por Adriana Cantaura
Muito têm se falado sobre as sequelas nefastas das políticas governamentais do finado Presidente Hugo Chávez, as mais relevantes são a escassez de comida e remédios. Porém, até agora, pouco têm se falado acerca da agressão e dos prejuízos que essas políticas têm provocado em um setor social tão particular como o nosso, de mulheres. A atual crise que atravessa o país afeta a todos, disso não temos dúvida, mas se fizéssemos o exercício de humanizar a pobreza, se pudéssemos personificar a crise, se estampássemos um rosto e um nome, lhes asseguro: este rosto seria o de uma mulher, esse nome seria o de uma mulher.
As filas para adquirir os produtos regulados e as de comprar pão, estão repletas de mulheres; as intermináveis jornadas para buscar os remédios dos avós, pais, filhos, são feitas por mulheres. Nesta sociedade profundamente machista e patriarcal, que por aprendizagem cultural delega maior parte das responsabilidades familiares às mulheres – o que limita consideravelmente nosso desenvolvimento profissional e de trabalho -, e na qual já está estabelecida a nossa vulnerabilidade, traz conseqüências específicas do ajuste aplicado pela via do corte de importações e do corte de gastos em saúde. Até alguns meses atrás, conseguir um absorvente já era uma proeza, a alternativa do copo menstrual era impagável para muitas, incluindo-me, em um país onde o salário mínimo ronda os 50 dólares mensais. Fazer um exame médico de rotina (citologia, ultra-som, mamografia) é um luxo nesse país, e não somente pela questão econômica, mas também pela falta de insumos médicos, e nisso nem as clínicas privadas se salvam. Mas nada se compara a situação das que se tornam mães, e me desculpo pelo tom trágico, porque não é contra a maternidade que aponto esta flecha, mas contra o Estado venezuelano que pouco ou nada faz para resguardar a integridade das mulheres, e menos ainda a das mães.
Bem, comecemos por nosso direito ao controle de natalidade. Entre as muitas coisas que faltam estão os contraceptivos (pílulas, implantes, DIU, anéis e preservativos). A angustiante situação que vivemos as mulheres venezuelanas nos últimos 3 anos, para ter acesso aos contraceptivos “disponíveis” no mercado e nas redes ambulatoriais públicas e privadas é, sem dúvida alguma, uma forma de violência de gênero orquestrada pelo mesmíssimo Estado venezuelano. O que torna essa escassez ainda mais perversa, diante da falta de contraceptivos e um iminente risco de uma gravidez indesejada, é o fato de que neste país o aborto é criminalizado. Com ou sem criminalização os abortos ocorrem clandestinamente e as histórias a respeito são aterradoras, pois é uma experiência verdadeiramente traumática em condições pouco seguras e sem nenhuma garantia de atenção médica adequada. O certo é que apesar do discurso “feminista” do governo, este segue reproduzindo a lógica patriarcal e impondo estas posturas conservadoras.
Por outro lado, aproveito para esclarecer que não promovo o aborto, mas acredito que é necessário descriminalizar sua prática, porque até agora o resultado da criminalização é que algumas poucas o façam de maneira segura, enquanto a muitas outras pode custar a vida, já que a penalização do aborto é uma outra forma de segregação social devido ao gênero, e é nesse sentido que faço a minha crítica.
Agora veja, se a mulher decidir seguir com esta gravidez não desejada, esta mulher enfrentará mais uma vez, os perversos alcances desta crise, pois não terá acesso às vitaminas pré-natais, pela simples razão de que não tem; tampouco contará com um pré-natal adequado, já que a história de cada hospital público deste país é “não estamos fazendo ultra-som, pois a máquina não serve”, ou então “não temos reagentes para realizar os exames laboratoriais” e a crise é tão profunda que já atinge algumas clínicas particulares. A escassez e seus “não tem”, “não serve” e “não se consegue” atingiu a todas.
Essas conseqüências políticas, econômicas e sociais que nos deixou 18 anos de chavismo, representam um ataque sistemático às mulheres, e, por favor, peço às companheiras chavistas que guardem os discursos de livreto e as referências às leis promulgadas nos últimos anos, porque reconheço que algumas representam uma reivindicação simbólica, mas na prática, minhas irmãs, na prática só vemos ataques aos nossos direitos mais elementares, como é o controle sobre os nossos corpos. Por favor, guardem também as referências às práticas ancestrais de anticoncepção, como conhecer nosso ciclo e identificar as datas da ovulação. Adotá-los deve ser uma decisão pessoal de cada mulher, porque ainda que eu respeite e adote os citados métodos, e faço com convicção, é uma decisão individual que cabe a cada uma e que vai depender de muitos fatores, entre eles o conhecimento e o acesso a informação sobre estes métodos, e vocês sabem que desta pata manca seu governo.
As sistemáticas agressões que o gênero feminino vem sofrendo neste país é algo como um produto de “Tele Compra”, desses que passam à noite depois do noticiário: quando você acha que não pode agregar mais nada à oferta, surge um novo elemento que te deixa boquiaberta. Bom, o mesmo acontece com as mulheres venezuelanas, não é apenas o fato do estado não garantir acesso aos contraceptivos, de penalizar o aborto, de não prover vitaminas pré-natais às gestantes, ou não garantir tampouco o controle pré-natal, mas também, quando a mulher mãe e a criatura que gerou conseguem passar por todas essas vicissitudes, ocorre que não há fraldas, nem vacinas e se esta mulher com muito esforço pôde se alimentar bem e trazer ao mundo um bebê saudável, agora deve continuar a batalha por uma boa alimentação que a permita amamentar sem ficar desnutrida. Não é qualquer coisa o que digo, basta ver as estatísticas de desnutrição de mulheres gestantes e bebês recém nascidos que divulgou aquela Ministra de Saúde (Antonieta Caporale) que logo foi destituída.
As companheiras chavistas poderão responder que “as fraldas ecológicas são uma solução”, mas há que se levar em conta a realidade, como por exemplo que o serviço de distribuição de água (também competência do Estado) é uma verdadeira calamidade, e que há setores em La Guaira-Estado Vargas, onde moro, que passam 45 dias sem água. Que mãe vai acumular 45 dias de fraldas sujas? Então me digam: há ou não há uma sistemática agressão à mulher? Não é verdade que o chavismo trocou as esperanças e sonhos da luta feministas por migalhas? Cabe destacar também que ao fato de ser mulher, se adiciona o fato de ser pobre – aí sim, você jogou todos os números da rifa! Porque afinal de contas o que vai marcar a diferença entre ter acesso ou não aos contraceptivos, contar ou não com aborto seguro, ingerir ou não vitaminas pré-natais, gozar ou não de controle pré-natal, ter ou não fraldas descartáveis ou ecológicas, alimentar-se bem ou não para amamentar, é o poder aquisitivo da mulher. A isso se resume o “legado de Chávez”, à demagogia de um governo com discurso inclusivo e práticas excludentes que têm aumentado o fosso entre as classes e aprofundado as desigualdades de gênero, atacando implacavelmente a todas nós.
Fonte: CST/PSOL
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quinta-feira, 10 de agosto de 2017
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Eduardo Galeano: "Quem se aproxima, se incendeia."
Em video, escritor morto hoje celebra “o mistério da persistência humana, às vezes inexplicável, de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não a casa de poucos – e o inferno da maioria”
Por Eduardo Galeano
O medo ameaça: se você ama, terá Aids; se fuma, terá câncer; se respira, terá poluição; se bebe, sofrerá acidentes; se come, terá colesterol; se fala, terá desemprego; se caminha, terá violência; se pensa, terá angustia; se duvida, terá loucura; se sente, terá solidão.
Para ter fôlego, é preciso ter desalento. Para levantar tem que saber cair. Para ganhar tem que saber perder. Temos que saber que assim é a vida e que você cai e levanta muitas vezes. Alguns caem e não levantam nunca mais, geralmente os mais sensíveis, os mais fáceis de se machucar, as pessoas que mais dor sentem ao viver. As pessoas mais sensíveis são as mais vulneráveis.
Em contrapartida, esse filhos da puta que se dedicam a atormentar a humanidade, vivem vidas longuíssimas, não morrem nunca, porque não têm uma glândula, que é bem rara e que na verdade se chama consciência. É a que nos atormenta pelas noites.
Acho que o exercício da solidariedade, quando se pratica de verdade, no dia-a-dia, é também um exercício de humildade, que ensina a se reconhecer nos outros a grandeza escondida nas coisas pequenininhas. O que implica denunciar a falsa grandeza nas coisas grandinhas, em um mundo que confunde grandeza com grandinho.
O que é ser um escritor
Faz pouco tempo, em uma entrevista que me fizeram em Madri, um jornalista me falou: “lendo seus livros, eu sinto que você tem um olho microscópio e outro olho no telescópio”. Achei boa a definição das minhas intenções, de pelo menos o que eu gostaria de fazer escrevendo. Ser capaz de olhar o que não se olha, mas que merece ser olhado: as pequenas, as minúsculas coisas de gente anônima, de gente que os intelectuais costumam desprezar. Esse micro-mundo onde eu acredito que se alimenta de verdade a grandeza do universo. Ao mesmo tempo que sejamos capazes de contemplar o universo, através do buraco da fechadura — ou seja, a partir das pequenas coisas é possível olhar os grandes mistérios da vida. O mistério da dor humana, mas também o mistério da persistência humana, às vezes inexplicável, de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não a casa de poucos – e o inferno da maioria. A capacidade de beleza, a capacidade de formosura das pessoas mais simples, às vezes mais singelas, tem uma insólita capacidade de formosura, que às vezes se manifesta em uma canção, em um grafite, numa conversa qualquer — esta que praticam as crianças. Acontece que depois nós, os adultos, nos ocupamos em transformá-las em nós mesmos, e aí destruímos a vida delas. Mas, temos que ver oque é uma criança, não? São todos pagãs.
Faz pouco tempo, sofri uma tragédia, morreu meu companheiro Morgan, meu cachorro companheiro de passeio, que me acompanhava também escrevendo, porque quando eu perdia a mão e já levava 18 horas escrevendo, sua pata me dizia: “vamos, a vida não termina aqui, nos livros, vem, vamos passear juntos”. Aí íamos os dois. Porém, ele morreu. Com isso eu andava com uma música muito ruim na alma. Falando em perdas, realmente, a perda do Morgan foi muito forte para mim. Me arrancou um pedaço do peito. Bem, estava assim, muito triste e saí a caminhar pelo bairro. Era cedo, manhãzinha, não consegui dormir, me vesti e fui caminhar. Cruzei com uma menina muito nova, devia ter uns dois anos, que vinha brincando no sentido contrário. Ela vinha cumprimentando a grama, as plantinhas, “boa dia graminha”, dizia ela. Ou seja, nessa idade, somos todos pagãos, e nessa idade somos todos poetas. Depois o mundo se ocupa de apequenar nossa alma.
O que é utopia?
Fazíamos a pergunta todos os dias: “para que servia a utopia? Se é que a utopia servia para alguma coisa…” Então disse: “veja bem, a utopia está no horizonte e se está no horizonte, nunca vamos alcançá-la. Porque se caminho dez passos, a utopia vai se distanciar dez passos e se caminho vinte passos, a utopia vai se colocar vinte passos mais além. Ou seja, sei que jamais vou alcançá-la. Então para que serve? Para isso, para caminhar.
O século XX, que nasceu anunciando a paz e justiça, morreu banhado em sangue e deixou um mundo muito mais injusto do que o que tinha encontrado. O século XXI, que também nasceu anunciando paz e justiça, está seguindo os passos do século anterior.
Na minha infância, eu estava convencido de que tudo o que na Terra se perdia, ia parar na Lua. Sonhos perigosos, promessas traídas, esperanças estilhaçadas, Se não estão na Lua, onde estão? Será que na Terra não se perderam? Será que na Terra se esconderam e estão esperando por nós?
Dizem que o mundo é feito de átomos. Está bem. “O mundo não é feito de átomos, o mundo é feito de histórias”, disse uma amiga. Eu acredito que sim, o mundo deve ser feito de histórias, porque são as histórias que a gente conta e escuta, recria e multiplica. São as histórias que permitem transformar o passado em presente, e também permitem transformar o distante em próximo. O que está distante em algo próximo, possível e visível.
O mundo é isso, revelou: um monte de gente, um mar de foguinhos. Não existem dois fogos iguais. Cada pessoa brilha com luz própria, entre todas as outras. Existem fogos grandes e fogos pequenos, fogos de todas as cores. Existem pessoas de fogo sereno, que nem ficam sabendo do vento, e há pessoas de fogo louco, que enche e arde faíscas. Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam. Mas outros… outros ardem a vida com tanta vontade, que não pode olhá-los sem pestanejar. Quem se aproxima, se incendeia.
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Fonte:http://outraspalavras.net/mundo/america-latina/galeano-para-viver-sem-medo/
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Fonte:http://outraspalavras.net/mundo/america-latina/galeano-para-viver-sem-medo/
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Documentário sobre vida e luta de Nahuel Moreno
Que magnífica notícia!!!
Está saindo do forno um rico e belo documentário sobre o revolucionário socialista, escritor, pensador, dirigente proletário e trotskista argentino Hugo Miguel Bressano Capacete, o camarada Nahuel Moreno.
Moreno sem sombra de dúvidas, como militante que sempre combateu as burocracias e direções traidoras que, vira e mexe, capitulavam (capitulam) ao stalinismo e aos nefastos governos de frente popular e burgueses como de Lula (PT) e Dilma no Brasil, Maduro na Venezuela, Castro em Cuba;
Por sua luta em defesa da construção de novas direções para os trabalhadores e o fortalecimento de um partido socialista, internacionalista, de classe e revolucionário; Moreno imprimiu seu nome na história da América Latina e do mundo.
E quem diz isso não sou apenas eu, senão os partidos e militantes revolucionários que ele ajudou a se conformar pelo mundo;
quem diz isso é militante histórico do naipe de Hugo Blanco (Peru) e Guillermo Zerpa.
Parabéns, Marcel Gonnet pela iniciativa de filmar a vida de Moreno, um camarada sempre presente!!
Sobre o assunto, escreveu Pedro Fuentes no facebook:
![]() |
| Marcel Gonnet, jornalista e documentarista |
Han trabajado mucho con la negra Amelia, (compañera de Hugo) y su hija Clarita. Están haciendo un riquísimo trabajo, cuentan ya con una amplia información a partir de sus numerosas entrevistas; tienen videos y fotos de la época y de su vida familiar y militante. Ya poseen una amplia y profunda mirada de la vida de Hugo, que están logrando con mucho trabajo.
Ayer Marcel y Carlos vinieron a verme a San Francisco. Les conté muchas cosas políticas y anécdotas de su vida. Entre ellas el famoso partido de futbol en el 74 en el Parque del Autódromo entre la dirección de la Juventud y el ejecutivo del partido, interrumpido porque la juventud nos maniobró con el árbitro y una semana o dos antes con la “cooptación” para su dirección de un joven jugador de la segunda división de Deportivo Moron.
Con este film, Marcel y su equipo están llenando un vacío muy importante. Los nuevos jóvenes, los de las dos últimas décadas, conocen poco a Moreno, o diría que casi no lo conocen más allá de la lectura de sus libros vitales como La lógica marxista…, el Partido leninista…o Problemas de Organización entre otros. Este film será buenísimo para todos.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Venezuela e El Aguante
O excelente grupo musical de Porto Rico Calle 13, o qual tem uma linguagem e identidade que é a expressão da juventude indignada, do povo pobre e trabalhador das periferias da América Latina, bem como do mundo (já gravaram clip até na Faixa de Gaza em apoio à luta dos palestinos), acabam de lançar single que é a cara da atual situação política de lutas na Venezuela.
Acompanhem letra e clip da música:
El Aguante
Nacimos para aguantar lo que el cuerpo sostiene
aguantamos lo que vino y aguantamos lo que viene
aguantamos aunque tengamos los segundos contados
nuestro cuerpo aguanta hasta quince minutos ahorcado.
Aguantamos latigazos, que nos corten los dos brazos
fracturas en cualquier hueso, tres semanas con un yeso.
Aguantamos todo el tiempo las ganas de ir al baño
pa' ver el cometa Halley, hay que aguantar 70 años.
Aguantamos la escuela, la facultad, el instituto
a la hora de cenar, nos aguantamos los erutos
el pueblo de Burundi sigue aguantando la hambruna
aguantamos tres días para llegar a la luna.
Aguantamos el frío del ártico, el calor del trópico
aguantamos con anticuerpos los virus microscópicos
aguantamos las tormentas, huracanes, el mal clima
aguantamos Nagasaki, aguantamos Hiroshima.
Aunque no queramos, aguantamos nuevas leyes
aguantamos hoy por hoy que todavía existan reyes
castigamos al humilde y aguantamos al cruel
aguantamos ser esclavos por nuestro color de piel.
Aguantamos el capitalismo, el comunismo, el socialismo,
el feudalismo, aguantamos hasta el pendejismo.
Aguantamos al culpable cuando se hace el inocente
aguantamos cada año a nuestro pu... presidente.
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
¡a brindar por el aguante!
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
levanta el vaso ¡y a brindar por el aguante!
¡A brindar por el aguante!
Aguantamos cualquier tipo de dolor aunque nos duela
aguantamos Pinochet, aguantamos a Videla
Franco, Mao, Ríos Montt, Mugabe, Hitler, Idi Amin
Stalin, Bush, Truman, Ariel Sharón y Hussein.
Aguantamos mas de veinte campos de concentración
cuando nadas bajo el agua aguantas la respiración
pa' construir una pared aguantamos los ladrillos
el que no fuma se aguanta el olor a cigarrillo
aguantamos que Monsanto infecte nuestra comida
aguantamos el agente naranja y los pesticidas
cuando navegamos, aguantamos el mareo
aguantamos el salario mínimo y el desempleo.
Aguantamos las Malvinas y la invasión británica
en la ciudad de Pompeya aguantamos lava volcánica
y dentro de la lógica de nuestra humanidad
nos creemos la mentira y nadie aguanta la verdad.
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
levanta el vaso ¡y a brindar por el aguante!
¡A brindar por el aguante!
Aguantamos al ateo, al mormón, al cristiano
al budista, al judío, aguantamos al pagano
aguantamos el que vende balas y el que las dispara
aguantamos la muerte de Lennon, la de Víctor Jara.
Aguantamos muchas guerras, Vietnam, la Guerra Fría
la Guerra de los 100 años, la Guerra de los 6 días.
Que aguanten la revancha, venimos al desquite
hoy nuestro hígado aguanta lo que la barra invite.
For what was
for what is
for what will be
Slainte! (en español, ¡salud!)
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
¡a brindar por el aguante!
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
levanta el vaso ¡y a brindar por el aguante!
¡A brindar por el aguante!
Acompanhem letra e clip da música:
El Aguante
Nacimos para aguantar lo que el cuerpo sostiene
aguantamos lo que vino y aguantamos lo que viene
aguantamos aunque tengamos los segundos contados
nuestro cuerpo aguanta hasta quince minutos ahorcado.
Aguantamos latigazos, que nos corten los dos brazos
fracturas en cualquier hueso, tres semanas con un yeso.
Aguantamos todo el tiempo las ganas de ir al baño
pa' ver el cometa Halley, hay que aguantar 70 años.
Aguantamos la escuela, la facultad, el instituto
a la hora de cenar, nos aguantamos los erutos
el pueblo de Burundi sigue aguantando la hambruna
aguantamos tres días para llegar a la luna.
Aguantamos el frío del ártico, el calor del trópico
aguantamos con anticuerpos los virus microscópicos
aguantamos las tormentas, huracanes, el mal clima
aguantamos Nagasaki, aguantamos Hiroshima.
Aunque no queramos, aguantamos nuevas leyes
aguantamos hoy por hoy que todavía existan reyes
castigamos al humilde y aguantamos al cruel
aguantamos ser esclavos por nuestro color de piel.
Aguantamos el capitalismo, el comunismo, el socialismo,
el feudalismo, aguantamos hasta el pendejismo.
Aguantamos al culpable cuando se hace el inocente
aguantamos cada año a nuestro pu... presidente.
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
¡a brindar por el aguante!
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
levanta el vaso ¡y a brindar por el aguante!
¡A brindar por el aguante!
Aguantamos cualquier tipo de dolor aunque nos duela
aguantamos Pinochet, aguantamos a Videla
Franco, Mao, Ríos Montt, Mugabe, Hitler, Idi Amin
Stalin, Bush, Truman, Ariel Sharón y Hussein.
Aguantamos mas de veinte campos de concentración
cuando nadas bajo el agua aguantas la respiración
pa' construir una pared aguantamos los ladrillos
el que no fuma se aguanta el olor a cigarrillo
aguantamos que Monsanto infecte nuestra comida
aguantamos el agente naranja y los pesticidas
cuando navegamos, aguantamos el mareo
aguantamos el salario mínimo y el desempleo.
Aguantamos las Malvinas y la invasión británica
en la ciudad de Pompeya aguantamos lava volcánica
y dentro de la lógica de nuestra humanidad
nos creemos la mentira y nadie aguanta la verdad.
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
levanta el vaso ¡y a brindar por el aguante!
¡A brindar por el aguante!
Aguantamos al ateo, al mormón, al cristiano
al budista, al judío, aguantamos al pagano
aguantamos el que vende balas y el que las dispara
aguantamos la muerte de Lennon, la de Víctor Jara.
Aguantamos muchas guerras, Vietnam, la Guerra Fría
la Guerra de los 100 años, la Guerra de los 6 días.
Que aguanten la revancha, venimos al desquite
hoy nuestro hígado aguanta lo que la barra invite.
For what was
for what is
for what will be
Slainte! (en español, ¡salud!)
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
¡a brindar por el aguante!
Por lo que fue y por lo que pudo ser
por lo que hay, por lo que puede faltar
por lo que venga y por este instante
levanta el vaso ¡y a brindar por el aguante!
¡A brindar por el aguante!
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