Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imprensa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Direito à informação ameaçado

Imprensa brasileira denuncia censura no caso de Marcela Temer

Foto: Folhapress
por Juliana Gonçalves, para o The Intercep BR
A semana começou com um grave ataque à liberdade de imprensa no Brasil. A pedido do Palácio do Planalto, a Justiça Brasileira ordenou que os jornais Folha de São Paulo e O Globo retirassem do ar as matérias que mencionam a tentativa de extorsão sofrida pela primeira-dama Marcela Temer. O advogado Gustavo do Vale Rocha – que também é subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República – argumentou que a divulgação do material seria uma conduta “criminosa e atentatória de direitos fundamentais”, e que os veículos de imprensa teriam ignorado tal aspecto, “apenas para aumentar o número de acesso a seus sites e venda de suas edições impressas”.
Entidades que representam a imprensa brasileira lançaram notas de repúdio à censura. A Associação Brasileira de Jornalismo investigativo (Abraji) diz reivindicar a anulação da absurda decisão da 21ª Vara Cível de Brasília. Impedir repórteres de publicar reportagens é prejudicial não apenas ao direito à informação, como também ao papel do jornalista de fiscalizar o poder público.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) também repudiaram o caso como censura prévia. As entidades consideram “a decisão judicial um cerceamento à liberdade de imprensa e esperam que a sentença seja revista ou reformada imediatamente, garantindo aos veículos de comunicação o direito constitucional de levar à população informações de interesse público”.
Um dos objetivos da criação do The Intercept era defender e apoiar a liberdade de imprensa em todo o mundo, e, por isso, publicou os materiais censurados para que possam ser analisados pelo público.
Folha recorreu da decisão, que qualifica como “inaceitável”. Taís Gasparian, advogada do jornal, entrou com um agravo de instrumento destinado ao presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. O texto lembra que “as informações do episódio do hackeamento já são há muito conhecidas”.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Demissões e revolta nas ORM


O clima é sinistro. Toda vez que o telefone toca na redação é uma tortura. Ninguém consegue trabalhar. Fica naquela tensão: Quem será o próximo?!

Até nisso a patronal é sádica. 6 demitidos de manhã. Depois de chegarem. Ponto batido. Tudo normal. Pauta na mão. Preste a sair, a ligação. Vai lá ao DRH. 20, 15, 25 anos de casa.

De súbito, sem justificativa: "você está dispensado. A empresa agradece seus serviços". Seco. Novamente a ligação. Para quem será?!

Mais tensão. O Repórter vai ao DRH. As mesmas palavras. Sem justificativas. Secas. Destruidoras. A avassaladora sensação de ouvir, e nestes termos assediadores e violentos: "você está demitido!".

Volta à redação. Se abraça com os que ficam. Algumas palavras. Pega as coisas. Vai embora.

A tarde passa. A tensão segue. O estresse aumenta. Sem vontade de comer. Vazia passa. O DRH não ligou.

A noite chega. Um ar de esperança pela tarde de sofreguidão dos trabalhadores de O Liberal e Amazônia que comemoraram algumas horas de silêncio por parte da patronal.

Mas com a noite veio a mesma sanha. Da mesma forma. Um a um. Ligação após ligação. Ao DRH. Desempregado. Abraço nos que ficam. Solidariedade mútuas.

Aos não demitidos pesa a precarização e o aumento de exploração e horas de trabalho. Aos que ficam pesa a tortura das ligações da patronal. Se reclamar demito de novo. Mas acima de tudo, aos trabalhadores criminosamente demitidos e torturados pelas Organizações Rômulo Maiorana (afiliada da Rede Globo) e aos não demitidos, resta a possibilidade de se levantar e lutar contra todos esses abusos.

É preciso que os jornalistas se juntem a outras organizações da sociedade e façam manifestações publicas. Nas portas das ORM. É necessário denunciar as covardes demissões e os diários abusos cometidos pela patronal no estado.

Dia 18 vai ter uma grande marcha em São Paulo e um protesto em Belém do Pará contra os ajustes de Dilma, governadores e prefeitos, e contra os cortes de verbas, a carestia, demissões e políticas de arrocho dos governos e patrões.

A hora é de unificar as lutas e mobilizações!
----

O texto faz referência a primeira "onda" de demissões nas Organizações Rômulo Maiorana em abril de 2015. Em agosto, os trabalhadores fizeram protesto e paralisações, dentre outras pautas, pelo pagamento devido das horas extras (foto/ fonte: Adufpa). 
Esta semana o grupo demitiu mais de 100 profissionais da imprensa. 
Os trabalhadores não podem pagar pela crise!