terça-feira, 10 de novembro de 2015

Empresa da Vale cuida da cena do crime, exclui imprensa e povo

Tsunami de Lama. Foto: Gustavo Ferreira/Jornalistas Livres

Acusada de responsável pela tragédia, empresa da Vale cuida da cena do crime, exclui imprensa e deixa o povo de fora. Tá certo isso?


Por Laura Capriglione, especial para os Jornalistas Livres, com fotos de Gustavo Ferreira, em Mariana (MG)


Arrancados de suas casas pelo tsunami gerado pelo rompimento das barragens Fundão e Santarém, repletas de lama tóxica, os moradores de Bento Rodrigues, arraial rural a 35 km do centro de Mariana, sofrem com outro tsunami: o de dúvidas, de mentiras e de dissimulação.
As barragens sinistradas pertencem à mineradora Samarco, fundada em 1977, controlada pela toda-poderosa Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Décima maior exportadora do país, a empresa faturou R$ 7,6 bilhões em 2014 e apresentou um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões. Apesar dessa contabilidade vistosa e de dizer em seu site na internet que preza pela vida “acima de quaisquer resultados e bens materiais”, os moradores de Bento Rodrigues reclamam que não havia nem mesmo uma simples sirene instalada e funcionando para alertar o lugarejo da ruptura das barragens. Poderia ter salvo vidas.
Agora, no rescaldo da tragédia, os habitantes de Bento Rodrigues suspeitam que a empresa esteja priorizando o salvamento de sua imagem institucional em detrimento das vidas humanas e dos animais, atropelados pelo avanço medonho da lama.
“Por que é que estão nos impedindo de entrar em Bento Rodrigues? A gente poderia ajudar na localização e no resgate dos desaparecidos e dos animais, porque conhecemos como ninguém a região, sabemos lidar com o mato. O que é que eles estão querendo esconder?”, perguntava um grupo de moradores indignados com o fato de serem mantidos à força longe de seu bairro.
“Por que não permitem que pelo menos alguns de nós entrem, para ver o que está acontecendo?” 
Neste sábado, o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), confirmou que 28 pessoas encontram-se “desaparecidas” após o rompimento das barragens. Dessas, 13 são funcionários da Samarco e trabalhadores de prestadoras de serviço. Outros 15 desaparecidos são moradores de Bento Rodrigues, dos quais cinco são crianças.
O prefeito também reconheceu oficialmente uma segunda morte na tragédia. O corpo de um homem, ainda não identificado, foi encontrado no município de Rio Doce, a 100 km de Mariana, à beira de um rio, na lama. A primeira vítima reconhecida oficialmente foi um morador de Bento Rodrigues, que sofreu uma parada cardíaca ao ver o desastre.
Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres
Todas as vias de acesso ao subdistrito de Bento Rodrigues encontram-se fechadas. Só entra e sai quem tem carta de autorização. Dezenas de soldados da PM mineira guardam a estrada principal. A estradinha alternativa está intransitável, cenário caótico de argila, rochas, tocos de árvores e restos de vegetação espalhados. Ninguém passa por lá.
“A Samarco é acusada de um crime ambiental seríssimo, que pode ter causado dezenas de mortes, e é ela que ainda tem moral para cuidar da cena do crime? Que loucura é essa?”, reclama uma ativista ligada ao Movimento dos Atingidos por Barragens, quando um caminhão com gerador e luzes da Samarco ultrapassa tranquilamente a barreira policial que veda o ingresso dos moradores. (detalhe: na porta do caminhão, o logotipo da Samarco está tampado por um papel colado). Também camionetes e funcionários a serviço da empresa e devidamente autorizados por ela têm livre acesso ao local.
A Samarco emitiu uma nota oficial aos investidores internacionais apresentando suas supostas razões para proibir o acesso ao terreno sinistrado:
“Por razões de segurança, a Samarco reafirma a importância de não haver deslocamentos de pessoas no local do incidente, exceto das pessoas e equipes envolvidas no atendimento de emergência.”
Apenas a título de memória e, é claro, considerando a diferença de escala, durante as operações de busca e salvamento que se sucederam ao tsunami que varreu a Tailândia, em 2005, o trabalho corajoso e sem tréguas de centenas de voluntários, inclusive fazendo o resgate de corpos humanos e de animais e, foi imprescindível para que a desgraça não fosse ainda pior. Não se alegaram questões de segurança para impedir o trabalho da solidariedade.
“Como é possível que as vítimas sejam mantidas afastadas e o acusado entre e saia à vontade?”, pergunta Ângela, de 57 anos, que nasceu em Bento Rodrigues e agora vive em Catas Altas, vizinho, apontando para lugar nenhum, no vale entupido de lama. “Ali era a casa dos meus pais.” Só ela sabe onde.
Mas o que perturba mesmo os sobreviventes e faz aumentar a tensão na entrada de Bento Rodrigues é a movimentação de helicópteros da polícia, subindo e descendo da “zona quente”, como denominam os bombeiros a área central e mais perigosa da catástrofe.
Sem informações, proibidos de ver o que acontece no arraial, os moradores suspeitam que cadáveres humanos estejam sendo recolhidos do local e levados nas aeronaves para local ignorado. Duas testemunhas em Santa Rita Durão, localidade de Mariana que é passagem obrigatória para quem quer chegar a Bento Rodrigues, dizem ter visto viaturas do Instituto Médico Legal passando diante da delegacia em direção ao bairro sinistrado.
“Foram fazer o quê? A Defesa Civil não diz que um dos mortos oficiais foi encontrado longe e o outro já foi retirado no primeiro dia? Então, por que os carros funerários?”, indaga-se Maria do Rosário, funcionária em um comércio de alimentos.
Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres
Bombeiros civis, convocados para ajudar a impedir o acesso dos moradores ao arraial, confirmam a existência de muitos animais ainda vivos no local… Mas já registram a presença pesada da morte, que se anuncia pelo cheiro adocicado e repulsivo da carne em putrefação.
Eles saem extenuados do local, depois de ajudar a deter uma moradora que, embrenhada no mato, tentava romper o cerco policial para achar a avó, desaparecida desde a quinta-feira. Segundo os bombeiros, a moça estava com o rosto e braços lanhados pela vegetação fechada, e com lama quase até o pescoço, tentando chegar à casa da parente. Ela resistiu fortemente aos que tentavam impedi-la de fazer sua busca. “Mas conseguimos retirá-la”, disse Paulo César, bombeiro civil de Nova Lima. A reportagem perguntou a ele: “E a avó dela?” O socorrista respondeu: “Infelizmente, está morta. Não tem como. Ali, é só desolação.”
Mas a gente de Bento Rodrigues acha um crime deixar morrer no desespero do atolamento bois, vacas, cachorros, cavalos e galinhas –até passarinhos em gaiolas — que ainda sobrevivem no atoleiro.
E eles existem.
Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres
O passar monótono do tempo, sob sol forte e calor de 42ºC, sobe e desce de helicópteros, caminhões e camionetes entrando e saindo, nenhuma notícia, só é interrompido quando se ouve o grito: “Imprensa! Vem correndo! Aqui!”
Descendo uma pirambeira, logo se vê um grupo de moradores trazendo machucada, mas viva, uma cadela grandalhona, pelo marrom, vira-lata, deitada em um catre feito com dois paus e um lençol marrom que já foi branco. “Ela estava enfiada metade do corpo na lama”. Os homens que a carregavam conheciam o bicho. Era do açougueiro Agnaldo, que havia passado a manhã tentando entrar em Bento Rodrigues para reaver o animal. Proibiram-lhe.
“Tinha essa cachorra viva, podendo ser resgatada. Já vimos uma égua, que também está viva, enfiada até o pescoço na lama. Pode ter gente sofrendo, ainda viva, que foi arrastada pela lama pra longe”, angustia-se um dos salvadores da cadela.
“Avisamos os bombeiros sobre a égua, mas eles nos disseram que não poderiam salvá-la, porque não dispunham de corda para puxá-la. É preciso correr com a ajuda, agora que o barro começou a secar. No entanto, não se viu uma só vez aquelas gaiolas penduradas nos helicópteros, ajudando nas buscas”.
Foi à tarde que os heróis anônimos conseguiram burlar a segurança e esgueirar-se pela margens do mar de lama, onde encontraram a cadela machucada. Também encontraram um crucifixo de ouro de um metro de altura, que adornava o altar da igreja de São Bento, a igreja de Bento Rodrigues
Entregue pelos homens humildes (Neimar, Leléu, Lilico, Jerry, pedreiros e mecânicos) à polícia, o crucifixo foi levado de camburão para o quartel da polícia militar de Ouro Preto. “Ficará lá à disposição das autoridades eclesiásticas”, disse o tenente Welby. Da igreja branquinha não se vê mais nem sinal. As mangueiras em torno dela estão lá ainda.
O tenente Welby passava instruções ao soldado no posto de Santa Rita Durão: para este domingo, a zona quente seria ampliada e a barreira policial seria implantada bem antes, como forma de impedir os moradores de fazer seus resgates e salvamentos. E de ver o que se quer manter invisível.
Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres
Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/empresa-da-vale-cuida-da-cena-do-crime-exclui-imprensa-e-povo-por-laura-capriglione#100

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Famílias homenageiam vítimas de chacina durante marcha em Belém

pPor Alexandre Yuripor Alexandre Yuri
Onze pessoas foram assassinadas entre os dias 4 e 5 de novembro de 2014. Ato marcou um ano da data e cobrou esclarecimento de assassinatos.
por Alexandre Yuri, para o G1 PA
Ato 1 ano da chacina em Belém (Foto: Alexandre Yuri/ G1)Vanda Mendes perdeu o irmão na chacina e protestou contra a violência na capital. (Foto: Alexandre Yuri/ G1)
"Eduardo nunca deu trabalho no colégio, nunca teve problemas com ninguém, não tem nome sujo na polícia. Era morador de periferia, mas tinha tudo para ser feliz", lamentou, emocionada, a dona de casa Maria Auxiliadora Galúcio, durante o ato realizado na noite desta quarta-feira (4) em Belém para marcar um ano da chacina que vitimou 10 pessoas após o assassinato do cabo da Polícia Militar Antônio Marcos da Silva Figueiredo no bairro do Guamá. Entre as vítimas estava Eduardo Felipe Galúcio Chaves, neto criado como filho por Maria Auxiliadora.
A dona de casa conta que, na noite de 4 de novembro de 2014, estava no pátio de sua casa no bairro da Terra Firme e viu a chegada de motoqueiros encapuzados em sua rua, mas não imaginava que eles tirariam a vida de Eduardo. O jovem, com 16 anos na época, foi atingido por cinco tiros pouco antes das 22h e morreu no local, a metros de sua casa.
Ato 1 ano da chacina em Belém (Foto: Alexandre Yuri/ G1)Larissa Viana lamentou a perda do primo Eduardo.
(Foto: Alexandre Yuri/ G1)
"O meu primo perdeu a vida injustamente. Ele foi deixar a namorada a casa dela, pegaram meu primo no canto de casa como se ele fosse um bandido, um marginal, não deram nem chance de ele se defender. Dói muito lembrar dele porque o Eduardo era uma ótima pessoa. Meu primo faz muita falta para mim. ", conta Larissa Viana, prima da vítima.
Minutos depois da morte de Eduardo, ainda no bairro da Terra Firme, Bruno Barroso Gemaque também foi baleado nas proximidades de sua casa. Segundo Meire Gemaque, tia da vítima, o rapaz de 20 anos estava em uma bicicleta com a namorada e também foi abordado por homens encapuzados em motocicletas. "Era um rapaz muito família, trabalhava no transporte alternativo. Ceifaram a vida do meu sobrinho por nada", disse Meire.
Bruno levou quatro tiros e chegou a ser socorrido por amigos, mas Meire conta que viaturas da Polícia Militar fecharam as vias do bairro e o rapaz não conseguiu chegar no hospital a tempo. A namorada do jovem, que presenciou o baleamento, se isolou após o ocorrido. "Ela não quer falar, se distanciou da gente. Ela foi dar o depoimento na polícia e depois disso ela sumiu. Ficou com medo de represálias", conta Meire.
Ato 1 ano da chacina em Belém (Foto: Alexandre Yuri/ G1)Jessica Cabral homenageou o irmão Jeferson na
caminhada. (Foto: Alexandre Yuri/ G1)
Jeferson Cabral, de 27 anos, também foi homenageado por familiares durante a marcha. Ele foi atingido por três tiros durante a ação de motoqueiros encapuzados no bairro da Terra Firme. "Meu irmão era uma pessoa muito especial para mim. Me ajudava, ajudava a minha mãe, não tinha vícios. Minha mãe sofre muito, porque nada justifica o que aconteceu. Ele não era bandido, era um rapaz trabalhador", lamenta Jessica Cabral, irmã de Jeferson.
Uma das vítimas baleadas na noite do dia 4 chegou a ser socorrida, como Allersonvaldo Carvalho Mendes, atingido por cinco tiros no bairro da Terra Firme. "Allerson", como era chamado pelos amigos, ficou internado no Hospital Metropolitano, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, mas não resistiu e morreu às 18h do dia 5.
"Ele tinha deficiência mental e o que ele gostava era de estar com os amigos e estar brincando, principalmente de pipa. Era uma pessoa alegre, amiga, carinhosa e perdeu a vida desse jeito. Sem fazer mal a ninguém, vieram e tiraram a vida dele. Ele nem sabia porque estava morrendo", conta a irmã de Allerson, Vanda Mendes.
Ato 1 ano da chacina em Belém (Foto: Alexandre Yuri/ G1)Ana Maria cobrou explicações para a morte do filho
Marcus Murilo. (Foto: Alexandre Yuri/ G1)
Ana Maria Ferreira Barbosa participou da caminhada trajando uma camisa em homenagem ao filho Marcus Murilo Ferreira Barbosa, de 20 anos. "Ele era muito prestativo, trabalhava e estudava, ganhava o dinheiro dele para se manter e não mexer nas coisas de ninguém. Ele atravessou a rua para comer um churrasco, os caras chegaram e deram seis tiros nele", diz a mãe da vítima, morto no bairro do Marco por volta de 22h30.
Alex dos Santos Viana, morto no bairro Parque Verde, e Jean Oscar Ferro dos Santos, assassinado no bairro do Jurunas, tiveram seus nomes lembrados em cartazes e palavras de ordem durante a caminhada, mas seus familiares não participaram das homenagens no ato. De acordo com a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), os familiares temiam represálias e alguns deles chegaram a se mudar da cidade.
Para Alberto Pimentel, da coordenação da SDDH, a resposta dada pelas autoridades de segurança pública do Estado ainda é insuficiente. "Ainda está muito aquém da resposta que os familiares precisavam, seja do ponto de vista da assistência que essas famílias precisam, seja do ponto de vista de dar uma resposta efetiva ao problema central que está colocado nesta questão, que é a atuação de grupos de extermínio na região", comenta Alberto.
Uma das participantes mais emocionadas do ato foi Liliane Araújo, irmã de Nadson Araújo, morto na madrugada do dia 5 no bairro do Jurunas. "No dia 3 ele tinha completado 18 anos, ele ia comemorar no sábado, estava tão feliz. Dia 4 mataram ele", lamentou Liliane. "Ele conversava com uma amiga. Pararam as motos e mandaram eles sentarem. Ele nem esperava o tiro, porque morreu de lado", relata a irmã.
Ato 1 ano chacina Belém (Foto: Alexandre Yuri/ G1)Ato foi encerrado em frente ao Mercado de São
Brás. (Foto: Alexandre Yuri/ G1)
Por volta de 2h da madrugada do dia 5, a última vítima da chacina foi registrada no bairro do Tapanã. Marcio Santos Rodrigues, de 22 anos, foi baleado quando chegava em casa após sair com amigos. "Ele era um rapaz muito tranquilo. Nós somos, sim, de família pobre, mas ele não tinha nenhum envolvimento com drogas, com roubo. É por isso que eu não consigo, até hoje, digerir essa história", diz Janete Rodrigues, irmã da vítima.
Janete conta que o caso abalou a família, principalmente os pais, já idosos. "Desde essa noite, infelizmente, nossas vidas não estão sendo mais as mesmas, e nunca mais vão ser. Nós temos que viver hoje com isso, com essa dor, esse vazio". O ato foi encerrado em frente ao Mercado de Brás, com uma mostra da exposição organizada por familiares com fotos e peças de roupas das vítimas.
Investigação
As mortes aconteceram depois do assassinato do cabo da PM Antônio Figueiredo, suspeito de liderar uma milícia no bairro da Terra Firme. Uma CPI criada para investigar os crimes concluiu que integrantes da Segurança Pública participam de grupos de extermínio no Pará. A Promotoria de Justiça Militar indiciou 14 PMs. A corporação abriu investigação contra nove policiais. Os processos também não foram concluídos.
"Não temos nenhuma dúvida que há um grupo de extermínio e eu me arriscaria a dizer que há um grupo de milícia sim no estado do Pará. E eu não só acompanho essa chacina que aconteceu aqui na área metropolitana, mas de vários outros casos que tenho monitorado e acompanhado pela ouvidoria em outros municípios e regionais”, afirmou a ouvidora da Secretaria de Segurança Pública, Eliana Fonseca.
Na manhã desta quarta, a Polícia Civil informou que concluiu apenas três inquéritos do total de 11 que foram abertos para investigar os assassinatos e a possível relação entre as mortes e o homicídio do cabo da PM Antônio Figueiredo.
"Pela complexidade da investigação, 11 homicídios, dos quais sete foram praticados em menos de uma hora, eu digo que na investigação nós estamos bastante avançados. Temos
três inquéritos com definição de autoria, ouvimos mais de 90 pessoas nesses inquéritos, requisitamos 31 perícias e conseguimos prender essas 8 pessoas", afirma Rilmar Firmino, delegado geral da Polícia Civil do Pará.
O caso corre em segredo de Justiça. Segundo o delegado geral, do total de oito presos, apenas um conseguiu a liberdade provisória e foi comprovada a ligação entre a morte do PM e alguns dos assassinatos.
"Nós podemos asseverar que existe ligação entre as três mortes, e dessas, duas mortes foram praticadas por pessoas ligadas ao cabo Figueiredo. Um é um policial militar da ativa que estava afastado para tratamento de saúde, o outro preso é um policial militar da reserva e dois são pessoas civis ligadas ao PM. Não podemos opinar em relação à investigação, temos que individualizar a conduta e apontar a materialidade, não podemos fazer ilações", esclareceu Firmino.
Ato 1 ano chacina Belém (Foto: Alexandre Yuri/ G1)Vítimas foram homenageadas na Praça do Perário ao final do ato. (Foto: Alexandre Yuri/ G1)
 Fonte: G1 PA.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Chacina deixa 62 mortos em três dias

Barbárie total às vésperas do aniversário de um ano da última chacina em Belém. Esta, maior e mais perversa. 61 mortos em um único sangrento final de semana. 

As mortes são fruto de provável ação de milicianos, que reagiram em represália ao assassinato do soldado Pedroso, que era da Ronda Tática Metropolitana (ROTAM/PM).
Caçada levou a execução de suposto assassino de PM

Na noite de hoje, um dos supostos envolvidos (imagem) no assassinato do PM, que se encontrava sob custódia da polícia na UNIMED Belém da Domingos Marreiros, bairro de Fátima e que respondia pelo apelido de "Pocotó", foi executado. Inclusive a imagem que circula pelo WatshApp, tem os dizeres "Assassino do sd.pedroso." e "VULGO POCOTO". O que sugere a vingança pela morte do soldado, a caça e por fim a execução de "Pocotó".

Resta a pergunta: quais os responsáveis por essas mortes? 
Ao se considerar o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias e Grupos de Extermínio com atuação no interior da Polícia Militar, realizada pela Assembleia Legislativa do Pará, a motivação da CPI fora a chacina de cerca de 11 pessoas inocentes em novembro de 2014 em Belém, e o texto é categórico: " A cultura organizacional da Polícia Militar favorece a formação de milícias e grupos criminosos".

A chacina de novembro ocorreu horas depois do assassinato do Cabo Pet (que estava afastado da PM). Segundo a CPI das Milícias, a morte dele foi em decorrência da disputa por aéreas de influência entre grupos criminosos. A chacina deste final de semana e as 62 mortes até aqui registradas pela Polícia Civil, ocorreram logo depois da morte do soldado da ROTAM. E isso não é mera coincidência.

Alô, governador!

O terror está espalhado na capital do Pará e Região Metropolitana de Belém. No Zap Zap circulam áudios e mensagens, supostamente de policiais militares, falando para a população não sair às ruas.

Enquanto a violência está generalizada e a matança e genocídio de inocentes e moradores das periferias seguem a todo torpe vapor, o governador Simão Jatene (PSDB) e a cúpula tucana da segurança pública do estado, estão inoperantes e de bicos calados.

Basta de genocídio de pobres e de negros!
Basta de chacinas em Belém!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Pastor Raul é 10

Raul Batista de Souza, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), vereador da capital do estado, nascido no município de Acará, com sede do município distante a duas horas de carro (cinco de barco) de Belém do Pará, dirigente do Partido Republicano Brasileiro (PRB), daqui a dois dias fará 52 anos. Recebeu um grande presente de aniversário: foi preso na manhã de hoje, 22, pela Polícia Federal. 

Em verdade, os presenteados fomos todos nós contribuintes e trabalhadores explorados por essa quadrilha. Desta vez, o escândalo diz respeito a fraudes cometidas na concessão do seguro defeso. Mecanismo extraordinário que deveria manter a subsistência dos pescadores artesanais e garantir o período em que as espécies de peixes, como o delicioso mapará, pudessem se reproduzir. Contudo, algo cheirava muito mal, e não era o pitiú dos peixes. Aliás, o peixe, linha, tarrafa e anzol passavam muito longe dessas tenebrosas tramas, cujo um dos principais líderes era o nada nobre pastor e vereador Raul. 

A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Arapaima e saiu à caça de peixes graúdos e médios, servidores públicos e associados, de um milionário esquema de fraudes no benefício do seguro defeso. Foram 18 mandados de prisão, incluso o do vereador, e 17 de busca e apreensão.

Arapaima

O nome científico de um dos maiores peixes de água doce da Amazônia é Arapaima gigas, o ameaçado e apreciado pirarucu. Certamente que é sugestivo que tenha sido o nome da operação, pois igualmente opulento e grandioso são os esquemas de fraudes, que há um ano, a Polícia Federal têm investigado. Estavam no foco das investidas da polícia judiciária a Superintendência Federal da Pesca no Pará (SFPA), à qual Raul Batista é ligado, Postos do Sistema Nacional de Emprego (SINE/MTE) e as agências da Caixa Econômica Federal em Belém.

70 agentes estiveram envolvidos na operação Arapaima. Ela ocorreu em  Ananindeua, Belém e Santa Isabel - Região Metropolitana de Belém (RMB); Altamira - região do rio Xingu (oeste do Pará); Cametá e Mocajuba - baixo Tocantis (nordeste do estado), e Soure - Arquipélago do Marajó. 

Engorda

Poderemos dizer que o defeso é o período da reprodução e da engorda (desenvolvimento) dos peixes. Nesse intervalo de tempo, os pescadores artesanais deveriam usufruir do benefício social do seguro-defeso. Contudo, poucos são os que de fato estavam engordando. E muito. Para a maioria da população, os pescadores, geralmente gente muito simples ou analfabeta, estava a miséria e/ou o caos. 

Lembro de uma ação de saúde do governo do estado em 2009 nas Ilhas de Paquetá, Jutuba e Cotijuba em Belém. Ana Júlia Carepa (PT) ainda era a governadora. Fui para realizar palestras e ações de mobilização social e educação em saúde no que se refere ao combate aos acidentes de motor com escalpelamento. 

O que de fato chamou-me a atenção foi perceber que nas comunidades havia um número expressivo de pescadoras e pescadores que enfrentavam problemas para conseguir o benefício do seguro-defeso. 
Gente simples, trabalhadora. Olhares profundos e gritos de lamento. Cansaço e temor pela fome. Diante da tamanha necessidade, vence a timidez e o medo e ousam pedir alguma ajuda para as "autoridades" ali presentes. 

Queriam saber como fazer para vencer as barreiras da burocracia e entender porque eles, sendo trabalhadores do ramo da pesca artesanal, só conheciam o estado através do peso da repressão ee da polícia, acaso ousassem pescar no período de defeso. 

"Mas a gente faz o quê, senhor? Se não pesca, não tem o que comer.", lamentou um dos membros da comunidade que atentamente assistira nossa conversa. 

A gente faz o quê?! Essas palavras me engasgavam como uma espinha de sarda até hoje. Lembro que o orientei a voltar novamente na Colônia de Pescadores Z10 de Icoaraci, e caso não fosse resolvido a questão, que ele procurasse a Defensoria Pública do Estado ou Ministério Público Federal. 

Uma das respostas para esses tantos pescadores artesanais lesados, bem como para toda a sociedade começou a ser dada hoje. Eles não recebiam seus direitos porque havia políticos, cargos comissionados (DAS's) e asseclas se dando muito bem em cima da dor, sofrimento e miséria alheias do povo amazônida.

Pastor Raul é 10

Após prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal e de fazer exame de corpo de delito no Instituto de Perícias Médico Legal Renato Chaves, o pastor e vereador Raul Batista de Souza foi levado para o Centro de Recuperação Especial Coronel Anastácio das Neves, no complexo de Americano, em Santa Isabel. Ele lá já chegou e está em cela especial.

O 10 na vida do abençoado pastor não é mera coincidência. Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Raul Batista obteve em 2012, quando se reelegeu vereador de Belém dentre os mais votados, 10.733 votos. Passados apenas dois anos, nas eleições de 2014, ele recebeu 104.356 votos para o cargo de deputado federal. Seu partido, o PRB, fez coligação com o Solidariedade (SD) de Wladimir Costa. O único que elegeu-se pela coligação. Batista é 1º suplente. Multiplicou os votos da eleição anterior por 10. Meteórica e espantosa ascenção, não?!  

E por quê? 
Justamente porque é desse período a ida para a Superintendência Federal da Pesca no Pará de seu amigo e também pastor, Eduardo Lopes. Igualmente filiado ao PRB. 

Cem mil apreendidos na casa do Pastor Raul

A utilização política do seguro-defeso não é de hoje e já ajudou a eleger deputados federias, estaduais e até prefeitos. Que o digam Chico da Pesca, Miriquinho Batista e o prefeito de Cametá Iracy (PT), cuja a profissão é de pescador artesanal.

Não foram só votos que o Pastor Raul levou nessa trama. Suas contas e de seus apaniguados também obtiveram vertiginoso incremento para Eduardo Cunha nenhum botar defeito.

Os agentes encontraram em sua residência nada mais, nada menos que R$ 100.000,00. E como ele gosta de um dez, ninguém duvida que não exista pelo menos 2x10 dessa quantia toda.

Traíra arisca

Nem todos os mandados de prisão foram cumpridos, segundo o redator do Além da Frase apurou. Ainda tem uns peixes graúdos a serem fisgados, como é o caso do vereador de Cametá, Cleidinho Teles (PT). Teles estaria sendo investigado por envolvimento nas fraudes do seguro-defeso através da Associação dos Pescadores Artesanais do Município de Cametá (APAMUC). 

Outro possível foragido é cidadão que responde pelo nome de "Zé" Fernandes, presidente da Colônia de Pescadores Z-16 de Cametá. Filiado ao PDT, Zé Fernandes está, ou pelo menos estava, sendo cotado para assumir, pasmem, a Secretaria Municipal de Educação de Cametá. 

O presidente da APAMUC, Amilton Alho, já estaria preso pela PF.
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Atualizado às 19h42 - 23/10/2015

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Preconceito de classe e ódio contra trabalhadores "informais"


por José Emilio Almeida

A postagem é de mais um entorpecido jornalista tucano. Desses que não conseguem enxergar além do que veem os seus olhos embaçados pelas benesses que o o poder lhes têm concedido. E isso há décadas - porque este mal existe desde que Almir Gabriel, por oito anos, espoliou o nosso estado.

Na postagem, o insensível jornalista amarelo condena, de forma implacável, uma trabalhadora que vende alimentos no centro comercial de Belém. Para ele, "essa coisa" e "aberração" (como classifica a atividade produtiva e de sustento familiar desenvolvida pela pobre senhora), fere o Código de Postura e deveria ser proibida pela Prefeitura de Belém, cujo titular, o seu amigo Zenaldo Coutinho (PSDB), tem o gabinete há apenas 200 do local.

Não vêem - ou não querem ver - esses desapiedados, que a taxa de desemprego geral da economia no Brasil, que fechou o segundo trimestre com 8,3%, foi de 4,8% em 2014. Quando o Brasil era governado pelo PSDB, em 2001, a taxa anual foi de 12,1%. E ao que tudo indica, essa taxa poderá chega a 10%, no final deste ano.

Na postagem, o inclemente tucano, mais preocupado em vomitar a sua indignação, sequer propõe uma solução civilizada para tratar o que ele considera um problema "sério para a cidade". Que se dane a pobre mulher.

É preciso que a população pobre e lutadora, da qual faz parte a mulher ultrajada por este inepto, derrube do trono estes arrogantes.

Somos estudantes e trabalhadores, muitos de nós desempregados ou tentando sobreviver na economia informal e não merecemos esta provocação.

Moradores de Barcarena denunciam uso político de cestas básicas e cobram salário prometido por Helder

por Carlos Mendes

Depois que o secretário dos Portos, Helder Barbalho, apareceu em Barcarena, anunciando que seriam entregues 5 mil cestas básicas e também o pagamento de 1 salário mínimo para cada família atingida pelas consequências do naufrágio do navio Haidar e a morte de pelo menos 4.800 bois, parece que a demagogia e a exploração política passaram a tripudiar sobre as carências da população pobre daquele município.

As cestas começaram a ser distribuídas, é verdade - não se sabe se todas as cinco mil foram efetivamente entregues às famílias necessitadas -, mas até uma ex-candidata a prefeito pelo PMDB, Luziane Cravo, provável candidata ao cargo na sucessão do prefeito Vilaça, além dos deputados desse partido, Scaff e Chicão, resolveram aparecer no meio da tragédia como salvadores da pátria. O Ministério Público precisa averiguar essa denúncia feita ao blog. Os deputados citados e Luziane não foram localizados pelo blog para dizer o que estavam fazendo no meio da distribuição dos alimentos. 

Helder, segundo um vídeo em poder do blog Ver-o-Fato, declarou, no porto de Vila do Conde, que 10 mil cestas básicas seriam distribuídas.  Se eram 10 mil, como anunciou Helder, onde estão as outras cinco mil cestas? Quem as recebeu? Onde estão estocadas? Os boatos em Barcarena se espalham como rastilho de pólvora. Algumas comunidades impactadas pela tragédia reclamam que até agora não receberam sequer um quilo de arroz dessas cestas que a elas seriam destinadas. O que os moradores estão cobrando, além de transparência na distribuição das cestas, é como fica o pagamento de uma salário mínimo anunciado por Helder com pompa em sua meteórica passagem por Barcarena.

Foi para fazer essa cobrança que hoje pela manhã um grupo de moradores de Vila do Conde realizou um protesto em frente ao porto da Companhia Docas do Pará (CDP). A assessoria de comunicação da CDP informou que vai conceder o subsídio de um salário mínimo às famílias cadastradas pela Defesa Civil e listadas pelo Ministério Público Federal na ação ajuizada contra a CDP na última sexta-feira (16).

Ainda de acordo com a assessoria, a ajuda financeira deve ser concedida enquanto durar o problema social e ambiental em Vila do Conde. O Laboratório Central do Pará, por outro lado, aguarda o resultado de análises de amostras coletadas da água na última quarta-feira (14). Os resultados devem indicar se há contaminação do meio ambiente e riscos para o consumo humano.

Os primeiros resultados de análises da água coletada no dia 8 de outubro indicaram que as amostras não apresentavam riscos de contaminação por bactéria. Na última quinta-feira (15), foram coletadas mais cinco amostras de água e os resultados devem ser liberados na próxima semana.

 
Os moradores fecharam a frente da CDP de Vila do Conde e exigem que promessas sejam cumpridas
 
O deputado Chicão, do PMDB, posa ao lado das cestas, na companhia de Luziane

Outro deputado do PMDB, Scaff, ao lado de Luziane Cravo, entrega cesta a um morador


Fonte: http://ver-o-fato.blogspot.com.br/2015/10/moradores-de-barcarena-denunciam-uso.html

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Madeira ilegal na Amazônia: MPF denuncia 30 acusados à justiça

Quadrilha coagia assentados a permitirem retirada ilegal de madeira em troca da manutenção do acesso a programas sociais
do site do MPF/PA
O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou à Justiça denúncias contra 30 acusados de participação na quadrilha de extração e comércio ilegal de madeira desbaratada pela operação Madeira Limpa, realizada em agosto em vários municípios do Pará e em Manaus (AM) e Florianópolis (SC).
As denúncias contra cada um dos três núcleos formadores da quadrilha foram enviadas à Justiça Federal em Santarém, no oeste do Pará, no último dia 15. Além das 30 pessoas acusadas, quatro empresas também foram denunciadas.
Os crimes denunciados são estelionato, falsidade ideológica, receptação ilegal, corrupção passiva e ativa, apresentação de documentos falsos, violação de sigilo profissional, advocacia administrativa e crimes ambientais.
As penas para esses crimes chegam a até 12 anos de prisão e multa, e podem ser aumentadas por conta da quantidade de vezes que os crimes foram cometidos. Paulo Sérgio da Silva, o Paçoca, Gabriel Ventura da Silva e Sidney dos Santos Reis, por exemplo, foram acusados de inserir informação falsa em documento público por 481 vezes.
“Todos os elementos reunidos desvendaram uma verdadeira organização criminosa, estruturalmente ordenada, com divisão – ainda que informalmente – de tarefas, cujas atividades são espraiadas por toda a cadeia da exploração madeireira ilegal até a sua ‘legalização’ a partir de créditos florestais fraudulentos, passando pela corrupção de servidores públicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (Semas), de Secretarias municipais de meio ambiente (Semmas), Secretaria da Fazenda do Estado do Pará (Sefa) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)”, destaca o MPF.
Crime em vez de direitos - A quadrilha é acusada de coagir trabalhadores rurais a aceitarem a exploração ilegal de madeira dos assentamentos do oeste paraense em troca da manutenção de direitos básicos, como o acesso a créditos e a programas sociais. O prejuízo mínimo estimado ao patrimônio público é de R$ 31,5 milhões.
Segundo as investigações do MPF, iniciadas em 2014, o grupo atuava em três frentes interligadas: um núcleo intermediador e empresarial, um núcleo operacional centralizado no Incra e um núcleo relacionado às fraudes em órgãos ambientais.
Enquanto o primeiro núcleo concentrava os negociantes de créditos florestais fictícios (esses negociantes são conhecidos como “papeleiros”) e empresas que recebiam a madeira extraída ilegalmente, o segundo núcleo atuava diretamente com o desmatamento, sob a permissão de servidores do Incra, e o terceiro núcleo era responsável pela mercantilização de informações privilegiadas sobre fiscalizações realizadas por órgãos ambientais e pela liberação irregular de empresas com pendências nessas instituições.
“Um mercado que movimenta milhões anualmente, devasta o patrimônio da União concentrado nas florestas protegidas, corrompe setores da administração pública e desvirtua a política social de assentamento de colonos. Tudo numa corrida predatória de derrubada do patrimônio socioambiental em troca do espúrio enriquecimento ilícito”, registra o MPF.
Recursos contra solturas - Das 21 prisões realizadas pela operação Madeira Limpa, as prisões de seis servidores públicos (Francisco Elias Cardoso do Ó, José Maurício Moreira da Costa, Álvaro Silva Pimentel e João Batista da Silva, do Ibama, Manoel de Jesus Leal Ribeiro, da Sefa, e Adriano Luiz Minello, do Incra) foram revogadas pela Justiça Federal mediante a obrigação de os indiciados utilizarem tornozeleira eletrônica e ficarem afastados dos cargos por 30 dias, além da obrigação de pagamento de fiança e comparecimento em juízo. O MPF já recorreu contra a revogação dessas prisões.
Em relação ao secretário municipal de Meio Ambiente de Óbidos, Vinícius Picanço Lopes, ele foi libertado porque o prazo da prisão temporária chegou ao fim.

Denunciados do núcleo intermediador e empresarial:
Alcides Machado Júnior, o Juninho
Danilo Oliveira Fernandes
Edimilson Rodrigues da Silva, o Ed
Edmilson Teixeira da Silva
Empresa Madeireira Iller
Empresa Madeireira Iller Ltda
Everton Douglas Orth
Gabriel Ventura da Silva
Irio Luiz Orth
Isaías Sampaio Lima
Manoel de Jesus Leal Ribeiro (Sefa)
Paulo Sérgio da Silva, o Paçoca
Rodrigo Beachini de Andrade, o Rodrigão ou Bomba
Sidney dos Santos Reis

Denunciados do núcleo operacional:
Adriano Luiz Minello, o Adriano ou Gaúcho (Incra)
André Luis da Silva Suleiman
Charles Pires de Araújo
Danilo Campos Cardoso
Eloy Luiz Vaccaro
Empresa I. L. Viana
Empresa Polpas do Baixo Amazonas Ltda
Enilson Alcântara Pereira, o Negão
Idelcide Lopes Viana
Luiz Bacelar Guerreiro Júnior, o Bacelar (Incra)
Paulo de Oliveira Almeida Junior
Paulo Sérgio da Silva, o Paçoca
Ranieri Gonçalves Terra, o Ranieri
Vinícius Picanço Lopes (Semma de Óbidos)
Walderson do Egito Sena

Denunciados do núcleo de fraudes em órgãos ambientais:
Ademir Coutinho Ramos Júnior (Semas)
Aldenice Barreto Dias (Semas)
Álvaro Silva Pimentel (Ibama)
Francisco Elias Cardoso do Ó (Ibama)
José Maurício Moreira da Costa (Ibama)
João Batista da Silva (Ibama)
Paulo Sérgio da Silva, o Paçoca
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Fonte: http://www.prpa.mpf.mp.br/news/2015/caso-madeira-limpa-mpf-denuncia-30-acusados-a-justica

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Demissões e revolta nas ORM


O clima é sinistro. Toda vez que o telefone toca na redação é uma tortura. Ninguém consegue trabalhar. Fica naquela tensão: Quem será o próximo?!

Até nisso a patronal é sádica. 6 demitidos de manhã. Depois de chegarem. Ponto batido. Tudo normal. Pauta na mão. Preste a sair, a ligação. Vai lá ao DRH. 20, 15, 25 anos de casa.

De súbito, sem justificativa: "você está dispensado. A empresa agradece seus serviços". Seco. Novamente a ligação. Para quem será?!

Mais tensão. O Repórter vai ao DRH. As mesmas palavras. Sem justificativas. Secas. Destruidoras. A avassaladora sensação de ouvir, e nestes termos assediadores e violentos: "você está demitido!".

Volta à redação. Se abraça com os que ficam. Algumas palavras. Pega as coisas. Vai embora.

A tarde passa. A tensão segue. O estresse aumenta. Sem vontade de comer. Vazia passa. O DRH não ligou.

A noite chega. Um ar de esperança pela tarde de sofreguidão dos trabalhadores de O Liberal e Amazônia que comemoraram algumas horas de silêncio por parte da patronal.

Mas com a noite veio a mesma sanha. Da mesma forma. Um a um. Ligação após ligação. Ao DRH. Desempregado. Abraço nos que ficam. Solidariedade mútuas.

Aos não demitidos pesa a precarização e o aumento de exploração e horas de trabalho. Aos que ficam pesa a tortura das ligações da patronal. Se reclamar demito de novo. Mas acima de tudo, aos trabalhadores criminosamente demitidos e torturados pelas Organizações Rômulo Maiorana (afiliada da Rede Globo) e aos não demitidos, resta a possibilidade de se levantar e lutar contra todos esses abusos.

É preciso que os jornalistas se juntem a outras organizações da sociedade e façam manifestações publicas. Nas portas das ORM. É necessário denunciar as covardes demissões e os diários abusos cometidos pela patronal no estado.

Dia 18 vai ter uma grande marcha em São Paulo e um protesto em Belém do Pará contra os ajustes de Dilma, governadores e prefeitos, e contra os cortes de verbas, a carestia, demissões e políticas de arrocho dos governos e patrões.

A hora é de unificar as lutas e mobilizações!
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O texto faz referência a primeira "onda" de demissões nas Organizações Rômulo Maiorana em abril de 2015. Em agosto, os trabalhadores fizeram protesto e paralisações, dentre outras pautas, pelo pagamento devido das horas extras (foto/ fonte: Adufpa). 
Esta semana o grupo demitiu mais de 100 profissionais da imprensa. 
Os trabalhadores não podem pagar pela crise!