domingo, 27 de agosto de 2017

Por que não VAMOS?

A Frente Povo Sem Medo lança neste sábado 26 de agosto, em São Paulo, o primeiro debate da plataforma VAMOS! O objetivo, segundo Guilherme Boulos, um dos principais dirigentes dessa iniciativa, é construir um projeto para tirar o Brasil da crise. Os temas em debate serão: a democratização da economia; da política e do poder; da cultura e das comunicações; dos territórios e meio ambiente; e um programa negro, feminista e LGBT. Entre os principais debatedores e, portanto, proponentes estarão o próprio Boulos, Marcelo Freixo, Tarso Genro, a presidente do PT Gleisi Hoffman e o presidente da CUT Vagner Freitas, entre outros.
Não VAMOS! com o PT
Em recente matéria publicada na Carta Capital, anunciando o lançamento da plataforma VAMOS! Boulos afirma: “O Brasil está afundado numa de suas maiores crises […] na qual os remédios da austeridade levaram o País à UTI […] é também uma crise de representação política, com o Congresso desmoralizado, um governo ilegítimo e, sobretudo, um sistema falido e sem credibilidade. Um diagnóstico até correto, porém, ao não analisar a gêneses desta catástrofe, que tenta remediar, acaba buscando caminhos para sair do labirinto nas mãos daqueles que nos introduziram nele. Não vamos nos enganar, Gleisi Hoffman, Lindbergh Farias e Vagner Freitas, impulsionadores do VAMOS! são do time que quer ver Lula presidente em 2018. Gleisi Hoffman é a cara de Lula na plataforma VAMOS! Trabalha estritamente para o projeto de Lula 2018 e seu papel será levar esse debate a um pântano.
Sem romper, clara e publicamente, com o lulopetismo, não existe nenhuma possibilidade de iniciar um debate serio para construir um projeto de esquerda para o Brasil. Na última década, as propostas da maioria da esquerda bateram de frente com as políticas defendidas pelo PT. A crise econômica profunda é parte da crise gerada pelos governos petistas encabeçados por Lula e Dilma. Prova disso é Henrique Meirelles, um homem do mercado financeiro internacional, figura protagônica da área econômica durante o governo Lula, que hoje é o timoneiro das políticas de ajuste e das reformas contra a classe trabalhadora. Não por acaso, em recente entrevista no rádio, Lula declarou: “… devo muita gratidão ao Meirelles. Muita. […] Acho que o Meirelles teria contribuído para a Dilma”. Salvando a brutalidade para aprovar algumas medidas do atual ajuste, não houve uma ruptura da estrutura econômica na transição de Dilma/PT para Temer/Meirelles.
Não é crível que um dos setores responsáveis pela miséria e pelo “inédito nível de regressão social e dos direitos” de nossa classe possa nos ajudar a sair da crise. Mas, a plataforma do VAMOS! faz questão de contar com a presença dos petistas para discutir esse programa. O PT, que surfou por longos anos nos altos preços das commodities, não teve nenhuma política para reverter essa crise nem mudar a estrutura econômica do país a serviço dos banqueiros, do agronegócio, das empreiteiras e das multinacionais. Os excedentes econômicos dessa época de “vacas gordas” não serviram para promover a reforma agrária e urbana, desenvolver tecnologia, investir na saúde e educação pública ou em projetos sociais duradouros, sua principal preocupação foi manter um elevado superávit primário para pagar a dívida pública.
Tampouco este Congresso e este sistema são radicalmente diferentes dos que governaram, por longos anos, com Lula e Dilma, como diz Boulos. São os mesmos picaretas que Lula denunciava em 1993 e que renderam uma música popularizada por “Os Paralamas do Sucesso”. Porém, ao chegar ao governo, 10 anos depois, Lula e o PT adotaram esses picaretas que, de Sarney a Jader Barbalho e de Renan Calheiros a Temer, se integraram numa grande família para compartilhar o banquete do mensalão e de tantos outros atos escusos, que os manteve unidos por longos anos, os anos que o PT ainda detinha o controle do movimento de massas e era útil ao grande capital. Para tanto teve de atacar direitos e conquistas democráticas da classe como aconteceu com a reforma da previdência, a mudança no seguro desemprego, a criminalização do protesto, a lei anti terrorista, e privilegiou as relações com o agronegócio e as empreiteiras sobre os interesses dos povos indígenas para a construção de hidroelétricas e na demarcação de terras, entre outras medidas exigidas pelo mercado.
Não VAMOS acreditar que se pode construir com o PT um programa para democratizar a economia, as comunicações ou o meio ambiente. Por mais de uma década a direção desse partido se manteve unido governando para os mercados, promovendo privatizações e entregando parte de nossas riquezas como aconteceu nos leilões do pré-sal; negou-se a aprovar a auditoria da dívida pública; nunca questionou os interesses da Globo e provocou um dos maiores desmatamentos que se tem conhecimento, sob a condução de uma liderança do agronegócio chefiando o Ministério da Agricultura. Que poderia aportar a direção petista num programa para os negros, as feministas ou os grupos LGBT? O maior símbolo de discriminação racial hoje, a injustificável prisão do companheiro Rafael Braga, é da época do governo Dilma. Deu as costas às reivindicações feministas, principalmente à legalização do aborto e enquanto as comunidades LGBT sofriam brutais ataques, o governo petista cedia à pressão da bancada evangélica retirando projetos de educação sexual nas escolas.
Não VAMOS! com um programa sem identidade de classe
Mas, além da inviabilidade de debater um programa de esquerda para tirar o Brasil da crise com o PT, a plataforma do VAMOS! não tem identificação de classe. Para que interesses a esquerda se propõe a debater um programa?“A idéia é realizar uma discussão ampla, nas redes e nas praças, que contemple a diversidade de representações e de posicionamentos políticos […] Todos poderão apresentar propostas pela plataforma colaborativa e participar dos debates públicos” escreve Boulos, deixando aberta a velha política petista de “governar para todos”. A esquerda deve construir um programa que contemple os interesses da classe trabalhadora e os setores oprimidos. Fazemos um programa para governar para um setor determinado, a classe trabalhadora e seus aliados, contrariando os interesses dos de cima. Não é isso que propõe o VAMOS!
Não VAMOS! com a candidatura de Lula porque não representa os interesses da classe trabalhadora. “Nós, particularmente no MTST, temos profundo respeito pelo ex-presidente e por sua trajetória. É inegavelmente a maior liderança social deste País”, continua Boulos, com exagerada admiraçãoCom todo o respeito que temos com a opinião dos companheiros do MTST, não coincidimos com essa apreciação. Como outros setores da esquerda, deixamos de ter respeito pela trajetória de Lula faz muitos anos, desde que “atravessou o Rubicão” para governar com e para o grande capital, traindo a confiança de nossa classe. A trajetória de Lula, não é uma linha reta, está cheia de meandros, nos quais foi se afastando da classe trabalhadora para se abraçar com seus inimigos. É o que faz agora nessa caravana eleitoreira, montando palanque com os Calheiros em Pernambuco e com o governador de Sergipe Jackson Barreto (PMDB), criando tanto constrangimento que um setor do PT e os dirigentes locais da CUT se retiraram do ato. A esquerda deve questionar, não enaltecer “…a maior liderança social deste País” Muitos inimigos dos interesses da classe foram por anos lideranças eleitorais de massas e ganharam eleições a fio, mas não o fizeram para favorecer os explorados.
Tampouco é correto o argumento de que a esquerda faz anos que não debate ou não tem propostas programáticas, como expressam alguns. Temos debatido muito com o PT, dentro e fora dele. O primeiro grande debate que fizemos, desde a esquerda, foi quando o PT chegou ao governo e defendeu Sarney para presidir o senado e Henrique Meirelles para presidir o Banco Central com status de Ministro. Foi um debate sobre o caráter de classe do governo, ao qual Lula fez ouvidos moucos. Mas a “mãe das batalhas” político/programáticas, foi contra a proposta de reforma da previdência no ano de 2003. Qual foi o debate que fez a cúpula do PT com as dezenas de milhares de funcionários públicos que se mobilizaram Brasil afora? Nenhum! Pior ainda, expulsou sumariamente os parlamentares rebeldes Heloísa Helena, Luciana Genro, Babá e João Fontes por ficar do lado dos trabalhadores e contra as exigências do mercado.
Em todos estes anos fizemos inúmeros debates programáticos contra as políticas da direção do PT. Pela auditoria e suspensão dos pagamentos da dívida pública; por não avançar na reforma agrária e urbana; por uma Petrobras 100% estatal, contra as privatizações de portos aeroportos e os leilões do pré-sal; pela legalização das drogas, pela legalização do aborto para proteger a vida das mulheres; contra a criminalização dos protestos; por aumento de salários e contra as demissões; por verbas para educação, saúde e transporte público e não para a Copa e as Olimpíadas, só para lembrar de alguns grandes debates que foram colocados nestes anos sob o silêncio cúmplice do PT e suas direções satélites. Porque, o que é um programa, senão as tarefas que a classe trabalhadora se propõe para superar seus problemas, vinculado aos seus interesses históricos?
Na verdade, os que nunca promoveram o debate são alguns dos que hoje se alistam para debater um projeto, que depois vão querer apresentar, ainda que seja de fachada, defendendo a candidatura de Lula com o filho do falecido mega empresário José Alencar como vice. Mas, que debates fizeram a direção do PT e da CUT, quando os trabalhadores necessitavam derrotar as políticas do lulopetismo quando esta era governo e o ajuste e as contra reformas de Temer/Meirelles na atualidade? Março, abril, maio e junho foram meses de grandes mobilizações, lutas e protestos, mas a classe trabalhadora ficou praticamente órfã e sem possibilidades de debater um verdadeiro plano de lutas com essas direções para derrotar Temer. Em dezembro de 2016 deixaram passar MPs com brutais ataques aos trabalhadores do serviço público, o mesmo aconteceu em março deste ano com o projeto das terceirizações no qual brilharam pela sua ausência, nunca fizeram assembléias de base para discutir a luta, se acovardaram durante a vitoriosa Marcha a Brasília e desmontaram a greve geral marcada para 30 de junho.
São essas direções, que ainda tem o controle dos grandes aparatos, atuando como satélites das políticas petistas, que impedem o avanço da classe trabalhadora e seus aliados. O que explica que, depois da maior greve geral do Brasil em dezenas de anos, quando cruzaram os braços mais de 40 milhões de trabalhadores, depois da vitoriosa Marcha a Brasília, onde os manifestantes conseguiram quebrar a barreira policial apesar do recuo das direções burocráticas, não tenha acontecido a greve geral de 30 de junho, onde os trabalhadores aspiravam nocautear o governo Temer? A única explicação é a política nefasta das direções petistas. A política do lulopetismo não foi nem é derrubar Temer. É parte de um acórdão com os tucanos, o PMDB e setores do STF para chegar com menos conflitos às eleições de 2018. Para isso desmontam as lutas, frustrando as aspirações de milhões de trabalhadores, na tentativa de quebrar o impulso da mobilização. O centro dessas direções é investir na caravana de Lula 2018 e não na derrota do governo. Infelizmente, a plataforma VAMOS! acabará sendo parte desse contexto eleitoreiro e de conciliação de classes.
Não é possível “ampliar a mobilização popular e construir uma massa crítica pela esquerda” com essas direções. Nem fazer “Uma discussão sintonizada com o trabalho de base dos movimentos das periferias, com ativismos de redes e ruas, que seja capaz de reencontrar um fio de esperança”. Não há saída para a crise do país com essas cúpulas colaboracionistas que já traíram a confiança dos explorados. A crise é grave! Não há tempo a perder com quem não tem os mesmos objetivos e só quer amarrar a esquerda à um programa de conciliação de classes para 2018. O MTST e os dirigentes do PSOL que impulsionam o VAMOS! devem romper com a direção do PT e da CUT e chamar à unidade com o PSTU, o PCB, a CSP-Conlutas, os trabalhadores em luta, os sindicatos combativos, os movimentos das periferias, os setores que se organizam contra as opressões, a juventude e os ativistas das redes e das ruas para impulsionar a luta para derrotar o governo Temer e seu plano de ajuste. Nesse processo iremos construindo o programa. Há suficiente acúmulo em nosso partido e em outros setores da esquerda para elaborar um verdadeiro programa de esquerda, anticapitalista, socialista, que defenda os interesses dos explorados e que reveja as medidas econômicas, políticas e sociais votadas contra os de baixo. Só assim, longe das direções que foram responsáveis pelo atual desastre que vive nosso país, poderemos começar a reencontrar um fio de esperança.
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A CST ajudou a fundar o PSOL após o PT expulsar Babá, Luciana Genro, Heloisa Helena e João Fontes em 2003. Foram punidos por manterem a coerencia e votarem contra a criminosa Reforma da Previdência de Lula.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A feminização da pobreza é parte do legado do Chavismo

por Adriana Cantaura

Muito têm se falado sobre as sequelas nefastas das políticas governamentais do finado Presidente Hugo Chávez, as mais relevantes são a escassez de comida e remédios. Porém, até agora, pouco têm se falado acerca da agressão e dos prejuízos que essas políticas têm provocado em um setor social tão particular como o nosso, de mulheres.  A atual crise que atravessa o país afeta a todos, disso não temos dúvida, mas se fizéssemos o exercício de humanizar a pobreza, se pudéssemos personificar a crise, se estampássemos um rosto e um nome, lhes asseguro:  este rosto seria o de uma mulher, esse nome seria o de uma mulher.

As filas para adquirir os produtos regulados e as de comprar pão, estão repletas de mulheres; as intermináveis jornadas para buscar os remédios dos avós, pais, filhos, são feitas por mulheres. Nesta sociedade profundamente machista e patriarcal, que por aprendizagem cultural delega maior parte das responsabilidades familiares às mulheres –  o que limita consideravelmente nosso desenvolvimento profissional e de trabalho -, e na qual já está estabelecida a nossa vulnerabilidade, traz conseqüências específicas do ajuste aplicado pela via do corte de importações e do corte de gastos em saúde. Até alguns meses atrás, conseguir um absorvente já era uma proeza, a alternativa do copo menstrual era impagável para muitas, incluindo-me, em um país onde o salário mínimo ronda os 50 dólares mensais. Fazer um exame médico de rotina (citologia, ultra-som, mamografia) é um luxo nesse país, e não somente pela questão econômica, mas também pela falta de insumos médicos, e nisso nem as clínicas privadas se salvam. Mas nada se compara a situação das que se tornam mães, e me desculpo pelo tom trágico, porque não é contra a maternidade que aponto esta flecha, mas contra o Estado venezuelano que pouco ou nada faz para resguardar a integridade das mulheres, e menos ainda a das mães.

Bem, comecemos por nosso direito ao controle de natalidade. Entre as muitas coisas que faltam estão os contraceptivos (pílulas, implantes, DIU, anéis e preservativos). A angustiante situação que vivemos as mulheres venezuelanas nos últimos 3 anos, para ter acesso aos contraceptivos “disponíveis” no mercado e nas redes ambulatoriais públicas e privadas é, sem dúvida alguma, uma forma de violência de gênero orquestrada pelo mesmíssimo Estado venezuelano. O que torna essa escassez ainda mais perversa, diante da falta de contraceptivos e um iminente risco de uma gravidez indesejada, é o fato de que neste país o aborto é criminalizado. Com ou sem criminalização os abortos ocorrem clandestinamente e as histórias a respeito são aterradoras, pois é uma experiência verdadeiramente traumática em condições pouco seguras e sem nenhuma garantia de atenção médica adequada. O certo é que apesar do discurso “feminista” do governo, este segue reproduzindo a lógica patriarcal e impondo estas posturas conservadoras.

Por outro lado, aproveito para esclarecer que não promovo o aborto, mas acredito que é necessário descriminalizar sua prática, porque até agora o resultado da criminalização é que algumas poucas o façam de maneira segura, enquanto a muitas outras pode custar a vida, já que a penalização do aborto é uma outra forma de segregação social devido ao gênero, e é nesse sentido que faço a minha crítica.

Agora veja, se a mulher decidir seguir com esta gravidez não desejada, esta mulher enfrentará mais uma vez, os perversos alcances desta crise, pois não terá acesso às vitaminas pré-natais, pela simples razão de que não tem; tampouco contará com um pré-natal adequado, já que a história de cada hospital público deste país é “não estamos fazendo  ultra-som, pois a máquina não serve”, ou então “não temos reagentes para realizar os exames laboratoriais” e a crise é tão profunda que já atinge algumas clínicas particulares. A escassez e seus “não tem”, “não serve” e “não se consegue” atingiu a todas.

Essas conseqüências políticas, econômicas e sociais que nos deixou 18 anos de chavismo, representam um ataque sistemático às mulheres, e, por favor, peço às companheiras chavistas que guardem os discursos de livreto e as referências às leis promulgadas nos últimos anos, porque reconheço que algumas representam uma reivindicação simbólica, mas na prática, minhas irmãs, na prática só vemos ataques aos nossos direitos mais elementares, como é o controle sobre os nossos corpos. Por favor, guardem também as referências às práticas ancestrais de anticoncepção, como conhecer nosso ciclo e identificar as datas da ovulação. Adotá-los deve ser uma decisão pessoal de cada mulher, porque ainda que eu respeite e adote os citados métodos, e faço com convicção, é uma decisão individual que cabe a cada uma e que vai depender de muitos fatores, entre eles o conhecimento e o acesso a informação sobre estes métodos, e vocês sabem que desta pata manca seu governo.

As sistemáticas agressões que o gênero feminino vem sofrendo neste país é algo como um produto de “Tele Compra”, desses que passam à noite depois do noticiário: quando você acha que não pode agregar mais nada à oferta, surge um novo elemento que te deixa boquiaberta. Bom, o mesmo acontece com as mulheres venezuelanas, não é apenas o fato do estado não garantir acesso aos contraceptivos, de penalizar o aborto, de não prover vitaminas pré-natais às gestantes, ou não garantir tampouco o controle pré-natal, mas também, quando a mulher mãe e a criatura que gerou conseguem passar por todas essas vicissitudes, ocorre que não há fraldas, nem vacinas e se esta mulher com muito esforço pôde se alimentar bem e trazer ao mundo um bebê saudável, agora deve continuar a batalha por uma boa alimentação que a permita amamentar sem ficar desnutrida. Não é qualquer coisa o que digo, basta ver as estatísticas de desnutrição de mulheres gestantes e bebês recém nascidos que divulgou aquela Ministra de Saúde (Antonieta Caporale) que logo foi destituída.

As companheiras chavistas poderão responder que “as fraldas ecológicas são uma solução”, mas há que se levar em conta a realidade, como por exemplo que o serviço de distribuição de água (também competência do Estado) é uma verdadeira calamidade, e que há setores em La Guaira-Estado Vargas, onde moro, que passam 45 dias sem água. Que mãe vai acumular 45 dias de fraldas sujas? Então me digam: há ou não há uma sistemática agressão à mulher? Não é verdade que o chavismo trocou as esperanças e sonhos da luta feministas por migalhas? Cabe destacar também que ao fato de ser mulher, se adiciona o fato de ser pobre – aí sim, você jogou todos os números da rifa! Porque afinal de contas o que vai marcar a diferença entre ter acesso ou não aos contraceptivos, contar ou não com aborto seguro, ingerir ou não vitaminas pré-natais, gozar ou não de controle pré-natal, ter ou não fraldas descartáveis ou ecológicas, alimentar-se bem ou não para amamentar, é o poder aquisitivo da mulher. A isso se resume o “legado de Chávez”, à demagogia de um governo com discurso inclusivo e práticas excludentes que têm aumentado o fosso entre as classes e aprofundado as desigualdades de gênero, atacando implacavelmente a todas nós.

Fonte: CST/PSOL

sábado, 5 de agosto de 2017

Do rádio à Irituia. Wladimir Costa em nove minutos


Alguns perfis nas redes sociais repercutiram esta semana um evento social que contaria com a participação do deputado federal Wladimir Costa (SD-PA). Oportunidade para testar sua popularidade na ressaca de ter sido um dos mais bizarros protagonistas da sessão ao vivo que salvou Michel Temer de ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

O fato é que muitos desses perfis passaram a dizer que era a "hora de dar o troco." De que "ninguém tem que ir na festa" promovida pelo deputado. Concordamos com eles. É necessário repudiar Costa. E o povo de Irituia, cidade do nordeste do estado, cerca de 160 KM de Belém, está muito certo.

Wladimir Costa é uma figura de sangue real. A real quadrilha de vorazes aves de rapina. Sangue de assaltante de cofre público.

Hoje é um dos donos de grande sistema de rádio e televisão no Pará. Aprendeu muito bem com seu professor, Jader Fontenelle Barbalho (ex governador e atual senador pelo PMDB- PA), quando foi eleito pela primeira vez em 2002. Pelo PMDB. Cargo que ocupa até hoje, mesmo que cassado.

Começou sua carreira na rádio Rauland FM, capital paraense, sede no largo do Centro Arquitetônico de Nazaré. Apresentava um programa que tinha grande audiência. O Chamada Geral acordava com a cidade. Das 5 às 7h. Utilizava esse gogó instridente e parecia falar grosso com políticos e todo mundo.

Por várias vezes ele reperia no radio que nunca entraria na política. Que tinha nojo. Falou mal de Jader. De deus e todo mundo. Até que lhe calassem. Há várias histórias sobre isso. Tem deputado federal que o processa até hoje, por denúncias supostamente infundadas do período em que foi perfeito de Belém. Trata-se de Edmilson Rodrigues (PSOL-PA).

O Edmilson, na época tinha (1997-2004), como dizia o povo, tinha língua presa. Mas falava e fala por horas esquecidas. Contudo quem queimou a língua foi Wladimir Costa. Caiu no colo do líder do PMDB no estado.

Aproveitaram-se mutuamente. Embarcaram na onda. Wlad surfo na audiência e começou a fazer o que muitos fazem: extorsão. E assim foi se fazendo como radialista. No lado A e lado B.

Como deputado, executou o que de melhor sabe fazer: politicagem, assistencialismo, tráfico de influência. Tudo embalado, já nesse tempo, pelo seu primeiro grande empreendimento: a Banda Wlad e um complexo de trios elétricos.

Vários trios, galpões e propriedades espalhadas por todo estado.  De concessionária a restaurante, passando por um motel que em breve será inaugurado na Perimetral, Marco, Belém. O radialista sabe que o povo até aumenta, mas nunca inventa. Onde tem fogo, tem fumaça.

Banda Wlad. Merengue. Lavagem de dinheiro, poderia deduzir-se?
Não importa. Wlad arrastava povo.
Bordão de sua primeira campanha era "vai ter muita onda em Brasília".
Um pingo d'água incomoda mais do que ele.

Campeão de faltas. Sumiu 80% das vezes do "trabalho". Um cínico, propriamente.
Cortejado, se fez.

Dançou com todo mundo. PMDB dos Barbalhos, quando então deu um loop na sua vida e nas comunicações. Com o governo do PT de Ana Júlia Carepa, Cláudio Puty e Paulo Rocha, de empregado virou patrão. Nas redações dono e doutor. Imagine.

Quem dá mais? Abandonou o padrinho, deixou o PMDB e foi para o SD do arque corrupto, "meu presidente", escarrou em horario nobre naquela fatídica sessão. Foi apoiar o candidato do PSDB. Outro dr. Economista, professor da UFPA, prof. Simão Robson Jatene. Ser que como ninguém sabe fazer uma negociata. Foi com Jader que ele aprendeu.

E então o músico Simão impediu a reeleição de Ana Júlia. Estave ele a fazer discursos por todo o estado em cima de trios do Wlad, no tempo que podia, regado a banda Wlad. Churrasquinho. Por baixo dos panos 50 reais, gasolina no posto do filho e amigos, cesta basica. A fome com a vontade de comer.

Até hoje o asno oferece festas de graça, regada a churrasquinho de gato, em eventos, como o programado para esta noite em Irituia/PA. Onde pretende comemorar o aniversário de uma de suas rádios, a Nativa FM.

Eleito pelo Solidariedade para o 4° mandato em 2014, Wladimir Costa descobriu cedo a fórmula do sucesso. Panis et circenses. Mas nem na Roma Antiga e nem em lugar algum se faz uma farra dessas sem verba pública "legal", imoral, e/ou sem roubar e desviar muita grana dos cofres públicos.

Para isso se conta com empresas, governo do estado, prefeituras e o governo Federal (exemplo são as fartas emendas de junho/julho passados).

Mas a máscara caiu. O que parecia uma tatuagem para o resto da vida: a certeza da impunidade e arroubo, se acabou.
Ao ir ao fundo do poço nas últimas semanas, exagerado de escárnio, ao ajudar a salvar Temer, Wlad pode ter declarado o fim de seu rebolado.

Depende do povo. A força hoje está com Iriruia/PA! Mas precisa ir além. Wlad tem que ser definitivamente cassado, investigado, suas empresas estatizadas e ele severamentr punido por todos os crimes que já cometeu!
Força, Irituia!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Pela unidade das lutas: derrotar a ofensiva de Trump e do imperialismo contra os trabalhadores e os povos!


Chamado internacional da Unidade Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional 

A ascensão de Donald Trump à presidência dos EUA constitui uma ameaça grave para os oprimidos e explorados. Trump é o comandante do imperialismo mundial e expressão de um setor do imperialismo que pretende lançar uma nova ofensiva contra os trabalhadores e os povos, precarizar ainda mais o trabalho, especialmente dos jovens, intensificar a depredação da natureza e atacar os direitos básicos das mulheres, dos povos oprimidos e dos imigrantes pobres, com o único objetivo de preservar o sistema imperialista e os lucros das multinacionais e grandes empresas capitalistas. Esta ofensiva é econômica e pode traduzir-se também em ações militares, diretas ou indiretas, e impulsionar uma escalada repressiva dos regimes burgueses contra seus povos.
Trump está apoiando o endurecimento da política genocida de Israel contra os palestinos. Na Grécia, Brasil, França e dezenas de países, atacam-se brutalmente as conquistas sociais dos trabalhadores. As multinacionais e os bancos continuam afundando as nações, com o valor cada vez maior da dívida externa, para seguir saqueando-as e explorando seus povos. Volta a aumentar a fome em vários países, enquanto uns poucos multimilionários controlam grande parte da riqueza mundial. Está enraizada no próprio capitalismo imperialista, nesta sua fase de decadência e putrefação, a crise que se agrava, sem cessar a miséria das massas e ameaça a sobrevivência da espécie humana.
Cem anos depois da Revolução Russa, a humanidade continua, mais do que nunca, ante a necessidade imediata da luta por libertar a humanidade do capitalismo imperialista e pela implantação do socialismo com democracia para os trabalhadores. É urgente e imperioso expropriar as multinacionais e os bancos, nos EUA, Europa, Reino Unido e Japão, transformando-os em propriedade social e coletiva. O mesmo se deverá fazer com as grandes empresas e latifúndios de todos os países. Para consegui-lo, os trabalhadores, a juventude, as mulheres e os setores populares devem lutar por governos dos trabalhadores em cada país. É nesta perspectiva que se deve enfrentar a nova contraofensiva imperialista. A rebelião dos trabalhadores, dos povos oprimidos, das mulheres e da juventude é a resposta à política reacionária dos Trump, Merkel, Macron & Cia. Em que pese a derrota da revolução síria, pelo massacre de Alepo, continua viva a rebelião dos povos árabes, hoje com as mobilizações em Rif no Marrocos e a heroica resistência do povo palestino, enquanto na Grécia e França as greves operárias enfrentam os planos de austeridade e as reformas trabalhistas da burguesia.
Na América Latina, por falta de apoio popular, caiu o governo petista de Dilma Rousseff e está cambaleante o governo de Temer, enquanto na Venezuela cresce a rebelião popular contra o ajuste e as intenções ditatoriais de Maduro. Grandes greves, especialmente dos docentes, eclodiram na Colômbia, Peru, Argentina e outros países. Outro fenômeno que se observa em todo o mundo são as grandes mobilizações de mulheres contra o feminicídio e a violência patriarcal, pela igualdade de direitos e o direito ao aborto. São, também, expressão deste processo de rebelião dos povos e de luta por autodeterminação, movimentos independentistas como o da Catalunha.
Estas lutas têm sido boicotadas pelas direções reformistas e pelas burocracias sindicais, e a traição aberta aos reclamos populares de responsabilidade dessas direções, juntamente com os partidos e governos socialdemocratas e os reformistas de esquerda, como Syriza e Podemos ou os governos ditos progressistas da América Latina, confunde politicamente setores operários e populares, que passam a votar em alternativas de direita. Este é o caso do fracasso do “socialismo do século XXI” de Chávez e Maduro, mas também de Lula-Dilma no Brasil e Evo Morales na Bolívia, que governaram pactuando com as multinacionais e impondo ajustes a seus povos.
Frente a esta situação, chamamos a uma ampla e urgente unidade de ação das lutas para enfrentar Trump e os governos imperialistas e capitalistas. Unidade de ação internacional contra o ajuste que prejudica os trabalhadores e setores populares, contra a criminalização do protesto e a degradação da natureza, pelo não-pagamento da dívida externa e os direitos democráticos das mulheres, por alimento, saúde e educação acessíveis ao povo, pela preservação do emprego e garantia de futuro para os trabalhadores, contra a fome, a repressão e os desastres climáticos. Unidade em apoio à luta da resistência palestina e à rebelião popular na Venezuela contra os ajustes e o totalitarismo de Maduro.
Hoje, o que as massas mais necessitam é superar a crise de direção revolucionária. Diante da traição dos aparelhos reformistas, necessitamos construir fortes partidos revolucionários que lutem pela independência de classe e o internacionalismo, retomando a via revolucionária que nos legaram Lênin e Trotsky.
O VI Congresso da UIT-CI ratifica o chamado a unir os revolucionários de cada país e de todo o mundo numa organização internacional revolucionária para a reconstrução da Quarta Internacional. Neste caminho, a UIT-CI repudia todo tipo de sectarismo e auto-proclamação. Por isto, fazemos um novo chamado a todas as organizações que reivindicam a vigência da luta pela revolução socialista mundial e por governos dos trabalhadores a trabalhar em comum e dar passos com vistas à unidade dos revolucionários em cada país e no mundo.
Pela unidade das lutas contra os ajustes econômicos e a repressão antipopular! 
Pela unidade dos revolucionários para a reconstrução da Quarta Internacional na luta por derrotar o capitalismo e por governos dos trabalhadores verdadeiramente socialistas!
VI Congresso da Unidade Internacional dos Trabalhadores-Quarta Internacional 
(UIT-CI)
Julho de 2017

Wladimir Costa monopoliza a bizarrice na Câmara na votação sobre denúncia de Temer

Deputado do Solidariedade, que tatuou nome de Temer no ombro, protagoniza espetáculo de exibicionismo e joga a seriedade de uma votação dessa magnitude no lixo


por Felipe Betim, para o El País

Foto: Evaristo Sá (AFP)
A inédita votação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Câmara dos Deputados já tem um triste protagonista: o deputado Wladimir Costa, do Solidariedade. O protagonismo, neste caso, se deve às cenas bizarras que brasileiras e brasileiros, que se chocaram com os discursos vazios dos parlamentares durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff no ano passado, voltaram a assistir nesta quarta-feira pela televisão, mesmo antes da votação da denúncia.
Em alguns momentos, Costa monopolizou a bizarrice. Ao proferir um exaltado discurso para orientar a bancada de seu partido, o deputado do Pará defendeu a rejeição da denúncia contra Temer exclamando: "Nós, deputados da base do Governo Temer, temos moral para derrubar esses falsos moralistas e incompetentes (...) Tenham vergonha na cara! O Temer é um homem ético, transparente, tem preparo e hombridade. Vocês podem se preparar para chorar hoje no muro das lamentações", gritou e gesticulou, diante de um Jean Wyllys (PSOL) às gargalhadas. Costa também bateu no ombro ao defender o presidente. "Quem é Temer mostra a cara e até tatua o nome aqui no ombro", gritou Costa, que garante que no Pará o mandatário tem "80% de popularidade". Ao retomar o microfone para proferir seu voto, mais uma vez gritou: "Abaixo o Datafolha, abaixo o Ibope! Temer é um homem decente, preparado, honesto! Meu voto é sim!"
A tatuagem mencionada por Costa foi exibida no começo desta semana por ele mesmo: uma bandeira do Brasil e palavra "Temer" em seu ombro. Ele garante que gastou 1.200 reais e que o desenho é definitivo, mas já há tatuadores experientes dizendo que é temporário. Seja como for, utilizou as redes sociais para se justificar: "Eu não sou hipócrita". Nesta quarta, deputados da oposição foram ao microfone durante a fala de Costa para pedir que mostrasse o desenho. Ele foi inspiração inclusive para os adesivos que parlamentares colaram seus ombros com a frase "Fora Temer".
Sobre esses deputados da oposição, de partidos como o PT, PC do B, REDE e PSOL, Costa disse, como de costume, que formam parte de "organizações criminosas" — até que levou uma bronca do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Depois de seu discurso, o deputado do Solidariedade se comportou como aluno de primário, enchendo dois pixulecos do ex-presidente Lula para, durante os discursos da oposição, bater um no outro e fazer barulho. Até que os deputados petistas Valmir Prascidelli e Carlos Zarattini o empurraram e rasgaram, a dentadas, um dos bonecos. Nesse momento, com a confusão instalada na Câmara, a oposição começou a jogar dinheiro falso para o alto — as cédulas foram levadas em uma mala de dinheiro, em referência a Rodrigo Rocha Loures, ex-parlamentar e homem de confiança de Temer acusado de receber 500.000 reais em nome do presidente.
Costa acusa os partidos da oposição mas também tem telhado de vidro. Ele foi julgado pelo Tribunal Regional do Pará por abuso de poder econômico, devido à suspeita de arrecadação e gastos ilícitos em sua campanha de 2014. Em julho de 2016 teve seu mandato cassado, uma vez que a Corte concluiu que o parlamentar não registrou mais de 400.000 reais de gastos. A decisão final precisa ser confirmada agora pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Meses antes da decisão, Costa já havia protagonizado na Câmara outro show de horrores em uma sessão decisiva: a votação sobre a abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, também comparou os políticos petistas com os chefes do crime organizado e, em seguida, soltou uma frase de efeito: “O que Lula e Dilma fazem é um verdadeiro tiro de morte no coração, na alma do povo brasileiro”, gritou. De repente, disparou uma pistola de confetes coloridos.
O parlamentar está longe de ser alguém exemplar. Foi um dos que mais faltou a sessões em 2015, segundo o jornal Extra: de 125, compareceu a apenas 20. Quando aparece, puxa os holofotes para si e protagoniza momentos patéticos. Costa sintetiza toda a bizarrice que tomou o Congresso Nacional depois que a máscara de muitos de seus representantes corruptos caiu.

Picaretagem


Câmara salva Temer e revolta o país


O Brasil acordou indignado com a podridão na política. Os picaretas do Congresso são convictos da impunidade e acreditam que enganam a população, por isso impediram o presidente de ser investigado por corrupção passiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF)

Salvaram o corrupto Michel Temer (PMDB) com uma esfarrapada desculpa de que importa mais a "estabilidade econômica" do que um país governado por gente honesta. Onde já se viu?! A "estabilidade" deles foi o perdão da dívida multibilionária com a Previdência concedida para a bancada ruralista por Temer na noite anterior a votação da Câmara. Um toma lá, dá cá repugnante. 

A imoralidade na política foi zerada nos últimos dias no Brasil. Ontem teve de tudo no Congresso. De deputado engasgando na hora de votar a deputada (Simone Morgado -PMDB/PA) que disse ter se enganado. Antes era o "rouba, mas faz". Agora é o "rouba, mas investiga só Dia de São Nunca".  

O PT, PCdoB, MST e MTST, que dirigem a CUT, CTB, Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo são os principais responsáveis por essa catástrofe, pois liderados por Lula, nada fizeram pra impedir a impunidade. Não chamaram e nem construíram nenhum ato e nenhuma paralisação no país. 

Lula e seus aliados fizeram um grande acordão com os corruptos do PMDB, PSDB e DEM para salvar todo mundo, enterrar a Lava Jato, deixar Temer sangrando até 2018 e colocar o nefasto Lula lá nas próximas eleições. Não Passarão!

Basta de roubalheira e impunidade! Cadeia pra todos eles! O que só será possível com uma poderosa Jornada de lutas nesse país, a exemlo de março/abril de 2017, e com o povo mobilizado na rua.

Para barrar o aumento dos impostos, derrotar as Reforma da Previdência e revogar as já aprovadas é necesario colocar pra #ForaTemer e todos os corruptos!

Wlad é uma vergonha: Deputado é flagrado pedindo para uma mulher ‘mostrar a bunda’ durante votação

O fotógrafo Lula Marques registrou conversas de Whatsapp do deputado que tatuou o nome de Temer no braço direito.

por Rafael Bruza, para o Independente


O deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) teve conversas de Whatsapp registradas e divulgadas pelo fotógrafo Lula Marques nesta quarta-feira (02). Segundo o fotógrafo, que compartilhou as imagens no Facebook, o deputado conversou no Whatsapp durante “boa parte da sessão” em que se discutia a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) na Câmara dos Deputados. O parlamentar apareceu na imprensa essa semana por tatuar o nome de Michel Temer no braço direito, em sinal de apoio ao presidente. Em uma das conversas divulgadas, Wladimir Costa deixa uma mulher constrangida ao pedir que ela “mostre a bunda”.
“Mostra a bunda, mostra. Afinal, não são suas profissões que a destacam como mulher, é sua bunda. Vai lá, põe aí garota”, disse o deputado para um perfil de Whatsapp chamado M. Melo.
A interlocutora manda emojis de resposta e diz: “sem graça”.


O deputado insiste em outra mensagem.
“Fátima Bernardes, Sonia Abrão, Marília Gabriela, Mariza Godói são elogiadas, respeitadas e até desejadas pelas suas capacidades técnicas e não por um par de bunda, já bastante banalizada por todo o Tapajós do decano shortinho preto, que reveza com o vermelhinho, já bastante desbotado pelos anos”, diz o deputado.
A mulher responde: “Você poderia perder seu valioso tempo com coisas mais interessantes. rs #sóAcho”.
O fotógrafo Lula Marques já flagrou conversa do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) com o filho, Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) em fevereiro.

Em outro momento da conversa, M. Melo tem postura diferente com o deputado.
“Teria sido bem melhor se eu tivesse ficado quieta. #desculpas Esquece isso! Fica bem”, afirma em mensagem.
“Tá”, responde o Wladimir Costa. “Boa noite para vocês, afinal ele mora quase dentro da tua casa”.
Wladimir Costa votou a favor de Michel Temer nesta quarta-feira (02). Durante a tarde, na sessão, ele fez um discurso que gerou confusão entre os parlamentares.
Outra conversa
Falando com outra mulher, ainda durante a sessão dedicada à denúncia da PGR contra Michel Temer, o deputado recebe a seguinte mensagem: “Então vá lá tirar onda com outra. Não tenho estômago para isso. #Chato!”, escreve a uma mulher identificada como “Aneissa Show”.
“Suas ausências e várias invenções pra me abandonar ai, hoje sei de tudo com provas, mas enfim, se estás mais feliz com eles siga em frente, prefiro ser ultra-seletivo e modelo como um ser monogâmico”, escreve o deputado.

Deputado da tatuagem
Wladimir Costa apareceu na imprensa esta semana ao dizer que fez uma tatuagem definitiva do presidente Michel Temer no braço direito. Um tatuador de Brasília, que trabalha no estúdio citado inicialmente pelo deputado, disse que não fez a tatuagem e contrariou o parlamentar ao afirmar que a arte era de hena – provisória, não permanente como Costa havia declarado.
O deputado prometeu expor a tatuagem durante seu voto sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não mostrou o braço.
Em junho Wladimir Costa ficou conhecido por relatar como costuma pedir cargos e verbas ao presidente da República com “cara de coitadinho”.
Ele é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), desde 2010, por supostamente abrigar funcionários fantasma em seu gabinete em julho do ano passado.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará também chegou a determinar, por decisão unânime, a cassação de seu mandato. O parlamentar foi condenado por uso de caixa 2 e por ter omitido o gasto de R$ 410 mil na prestação de contas de sua campanha eleitoral em 2014.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O PSOL-RJ está com o povo da Venezuela, não com o governo Maduro!

A juventude do PSL, partido irmão da CST/PSOL na Venezuela, chama a seguir a rebelião não votando na Constituinte fraudulenta. Abstenção e continuar a mobilização! 

A Executiva estadual do PSOL-RJ recebeu com grande surpresa uma nota emitida ontem pela Secretaria (nacional) de Relações Internacionais do partido em apoio ao governo da Venezuela, de Nicolás Maduro.

É absurdo que, sem nunca haver incentivado o debate sobre a situação do país vizinho, a direção majoritária do partido emita posição de um setor em nome do conjunto do PSOL. Este método não é o que tem pautado a existência e funcionamento do nosso partido, pelo menos no Rio de Janeiro.

O drama vivido pela Venezuela e seu povo trabalhador é complexo o suficiente para exigir muita seriedade: o desfecho daquela situação terá impacto decisivo sobre como a esquerda é e será vista no mundo inteiro, em particular na América Latina.
Afinal, Nicolás Maduro leva adiante uma política econômica desastrosa e nada “esquerdista”, que cria uma tragédia humanitária em que o povo trabalhador sofre pela falta de alimentos e remédios. Maduro comete, ao mesmo tempo, cada vez mais atrocidades autoritárias, como suspender eleições, impedir legalização de partidos, prender oposicionistas, ordenar repressão brutal de manifestações, com mais de 100 mortos nas ruas desde o início do ano.

Nosso partido não pode apoiar Maduro, assim como tampouco apoia a oposição de direita representada pela Mesa de Unidade Democrática (o MUD), com a qual temos profundas diferenças ideológicas. Somos solidários com a oposição de esquerda da Venezuela que há tempos luta contra um regime autoritário e corrupto, por uma saída verdadeiramente popular e democrática.

Por todas essas razões, o PSOL-RJ se diferencia da direção nacional e sua nota e pretende promover o quanto antes um amplo debate, com movimentos, personalidades e partidos aliados dos trabalhadores, sobre o que se passa na Venezuela.

Rio, 1/8/2017
Executiva Estadual do PSOL-RJ

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Altamira, 20h43

31/05/2017

por Marcus Benedito

No Bar do Pedro. Rolando o DVD do Samba Social Clube. Ensaiei meu samba o ano inteiro. Música linda de Benito Di Paula. Um  grupo de barbudos representando. Som que remete a muita coisa boa. Momentos únicos. Não tem como citar um sequer, porque muitos. Me foge à lembrança, como já cantou outro poeta. Lugar relativamente povoado. Espaço alternativo. Muito gostoso de estar. Com pessoas nunca antes vistas. Numa cidade nunca antes vista e caminhada. O som e as cervejas correntes te trazem pra perto. Gostoso para beber o gelado chopp artesanal do Pedro. 

Segundo dia que estou na cidade. Que bom que não tardei a conhecer aqui. Chama atenção um cartaz prestimosamente emoldurado do encontro dos Povos do Xingu, realizado entre os dias 19 e 23 de maio (o cartaz não diz. Vi depois que foi em 2008) em Altamira. Organizado pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre, resposta às agressões promovidas pelo governo Dilma (PT-PMDB) e empreiteiras, no que ficou materializado como um dos maiores atentados contra o meio ambiente e os povos da Amazônia: Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no coração do Xingu. Uma monstruosidade que só a sanha e a corrupção seriam capazes de planejar e executar.

Mas bonitamente ornamentado e frequentado, o Bar do Pedro não é o centro. O centro é o continente, claro, com seus belos e feios conteúdos: Altamira. Altamira é uma cidade distinta de todos os outros lugares que vi e sobre-vivi. Altamira é uma cidade surgida de um monte. Lugar pensado para que nele pudesse ser feita uma boa fortificação (ou ponto de mira apenas). Uma visão privilegiada que pudesse dar precisão às miras do canhão que levaria a pique qualquer tentativa de invasão desta vasta e bela e rica região por qualquer atrevido corsário ou estrangeiro no período do Grão Pará e Maranhão. Tudo ali. Uma mira alta. Só que o jogo nunca inverteu e o canhão continua estourando do lado da maioria do povo. Os canhões da destruição da maquinaria pesada, com o exército de 30 mil homens, 7 vezes e meia a mais do que foi empregado pelos faraós para a construção há milênios, das curiosas pirâmides do Egito. Ou mais impressionantes ainda, as que são encontradas espalhadas pela Amazônia e toda a América pré-colombiana.

Altamira, embaixo da mira, é uma cidade de gente fechada. Os canhões da Norte Energia S/A, conglomerado de megas empreiteiras de propriedade dos principais indiciados e presos pela Lava Jato, produziram e deixam marcas muito marcantes, porque profundas. Chagas fortes em tudo que habita e ama por essas paragens. Mais de R$ 30 bilhões de reais que nada produziram senão açoite e escárnio.

Como em tudo, não é de cara que se conhecem as coisas e as pessoas aqui. Altamira é muita superficialidade. Ainda que a morte seja berrante. Recentemente reconhecida como a cidade mais violenta do país. Onde mais se mata e morre. Não era por menos. Só o povo que vive e jazz aqui sabem a dor e a delícia de ver o que era doce desaparecer. Adeus mais lindo estuário e berçário das dezenas de espécies de peixes que tinha ali. Daqui da frente dava pra ver a Ilha dos Papagaios. Que literalmente pegou fogo. Nem James Cameron, que também esteve aqui, poderia conceber cenas mais cruéis e indecentes. Adeus Volta Grande. O rio, que tinha cara e gosto de guaraná Xingu, agora está com os olhos opacos, a cara própria e, portanto, também morada de peixe morto. Quem depende do peixe adoece e morre igualmente. Gente que engole choro. Ouve-se gritos de indignação, uhus, tormento, ilusão, tragédia.

Da orla a foto parece linda. Mas o rio Xingu é um rio que padece, propriamente agoniza. Está parado, envenenado, assassinado. Não se poderia esperar outro resultado para tamanho assombro. Empreendimento que fez esse povo experienciar as formas mais sanguinárias e primitivas que o capitalismo e a corrupção dos governos se utiliza para exterminar os povos. Os movimentos sociais, os ambientalistas, os atores Sigourney Weaver e Leonardo Di Caprio, o cantor Sting, mais do que eles: Raoni, Megaron, Antônia Melo, a guerreira Tuíra, já haviam denunciado aos quatros cantos do mundo a hecatombe que seria Belo Monstro sobre a vida de tudo que se meche ou não, respira ou não, nessa mágica região.

No DVD, Tereza Cristina e o grupo Semente (não deu tempo de ler o resto do nome), interpreta aquela que diz que vai manter a tradição. Vai meu bloco, tristeza e pé no chão. Recuso-me a pensar que esse será de fato o fim do Xingu e tudo que depende desse ecossistema. Recuso-me a pensar que tudo será dores. É preciso falar de flores.  E depois dela Chico Buarque de Holanda reforça que Vai Passar. Que embora a região e pátria estejam, desde os tempos do invasor Cabral, a serem subtraídas, que teremos um dia, alegria afinal.

Mas como essa tal felicidade, se o rio está morto? Se parentes morrem todo dia? Sensação de que o que sobra é uma avenida na beira do rio que foi enforcado. Lugar por onde passou a curumim e bailou um pajé, de sambas imortais, cantados pelos índios no desfile da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval deste ano, povo que viveu milênios até ter que presenciar essa ofegante epidemia chamada Belo Monte. O estandarte do Sanatório Geral vai passar? Espero que sim. Embora tenhamos constatado que essas pessoas estejam doentes do corpo, da mente e da alma.


A região que ouviu a promessa de que tudo seria festa, obras, melhorias, empregos, vida boa, em suma, o paraíso, não sabia que em vida seus povos conheceriam a verdadeira face do terrorismo de estado. O mesmo que gera fel, inferno, invade favelas, expulsa quilombolas, mata sem terras e sem tetos, promove dor, sofrimento, fome miséria, morte, inferno. Mas a revanche se opera. 

Queremos o Rio Xingu Vivo para Sempre! Alcione se despede: foi o fim, o sonho bonito de paz. As jornadas de lutas do primeiro semestre deste ano nos sugere que não. Não tocou, mas vale lembrar Cazuza: a história não acabou e ainda estão rolando os dados.

As quedas de Mossul e Raqqa e os rumos do jihadismo

A origem do jihadismo

Fonte: Correio do Brasil
por Taílson Silva

O que significa jihad? A palavra árabe jihad significa esforço ou luta. Para o Islamismo jihad tem um duplo sentido, pode ser aplicado num sentido bélico, a jihad sendo uma luta contra os inimigos do Islã e considerada como uma ação de legítima defesa contra um ataque violento. Pode ser aplicada no sentido da natureza espiritual, jihad sendo uma luta interior na qual todo muçulmano deve realizar para atingir a plenitude como indivíduo.

Dito isto, podemos aferir que a ação dos grupos jihadistas perpassa por uma interpretação literal e/ou deturpada das escrituras islâmicas, quando aplica de forma unilateral a jihad no sentido bélico. Isto é assim, pois a religião muçulmana leva implícita uma mensagem de paz e harmonia, apesar de alguns grupos extremistas (jihadistas) imprimirem a luta armada e as ações terroristas, ou seja, uma ideia de Guerra Santa. Logo a frente veremos que a ação dos grupos jihadistas está mais ligada aos seus objetivos políticos ou territoriais do que propriamente a salvação do islamismo.

Os primeiros grupos jihadistas apareceram no Egito, na década de 1970 e estes grupos foram imitados por outros países árabes em maior ou menor proporção. Nas décadas de 1970 e 1980, durante a Guerra do Afeganistão, ocorreu um salto na evolução dos grupos jihadistas, uma vez que os soviéticos haviam ocupado o país e alguns muçulmanos consideravam a legitimidade de se defender contra uma potência estrangeira que ocupava um território tradicionalmente muçulmano. O jihadismo também tem “suas versões” estatais, como os governos teocráticos e fundamentalistas da Arábia Saudita e do Irã, fortalecendo-se bastante com a chegada dos aiatolás ao poder no Irã em 1979.

A partir de então surgiram no mundo árabe grupos dispostos a expulsar os invasores, os infiéis e, por fim, todos aqueles que não seguiam as doutrinas do Islã. Em 1988, a Al-Qaeda surgiu com um movimento político-religioso que propunha a extensão da jihad em qualquer território onde os muçulmanos estivessem ameaçados, como a Palestina, a Síria e o Iraque. O jihadismo mais conhecido é o salafista, uma corrente que defende o regresso do verdadeiro Islã, promovendo ações para livrar os países muçulmanos de qualquer influência estrangeira.

O Estado Islâmico

Atualmente existem vários grupos jihadistas que atuam em várias partes do mundo, como Estado Islâmico, Al-Qaeda, Boko Haram, Al-Shabbab e outros. O grupo jihadista de maior atuação e com mais visibilidade nos dias atuais é o Estado Islâmico (EI) e por isso vamos nos ater a ele.
O Estado Islâmico é uma organização ditatorial-militar-burguesa, que tem um programa reacionário e teocrático, onde as leis são baseadas na deturpação das escrituras islâmicas pelo “Califa” Abu Bakr Al-Baghdadi. O EI cresceu na perspectiva de construir um “Califado” com base na conquista de territórios na Síria e no Iraque, mas também, no Oriente Médio e no Norte da África, com intuito de se apoderar de vastas regiões e dominar suas riquezas, muito além do propalado objetivo jihadista. É uma organização islâmica sunita, é uma ruptura da Al-Qaeda e foi parte da resistência iraquiana contra a invasão de Bush, ou seja, sua origem se deu a partir da atuação do imperialismo europeu e estadunidense na região, que provocou a desestabilização da região e o afloramento dos conflitos sectários entre os povos e as distintas frações religiosas do islamismo. Mas também teve forte contribuição dos governos regionais, ora por financiamento direto das monarquias sunitas dos países do golfo pérsico ou da Turquia, ora pela repressão dos governos teocráticos xiitas, como Irã e o Iraque, sobre as minorias sunitas desses países, o que fez ter um apoio inicial entre os sunitas do Iraque.

As ações do EI também são financiadas a partir da cobrança de impostos da população das cidades que controla, assim como pela venda no mercado “ilegal”, do petróleo (cerca de 1,6 milhões por ano) e de relíquias, oriundas dos patrimônios históricos das civilizações antigas (que tem potencial de alcançar cerca de 100 milhões por ano), entre outras fontes, como sequestros e etc. O Estado Islâmico cresceu, com a aliança com organizações como o Boko Haram e outros pequenos grupos no Oriente Médio e Norte da África passando a atuar em países como Egito e Líbia. Crescimento que foi base para a proclamação do “Califado” Islâmico em 2014.

O “califado” Islâmico e o crescimento das ações terroristas

A proclamação do "califado" foi no dia 29 de junho de 2014, com a conquista da cidade iraquiana de Mossul, uma grande e importante cidade do norte do Iraque, com cerca de 2 milhões de habitantes na época e banhada pelo rio Tigre. Logo depois, com a captura da cidade síria de Raqqa, uma cidade média, de cerca de 200 mil habitantes em 2014, banhada pelo rio Eufrates, o EI passou a ter uma capital para seu “califado”. A partir de então, o EI foi expandindo as fronteiras do “califado” e ganhando influência territorial e política pelo mundo.

O crescimento do territorial do Estado Islâmico, também provocou uma grande leva de ataques terroristas pelo mundo, que vitimaram civis em várias partes do planeta, mas que tem na população que reside nos países de maioria islâmica suas principais vítimas, principalmente na Síria, Iraque, Paquistão, Egito, Líbia, Turquia, Afeganistão, e outros da África e Oriente Médio.

Nos países ocidentais as principais ações jihadistas ocorreram na França. Em 13 de novembro de 2015, uma série de ataques contra bares, restaurantes e uma sala de concertos em Paris deixou ao menos 130 mortos e cerca de 350 feridos. Em 14 de julho de 2016, durante as festividades do Dia da Bastilha, um caminhão avançou sobre uma multidão em Nice, no sul da França, e matou 86 pessoas.
A Turquia é um dos países que mais sofreram com atentados. Um ataque suicida numa festa de casamento, em 20 de agosto de 2016 no sudeste do país, deixou ao menos 54 mortos. Dois meses antes, em 28 de junho, membros do EI realizaram um ataque com bombas no aeroporto de Istambul, onde 45 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas. Em outubro de 2015, um atentado em uma manifestação contra o governo em Ancara matou mais de 100 pessoas.

Nos seis primeiros meses de 2016, ocorreram 31 ataques terroristas de autoria confirmada. Desses, apenas 3 foram em países do Ocidente, enquanto outros 28 ocorreram espalhados em países como Iraque, Afeganistão, Egito, Líbia e Paquistão. Mais de 904 pessoas morreram só neste ano por conta de ataques coordenados por grupos terroristas fora de países do Ocidente.

O ataque mais grave ocorreu justamente neste mês de julho, no Iraque. Mais de 300 pessoas morreram no dia 3 de julho, com atentados com carros-bomba e explosivos. Uma das ações coordenadas atingiu uma movimentada área comercial do centro da capital iraquiana, que estava repleta de gente devido ao Ramadã, mês de jejum muçulmano. O próprio Estado Islâmico reivindicou o ataque. No Iraque, de janeiro até o mês de julho foram seis ações terroristas no país, deixando centenas de mortos e milhares de feridos.

A queda do “Califado”

Após quase três anos da proclamação do “califado” o EI vem sofrendo uma derrota histórica em suas ambições territoriais. Ocorre a quase um ano, desde outubro de 2016, conflitos pelo controle de Raqqa na Síria e de Mossul no Iraque. Existe a possibilidade concreta da queda de Mossul e Raqqa a qualquer instante, o que poderá selar o destino do Estado Islâmico. Em Mossul restam cerca de 300 militantes do EI no centro histórico, a maioria estrangeiros, que não abrandaram os combates, mas que não terão forças de combate, é questão de dias para Mossul ser totalmente libertada do Estado Islâmico.

Em Raqqa o EI encontra-se completamente cercado, tendo perdido, esta semana, o controle de uma região ao sul do rio Eufrates, cortando assim a última estrada que poderia ser utilizada para se retirar da cidade. O EI perdeu recentemente o controle das cidades de Palmira na Síria, Tikrit, Ramadi, Sinjar e Fallujah e uma grande área perto de Erbil, todos no Iraque, pode perder agora o controle de Mossul, terceira maior cidade do Iraque e o último grande reduto jihadista no Iraque e também sobre Raqqa na Síria, a capital do então "califado". Em 2 anos, o Estado Islâmico perdeu mais da metade da porção territorial que controlava, tendo seu “califado” pulverizado em pouco menos de 1 ano de combates.

Era uma vez o Estado Islâmico? Como “califado territorial”, sim! Como organização jihadista, não!

Apesar da pouca visibilidade dada na mídia, estes conflitos são importantes e podem ditar dinâmicas regionais no oriente médio e no norte da África, assim como no restante do planeta. A recente perda de territórios do EI no Iraque e na Síria, faz esta organização jihadista reacionária, perder seu "califado islâmico", mas faz este grupo partir para outra estratégia que pode gerar ações mais violentas, descentralizadas, mundiais e distantes do seu propalado objetivo de construir um “califado” no Iraque e na Síria, algo que é bastante perigoso a nível mundial. Podemos assistir nos próximos meses a ocorrência de mais atentados em diferentes locais do planeta, pois a metamorfose do EI, faz esta organização viver uma espécie de Al-Qaedização, ou seja, uma organização jihadista que viverá de ataques e atentados, sem nenhuma ambição ou perspectiva territorial.

E quem protagonizará a derrota do EI em Mossul e Raqqa? Muitos grupos (as potências imperialistas, os governos árabes, milícias xiitas e cristãs e os diferentes grupos curdos) querem ser este ator principal e dependendo de quem será, principalmente se for os dois primeiros, nada de bom pode ser esperado para o futuro da resistência dos rebeldes sírios, dos povos do oriente médio e também dos curdos, pois fortalecerá o poder de governos reacionários regionais, como o iraniano de Rohani, o sírio de Assad e o iraquiano da coalizão yankee, além da força política que ganhará na região, figuras como Trump e Putin.

O peso dos curdos nestas batalhas é mais uma vez determinante para o futuro da luta deste povo por sua sonhada autodeterminação nacional, centralmente nas batalhas no Curdistão sírio (Rojava), da mesma forma como foram as heroicas batalhas em Kobane em 2015, onde os curdos derrotaram as hordas do EI.

Ainda há o drama de centenas de milhares de civis, centralmente em Mossul, que estão em meio ao fogo cruzado, onde cerca de 500 mil estão sofrendo com o desabastecimento de água e de comida, o que poderá aumentar o já grande número de refugiados no oriente médio, pois só até dezembro de 2016, cerca de mais de 100 mil civis foram deslocados.


O Estado Islâmico não luta pela libertação dos povos do oriente médio e do norte da África e por isso deve ser derrotado, mas não por uma intervenção militar dos países imperialistas, liderada pelos Estados Unidos, que estará a serviço da estabilização da região para o seu posterior controle político e econômico. Mas, sim por iraquianos (xiitas e sunitas), curdos e rebeldes sírios, numa perspectiva revolucionária de libertação nacional e anti-colonização imperialista.
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Taílson Silva é professor de Geografia da rede pública e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores/PSOL.