Mostrando postagens com marcador Mulheres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mulheres. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

No dia 8 de março de 1917 as trabalhadoras russas incendiaram o mundo!


por Joice Souza

Você já deve ter ouvido a história de como surgiu o 8 de março. A partir da década de 60, em meio à guerra fria, circulou e se consolidou a versão de que o dia internacional das mulheres trabalhadoras foi instaurado em função da morte de 129 operárias norte-americanas durante uma greve em 1857, em um incêndio provocado por seus patrões.

No entanto essa história nunca ocorreu. Ela é fruto de uma confusão ou talvez de uma das maiores fanfics do stalinismo mundial. Esse mito nos levou a relembrar o 8 de março como o dia em que operárias foram queimadas vivas, a greve derrotada e a burguesia saia vitoriosa esmagando, com a força física, os métodos da classe.  Mas essa história é um mito! Há publicações fartas que demonstram que essa narrativa é fruto de um conjunto de informações desencontradas e confusão de datas. 

As operárias tomavam as ruas no inicio do século XX

Claro o mito da greve de 1857 possui vários elementos verdadeiros.  De fato, em 1910 a comunista Clara Zetkin propôs ao congresso da Segunda Internacional Comunista a fixação do dia internacional de lutas das mulheres trabalhadoras a ser comemorado no dia 29 de março. O “womans day" era realizado nos EUA com grandes marchas organizadas por mulheres  desde o inicio do século XX sempre entre fins de fevereiro e início de março, tendo como pauta o direito ao voto, melhores salários e condições de trabalho, jornada de trabalho, etc. 

O “DIA DA Mulher” ganhava força no inicio do século à medida que ganhava força a participação das trabalhadoras no movimento operário. Segundo Aleksandra Kollontai, o número de trabalhadoras sindicalizadas  saltou de pequenos grupos dispersos em fins do século XIX para formar “um poderoso exército de mais de um milhão de mulheres socialistas" em 1913.

Não fomos incendiadas. Incendiamos o mundo!

Também é verdade que o fato que consolidou em 1922 o oito de março como Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras foi uma importante marcha de operárias em greve. Porém, essa greve não foi derrotada por um incêndio. Teve início em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário juliano) o poderoso levante de trabalhadoras (e trabalhadores) de Petrogrado  iniciado por operárias tecelãs, que atropelaram a orientação da direção do partido  bolchevique de não realizar greve, num levante espontâneo, que segundo Trotsky, deu o pontapé à primeira etapa da Revolução Russa: a chamada revolução de fevereiro.

Era o dia internacional das mulheres (que na época não tinha data fixa). A socialdemocracia russa preparava panfletos. A Rússia explodia em greves num novo ascenso operário que desde 1915 rompia com o período de refluxo e derrotas vividos durante cinco anos. Mesmo assim as direções do movimento operário haviam desaconselhado a realização de greve por acreditar que “não eram momentos propícios à hostilidade" e agitavam a necessidade de uma “ação revolucionária”, porém sem data determinada. Mas quando amanheceu o dia 23 de fevereiro, as fábricas têxteis do bairro de Vyborg não funcionaram.

Contrariando a orientação de suas direções, operárias tecelãs entraram em greve e enviaram comissões a outras categorias. As direções, de início a contragosto, acompanharam a marcha. Leon Trotsky nos fala sobre esse episódio nos primeiros capítulos de seu livro História da Revolução Russa escrito em 1930:

“De fato, estabeleceu-se que a Revolução de Fevereiro foi desencadeada por elementos da base que ultrapassaram a posição das suas próprias organizações e que a iniciativa foi espontaneamente tomada por um contingente do proletariado explorado e oprimido mais que todos os outros – as trabalhadoras do têxtil, cujo número, deveria-se pensar, devia-se contar muitas mulheres soldados. (...) O número de grevistas, mulheres e homens foi, nesse dia, cerca de 90 000. (...) Em diversos bairros apareceram bandeiras vermelhas cujas inscrições atestavam que os trabalhadores exigiam pão, mas não queria mais autocracia nem guerra. O 'Dia das Mulheres' tinha conseguido. Ele estava cheio de entusiasmo e não tinha causado vítimas." (TROTSKY, 1930)

Aquele 23 de fevereiro não terminaria ali. Nos dias seguintes mais operários/as se juntavam às manifestações, as forças policiais se dividiam entre a repressão e a simpatia ao movimento e as palavras de ordem por pão, paz e terra ecoavam pelas ruas de Petrogrado.

Importante destacar que o levante de Petrogrado não foi um levante só de mulheres desprezado pelos homens, como defendem setores do pós-modernismo sempre que querem problematizar um suposto papel secundário das mulheres na revolução. A greve do dia 23 foi um poderoso dia de levante de trabalhadoras e trabalhadores impulsionado por um de seus setores mais precarizados, as tecelãs, contra o absolutismo do Czar e que atropelou e arrastou consigo uma direção que inicialmente estava vacilante. No texto mulheres militantes nos dias da Revolução de outubro, Aleksandra Kollontai fala sobre o papel das mulheres. Dele, destaco o seguinte trecho:

As mulheres que participaram na Grande Revolução de Outubro – quem eram elas? Indivíduos isolados? Não, havia multidões delas; dezenas, centenas e milhares de heroínas anônimas que, marchando lado a lado com os operários e camponeses sob a Bandeira Vermelha e a palavra-de-ordem dos Sovietes, passou por cima das ruínas do czarismo rumo a um novo futuro. (...) No ano de 1917, o grande oceano de humanidade se levanta e se agita, e a maior parte deste oceano feito de mulheres… Algum dia a história escreverá sobre as proezas dessas heroínas anônimas da revolução, que morreram na Guerra, foram mortas pelos Brancos e amargaram incontáveis privações nos primeiros anos seguintes a revolução, mas que continuou a carregar nas costas o Estandarte Vermelho do Poder Soviético e do comunismo. (Kollontai, 1927)

Essas trabalhadoras conquistaram o que nenhuma democracia burguesa havia dado até então. O Estado Revolucionário garantiu igualdade política e jurídica a mulheres e homens, o direito ao divórcio e ao aborto, a construção de creches, restaurantes e lavanderias públicas e consolidou  em 1922 o dia  8 de março como Dia Internacional das Mulheres em alusão a greve das tecelãs de Petrogrado.

A Revolução Russa foi um divisor de águas nas lutas feministas do início do século XX, pois de um lado as trabalhadoras em todo o mundo abraçavam o socialismo e reivindicavam para si conquistas das trabalhadoras soviéticas; por outro lado, as mulheres burguesas se lançavam em defesa de sua classe, pois lutavam por questões pontuais: igualdade de gênero, desde que isso não significasse perder seus privilégios. Muitas foram às associações, clubes e grupos de mulheres (em geral da alta-sociedade) contra o comunismo, fundados naquele período.

Infelizmente, o triunfo do stalinismo e a burocratização do estado soviético, a partir de 1923, interrompeu esse processo de (auto) libertação das mulheres antes que ele se completasse, revertendo diversas conquistas das mulheres e jogando o 8 de março no esquecimento por décadas. Somente nos anos de 1960 é que o Dia Internacional da Mulher veio a ser retomado: tanto pelo stalinismo mundial, que o resgatou já com o mito da greve de 185, como pela burguesia em 1975, quando a ONU reconheceu oficialmente a data buscando dar respostas ao novo ascenso da luta das mulheres que se gestava naquele período.

Seguir o exemplo das tecelãs de Petrogrado! Viva a luta das mulheres! Viva a Revolução Russa!

100 anos após a Revolução, o capitalismo mostra sua face patriarcal na Rússia: em janeiro deste ano foi aprovada a lei que descriminaliza a violência doméstica e em todo o mundo a crise capitalista atinge com mais força as mulheres superexploradas e oprimidas.  Poderosos levantes de mulheres explodem no mundo contra o patriarcado e relembrar a história do 8 de março, dia em que iremos mais uma vez às ruas, é muito importante para demonstrar que essa data não é sobre a burguesia e seus métodos assassinos e cruéis, nem sobre repressão. É sobre o poder das mulheres trabalhadoras e seus métodos. O 8 de março é um dia para ir à luta e incendiar o mundo como o fizeram as tecelãs em 1917.
****
Joice Souza é jornalista e militante da tendência sindical Combate - Classista e pela Base.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

No Outubro Rosa as mulheres vestem preto e fazem greve


Milhares de mulheres se reuniram no início de outubro em Varsóvia para protestar contra a proibição total do aborto na Polônia (Foto: Agência Gazeta/Slawomir Kaminski/via REUTERS)

Desde os anos 1990 acompanhamos diversas ações pelo mundo voltadas para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Um movimento internacionalmente conhecido como Outubro Rosa começou em Nova York e se espalhou ao redor do mundo com ações simbólicas como a distribuição de laços rosa e a iluminação de rosa de prédios, monumentos como o Cristo Redentor, teatros, pontes…

Mas neste outubro o que chamou mesmo a atenção o foi a Black Monday – como foi chamada a greve de mulheres realizada na Polônia contra o projeto de lei que proíbe totalmente o aborto no país. A luta das Polonesas fez o governo recuar em seus planos e inspirou um movimento feminista internacional pela vida das mulheres em diversos países como Argentina, onde tivemos a primeira greve geral nacional contra a violência de gênero.

A luta das mulheres é internacional

Enquanto os governos esperavam mais um “Outubro Rosa”, as mulheres se organizam para exigir mais do que campanhas publicitárias educativas. A primavera feminista invade os países e escancara o feminicídio, a falta de direitos e demonstra que os planos dos governos para a crise econômica atacam diretamente a vida das mulheres.

Na Argentina, o movimento “Ni Una Menos” explica que a greve surgiu como medida de resistência coletiva em resposta ao assassinato de Lucia Pérez, na semana passada. “Parar é ativo, é uma decisão que se mostra, que se educa. Nem grupo vulnerável nem vítimas, nós mulheres somos metade da sociedade e de sua força produtiva. Por isso, em épocas de demissões e feminização da pobreza, de repressão política e criminalização das decisões pessoais, a violência estrutural sobre as mulheres se torna insuportável. As demandas do movimento feminista se convertem em urgentes e se agitam, de forma potente, nas praças e ruas”.

Em resposta a política feminicida dos governos, diversas organizações se solidarizam e chamaram protesto na quarta 19/10. No dia da greve na Argentina, às 16h, a Hastag #NiUnaMenos era mundialmente a mais comentada no Twitter.

Te cuida seu Machista: dia 11/11 dia nacional de greve no Brasil.

Enquanto na Argentina uma mulher é morta a cada 30 horas, no Brasil a cada hora e meia uma mulher é assassinada pelo simples fato de ser mulher. Vivemos em um dos piores países do mundo para ser menina, de uma lista de 144 o Brasil está na 102ª posição. Segundo a OMS somos o quinto país do mundo que mais mata mulheres negras e pobres.


A Direção da CUT divulgou um chamado a um “dia nacional de greve” para 11/11 com os eixos “Não à PEC 241 e ao PL 257”, “Não à Reforma da Previdência”, “Não à MP do Ensino Médio”, “Não à terceirização, à prevalência do negociado sobre o legislado e à flexibilização do contrato de trabalho”. Todas as medidas atacam em cheio as mulheres trabalhadoras.

Tivemos no Brasil dias “de lutas nacionais” chamados pela direção da CUT, CTB, MST, UNE e UBES. Mobilizações mal preparadas, burocráticas, desorganizadas. Exatamente o contrário do que vimos no 19/10 onde as mulheres se organizaram por cima das direções burocráticas.

Não podemos confiar que a direção da CUT irá mobilizar a greve nacional. É preciso fazer como as mulheres ferroviárias independentes da Linha Bordô, as quais decidiram paralisar. “Se a partir da direção [sindical] não se convoca a paralisar e, no lugar disso, querem apenas usar uma faixa negra como simbolismo, nós convocamos à marcha”, afirmaram”. É preciso passar por cima das direções traidoras.

As polonesas, argentinas e as secunda do Paraná que estão ocupando escolas nos mostram o caminho a seguir. Acreditamos que é fundamental organizar fortes manifestações de rua.

É necessário articular e construir uma efetiva greve geral do conjunto da classe trabalhadora ainda esse semestre para barrar os ataques, o plano de ajustes de Temer e garantir o direito das mulheres.

Nós da CST-PSOL declaramos todo o nosso apoio as manifestações feministas ocorridas além da Argentina, no Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Chile, Venezuela, Colômbia, México, Honduras, Guatemala, Paris, etc. e chamamos as brasileiras a unificar e fortalecer as lutas contra os ataques dos governos.

Fonte: CST-PSOL

No Outubro Rosa as mulheres vestem preto e fazem greve



Milhares de mulheres se reuniram dia 03/10 em Varsóvia para protestar contra a proibição total do aborto na Polônia. Foto: Agência Gazeta/Slawomir Kaminski/via REUTERS

Desde os anos 1990 acompanhamos diversas ações pelo mundo voltadas para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Um movimento internacionalmente conhecido como Outubro Rosa começou em Nova York e se espalhou ao redor do mundo com ações simbólicas como a distribuição de laços rosa e a iluminação de rosa de prédios, monumentos como o Cristo Redentor, teatros, pontes…



Mas neste outubro o que chamou mesmo a atenção o foi a Black Monday – como foi chamada a greve de mulheres realizada na Polônia contra o projeto de lei que proíbe totalmente o aborto no país. A luta das Polonesas fez o governo recuar em seus planos e inspirou um movimento feminista internacional pela vida das mulheres em diversos países como Argentina, onde tivemos a primeira greve geral nacional contra a violência de gênero.



A luta das mulheres é internacional



Enquanto os governos esperavam mais um “Outubro Rosa”, as mulheres se organizam para exigir mais do que campanhas publicitárias educativas. A primavera feminista invade os países e escancara o feminicídio, a falta de direitos e demonstra que os planos dos governos para a crise econômica atacam diretamente a vida das mulheres.



Na Argentina, o movimento “Ni Una Menos” explica que a greve surgiu como medida de resistência coletiva em resposta ao assassinato de Lucia Pérez, na semana passada. “Parar é ativo, é uma decisão que se mostra, que se educa. Nem grupo vulnerável nem vítimas, nós mulheres somos metade da sociedade e de sua força produtiva. Por isso, em épocas de demissões e feminização da pobreza, de repressão política e criminalização das decisões pessoais, a violência estrutural sobre as mulheres se torna insuportável. As demandas do movimento feminista se convertem em urgentes e se agitam, de forma potente, nas praças e ruas”.



Em resposta a política feminicida dos governos, diversas organizações se solidarizam e chamaram protesto na quarta 19/10. No dia da greve na Argentina, às 16h, a Hastag #NiUnaMenos era mundialmente a mais comentada no Twitter.



Te cuida seu Machista: dia 11/11 dia nacional de greve no Brasil.



Enquanto na Argentina uma mulher é morta a cada 30 horas, no Brasil a cada hora e meia uma mulher é assassinada pelo simples fato de ser mulher. Vivemos em um dos piores países do mundo para ser menina, de uma lista de 144 o Brasil está na 102ª posição. Segundo a OMS somos o quinto país do mundo que mais mata mulheres negras e pobres.





A Direção da CUT divulgou um chamado a um “dia nacional de greve” para 11/11 com os eixos “Não à PEC 241 e ao PL 257”, “Não à Reforma da Previdência”, “Não à MP do Ensino Médio”, “Não à terceirização, à prevalência do negociado sobre o legislado e à flexibilização do contrato de trabalho”. Todas as medidas atacam em cheio as mulheres trabalhadoras.



Tivemos no Brasil dias “de lutas nacionais” chamados pela direção da CUT, CTB, MST, UNE e UBES. Mobilizações mal preparadas, burocráticas, desorganizadas. Exatamente o contrário do que vimos no 19/10 onde as mulheres se organizaram por cima das direções burocráticas.



Não podemos confiar que a direção da CUT irá mobilizar a greve nacional. É preciso fazer como as mulheres ferroviárias independentes da Linha Bordô, as quais decidiram paralisar. “Se a partir da direção [sindical] não se convoca a paralisar e, no lugar disso, querem apenas usar uma faixa negra como simbolismo, nós convocamos à marcha”, afirmaram”. É preciso passar por cima das direções traidoras.



As polonesas, argentinas e as secunda do Paraná que estão ocupando escolas nos mostram o caminho a seguir. Acreditamos que é fundamental organizar fortes manifestações de rua.



É necessário articular e construir uma efetiva greve geral do conjunto da classe trabalhadora ainda esse semestre para barrar os ataques, o plano de ajustes de Temer e garantir o direito das mulheres.



Nós da CST-PSOL declaramos todo o nosso apoio as manifestações feministas ocorridas além da Argentina, no Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Chile, Venezuela, Colômbia, México, Honduras, Guatemala, Paris, etc. e chamamos as brasileiras a unificar e fortalecer as lutas contra os ataques dos governos.

Fonte: CST-PSOL

sexta-feira, 11 de março de 2016

Ato do 8 de março em SP | Defensores de Dilma e Lula agridem mulheres que criticam o governo, mas não calam a primavera feminista

Estudante da USP e ativista do Vamos à Luta no momento em que é agredida por petistas decadentes. Foto: O Globo
Os atos do 8 de março tinham uma importância fundamental no país inteiro de levar pras ruas as pautas das mulheres, principalmente das mulheres trabalhadoras, frente a uma situação de crise econômica, cortes de verbas das áreas sociais, aumento da inflação, demissões, retirada de direitos, medidas aplicadas pelos governos de todos os partidos da ordem, do PT ao PSDB. Somado a isso, a questão da crise do zika vírus e do surto dos casos de microcefalia deixando mais claro a necessidade da legalização do aborto, que o PT, após 13 anos no governo, segue se negando a implementar.
Nesse sentido, o ato do 8 de março aqui em São Paulo, construído de uma forma unitária por diversas organizações, partidos e militantes independentes, tinha como eixos: defesa da autonomia e da liberdade das mulheres, pela legalização do aborto, contra o ajuste fiscal e a reforma da previdência, por democracia pra lutar e pelo fim da violência contra as mulheres. Esse foi acúmulo que se construiu nas reuniões de organização do 8.
O governismo sequestrou a pauta do ato
Após os fatos da delação premiada do Delcídio Amaral e a operação da Polícia Federal na casa de Lula, as mulheres governistas passaram a convocar o 8 de março com um outro eixo, em defesa do Lula e da Dilma. Mais uma vez jogaram no lixo a defesa das mulheres para defender nossos inimigos.
No sábado anterior ao ato, a CUT divulgou uma nota que colocava o 8 de março no calendário dos atos em defesa do Lula. A secretaria de mulheres do PT divulgou uma arte convocatória do ato das mulheres com os dizeres “Somos todas Jararacas”. Ou seja, desde antes já estava claro que o governismo queria transformar o nosso ato numa defesa do governo, de Lula e do PT.
O que ficou claro na concentração do ato no MASP foi que o PT e o PCdoB sequestraram o ato, colocando uma faixa com os dizeres “Somos todas Dilma” na frente do ato, com vários cartazes e faixas espalhados em defesa do Lula e da Dilma, controlando o carro de som, cantando palavras de ordem “não vai ter golpe”, e vaiando a fala de uma companheira do PSOL que falou que o ato não era pra debater o golpe e sim a pauta das mulheres.
A política e as agressões governistas geram a divisão
Quando a companheira Silvia Ferraro, ligada à CSP-Conlutas, fez sua fala denunciando que a presidente Dilma ataca os direitos das mulheres e chamando o Fora Todos, as mulheres do PT e PCdoB tentaram arrancar o microfone pra que ela não terminasse fala, e ela e outras companheiras do PSOL tiveram que descer escoltadas do caminhão de som. Embaixo, as mulheres governistas jogavam copos e garrafas de água e tentavam acertar com bandeiras. A companheira da juventude Vamos à Luta (CST-PSOL) e estudante de Letras da USP, Priscila Guedes, também foi agredida por mulheres e homens dos setores governistas.
As agressões verbais e físicas dos governistas do PT e PCdoB contra diversas mulheres do campo de oposição de esquerda ao governo não nos calaram e nos intimidaram. Lutamos e mostramos que defenderemos de todas as formas possíveis nosso direito democrático de denunciar o governo inimigo das mulheres trabalhadoras.
Aos defensores de Dilma e Lula não restam argumentos para a defesa do indefensável, já que este governo arrebenta com os direitos das mulheres, não pauta a legalização do aborto e agora quer realizar uma nova reforma da previdência para nos atacar ainda mais.
Precisamos tirar as conclusões deste episódio. As correntes governistas estão há muitos meses com um eixo claro, que é a defesa deste governo traidor. Não à toa, os principais atos que constroem são “contra o impeachment” e um suposto “golpe”. Isso tudo se acentuou após o “intocável” Lula ter sido denunciado pelas relações espúrias que mantém com as empreiteiras.
Após as agressões e a política governista no 8 de março não pode restar dúvidas dos verdadeiros interesses por trás dos atos que estão sendo chamados para os dias 18 e 31. Serão mais duas manifestações em defesa de Lula e Dilma e por isso não servem para apontar uma saída para as mulheres e o conjunto da classe trabalhadora. É evidente que para as mulheres lutadoras este não é o caminho, pois a governabilidade de Dilma que os governistas tanto defendem, hoje significa mais facilidades para aplicar o ajuste fiscal e atacar nossos direitos.
Mais de 3 mil mulheres marcham sem o governismo e fortalecem a luta por um campo alternativo da classe trabalhadora
Diversas organizações, partidos políticos, como nós da CST-Psol, PSTU, PCB, entre outros, coletivos feministas e de juventude, como Juntas e Rua, estudantes da USP, secundaristas das ocupações das escolas, independentes saímos em ato próprio pela Paulista até à Praça Oswaldo Cruz para colocar nas ruas as pautas das mulheres e denunciar todos os governos que atacam os nossos direitos. Nosso ato foi muito vitorioso, pois reuniu mais de 3 mil pessoas que mostraram que temos um lado claro que é o das lutas e greves das mulheres trabalhadoras, como a que hoje é protagonizada pelas professoras do Rio de Janeiro, e que não vamos marchar pra defender um governo que ataca os nossos direitos para garantir o lucro dos banqueiros e empresários.
A primavera feminista segue nas ruas e precisamos avançar pra construir uma verdadeira alternativa de oposição aos petistas e tucanos, que aponte uma saída pela esquerda pras milhares de mulheres combativas e lutadoras que não se venderam e seguem mobilizadas pra defender nossas pautas.
Fonte: http://cstpsol.com/home/index.php/2016/03/09/ato-do-8-de-marco-em-sp-defensores-de-dilma-e-lula-agridem-mulheres-que-criticam-o-governo-mas-nao-calam-a-primavera-feminista/