todos xs cidadãos, cidadãs e visitantes de Belém do Pará.
A empresa aprisionou a belíssima Baía do Guajará, aprisionou a Félix Rocque, sufucou a Praça do Carmo e suas crianças que já não tem mais aéreas e espaços de lazer, devido a omissão e ação dos poderes públicos, bem como devido a assaltantes da urbe, como esse empresário que se achava esperto.
Domingo próximo, a casa vai cair literalmente.
É o dia de libertar a Baía e derrubar o portão. Porque o direito de ir e vir é sagrado. E nós cansamos de esperar!
Todas e todos lá!
Serviço:
ATO PÚBLICO EM DEFESA DA FÉLIX ROCQUE
DOMINGO: 12 DE ABRIL DE 2015
ESSE RIO É MINHA RUA E ESSA RUA É MEU RIO
CONCENTRAÇÃO ÀS 09h30 NA FRENTE DA IGREJA DO CARMO
VAMOS PRA RUA EM DEFESA DO NOSSO PATRIMÔNIO
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