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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A saga dos Sawré Muybu e as maldades do Governo Dilma

Autodemarcação encontra grileiros e pede participação do instituto Chico Mendes


do blog Autodemarcação no Tapajós

Lideranças e guerreiros Munduruku seguem com a autodemarcação do território Daje Kapap Eypi, localizado no Médio Tapajós, municípios de Itaituba e Trairão, oeste do Pará e encontram problemas nesta empreitada. As empresas e o governo que estão envolvidos com os projetos das hidrelétricas de São Luiz do Tapajós e Jatobá, já sabemos que estão interessadas nos potencial energético dos rios da Amazônia e, portanto, não compactuam com a legitimação do território Munduruku, pois indicaria a necessidade do comprimento da Convenção 169 da OIT (que garante às populações tradicionais uma consulta prévia livre e informada), o que afirmou a então presidente da Funai Maria Augusta Acirrati em conversa com os Munduruku.

Assista aqui: Funai admite: interesse hidrelétrico compremete demarcação de Território Indígena.

Não bastasse essa grande barreira a uma resistência que não quer estes projetos hidrelétricos, há vários tipos de grileiros na área que compreende o território Daje Kapap Eypi, o grupo que está no processo de demarcação já encontrou alguns deles como bananeiros e madeireiros. Até então não houve relato de conflito físico, porém alguns indígenas alertam para os riscos destes encontros, uma vez que estes homens andam armados e a maioria não está aberta ao diálogo.

Falaram que a roça era deles, né. Nós explicamos que a terra era indígena e que estávamos ali demarcando. Então o Juarez (cacique da aldeia Sawré Muybu) disse pra eles usarem a roça já feita, mas que dali pra diante não roçarem nem um palmo. Mas dali eles fizeram a roça e dessa roça eles aumentaram o bananal mais pra cima. Não era pra passar, mas eles passaram mais de 500 metros. Então eles mesmos entraram, por conta deles, na nossa terra. Eles tão sabendo que a terra é nossa.” Conta Seu Valter, cacique da aldeia Dace Watpu, sobre o encontro com bananeiros durante a autodemarcação.

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Daje Kapap Eypi: Autodemarcação agora disputa com grileiros de terra


 Cacique Juarez cobra presença do ICMBio
Como já sabemos o território Daje Kapap Eypi fica dentro da Floresta Nacional de Itaituba II (FLONA de Itaituba II) e é vizinho do Parque Nacional da Amazônia (PARNA da Amazônia) e da Flona de Itaituba I, que são unidades de conservação, instituídas a partir do Sistema de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC que deveriam ser geridas pelo governo, mais especificamente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio.

Porque esses madeireiros vem do sul, não sabemos quem são, é por isso que queremos pedir ao ICMBio que nos acompanhe no final dessa demarcação já que essa também é uma área de proteção”. Foi o que disse Cacique Juarez, no final do mês de janeiro em sua aldeia Sawré Muybu, quando saía para Brasília para mais uma vez lutar pelo seu território perante os meios jurídicos.

Daje Kapap Eypi_flonas
Território Daje Kapap Eypi sobreposto à area da Flona Itaituba 2
O Instituto Chico Mendes foi fundado pela LEI Nº 11.516, de 28 de agosto de 2007 e tem, em resumo, fiscalizar e monitorar as unidades de conservação instituídas pela União. Os relatos mostram que este órgão aparece raramente na área das aldeias para discutir e construir uma gestão colaborativa com a comunidade, como especifica o Art. 5º § 3° da  Lei No 9.985, de 18 de julho de 2000 que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza,que devem ser asseguradas a participação efetiva das populações locais na criação, implantação e gestão das unidades de conservação.

Plano de Manejo de floresta nacional de Itaituba favorece as hidrelétricas

Ainda de acordo com a Lei  9.985, o plano de manejo é um documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos de gerais e uma Unidade de Conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais. A Ele é indispensável para qualquer unidade de conservação, pois precede o acordo de gestão que deve ser criado e planejado a partir de um ciclo de pesquisas e decisões coletivas que tenham por base questões ambientais, socioeconômicas, históricas e culturais que caracterizam uma Unidade de Conservação e a região onde esta se insere,  como nos informa o site do ICMbio .

Todas as unidades de conservação devem dispor de um Plano de Manejo, que deve abranger a área da Unidade de Conservação, sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos, incluindo medidas com o fim de promover sua integração à vida econômica social das comunidades vizinhas (Art. 27, §1º lei Lei Nº 9.985/2000).

Segundo o site do ICMBio, esta mesma lei ainda define a FLONA como de posse e domínio público e as áreas privadas dentro de seus limites devem ser desapropriadas; prevê também a existência de um Conselho Consultivo, constituído por representantes dos órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e, quando for o caso, das populações tradicionais residentes no local. 

Ou seja, este planejamento não se resume a um grupo de pesquisas técnicas e sim a um processo contínuo de elaboração, revisão e planejamento desta unidade de conservação, gerido por uma equipe direcionada apenas a isso.

Dentro do plano de Manejo da Flona de Itaituba II, percebemos que os trabalhos de pesquisa estão se dando conjuntamente com os grupos de pesquisa do impacto ambiental do complexo de usinas hidrelétricas do Tapajós previsto e ignorando as aldeias Munduruku que estão dentro da área da Flona.

Nunca vieram aqui não. Nós até já chamamos eles pra cá, pra participar de uma assembléia Munduruku. Juntamos um bocado de coisa pra mostrar mas não vieram não”, afirma José, jovem da aldeia Sawré Muybu.

O ICMbio assim como a FUNAI se ausenta das suas prioridades administrativas de gestão, planejamento e proteção destas unidades de conservação e das comunidades Munduruku que nela habitam secularmente, sem construir a devida transparência e sob custódia de empresas privadas terceirizadas na realização de pesquisas tendenciosas e incompletas. Perguntamos-nos quais seriam os parâmetros para a presença mais atuante destes órgãos às portas de conflitos tangentes na região?

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Luta consegue arquivar PEC 215


Graças à pressão das comunidades indígenas e quilombolas, de organizações da sociedade civil, de diferentes pessoas e deputados que defendem a causa, a PEC 215 foi arquivada! Grande vitória de todos nós!

A luta, no entanto, continua. Fomos vitoriosos nesta batalha, mas em 2015 o projeto pode ser desarquivado e uma nova Comissão Especial pode ser formada. 
Devemos continuar atentos para que os direitos das populações tradicionais do Brasil não sejam desrespeitados. 

#PEC215Nao, nem hoje, nem nunca!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Chegamos a mais de 120 mil visualizações

Muito obrigado a cada um(a) das senhoras(es) leitores(as) do Além da Frase. Passamos das 120 mil visualizações de páginas, segundo as estatísticas fornecidas pelo Blogger.com.

Fico feliz em saber que estamos sendo acompanhados não só por leitores no Brasil, como também de todo planeta.O Brasil entrou no grupo de países que vivem um profundo processo de lutas, mobilizações e mudanças, o que vem sendo conhecido como Primavera. E aqui essas mudanças na situação política tiveram consequências nas multitudinárias mobilizações das chamadas Jornadas de Junho do ano de 2013.

O Além da Frase nasceu no ano de 2009. E desde então, tenho procurado mantê-lo com o mínimo de atualização. Contudo, chama atenção o fato de o público estrangeiro superar, de longe, o público brasileiro no número de acessos às postagens do blog.

Visualizações de página por país:

Público do Além da Frase no mundo: mais verde escuro, maior número de acessos.
EntradaVisualizações de página
Canadá
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Brasil
158
Estados Unidos
64
Alemanha
56
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19
Turquia
19
Rússia
7
Espanha
2
Portugal
2
 Fonte: blogger.com
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Acredito que esta inesperada repercussão no exterior, deva-se ao nosso incansável combate aos detratores dos Direitos Humanos. Este blog tem lado. O lado da vida. 

Nos solidarizamos e nos irmanamos com os povos do mundo, os quais nunca cessaram de lutar e realizar mobilizações por direitos e garantias sociais, como fazem os estudantes do México, que clamam pelo aparecimento dos 43 colegas da cidade de Iguala.

O Além da Frase nasceu para denunciar a destruição da Amazônia. Para denunciar a sanha de Lula da Silva e de seu partido (PT), os quais passaram, como se diz no Pará, de mala e cuia para o lado da burguesia (empreiteiros, ruralistas, industriais, banqueiros) nacional e para o lado da burguesia (Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, especuladores, seguradoras) e do imperialismo internacionais. Lula conseguiu ressuscitar Kararaô, desta vez repaginada com o nome de Belo Monte, mas escrita com a mesma tinta da morte, quando a Ditadura Militar planejou este insano empreendimento. 

Dilma Rouseff (PT), aliada de todo o entulho autoritário que resta da Ditadura, enfia goela abaixo das populações tradicionais e povos indígenas, a construção dessa usina hidrelétrica, que é a maior obra de engenharia no país em curso de morte no país. Não basta sse essa devastação toda, Dilma e seus novos aliados, os corruptores empreiteiros, querem construir quase duas dezenas de usinas de mesmo potencial devastador em outra região do Pará. Um território magnífico e encantado. O Pará é o segundo maior estado em extensão territorial do Brasil, o mais populoso e o mais rico em minérios, além de ter uma imensurável reserva de água doce e uma extraordinária diversidade cultural e artística, como o atual reconhecimento pela UNESCO do Carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

O Além da Frase é internacionalista. Acreditamos na construção de uma sociedade de novo tipo, uma sociedade socialista. Acreditamos na luta e na mobilização cotidiana da juventude, da classe trabalhadora e do povo pobre, pois só desta maneira podemos efetivamente arrancar conquistas e mudar a vida para melhor.

O Além da Frase não escamoteia a realidade. Falamos de Política e derivados, ou seja, de tudo que tem relação com a atividade humana. 

E isso Aristóteles já discutia há mais de dois mil anos, em seu livro Política.

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 Fonte: blogger.com (Visualizações até as 22h.)