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domingo, 3 de maio de 2015

Mediterrâneo: uma grande fossa comum! Solidariedade com os excluídos do mundo!


por Cristina Mas

O naufrágio de um barco em que morreram 800 pessoas no caminho entre Líbia e Itália, voltou a colocar em foco o drama cotidiano que se vive no Mediterrâneo. Já são mais de 1600 mortos este ano, nas portas de uma Europa, que como única resposta, levanta muros, cercas, trincheiras e disse “blindar” suas fronteiras com polícias, militares, patrulhas, expulsões e as leis de imigração.

O Mediterrâneo tornou-se a fronteira mais desigual do mundo e também o mais perigoso entre os países que não estão em zonas de conflitos bélicos. A única guerra que se trava aí é a de jovens, de trabalhadores e de famílias que fogem da violência, da perseguição e da pobreza. Basta olhar para os dados da Frontex (agência europeia para controle das fronteiras) para se entender a natureza política desses fluxos. A maioria dos náufragos são sírios fugindo dos barris de bombas e armas químicas do regime de Bashar Al-Assad e dos jihadistas. Em seguida, vêm os erítreos, que sofrem com uma ditadura atroz, que impôs recentemente um serviço militar obrigatório por tempo indeterminado para homens e mulheres, cuja não aceitação ou deserção é punível com a pena de morte.

Depois, há os somalis e nigerianos, refugiados também da violência extrema. E estes se infiltram no caminho de migração de jovens do Senegal e da Gâmbia, que tentam chegar à Europa, apenas para ganhar a vida, como fazem hoje muitos jovens espanhóis, que emigram para a Alemanha. Há também os chamados refugiados climáticos, como aqueles que fogem da fome e da seca na Etiópia e outros países da África sub-saariana.

E contra estas realidades brutais, os governos europeus e a União Europeia estão arrancando os cabelos com o falso argumento de que "aqui não serve para todos". Como se fosse uma inundação, quando apenas algumas centenas de milhares para todo um continente. Nada comparável aos milhões de sírios instalados em campos de refugiados improvisados ​​nos países vizinhos. A Europa democrática não dar vistos a requerentes de asilo: eles só têm a opção de arriscar suas vidas em um barco para levá-los a uma terra firme. Aqueles que chegam vivos, não podem pedir proteção, porque as leis sobre a emigração e a deportação automática para qualquer país no norte da África, lubrificam o caminho para a polícia fechar as fronteiras da Europa.

A única resposta da UE ao drama é mais segurança: militarizar o Mediterrâneo para impedir o trânsito das pessoas. O primeiro-ministro britânico, David Cameron e o chanceler espanhol, José Manuel Garcia Margallo, afirmaram que não se deve lançar um grande dispositivo de resgate, pois poderia ter um "efeito de chamada". Vocês estão dizendo que as pessoas vêm para a Europa por uma decisão livre, como se fosse um esporte de aventura? E que se se afogam mais, virão menos? Grandes argumentos para dar mais corda para a extrema direita. A mesma que na Itália, há poucos dias, lamentou que Gaddafi (que financiou as campanhas eleitorais de Berlusconi e Sarkozy) não exista mais para apartar a Europa dessa imigração.

O mais perverso é que esses discursos de governos europeus criminalizam as vítimas. No fundo, o que eles estão dizendo é que os excluídos do mar são os culpados: devem permanecer em seus países e morrerem lá. Mas esses governos são responsáveis ​​pelo desastre do Iraque, da Síria, inclusive da Líbia (e antes Afeganistão, outra grande fonte de refugiados), bem como da pobreza na África. Não se pode destruir metade do mundo e ficar imune às consequências.

Encham de patrulhas o Mediterrâneo. Helicópteros e escunas não vão parar os párias do mar: só farão sua jornada mais longa... e muito mais letal. Porque não se pode deter as marés. É o fechamento de fronteiras terrestres que lança as pessoas para os barcos. "Se você não quer morto, coloque um ferry boat entre Trípoli e Roma", dizia um cartaz em protesto dos moradores de Lampedusa, uma ilha de apenas 6.000 habitantes, que mobilizou toda a sua solidariedade para ajudar os sobreviventes.

Para a EU, se trata apenas de construir fortalezas, levantar muros e abordar a imigração como um problema de ordem pública. Agora anunciam uma guerra contra os traficantes e ameaçam enviar exércitos para atacar barcaças. Na verdade, quando as portas de entrada para a Europa tornam-se menores e mais perigosas, os narcotraficantes fazem uma matança com aqueles que não têm alternativa. Cada parede que sobe na Europa abre um novo negócio para as máfias que lucram com o desespero. Seu "mercado" é inesgotável. A melhor maneira de lutar contra os traficantes não são bombas: é destruir o negócio, abrindo-se as portas para a entrada legal dos refugiados e se por fim ao Acordo de Schengen, bem como às leis de imigração. Para parar a pilhagem, parem de apoiar e armar tiranos.

Ao menos, que fechem suas bocas e deixem de dar lições de democracia ao mundo. Quanta hipocrisia! A principal porta de entrada para a Europa para “sinpapeles” continuam a ser os aeroportos. A Europa é um continente rico de idade, cercado por um mundo jovem e empobrecida, e, apesar da crise, continua a precisar de trabalhadores jovens, aos que deixa sem direitos, que deixem de ser bucha de canhão da exploração. Um exército de sub-proletariado: os escravos do século XXI. Eles querem, que em vez de uma ameaça, os enxerguemos como eles realmente são: nossos irmãos de classe, vítimas.

*Cristina Mas é militante do partido Luta Internacionalista, seção espanhola da Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (UIT-CI), organização mundial da qual também faz parte a CST-PSOL


Fonte: http://cstpsol.com/viewnoticia.asp?ID=726

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Tudo, ou quase, começou na África

O velho continente, os lobistas e os negócios da Petrobras


por Diego Escosteguy, com Flávia Tavares, Marcelo Rocha e Leandro Loyola
Em 19 de abril de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Acra, capital de Gana, para uma das 28 visitas diplomáticas que fez à África em seus oito anos no Planalto. Naquela manhã de sábado, Lula foi recebido no aeroporto pelo presidente ganense, John Agyekum Kufuor, que lhe entregou flores amarelas, brancas e rosa. Deu tchauzinhos, passou em revista as tropas, ouviu os hinos dos dois países e assistiu a um show de danças típicas. Depois da solenidade, seguiu para o Castle Route, palácio do governo local, para começar a tratar de negócios.
A diplomacia de negócios na África era central à política externa do governo Lula. Havia um componente ideo­lógico de esquerda na aproximação com a África. Ele se revelava no desejo de Lula e do PT em ajudar esses países a superar problemas sociais crônicos. Mas o Brasil também ganhava muito – e ninguém começou a ganhar mais que as empreiteiras brasileiras. Elas passaram a ter negócios em 70% dos países africanos. Mesmo que isso significasse, para os brasileiros, ver Lula apertar a mão de ditadores como Obiang Nguema, da Guiné Equatorial, que se mantém violentamente no poder há 35 anos, ou do líbio Muammar Khadafi, apeado do poder durante a Primavera Árabe. Em 90% das conversas, os chefes de Estado africanos pediam a presença de uma empresa brasileira em seus países: a Petrobras.
Os pedidos faziam sentido. Países como Gana detêm muita matéria-prima, sobretudo na área de energia, como campos de petróleo e gás, mas pouca experiência ou recursos para transformar riquezas naturais em dinheiro para seus povos – ou líderes políticos corruptos. Percebendo isso, o governo Lula determinou que a Petrobras buscasse oportunidades de parceria nesses países. Determinou também que o BNDES financiasse os projetos em que empreiteiras brasileiras tivessem participação.
Na numerosa comitiva que acompanhava Lula em Acra havia dois convidados especiais. Um deles era o empresário José Carlos Bumlai, um dos melhores amigos de Lula e então conselheiro da empreiteira Constran. Ao lado de Bum­lai estava Fábio Pavan, lobista da Constran em Brasília – e, naquele momento, encarregado de conseguir contratos em Gana na área de energia e biocombustíveis. Pavan ocupava, em Brasília, o cargo que, duas décadas antes, nos governos de José Sarney e de Fernando Collor de Mello, pertencera a Bumlai: prestar – e cobrar – favores a políticos que tenham relação com a Constran. Esse tipo de relação promíscua alimenta há décadas a corrupção no mundo da política, e não apenas no Brasil. Não é fortuito que, no curso da operação Lava Jato, a Polícia Federal (PF) tenha descoberto evidências de que a Constran também participara do esquema de corrupção na Petrobras liderado por Paulo Roberto Costa, ex-di­retor da Petrobras, e Alberto Youssef, um dos principais doleiros do país. E que contribuíra para campanhas políticas em 2010. A Constran nega as acusações.
Bumlai é desconhecido fora da política, mas dentro dela é uma estrela. Tinha livre acesso ao Palácio do Planalto e oferecia churrascos ao amigo Lula. Também filtrava nomeações políticas para os maiores cargos da República, como diretorias na Petrobras. “Estive com Bumlai duas vezes, pedindo ajuda para ser diretor. Era um cara muito forte no PT”, disse o lobista João Augusto Henriques, quase nomeado diretor internacional da Petrobras em 2008, por indicação do PMDB. Bumlai já foi acusado de usar a influência de Lula em favor de negócios particulares. E não só particulares. Antes que o tesoureiro petista Delúbio Soares tombasse no caso do mensalão, Bumlai mantinha frequentes contatos com ele, segundo extratos telefônicos da CPI que investigou o caso. Na Operação Vampiro, em que a Polícia Federal investigou fraudes em licitações no Ministério da Saúde, ainda no começo do governo Lula, o nome de Bumlai apareceu, em depoimentos e grampos telefônicos, como arrecadador de fundos para o PT, ao lado de Delúbio. No mais recente depoimento que prestou ao Ministério Público, o operador do mensalão, Marcos Valério de Souza, fez acusações semelhantes. Bumlai sempre negou peremptoriamente qualquer atividade ilegal. Mas nunca negou a amizade com Lula.
 
BOAS RELAÇÕES O consultor Fábio Pavan, amigo de José Carlos Bumlai, próximo a Lula. Ele foi chamado para organizar uma reunião entre companhias de petróleo de Gana e do Reino Unido com representantes da Petrobras (Foto: Marcos Serra/Esp. CB/D.A Press)
Na visita a Acra, Lula deixou claro que estava ali para tratar de um tema central: energia. Logo na chegada a Gana, criticou a indústria do petróleo e defendeu investimentos em biocombustíveis no país, com a ajuda do Brasil. Pouco depois, Fábio Pavan, que se apresentava como “diretor de desenvolvimento” da Constran, comemorou publicamente uma parceria com uma empresa local, a Northern Sugar Resources, para produzir etanol. A Constran entrava com a usina, a Northern com a cana, e o BNDES com o dinheiro para a empreitada. Pavan disse que o investimento total seria de US$ 306 milhões, dos quais US$ 260 milhões iriam do BNDES para a Northern. “É um projeto vencedor”, disse Pavan. Acrescentou que se tratava do primeiro empréstimo público concedido pelo Brasil a Gana. Um ano mais tarde, a Constran anunciava a construção de duas hidrelétricas, além da usina de etanol. Os três empreendimentos juntos deveriam somar US$ 850 milhões e ter, claro, financiamento do BNDES. Em 2009, Pavan afirmou que “Gana tem a melhor porta de entrada da África”, por causa das estabilidades política e econômica, além do “baixo nível de corrupção”. “O Brasil estava dormindo e acordou”, disse o embaixador de Gana no Brasil, Samuel Dadey.
Fábio Pavan (Foto: reprodução)
Fazer negócios na África, como sabem homens como Bumlai ou Pavan, não é nada fácil. A burocracia e a corrupção são obstáculos insuperáveis para quase todos que se aventuram por lá. Apesar das declarações triunfais de Pavan, os negócios da Constran em Gana deram errado. A Odebrecht tomou o lugar da Constran. Pavan prosseguiu em seu safári. Para fazer dinheiro em Gana, correu à Petrobras. Em outubro de 2011, segundo documentos obtidos por ÉPOCA, Pavan, ao lado do ganense Dadey, já ex-embaixador, marcou uma reunião dos diretores da empresa britânica Minexco (leia o e-mail acima) com o então diretor internacional da Petrobras, Jorge Zelada, indicado pelo PMDB. A Minexco, em parceria com a petroleira estatal de Gana, queria que a Petrobras virasse sócia na exploração do campo de Tano, no litoral ganense.
Para chegar até Zelada, Pavan e os executivos da Minexco tiveram de passar pelo crivo do lobista João Augusto Henriques, aquele que esteve com Bumlai e, como revelou ÉPOCA no ano passado, era o intermediário para qualquer negócio na área internacional da Petrobras. Marcou-se um encontro no escritório de João Augusto no Rio. João Augusto desistiu na undécima hora, segundo os envolvidos. Num lance comum nessas aventuras subterrâneas, João Augusto aproximou-se do ex-embaixador Dadey e se livrou de Pavan, o intermediário concorrente.
Mesmo com a astúcia do lobista João Augusto, a operação da Petrobras com Gana foi barrada na diretoria da estatal. Em 2011, anos depois da visita a Gana, havia na Petrobras apenas o eco dos discursos triunfalistas de Lula. A empresa, segundo documentos internos obtidos por ÉPOCA, investira bilhões de dólares em seis países africanos. As operações eram promissoras, em especial na Nigéria, mas não produziam dinheiro suficiente para que aventureiros como Pavan ou João Augusto laçassem novos negócios no continente. O caixa da Petrobras começara a secar. Eram negócios demais, seja nas refinarias de Paulo Roberto Costa, seja nas compras e vendas da turma do PMDB, liderada por João Augusto. A política de vender combustível barato ao brasileiro, tendo de importá-lo cada vez mais caro, também contribuía para o sumiço de bons negócios.
A frustração com a operação Gana talvez tenha levado João Augusto, o caçador da Petrobras na África entre 2008 e 2012, a lembrar melhores temporadas. Uma das caçadas de João Augusto aconteceu em 2009, na Namíbia. Ali, segundo disse a ÉPOCA, foi uma caçada a dois: PT e PMDB. O grupo inglês Chariot, que detinha direitos de exploração num campo offshore na Namíbia, em sociedade com a British Petroleum, estava em busca da experiência da Petrobras para extrair petróleo de águas profundas. Os ingleses vieram ao Brasil. Não sabiam em que porta bater. E bateram, segundo João Augusto, na porta do sindicalista Armando Tripodi, do PT, então chefe de gabinete de José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras.
“Na Namíbia, o assunto veio pelo chefe de gabinete do Gabrielli, o Armando. O grupo deles (dos empresários ingleses e do PT) queria vender poços na Namíbia por US$ 150 milhões”, disse João Augusto. Ele queria dizer que essa turma esperava que a Petrobras entrasse de sócia na operação, mas, para isso, se comprometesse a pagar adiantado o valor a que teria direito quando – ou se – o petróleo fosse encontrado. João Augusto conta que propôs uma alternativa mais sensata, que poderia passar pelo Conselho de Administração. “Vamos vender pelo que o negócio vale hoje e, se tiver óleo, pagam-se os US$ 150 milhões.” Exatamente o tipo de raciocínio que a Petrobras, segundo ele, deveria ter aplicado na polêmica compra da refinaria de Pasadena, em 2006. “Não sou vestal. Gosto de dinheiro. Mas nunca faria uma sacanagem como a que fizeram em Pasadena”, disse João Augusto.
A proposta prosperou, segundo ele. João Augusto firmou um contrato com a Chariot e recebeu uma parte pela intermediação. Em maio de 2009, a Petrobras anunciou a compra de 50% do bloco na Namíbia do grupo Chariot, por US$ 16 milhões. Se a operação comercial desse certo, a Petrobras pagaria um “bônus de produção” de 4,75% da parcela produzida – ou US$ 118 milhões. “Eu tinha um sucesso, um percentual. Se Namíbia desse óleo, eu estava rico”, disse João Augusto. Só ele, ou a turma do sindicalista Armando Tripodi também? “Não sei dizer. Cuido apenas do meu dinheiro. Mas quebramos a cara. Deu seco. Acontece muito.” A operação de perfuração custou US$ 86 milhões. O projeto foi abandonado.
 
NÃO JORROU O lobista João Augusto. No negócio que fechou na Namíbia, a Petrobras perdeu dinheiro. De acordo com o relatório, deu “seco” (Foto: reprodução)
Depois de tantas caçadas frustradas, a Petrobras resolveu reunir seus ativos na África e buscar um sócio disposto a investir nas operações. A ideia era fundir todas numa operação conhecida como Petroáfrica. Como antecipou ÉPOCA em abril do ano passado, o sócio escolhido foi o grupo BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. Para conseguir fechar o negócio, o BTG contratou vários conselheiros, entre eles o lobista Hamylton Padilha – outro dos grandes caçadores da Petrobras, ao lado de João Augusto e Fábio Pavan. Bons caçadores atuam juntos. Segundo João Augusto, Padilha foi parceiro dele no lobby para que a Petrobras contratasse um navio-sonda da Vantage Drilling, por US$ 1,6 bilhão, em 2009. O negócio, segundo João Augusto, rendeu US$ 10 milhões em comissão – parte disso paga, diz ele, a deputados do PMDB. A operação Petroáfrica deu certo. Em junho do ano passado, a Petrobras se uniu ao BTG, numa nova subsidiária, não com todos, mas apenas alguns ativos, sobretudo na Nigéria. O BTG pagou US$ 1,5 bilhão por metade das operações. Técnicos da estatal ouvidos por ÉPOCA consideraram o valor baixo, levando em consideração o que a empresa já investira e quanto ela ainda poderia ter de retorno. Mesmo que o valor da operação possa ser questionado, já dá retorno à Petrobras e ao BTG. Documentos do BTG afirmam que o preço foi compatível com valores de mercado. Procurado, o BTG não se manifestou.
Fábio Pavan confirma que esteve com Bumlai e Lula na viagem a Gana. “Estava lá cuidando dos projetos da Constran, quando soube que o presidente Lula iria ao país para inaugurar o escritório da Embrapa. Decidi ficar e participar do evento. Bum­lai também foi”, diz. Procurado para falar sobre o relacionamento entre Lula e Bumlai, o Instituto Lula não respondeu até o fechamento desta edição. Pavan confirma ainda que, em 2011, Samuel Dadey, ex-embaixador de Gana no Brasil, o procurou para que articulasse uma reunião de representantes da GNPC, a estatal do petróleo de Gana, e da britânica Minexco com dirigentes da Petrobras. “Procurei alguns amigos que tinham relação com a Petrobras, mas a reunião acabou não ocorrendo”, diz. “O que me deixou bastante aborrecido.” A UTC Engenharia, controladora da Constran, informou que comprou a empresa em janeiro de 2010 e passou a administrá-la apenas em fevereiro daquele ano. Nesse perío­do, informou a assessoria da UTC, a Constran não fez negócios na África. A Petrobras informou que não comentaria o assunto. O gerente executivo de Responsabilidade Social da Petrobras, Armando Tripodi, ex-chefe de gabinete de Gabrielli, não foi localizado. De acordo com documentos do BTG Pactual, todas as empresas contratadas para auxiliar o banco na África, inclusive a de Padilha, eram obrigadas a assinar uma cláusula compatível com as normas internacionais anticorrupção. ÉPOCA foi à caça dos empresários Bumlai e Padilha, mas não os localizou.
 
LUCRO Navio-plataforma no campo de Agbami, na Nigéria, e documento da Petrobras quantificando as reservas no local. Finalmente um negócio que deu retorno à Petrobras e a seu sócio, o banco BTG (Foto: divulgação)
Fonte: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2014/04/os-lobistas-e-os-negocios-da-bpetrobras-na-africab.html