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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Parar Belo Monte, barrar o ajuste e construir o dia 18 de setembro

Abraço na Ilha do Arapujá. Povos tradicionais, militantes e estudantes da UFPA denunciam destruição causada por Belo Monte
Dilma e empreiteiros presos na Lava Jato promovem cenas piores do que as que são mostradas no filme Avatar, na região do rio Xingu, Pará. 

Trata-se da criminosa usina de Belo Monte. Todos os dias chegam imagens que se superam entre si. Como as que ilustram um protesto realizado hoje (fotos) na Ilha do Arapujá, município de Altamira-PA, rio Xingu. Uma forma de denunciar a catástrofe ambiental e humanitária em curso na região.

Não foi por acaso que James Cameron, diretor do filme Avatar e uma das famosas atrizes desta produção, estiveram visitando e alertando para os impactos do empreendimento hidrelétrico na região do Xingu. Isto foi antes do início das famigeradas e assassinas obras. Infelizmente a realidade com suas bombas, máquinas, desmatamento, concretos, produtos tóxicos, químicos, miséria e fome, de longe, superam o que Hollywood produziu. 

Metáfora e vida real conseguem desgraçadamente se encontrar no Pará. 
Só a nossa luta e mobilização de forma unificada, poderá por um fim em toda essa destruição de nossa fauna, flora, rios, populações tradicionais e povos indígenas!

Unificar as lutas
O dia 7 e o 18 de setembro serão dias de denunciar essas e tantas outras barbáries e de lutar para derrotar o vergonhoso ajuste fiscal de Dilma-Levy, governadores e prefeitos!

Diversas entidades e organizações sociais, como a CSP Conlutas, Intersindical, Combate, Unidos pra Lutar, Anel, Vamos à Luta e Juntos já assinam convocatória para atos nos estados e um grande protesto na avenida paulista dia 18 de setembro. Esse é o caminho contra a falsa polarização entre governistas e tucanos!

Todos são corruptos e defendem o ajuste! Fora todos! É preciso uma nova Assembleia Nacional Constituinte que reorganize o país. Que acabe com a sanha e a rapina de madeireiros, latifundiários e empreiteiros sobre a Amazônia! 

Uma nova Assembleia irrestrita e soberana que ponha para fora todos (PT, PCdoB, PMDB, PSDB) e na cadeia os corruptos! 
Que ponha fim aos privilégios de políticos e confisque os bens dos corruptos! Que aumente imediatamente os salários dos trabalhadores e servidores públicos, e que congele todos os preços dos produtos da cesta básica, do combustível, moradia e transportes!

Fotos: Anderson Barbosa/Maria Elena Silva)

sábado, 8 de agosto de 2015

NEM GOVERNISTAS, NEM TUCANOS! FORA TODOS

PT, PMDB e PSDB não nos representam! Por uma Assembléia Nacional Constituinte pra reorganizar o país


Derrotar o ajuste e a corrupção de Dilma, Cunha, Aécio e governadores!

A crise política do governo Dilma/Temer avança aceleradamente, sendo que o executivo não possui capacidade de comandar o país. Embates decisivos acontecem e as instituições políticas estão ameaçadas, pois a linha sucessória da velha republica está mergulhada na corrupção e o Congresso não possui legitimidade. Está em debate nos partidos do sistema distintas saídas: “sangrar o governo até 2018”, “impeachment”, “novas eleições”, “unidade PT/PSDB” e “governo conciliador de Temer”. Além de rumores de um possível renuncia de Dilma. Saídas conservadores cuja preocupação é preservar a política neoliberal e o ajuste fiscal de Dilma, do Congresso e dos governadores. O que combina com a defesa das instituições da velha republica de 1988. Algo prejudicial aos interesses dos trabalhadores e do povo. Nesse contexto vão ocorrer os protestos do dia 16 e 20 de agosto, sobre os quais apresentaremos nossa visão, buscando construir uma saída alternativa de esquerda, conectada com as jornadas de junho de 2013 e da onda grevistas de 2014.

Não vamos ao dia 16 com os tucanos!

Sabemos que muitos trabalhadores estão insatisfeitos com o governo do PT e procuram uma alternativa para se opor aos desmandos de Dilma. Na ausência de uma alternativa visível pela esquerda e diante da falta de iniciativas e erros dos setores combativos, muitos trabalhadores acham que o dia 16 pode ser uma alternativa. No entanto, alertamos que uma manifestação construída pelos grupos de direita do facebook e convocada pelo PSDB não pode gestar algo positivo, principalmente, porque está centrada apenas na saída de Dilma para que assuma o vice Michel Temer ou para que ocorram novas eleições e vença Aécio. Ou seja, mudar algo, para que os que sempre governaram mantenham tudo como está. Por outro lado, sabemos muito bem quem são os tucanos. Basta lembrar dos anos de FHC ou verificar os governos atuais de Beto Richa e Alckmin com suas privatizações ou repressão policial.

Não vamos ao dia 20 com os governistas!

O MTST junto com várias organizações governistas, comandadas pelo PT e PCdoB, estão convocando um protesto para o dia 20 de agosto. Essa manifestação, cujo eixo é “por direitos, liberdade e democracia”, possui um viés de defesa do governo Dilma em contraponto ao dia 16 dos tucanos. Tanto é assim que Rui Falcão, o site do PT e o blog de Zé Dirceu convocam o dia 20 para blindar Dilma e Lula diante da crise geral do país. Não é por outro motivo que a cúpula burocrática da CUT, CTB, UNE e MST estão convocando o dia 20, enquanto abandonaram os “dias de luta” de maio sem construir uma greve geral e nada fizeram para apoiar a greve das universidades. Boicotam as lutas para apoiar projetos patronais como o PPE. Ou seja, uma manifestação que pretende defender um governo odiado pela maioria dos trabalhadores, da juventude, das classes médias e do povo pobre brasileiro.

O Governo Dilma é de direita! É impossível disputar seus rumos!

A direção do MTST tenta reeditar a velha linha de disputa dos rumos do governo Dilma, “criticando suas políticas antipopulares”. Pelo importante peso adquirido por este movimento, a partir da justa luta por moradia digna na qual somos parceiros, temos que debater as estratégias que o MTST apresenta. A “disputa dos rumos do governo” é uma orientação conciliadora que foi utilizada pelo PT e PCdoB durante o primeiro mandato de Lula para tentar confundir o movimento de massas. Uma política que não deu certo, pois após 12 anos estamos diante de governos cada vez mais conservadores. Ao mesmo tempo contêm o erro de tratar o PT e o próprio governo Dilma como parte do campo da “esquerda” e não como um inimigo. Um inimigo que integra e defende o sistema capitalista. Por isso, a convocatória do dia 20 declara guerra apenas a Cunha sem citar “Dilma”, se limitando a dar conselhos ao Planalto. Um erro em desconexão com o sentimento das ruas. E para quem tem dúvidas sobre o governo Dilma, basta ver que as principais frações da burguesia estão nele: financeiro, industrial e agronegócio.

Após o descrédito dos governistas, em função do estelionato eleitoral, do ajuste fiscal e por seu envolvimento na corrupção, apenas setores da esquerda podem lançar mão desse velho discurso. Por isso, Lula propôs uma suposta “frente de esquerda contra a direita”, para que novos atores sociais, com influência em setores de massas, incorporassem essa linha funcional ao PT. Infelizmente Guilherme Boulos e a direção do MTST estão errados em sua estratégia, e por conta dela escolheram um lado diante da polarização política atual: em agosto estão ao lado de Lula e dos Lulistas.

Construir um terceiro campo!

A tarefa mais importante, em meio à crise geral do velho regime burguês, é construir um terceiro campo. Não podemos cair na polarização entre petistas e tucanos. A foto de Dilma com governadores, os discursos de Mercadante elogiando o PSDB comprovam que eles possuem acordos fundamentais. No entanto, setores da ala esquerda do PSOL cederam às pressões dos governistas e convocam o dia 20. Um equívoco, sobretudo, para MES e Insurgência, que lideram o campo “Manifesto ao PSOL”, aglutinando a esquerda socialista e democrática do PSOL. No caso do MÊS e da companheira Luciana Genro trata-se de uma contradição, pois falam de construir um terceiro campo, “um novo junho”, “colocar abaixo este regime político e suas instituições”, mas constroem a marcha dos governistas. Algo sem sentido. Esperamos que esses companheiros, com os quais temos inúmeras lutas e bandeiras em comum, reflitam e mudem para que possamos construir efetivamente um terceiro campo. Uma alternativa que necessita do peso político e social dessas duas organizações e de toda a esquerda Psolista. Precisamos construir/fortalecer lideranças e organismos políticos/sociais independentes, vocalizando os interesses dos setores explorados que estão nas ruas, nos piquetes, nas ocupações, com uma estratégia classista e uma orientação de oposição de esquerda ao governo Dilma. Construindo uma alternativa pela esquerda a falsa oposição tucana e outras variantes do próprio sistema. Isso é mais importante diante da crise terminal do governo Dilma. Uma tarefa que poderia ser encabeçado pelas organizações que integram o “Manifesto ao PSOL”.

Ao mesmo tempo concordamos com os encaminhamentos da última reunião do Espaço de Unidade e Ação, conformada pela CSP-CONLUTAS e outras organizações. No manifesto dessa plenária afirma-se que a falência do governo do PT é progressiva e que devemos lutar para que não seja capitalizado pelo PSDB, nem pelo PMDB. Além disso, coloca a necessidade de construir uma alternativa conectada com os interesses da classe trabalhadora. Por isso, chama a INTERSINDICAL, MTST, PSOL, PCB, PSTU, dentre outras organizações, a construir um polo alternativo.

Propomos as organizações que compõe o Espaço de Unidade e Ação, as correntes e parlamentares que compõe o campo “Manifesto ao PSOL” e a outras organizações políticas e sociais que defendam a necessidade de um “terceiro campo”, começar a concretizar essa tarefa no interior da greve das Universidades e dos Servidores Federais, batalhando por seu fortalecimento, tratando de unificar e massificar a greve.

FORA TODOS! Por uma assembleia constituinte livre e soberana!

É preciso explicar aos trabalhadores e setores populares que não se trata de tirar Dilma para que assuma Temer ou para que Aécio e o PSDB volte a governar. Todos eles estão juntos aplicando o mesmo plano de ajuste fiscal contra os trabalhadores e todo estão envolvidos nos esquemas corruptos da operação Lava Jato. Por isso, a esquerda não pode estar colada aos governistas, deve se afastar de Dilma e Lula. Deve estar nas ruas, junto aos grevistas, lutando para colocar todos eles para fora, apresentando um plano econômico alternativo combatendo o ajuste fiscal, a corrupção e lutando pelas pautas vigentes desde as jornadas de junho. Lutar pelo Fora Todos e propor uma Assembleia Nacional Constituinte Livre e Soberana para reorganizar o país sobre novas bases. E concordamos com Vladimir Safatle pois em tal Assembléia “poderiam se apresentar candidatos independentes, fora de partidos políticos, com controle estrito do poder econômico”. Na mobilização para essa Constituinte poderíamos debater a ordem política, econômica e social da republica e poderíamos reverter todas as medidas contrarias aos interesses dos trabalhadores e do povo.

07/08/2015
Corrente Socialista dos Trabalhadores - PSOL

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Greve - Servidores do Evandro Chagas fortalecem luta nacional


por Gerson Lima

Cerca de 100 servidores do Instituto Evandro Chagas paralisam suas atividades nesta quarta-feira, 05.  primeiro dia de greve.

Localizado em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém (RMB), o Instituto Evandro Chagas (IEC), órgão de pesquisa e diagnóstico vinculado ao Ministério da Saúde e reconhecido internacionalmente por seu trabalho na área de endemias e doenças tropicais, amanheceu hoje com todas as atividades paralisadas, cumprindo decisão da última assembleia.

A radicalização é uma resposta à intransigência do governo federal, que oferece reajuste de apenas 21,3% parcelado em 4 anos, abaixo dos 27,3% exigido nacionalmente pelos servidores públicos federais.

Em nova assembleia realizada no final da manhã, os servidores aprovaram a manutenção da greve.

Além do reajuste, os servidores denunciam o forte assédio moral que impera no IEC, a redução do valor das insalumbridades e as péssimas condições de trabalho.

A greve é por tempo indeterminado e fortalece a luta do conjunto dos servidores públicos federais. Iniciativa fundamental para se reverter os cortes de verbas das áreas sociais e para se impor uma derrota ao plano criminoso de ajuste neoliberal de Dilma-Levy.
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Gerson Lima é membro da direção do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Pará (SINTSEP-PA) e membro da coordenação da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST/PSOL)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Unificar e massificar a greve

O EIXO TEM QUE SER UNIFICAR E MASSIFICAR A GREVE DOS SERVIDORES E NÃO DIVIDIR A CATEGORIA COM DEBATE DO ÍNDICE!

Estamos em um momento importante da greve do funcionalismo público federal, que vem se potencializando com a manutenção da greve de categorias importantes como as das universidades, do judiciário e INSS e de novas adesões como FIOCRUZ e CONDSEF, que iniciou a greve dia 27/07.

Essa insatisfação dos servidores é fruto da crise política e econômica que se acirra a cada dia devido à escolha do governo do PT/PMDB - de Dilma/Temer - de aplicar um duro ajuste fiscal contra os trabalhadores. Uma política compartilhada também pelos governadores tucanos e os partidos da ordem como PCdoB, PSDB, DEM, PTB, etc. Essa ampla insatisfação da base é o combustível que mostra que a greve tem potencial. Além disso, a ampla maioria do povo já não suporta mais o arrocho salarial enquanto vê todos os principais políticos do país envolvidos em escândalos de corrupção.

A greve, portanto, tem um grande potencial para se generalizar em direção a uma greve unificada ao estilo de 2012. O que poderia ser um pólo real para construção de um campo operário e popular contra a falsa polarização PT X PSDB.

Neste sentido, vemos como incorreto que o eixo da greve seja debater um novo índice diante de um impasse nas negociações. Essa proposta foi rejeitada no CNG da FASUBRA e pela maior parte das forças de esquerda que conformaram a chapa que foi vitoriosa no último congresso da Federação. Ou seja, longe de ser um eixo que ajuda “unificar”, ele nos divide. Não podemos polarizar as assembléias de base com esse eixo às vésperas de uma nova marcha unificada como tem ocorrido atualmente. Por isso, nós defendemos manter o índice de 27,3%. A política dos companheiros do Base/PSTU de insistir no índice de 19% não está acompanhada de uma política para fortalecer a greve onde ela está mais forte, que é nos técnico-administrativos. E o verdadeiro debate dentro do Fórum dos SPF’s é sobre a caracterização e as perspectivas da greve, pois a maior parte das direções, inclusive da esquerda, avaliam que não é possível ampliar mais e é hora de preparar um recuo. Os companheiros do BASE/PSTU revelam esse debate claramente quando dizem que sem uma contraproposta seremos “mais uma vez derrotados economicamente”. Discordamos. O que pode garantir a unidade dos servidores é o aprofundamento da unidade da greve por meio de efetivos comandos unificados de greve em todo país e em Brasília, preparando melhor as ações unificadas da greve, diferente do que vem ocorrendo até agora.

Avaliamos que a greve tem potencial, o grande problema é a política das direções. Os governistas da Condsef fazem mil e uma manobras para impedir a greve. Por isso, cabe à esquerda, sobretudo os companheiros da Conlutas e Intersindical que dirigem a Fasubra, Andes e Sinasefe, unificar e ter políticas para ajudar a massificar a greve. A conjuntura nos favorece e muito para ampliar, unificar e massificar a greve. Não podemos ter como centro conseguir arrancar migalhas e nem ter pautas corporativas, o que está em jogo é a aplicação do famigerado ajuste econômico.

Neste sentido devemos apostar que a greve se nacionalize e ganhe apoio popular. Para isso devemos ter calendários unificados, que aponte atos nas estados. Cabe aos companheiros da Conlutas, Intersindical, MTST, ANEL, Esquerda da UNE e os partidos de esquerda, como PSOL, PSTU e PCB fortalecer essa greve.


Fonte: CST/PSOL

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Dilma anuncia programa que corta dos trabalhadores para garantir o lucro dos patrões


Nesta segunda-feira, dia 6 de julho, como parte do ajuste fiscal que aplica contra os trabalhadores, a presidente Dilma anunciou o Programa de Proteção ao Emprego com o argumento de que esta medida viria para proteger o emprego dos trabalhadores neste momento de crise pela qual passa o país.

Os patrões, para manter sua taxa de lucro, podem reduzir em até 30% o salário de seus funcionários, reduzindo também a jornada de trabalho. Destes 30% que serão descontados dos salários, 15% serão pagos pelo governo através dos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

O programa de Dilma nada mais é do que descarregar a crise econômica nas costas da classe trabalhadora, reduzindo os salários para manter os altos lucros dos patrões. Nos últimos anos, programas do governo federal serviram para aumentar de forma absurda o lucro patronal. Somente com a redução do IPI, a indústria automobilística deixou de pagar R$16 bilhões em impostos, enquanto enviaram para suas matrizes uma quantia de R$51,2 bilhões.

Força Sindical, CUT e patronal em defesa do programa de Dilma

As centrais sindicais que tem defendido diversas medidas do ajuste fiscal contra os trabalhadores parabenizaram o governo pelo programa que diminui salários, dando a entender de que está é a única maneira de defender os empregos dos trabalhadores.

O primeiro secretário da Força Sindical, Sérgio Luiz Leite, declarou: “o dia a dia dos sindicatos têm sido lutar para conseguir lay-off ou férias coletivas. (...) Então, esse programa vem em boa hora.” A CUT foi ainda mais longe. Na capa do Jornal Tribuna Metalúrgica, órgão de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, coloca estampado “Vitória dos Trabalhadores!”. Ontem em Brasília, o presidente do Sindicato, vinculado à CUT, declarou: “Lutamos pelo PPE com dedicação, suor e muito trabalho de convencimento.”. 

Assim como as centrais sindicais, a patronal através da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) declarou apoio ao Programa. Seu presidente disse que o Programa “vai trazer segurança jurídica para as montadoras” e que “o programa é vantajoso para as empresas, os trabalhadores e o governo”.

Ao invés de defenderem a redução do absurdo lucro dos patrões, os dirigentes da CUT e da Força Sindical estão ao lado da Associação Patronal defendendo a redução dos salários operários e a manutenção da alta taxa de lucro do empresariado.

Essa aliança espúria da burocracia sindical com os patrões acaba de ser revelada também na operação Lava-Jato, onde o dono da empreiteira UTC revelou que sua empresa doava volumosas quantias de dinheiro para candidatos a deputado vinculados à CUT e a Força Sindical para que estes “evitassem” as greves nas obras de sua empresa! Um verdadeiro escândalo que mostra como os burocratas sindicais no Brasil estão estritamente vinculados aos interesses patronais.

Seguir o exemplo dos operários da Mercedes: rejeitar o PPE em cada assembleia

Na própria base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no dia 2 de julho, em votações realizadas em todos os turnos da Mercedes de São Bernardo, os operários disseram não por ampla maioria ao acordo negociado e defendido pelo sindicato e pela patronal. O acordo rejeitado pelos operários previa uma redução de 20% da jornada e 10% no salário dos trabalhadores.

Esse exemplo vindo do ABC paulista, coração da classe operária industrial brasileira, deve ser seguido. Desta região operária tem vindo importantes exemplos de luta como a vitoriosa greve dos operários da Volks no início deste ano que reverteu 800 demissões. Ou então, o aguerrido acampamento dos operários demitidos na Mercedes. As fortes paralisações nos dias 15 de abril e 29 de maio, dias nacionais de lutas que marcaram a situação nacional. É este avanço da luta dos operários do ABC, que já contagia outras regiões do Brasil, que a burocracia sindical, em acordo com os patrões e o governo do PT/PMDB, quer barrar com esse PPE. Não devemos aceitar pagar pela crise econômica criada pelos patrões, que agora querem baixar nossos salários junto com o governo petista e a burocracia sindical. 

Programa para defender os empregos e salários

É preciso sim defender os empregos. Não podemos aceitar nenhuma demissão. As empresas que lucraram centenas de bilhões nos últimos anos agora querem descarregar a conta da crise nas costas dos trabalhadores. Por isso defendemos:

- Nenhuma demissão!
- Redução da jornada de trabalho sem redução do salário!
- Reajuste salarial automático toda vez que a inflação chegar aos 3%!
- Que as empresas que demitem e/ou fecham e as empreiteiras que desviaram dinheiro publico para corrupção sejam expropriadas pelo governo e colocadas a funcionar sob controle dos trabalhadores!
- Que os patrões paguem pela crise capitalista!
- Construir uma greve geral para derrotar o ajuste fiscal de Dilma/Levy!

Fonte: http://cstpsol.com 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Greve nas Universidades: quebra de braço contra os cortes do governo Dilma!

Assembleia dos professores da UFRJ: derrota dos governistas. Agora é greve!
(foto: Ascon/Adufrj)

por Pedro Rosa*

Os intensos ataques do governo Dilma (PT/PMDB) à educação pública vem causando desde o início do ano efeitos alarmantes nas universidades: inúmeras instituições atrasaram o início das aulas, fecharam setores por falta de material, alastram-se greves dos terceirizados por falta de salário e, como a crise se amplia, hoje já se identifica falta de papel higiênico, seringas e gases em hospitais, além do não pagamento regular de centenas de bolsas de estudos, pesquisas e a paralisação de obras que há anos se arrastam sem conclusão.

Essa situação se deve ao brutal plano de austeridade em curso no país, que já cortou somente da educação mais de 9 bilhões, o que levou à redução de 30% nas verbas destinadas à manutenção das IFES – Instituições Federais de Ensino Superior.

Com todos esses problemas, no dia 28 de maio, a Fasubra e o Andes (professores e funcionários das IFES) iniciaram uma greve nacional. Já são 65 entidades dos servidores em greve e os professores já entraram em greve em 25 instituições.

Governo e reitores se empenham para tentar abortar a greve

Como a greve das universidades federais tem todas as condições de nacionalizar o enfrentamento aos ataques à educação perpetrados pelo governo Dilma, o governo petista tem se empenhado, através dos reitores, para tentar impedir o avanço da greve. As assembleias dos docentes são lotadas e muito divididas. O que tem de novo é uma presença massiva de pró-reitores, alta cúpula de gestores ligados a cursos pagos, projetos privatistas como a EBSERH votando contra a greve, e quando perdem a votação incentivam a não acatar, são fura greve. Mesmos assim, temos inúmeros exemplos da disposição dos docentes. Na UFBA os docentes derrotaram a direção do PROIFES, que dirige a Associação de Docentes local que defendeu contra a greve, e votaram massivamente pela greve.

A mobilização segue forte!

Em várias universidades estudantes também deflagraram greve, mesmo onde os professores não estão paralisados, como UFRJ e UNIRIO. Em universidades como a UFF, as três categorias estão em greve e têm realizado fortes ações desde o início do movimento. Dia 27/05 (véspera da deflagração) ocorreu passeata até a reitoria da federal fluminense que ficou ocupada por vários dias. Dia 28, aconteceram piquetes em dois campis e nova passeata, desta vez dos estudantes de medicina junto com os funcionários do Hospital Antônio Pedro. No Pará, a greve também é unificada, e com essa força tem ocorrido piquetes importantes para impedir os fura-greve na UFPA e na UFRA. Na UFRJ, os locais de trabalho têm realizado reuniões setoriais para debater a greve e eleger representantes para o Comando Local de Greve. Na PR4 (Pró-reitoria de pessoal), por exemplo, a reunião contou com 120 trabalhadores. 

Além disso, as ações unitárias dos técnicos e dos estudantes fizeram com que o conselho de ensino propusesse suspender o calendário acadêmico, e apesar do Conselho Superior não ter ratificado tal decisão, votou uma resolução meio termo que não penaliza os cursos que aderirem a greve. O que demonstra o grau de polarização que existe. Na UFMG, apesar da direção do sindicato ser governista, as assembleias têm sido lotadas e há muita disposição da base em fazer a greve. Inclusive no HU, a greve está em 50%, a base passou por cima da orientação da direção do sindicato que orientava parar apenas 10%.

Unificar todos os servidores Públicos

Estamos diante de uma queda de braço com o governo Dilma sobre os rumos da educação. Dilma e o PT já mostraram que optam pela privatização, seja das rodovias, aeroportos, mas também dos hospitais universitários. Cortam verbas para obrigar a ampliar as cobranças de taxas, serviços, cursos nas federais, como já ocorre especialmente na pós-graduação. As direções governistas sabem disso e pressionam para que a greve apenas reivindique pautas democráticas; não entram em greve nas federações que dirigem como Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) e Fenajuf (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público Federal) Tudo para não questionar o ajuste fiscal.

Os servidores federais que ainda não entraram em greve devem fazê-lo imediatamente. O governo Dilma está no ápice de seu empenho em desmontar o serviço público. A nível nacional, o Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, profissional e Tecnológica), em plenária nacional, definiu greve para iniciar dia 13 de julho. Encontro da Fenasps (Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social) indicou greve para iniciar dia 7 de julho.

Por isso cabem as bases exigirem, sobretudo da direção da Condsef que deixe de blindar o governo e que oriente a entrada em greve para unificar com as universidades. Temos que organizar uma greve unificada de todo o serviço público federal, a exemplo de 2012.

No interior das universidades cabem aos companheiros da CSP/Conlutas e Intersindical, que dirigem a Fasubra, uma maior responsabilidade em conduzir a greve de forma unificada. Entretanto cometem erros, a exemplo do manifesto sobre os hospitais universitários que não denuncia o governo Dilma.

Na greve das universidades unificar docentes, técnicos e estudantes

O comando de greve das universidades tem que cumprir o papel da unificação entre Andes, Fasubra e os estudantes. Também deve encabeçar a iniciativa de buscar a Fenasps e Sinasefe para construir a unidade e os demais servidores federais para que se realize atividades nos estados e em Brasília para obrigar o governo a negociar.

Derrotar o ajuste fiscal e recuperar o orçamento cortado da educação e da saúde é necessário para que o funcionalismo não seja empurrado às condições ultra precárias, como já ocorre com os terceirizados. 

Devemos também exigir que a CUT e CTB rompam com o governo e que venham apoiar a greve da educação. E cabe aos setores da esquerda como a Conlutas, Intersindical, ANEL e esquerda da UNE cercar de solidariedade a greve das universidades e buscar todos os esforços para unificar um calendário de lutas e mobilizações junto com a greve.

Reitor da UFF criminaliza o Sintuff

Desde o primeiro dia de greve, o reitor Sidney Mello entrou com um interdito proibitório contra o SINTUFF proibindo o sindicato e seus dirigentes de organizarem manifestações e piquetes de convencimento nas dependências da universidade, sob pena de prisão, multa e processo administrativo punitivo, ameaça estendida aos estudantes e professores. Essa atitude faz parte da política do governo Dilma e dos reitores de criminalizarem os que lutam. Não podemos permitir que nas universidades continuem com este tipo de ações antidemocráticas que ferem o direito constitucional de greve e de livre manifestação. Por isso exigimos que o reitor Sidney retire imediatamente o processo contra o SINTUFF, e que pare de ameaçar os estudantes, professores e técnicos que estão greve.

Chega de criminalização!
Pelo livre direito de greve e de manifestação!

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*Texto: Pedro Rosa é Dirigente do Sintuff e da Fasubra
Fonte: CST/PSOL

terça-feira, 7 de abril de 2015

Educação SIM, cadeia NÃO! Vamos à Luta contra a redução da maioridade penal!


por Eziel Duarte e Mariana Nolte

No dia 31 de março, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara parecer favorável à admissibilidade da PEC 171/93 que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Ainda que a decisão ainda não seja definitiva e precisa passar pelos deputados federais e senadores através da Câmara e do Senado, a votação na CCJ já é o primeiro passo de um brutal ataque à juventude brasileira. Esse fato se torna ainda mais absurdo quando vemos que 60% dos deputados que votaram a favor da PEC estão sendo investigados por crimes e que tudo indica que os presidentes da Câmara e do Senado, os corruptos Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ambos do PMDB, estão envolvidos no esquema de corrupção que está saqueando e privatizando a Petrobras. Os bandidos de colarinho branco que desviam dinheiro das escolas, hospitais e sonegam impostos estão a solta e agora querem penalizar a juventude por um problema pelo qual eles mesmos são responsáveis!

A juventude pobre e negra penalizada

“Se o jovem sabe que vai ser punido, não irá cometer um crime” é parte do discurso pró-PEC 171/93. No entanto, segundo a Secretária Nacional de Segurança Pública, apenas 0,9% dos crimes são cometidos por adolescente de 16 a 18 anos e, considerando apenas homicídios e tentativas de homicídio, o percentual cai para 0,5%. Ou seja, um discurso que não expressa os dados da violência no Brasil e que tenta mascarar a realidade da juventude, principalmente os jovens pobres e negros.

Na prática, adolescentes já são encarcerados pelo sistema “socioeducativo” que são, na verdade, verdadeiras prisões. Quase 60% dos “menores infratores” não estudavam na época que cometeram o primeiro crime, 75% já usavam drogas e, no Rio de Janeiro, por exemplo, 95% dos internos não completaram o ensino fundamental. Jovens entre 18 e 24 anos são 30% dos presos no país e o problema da violência não foi resolvido. Além disso, 61% dos encarcerados no Brasil são negros, sendo que 66% da população que “vive” nos presídios sequer concluíram o ensino fundamental.

Punir ou educar?

Quando analisamos o crime cometido por um menor, a tendência é de observarmos apenas a foto do ato infracional e não o filme completo que irá revelar a causa e o efeito que levou esse jovem a cometer crimes. No entanto, esses dados colocam a nu o coração do problema. Se à juventude são negados direitos sociais fundamentais como educação e saúde públicas, gratuitas e de qualidade, moradia e saneamento básico, o Estado a empurra para o colo do crime organizado e do narcotráfico, pois não lhe dá outra opção. A condição de miséria social produzida pelos governos é que gera a violência.

Hoje a política para juventude pobre e negra é a bala no peito nas favelas, é o “baculejo” e uma voltinha de camburão talvez para nunca mais. Essa realidade ficou evidente na última semana com a morte de Eduardo, menino de 10 anos, e de mais três jovens menores de idade, no Complexo do Alemão (RJ), durante operação da Polícia Militar. Fatos como esse, que fazem parte do cotidiano dos trabalhadores, trabalhadoras e jovens nas favelas, fazem com que o Brasil seja o país que mata 82 jovens por dia sendo que 77% são negros.

Os responsáveis tem nome, sobrenome e partido político 

O governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB) que tem em sua base aliada o corrupto PP de Jair Bolsonaro (PP), que diz que “bandido bom é bandido morto”, é também responsável, junto com os governadores e prefeitos, pelas mortes desses jovens e pela falência do sistema educacional. Dilma e o PT não só governam com aqueles que bradam a volta do regime militar, mas apoiam e compõem governos como o de Pezão (PMDB) no RJ, que aplicaram uma política de (in)segurança pública que mata meninos como Eduardo todos os dias nas favelas. Foi Dilma quem autorizou no ano passado, no mesmo dia em que se completavam 50 anos do Golpe Militar, a invasão do Exército ao Complexo da Maré que até hoje permanece lá reprimindo, sequestrando, torturando e matando moradores. Também não podemos esquecer que, para a realização da Copa da FIFA, milhares de famílias foram removidas dos terrenos onde estavam suas casas para dar lugar a estádios e estacionamentos. Perguntamos à presidenta: onde estão hoje essas crianças e jovens que perderam sua moradia?  Além disso, o ajuste fiscal de Dilma e Levy que já retirou direitos trabalhistas através das MPs 664 e 665 e já cortou R$7 bilhões da educação -  em um total que pode chegar a R$111 bilhões de todas as áreas sociais - tem seu principal alvo a juventude pobre e negra, agravando dados como o que afirma que apenas 1% dos jovens moradores das periferias entram na universidade (pesquisa da UFPA).

Ocupar as ruas contra a redução da maioridade penal e contra o ajuste fiscal

Como diz o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), a juventude precisa estar no banco das escolas e não no banco dos réus. Por isso, é necessária uma ampla mobilização, nas ruas e nas redes, dos estudantes, trabalhadores e suas entidades, movimentos e associações de bairros, mandatos parlamentares etc. para barrar de vez essa PEC que ataca que ataca os direitos da juventude. 

Também é necessário derrotar o ajuste fiscal e os cortes de verbas nas áreas sociais de Dilma e Levy que já está aprofundando a crise social que afeta principalmente a juventude que o Congresso Nacional quer colocar nas cadeias. É necessário suspender o pagamento da dívida pública que corrói 47% do nosso Orçamento para encher o bolso dos banqueiros e investir todo esse dinheiro em educação, saúde e moradia para dar vida digna à juventude e pôr fim à violência. Precisamos dar um basta à violência policial, às UPPs e à militarização das favelas que está assassinando os nossos jovens e apoiar todas as lutas dos moradores das periferias que estão se revoltando contra essa realidade!
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Eziel Duarte é militante do Vamos à Luta UFPA e Mariana Nolte é da CST-PSOL RJ


Fonte do texto: http://vamosalutanacional.blogspot.com.br/
Fonte da charge: http://soumaisenem.com.br/noticias/reducao-da-maioridade-penal-possivel-tema-de-redacao-no-enem

segunda-feira, 2 de março de 2015

Educação: ministro de Dilma é recebido com protestos na UFPA

O Ministro da Educação, Cid Gomes (PROS), esteve em Belém na última sexta, 27/02, para uma visita agendada à UFPA. Foi recebido por um protesto organizado pelo movimento estudantil (ME). 
Estudantes protestam na UFPA contra cortes de verbas da Educação de Dilma e Cid Gomes
por Fábio Moroni e Gabriel Antunes

Com cartazes e palavras-de-ordem denunciando o absurdo corte de 7 bilhões aplicado pelo Governo Dilma no orçamento para a educação foram a principal consigna do protesto. A princípio, o ministro hesitou em falar com os estudantes, porém o descontentamento e pressão deles o pressionou a querer “dialogar” com os manifestantes. 

Reafirmando e defendendo a política educacional do Governo Dilma, Cid Gomes reivindicou as transferências de recursos públicos para as universidades privadas através de programas como o PROUNI e FIES, que garantem isenções fiscais aos empresários, maquiam a crise existente no ensino privado e que enriquecem os “tubarões do ensino”, endividando cada vez mais as famílias em todo o Brasil. 

ENROLAÇÃO

Mesmo com toda as suas tentativas de esquivar-se das interrogações do movimento, o ministro não conseguiu esconder o aumento do contingenciamento de recursos públicos nas áreas sociais como saúde e educação, tudo para ampliar o superávit primário e o pagamento da dívida pública aos banqueiros e ao sistema financeiro mundial. O ministro enrolou e tremeu nas bases diante de estudantes e técnicos da UFPA. Ele assumiu que a equipe econômica de Dilma está comprometida com o ajuste fiscal. 

Chegou ao absurdo de afirmar que "as universidades não devem se preocupar com creches" e que ela não são uma prioridade. O que vai na contramão da históricas reivindicações por assistência estudantil. Entendemos que as trabalhadoras e mães universitárias necessitam muito dessa importante assistência para evitar o abandono da universidade e do trabalho.

Cinismo e desrespeito: as faces de Gomes

O coletivo Vamos à Luta e a militância da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST-PSOL) estiveram presentes, denunciando de forma intransigente os ataques do Governo Dilma (PT-PMDB-PCdoB) e seus ministros conservadores. Ainda no encontro, o ministro da educação chegou a reeditar a sua famosa pérola de que “professores devem trabalhar por amor”, afirmando dessa vez que os professores devem “trabalhar por amor e não para enriquecer”.

Uma completa cara de pau, quando quem enriquece são os empresários da educação com os sucessivos anos de incentivo fiscal e repasses de recursos públicos à iniciativa privada, ampliados pelo governo petista! 

Em determinada altura, quando o ministro relatou que "pediriam a minha cabeça, acaso não aplicasse o ajuste", o ME disparou: "Então quem vai querer a tua cabeça somos nós!". 

Cid Gomes é a mesma figura que questionou a Lei do Piso Salarial Nacional dos professores com ações na justiça, quando governador do Ceará (2011-2014), demonstrando seu completo descompromisso com os trabalhadores e a educação pública. Com tamanha enrolação, os estudantes deram as costas à ladainha e se retiraram do encontro cantando: "É ou não é piada de salão? Tem dinheiro pra banqueiro, mas não tem pra educação!".

Organizar as lutas e unificar as mobilizações dos estudantes

Em 2015, está mais do que claro que o maior inimigo da educação brasileira é esse governo, depois do imenso estelionato eleitoral, o que se atesta são violentos pacotes de ajustes e tarifaços, aplicados de norte a sul, por meio de aumentos nos combustíveis, na energia elétrica e a redução dos recursos repassados para os serviços públicos.

A juventude e o conjunto dos estudantes devem organizar suas pautas e enfrentar essas políticas com toda força! Só a luta intransigente da base do ME, Centros Acadêmicos (CA's) e Diretórios Centrais dos Estudantes's (DCE's) contra a política de ajustes do Governo Dilma, irá trazer conquistas e melhorias em nossos Restaurantes Universitários, na assistência estudantil, na estrutura das universidades, nas bolsas, assim como mais investimentos para a educação pública.

É preciso que o movimento estudantil siga unitariamente o exemplo de luta dos radicalizados trabalhadores. Eis os importantes exemplos de mobilização dos caminhoneiros, que paralisaram as vias do Brasil; dos metalúrgicos da Volks em São Paulo, que derrotaram as burocracias sindicais e arrancaram vitórias contra a patronal, ou dos professores do Paraná, que massivamente enfrentam nas ruas os ajustes do governador Beto Richa (PSDB). 

Não há outra saída que não seja a luta!


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*Fábio Moroni e Gabriel Antunes, são estudantes de Geografia e Teatro, respectivamente, da UFPA, e membros do coletivo Vamos à Luta e da CST-PSOL. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

VENEZUELA: Rechaçamos as manobras antidemocráticas do governo Maduro para impor o ajuste contra o povo



Nota da Partido Socialismo e Liberdade (PSL)



O governo de Maduro anunciou pela enésima vez a existência de conspirações golpistas e, valendo-se destas denúncias, prendeu o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. Ainda que sejamos opositores de Ledezma pelos interesses de classe que representa como agente dos grandes empresários e das transnacionais, repudiamos um procedimento arbitrário que é parte de uma orientação governamental de empregar os tribunais e o Ministério Público como ferramentas de perseguição política. No atual momento, esta orientação está a serviço de impor à população, com a menor resistência possível, o brutal ajuste capitalista em curso. A prisão de Ledezma é utilizada para minimizar os anúncios sobre um aumento iminente do preço da gasolina, medida que há 26 anos provocou o Caracazo (foi uma explosão social espontânea, de grandes proporções, ocorrida em Caracas, capital da Venezuela), e que, sem dúvida, terá um efeito devastador sobre os salários ao aumentar os custos dos alimentos e demais produtos da cesta básica.

Frente a um esmagador rechaço popular à gestão governamental de Maduro, o governo está desesperado. A inflação, o desabastecimento, as demissões, o crescimento da pobreza, corroem cada dia mais a base social do governo. A direção do PSUV (Partido Socialista Unitário de Venezuela, chavista) sabe que por meio de uma explosão social ou uma desastrosa derrota nas eleições da Assembleia Nacional, seu governo pode ir abaixo em poucas semanas. E ainda tem que administrar os efeitos de uma desvalorização de 70%, assim como um iminente aumento do preço da gasolina. Este é o contexto em que se dão suas tentativas de se fazer de vítima denunciando um golpe sobre o qual é incapaz de mostrar evidências sólidas.

Não é uma situação nova. Desde 2006, o governo vem sistematicamente denunciando golpes de todo tipo, e utilizando essa linha discursiva para criminalizar principalmente os trabalhadores que fazem greves, os indígenas que recuperam terras e os camponeses que ocupam latifúndios. Chamando de "anarcosindicalistas" e "golpistas" os trabalhadores da Sidor, por exemplo. Mais recentemente também tem utilizado esse recurso de perseguição política por vias judiciais contra os dirigentes de organizações que formam a coalização de centro-direita Mesa de Unidade Democrática (MUD).

Desde que foram derrotados pela mobilização popular no golpe de abril de 2002 e na paralisação patronal, assim como a sabotagem à indústria petroleira em 2003, não ocorreram tentativas de golpe e o governo avançou em pactos de convivência e negociado com a Fedecámaras (Federação de Câmaras e Associações de Comercio e Produção de Venezuela, entidade patronal), a cúpula da Igreja Católica e os partidos da MUD. Os pactos se aprofundaram a tal ponto que o presidente Chávez concedeu, em dezembro de 2007, anistia aos golpistas de 2002.

Hoje em dia, o governo se vitimiza, aplicando um roteiro muito parecido ao de Cristina Kirchner na Argentina frente ao escandaloso caso do assassinato do promotor Nisman, ou de Dilma Roussef frente ao descobrimento da rede de corrupção da Petrobrás. Mas Maduro convence a poucos da veracidade dos supostos "golpes econômicos", "golpes de quarta e quinta geração", e atentados golpistas.

A população percebe cada vez com mais clareza que estes anúncios espetaculares são utilizados para desviar a atenção de medidas de ajuste que empobrecem a maioria dos venezuelanos, como a desvalorização monetária através do mecanismo Simadi ou o aumento em 40% do transporte público, o aumento dos preços dos alimentos, como o frango e a carne recentemente, e os ajustes salariais abaixo da inflação. Medidas que estão sendo aplicadas com aprovação da Fedecámaras e da cúpula da MUD. Também é parte do ajuste o pacto com a Fedecámaras para acelerar as demissões através das Inspetorias de Trabalho. Em função desses acordos estão sendo efetuadas centenas de demissões no estado de Carabobo, em empresas como Chrysler, Ajeven, Ford, Petrocasa, Wix e Vicson, assim como na fábrica da Toyota em Cumaná, e dezenas de empresas mais; ao mesmo tempo o governo entrega milhões de doláres para importações a esses mesmos empresários com juros especiais. Esta é a realidade que o governo quer ocultar.

Certamente, Ledezma é um político com ampla atuação repressiva, merecedor do maior repúdio. Durante longos anos como alto funcionário e dirigente da Ação Democrática, esteve diretamente ligado à repressão ocorrida contra aposentados e pensionistas, no massacre do Caracazo, no massacre de Retén de Catia de 1992, assim como em numerosos ataques policiais contra estudantes universitários, trabalhadores e a população em geral, que resultaram em centenas de feridos, mortos e presos. Também participou do golpe de abril de 2002.

No entanto, não é por nenhum desses crimes que o governo o prende, mas por uma farsa judicial em que apresenta como evidência de "golpismo" um comunicado à imprensa em que Ledezma, Leopoldo López e Maria Corina Machado declaram posição contra o governo. Mesmo repudiando o conteúdo desta nota, por expressar posicionamentos de caráter neoliberal e pró-imperialista, de nenhuma forma podemos respaldar que o governo criminalize, acusando de "golpismo", qualquer expressão de oposição. Tampouco podemos deixar de observar que os métodos antidemocráticos usados pelo governo para prender arbitrariamente Ledezma, são os mesmos que utiliza para encarcerar lutadores sociais e trabalhadores. Nos prisões do país estão presos quatro trabalhadores das empresas básicas de Guayana: Rodney Alvarez de Ferrominera do Orinoco (empresa produtora de minério de ferro), e Leinys Quijada, Rederick Leiva e Heberto Bastardo da Sidor, vítimas de farsas judiciais. Por realizarem assembleias, participarem de greves, ou protestos, se abriu processos judiciais contra centenas de trabalhadores, como nosso companheiro José Bodas, secretário-geral da Federação Unitária de Trabalhadores Petroleiros, com acusações que vão desde "violação do direito ao trabalho", até "conspiração" ou "violação de zona de segurança".

Chamamos à população a se organizar para resistir contra as medidas econômicas antipopulares que o governo impõe, assim como contra toda restrição das liberdades democráticas. Caso se materializasse qualquer tentativa de golpe, o enfrentaríamos nas ruas, tal qual fizemos em 2002. Mas hoje, a principal necessidade dos trabalhadores é enfrentar os cortes aos direitos democráticos, sociais e econômicos que impõe o governo de Nicolás Maduro.

Impulsionar a unidade operária e popular contra o ajuste de Maduro, apoiada pela Fedecámaras e a MUD!
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O Partido Socialismo y Liberdad da Venezuela é membro da Unidade Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI), assim como a Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST) no Brasil, tendência interna do PSOL.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

As tarefas da juventude diante da política de austeridade de Dilma/PT

A juventude trabalhadora frente o pacote de maldades do Governo Federal 


por Danilo Bianchi*

Greve da Contax/BH, outubro de 2014
Já no primeiro mês de 2015, o governo de Dilma Rousseff e sua nova equipe ministerial anunciou uma série de medidas visando cortar gastos e equilibrar as contas públicas, a fim de garantir recursos para o superávit primário, ou seja, economia para pagar juros da dívida pública. O principal expoente do ajuste é Joaquim Levy, banqueiro profissional, ex-diretor do Bradesco e do FMI, que foi nomeado por Dilma ao Ministério da Fazenda, uma espécie de raposa para cuidar do galinheiro.

Até o momento o pacotão de maldades conta com cortes no orçamento – como o de R$7 bilhões na educação, o que contradiz o discurso de posse quando Dilma anunciava o slogan do governo de “Pátria Educadora” –, aumento de impostos que atingira sobre tudo a população de baixa renda. E as medidas provisórias que atacam diretamente conquistas históricas dos trabalhadores brasileiros como o seguro-desemprego, abono salarial, auxílio-doença, pensão por morte e seguro defeso.

Apesar das medidas atingirem em cheio o conjunto dos trabalhadores brasileiros, uma parcela já mais explorada e mal paga sofrerá as piores consequências da política econômica reacionário do governo Dilma: a juventude trabalhadora. Essa fração de trabalhadores é composta por jovens entre 18 e 24 anos, em maioria mulheres que compõem hoje os empregos mais precários, ocupando posições de super-exploração em call-centers, redes de supermercados, fast-food, lojas, drogarias e no setor público, na maioria das vezes contratados por meio de criminosas terceirizações.

Superexploração, precarização, desemprego

A média de permanência de um trabalhador no primeiro emprego é de 11,9 meses, sendo que, no total, 43,3% permanecem menos de 6 meses no emprego. Anteriormente a exigência para o acesso ao direito do seguro-desemprego era a de permanecer 6 meses, agora o tempo de permanência sobe para 18 meses na primeira solicitação e 12 meses na segunda. Já referente ao abono salarial anteriormente se exigia apenas um mês de carteira assinada para ter acesso a pelo menos um salário mínimo, agora será exigido 6 meses ininterruptos e o pagamento será proporcional ao tempo trabalhado. Com essas medidas 41,5% dos trabalhadores perderão o direito, sendo que entre os trabalhadores de 18 a 24 anos esse número aumento para 60%.

A opção política do governo federal atingirá em cheio a juventude trabalhadora de hoje, mas também uma parcela significativa de jovens que ingressarão no mercado de trabalho nos próximos anos, se tornando cada vez mais reféns de empresas que praticam procedimentos de assédio moral e não possuem nenhuma responsabilidade social, como fica comprovado na interdição pelo Ministério do Trabalho da multinacional de call-centers Contax no Recife, que possui mais de 200 mil funcionários no Brasil e coleciona denúncias de irregularidades trabalhistas, perseguições e terceirizações ilícitas. Empresas como a Contax e suas contratantes como Oi, Vivo, Itaú, Bradesco e Santander financiaram a campanha eleitoral da maioria dos parlamentares e também da própria presidenta. Agora Dilma brinda seus aliados nomeando Joaquim Levy, cortando direitos trabalhistas e deixando os jovens reféns dessas corporações criminosas.

Além disso, várias dessas corporações são direta ou indiretamente credoras da dívida pública, uma dívida ilegal e imoral que o governo continua pagando religiosamente. Em praticamente uma semana o governo gasta com juros da dívida o mesmo que irá economizar por ano com as restrições com o seguro desemprego, cerca de 8 bilhões. E, segundo a Valor Econômico, é estimado que quase metade desse valor tenha sido desviado da Petrobras durante as gestões petistas.

Estelionato eleitoral

Após uma dura campanha eleitoral em 2014, quando os marqueteiros do PT apresentaram uma Dilma “guerrilheira” de coração valente contra o reacionarismo conservador do tucano Aécio Neves, o novo governo petista já mostra seu verdadeiro lado, sendo a continuação do retrocesso, com medidas que visam fazer a grande massa de trabalhadores brasileiros pagar a conta da crise econômica e da corrupção.

Enfrentar os governistas e tomar as ruas contra o ajuste/austeridade
É urgente organizar os trabalhadores para enfrentar as medidas de austeridade de Dilma, seguindo o exemplo dos operários da Volks. Para isso é necessária a mais ampla unidade de ação contra a retirada de direitos. É necessário exigir que as centrais e federações sindicais, como a CUT e entidades estudantis como a UNE e UBES abandonem a cumplicidade com o governo e a disputa de cargos e verbas. As organizações sindicais, estudantis e populares combativas e de esquerda necessitam construir unitariamente uma agenda de lutas contra os ataques que afetam a vida do povo, começando com uma plenária nacional unitária "contra o ajuste fiscal" ou "contra a retirada de direitos" com todos e todas os que quiserem participar para articular ações concretas contra as medidas que estão sendo apresentadas pelo governo Dilma.
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*Delegado sindical da CONTAX/Belo Horizointe-MG, estudante de História da Universidade Federal de Minas Gerais, militante do Vamos à Luta e da CST/PSOL.