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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Carnaval 2019: A Barcarena que o Rancho escondeu no seu desfile.


A Campeã 2018 do Carnaval de Belém poderia ter feito um grito de alerta pelas vidas de Barcarena, poderia ter lembrado e homenageado a memória de Paulo Sérgio Nascimento. Preferiu exaltar a indústria da mineração.

Por Raphael Castro* 
jornalismoraphael@gmail.com
 
3°Carro do Rancho: "Povo próspero x indústria próspera". Foto: Camila Lima/Portal Cultura/Reprodução. 2019.
No sábado, 23 de fevereiro, as nove escolas de samba do grupo especial de Belém desfilaram na Aldeia Cabana de Cultura Amazônica Davi Miguel, no bairro da Pedreira. O Grêmio Recreativo Jurunense Rancho Não Posso Me Amofiná, quinta escola a entrar na avenida, apresentou o samba-enredo “Made in Barcarena: Eu canto o encanto do teu universo” para contar uma história da cultura e do “futuro promissor” do município paraense de Barcarena, região do Baixo Tocantins.
Nada mais justo que a escola jurunense faça uma homenagem ao município que, segundo nos conta a antropóloga Carmen Izabel Rodrigues em seu artigo “O bairro do Jurunas, à beira do Rio Guamá”, é um dos lugares de origem dos migrantes que, chegando pelos rios à capital em busca de “progresso”, formaram social e culturalmente o que hoje é a população do bairro do Jurunas.
No entanto, a história que o Rancho contou na avenida mostrou exclusivamente uma Barcarena feliz e “desenvolvida” graças à bem sucedida indústria de mineração que se instalou no município no período dos governos militares. Escondeu que a mistura dos povos originários, do povo escravizado e dos catequizadores não se deu “num belo matiz”, mas sim em uma relação racista de colonização que promoveu genocídios e apagamento cultural. Escondeu a Barcarena de hoje: sofrida, envenenada e injustiçada justamente pelos megaempreendimentos industriais que exploram o município e penalizam a população mais pobre, os povos indígenas e os quilombolas.
É, no mínimo, curioso que o Rancho conte essa história “emoldurada em fantasia” na mesma ocasião em que se completa 1 ano do ultimo crime ambiental, provocado pelo vazamento de rejeitosde minério da Hydro Alunorte, que causou gravíssimos prejuízos para população e para toda biodiversidade de Barcarena. A quem interessa esconder essa história?
A primeira parte do desfile mostrou os povos indígenas Gibirié e Mortigura, originários do território onde hoje é Barcarena, homenageou a missão catequizadora dos jesuítas e falou da Cabanagem. Em seguida, o espetáculo falava da cultura popular de Barcarena, homenageando o barcarenense Mestre Vieira e fazendo referência ao tradicional Festival do Abacaxi e às praias, uma das belezas naturais do município.
O pomposo espetáculo bem coreografado, ao som da Furiosa bateria bem afinada, era tão bonito que podia nos induzir a uma fantasiosa realidade. Nem parecia que nos ultimos anos as belas praias de Barcarena foram alvo de contaminação por caulim dos rejeitos da Imerys e por carcaças de bois mortos no naufrágio do navio Haidar no porto de Vila do Conde; que os rios da região foram contaminados por chumbo e outros elementos pesados de resíduos de minério da Hydro.
Praia de Vila do Conde/Barcarena após o naufrágio do navio Haidar, em 2015, que transportaria milhares de cabeças de boi. Foto: Tarso Sarraf/G1 Pará/Reprodução.
Não se trata aqui de uma obsessão por crítica social em tudo - ainda que, de fato, o Samba tenha em suas origens um caráter de contestação social e este momento histórico do Brasil inteiro exija mesmo críticas -, mas falar de Barcarena neste momento, sem dar visibilidade à grave crise social e ambiental que castiga sua população é ser conivente com todos os crimes que as multinacionais têm cometido, com a subserviência do Estado, naquela região.
Há pelo menos 14 anos o Laboratório de Química Analítica e Ambiental da Universidade Federal do Pará já apresenta pesquisas que comprovam a presença de metais pesados nos rios e igarapés da região provocados pela contaminação de rejeitos de minério de empresas multimilionárias como Imerys e Hydro. O Instituto Evandro Chagas (IEC) também já apresentou laudos que comprovam a contaminação por chumbo e outros elementos cancerígenos nas águas, no solo, até nos fios de cabelos do povo  de Barcarena
Igarapé de Barcarena contaminado por vazamento de caulim da Imerys, em 2014. Foto: Viviane Franco / Blog da Franssinete Florenzano / Reprodução.
O deputado estadual Renato Ogawa (PR), que é do município de Barcarena, desfilava na avenida orgulhoso em mostrar as "riquezas desse chão", mas deveria ter vergonha de ser um dos deputados que está, junto com o governador Helder Barbalho (MDB) e o vice-governador Lúcio Vale (PR), de mãos dadas com a norueguesa Hydro. A Hydro, no mês passado, ganhou de presente do Governo do Estado do Pará a licença para voltar a operar em 100% de sua capacidade, mesmo sem ter resolvido a maior parte do problema causado pelo ultimo vazamento, sem sequer ter reconhecido que contamina água, solo, bicho e gente. Algumas das comunidades afetadas por essa contaminação receberam até agora nada mais que galões de água e um vale-alimentação temporário de R$ 670,00, verdadeiras migalhas comparadas ao prejuízo de vida que têm sofrido.
As lideranças comunitárias que denunciam os crimes ambientais e violações de direitos humanos em Barcarena estão sob constantes ameaças de morte ou já foram fatalmente silenciadas, como foi o quilombola Paulo Sérgio Almeida Nascimento, assassinado no dia 12 de março de 2018. Paulo Sérgio denunciou as ameaças, pediu proteção ao Governo do Estado, mas foi ignorado.
Qualquer penalização às empresas, os patrões empurram a conta para ser paga pelos trabalhadores que são ameaçados pelo desemprego e, não por acaso, são induzidos a reconhecer como seu inimigo os ativistas que lutam contra a impunidade das empresas. Sem falar que esses trabalhadores também são potenciais vítimas das catástrofes provocadas pela negligência das mineradoras, como assistimos há pouco mais de um mês no caso de Brumadinho.
Tudo isso é abafado, é silenciado, com a ajuda das autoridades e da mídia, para não sair das bandas de lá de Barcarena.  Ainda assim, o Rancho preferiu se amofiná e bajular "as caravelas da cobiça" do Distrito Industrial de Barcarena.
A TV Cultura do Pará, que voltou a transmitir o desfile das escolas de samba depois de anos, em sua programação, se limitou a fazer comentários batidos e elogiosos. Obviamente, não seria a TV dirigida pelo Governo do Estado do Pará quem iria lembrar ao telespectador que faltava um importante pedaço da história a ser contado naquele desfile.
“Indústria próspera x Povo miserável” é como deveria se chamar o terceiro carro alegórico do Rancho. Esse carro, que representava a indústria do alumínio em Barcarena, em determinado momento soltou fumaça e papel alumínio picado, em uma debochada referência aos poluentes que saem das chaminés das fábricas sufocando e adoecendo as comunidades do entorno.
Que “futuro promissor” que “alumina o coração” é esse que o Rancho levou pra avenida? A Barcarena que padece de câncer, figurativa e literalmente, foi escondida nesse desfile, foi desconsiderada da homenagem.
É importante destacar que essa postura do Rancho não condiz com a história da escola fundada pelo negro comunista Raimundo Manito, com sua comunidade, com a festiva e politizada tradição cultural do Jurunas. Onde foi parar o espírito ranchista que em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial contrariou a proibição de concursos carnavalescos e levou pra avenida o samba “Deixa o ‘não posso’ passar”? O samba-enredo do Rancho em 2019 não tem nada a ver com aquele de 1985, "Amanheceu", que comemorava valente o fim da ditadura militar brasileira:
[...]
Nesta festa o povo dança
se renova a esperança
de quem não se amofinou
É carnaval
É hora do meu Rancho desfilar
E lá vou eu…
Amanheceu um novo dia.

(Amanheceu - Rancho Não Posso Me Amofiná, 1985)
Faltou a ousadia do samba ranchista campeão do carnaval de Belém em 2018 que fez a avenida vibrar em defesa da diversidade, contra o preconceito. Ainda que digam por aí que “carnaval é assim mesmo”, esse é um fato que precisa ser questionado em nome das origens e da importância cultural do samba e do carnaval.
O Rancho Não Posso Me Amofiná é a escola mais antiga do Pará e a quarta mais antiga do Brasil, representa uma enorme importância para cultura regional e nacional. Com essa postura, de esconder uma dramática e grave realidade que grita pra tentar ser ouvida, o Rancho vai na contramão da tradição de consciência e contestação do Samba e presta uma desinformação à população que assiste o carnaval.
A culpa não é da comunidade que constrói o Rancho no dia a dia e dá sempre um show de arte e cultura na avenida, como o fez esse ano. A culpa é dos interesses de quem comanda o carnaval, de quem comanda o estado e de quem comanda a indústria da mineração na Amazônia.

*Raphael Castro é jurunense, jornalista e mestrando em Comunicação e Cultura na UFPA.

Referências











sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Socorro do Burajuba: ameaça de morte, sofrimento e resistência há um ano do crime da Hydro.


Vídeo gravado no dia 29 de janeiro de 2019 com Socorro Silva.

Por Marcus Benedito, com colaboração de Raphael Castro*

Era madrugada do dia 16 para o dia 17 de fevereiro de 2018. Inverno amazônico. Quando os quilombolas de Burajuba e outras comunidades no entorno do Distrito Industrial de Barcarena, a 50 Km de Belém, caíram no seu pior pesadelo. Foram sacudidos por um barulho incomum. A lama caindo lá das alturas das bordas daquele mostrengo chamado Depósito de Rejeitos Sólidos 1 (DRS1) da empresa Hydro Alunorte. Era a enxurrada que avançava sob seus terrenos e suas casas. Berros de socorro vindo lá da vizinhança. Ali perto tem a Dona Sebastiana e outros compadres dessa alma generosa atormentada por um câncer que poderia ser evitado. Que não era para estar ali. Encravaram um dos mais bárbaros corpos estranhos no coração da Amazônia. O Complexo Industrial de Vila do Conde, município de Barcarena/PA.

Socorro Silva, líder e fundadora da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (CAINQUIAMA) desce sobressaltada de sua rede e, desesperada, se depara com a água vermelha inundando seu lar, molhando seus pés e encharcando de pavor sua alma.  Tratava-se de uma tragédia anunciada: o transbordo dos resíduos sólidos da DRS 1 da mineradora norueguesa Hydro Alunorte. Uma do maiores crimes ambientais do século XXI promovidos por essa empresa.

Para quem não convive com um depósito de lama tóxica com mais de 20m de altura e centenas de hectares de extensão, talvez seja difícil imaginar o que essas centenas de comunidades de Barcarena presenciaram. Mas para quem vive a 3 metros desse paredão, como a D. Sebastiana, moradora da comunidade, logo se deduzia que se tratava daquilo que esse povo mais temia e teme: um sinistro vindo da instalação desse mega empreendimento industrial às margens de um dos mais magníficos e ameaçados estuários da bacia do rio Amazonas, o Rio Pará. Rapidamente, pedidos de socorro se multiplicavam pelos aplicativos de mensagens. Para Silva, é marcante os urros de ajuda. Ela de mãos atadas. Só pensava em sair, naquela madrugada de intensa chuva e fria, dali. A água cor de sangue inundava tudo. Pela manhã, os órgão competentes já sabiam do ocorrido. Uma missão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, em conjunto com o Ministério Público do Estado do Pará, fizeram um sobrevoo na área e atestaram que tudo aquilo era real.

Algo de muito podre saía das dependências da Hydro Alunorte e se espalhava sobre mananciais, igarapés, rios e solos da região.  Desde 2009, que não ocorria um crime tão grave. Segundo as lideranças quilombolas, tragédia anunciada. “Não foi por falta de aviso. Desde que que esses projetos e essas indústrias se instalaram aqui, a nossa vida não prestou mais. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Mas dessa vez foi mais grave. Apareceu todo mundo. Governo, imprensa, Ministério Público. Fizeram aquele monte de reunião. Fomos com os deputados. Isso já vai completar um ano e a gente continua na mesma.” Lamenta a ativista quilombola Socorro Silva. Na verdade, a vida dessas milhares de pessoas de Barcarena, mas não somente, como também da Vila de Beja, Arienga, Pirucaba e outras comunidades de Abaetetuba vem sofrendo com impactos de terem que consumir água e alimentos contaminados pelos produtos presentes nesses resíduos do processo de produção de alumina em uma das maiores indústrias do mundo em solo paraense.

As comunidades reclamam o abandono do poder público. Socorro Silva vive ameaçada de morte. Presa em sua própria casa. Padece literalmente perturbada. Uma mulher que seca como folha gasta pela fotossíntese. Estender roupa no seu lindo quintal já não é mais atividade comum. Elas quaram no pátio interno. Vive em torno de uma prisão particular com suas 12 grades. “A gente está morrendo. A gente está envenenado. Já não consigo superar o luto.”. Nos últimos meses ela perdeu três parentes. Dois de câncer e a última sem causa especificada. Até o colchão dela foi queimado, com medo de contaminação para os demais. Seu enfrentamento à Hydro lhe reservou um cativeiro atroz. Sua casa já fora invadida mais de 5 vezes, inclusive pela própria Polícia Militar. Sem mandado. Sem justificativa. Com o intento apenas de amedrontar essa mulher franzina, doente, mas guerreira na defesa de seus direitos e de sua comunidade.

Promotores também foram perseguidos. E parte das lideranças do parquet estadual capitulou. O Termo de Ajustamento de Conduta assinado ano passado é uma vergonha. Tudo à empresa, quase nada ao povo. Ainda assim as comunidades cobram seu cumprimento. Até o vale alimentação foi entregue a apenas algumas famílias. Segundo Socorro do Burajuba, quando eles vão às compras, sem qualquer justificativa, as redes de supermercado como o grupo Líder, cobram juros absurdos. Um dia é um preço, outro dia a inflação consome quase tudo e os recursos não garantem o básico. O pior é que quem recebe o cartão deixa de receber água potável. Graves crimes que precisam ser combatidos.
Socorro Silva do Burajuba é consciente dos absurdos que ocorrem contra seus direitos. A liderança cobra a liberação de um exame “feito pelo SESMA” e entregue à secretaria de Municipal de Saúde de Barcarena. Segundo ela, a prefeitura estaria, sem justificativas, impedindo a liberação desses exames. E o motivo segundo Silva, é a constatação do óbvio: que os moradores dessas comunidades estão contaminados com chumbo e outros metais pesados. “Todas as autoridades sabem que a água de Barcarena está contaminada!”, ela exclama. Como quem vive a barbárie e constata na pele a queimadura do fogo cuspido pelo dragão que veio do Japão, ela endereça aos verdadeiros culpados a certeza de suas mazelas: “Vocês são responsáveis por todos os óbitos que têm e que vão ter em Barcarena.”.

Até quando o negócio e os dividendos de uma empresa, seja ela nacional, ou como no caso da Hydro, uma multinacional, pode estar acima da vida? Alertas e brados são constantes. Uma Conselheira do Meio Ambiente de Minas Gerais, que foi a única a votar a favor de regras mais rígidas para a exploração mineral naquele estado, diz que não consegue dormir direito depois do crime de Brumadinho. E Socorro, generosa e solidária no pesar, diz que seu coração chora por conta dessa barbárie promovida pela Vale ao largo de outra catástrofe, o crime de há quase três anos e meio, rompimento da Barragem do Fundão em Bento Rodrigues, distrito de Mariana/MG.

Governo Barbalho: tal pai, tal filho

Jader Fontenelle Barbalho, quando sucumbiu ao assédio dos japoneses, lançou a pá de cal sob a vida dessas comunidades. Deu cabo a um dos mais criminosos e degradantes empreendimentos industriais no país. Iniciado pela Ditadura Civil Militar, sob a batuta de presidente ditador Gel. Ernesto Geisel e seu ministro da Economia e curiosamente desafeto, Delfin Neto. E para existir indústrias eletro intensivas como Albrás e Alunorte, necessário se fazia a produção maciça e subsidiada de energia. Foi quando o governo federal investiu bilhões para a construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, a fim de dar vida ao monstrengo idealizado pelos industriais japoneses, que não mais suportando as perdas financeiras oriundas das crises do Petróleo da década de 1970, transformaram como por alquimia, o antes chibante candidato Jader Barbalho (MDB), a um cãozinho a serviço da instalação da UHE Tucuruí e liberou todas as condições locais para alimentar a construção e inauguração na década de 1990 da empresa de alumina (então Alunorte) e de alumínio (Albrás), há época, sob o controle da Vale do Rio Doce. Verdadeiros monstros devoradores da “fauna, da flora e da vida” às margens do abissal estuário do Rio Pará.

Governador do Pará, Helder Barbalho, o vice-governador Lúcio Vale, deputado estadual Renato Ogawa e o Chefe da Casa Civil, Parsifal Pontes, reunidos com diretores da Hydro Alunorte. (Fonte: Bacana News)
Mal assumiu o governo, Helder Barbalho (MDB) se reuniu com os criminosos diretores da Hydro Alunorte e no dia seguinte, sem qualquer investigação séria e análise de relatórios e estudos, a SEMAS lançou nota liberando a empresa a voltar a produzir com 100% de sua capacidade. Por isso a líder quilombola não deixa de atacar o descompromisso do novo governador e mais uma vez denuncia que sofre ameaça de morte, conforme vocês podem assistir no vídeo aqui.

 “Eu não vou calar. Só se me matarem.”

Socorro Silva, liderança quilombola ameaçada de morte,
em janeiro de 2019. (Foto: Raphael Castro)
“Nós precisamos cuidar desse povo de Barcarena urgentemente agora. (...) Cuidado gente Cuidado. Vocês que moram próximo das Bacias. Vamos se unir, vamos fazer mais força, vamos botar esse movimento pra gritar nas ruas. Nós vamos morrer se nós não acordarmos bem mais rápido.” Mesmo ameaçada de morte, como uma pantera, vocifera e ela não pouca críticas aos governos e órgãos (in)competentes. Socorro Silva detém em si a fúria consciente de quem, mesmo cansada, sabe que não pode abandonar a luta.

Os problemas de saúde, ambientais e sociais se multiplicam. Câncer, doenças de pele, perdas de cabelo são comuns nas comunidades desses municípios. Quem é que nasce imaginando que poderia ficar calvo sem apresentar o gene recessivo cc? Em Barcarena e Abaetetuba isso ocorre comumente.  E causa vem pelo ar na fumaça tóxica que sai das chaminés da Hydro Alunorte, Albrás, Imerys, etc.; vem pela água e pelo sentimento de quem vive a sombra de um dos mais nocivos empreendimentos instalados no coração da Amazônia. Talvez o único local do Norte/Nordeste do país que apresente a ocorrência de chuva ácida com índices julgados perniciosos à vida pelos organismos de controle, como a Organização Mundial de Saúde.

E as ameaças em torno do DRS1 (em atividade há mais de 30 anos) e DRS2 são elevadas. Acaso “a barragem da Hydro rompa, seria o fim” segundo a liderança quilombola, ativista e ambientalista. Premiada pela Organização das Nações Unidas, ela apresentou denúncia em evento junto à ONU para Procuradoria Geral da República em 2018. De lá pra cá nenhuma resposta. Até exame o prefeito Antônio Vilaça (PSC) se nega a liberar, pois deve temer ser responsabilizado. Mas Maria do Socorro Silva é enfática: “o prefeito tem que devolver!”.

Um ano de luto e de luta

Socorro Silva diz que já não tem tempo de chorar os seus mortos. É preciso lutar contra os atentados da Hydro. A Empresa, lembra Socorro, é “réu confessa”, pois foi obrigada a reconhecer que mantinha um duto irregular despejando efluentes carregados de soda cáustica, chumbo e outros metais pesados direto no meio ambiente. Outro crime descoberto foi a revelação do chamado Canal Velho, de 700 metros de comprimento, que igualmente despeja esses efluentes direto no Rio Pará. De acordo com Universidade Federal do Pará, através do Laboratório de Química Analítica e Ambiental (LAQUANAM), em 2009, a Hydro Alunorte, assim como a Imerys, poluíram e envenenaram, em outro crime ambiental, os rios, solos e os moradores da região. No ano passado, laudos do Instituto Evandro Chagas (IEC) atestaram a contaminação do Rio Murucupi e igarapés da região. “A Hydro é assassina, ela é criminosa”, denuncia Socorro do Burajuba.

Socorro clama por fiscalização independente. Por mecanismos modernos de monitoramento. Ela afirma que pairam dúvidas sobre a idoneidade dos fiscais da “SEMAS do estado. Vários crimes vem ocorrendo em Barcarena, mas os fiscais são omissos. Eles não multam, não prendem ninguém.”. E as próximas eleições municipais ameaçam ainda mais a vida dessa ativista. O que exige de todos os organismos internacionais, da ONU, Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, Anistia Iternacional, ONG’s, etc., assim como dos movimentos sociais de luta e partidos de esquerda, uma resposta contundente para que se resguarde a vida de Socorro Silva do Burajuba, se garanta o mínimo para sua sobrevivência como água potável, indenização e alimentos saudáveis e o cumprimento do TAC, para que as mais de 40 mil pessoas atingidas sejam indenizadas pelos 40 anos de crimes e mortes causados pela Hydro e demais empresas do Complexo Industrial de Vila do Conde em Barcarena.

Mais do que isso. O movimento, nesses quase um ano do assassinato de seu companheiro de luta, Paulo Sérgio, morto por denunciar o crime dessas empresas, assim como do crime que foi o transbordamento da DRS 1, tem que ir à luta. Não é possível confiar no prefeito de Barcarena, em seus asseclas, como o deputado estadual Renato Ogawa (interessado na sucessão de Vilaça), no vice governador Lúcio Vale (ambos do PR), assim como na SEMAS e no próprio governador Helder Barbalho. É necessário comissão externa e independente de fiscalização do cenário produzido pela Hydro Alunorte e consortes e, acima de tudo, a imediata paralisação de todas as operações da Hydro Alunorte no município de Barcarena.

No vídeo, gravado em seu terreno no Burajuba, Socorro Silva é contundente. “Se rompe a DRS 1 vai ser mil vezes pior que Brumadinho.”. Se dói Brumadinho, imaginem o que seria isso no Rio Pará. Destruição do Arquipélago do Marajó. Devastação de Abaetetuba, Barcarena, São Domingos do Capim, Acará, Belém e tudo aquilo onde chega seus braços, até desaguar a morte no oceano Atlântico.

“A Hydro tem que ser fiscalizada é por todos agora. Eu não acredito mais em ninguém” no governo. Agora é cobrar nas mobilizações e honrar esse povo sofrido com uma grande mobilização massiva no dia 18/02. Por Mariana, por Brumadinho, por Barcarena, por Abaetetuba. “Vamos se unir, vamos fazer mais força”, ela conclama. Para que as futuras gerações nasçam sem doenças ou morram sem completar um mês de vida, como aconteceu recentemente com seu neto. É preciso cobrar Indenização para todas as famílias atingidas em Barcarena, Abaetetuba, Acará e Belém!

Que a empresa e o governo federal, estadual e municipal se responsabilizem pela assistência à saúde, exames periódicos, fornecimento de água potável e alimentos para todas as comunidades, inclusive as ribeirinhas! Não podemos mais aceitar tanta impunidade. Cadeia aos criminosos responsáveis pelas tragédias da Hydro e da Vale! Essas empresas devem ser reestatizadas e entregue ao controle de seus trabalhadores(as)!

*Raphael Castro é jornalista, mestrando em Comunicação e Cultura no PPGCOM/UFPA e midiativista.

sábado, 5 de maio de 2018

Aniversário de Marx, presente dos jornalistas: Barbalhos são derrotados no TST


por Daniele Brabo

Ontem eu estava super cansada quando recebi a notícia de que vencemos. Estava na casa de amigos e simplesmente, na hora, não assimilei a informação. Passou como um “zap” ou feed qualquer em meio a outros assuntos.
Hoje a ficha caiu. Acordei e pensei: a justiça chegou. Nesses mais de 4 anos de espera eu desacreditei que a verdade prevaleceria. Em um país onde a corrupção é lei, políticos são protegidos e o povo padece como a ponta mais frágil do sistema, eu - povo - desacreditei de que existiria justiça. Mas ela veio. Ela chegou ontem. Definitivamente vencemos. O TST publicou: ganhamos a causa! (http://www.tst.jus.br/…/asset_publ…/NGo1/content/id/24575311)

Ainda há algum caminho a se percorrer. Cabe recurso protelatório. Porém, a causa foi reconhecida judicialmente. Eles entenderam que o tempo todo estávamos falando a verdade.
E que se frise que em nenhum momento foi/é por dinheiro (ele ainda deve demorar a sair, diga-se de passagem). Nada paga os reais danos morais. Ansiedade, compulsão, distúrbios de sono foram algumas conseqüências cruéis que se instalaram em mim. Revisar repetidamente a cena horrenda daquela demissão praticamente na calçada na Enéias Pinheiro... dia desses achei o vídeo na minha nuvem, nem consegui terminar de ver. Embrulha o estômago.
Aquele setembro de 2013 foi necessário. Hoje eu vejo os repórteres cobrindo pauta de Polícia com colete a prova de bala e penso no nosso lema: “AOS QUE VIRÃO”. Não existiria frase mais cabível a todo o sentimento que nos moveu. Tudo que veio depois - retaliações, demissões - não foi em vão.
Ao longo do processo eu repetia em mantra: estamos com a verdade! Não vamos perder! Porém, no fundo, eu duvidei que realmente a nossa voz seria ouvida. Mas ela foi.
“A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, considerou que a despedida consistiu em ato discriminatório e em conduta antissindical da empresa”, diz o texto no site do TST. Enfim hoje eu acordei, respirei fundo e tive a certeza: a verdade venceu.
Foto de 2014
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Nota do blog
O texto de Daniele Brabo, jornalista, foi publicado neste dia 05 de maio de 2018 em sua conta no Facebook. Brabo foi uma das demitidas, depois que expulseram na greve de setembro de 2013, as condições de moderna escravidão as quais eram submetidos nas redações do Diário do Pará e sua versão on line, DOL.
Os Barbabalho, proprietários do jornal, além de carrascos e perseguidores, são mentirosos, manipuladores e agora precisam ser derrotados também nas urnas. Há quase quarenta anos no poder, Jader quer deixar seu filho como herdeiro político, o ministro da integração nacional de Temer, Helder Barbalho. Como o pai, populista e corrupto. Denúncias não investigadas de seu tempo como prefeito de Ananindeua/PA e o uso da máquina ministerial para fins eleitoreiros, além de campanha antecipada e tráfico de influência, são marcas de Helder. Aliás, da família. Sua mãe, Elcione Barbalho e seu primo, José Priante, são deputados federais. Todos da mais antiga quadrilha em atividade política no país: o MDB. Desde a Ditadura Militar prestando verdadeiros desserviços ao país.
Aos "gatos pingados", como a direção do grupo RBA, empresa da família que engloba TV, rádios, jornal e portal, nossos parabéns! Vocês fizeram história e nos ensinaram mais uma vez que "só a luta muda a vida para melhor".
Bravo, Daniele! E parabéns aos demais amigos e companheiros que ousaram lutar e fazer uma das mais bonitas greves de nosso tempo. Nada melhor que ir dormir com essa notícia aos 200 anos do nascimento de Karl Marx, que dentre tantas questões fundamentais no campo das ciências humanas, dedicou-se com entusiamo para a produção jornalística e o estudo da imprensa. O pensador que melhor expôs os ardis dos patrões para explorar a classe trabalhadora, teve confirmada mais uma vez sua teoria. Tanto é que amanhã você não verá uma linha sobre a derrota de seus principais inimigos nas páginas de O Liberal, da família Maiorana. A greve já tinha cumprido sua tarefa e encerrara vitoriosa, mas sempre é bom confirmar, fato que nem a justiça burguesa, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), pode negar: os grevistas tinham razão, jornalista vale mais e os barbalhos são escravocratas.

sábado, 21 de outubro de 2017

Helder Barbalho leva ovada em Cametá

Foto da solenidade minutos antes da ovada. Fonte: Facebook.
Na manhã deste sábado (21/10), quando o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB), assinava convênio com a prefeitura de Cametá/PA, dirigida pelo prefeito igualmente denunciado e condenado por falcatruas na justiça,  Waldoli Valente (DEM), para a suposta construção do cais da cidade, uma ativista do movimento estudantil conhecida como Ana Paula, atirou dois ovos certeiros no nefasto ministro. Um pegou no rosto e outro no peito. Pelo ato, Ana Paula foi detida pelos seguranças e está presa na delegacia de polícia.

A atitude da manifestante é mais do que justificada. É reflexo de uma população que não aguenta mais tanto fisiologismo e politicagem de dirigentes rodeados de suspeitas e denúncias de corrupção.
Rapidamente a informação do protesto tomou as redes sociais.

Ainda não conseguimos fotos do valoroso instante em que o facínora foi alvejado. Mas temos o texto (divulgado no Facebook) do professor Dr. da Universidade Federal do Pará (campus de Cametá), Marcel Padinha, que fala muito sobre a revolta desse povo indignado com a podridão das instituições, com a corrupção generalizada, bem como da solidariedade correta que devemos ter pela coragem da jovem Ana Paula:

Não foi uma ovada na cara, foi um grito de indignação de milhões de brasileiros que não aguentam mais viver em um país onde a sociedade é quem come o resto dos ratos; Não foi um protesto isolado, foi um manifesto nacional de todos aqueles que têm vergonha na cara e que não mais aceitam serem governados por bandidos; Não foi um ato sem cabimento, mas sim uma resposta a um governo sem cabimento algum. Não foi só um FORA TEMER, foi um FORA fanáticos, FORA homofóbicos, um FORA  ruralistas sonegadores e assassinos, foi um FORA  rentistas, foi um FORA aos cortes de direitos sociais há muito conquistados, em síntese... foi um FORA Fascistas!!!

Obrigado Ana Paula 😊

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Moradores de Barcarena denunciam uso político de cestas básicas e cobram salário prometido por Helder

por Carlos Mendes

Depois que o secretário dos Portos, Helder Barbalho, apareceu em Barcarena, anunciando que seriam entregues 5 mil cestas básicas e também o pagamento de 1 salário mínimo para cada família atingida pelas consequências do naufrágio do navio Haidar e a morte de pelo menos 4.800 bois, parece que a demagogia e a exploração política passaram a tripudiar sobre as carências da população pobre daquele município.

As cestas começaram a ser distribuídas, é verdade - não se sabe se todas as cinco mil foram efetivamente entregues às famílias necessitadas -, mas até uma ex-candidata a prefeito pelo PMDB, Luziane Cravo, provável candidata ao cargo na sucessão do prefeito Vilaça, além dos deputados desse partido, Scaff e Chicão, resolveram aparecer no meio da tragédia como salvadores da pátria. O Ministério Público precisa averiguar essa denúncia feita ao blog. Os deputados citados e Luziane não foram localizados pelo blog para dizer o que estavam fazendo no meio da distribuição dos alimentos. 

Helder, segundo um vídeo em poder do blog Ver-o-Fato, declarou, no porto de Vila do Conde, que 10 mil cestas básicas seriam distribuídas.  Se eram 10 mil, como anunciou Helder, onde estão as outras cinco mil cestas? Quem as recebeu? Onde estão estocadas? Os boatos em Barcarena se espalham como rastilho de pólvora. Algumas comunidades impactadas pela tragédia reclamam que até agora não receberam sequer um quilo de arroz dessas cestas que a elas seriam destinadas. O que os moradores estão cobrando, além de transparência na distribuição das cestas, é como fica o pagamento de uma salário mínimo anunciado por Helder com pompa em sua meteórica passagem por Barcarena.

Foi para fazer essa cobrança que hoje pela manhã um grupo de moradores de Vila do Conde realizou um protesto em frente ao porto da Companhia Docas do Pará (CDP). A assessoria de comunicação da CDP informou que vai conceder o subsídio de um salário mínimo às famílias cadastradas pela Defesa Civil e listadas pelo Ministério Público Federal na ação ajuizada contra a CDP na última sexta-feira (16).

Ainda de acordo com a assessoria, a ajuda financeira deve ser concedida enquanto durar o problema social e ambiental em Vila do Conde. O Laboratório Central do Pará, por outro lado, aguarda o resultado de análises de amostras coletadas da água na última quarta-feira (14). Os resultados devem indicar se há contaminação do meio ambiente e riscos para o consumo humano.

Os primeiros resultados de análises da água coletada no dia 8 de outubro indicaram que as amostras não apresentavam riscos de contaminação por bactéria. Na última quinta-feira (15), foram coletadas mais cinco amostras de água e os resultados devem ser liberados na próxima semana.

 
Os moradores fecharam a frente da CDP de Vila do Conde e exigem que promessas sejam cumpridas
 
O deputado Chicão, do PMDB, posa ao lado das cestas, na companhia de Luziane

Outro deputado do PMDB, Scaff, ao lado de Luziane Cravo, entrega cesta a um morador


Fonte: http://ver-o-fato.blogspot.com.br/2015/10/moradores-de-barcarena-denunciam-uso.html

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

PT apoia "patrões" em 7 dos 10 Estados em que não lançou candidato próprio

por Vinicius Segalla, para o UOL

Em sete dos dez Estados em que o PT (Partido dos Trabalhadores) não encabeça a candidatura ao cargo de governador, o partido apoia candidatos representantes da classe empresarial brasileira.

O partido, fundado em 1980, tem sua origem atrelada ao movimento sindical e a grupos intelectuais de esquerda, e costuma se colocar nas eleições em que participa como representante da classe trabalhadora, em disputa pelo poder contra a classe patronal e a elite econômica brasileira.

Apesar disso, sete dos dez candidatos a governador das coligações integradas pelo PT são políticos representantes de entidades ligadas ao agronegócio, sindicatos patronais ou instituições representantes do empresariado nacional.

Uma das exceções é o Estado de Sergipe. Lá, o PT apoia o candidato do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileira), Jackson Barreto, servidor da Receita Federal, ex-militante clandestino do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e atual governador do Estado. Barreto era vice-governador de Marcelo Déda (PT), que morreu no ano passado.

Já no Estado do Amapá, quem recebe o apoio do PT é o atual governador e candidato à reeleição, Camilo Capiberibe (PSB), membro de um partido que não faz parte da coligação que apoia a candidatura presidencial de Dilma Rousseff.

O pessebista vem de uma família de classe média. Seus pais eram militantes de esquerda e mudaram para o Chile durante a ditadura militar brasileira (1964-1990). Por causa disso, [Camilo]* Capiberibe nasceu no país vizinho, mas cresceu no Brasil, onde deu início à sua carreira política no já movimento estudantil.

Finalmente, no Estado da Paraíba, o PT apoia Ricardo Coutinho (PSB), filho de um agricultor e de uma costureira, formado em Farmácia, funcionário público de carreira da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e ex-dirigente da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

O UOL procurou a assessoria do PT e de seu presidente nacional, Rui Falcão, para comentar as coligações do partido nas eleições estaduais, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Sob a condição de anonimato, porém, membros do partido afirmam que não é escolha do PT os nomes dos candidatos que encabeçam as candidaturas das coligações de que faz parte, e que é inerente ao sistema eleitoral brasileiro compor alianças regionais que viabilizem acordos nacionais.

Todos os candidatos da elite econômica brasileira apoiados pelo PT pertencem ao PMDB, PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) ou PSD (Partido Social Democrata), siglas que apoiam a reeleição de Dilma Rousseff (PT) à presidência da República.

Veja, abaixo, quem são os candidatos da elite apoiados pelo PT nos Estados em que o partido não lançou candidatura própria.

Pará: Helder Barbalho (PMDB)

Helder Barbalho/PMDB (fazendo o 'V' da "vergonha na cara"), Ana Júlia Carepa/PT, Giovanni Queiroz/PDT (dep. fed. e latifundiário), Paulo Rocha/PT de braços abertos para o mensalão e de costas para a Lei da Ficha Limpa, que suspendeu sua candidatura ao Senado.
Herdeiro de um grupo de comunicação que reúne oito emissoras de rádio, quatro retransmissoras de televisão e um jornal diário, Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), tem 35 anos e um patrimônio declarado de R$ 2,34 milhões. A maior parte de suas posses correspondem a participações acionárias em dez empresas de sua família.

Com o apoio do grupo político comandado por seu pai, Helder Barbalho foi eleito prefeito de Ananindeua (região metropolitana de Belém) em 2004 quando tinha apenas 25 anos, tornando-se, segundo ele mesmo afirma, o prefeito mais jovem da história do Estado.

Em 2006 e 2010, o PT lançou candidatura própria no Estado do Pará, da bancária do Banco do Brasil Ana Júlia Carepa, que iniciou sua carreira no movimento estudantil e era ligada a grupos de defesa dos direitos das mulheres. Neste ano, o partido decidiu apoiar Helder Barbalho dentro de um arranjo que garantiu a manutenção da aliança nacional com o PMDB.

Pernambuco: Armando Monteiro (PTB)


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Nascido em 24 de fevereiro de 1952, Armando Monteiro Neto é formado em administração e direito. Pertencente a uma família de industriais, dona de siderúrgicas e usinas de álcool e açúcar, começou a vida pública em 1986, no Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco. Foi diretor e depois presidente da entidade até 1992, quando assumiu a presidência da Fiepe (Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco), cargo que ocupou por quatro mandatos consecutivos. Depois, entre 2002 e 2010, foi presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Ingressou na vida político-partidária em 1990, quando se filiou ao PSDB. Ficou no partido até 1997, quando mudou para o PMDB. Em 2003, filou-se ao PTB, onde permanece até hoje. Foi deputado federal por Pernambuco por três legislaturas (1999-2011).

Em 2010, candidatou-se e foi eleito senador de Pernambuco pelo PTB.

Alagoas: Renan Filho (PMDB)


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Nascido em 8 de outubro de 1979, Renan Filho pertence a uma tradicional família política de Alagoas. Seu pai é o senador Renan Calheiros (PMDB/AL), que ocupa cargos públicos desde 1978 e atualmente é presidente do Senado. Em 2007, Calheiros renunciou ao mandato para evitar uma cassação em virtude de denúncias de corrupção.

Sócio de quatro empresas de comunicação no Estado (segundo sua declaração de bens à Justiça eleitoral), o peemedebista Renan Filho foi eleito prefeito do município de Mucuri em 2004, quando tinha apenas 24 anos. Foi reeleito para o cargo em 2008, mas abandou o posto em 2011, quando assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados, após ser eleito em 2010.

Também em Alagoas, nas eleições para o Senado, o PT compõe a chapa que apoia o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB).

Amazonas: Eduardo Braga (PMDB)

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Dono de uma fortuna declarada de R$ 27,3 milhões, o peemedebista é proprietário de uma rede de concessionárias e assumiu seu primeiro cargo público em 1982, após ter sido eleitor vereador de Manaus pelo PDS (Partido Democrata Social, hoje chamado PP, Partido Progressista), partido que apoiava o regime militar brasileiro e era originário da Arena (Aliança Renovadora Nacional).

O empresário, que também investe no agronegócio (letras de crédito e cabeças de gado), já passou por seis partidos políticos. Além de vereador pelo PDS, foi deputado estadual pelo PMDB (1987-1991) e federal pelo PDC (1991-1992). Foi vice-prefeito e prefeito da capital amazonense pelo PDC (1993-1996) e governou o Amazonas duas vezes, pelo PPS (2003-2007) e pelo PMDB (2007-2011). Já teve passagens pelo PSL  e pelo PPL. Atualmente, é senador pelo PMDB.

O candidato tem contra si um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) por crime eleitoral e mais dez processos no Tribunal de Justiça do Amazonas, sendo quatro deles por suspeita de improbidade administrativa.

Tocantins: Marcelo Miranda (PMDB)

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Nascido em Goiânia em 10 de outubro de 1961, Miranda é membro de uma tradicional família de políticos e agropecuaristas de Goiás e Tocantins. Estrou na política em 1990, quando foi eleito deputado pelo PFL (Partido da Frente Liberal, atuam DEM, Democratas) para ocupar um cargo na Assembleia Legislativa goiana. Foi reeleito ao cargo mais duas vezes.

Em 2002, ainda no PFL, foi eleito governador do Tocantins, sendo reeleito em 2006, já pelo PMDB. Em 2009, porém, teve seu mandato cassado por unanimidade pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que apontou os crimes de abuso do poder, compra de votos e uso indevido dos meios de comunicação social nas Eleições de 2006.

Em 2010, foi eleito senador, mas foi impedido pela Justiça de assumir o mandato por entender que ele se encontra inelegível em virtude da condenação de 2009. Além do processo em que foi cassado do governo, Miranda figura em mais de 500 processos nas diversas esferas e tribunais do Poder Judiciário.

Para o Senado, representando o povo de Tocantins, o PT apoia a reeleição da líder da bancada ruralista, Kátia Abreu (PMDB).

Maranhão: Lobão Filho (PMDB)

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Nascido em 17 de setembro de 1964, o empresário peemedebista é um dos donos do Sistema Difusora de Comunicação, emissora de TV afiliada do SBT no Estado do Maranhão e também de uma rede de distribuidora de bebidas. Antes de filiar-se ao PMDB (2010), foi membro do PFL (depois renomeado para Democratas) por oito anos, desde 2002.

Seu patrimônio declarado à Justiça eleitoral neste ano é de R$ 9.881.256,03, valor 284% maior do que o que foi declarado em 2010 (R$ 2.570.010,32), quando se elegeu suplente de senador.

É filho e herdeiro político do senador e atual ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, eleito deputado federal pela Arena em 1978 e pelo PDS em 1982. De 1991 a 1994, foi governador do Maranhão pelo PFL. Passou a integrar a base aliada do governo em 2007, quando ingressou no PMDB. Em janeiro do ano seguinte, foi nomeado ministro das Minas e Energia pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Rio Grande do Norte: Robinson Faria (PSD)

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Nascido em 12 de abril de 1959, é membro de uma família proprietária de usinas de sal no Estado do Rio Grande do Norte. Deu início à sua carreira política em 1986, quando foi eleito deputado estadual pelo PFL (atual Democratas). Depois disso, cumpriu mais cinco mandatos na casa legislativa potiguar.

Em 2010, foi eleito vice-governador de seu Estado na chapa da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Em 2011, porém, rompeu com o governo e passou a integrar o bloco de oposição a Rosalba. No mesmo ano, deixou seu então partido, o PMN (Partido da Mobilização Nacional), para filiar-se e ajudar a fundar o PSD no Rio Grande do Norte.

Antes de se dedicar à política, Robinson Faria trabalhava nas empresas do pai, o industrial Osmundo Faria. Juntos, em 1970, eles deram início às atividades da salina Amarra Negra, então a maior do Brasil. Em 1974, Osmundo tinha o apoio do então ministro do Exército, general Dale Coutinho, para assumir o cargo de governador do Rio Grande do Norte em 1975. O general, no entanto, morreu meses após manifestar seu apoio ao industrial. No ano seguinte, então, o governo militar optou por designar Tarcísio Maia, pai do senador Agripino Maia (DEM), para o cargo.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Lula, Helder e a nova política

Jader, Lira Maia, Helder, Lula e Paulo Rocha. Foto: Heinrich Aikawa/ Instituto Lula

O candidato ao governo do estado pelo PMDB, com apoio funesto do PT, PCdoB, PDT, PROS e PTN é Helder Barbalho (ex prefeito de Ananindeua/PA por 2 mandatos consecutivos), afilhado de Simão Robson Jatene/PSDB (pela segunda vez governador do estado e concorrente à reeleição), e que nada tem de novo, muito menos "representa a nova política", como disse ontem Lula da Silva, na convenção do partido.


Helder Barbalho (PMDB), como todos sabem, é um dos dois filhos do casal de políticos: senador Jader Fontenelle Barbalho e da deputada federal Elcione Zahluth Barbalho. Ambos também do mesmo partido.

Na referida convenção eleitoral, o ex presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva fez duas afirmações emblemáticas: uma, o site Diário Online (de propriedade da família) se encarregou de destacar: "'Helder vai ser eleito governador', garante Lula". A outra não virou manchete. E justamente não teve a devida importância, porque de tão forçosa que é, acaba abusando do poder de criticidade da opinião pública. Algo deve explicar o porquê do Diário do Pará e demais emissoras da família do candidato do PMDB não repercutirem a outra importante frase de Lula, a que diz que "Helder representa a nova política".

A tragédia
Jader Barbalho é uma figura que foi talhada para se tornar um "político profissional". Já em 1963, quando cursava o Clássico (corresponde ao Ensino Médio) no Colégio Estadual Paes de Carvalho (Belém), segundo o seu site "onde inicia sua vida pública: é eleito vice-presidente e logo a seguir presidente do Centro Cívico Honorato Filgueiras". 

Lembramos que a partir 1° de abril 1964 o país passa a viver sob um regime sangrento: a Ditadura Militar, a qual passou a interferir diretamente nos órgãos de representação de classe e estudantis. Foi assim que surgiram, por exemplo os Diretórios Acadêmicos, atrelados às direções das universidades e aos militares, o que levou que os movimentos de esquerda criassem os Diretórios Centrais dos Estudantes "Livres". 

Jader nunca foi de esquerda. Estava em outro ponto dessa luta. Estava num Centro Cívico. Uma espécie de grêmio estudantil domesticado pela direção da escola, em sintonia fina com o regime ditatorial.

Em 1967 ingressa no Curso de Direito da Universidade Federal do Pará e no mesmo ano é eleito pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) vereador de Belém.

Para quem pensa que a Ditadura era boazinha e permitia um partido da oposição existindo no país, saiba que isso tudo era fachada. O MDB era uma oposição de brincadeirinha, de faz de conta, consentida pela Ditadura. O objetivo era a busca de, como se fosse possível, se dar um "verniz democrático" ao regime de torturas, prisões, assassinatos e ataque aos direitos humanos. Além do MDB, havia apenas o Arena, partido oficial dos presidentes generais.

Jader, ainda foi eleito deputado estadual e duas vezes federal, antes de se tornar governador do estado pela primeira vez, em 1982, pelo voto direto. Após deixar o governo, José Sarney o nomeou, em 1987, Ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário. No ano seguinte, assume a pasta da Previdência e Assistência Social. Em 1991 é eleito para o segundo mandato de governador do estado do Pará. Em 1994, deixa o estado em frangalhos na mão de seu vice, o empresário Carlos Santos, e consegue votos suficientes para se tornar senador da República até sua renúncia em 2000, após os famosos embates com outro cacique político, o senador baiano Antônio Carlos Magalhães pelo antigo PFL, atual DEM, mas principalmente devido aos escândalos de corrupção nos quais se envolveu.

Jader consegue voltar ao Congresso em 2002, desta vez como deputado federal, onde permaneceu até conseguir, mesmo sendo um ficha suja, eleger-se senador (2010).

As farsas
Os mandatos de Jader, principalmente os de governador, são atravessados de polêmicas e notórios assaltos aos erários públicos. Ele foi responsável por um dos maiores rombos nos cofres do Banco do Estado do Pará, o Banpará (Oficial).

Como figura política nacional foi capaz de orquestrar megas rombos no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), como o famoso escândalo do ranário de sua atual esposa, o que levou à sua prisão. Através de formação de quadrillha, peculato, etc. Jader Barbalho conseguiu montar um império das comunicação do estado. Jader,é o proprietário do Grupo RBA de Comunicação, afiliado à Rede Bandeirantes de Televisão e do jornal Diário do Pará, além de ser segundo o site Wikipedia, um dos acionistas da TV Tapajós, afiliada à Rede Globo, em Santarém no Oeste do Pará. "Com início humilde em Belém, Jader tornou-se um milionário após várias décadas na política.", concluiu o site.

Como vemos, e ainda nem falei de sua mãe, o DNA de Helder remonta há quase 50 anos de política no estado. Mas não qualquer política. A pior das políticas, pois oligárquica, venal, corrupta, sanguinária, indecente, violenta que matou e mata milhares e milhares de paraenses no atacado.

Como se percebe, Helder não representa, como disse Lula, o mentiroso, "uma nova política"! Helder Barbalho e seu padrinho Jatene são a mais pura excrescência e expressão do que há de mais sórdido e bandidesco na política paraense e brasileira. E por isso precisam ser derrotados!

Parafraseando Marx, em seu XVIII Brumário de Luís Bonaparte, Jader Barbalho foi e é a tragédia. Helder e Jatene, ambos crias da mesma costela, são as farsas. Nunca é demais lembrar que foi Jader que colocou Simão Jatene na política lá pelos idos de 1982, quando o tirou da condição de professor da UFPA para tranformá-lo em seu secretário de estado de planejamento e no DAS mais antigo do estado do Pará.

Com DEM, pelo poder
O vice de Helder, Lira Maia, é um dos homens que mais enriqueceu na política em todo o oeste paraense. Verdadeira demonstração de como o vale tudo pelo poder é a palavra de ordem nessas eleições. 

Assim como Lira Maia é dono de uma mansão que mais parece um "Taj Mahal" no município de Santarém/PA, e é também um dos prefeitos que mais têm denúncias contra si, devido a malversação de dinheiro público, o MDB de Jader e o atual PMDB nunca tiveram escrúpulos políticos alguns. 
Hoje estão aliados do PT de Dilma ao PCdoB de Panzera, porque a única coisa que interessa de fato para esses grupos, é o poder pelo poder. Dane-se o povo, dane-se a ética na política, dane-se a coerência, dane-se o erário público.