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domingo, 9 de abril de 2017
Revolução e contra-revolução na disputa do território sírio
por Tailson Silva
Há mais de 6 anos atrás, inspirados pela primavera árabe, onde os povos do norte da África e do oriente médio, lutaram contra governos ditatoriais e chegaram a derrubar Ben-Ali na Tunísia, Mubarak no Egito e Khadafi na Líbia que eram ditadores de décadas, os sírios saíram as ruas para protestar pela derrubada do "seu" ditador Bashar Al-Assad, que junto com o seu pai (Hafez Al-Assad), governam a Síria por cerca de 60 longos anos. Protestos que foram prontamente reprimidos por Assad e deram vazão a organização dos rebeldes sírios e sua justa luta pela derrubada de Assad.
Para tentarmos entender o que se passa na Síria, podemos nos auxiliar pela discussão sobre o conceito de território e como esta categoria geográfica é disputada por diferentes atores, no caso sírio, os atores são diversos, regionais e mundiais.
Segundo alguns teóricos, como Claude Raffestin, a construção do território revela relações marcadas pelo poder. Para ele, faz-se necessário enfatizar, que é o poder exercido por pessoas ou grupos que definem o território. Onde poder e território, tem que ser enfocados conjuntamente para a consolidação do conceito de território.
Marcelo Lopes de Souza afirma que todo espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder é um território, seja ele um quarteirão aterrorizado por uma gangue de jovens ou até o bloco constituído pelos países membros da OTAN. Sendo que os territórios podem ser: temporários ou permanentes.
Marcos Aurélio Saquet consolida a opinião de Souza, quando afirma que o território pode ser temporário ou permanente e que este efetiva-se em diferentes escalas, não apenas naquela convencionalmente conhecida como o “território nacional” sob gestão do Estado-Nação, podendo um Estado-Nação possuir diferentes territórios, controlados e disputado por diferentes atores e/ou grupos.
Em uma tentativa de síntese: O Estado nacional sírio e suas muitas regiões, estão desde 2011 sendo disputadas por muitos e diferentes atores, que temporariamente avançam em um sentido ou outro. Desenvolvendo e abrindo caminho ora para a revolução síria e ora para a contra-revolução, onde Assad e os demais atores envolvidos buscam consolidar suas relações de poder sobre determinados territórios dentro da Síria.
Na busca pela volta da dominação completa do território sírio, Assad nunca se pôs negociar, provocando o início da guerra civil síria. Em 6 anos, diferentes conjunturas sucederam-se nesta guerra, com Assad fortalecido no início, os rebeldes fortalecidos após 1 ano de conflitos quando chegaram as "portas" de Damasco e controlando grandes cidades como Aleppo, a entrada em cena do Estado Islâmico que se apossou de parte da síria em 2013 e 2014 e com a retomada da força de Assad no último ano, com a entrada pesada da Rússia e de outros aliados de Assad.
A guerra civil síria é permeada por vários e distintos interesses políticos, militares e econômicos de diferentes atores, não sendo fácil nenhuma leitura deste conflito.
O governo de Assad grande representante da contra-revolução está sufocando os rebeldes, colocando quase que um ponto final no conflito, como fez na brutal retomada de Aleppo e tenta se manter a ferro e fogo no poder, nem que pra isso seja usada armas químicas como foi feito esta semana em Idlib. Controla regiões do sul, oeste (litoral) e centro.
Os rebeldes sírios, apesar da posição política da direção do Exército Livre da Síria, são os grandes atores territoriais da revolução síria, tentam resistir e lutar pela derrubada do genocida Assad, buscando aliados que nem sempre os ajudaram de fato, como alguns governos árabes ou países imperialistas. Têm sua condição de luta atual, após fortes derrotas, recolocadas ao patamar da resistência, diferente do patamar inicial de avanço da revolução pelo território sírio. Estão no sul, centro e norte do país.
Os Estados Unidos querem voltar a saquear as riquezas da região com "normalidade", coisa que a guerra atrapalha, e é por isso que Trump tenta ser protagonistas para impor o fim da guerra, deixam de um tímido apoio logístico aos rebeldes e aos curdos e passam a uma intervenção mais direta, não se sabe quais seriam seus próximos passos depois do bombardeio a uma base militar síria na última quinta. Tentam forçar a saída de Assad na tentativa de formar um novo governo, nem que a fragmentação do território sírio seja a consequência disto tudo. Mesmo sendo contra Assad não representam nenhum avanço da revolução em território sírio, são parte da estratégia geral de derrota dos processos revolucionários da primavera árabe.
A Rússia quer manter Assad no poder, pelas relações políticas, militares e econômicas, que seu país possui com Assad, por isso "arrastaram" o Irã, milícias xiitas iraquianas e o Hezbollah para a guerra, no intuito de defender Assad e retomar posições chaves, como conseguiram fazer recentemente em Aleppo. Os aliados de Assad, como o Hezbollah estão no sudoeste da Síria.
O governo da Arábia Saudita e do Catar querem a derrota de Assad, financiando milícias jihadistas, para desestabilizar os governos aliados ao Irã, para tentar retomar o anterior grau de protagonismo regional perdido no último período.
O Estado Islâmico e a Frente Al-Nusra que querem construir seus objetivos territoriais e jihadistas em meio ao pântano atual da Síria, como o proclamado califado do EI. Foram parcialmente derrotados com a diminuição de suas forças na Síria, mesmo assim são atores fortes neste conflito e são os elementos mais contra-revolucionários de todos. Controlam o leste e regiões do centro sul da Síria.
A Turquia quer derrotar os curdos também no território sírio, por isso ataca estes, sob a justificativa de ações de defesa do território turco na fronteira, para "impedir" a entrada de jihadistas do EI e o fortalecimento dos curdos. As oscilações de posições da Turquia, ora se comportando como "opositores" de Assad e ora como "aliados", foi vital para o recente fortalecimento territorial de Assad. Atuam no norte da Síria.
Os curdos que apesar de erros estratégicos compondo estranhas alianças, seguem sendo um dos principais elos territoriais da revolução síria, lutando pelo poder em seu território e por sua autodeterminação como nação, tanto contra Assad, o EI, a Turquia, o Irã, o Iraque, os Estados Unidos e a Rússia. Controlam regiões do norte sírio.
Mesmo de longe, podemos ter opinião e lado neste conflito: o lado da revolução. Que nos instáveis e temporários territórios sírios, tentam resistir e quem sabe poder derrotar os muitos e gigantes poderes contra-revolucionários de Assad e de tantos outros atores.
Em memória aos quase 500 mil mortos na guerra da Síria, das formas mais brutais possíveis, como nos bombardeios químicos. Em especial as crianças sírias e curdas que sonham com a vitória da revolução para terem o poder de viver em território de uma Síria livre e justa e na futura nação curda.
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Tailson Silva é professor de Geografia na rede pública de ensino do Pará e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST-PSOL).
Fonte imagem: Folha.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
A matança não para no Pará. Jatene é o grande culpado
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| Chacina de Belém: movimentos sociais e familiares de vítimas protestaram em 2014 pedindo justiça. Foto: Mário Quadros |
Ontem vi o triste e revoltante relato do estudante da Universidade Federal do Pará (UFPA) e militante do PSOL, Adriano Mendes, dando conta da dor pela qual passa sua família: em menos de cinco meses, ele perde seu 2° primo assassinado por criminosos que agem impunemente no estado. Quadrilhas perigososas que envolvem policiais e que comandam milícias e grupos de extermínio, principalmente na Região Metropolitana de Belém (RMB).
As chacinas, o genocídio, a matança ocorrem todos os dias. Dezenas, centenas de mortes. Gente trabalhadora, honesta, estudante. Os únicos crimes que cometeram são os de viverem na periferia, serem pobres e pretos.
Semana passada uma amiga querida me relatou com o coração partido que seu irmão, igualmente jovem, negro, trabalhador, morador do Riacho Doce, bairro do Guamá, havia sido brutalmente morto por homens encapuzados, que atiram com técnicas de quem recebeu treitamento militar e que estavam no tenebroso carro preto. Já famoso por fazer matança impunemente nos bairros pobres da capital.
O fato é que essa situação já fogiu, há muito, ao controle. O Sistema de Seguranca Pública é ineficiente. As investigações são morosas. Só para exemplificar o nível da barbárie, praticamente ninguém foi punido em decorrência da chacina de 4 de novembro de 2014, quando mais de dez pessoas foram mortas a esmo nas horas que se seguiram ao assassinato do Cabo Pet (que estava afastado de suas funções na PM), que segundo a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias e Grupos de Extermínio no Pará da Assembleia Legislativa do Estado, tinha envolvimento com esses grupos criminosos.
O governador Simão Robson Jatene (PSDB), o secretário de estado de segurança pública, o comandante geral do estado maior da PM e o delegado deral de policícia civil são os grandes responsáveis por essa onda de crimes e violências que ocorrem na Região Metropolitana de Belém (RMB). Mas não os únicos. As corregedorias das polícias, o Ministério Público Militar e do Estado, assim como a Justiça também contribuem para esse quadro, quando a gente vê a impunidade seguir firme no Pará.
A sociedade anda apavorada com esse genocídio diário. Mas é necessário passar do medo a luta. Tomar as ruas, fazer protestos e marchar contra os responsáveis por essa matança. Não podemos ficar contando nossos mortos e sofrer com a notícia de quem foi o próximo. É preciso ir à luta!
Editado às 11h43, 01/02/2017.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Chacina deixa 62 mortos em três dias
Barbárie total às vésperas do aniversário de um ano da última chacina em Belém. Esta, maior e mais perversa. 61 mortos em um único sangrento final de semana.
As mortes são fruto de provável ação de milicianos, que reagiram em represália ao assassinato do soldado Pedroso, que era da Ronda Tática Metropolitana (ROTAM/PM).
Na noite de hoje, um dos supostos envolvidos (imagem) no assassinato do PM, que se encontrava sob custódia da polícia na UNIMED Belém da Domingos Marreiros, bairro de Fátima e que respondia pelo apelido de "Pocotó", foi executado. Inclusive a imagem que circula pelo WatshApp, tem os dizeres "Assassino do sd.pedroso." e "VULGO POCOTO". O que sugere a vingança pela morte do soldado, a caça e por fim a execução de "Pocotó".
Resta a pergunta: quais os responsáveis por essas mortes?
Ao se considerar o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias e Grupos de Extermínio com atuação no interior da Polícia Militar, realizada pela Assembleia Legislativa do Pará, a motivação da CPI fora a chacina de cerca de 11 pessoas inocentes em novembro de 2014 em Belém, e o texto é categórico: " A cultura organizacional da Polícia Militar favorece a formação de milícias e grupos criminosos".
A chacina de novembro ocorreu horas depois do assassinato do Cabo Pet (que estava afastado da PM). Segundo a CPI das Milícias, a morte dele foi em decorrência da disputa por aéreas de influência entre grupos criminosos. A chacina deste final de semana e as 62 mortes até aqui registradas pela Polícia Civil, ocorreram logo depois da morte do soldado da ROTAM. E isso não é mera coincidência.
Alô, governador!
O terror está espalhado na capital do Pará e Região Metropolitana de Belém. No Zap Zap circulam áudios e mensagens, supostamente de policiais militares, falando para a população não sair às ruas.
Enquanto a violência está generalizada e a matança e genocídio de inocentes e moradores das periferias seguem a todo torpe vapor, o governador Simão Jatene (PSDB) e a cúpula tucana da segurança pública do estado, estão inoperantes e de bicos calados.
Basta de genocídio de pobres e de negros!
Basta de chacinas em Belém!
As mortes são fruto de provável ação de milicianos, que reagiram em represália ao assassinato do soldado Pedroso, que era da Ronda Tática Metropolitana (ROTAM/PM).
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| Caçada levou a execução de suposto assassino de PM |
Na noite de hoje, um dos supostos envolvidos (imagem) no assassinato do PM, que se encontrava sob custódia da polícia na UNIMED Belém da Domingos Marreiros, bairro de Fátima e que respondia pelo apelido de "Pocotó", foi executado. Inclusive a imagem que circula pelo WatshApp, tem os dizeres "Assassino do sd.pedroso." e "VULGO POCOTO". O que sugere a vingança pela morte do soldado, a caça e por fim a execução de "Pocotó".
Resta a pergunta: quais os responsáveis por essas mortes?
Ao se considerar o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias e Grupos de Extermínio com atuação no interior da Polícia Militar, realizada pela Assembleia Legislativa do Pará, a motivação da CPI fora a chacina de cerca de 11 pessoas inocentes em novembro de 2014 em Belém, e o texto é categórico: " A cultura organizacional da Polícia Militar favorece a formação de milícias e grupos criminosos".
A chacina de novembro ocorreu horas depois do assassinato do Cabo Pet (que estava afastado da PM). Segundo a CPI das Milícias, a morte dele foi em decorrência da disputa por aéreas de influência entre grupos criminosos. A chacina deste final de semana e as 62 mortes até aqui registradas pela Polícia Civil, ocorreram logo depois da morte do soldado da ROTAM. E isso não é mera coincidência.
Alô, governador!
O terror está espalhado na capital do Pará e Região Metropolitana de Belém. No Zap Zap circulam áudios e mensagens, supostamente de policiais militares, falando para a população não sair às ruas.
Enquanto a violência está generalizada e a matança e genocídio de inocentes e moradores das periferias seguem a todo torpe vapor, o governador Simão Jatene (PSDB) e a cúpula tucana da segurança pública do estado, estão inoperantes e de bicos calados.
Basta de genocídio de pobres e de negros!
Basta de chacinas em Belém!
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Jesus não ressuscitou
Impressiona o barbarismo. Impressiona porque a barbárie se expressa através da morte. O Rio de Janeiro já conta com mais mortos por "bala perdida" este ano, que durante todo o ano passado. Um verdadeiro rio de sangue.
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| No Facebook, com a seguinte frase: "Todos os partidos de viés religiosa, sem exceção, votaram a favor da redução da maioridade penal. Não é interessante? Fonte: Max Cavalera |
O menino Jesus foi morto pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) na quinta-feira, 02, fruto de uma “guerra” nada santa. Ontem não teve Páscoa no Complexo de favelas do Alemão, pois nem Eduardo de Jesus, 10, e nenhum dos outros cerca de 50 assassinados pela polícia ressuscitaram, como aconteceu com o personagem do Novo Testamento há cerca de 2.015 anos.
O Estado, através do secretário de Segurança Pública, Beltrame, e de sua porta-voz oficial, as organizações Globo, falam que isso ou foi "probleminha que ainda ocorre" ou que foi resultado do "despreparo da polícia".
Os
movimentos sociais, os de defesa dos direitos humanos e as organizações não governamentais dizem que "quem atira na cabeça
não é despreparado".
Concordo
em gênero, número e grau com estes.
O
estado programou as polícias para matar
O programa Brasilianas.org da TV Brasil,
apresentado por Luis Nassif, convidou para debater o ‘genocídio
brasileiro’ em julho passado, o professor e
jurista Luiz Flávio Gomes, presidente do Instituto Avante Brasil (que
estuda a analisa a violência urbana) e a fundadora e coordenadora do
Movimento Mães de Maio Débora Maria da Silva.
Cabe
destacar o que o renomado jurista disse nesse programa: “há um verdadeiro
genocídio em curso no Brasil. É uma ação consciente dos governantes. Independe
de partido. PT, PSDB, todos convergem para essa mesma política. Pela ação ou
omissão, promovem um escancarado genocídio das camadas populares".
Gomes e
Débora foram chamados para debater, à luz da recente publicação do Mapa da
Violência de 2014, esse processo de higienização social que tem vitimados
centenas de milhares de brasileiros em menos de 4 anos.
No site
GGN, a chamada para o programa diz o seguinte: "Dados
do Mapa da Violência de 2014 mostram um crescimento de 13,4% dos assassinatos
no Brasil em comparação a 2002. As principais vítimas são jovens do sexo
masculino e negros".
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| Mãe de Jesus enfrenta policiais no Alemão |
"O
tema está sendo abordado pela criminologia de forma crítica, com destaque para
os estudos abordados pelo filósofo do direito Wayne Morrison. Ele
reivindica hoje ampliação do objeto de estudo da clássica criminologia para que
se preste mais atenção aos massacres provocados por ação ou omissão do Estado."
Segundo
o professor, nesse processo há várias implicações, uma para o estado e as outras para a
sociedade. Uma de cunho jurídico e as outras sociológicas.
No que
se refere a sociedade, é o que todo mundo já está cansado e REVOLTADO de
saber: a maioria das vítimas dessa guerra aos pobres, disfarçada de guerra às
drogas, são negros, pobres, jovens de 13 a 29 anos, moradores das favelas,
periferias e baixadas das grandes cidades. Os executores, ainda segundo Luiz
Flávio Gomes, são os agentes de segurança pública. Já os responsáveis, são os governantes. Governantes cometendo, por "ação ou omissão", crimes contra a humanidade e "crimes contra a humanidade, não prescrevem,
os seus responsáveis podem ser criminalizados a qualquer época", conclui Gomes.
Tem
muita razão o jornalista e escritor Mário Magalhães, quando diz que "Se
o menino Jesus, 10, fosse morto em Ipanema, haveria comoção nacional. Eduardo de Jesus
não provocou uma comoção entre os brasileiros", tampouco
na grande mídia.
E não
provocou porque a grande mídia é racista, fascista e apoia esse processo de
genocídio. A Rede Globo, por exemplo, consegue se indignar mais com os
paparazzi que não deixam a família real britânica em paz do que com a morte,
por tiro de fuzil na cabeça, de uma criança. A TV Globo se indigna e faz
campanha para salvar uma pessoa em situação de rua, apenas quando esta é branca
e bonita. Aliás, o caso de uma “mendigata” e de um "mendigato", receberam mais minutos nos telejornais
e programas da família Marinho do que toda a cobertura das mortes "por
bala perdida" no Complexo do Alemão este ano.
Contra
esse processo de genocídio, sociedade e organizações já começaram a se organizar
Na
sexta-feira houve protesto de familiares e moradores do Morro do Alemão pedindo
o fora das Unidades de Polícia Pacificadora, assim como do Exército Brasileiro,
que há meses, sitia, amedronta e ameaça os moradores da favela.
Sobre essa carnificina em geral e o assassinato de Eduardo em particular, o vereador da capital fluminense, Babá (PSOL-RJ) disse em sua página em uma rede social que "O povo trabalhador do Rio de Janeiro não vai mais aceitar calado que crimes hediondos como este sejam cometidos por agentes públicos fardados. Chega de abuso contra os moradores das favelas. Ser pobre não é crime".
Babá falou ainda que seu mandato, assim como os demais movimentos organizados, estarão "insistentemente defendendo a memória e a história do menino Eduardo. O discurso de ódio não vai vencer", fazendo referência à vergonhosa campanha que tentaram realizar contra a vítima, o associando ao perfil de um garoto segurando, não se sabe em que circunstâncias, uma arma. Diz que não aceitarão que desrespeitam "a memória do menino. Agora tentam difamar e caluniar o jovem de 10 anos para justificar a brutal e criminosa ação da PM no Complexo do Alemão".
Não passarão!
Sobre essa carnificina em geral e o assassinato de Eduardo em particular, o vereador da capital fluminense, Babá (PSOL-RJ) disse em sua página em uma rede social que "O povo trabalhador do Rio de Janeiro não vai mais aceitar calado que crimes hediondos como este sejam cometidos por agentes públicos fardados. Chega de abuso contra os moradores das favelas. Ser pobre não é crime".
Babá falou ainda que seu mandato, assim como os demais movimentos organizados, estarão "insistentemente defendendo a memória e a história do menino Eduardo. O discurso de ódio não vai vencer", fazendo referência à vergonhosa campanha que tentaram realizar contra a vítima, o associando ao perfil de um garoto segurando, não se sabe em que circunstâncias, uma arma. Diz que não aceitarão que desrespeitam "a memória do menino. Agora tentam difamar e caluniar o jovem de 10 anos para justificar a brutal e criminosa ação da PM no Complexo do Alemão".
Não passarão!
É
preciso lutar e agir como fez bravamente a mãe de Eduardo, dona Maria de Jesus.
É preciso enfrentar os governantes e sua polícia assassina. Se faz imperativo a
desmilitarização das polícias e a pressão pela aprovação da proposta de emenda constitucional 51, que reestrutura as policiais. (Clique aqui para saber mais sobre a PEC-51).
Como prova o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), desmilitarizar as Polícias Militares é uma questão de vida ou morte, pois, diz o texto, "a cultura organizacional das PM's favorece a formação de organizações criminosas", as famigeradas milícias e grupos de extermínio.
Como prova o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), desmilitarizar as Polícias Militares é uma questão de vida ou morte, pois, diz o texto, "a cultura organizacional das PM's favorece a formação de organizações criminosas", as famigeradas milícias e grupos de extermínio.
A frase do pai de Eduardo, ao desembarcar no Piauí para enterrar seu filho, é emblemática: "Nunca fomos ameaçados por bandidos, sempre pela polícia". O povo pobre e trabalhador precisa se organizar e fazer como os moradores do Alemão, que diariamente tem realizado protestos e exigido o fim da matança.
Nesse sentido é preciso que a juventude, os trabalhadores e o povo pobre do morro desça e ocupe as ruas. “Se a gente não tem paz, os governantes não vão dormir”, deve ser a palavra de ordem. Pois só com mobilização e luta, aliados aos movimentos sociais, entidades de defesa dos direitos humanos e partidos da oposição de esquerda, se poderá por fim ao plano de extermínio da população pobre encabeçada pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e pela presidenta Dilma Rousseff (PT) nas comunidades do Rio de Janeiro. Exemplo que serve para todo o Brasil.
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Última atualização: 20h57, 06/04/2014.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014
INTERNACIONAL: Sem água, palestinos lançam desafio do balde de escombros
Idealizador da iniciativa, jornalista Ayman Aloul pediu atenção de todos que simpatizam com questão palestina
do Opera Mundi![]() |
| Jornalista palestino foi o primeiro a postar vídeo com o desafio do balde de escombros. Foto: Reprodução |
Na gravação, Ayman Aloul aparece em meio a ruínas de edifícios destruídos pela recente ofensiva de Israel a Gaza e joga um balde com escombros na cabeça.
"Gostei da ideia do desafio de balde de gelo, então decidi criar uma versão palestina. Esse desafio é para todos que simpatizam com a questão palestina." Ele justifica o uso de escombros porque em Gaza a água é escassa e muito valiosa. Além disso, não há eletricidade para fazer cubos de gelo, esclarece Aloul.
Neste domingo (24/08), ao menos 15 pessoas morreram por ataques de aviões israelenses, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. O número total de mortos desde o começo do atual conflito superou os 2.110.
Leituras relacionadas:
- Jovens judeus vivem ruptura com sionismo
- ONGs humanitárias acusam Israel de impedir entrada de investigadores em Gaza
- A possível extinção do Estado de Israel
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terça-feira, 5 de agosto de 2014
Acusaram-lhe de comparar os israelenses aos nazistas. Sua resposta a nada deixou igual
Editado às 11h39min, 05/08/2014
"Cada
membro de minha família, por ambas as partes, foi exterminado. Meus pais
estiveram nos escombros do Gueto de Varsóvia. E é precisamente pelas lições que
meus pais ensinaram a mim e a meu irmãos, que não vou guardar silêncio quando
Israel comete estes crimes contra os palestinosl. E creio que não há nada de
especial em usar seu próprio sofrimento e martírio para justificar a tortura, a
brutalidade, a demolição de lares, que é o que Israel comete diariamente contra
os palestinos. E me nego a voltar a ser intimidado ou pressionado por suas
lágrimas. Se tivesses coração estarias chorando pelos palestinos!" Prof.
Dr. Norman Gary Finkelstein, em um debate na Universidade de Waterloo.
Por
Maria Zuñiga, para La
Voz del Muro
Tradução:
Marcus Benedito
Normam
Gary Finkelstein é doutor em ciências políticas e especializado em assuntos
relacionados com o judaísmo, Israel e o sionismo, especialmente com o conflito
palestino-israelense.
Finkelstein
tem escrito sobre as experiências de sus pais durante a Segunda Guerra Mundial.
Sua madre, Maryla Husyt Finkelstein e seu pai, Zacharias Finkelstein foram
colocados no campo de concentração de Auschwitz.
Durante
um debate na Universidade de Waterloo [Canadá], ante seu discurso crítico
devido ao uso das armas por parte de Israel no conflicto contra a Palestina,
uma jovem lhe acusou de comparar os israelenses aos nazistas. A resposta que
lha deu a nada deixou comparável.
A
legenda do vídeo é em espanhol:quinta-feira, 10 de julho de 2014
Genocídio na Palestina: TV Globo e grande mídia mentem para a população
Não é uma guerra, é um massacre do estado nazi-sionista de Israel sobre o povo palestino.
Por Júlio Miragaia
É de uma bizarrice sem tamanho a forma como os meios de comunicação tratam a ofensiva militar de Israel em Gaza.
Mais de 75 palestinos mortos e mais de 400 feridos desde o dia 07. Maioria de crianças e mulheres. Israel tem todo um aparato militar que o permite atacar centenas de vezes pelo ar e por terra sem grandes prejuízos, enquanto que o Hamas e outros grupos tem misseis tão precários para responder que sequer conseguem alcançar seus alvos.
O pretexto utilizado por Benjamin Netanyahu é o sequestre e o assassinato de três jovens israelenses na Cisjordânia em Junho. Mesmo que nenhuma organização palestina tenha assumido a autoria, o governo israelense acusa o Hamas. Israel ainda prepara um ataque por terra que pode matar centenas, bem como já o fizeram em outras ocasiões.
Em condições completamente desproporcionais, a grande mídia insiste em dizer que trata-se de uma "guerra", quando o poderio militar de Israel é infinitamente superior e leva a vida de inocentes sem grande esforço. Uma forma de falsificar a história e as injustiças que passam diante de nossos olhos em frente a Tv e que para a burguesia e o imperialismo devemos tratar de naturalizar, como se fossem dois campos que estivessem em iguais condições de se enfrentar quando na verdade o que ocorre é o extermínio de um povo já há décadas.
É preciso cobrir de solidariedade o povo palestino e denunciar o governo assassino de Israel, sócio-mor do imperialismo norte-americano no Oriente Médio.
Somos todos palestinos!
Parem os bombardeios em Gaza!
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