segunda-feira, 29 de junho de 2015

Proprietários do Oito Bar são inocentados e processo arquivado

Foi expedido nesta segunda-feira (29) o alvará de soltura dos proprietários do 8 Bar Bistrô Bar, João Pedro de Sousa Pauperio e Karllana Cordovil de Carvalho. Eles foram presos em flagrante, na última quinta-feira (25), acusados por suposto tráfico de drogas entorpecentes. O Juiz Flávio Sánchez Leão julgou improcedente a acusação, originada a partir de duas denúncias anônimas. Por causa da ilegalidade da prisão, o dinheiro apreendido será devolvido e o processo foi arquivado. 

Segundo os autos do processo, "antes mesmo que o juízo analisasse o flagrante e tomasse qualquer decisão, a defesa dos presos protocolou pedido de relaxamento da prisão em flagrante ou liberdade provisória e anexou documentos e comunicados que anteriormente os presos fizeram às autoridades policiais das corregedorias de Polícia Civil e Militar". 

Ou seja, o que foi analisado e reconhecido pelo Judiciário foi a ilegalidade do flagrante, uma vez que a ação policial no interior do estabelecimento comercial e residência dos presos, foi duvidosa e ilegal. Além de não terem provas e evidências suficientes para iniciar a operação policial, os militares agiram de forma imprudente ao entrarem no estabelecimento do casal sem ter uma decisão judicial e, ainda por cima, efetuarem a prisão de João antes mesmo "encontrar" as provas que caracterizariam o crime de tráfico de drogas. 

Conforme informa o processo: "o simples disque denúncia não dá a certeza necessária sequer, em grande parte dos casos, para fazer a busca sem autorização judicial, quanto mais para efetivarem a prisão da pessoa como os próprios policiais informam que fizeram antes de encontrar qualquer droga no local". 

Os advogados de defesa dos dois alegam, nos autos do processo, que: "Não é comum que um traficante de droga se exponha voluntariamente diante da polícia, inclusive recorrendo ao órgão correcional da mesma, como fizeram o casal de presos" ao denunciar os casos de tentativas de extorsão por parte da polícia. 

Há tempos os proprietários do Oito denunciavam perseguições, principalmente pelo fato de não aceitarem pagar propina para policiais militares e civis. Este não é um caso isolado, pois existem relatos de outros comerciantes que são assediados por certos grupos de policiais, que cobram propina para o funcionamento de seus bares. 

Apesar da repercussão negativa da prisão de Karllana e João na imprensa local, a mídia alternativa e muitos amigos e clientes do Bar do Oito se mobilizaram contra a tentativa de criminalização do casal.

Segundo os advogados dos dois, Marco Apolo, Alberto Pimentel e Stephan Houat: a luta ainda não terminou! O casal deve sair a qualquer momento e já têm muita gente a espera deles para comemorar esta vitória, pois hoje a justiça foi feita!

Clique AQUI e leia a íntegra do conteúdo do processo. 

Fonte: SDDH-PA

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Os desafios depois da Marcha da Maconha em Belém e no Pará

Centenas de pessoas ocuparam as ruas do centro de Belém no último domingo, dia 17, para participar da terceira edição da Marcha da Maconha.



por Júlio Miragaia

Os manifestantes se concentraram na Praça da República, percorreram as ruas do comércio da capital paraense e terminaram o trajeto da passeata em frente ao complexo do Ver o Peso, onde está sendo realizada a Ocupação Solar das Artes. 

Com cartazes, faixas, palavras de ordem, canções e outras formas de expressão, os participantes pediam uma nova política de drogas, o fim do tráfico, do assassinato da população negra e pobre das periferias e o direito ao cultivo e a utilização da maconha para fins medicinais e recreativos.  

Durante o trajeto, a Marcha passou ainda pela Praça Waldemar Henrique, local onde é realizado no mesmo período, todos os anos, o Tributo a Bob Marley, evento organizado por vários grupos e coletivos do movimento reggae. 

Balanços e perspectivas

De acordo com os membros da comissão organizadora, o balanço da realização dessa edição da Marcha da Maconha é positivo. Marcus Benedito, servidor da Sespa e integrante da coletivo que impulsionou a ação, avalia que a marcha de Belém foi uma das mais politizadas do país. “Política no sentido de dar nome aos bois e dizer que a atual política de drogas mata pobre todo dia”, dispara o ativista.

“Fizemos duas marchas antes dessa”, explica Benedito. Uma em 2011, durante o Fórum Social Mundial de Belém e outra em 2012, intitulada Marcha da Liberdade”, explica. Devido a ação no STF, questionando a constitucionalidade da Marcha, os grupos que a organizavam preferiram mudar o nome da atividade para não correr riscos. Porém, a inciativa em seu conteúdo utilizava as mesmas palavras de ordem e cartazes da luta pela legalização. 

A maioria dos organizadores faz parte de grupos que debatem as drogas ou os direitos humanos, são estudantes da UFPA, UEPA, militantes de movimentos sociais, de partidos de esquerda e anarquistas. A expectativa dos ativistas que deram continuidade ao evento, organizado pela última vez há três anos atrás, é manter um calendário anual de atividades, ingressar na Frente Paraense de Drogas e Direitos Humanos e levar de fato  o debate para a sociedade.

A Psicóloga Flávia Danielle, que também está a frente do movimento expressa que a marcha é só um momento de visibilidade. “Nossa meta é aumentar o público quantitativa e qualitativamente para os próximos anos”, conta. “Queremos também levar esse debate para os bairros. Tivemos o apoio de entidades significativas que lutam pelos Direitos Humanos e queremos ampliar isso”, prossegue Flávia. 

“Esperamos levar esse debate para a sociedade e fazer frente a essa política de drogas que extermina a juventude negra e periférica, lutando por um dos seus principais pilares que é uma nova política de drogas”, expõe a psicóloga.

Desafios para além da Marcha: a realidade da política de drogas e o sistema prisional
Os desafios dos ativistas e da vanguarda organizadora da Marcha da Maconha, para além de estabelecer um caráter permanente para esse que é um debate que deve ser encarado com seriedade na sociedade, é trazer a tona os efeitos colaterais da atual política de drogas no país e como a mesma se materializa no Estado do Pará.

A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) divulga mensalmente relatório que demonstra em números o perfil e os principais dados da população carcerária atual. No último relatório, do mês de março, é informado pela instituição que o tráfico de entorpecentes é uma das principais causas da superlotação do sistema. Até a publicação do último relatório, foi registrado que um total de 3.716 pessoas estão presas, seja em regime fechado ou regime aberto, tipificados pelo crime de tráfico de entorpecentes no Estado. Desses, 3.181 são homens e 535 são mulheres. 

Em relação ao total da população carcerária, esse índice é muito maior, proporcionalmente, em detentas do sexo feminino do que do sexo masculino. A população carcerária total da Susipe é de 12.872 presos. São 12.106 homens e 766 mulheres. Ou seja, de um total de 766 internas, 535 estão presas por tráfico. É mais de 60% da população carcerária do sexo feminino.

Outro dado revelador fornecido pela Susipe é a idade e a cor dos que cumprem pena. Tem entre 18 e 29 anos, 8.411 presos, o que equivale a 65,68% dos internos. São negros e pardos 10.694 presos, ou seja, 84,14% do toal de internos da superintendência.  

Fazer com que esses dados sejam elementos de reflexão e ação para uma mudança efetiva é parte do enorme desafio não só para os participantes da Marcha da Maconha, mas para o conjunto da sociedade paraense. Ainda de acordo com dados do levantamento mensal da Susipe, o Pará tem a 9º maior população carcerária do país. Além disso, tem sido cada vez mais uma constante as rebeliões de um sistema que está mais do que falido, não ressocializa seus apenados e a atual política de drogas contrbui expressivamente para o inchaço dos presídios e o avanço da barbárie.  

O tratamento do usuário pelo Estado


Sobre o tratamento do usuário, o papel do estado também tem ido na contra mão da forma como o mundo tem visto a dependência química. Flávia explica que esse é um assunto que está sendo muito debatido internacionalmente.

“Vemos vários países alterando suas leis tanto no sentido de descriminalizar o usuário como no sentido de legalizar o comércio, uso e cultivo da Maconha. No Brasil, temos uma lei de drogas (11343/06) que por muitos é vista como um avanço, já que separa o que seria o usuário de drogas, não visto mais como criminoso, do dito traficante”, esclarece. A psicóloga, porém, assinala que essa é uma lei que gera dúvidas sempre, pois abre brecha para múltiplas interpretações.

“Ela (a lei) não amarrou o que seria considerado um usuário e o que seria um traficante, ficando a critério do juiz ou outro agente da lei definir isso se baseando em condições sociais, contexto e motivações e o resultado disso foi o aumento considerável do número de prisões tipificadas como tráfico”, explica.

Política de saúde mental


A política de saúde mental é também um problema. Flávia conta que a quantidade de Centros de Atenção Psicossocial de Ácool e outras Drogas (Caps ad) não é suficiente para atender a demanda populacional do Estado. “Não dá para dizer que existe uma Rede de Apoio em Saúde (RAS). Não por responsabilidade dos trabalhadores que vivem as mazelas do descaso, mas por uma falta de gestão mesmo”, desabafa. 

Nesse cenário, vemos a multiplicação das comunidades terapêuticas que, administradas por instituições religiosas, recebem vultuosos investimentos do Ministério da Saúde, mesmo não atendendo as especificações técnicas, estruturais, profissionais e, principalmente, de interesse na saúde das pessoas que possuem algum problema em virtude do uso de substâncias seja lícitas ou ilícitas.

As comunidades terapêuticas são um mercado altamente lucrativo para essas indústrias religiosas. “O presidente do CONED-PA é dono e defende piamente as comunidades terapêuticas, ludibriando e sem se preocupar com a saúde de pessoas que se tornam dependentes químicas por diferentes motivos, sendo a droga mais um subterfúgio”, diz Flávia. 

“Nós defendemos o investimento em saúde substitutiva, implantação de uma RAS eficiente e pela adoção da Redução de Danos, pois essa é uma política que respeita a pessoa e trabalha com ela e por ela”, explica a organizadora da Marcha. 

Para Marcus Benedito, o tratamento diferenciado é dado também pela questão de classe. “O tratamento difere não pela droga, mas pela cor de pele e classe social. Para negros e pobres é tiro, porrada e bomba. Para jovens de classe média é psicólogo e advogado”, comenta.

Violência e tráfico no Pará

Marcus também comenta sobre a recente onda de violência na capital paraense que culminou na chacina de dezenas de pessoas na primeira senana de novembro do ano passado. “A chacina de novembro, na verdade, foi uma extrapolação do que ocorre todo dia. Em Belém, Marabá, Abaetetuba ou Rondon do Pará, locais distantes uns dos outros, mas onde já ocorreram chacinas e, segundo o Relatório da CPI da Assembleia Legislativa das Milícias e Grupos de Extermínio, "A cultura organizacional da corporação Polícia Militar favorece a formação no interior de seus batalhões de grupos e organizações criminosas". 

De fato, a guerra as drogas virou uma verdadeira guerra aos pobres, negros e favelados. Todos os dias os jornais noticiam de quase dezenas de pessoas mortas e presas. Os dados da Susipe, acima, materializam precisamente o significado dessa guerra. 

Na verdade é a população, principalmente a da periferia, a verdadeira vítima dessa guerra entre milicianos e traficantes. “Por isso da necessidade de se legalizar as drogas. Todas elas. Para acabar com essa guerra, dar o direito a quem quer plantar, regulamentar, porque tem que ter qualidade e tratar quem busque tratamento, como o SUS já busca desenvolver através dos CAPS Ads”, explica Marcus.

Considerações para as próximas Marchas e para os próximos tempos


O que foi tentado ilustrar nesse texto são ainda elementos incipientes, mas que objetificam provocar um debate. É preciso seguir, fortalecer e impulsionar a Marcha da Maconha em Belém. Os inúmeros problemas apresentados, como consequência da política de drogas, demonstra que esse é um assunto que deve chegar de forma qualificada para o conjunto da sociedade e que não se resolve com a atual política de encarceramento e criminalização da população pobre.

Avançar, para além da Marcha, como bem propõe seus organizadores na edição desse ano, e unificar essa luta com as demais pautas dos movimentos sociais é um desafio que deve ser uma consequência sob responsabilidade não apenas de uma ou outra pessoa, mas do milhões de habitantes da Região Mteropolitana de Belém e de todos os municípios do Estado. 

Finalizo essa pequena contribuição parabenizando os que resistem e fizeram valer a edição desse ano e concluindo que todas e todos devemos dar nossa colaboração para que a legalização aconteça. Fazer uma Marcha da Maconha em Belém,parecia algo distante e utópico há um tempo atrás. Hoje, foi possível colocar cerca de 150 pessoas nas ruas. Como diria Eduardo Galeano, a utopia vai servindo para que caminhemos. E quando vemos, não estamos mais no mesmo lugar.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Globo: Vinheta de descomenoração de seus 50 anos


2:01
  1. TVENECOS 52.466 visualizações


Essa paródia foi produzida pelo Coletivo Enecos Bonde do Rio, em parceria com a Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social, como forma de descomemorar os 50 anos da Globo. Com apoio do Sindipetro-RJ.

"Hoje é um novo dia
E a notícia já se espalhou
A TV golpista
Coronelista
Na mão de poucos
Que tem poder
E os nossos sonhos não são contados
No oligopólio da informação

Hoje a tela é sua
Mas a rua é nossa
Ninguém mais te quer
Se vier

Aquela sua
Concessão é nossa
Democratizar a mídia já!

A tela é sua
Mas a rua é nossa
Ninguém mais te quer
Se vier

Aquela sua
Concessão é nossa
Democratizar a mídia já!"

Para compreender as inúmeras violações cometidas pela Rede Globo ao longo de seus 50 anos de existência, acesse:http://50anosdaglobo.tumblr.com.

E como aquecimento para os atos que se articulam a partir dessa semana, acesse o quiz preparado pela Enecos e teste seus conhecimentos sobre a história da Globo:http://www.buzzfeed.com/frnmd/50-anos-de-globo-1iieu


Fonte: https://m.youtube.com/watch?v=vnVLs3X_maY

domingo, 3 de maio de 2015

Mediterrâneo: uma grande fossa comum! Solidariedade com os excluídos do mundo!


por Cristina Mas

O naufrágio de um barco em que morreram 800 pessoas no caminho entre Líbia e Itália, voltou a colocar em foco o drama cotidiano que se vive no Mediterrâneo. Já são mais de 1600 mortos este ano, nas portas de uma Europa, que como única resposta, levanta muros, cercas, trincheiras e disse “blindar” suas fronteiras com polícias, militares, patrulhas, expulsões e as leis de imigração.

O Mediterrâneo tornou-se a fronteira mais desigual do mundo e também o mais perigoso entre os países que não estão em zonas de conflitos bélicos. A única guerra que se trava aí é a de jovens, de trabalhadores e de famílias que fogem da violência, da perseguição e da pobreza. Basta olhar para os dados da Frontex (agência europeia para controle das fronteiras) para se entender a natureza política desses fluxos. A maioria dos náufragos são sírios fugindo dos barris de bombas e armas químicas do regime de Bashar Al-Assad e dos jihadistas. Em seguida, vêm os erítreos, que sofrem com uma ditadura atroz, que impôs recentemente um serviço militar obrigatório por tempo indeterminado para homens e mulheres, cuja não aceitação ou deserção é punível com a pena de morte.

Depois, há os somalis e nigerianos, refugiados também da violência extrema. E estes se infiltram no caminho de migração de jovens do Senegal e da Gâmbia, que tentam chegar à Europa, apenas para ganhar a vida, como fazem hoje muitos jovens espanhóis, que emigram para a Alemanha. Há também os chamados refugiados climáticos, como aqueles que fogem da fome e da seca na Etiópia e outros países da África sub-saariana.

E contra estas realidades brutais, os governos europeus e a União Europeia estão arrancando os cabelos com o falso argumento de que "aqui não serve para todos". Como se fosse uma inundação, quando apenas algumas centenas de milhares para todo um continente. Nada comparável aos milhões de sírios instalados em campos de refugiados improvisados ​​nos países vizinhos. A Europa democrática não dar vistos a requerentes de asilo: eles só têm a opção de arriscar suas vidas em um barco para levá-los a uma terra firme. Aqueles que chegam vivos, não podem pedir proteção, porque as leis sobre a emigração e a deportação automática para qualquer país no norte da África, lubrificam o caminho para a polícia fechar as fronteiras da Europa.

A única resposta da UE ao drama é mais segurança: militarizar o Mediterrâneo para impedir o trânsito das pessoas. O primeiro-ministro britânico, David Cameron e o chanceler espanhol, José Manuel Garcia Margallo, afirmaram que não se deve lançar um grande dispositivo de resgate, pois poderia ter um "efeito de chamada". Vocês estão dizendo que as pessoas vêm para a Europa por uma decisão livre, como se fosse um esporte de aventura? E que se se afogam mais, virão menos? Grandes argumentos para dar mais corda para a extrema direita. A mesma que na Itália, há poucos dias, lamentou que Gaddafi (que financiou as campanhas eleitorais de Berlusconi e Sarkozy) não exista mais para apartar a Europa dessa imigração.

O mais perverso é que esses discursos de governos europeus criminalizam as vítimas. No fundo, o que eles estão dizendo é que os excluídos do mar são os culpados: devem permanecer em seus países e morrerem lá. Mas esses governos são responsáveis ​​pelo desastre do Iraque, da Síria, inclusive da Líbia (e antes Afeganistão, outra grande fonte de refugiados), bem como da pobreza na África. Não se pode destruir metade do mundo e ficar imune às consequências.

Encham de patrulhas o Mediterrâneo. Helicópteros e escunas não vão parar os párias do mar: só farão sua jornada mais longa... e muito mais letal. Porque não se pode deter as marés. É o fechamento de fronteiras terrestres que lança as pessoas para os barcos. "Se você não quer morto, coloque um ferry boat entre Trípoli e Roma", dizia um cartaz em protesto dos moradores de Lampedusa, uma ilha de apenas 6.000 habitantes, que mobilizou toda a sua solidariedade para ajudar os sobreviventes.

Para a EU, se trata apenas de construir fortalezas, levantar muros e abordar a imigração como um problema de ordem pública. Agora anunciam uma guerra contra os traficantes e ameaçam enviar exércitos para atacar barcaças. Na verdade, quando as portas de entrada para a Europa tornam-se menores e mais perigosas, os narcotraficantes fazem uma matança com aqueles que não têm alternativa. Cada parede que sobe na Europa abre um novo negócio para as máfias que lucram com o desespero. Seu "mercado" é inesgotável. A melhor maneira de lutar contra os traficantes não são bombas: é destruir o negócio, abrindo-se as portas para a entrada legal dos refugiados e se por fim ao Acordo de Schengen, bem como às leis de imigração. Para parar a pilhagem, parem de apoiar e armar tiranos.

Ao menos, que fechem suas bocas e deixem de dar lições de democracia ao mundo. Quanta hipocrisia! A principal porta de entrada para a Europa para “sinpapeles” continuam a ser os aeroportos. A Europa é um continente rico de idade, cercado por um mundo jovem e empobrecida, e, apesar da crise, continua a precisar de trabalhadores jovens, aos que deixa sem direitos, que deixem de ser bucha de canhão da exploração. Um exército de sub-proletariado: os escravos do século XXI. Eles querem, que em vez de uma ameaça, os enxerguemos como eles realmente são: nossos irmãos de classe, vítimas.

*Cristina Mas é militante do partido Luta Internacionalista, seção espanhola da Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (UIT-CI), organização mundial da qual também faz parte a CST-PSOL


Fonte: http://cstpsol.com/viewnoticia.asp?ID=726

25 mil torcedores gritam em coro: "Fora Beto Richa"


O governador Beto Richa (PSDB) foi alvo nesta tarde de vaias e palavras de ordem no estádio Couto Pereira, em Curitiba, onde ocorre a final entre o Operário e Coritiba pelo Campeonato Paranaense; "Fora Beto Richa", gritavam as duas torcidas em protesto ao massacre dos professores na quarta-feira, dia 29 de abril, quando mais de 200 educadores ficaram feridos por bombas e cães da PM; cerca de 25 mil torcedores estavam presentes no Couto Pereira; ontem à tarde, também em Curitiba, a torcida do Atlético não poupou o tucano. A Arena da Baixada entoou vários gritos de guerra anti-Richa. 

O governador Beto Richa (PSDB) foi alvo nesta tarde de vaias e palavras de ordem no estádio Couto Pereira, em Curitiba, onde ocorre a final entre o Operário e Coritiba pelo Campeonato Paranaense; 
"Fora Beto Richa", gritavam as duas torcidas em protesto ao massacre dos professores na quarta-feira, dia 29 de abril, quando mais de 200 educadores ficaram feridos por bombas e cães da PM; cerca de 25 mil torcedores estavam presentes no Couto Pereira; ontem à tarde, também em Curitiba, a torcida do Atlético não poupou o tucano. A Arena da Baixada entoou vários gritos de guerra anti-Richa. 

Do Blog do Esmael 

O governador Beto Richa (PSDB) foi alvo nesta tarde de vaias e palavras de ordem no estádio Couto Pereira, em Curitiba, onde ocorre a final entre o Operário e Coritiba pelo Campeonato Paranaense. 

"Fora Beto Richa", gritavam as duas torcidas em protesto ao massacre dos professores na quarta-feira, dia 29 de abril, na capital paranaense, quando mais de 200 educadores ficaram feridos por bombas e cães da PM. 

Ontem à tarde, também em Curitiba, a torcida do Atlético não poupou o tucano. A Arena da Baixada entoou vários gritos de guerra anti-Richa. 

“Ei Beto Richa vai tomar no cu…”, “Puta que pariu… o Beto Richa é a vergonha do Brasil”, “O professor é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo”. Você acha que acabou as hostilidades, caro leitor? Ledo engano. Na quinta (30), o meia o Tubarão (Londrina) Rafael Bastos, ao comemorar o título do interior, sacou um cartaz com os seguintes dizeres: “Beto Richa tirano! Que vergonha bater em trabalhador! #Força professores!!!”. 

Como se vê, o massacre dos professores chegou a todos os setores – da padaria ao estádio de futebol – para o azar do monstro Beto Richa e sorte da sociedade democrática. 

Portanto, o povo tem razão: “Fora Beto Richa, renúncia já!” 

Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/179411/25-mil-torcedores-gritam-em-coro-Fora-Beto-Richa.htm

Lembranças do mundo de lá

Assistindo desenho com o Rafinha. Matheus dormiu. A cachorrinha foi pra cozinha. Tio Mauro prepara um almoço daqueles, que não digo porque senão seria, como já disse um amigo, ostentação.

Mamãe e Margô contando aqueles adoráveis causos e falando de amigos, histórias, comida, gente, vida.

Como são divinas essas histórias. Como isso me lembra da casa da vovó, de nossa casa em Abaeté, de nosso quintal. Mamãe na beira do quintal. A gente e nossa patota de amigos de toda a vizinhança sempre por ali reunido. Correndo para pegar a fruta-pão quando caía. Desespero do Seu Torquato. Égua di velho sovina!

Por falar nele, me alembrei do Tietê. Campo de Futebol do Clube do Tietê, aos fundos do nosso quintal e do Seu Torquato, Seu Antônio da Farmácia e tantos outros. Campo grande. Para mim era um mundo. Caramba... Brincamos muito e corríamos por ali.

Mas também era caminho. Para o Vicente Maués, escola onde eu estudei a primeira série. Tinha 6 anos. Atravessar o Tietê parecia atravessar o mundo de tão grande que me era. Tão grande quanto a distância que lhe separava do Grupo Educacional Barão do Rio Branco, que ficava na Barão.

Engraçado... Lá, estudar parecia gostoso. Eu acordava cedo. Ia feliz. Vou pra escola... Lá, eu fui alfabetizado. Lia jornal. Dizem. Não lembro. Lembro que gostava de ver o Jornal Nacional, porque meu pai, que viajava muito, sempre assistia em casa. Era sagrado. Hoje ele nem liga. Lê jornal, ouve a Clube, se revolta com a politicagem e pornofonia deles, desliga.

Além do campo tinha a Sede Social do Tietê. Nossa primeira matinê. Que incrível! O velho Torquato oferecia, de graça, a festa para as crianças de toda a cidade toda a semana. De cinco as sete. Muito flash, dance, refrigerante para quem podia pagar.

Seu Torquarto não dava pão, diretamente. A gente pegava. Mas dava festa. Menos mal. Somos carnival, já disse um poeta.
A gente pirava naquelas luzes azuis que  faziam o material da língua de nossos tênis e as roupas brancas acenderem. Nada reluzia como as línguas!

Ao som do flash, aquela badernas..., aquela paquera, aquela correria...

Que bom lembrar daqueles dias!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Total solidariedade aos professores do Paraná - Basta de repressão


Os professores do Paraná tem sido um exemplo nacional de luta e resistência contra o ajuste fiscal e arrocho salarial do governo Dilma (PT/PMDB), governadores e prefeitos. Em fevereiro, a greve impôs uma primeira derrota ao "pacotaço" do governo Richa (PSDB), que pretendia retirar direitos da categoria. 

Desde o último sábado os professores entraram novamente em greve para impedir a votação do projeto de lei enviado por Richa que quer retirar direitos previdenciários dos servidores estaduais.

Para impedir que os trabalhadores derrotem de novo o pacote de ajuste e sigam dando exemplo a outras categorias que também estão sofrendo o impacto dessa política, o governo tucano colocou a polícia para reprimi-los brutalmente. Cerca de 50 pessoas estão feridas, sendo que oito em estado grave. Os professores precisam de toda a nossa solidariedade!

Assinam esta nota: 
Juventude Vamos à Luta
Corrente Socialista dos Trabalhadores - PSOL

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dilma e Maneschy tentam dar golpe no ANDES


Chamamos todos os ativistas e democratas de luta para virem urgentemente para a sede da CNBB aqui na Barão entre Almirante e 25.

Dilma/MEC querem destruir com o ANDES-SN.

O governismo chamou hoje assembleia para se criar sindicato pelego, o PROIFES, na base da ADUFPA-SS, ADUFRA-SS e Andes-Sindicato Nacional. Para tanto, estão se utilizando de segurança privada e Polícia Militar do Pará. Até agressões a professores já ocorreram.

O ANDES-SN e suas seções têm história de luta e coerência. São fundamentais na defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade social.

Quem comanda o golpe é a própria reitoria, através do vice reitor da #UFPA Horácio Schneider, que envergonha os professores de todo o Brasil, principalmente os grevistas.

Helenilson Pontes faria inveja a Goebbels

Joseph Goebbels, arquiteto da comunicação nazista, dizia que uma mentira dita mil vezes acabava virando uma verdade.

Tal qual seu professor, que era um exímio manipulador da realidade e braço direito do sanguinário ditador totalitário Adolph Hitler, o secretário de estado de educação do Pará, Helenilson Pontes (PSD), tenta fazer crer que os educadores do Pará são muito bem remunerados.

Nada mais falso!
Nem a população e tampouco os educadores paraenses comemos caroço de pupunha. O dito popular diz que quem o come fica rude.

Pelo contrário: estamos vivos e vacinados contra as traquinagens e cinismo que emana do governo Simão Jatene (PSDB-PSC).

O vídeo abaixo é mais uma prova disso! Educador é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo!

Fora Helenilson!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Educação - governo age com mentiras, ataques e tiranias


Será que o governador Jatene (PSDB) não se cansa de mentir? 

As informações na imagem acima dizem muito de quem é e dos absurdos cometidos pelo governo do Pará (PSDB-PSC).

Eis a que ponto chegou a bandidagem de seu governo e do nada excelentíssimo secretário de estado de educação, o meritocrático e fascista dr. Helenilson Pontes (PSD).

Cadê o MPE? O MPF? 
A gente derrubou a "PEC da mordaça" para promotores/procuradores trabalhassem, por exemplo, contra a tirania do déspota, que pela terceira vez governa o estado do Pará. 

Por conta de suas traquinagens, o jornalista e escritor Lúcio Flávio Pinto (edita o quinzenal Jornal Pessoal), o comparou a Luis XIV, em matéria de capa recente intitulada 'Jatene é o estado'.
E sem milndres, como um Bonaparte dos trópicos húmidos, o governador usa e abusa do erário público em propagandas milionárias, entregues de mão beijada, ao maior grupo de comunicação do Norte do País, as ORM's afiliada da Rede Globo e de propriedade da famiglia Maiorana.

Pelas mentiras e criminosos ataques contra educação, Jatene e o staf da SEAD e SEDUC já merecem cadeia!

Não há mais condições de permanência de Pontes a frente da SEDUC. Os educadores iniciaram abaixo assinado por sua demissão e contra os ataques e ajustes do governador Jatene; greve que também é pelo pagamento piso nacional, contra o PL 4330 das terceirizações (eufemismo para moderna escravidão) e para derrotar os ajustes neoliberais de Dilma-Levy (PT-PMDB).

A luta dos educadores, estudantes e famílias, além de justíssimas é uma luta de toda a sociedade contra o obscurantismo e a exploração. 

Greve geral no país é urgente e necessária. É uma um clamor da vida contra a escancarada violência e exploração. 
A educação liberta os homens das amarras e fantasias e lhe direciona para a luta. Para a busca de sua efetiva liberdade.
Liberdade nada mais é do que ter pão, terra, teto e a própria liberdade. E isso tudo só se consegue, eis a história do gênero humano para comprovar, a gente só consegue com luta e organização social.

Unir a esquerda de luta, as centrais sindicais, o MTST,MST, povo pobre e a juventude no 1º de Maio Classista e unificado contra os ataques e ajustes de Dilma, governadores, prefeitos e patrões!
No Dia Internacional dos Trabalhadores, se solidarizar com todas as greves em curso e construiro greve geral!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Educação - O professor é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo!

Tomar as ruas contra os ataques de Jatene e Dilma!


Trabalhadores da educação do Pará, em greve há mais de dez dias, e estudantes secundaristas, principalmente da Escola Estadual Tiradentes II, fizeram caminhada e foram até a Assembleia Legislativa do Estado, onde promoveram protesto. Foram recebidos, em audiência, por uma comissão de parlamentares.

Os educadores buscaram um diálogo e uma saída para a crise, tendo em vista que o governo age com truculência e se recusa a dialogar e/ou atender as justas demandas da categoria.

Na contramão da história, desembargadora declara guerra à educação

A Justiça do Pará, atendendo a Procuradoria do Estado, assim como o governador Jatene, demonstrou seu total desprezo para com a educação, para com os professores e os alunos. Em liminar, declarou a "greve abusiva".

O judiciário repete a dose de amargo veneno: a douta desembargadora Gleide Pereira de Moura, do alto de sua suntuosa sala no Palácio Lauro Sodré, tal qual um déspota esclarecido, expôs total desconhecimento da realidade de nossas escolas, educadores e alunado. 

Ela determinou, alegando defender os estudantes, que os professores voltassem para as salas de aula em um prazo de 24h, sob a mira de multas ao Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Pará (SINTEPP).

No processo, Moura cita os estudantes, mas não viu nos jornais o que essas fotos aqui dizem: os discentes secundaristas estão ao lado dos professores, das merendeiras, dos orientadores, das supervisoras e porteiros! 
Eles têm marchado diariamente lado a lado.

Os estudantes, que a desembargadora finge defender, sofrem as agruras diárias do descaso do governo, o qual efetivamente ela defende. 

A decisão do desembargo atende aos ditames  de um sórdido governador

Em seu terceiro mandato e quase 30 anos nos mais altos postos do executivo estadual, (começou na Secretaria de Estado de Planejamento e Finanças em 1982, a convite do então governador, Jader Barbalho-PMDB), Simão Robson Jatene (PSDB) é a expressão da educação do Pará e das demais áreas sociais. Uma verdsdeira catástrofe. 

O estado tem uma das piores notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do país e apresenta os piores indicadores sociais. 

Melgaço, na Ilha do Marajó, tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano da América do Sul. Nas Américas, só ganha do Haiti. 
Contudo, a violência policial contra pobre, contra preto, contra favelado, tal qual lá ou em Ciudad Juarez no México, graça aqui. 


O governador do Pará nunca quis resolver nenhum desses problemas. E não quis porque ele é a principal causa de todas as mazelas que o povo paraense enfrenta.

Para trabalhar, professores fazem das tripas coração, principalmente os das áreas marginalizadas e do inteirior (campos, áreas ribeirinhas e cidades). 

O salário dos educadores, porque o governador não paga o piso nacional (diferente do que diz propaganda falaciosa nos meios de comunicação) já não garante mais vida com dignidade. Fica difícil adquirir a cesta básica, comprar a carne, a gasolina, pagar o supermercado e as contas de água, gás e luz. 

No entanto, a desembargadora ataca as vítimas.

Como sempre... A justiça, eis a amiga História para comprovar, como parte do campo das superestruturas, serve a quem detém o poder econômico na base. 
Os donos desse poderio econômico e político controlam as igrejas, a grande mídia e a justiça. 

A desembargadora mentiu em sua decisão. Não está e nunca esteve preocupada com as escolas, porque estas estão caindo aos pedaços.
Não está e nunca esteve preocupada com os alunos, porque estes não tem sequer merenda para comer. 
Não está e nunca esteve preocupada com os educadores, porque os coage e os tenta amedrontar com sua pena. 

Acaso a desembargadora tivesse qualquer sentimento de humanidade, fraternidade e solidariedade para com os guerreiros que dependem da educação pública, ela mandava encarcerar na Penitenciária de Americano o governador Simão Jatene.

Contra as farsas de Jatene, contra a justiça vendida e o PL 4330 de Dilma-Levy, parar o estado neste dia 15 de abril


"Jatene utiliza sua televisão e sua justiça para declarar guerra aos educadores! 
Esses trabalhadores e toda a sociedade paraense vão declarar guerra contra Jatene, sua mídia e sua justiça patronal. 


Dia 15/4 vamos às ruas contra os ajustes de Dilma/Jatene e o PL 4330 das terceirizações!! 

A partir das 9h na praça da república!" Felipe Melo.
----

Última atualização: 15 de abril de 2015, às 6h23.

Educação - Quem decide a hora de encerrar a greve, desembargadora, são os professores

A criminalização de um direito


Do blog Na Ilharga

A desembargadora [Gleide Pereira de Moura]* que deferiu liminar, pedida pelo governo do estado, contra a greve dos professores agiu mais como serviçal do Executivo do que magistrada instada a proferir decisão judicial. A certa altura, a pachorrenta togada escreve, “Noto haver prova inequívoca que demonstre ofensa ao livre exercício do trabalho dos demais servidores (art.5º, XIII, CF/88) que não aderiram à greve, com a ocupação da Secretaria de Estado e Educação”. Ora, bastaria a desembargadora dar uma volta próximo ao quarteirão em que trabalha pra constatar que as escolas estão totalmente paralisadas, com os protões abertos e sem qualquer piquete que impeça alguém de entrar nessas escolas.

Lá adiante, a magistrada despe a toga e expõe todo o seu reacionarismo político ao afirmar, “Enquanto perdurar a greve, os alunos da escola pública serão cruelmente penalizados, vindo a experimentar danos irreparáveis, levando-se em consideração o atraso do calendário escolar. Vale lembrar que mencionado atraso traz prejuízos ainda maiores e irreparáveis àqueles que estão se preparando para os processos seletivos vindouros ou mesmo os que estão às vésperas da conclusão do ensino fundamental ou médio”.

E quando terminar a greve continuarão, Meritíssima, a ser penalizados frequentando escolas mal equipadas, com professores mal remunerados, sem merenda, sem segurança e sem motivação porque totalmente sucateadas. Não por culpa dos professores, mas de um governo ímpio, que trata a educação pública como gasto desnecessário, constituindo-se sua lamentável decisão em criminalização de um movimento legítimo, contribuindo para penalização tão perversa quanto a do governo do estado contra a educação pública.

Resta esperar que, em instância judicial superior, volte a prevalecer o que reza a jurisprudência do STF, por sinal, repetindo o ocorrido em greve anterior, consequentemente, derrubando essa torpe liminar concedida por uma desembargadora que parece saída das masmorras jurídicas pós Ato Institucional Nº 5. Lamentável!
----

Fonte: http://nailharga.blogspot.com.br/2015/04/a-criminalizacao-de-um-direito.html
*Grifo do Além da Frase


15 de abril é Dia Nacional de Paralisação


Em defesa do Emprego e do Salário!

Ir à luta, porque o governo Dilma (PT/PMDB) e os empresários promovem ataques sem precedentes na história aos trabalhadores.

Diante do aprofundamento da crise econômica, o governo Dilma Rousseff (PT/PMDB) lançou um ajuste fiscal que ataca conquistas da classe trabalhadora. As medidas provisórias (MP’s) 664 e 665 dificultam e atacam o acesso ao seguro desemprego; reduzem e retiram o direito à pensão vitalícia por morte; mudam as regras de seguro em caso de doenças ou acidentes no trabalho; do seguro defeso para pescadores e do abono salarial (direito ao PIS). 

Para piorar, no último dia 08/03, a Câmara dos Deputados - com o aval do principal ministro do governo Dilma, o banqueiro e ministro da fazenda Joaquim Levy - aprovou o Projeto de Lei (PL) 4330. Esse PL permite a terceirização de todos os setores da economia e coloca em risco todos os direitos da classe trabalhadora, conquistados por meio de muitas lutas. A aplicação desse projeto reduzirá, ainda mais, os salários dos trabalhadores, piorará as condições de trabalho provocando mais acidentes, doenças e mortes. O projeto afetará os servidores e os serviços públicos. Querem precarizar, ainda mais, os serviços como saúde, educação, aposentadoria e previdência, etc. Ao invés de melhorar a qualidade desses serviços, investindo recursos em hospitais e escolas, o dinheiro público vai parar diretamente nas mãos de empresários que superexploram trabalhadores e não têm o menor interesse em atender à população.


Medidas favorecem patrões e banqueiros

Além disso, o governo decretou o aumento e a reedição de impostos, impôs o aumento de combustíveis e da energia elétrica (que poderá alcançar até 70% no estado do Rio de Janeiro); vetou a correção da tabela do Imposto de Renda (IR); aumentou os juros bancários para 12,75% com impacto no endividamento das famílias brasileiras e que terá forte repercussão no aumento da dívida pública, retirando ainda mais recursos da saúde e educação para o pagamento de juros das dívidas interna e externa. No serviço público, Dilma determinou a diminuição de verbas em todas as áreas e só a educação sofreu corte de R$ 7 bilhões em 2015. O mesmo governo que remeteu 45,11% de todo o orçamento federal de 2014 para pagamento de juros aos agiotas nacionais e internacionais, prevê a destinação de 47% dos recursos de 2015 para o mesmo objetivo. 

Essas medidas em favor dos banqueiros e demais patrões provocarão ainda mais retração econômica, precarização do trabalho, degradação e privatização dos serviços públicos, combinadas com a alta do custo de vida. 


Saída para os trabalhadores é unificar as lutas, enfrentar os ataques e construir a Greve Geral

Contra esses ataques, os trabalhadores colocaram-se em movimento. Assim fizeram os metalúrgicos da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, que resistiram com 11 dias de greve à imposição de 800 demissões e, por meio da luta e da solidariedade de classe, mantiveram os empregos. O mesmo caminho foi trilhado pelos metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos que, depois de 8 dias de greve, reverteram em torno de 800 demissões. Os servidores do DF enfrentaram com greves e manifestações os atrasos de pagamento de salários. No Paraná, o governador Beto Richa (PSDB) teve que recuar, diante de uma poderosa greve e manifestações de rua, do pacote que ataca o plano de cargos e salários e a previdência de diversas áreas do funcionalismo público estadual. Agora estão em greve os professores de São Paulo e de diversos outros estados.

No Rio de Janeiro, os garis e os trabalhadores desempregados no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) deram um exemplo: Organizaram –se contra as direções pelegas dos seus sindicatos e contra os planos dos governos e disseram: Os garis e desempregados do ALUSA/ ALUMINI / Comperj não vão pagar pela crise! 

No dia 15 organizaremos paralisações, atividades em nossas categorias e uma manifestação de rua em conjunto com várias centrais sindicais. Trata-se do primeiro passo visando um plano de mobilização que unifique as campanhas salariais, as categorias em luta e os movimentos sociais para resistir aos ataques e para construir uma efetiva greve geral. Nesse sentido, exigimos que a CUT, CTB, NCST abandonem a defesa do governo Dilma e convoquem juntamente com os setores combativos a continuidade da mobilização unificada para construir uma poderosa greve geral que derrote o conjunto das medidas do ajuste fiscal de Dilma/Levy.


Nem Dilma (PT/PMDB), Nem Aécio Neves (PSDB/DEM): construir uma alternativa dos trabalhadores!

Diante do desafio imposto pelo governo e as classes dominantes, é preciso intensificar a organização e a unificação da nossa classe de forma democrática e independente para derrotar governos e empresários.

O programa de Dilma Rousseff (PT/PMDB) não difere em nada do projeto de Aécio Neves (PSDB), tanto que aplica as mesmas medidas anunciadas pelo tucano. Tanto o governo conservador de Dilma (PT/PMDB) quanto a oposição de direita, capitaneada por Aécio Neves (PSDB) estão de acordo em atacar e retirar os direitos da nossa classe. Aos trabalhadores e ao movimento sindical classista, ao movimento popular combativo e a verdadeira esquerda resta apenas construir uma alternativa que atenda aos interesses dos trabalhadores, distante de Dilma (PT) e de Aécio Neves (PSDB). Para isso precisamos forjar, nas lutas e nas ruas, um plano econômico alternativo e um governo dos trabalhadores.

•Barrar o ajuste fiscal de Dilma/Levy! Em direito não se mexe: Não ao PL 4330/04 das terceirizações! Revogação das MP’s 664 e 665! Unificar as lutas da classe trabalhadora para enfrentar os ataques e assegurar direitos e construir a Greve Geral contra o pacote do governo!

•Suspensão do pagamento das dívidas externa e interna para ter recursos para saúde, previdência e educação públicas e de qualidade. 

•Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores: confisco e estatização das empresas envolvidas em corrupção, manutenção dos empregos e plano de obras públicas para atender aos interesses da classe trabalhadora.

•Reforma agrária e moradia popular sob o controle dos trabalhadores. Reforma urbana, direito à habitação, a transportes públicos, estatais e de qualidade.

•Os trabalhadores não vão pagar pela crise: Que os ricos paguem pela crise, imposto progressivo sobre as grandes fortunas, heranças e sobre a remessa de lucros. 

•Todo apoio às greves! Reajuste dos salários de acordo com a inflação! Por melhores condições de trabalho! Fim das perseguições aos lutadores!

•Defesa dos serviços públicos e estabilidade no emprego. Contra as privatizações dos hospitais federais, da previdência pública, das empresas estatais (Petrobras, Caixa Econômica Federal, etc).


•Suspenção dos aumentos e congelamento das tarifas de energia, água e gás.

15 de Abril, Dia Nacional de Paralisações. Ato público unificado. Concentração às 16 horas – Trajeto, Candelária – Federação das Indústrias do RJ (Firjan), Av. Graça Aranha, 112.


Assinam: CSP-Conlutas, Unidade Classista, Unidos Pra Lutar, Andes-SN, SR RJ, Sinasefe, Sintuff, Sintufrj Vermelho, Comissão de trabalhadores do Comperj – Movimento S.O.S Emprego, MTST, Vamos à Luta.


Fonte: http://www.cstpsol.com/viewnoticia.asp?ID=704

Belém - Protesto contra o caos na saúde


Vocês sabiam que 20% dos internados no PSM da 14 são idosos? Vocês sabiam que o Estatuto do Idoso não é respeitado nas urgências e emergência públicas do Pará e que as equipes são obrigadas a escolher quem morre e quem elas tentam salvar? Entre um jovem e um idoso, por falta de condições básicas e equipamentos, se deixa sem prestação de assistência o mais velho e vulnerável.

Vocês sabiam que a mortandade entre todos que são internados nos dois PSMs da capital são muito acima do que é aceitável pela Organização Mundial de Saúde?

Infelizmente a realidade dos prontos socorros do Pará lembram as barbaridades dos hospitais de campana da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais.

Como disse Eduardo Galeano, as tragédias e barbáries do século XX, foram superadas  pelas do XXI. E não era para ser assim. E o são porque somos governados por verdadeiros assassinos que estão nos executivos e por achacadores nos parlamentos.

É preciso que a população saiba, apesar dos milhões recebidos do SUS todos os meses, que a ordem do dia na prefeitura de Belém é sucatear os serviços de saúde e super explorar os servidores para privatizar/terceirizar/precarizar ainda mais os serviços.

No Mário Pinnotti (PSM da 14), por exemplo, não tem fluxômetro, não têm balas de oxigênios móveis, não têm glicosímetros, não tem medicamentos básicos, o RX está quebrado. Daí o número absurdo de mortes, principalmente de idosos.

O Ministério Público do Estado e o Federal são omissos, para não dizer coniventes. A Câmara Municipal de Belém e a Assembleia Legislativa do Estado são igualmente carrascas e nada fazem. O judiciário é sádico e bate palma para essa carnificina.

Precisamos enfrentar esse genocídio. Precisamos lutar contra as péssimas e desumanas condições de nossos estabelecimentos de saúde, que mais se parecem a verdadeiros abatedouros humanos!

Hoje vamos protestar em Belém e você é nosso(a) aliado(a). Pronovidobpela Associação dos Servidores da Saúde no Município de Belém (ASSESMUB), o ato será fundamental para chamar a atenção e envolver a sociedade, bem como cobrar as responsabilidades dos órgãos públicos e autoridades.

Vamos à luta por saúde e exigir prisão por crime de responsabilidade do prefeito Zenaldo Coutinho e do governador do estado Simão Jatene, ambos do PSDB, por crime de responsabilidade!

Todxs ao ato por melhorias urgentes nas condições dos serviços dos prontos socorros e unidades e por melhores salários para os servidores públicos! 44% de reajuste já!
O protesto será a partir das 8h30, em frente da Prefeitura, nesta terça-feira, 14.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Eduardo Galeano: "Quem se aproxima, se incendeia."

Em video, escritor morto hoje celebra “o mistério da persistência humana, às vezes inexplicável, de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não a casa de poucos – e o inferno da maioria”
Por Eduardo Galeano
O medo ameaça: se você ama, terá Aids; se fuma, terá câncer; se respira, terá poluição; se bebe, sofrerá acidentes; se come, terá colesterol; se fala, terá desemprego; se caminha, terá violência; se pensa, terá angustia; se duvida, terá loucura; se sente, terá solidão.
Para ter fôlego, é preciso ter desalento. Para levantar tem que saber cair. Para ganhar tem que saber perder. Temos que saber que assim é a vida e que você cai e levanta muitas vezes. Alguns caem e não levantam nunca mais, geralmente os mais sensíveis, os mais fáceis de se machucar, as pessoas que mais dor sentem ao viver. As pessoas mais sensíveis são as mais vulneráveis.
Em contrapartida, esse filhos da puta que se dedicam a atormentar a humanidade, vivem vidas longuíssimas, não morrem nunca, porque não têm uma glândula, que é bem rara e que na verdade se chama consciência. É a que nos atormenta pelas noites.
Acho que o exercício da solidariedade, quando se pratica de verdade, no dia-a-dia, é também um exercício de humildade, que ensina a se reconhecer nos outros a grandeza escondida nas coisas pequenininhas. O que implica denunciar a falsa grandeza nas coisas grandinhas, em um mundo que confunde grandeza com grandinho.
O que é ser um escritor
Faz pouco tempo, em uma entrevista que me fizeram em Madri, um jornalista me falou: “lendo seus livros, eu sinto que você tem um olho microscópio e outro olho no telescópio”. Achei boa a definição das minhas intenções, de pelo menos o que eu gostaria de fazer escrevendo. Ser capaz de olhar o que não se olha, mas que merece ser olhado: as pequenas, as minúsculas coisas de gente anônima, de gente que os intelectuais costumam desprezar. Esse micro-mundo onde eu acredito que se alimenta de verdade a grandeza do universo. Ao mesmo tempo que sejamos capazes de contemplar o universo, através do buraco da fechadura — ou seja, a partir das pequenas coisas é possível olhar os grandes mistérios da vida. O mistério da dor humana, mas também o mistério da persistência humana, às vezes inexplicável, de lutar por um mundo que seja a casa de todos e não a casa de poucos – e o inferno da maioria. A capacidade de beleza, a capacidade de formosura das pessoas mais simples, às vezes mais singelas, tem uma insólita capacidade de formosura, que às vezes se manifesta em uma canção, em um grafite, numa conversa qualquer — esta que praticam as crianças. Acontece que depois nós, os adultos, nos ocupamos em transformá-las em nós mesmos, e aí destruímos a vida delas. Mas, temos que ver oque é uma criança, não? São todos pagãs.
Faz pouco tempo, sofri uma tragédia, morreu meu companheiro Morgan, meu cachorro companheiro de passeio, que me acompanhava também escrevendo, porque quando eu perdia a mão e já levava 18 horas escrevendo, sua pata me dizia: “vamos, a vida não termina aqui, nos livros, vem, vamos passear juntos”. Aí íamos os dois. Porém, ele morreu. Com isso eu andava com uma música muito ruim na alma. Falando em perdas, realmente, a perda do Morgan foi muito forte para mim. Me arrancou um pedaço do peito. Bem, estava assim, muito triste e saí a caminhar pelo bairro. Era cedo, manhãzinha, não consegui dormir, me vesti e fui caminhar. Cruzei com uma menina muito nova, devia ter uns dois anos, que vinha brincando no sentido contrário. Ela vinha cumprimentando a grama, as plantinhas, “boa dia graminha”, dizia ela. Ou seja, nessa idade, somos todos pagãos, e nessa idade somos todos poetas. Depois o mundo se ocupa de apequenar nossa alma.
O que é utopia?
Fazíamos a pergunta todos os dias: “para que servia a utopia? Se é que a utopia servia para alguma coisa…” Então disse: “veja bem, a utopia está no horizonte e se está no horizonte, nunca vamos alcançá-la. Porque se caminho dez passos, a utopia vai se distanciar dez passos e se caminho vinte passos, a utopia vai se colocar vinte passos mais além. Ou seja, sei que jamais vou alcançá-la. Então para que serve? Para isso, para caminhar.
O século XX, que nasceu anunciando a paz e justiça, morreu banhado em sangue e deixou um mundo muito mais injusto do que o que tinha encontrado. O século XXI, que também nasceu anunciando paz e justiça, está seguindo os passos do século anterior.
Na minha infância, eu estava convencido de que tudo o que na Terra se perdia, ia parar na Lua. Sonhos perigosos, promessas traídas, esperanças estilhaçadas, Se não estão na Lua, onde estão? Será que na Terra não se perderam? Será que na Terra se esconderam e estão esperando por nós?
Dizem que o mundo é feito de átomos. Está bem. “O mundo não é feito de átomos, o mundo é feito de histórias”, disse uma amiga. Eu acredito que sim, o mundo deve ser feito de histórias, porque são as histórias que a gente conta e escuta, recria e multiplica. São as histórias que permitem transformar o passado em presente, e também permitem transformar o distante em próximo. O que está distante em algo próximo, possível e visível.


O mundo é isso, revelou: um monte de gente, um mar de foguinhos. Não existem dois fogos iguais. Cada pessoa brilha com luz própria, entre todas as outras. Existem fogos grandes e fogos pequenos, fogos de todas as cores. Existem pessoas de fogo sereno, que nem ficam sabendo do vento, e há pessoas de fogo louco, que enche e arde faíscas. Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam. Mas outros… outros ardem a vida com tanta vontade, que não pode olhá-los sem pestanejar. Quem se aproxima, se incendeia.
----
Fonte:http://outraspalavras.net/mundo/america-latina/galeano-para-viver-sem-medo/