sexta-feira, 11 de março de 2016

Ato do 8 de março em SP | Defensores de Dilma e Lula agridem mulheres que criticam o governo, mas não calam a primavera feminista

Estudante da USP e ativista do Vamos à Luta no momento em que é agredida por petistas decadentes. Foto: O Globo
Os atos do 8 de março tinham uma importância fundamental no país inteiro de levar pras ruas as pautas das mulheres, principalmente das mulheres trabalhadoras, frente a uma situação de crise econômica, cortes de verbas das áreas sociais, aumento da inflação, demissões, retirada de direitos, medidas aplicadas pelos governos de todos os partidos da ordem, do PT ao PSDB. Somado a isso, a questão da crise do zika vírus e do surto dos casos de microcefalia deixando mais claro a necessidade da legalização do aborto, que o PT, após 13 anos no governo, segue se negando a implementar.
Nesse sentido, o ato do 8 de março aqui em São Paulo, construído de uma forma unitária por diversas organizações, partidos e militantes independentes, tinha como eixos: defesa da autonomia e da liberdade das mulheres, pela legalização do aborto, contra o ajuste fiscal e a reforma da previdência, por democracia pra lutar e pelo fim da violência contra as mulheres. Esse foi acúmulo que se construiu nas reuniões de organização do 8.
O governismo sequestrou a pauta do ato
Após os fatos da delação premiada do Delcídio Amaral e a operação da Polícia Federal na casa de Lula, as mulheres governistas passaram a convocar o 8 de março com um outro eixo, em defesa do Lula e da Dilma. Mais uma vez jogaram no lixo a defesa das mulheres para defender nossos inimigos.
No sábado anterior ao ato, a CUT divulgou uma nota que colocava o 8 de março no calendário dos atos em defesa do Lula. A secretaria de mulheres do PT divulgou uma arte convocatória do ato das mulheres com os dizeres “Somos todas Jararacas”. Ou seja, desde antes já estava claro que o governismo queria transformar o nosso ato numa defesa do governo, de Lula e do PT.
O que ficou claro na concentração do ato no MASP foi que o PT e o PCdoB sequestraram o ato, colocando uma faixa com os dizeres “Somos todas Dilma” na frente do ato, com vários cartazes e faixas espalhados em defesa do Lula e da Dilma, controlando o carro de som, cantando palavras de ordem “não vai ter golpe”, e vaiando a fala de uma companheira do PSOL que falou que o ato não era pra debater o golpe e sim a pauta das mulheres.
A política e as agressões governistas geram a divisão
Quando a companheira Silvia Ferraro, ligada à CSP-Conlutas, fez sua fala denunciando que a presidente Dilma ataca os direitos das mulheres e chamando o Fora Todos, as mulheres do PT e PCdoB tentaram arrancar o microfone pra que ela não terminasse fala, e ela e outras companheiras do PSOL tiveram que descer escoltadas do caminhão de som. Embaixo, as mulheres governistas jogavam copos e garrafas de água e tentavam acertar com bandeiras. A companheira da juventude Vamos à Luta (CST-PSOL) e estudante de Letras da USP, Priscila Guedes, também foi agredida por mulheres e homens dos setores governistas.
As agressões verbais e físicas dos governistas do PT e PCdoB contra diversas mulheres do campo de oposição de esquerda ao governo não nos calaram e nos intimidaram. Lutamos e mostramos que defenderemos de todas as formas possíveis nosso direito democrático de denunciar o governo inimigo das mulheres trabalhadoras.
Aos defensores de Dilma e Lula não restam argumentos para a defesa do indefensável, já que este governo arrebenta com os direitos das mulheres, não pauta a legalização do aborto e agora quer realizar uma nova reforma da previdência para nos atacar ainda mais.
Precisamos tirar as conclusões deste episódio. As correntes governistas estão há muitos meses com um eixo claro, que é a defesa deste governo traidor. Não à toa, os principais atos que constroem são “contra o impeachment” e um suposto “golpe”. Isso tudo se acentuou após o “intocável” Lula ter sido denunciado pelas relações espúrias que mantém com as empreiteiras.
Após as agressões e a política governista no 8 de março não pode restar dúvidas dos verdadeiros interesses por trás dos atos que estão sendo chamados para os dias 18 e 31. Serão mais duas manifestações em defesa de Lula e Dilma e por isso não servem para apontar uma saída para as mulheres e o conjunto da classe trabalhadora. É evidente que para as mulheres lutadoras este não é o caminho, pois a governabilidade de Dilma que os governistas tanto defendem, hoje significa mais facilidades para aplicar o ajuste fiscal e atacar nossos direitos.
Mais de 3 mil mulheres marcham sem o governismo e fortalecem a luta por um campo alternativo da classe trabalhadora
Diversas organizações, partidos políticos, como nós da CST-Psol, PSTU, PCB, entre outros, coletivos feministas e de juventude, como Juntas e Rua, estudantes da USP, secundaristas das ocupações das escolas, independentes saímos em ato próprio pela Paulista até à Praça Oswaldo Cruz para colocar nas ruas as pautas das mulheres e denunciar todos os governos que atacam os nossos direitos. Nosso ato foi muito vitorioso, pois reuniu mais de 3 mil pessoas que mostraram que temos um lado claro que é o das lutas e greves das mulheres trabalhadoras, como a que hoje é protagonizada pelas professoras do Rio de Janeiro, e que não vamos marchar pra defender um governo que ataca os nossos direitos para garantir o lucro dos banqueiros e empresários.
A primavera feminista segue nas ruas e precisamos avançar pra construir uma verdadeira alternativa de oposição aos petistas e tucanos, que aponte uma saída pela esquerda pras milhares de mulheres combativas e lutadoras que não se venderam e seguem mobilizadas pra defender nossas pautas.
Fonte: http://cstpsol.com/home/index.php/2016/03/09/ato-do-8-de-marco-em-sp-defensores-de-dilma-e-lula-agridem-mulheres-que-criticam-o-governo-mas-nao-calam-a-primavera-feminista/

Nem 13/03 com PSDB, Nem 31/03 com PT! Fora Todos! Fora Dilma, Temer, Cunha e Aécio! Construir um terceiro ato da esquerda em março

Na última sexta-feira, 04/03, a Policia Federal levou o ex-presidente Lula para depor em meio a 24ª fase da operação Lava-jato. Em meio à crise política que vivemos, fica evidente que Lula e Dilma governam com os mesmos métodos corruptos do PSDB ou do PMDB. O PT se tornou instrumento das empreiteiras, dos banqueiros e do agronegócio.
Ao mesmo tempo que roubam as estatais para financiar campanhas eleitorais e enriquecer, eles aplicam medidas amargas contra o povo. O ajuste fiscal de Dilma aumenta o desemprego, o arrocho salarial, o desmonte das escolas e com epidemias como o Zika, fica mais evidente a debilidade da saúde no país. Agora, o governo Dilma anunciou um pacote que pode cancelar o aumento dos servidores e prepara uma reforma na previdência para retirar direitos. Além de articular com José Serra (PSDB) a entrega do Pré-Sal e mais desmontes na Petrobras.
Os trabalhadores e a juventude estão revoltados. Por isso ocorrem protestos em vários estados. Atualmente o maior exemplo desse enfrentamento é a forte greve da educação do Rio de Janeiro, que acaba de realizar uma manifestação unificada com os secundaristas e outras categorias. Esse é o caminho! Coordenar as lutas e construir uma greve geral para barrar os ataques e a corrupção.
Chega de ajuste e corrupção! Construir uma alternativa da esquerda, contra PT e PSDB!
Dilma, Lula e o PT não têm moral para seguir governando, pois são repudiados pelos trabalhadores e jovens. Defendemos que essa indignação se transforme em ações de rua, greves e ocupações para acabar com o governo do PT. Porém o Congresso Nacional de Cunha e Renan não possui legitimidade para realizar um impeachment. Principalmente quando o presidente da Câmara é réu na lava jato e o vice Michel Temer compartilha com Dilma o ajuste e a corrupção. Por outro lado criticamos a proposta de novas eleições, feita por Aécio, que visa o retorno do PSDB para a presidência da república. É preciso construir uma saída dos trabalhadores e do povo, organizada pela esquerda e os educadores, secundaristas, operários e sem-teto em luta.
Que o PSOL, a CSP-CONLUTAS e demais organizações da esquerda convoquem uma manifestação nacional!
O PSDB, juntamente com outros partidos, convoca uma manifestação pelo impeachment no dia 13/03. Sabemos que muitos trabalhadores começaram a ver essa manifestação como um canal para protestar contra Lula e Dilma. No entanto alertamos que essa atividade não é uma alternativa para expressar nossa indignação.  Esse ato é liderado por Aécio, Cunha, Bolsonaro, Caiado e outros empresários.  Eles querem voltar para o poder e manter o ajuste fiscal e o roubo nas estatais, como fazem em São Paulo.
O PT, juntamente com as direções da CUT, UNE e MST, convoca uma manifestação em defesa de Lula e Dilma para o dia 31/03. O PT quer manter tudo como está, para seguir governando contra o povo. Algo absurdo que deve ser repudiado. Infelizmente muitos setores da esquerda estão construindo essa manifestação governista, caso do MTST e da direção da US-PSOL, o que é um erro.
Está nas mãos do PSOL, da CSP-CONLUTAS, liderar a organização de uma reunião nacional com o PSTU, PCB, PCR, a INTERSINDICAL, o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, o SEPE/RJ, o SINTEPP (Pará), sindicatos independentes e comando de greve para debater uma agenda para combater a crise e batalhar por uma greve geral.
Nossa tarefa imediata é a construção de uma terceira manifestação, alternativa ao dia 13/03 do PSDB e ao 31/03 do PT. Nós da CST-PSOL apresentamos essa proposta de um terceiro ato nacional nas reuniões em que estivemos. Infelizmente não obtivemos o apoio das demais organizações da esquerda. Seguimos chamado a unidade para construir uma manifestação alternativa. Esperamos que essas direções reavaliem sua postura e construam essa atividade nacional unificada.
Defendemos a necessidade de lutar por um Governo de Esquerda, dos Trabalhadores e do Povo para aplicar um plano econômico contra as demissões, por reposição das perdas salarias e redução da jornada sem redução do salário. Por um plano de obras públicas, de reconstrução dos serviços estatais e de investimento nas áreas sociais custeado pela suspensão do pagamento da dívida externa e interna. Por congelamento das tarifas e estatização dos transportes com tarifa zero pra população. Para punir os corruptos, estatizando as empreiteiras envolvidas na Lava-jato, transformando a Petrobras em uma empresa 100% estatal e sob controle dos trabalhadores.
Executivo Nacional da CST-PSOL (Corrente Socialista dos Trabalhadores – Tendência do PSOL)

terça-feira, 8 de março de 2016

Incêndio no Colégio Universo: tragédia anunciada


O que se viveu hoje no Colégio Universo "Kids" em Belém do Pará é a expressão do que melhor a ganância capitalista produz: destruição e tragédia.

Por volta das 09h da manhã desta terça-feira, 08 de março, Dia Internacional da Mulher, pais e responsáveis chegavam desesperados de todos as partes da Região Metropolitana de Belém para apanhar seus filhos. Um incêndio de grandes proporções, conforme comprova o vídeo conseguido pelo blog, atingiu a cantina da escola.

Ao ver o desespero das crianças e adolescentes no vídeo, a gente tem ideia da gravidade do sinistro e mais, do tamanho da irresponsabilidade e crimes cometidos pelos mantenedores do Colégio Universo. 

1) Crianças e adolescentes do ensino fundamental, bem como os funcionários, correm apavorados e aos berros por todos os pátios e dependências da escola na tentativa de fugir das imensas labaredas. A falta de qualquer preparo da equipe de funcionários é evidente.

2) As crianças do pré escolar e da creche, assim como seus professores, na impossibilidade e na ausência de saídas de emergências, foram obrigados a recorrer a um portão (que estava fechado) que fica por trás da escola e dá acesso à Igreja Presbiteriana. Felizmente um funcionário da Igreja, ao ouvir gritos de socorro e choro de crianças, correu para ver o que era e prontamente abriu o portão.

Uma mãe nos informou que a escola precariza muito as condições de trabalho dos funcionários e que explora sobremaneira seus professores. Uma sala de aula tem dezenas de crianaças e apenas dois profissionais. Encontramos na porta da escola um professor chorando ao entregar um aluno para sua mãe. Chorava porque ficou desesperado ao ver muitas crianças em condição de vulnerabilidade e poucos profissionais para orientá-los, ajudá-los e protegê-los.

Tragédia anunciada

Enviado pelo WhatsApp/DOL
Essa não foi a primeira vez que isso aconteceu. Segundo pais, professores e responsáveis ouvidos pelo blog, ano passado a tragédia poderia ter sido maior, na ocasião em que toda a escola ficou impregnada de gás butano que vazava da mesma cantina que hoje fora consumida pelo fogo.

Segundo um professor, que por motivos óbvios vamos preservar a identidade, "a escola nunca criou um plano de contenção ou de evacuação da escola em caso de tragédias como essa". Na escola, que têm centenas de alunos de diversas séries da educação básica e ensino fundamental, não existem bombeiros civis e até hoje nenhum funcionário fora treinado em caso de sinistros como o ocorrido.

Nas imagens (que tem a duração de pouco mais de um minuto), que são revoltantes e fortes, fica claro que, se haviam equipamentos para fazer o combate das chamas, nenhuma extintor fora usado. Na verdade o que se vê é o desespero humano que faz a gente lembrar imediamente do bárbaro incêndio que vitimou quase trezentos jovens na boate Kiss, em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul.

Relação promíscua, sede de lucro, morte

O ano passado assistimos estupefatos as tenebrosas cenas de pacientes sendo retirados em macas pelas janelas do maior  Hospital de Pronto Socorro Municipal da região Norte do país, o PSM Mário Pinotti, em decorrência de um  incêndio, que também era uma tragédia anunciada.

O prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) tinha conhecimento das péssimas condições de infraestrutura e segurança do prédio do PSM. Inclusive, em virtude de denúncias feitas pela Associação dos Servidores da Saúde do Município de Belém (ASSESMUB), o Ministério Público Federal, através de uma de suas promotorias, havia feito Termo de Ajustamento de Conduta obrigando a Prefeitura de Belém a promover reformas e garantir condições mínimas que impedissem que um sinistro se precipitasse ali.

Ciente dos problemas e em vez de resolvê-los, Zenaldo Coutinho fraudou junto a três bombeiros militares uma inspeção do PSM e liberaram o uso do espaço de forma irresponsável. Por conta do incêndio, das 3 mortes e das fraudes, Zenaldo e os militares respondem criminalmente na Justiça (civil e Militar).

Novamente um incêndio acomete um estabelecimento que já mativera próximas relações com o tucanato paraense. O ano passado, foi necessário o Ministério Público do Estado agir para impedir que o governador Simão Jatene (PSDB), através da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), contratasse o Grupo Universo para a oferta de aulas de reforço para alunos das escolas públicas. Essa nada idônea atividade levaria dos cofres públicos a estratosférica soma de cerca de R$ 15 milhões de reais.

Como o lucro é o que define as atitudes/ações do empresário da educação, a ética, o denodo, o zelo e o respeito para com a coisa pública e para com a vida das pessoas ficam em segundo e terceiro planos.

Omissão e crime

 O Além da Frase esteve na escola e um funcionário da equipe técnico-pedagógica nos informou que um Boletim de Ocorrência foi feito e que uma equipe do Corpo de Bombeiros Militares do Pará se encontra no estabelecimento fazendo perícia das dependências da escola que foram consumidas pelo incêndio. As aulas foram suspensas por tempo indeterminado ou até que se conclua a reforma do espaço e se tenha uma resposta das autoridades.

Acreditamos que pais e responsáveis exijam todos os esclarecimentos possíveis, realizem assembleias, mas acima de tudo cobrem na justiça a criminalização dos diretores (donos) do Grupo Universo, que desde o ano passado, sabedores do vazamento de gás butano na cantina que hoje ardeu em chamas, nada ou pouco fizeram para evitar que esse terror se abatesse sobre a vida de familiares e alunos que viveram um terrível trauma.

Das autoridades, esperamos rigor nas apurações, mas que acima de tudo o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e demais órgãos competentes façam seus trabalhos e um verdadeiro mutirão de averiguação das condições de segurança dos estabelecimentos de ensino ou não de todo o estado, sejam eles, públicos ou particulares. Só assim, as famílias terão tranquilidade e as pessoas poderão desenvolver seus ofícios sem o medo de uma tragédia desse porte.

CUIDADOS

Toda a atenção dos pais e responsáveis nesse momento é fundamental. Como se vê das imagens, o incêndio produziu muita fumaça, e certamente, com a queima de produtos tóxicos. A fumaça é altamente nociva para o corpo humano. Nas crianças pode produzir efeitos devastadores.

As autoridades médicas indicam que em casos como esse, que se redobre os cuidados e a atenção junto às vítimas, pois os problemas advindos da inalação da fumaça só se manifestam em cerca de 2 a 3 dias depois. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Dilma e Manescky querem privatizar 'Barros Barreto' e 'Betina'

Discussão sobre a EBSERH. Fazendo a fala, Newton Lima, presidente.
Em meio a epidemia de zika, chykungunia e dengue, ante uma das maiores crises na saúde pública nacional, a pauta no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) e Betina Ferro de Souza (HUBFS) centros de excelências em salvar vidas e que pertencem a Universidade Federal do Pará, é a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

A EBSERH é uma criação dos governos do PT, que segue a lógica dos governos tucanos e os do PMDB. A matemática é simples. Eles sucateiam os serviços públicos, não realizam concursos e apresentam as Organizações Sociais (OS's) como salvadoras da pátria. A EBSERH é uma delas.

Dilma (PT), Jatene e Zenaldo (ambos do PSDB) são governos que impulsionam esse tipo de organizações. No papel elas parecem legais. Na prática, nos inquéritos e ações penais que burbulham pelo país, são organizações criminosas. Todo mundo viu o recente escândalo de uma OS no Rio de Janeiro. Controlava dois hospitais municipais entregues pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB). Os proprietários estão presos pelo desvio de cerca de 46 MILHÕES DE REAIS. Ainda que suas ligações com o prefeito sejam evidentes e os indícios de caixa 2 e corrupção passiva latentes, nada aconteceu até o momento com o nefasto alcaide.

Os governos corruptos fazem um verdadeiro "toma lá da cá" com os corruptores nas OS's (além de bancos, empreiteiras, etc.). Uma mórbida marcha que conta com a conivência do judiciário e a cumplicidade dos parlamentos.

Referências
O HUJBB é referência nacional em doenças tropicais e regional em HIV/AIDS, além de oferecer dezenas de serviços e especialidades, que vão da saúde bucal à nutrição, formando profissionais e pesquisadores em saúde e produzindo saber público na Amazônia.  O HUBFS é referência regional em otorrinolaringologia e oftalmologia.

Em que pese todo o sucateamento e os sucessivos cortes de verbas promovidos pelo reitor Carlos Maneschy e pela presidenta Dilma Rousseff, o HUJBB e o HUBFS são hopitais fundamentais para a saúde da sociedade e para a formação de qualidade dos alunos e pesquisadores da maior universidade pública do Norte/Nordeste do país.

Ameça
Tudo isso está ameaçado pela EBSERH. O presidente da empresa, Newton Lima, que é condenado na justiça por improbidade administrativa, está neste momento no auditório do HUJBB tentando enfiar "goela abaixo" esta privataria assassina.

Sugundo o diretor da Federação dos Servidores das Universidades Federais (FASUBRA) e da tendência sindical Combate, Pedro Rosa, "as experiências com a EBSERH são trágicas". Para exemplicar, ele cita o caso de dois estados: o hospital universitário da Universidade Federal do Ceará, onde a empresa "desativou 50% dos leitos e de forma criminosa praticamente extinguiu os transplantes".  Em MG foram canceladas as cirurgias no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triangulo Mineiro (HC-UFMT).

Resistência
Na UFPA há resistência por parte do corpo administrativo, comunidade discente e docente. De acordo com Zila Camarão, servidora do "Barros" e diretora do Sindicato dos Servidores das Instituições Federais de Ensino Superior do Pará (SINDTIFES-PA), a "EBSERH representa uma grave ameaça para saúde pública no estado. Os leitos fecharão, serviços ficarão mais precarizados, os alunos das universidades particulares serão favorecidos e centenas de funcionários da FADESP [Fundação de Amapara à Pesquisa/UFPA] serão demitidos".

Sem dúvida que a adesão (ou não) do HUJBB e Bettina Ferro de Souza a EBSERH é uma questão de saúde pública e demanda uma reposta urgente de toda a sociedade. Não há como se permitir a privatização de dois hospitais públicos dessa relevância e grandeza!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A privatização da orla de Belém

Há cerca de um mês, o presidente da Companhia Docas do Pará (CDP), Parsifal Pontes, afilhado político do senador Jader Barbalho (PMDB), anunciou em entrevista ao jornalista Mauro Bonna no Programa Argumento (TV RBA, de propriedade de Jader), que está em "processo avançado de estudo" a privatização de toda a área da CDP em Belém. 

Sobre isso vale a leitura do artigo (abaixo) do jornalista Carlos Mendes, que não fala dessa assombrosa proposta de Pontes, mas me remeteu de imediato a ela. Segundo o presidente da companhia, que é uma autarquia federal ligada ao Ministério dos Transportes, "só tem interesse dos investidores, caso a privatização seja de todo o espaço e imóveis que compõe os metros quadrados que vai da Escadinha do Cais do Porto até o armazém 8 (Av. Marechal Hermes). 

Aliado a proposta do prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) e governador Simão Jatene (PSDB), que pretendem "gourmertizar" o Ver-O-Peso, tranformando-o em um shopping center da gastronomia, artesanato, etc., esses projetos representam verdadeiros atentados ao direitos dos moradores de Belém sob sua própria cidade. Há tempos que Belém está fechada para o rio. Seu povo enclausurado por empreendimentos privados que o impedem de usufruir de seus quilômetros de orla. É chegada a hora da sociedade problematizar essas questões e responder com mobilização para reverter esse processo de assalto ao patrimônio natural, social e cultural da quatrocentona Belém do Pará.

Os "donos" da orla de Belém. E nós

por Carlos Mendes

Um local excelente, para a logística militar. O inimigo estaria de frente para a cidade e seria um alvo fácil de ser combatido. O capitão português Francisco Caldeira Castelo Branco, ao fundar Belém, tinha na cabeça a estratégia de defesa da cidade  em caso de ataque por conquistadores franceses, holandeses e espanhóis. O que ele não imaginava, porém, é que, 400 anos depois, a orla que ele tanto queria proteger, para permitir que o morador da cidade visualizasse o inimigo da Baía do Guajará ou do Rio Guamá, fosse tomada de assalto por empresas, madeireiras, portos clandestinos e até prédios de 40 andares. 
Pois é isto a que foi reduzida a orla da capital, hoje literalmente privatizada nas barbas do Poder Público - ou com a conivência deste. Não cabe jogar a culpa pelo fato aos colonizadores portugueses. Fomos nós mesmos, nativos ou por adoção, os dilapidadores do patrimônio natural que herdamos. A possibilidade de contemplação da bela paisagem nos foi roubada e nós, moradores, nada fizemos contra isso.
A ocupação da orla por grandes empresas é ilegal e imoral. Não possui nenhuma sustentação jurídica. Ou seja, tudo poderia ser derrubado e os invasores obrigados a indenizar o Município. Um estudo feito e publicado em livro em 2005 pelo geógrafo e professor Saint-Clair Trindade Jr. em parceria com Marcos Alexandre P. da Silva em forma de coletânea de artigos, intitulado 'Belém: a cidade e o rio na Amazônia', desnuda o problema.

Os números dessa ocupação desordenada impressionam: uso residencial (em geral, são residências de pessoas de baixo poder aquisitivo): 4,23%; industrial (principalmente indústrias madeireiras, mas também outras como castanha, bebida etc): 12,26%; comercial (atacado e varejo, principalmente): 34,67%; recreação, lazer e turismo (seriam, aqui, bares, restaurantes, espaços de lazer etc): 4,23%; serviços (aqui seriam sobretudo estações hidroviárias de passageiros): 20,51%; institucional (o campus da Universidade Federal do Pará é um exemplo significativo, e positivo, dessa ocupação): 4,65%; feiras e mercados (alguns exemplos bem conhecidos são o Porto da Palha, Ver-o-Peso, Feira do Açaí etc): 1,90%; misto: 33%; aglomerados multifuncionais: 2,96%; subutilizado ou não utilizado: 8, 67%; outros: 3,59%. Eis a distribuição do espaço na orla de Belém.

Não tem sentido viver na Amazônia sem poder contemplar o rio, receber no rosto a brisa que sopra da baía do Guajará e do rio Guamá. A expropriação dos espaços públicos foi tão grande e impune que algumas empresas avançam com seus portos sobre a baía, como faz o Grupo Chibatão, de Manaus, localizado na rodovia Artur Bernardes. Tudo sem que o Serviço de Patrimônio da União (SPU) ou a prefeitura de Belém movam uma palha sequer.

Já passou da hora de se fazer alguma coisa. A campanha eleitoral para prefeito de Belém vai começar. Mas, por favor, sem demagogia, promessas que não podem ser cumpridas, ou arroubos de candidatos em busca de votos. A ocupação ilegal da orla está na pauta.

O blog Ver-o-Fato será implacável na cobrança. A orla precisa ser devolvida ao verdadeiro dono: o morador de Belém.     
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Carlos Mendes edita o blog Ver-o-Fato

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Zenaldo privatiza rota fluvial Belém-Icoaraci

Com a logo da Prefeitura Municipal de Belém. Fonte: página da Expresso Tapajós no Facebook

O prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) colocou uma lancha catamarã da empresa Tapajós Expresso (imagem) ao incrível preço de R$ 10,00 para o breve trajeto de Belém - Icoaraci. 
Um crime desavergonhado de quem odeia o povo pobre e trabalhador, assim como de quem despreza o transporte público e a mobilidade ribeirinha-urbana.
Lembro da propaganda do Zenazenaldo aí. Vocês também lembram. Tinha aquela bonita computação gráfica feita pela galera do Orly que mostrava a promessa: lanchas velozes, a preços da tarifa metropolitana, portanto 2,70, entre Belém, Icoaraci, Mosqueiro, Cotijuba...
Tudo mentira! O "Papudinho" era tarado por Doca. O Zenaldo é tarado por privatização.
Adora fuder e propriamente tacar fogo no público, como fez com o maior hospital de pronto socorro municipal da Amazônia, para agradar meia dúzia de empresários e amigos financiadores de campanha. 
Morra o povo, é o que ele no âmago e íntimo diz. Nem precisa ir no fundo do poço para ver isso. Está visível como o mosquito transmissor da zica, dengue e chykungunha que está espalhado no lixo que Zenaldo transformou a cidade.
Nos 400 anos de Belém oficial da prefeitura, Zenaldo levou uma mijada. 
Senão literal, no estridente coro das vaias. Não foi o primeiro e não será o último.
Aqui a elite já mandou jogar merda em jornalista. Assim como aqui o povo já cortou a cabeça de governador. 
Um dia a poesia se arrebenta, as pedras rolam e tudo que é sólido se desmancha no ar.
Bom dia, Belém!
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P.S.: Na página da Tapajós Expresso, o texto diz que o serviço é "Em parceria com a Prefeitura Municipal".
Bem que o Ministério Público Estadual ou a sofrível Câmara Municipal de Belém poderiam investigar que " parceria" é essa que atenta contra o direito de ir e vir e mobilidade da população de Belém, que está em claro flagrante contra a legislação vigente acerca do transporte público de massa em Belém do Pará.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sobre a difícil tarefa de "ganhar na mega sena"

Há três anos, a amiga e companheira de lutas, sonhos e conquistas, Samantha Caldas, escreveu esse texto sobre oo vestibular e sua relação (ou falta) com os jovens da periferia. 
Só hoje ele apareceu na minha linha do tempo no Facebook. Como a conheço, percebi que não era atual. Mas na verdade é atualíssimo. Desgraçadamente atual. Porque as mazelas, a crise social, política e econômica permanecem. Como permanecem o anseio de mudanças e de se vencer os obstáculos da vida, como o vestibular.
Novamente a juventude, principalmente, espera ansiosa a saída do listão. Novamente estamos na torcida.
Assim, decido abrir os trabalhos do Além da Frase de 2016 com este lindo e vivaz texto.
Boa leitura!

O jovem de periferia e a luta do vestibular
por Samantha Caldas

"Para eles, passar no vestibular é como ganhar na mega-sena" diz pesquisa feita com jovens da periferia de belém.
Eu não sabia o que escrever, ainda não sei.
Não é fácil lhe dar com essa mistura de sentimentos. Estou muito Feliz pelos que passaram. E muito triste pelos que não conseguiram. Me lembro bem do post que fiz no dia da prova do enem, alertei que não seria fácil, não pelo grau de dificuldade, mas pelo papel que cumpre o vestibular. Esse método vergonhoso de avaliação e segregação, um perfeito funil social. Quero dizer que ao longo dos meus 2 anos militando em secundaristas acompanhei muito de perto todo o sofrimento e batalha desses meninos e meninas que lutam por mais essa oportunidade, e que nem sempre conseguem.
Aos que passaram, quero dar os meus parabéns, pela sorte que tiveram e pela grande vitória, e dizer que a luta continua, que é apenas o início, ainda temos muitas batalhas a travar.
Aos que não passaram, parabenizo por terem lutado, e pela vitória de não serem parte do percentual alarmante de jovens que se quer conseguem chegar ao ensino médio. A esses eu deixo o forte abraço. Não vou dizer "ano que vem tem mais", mas sim: A luta continua! Por que isso que vocês fazem todos os dias: acordar cedo (tomar ou não café da manhã), pegar ônibus lotado, ir pra uma escola que na maioria das vezes não oferece as minimas condições para uma educação de qualidade, ficar direto, nem sempre comer, correr para o cursinho, passar a noite estudando e nas horas vagas ainda pensar "Preciso ajudar financeiramente meus pais em casa" Isso tudo, é uma grande batalha, uma batalha não só por um vestibular, mas por perspectivas, enfrentando não só os concorrentes, mas a logica dessa sociedade. Sociedade que é suja, desigual, injusta. O vestibular não divide vencedores e perdedores, inteligentes e burros. Não! Ele apenas divide, por que é impossível avaliar em um dia se as pessoas são capazes ou não .Todos vocês deveriam ter acesso a uma universidade pública e de qualidade. Todos deveriam ter essa oportunidade! E nós devemos continuar lutar por isso, por uma universidade realmente para todos.
Então, meus caros, para quem passou e para quem não passou, é hora de lutar, seja dentro ou fora da universidade.
Aos meus meninos e meninas do Vamos à Luta, deixo o meu abraço, e eu vou estar com vocês seja qual for a batalha. O importante é não desistir e lutar.
Vamos à Luta!
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Samantha Caldas é enfermeira e mestranda do CCBS/UEPA.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A aula dos "secundas"


por Jorge Luiz Souto Maior, publicado originalmente no Viomundo
O Brasil vive um momento bastante complexo, que nos dificulta a compreensão dos fatos, também porque muito do que se sabe pela grande mídia não são os fatos propriamente ditos, mas versões, tantas vezes deturpadas, sentimental ou propositalmente construídas.
O resultado é o imobilismo, porque fica bem difícil saber para onde ir, o que e a quem defender.
Em meio a tudo isso, eis que os estudantes secundaristas, pessoas de 13 a 16 de idade – alguns com 17 ou 18 –, resolvem mostrar que é possível ter boas e certeiras causas pelas quais lutar e saem às ruas em defesa das escolas públicas nas quais estudam.
E não o fazem por mera farra. Agem com convicção, com consciência em torno da importância do ensino público. Defendem as escolas não apenas para si, mas por princípio. Sabem bem do descaso em que, estruturalmente, foi deixada a coisa pública. Sofrem, em inúmeras situações, com a precariedade das acomodações e com a redução de material. Mas não acolhem, de forma radical, ou seja, sem titubear, a ideia do governo do Estado de fechar escolas, de aumentar o número de alunos por sala, de separar o ensino fundamental do ensino médio e, consequentemente, de transferir de forma arbitrária estudantes de uma escola para outra, dificultando o acesso à educação.
Os estudantes, ao saírem em defesa de “suas escolas”, demonstram, para todo o país, que o Brasil não é só corrupção, não é só desmandos administrativos, não é só favoritismo, não é só egoísmo, individualismo e busca de sucesso pessoal por meio de ganhos financeiros e de “status”, como a grande mídia insiste em divulgar. Aliás, para essa gente destruidora da moral da população brasileira todas as pessoas são iguais a ela e, segundo tenta difundir, os jovens são alienados, drogados, descomprometidos, preguiçosos e, consequentemente, ignorantes.
Mas o que se tem em concreto na mobilização dos “secundas”, como se intitulam, são jovens levantando a bandeira da defesa da educação pública de qualidade. São jovens, portanto, que querem estudar, mas que também se preocupam em defender a instituição responsável por isso, mesmo reconhecendo as deficiências estruturais das escolas, sendo que isso, ao mesmo tempo, representa o reconhecimento da qualidade de ensino que os professores e professoras, com todas as dificuldades, ainda conseguem lhes transmitir.
Então, era para que todas as pessoas sérias e que se consideram minimamente preocupadas com a melhora do país estivessem na frente das escolas aplaudindo os estudantes, porque, afinal, estão dando uma aula, que, inclusive, serve à redenção de todos nós. Os estudantes estão dando uma aula de cidadania, de compreensão, de comprometimento, de consciência, de organização e de luta. Uma aula que deixa uma grande e essencial mensagem: o Brasil tem jeito!
No entanto, bem ao contrário, o que se vê é um esforço midiático muito grande para desconsiderar a importância “revolucionária” do movimento, que está refletido em ocupações em 20 (vinte) escolas, mas que, obviamente, não se reduz a isso. De fato, a defesa coletiva e consciente das escolas públicas reflete a situação de que os estudantes compreendem bem a sociedade em que vivem e que não pretendem ficar ali parados, seguindo um destino que lhes foi traçado de serem, no futuro, força de mão-de-obra desqualificada para alimentar um sistema que reforça as desigualdades.
Aliás, é bem isso, ou seja, o risco da perda da mão-de-obra desqualificada, para a realização de serviços que, embora dignos, foram socialmente reduzidos a uma condição subalterna e impregnados de submissão, que incomoda tanto à classe economicamente dominante, que vai às ruas defender um Brasil melhor, mas que olha com desdém a mobilização dos secundaristas.
É também por isso, aliás, que o governo do Estado não apenas tenta implementar uma política para a escola pública que visa punir os professores e as professoras pela sua atuação politicamente consciente, como também trata os estudantes, não como adolescentes, que de fato são, mas como rebeldes que não querem seguir os seus desígnios, chegando a enxergá-los como “operários” que se recusam a trabalhar, sendo por essa razão, ademais, que se interligam as pautas dos estudantes, dos professores e dos trabalhadores.
E a cena extremamente deprimente que se vê é a da escola pública transformada em uma prisão, cercada de policiais, fortemente armados e cegamente preparados, fazendo parecer que os estudantes que ocupam a escola, em ato político, já estão presos e sob a ameaça de males ainda maiores, chegando a situações de gravidade e dramaticidade como se verifica na EE José Lins do Rego, na zona sul, e na EE Salvador Allende, na zona leste de São Paulo, e na EE CEFAM, em Diadema.
E alguém pode se perguntar: que Estado é esse que enfrenta com força bruta estudantes adolescentes de escolas públicas que defendem a sua escola e o seu direito constitucional de estudar?
A resposta é simples: é um Estado que protege interesses do poder econômico e que não quer permitir a ocorrência das transformações sociais possibilitadas pela melhora do ensino que, provoca, inclusive, a diminuição das diferenças de oportunidades. Um Estado que é capaz de transformar o ato político de adolescentes que querem estudar em caso de polícia, sob o falso argumento da defesa do patrimônio público, afinal, estamos falando de um patrimônio que o Estado nunca cuidou e que, portanto, se fosse para punir juridicamente a depredação do patrimônio público das escolas os governantes já deveriam estar presos há muito tempo.
Estado que, ao mesmo tempo, é totalmente incapaz de tratar com o mínimo rigor, no que se refere ao menos ao cumprimento das leis, grandes empresas, que, a cada dia, poluem, exploram, quando não matam, como se viu, agora, na região de Mariana/MG, e como está impregnado em tantos monumentos, da transamazônica aos estádios da Copa, passando por usinas, hidroelétricas e pontes.
É um Estado, portanto, que quer manter a ocupação de doméstica para a filha da doméstica.
Mas a brutalidade não vence a consciência e, portanto, o que os governantes de plantão pretendem é, de fato, uma grande ilusão, pois as mudanças sociais no Brasil, sobretudo a partir de junho de 2013, já estão em curso irreversível, até porque a mudança em termos de compreensão de mundo não é um fenômeno exclusivo do ensino público.
Também no ensino privado, nas consideradas melhores escolas do país, por obra de competentes gestores e valorosos professores e professoras, o economicismo cede espaço ao humanismo, à solidariedade, à naturalização quanto à equiparação das oportunidades e a repartição da riqueza, à tolerância, à condenação aos preconceitos, sobretudo, de raça e de etnia, ao respeito às diversidades, às opções de sexualidade e à igualdade de gênero, fazendo com que a distância de mentalidade entre os jovens de classes sociais diversas seja cada vez menor, o que favorece à superação de um conflito tão estimulado em gerações passadas.
Essa mudança é tão sentida que adeptos do “status quo”, impregnados pelo escravismo, pelo racismo, pelo machismo, pela discriminação e pela intolerância, financiam campanhas contra o que chamam de “doutrinação marxista” nas escolas. Gente que nunca leu as obras de Marx e que nem de longe sabe o que é marxismo. Gente que despreza, inclusive, os Direitos Humanos e que, no fundo, tem medo do conhecimento, porque conhecer a realidade das coisas pode ser doloroso e incômodo.
Outro dia li em uma mensagem de Facebook: “São esses Direitos Humanos que impede (SIC) o desenvolvimento do país”. Mas como já dizia o personagem de Mário Tupinambá, na Escolinha do Professor Raimundo, “a ignorança é que astravanca o progréssio!”
Fato é que a escola, pública e privada, não pode deixar de cumprir o seu papel essencial de transmitir o conhecimento, não se reduzindo, pois, a formar mão-de-obra para o mercado, sendo inevitável, por conseguinte, que assumamos o “risco” de sermos seres humanos dotados de consciência e conhecimento.
E que ninguém se iluda, esse não é um caminho fácil e a reação policial aos jovens estudantes demonstra bem isso, assim como as diversas formas de opressão, criadas nos regimes ditatoriais brasileiros, que ainda estão vigentes, sobressaindo a reprimenda moral e jurídica às greves dos trabalhadores, sendo que se alia a tudo isso, para conter os avanços, a forte campanha que se tem difundido “a favor” da crise econômica, cuja função é a de instaurar o medo e, com isso, inibir as lutas políticas pela consagração e efetivação de direitos sociais.
Ainda assim as mudanças em torno da diminuição das desigualdades sociais, políticas e econômicas estão ocorrendo e continuarão em curso e se os políticos e governantes não sabem disso seria de todo conveniente que aproveitassem o momento em que os estudantes os chamam para o diálogo e se dignassem de ir às escolas não só para conversar com os secundaristas, mas para aprender com eles, como, aliás, de forma exemplar, fez o membro do Ministério Público, João Paulo Faustinoni e Silva, que, após comparecer à ocupação da EE Fernão Dias e compreender o que estava de fato acontecendo no local, pediu a revogação da liminar de reintegração de posse e conseguiu, com o reforço argumentativo da APEOESP, que o juiz da causa, Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 5ª Vara de Fazenda Pública, adotasse a grandiosa postura de rever seu posicionamento e proferisse belíssima e importantíssima decisão sobre o caso (Processo n. 1045195-07.2015.8.26.0053).
Eu também fui ao local, onde passei toda a tarde e o início da noite de sexta-feira, dia 13, e posso garantir que se aprende muito com os estudantes, notadamente quanto à sua capacidade de organização e à sua compreensão de mundo.
Ou seja, uma boa forma para acelerar o processo de mudanças, tornando-o menos traumático, seria a de uma espécie de retorno dos políticos e governantes à escola, para terem uma aula de cidadania com os estudantes.
Enfim, quero deixar consignado aqui um manifesto de apoio à defesa das escolas públicas, contra, portanto, o projeto de reestruturação apresentado pelo governo do Estado de São Paulo, transmitindo toda a força aos “secundas” e aos professores e professoras pela sua luta, não porque, de fato, precisem de mim, mas porque todos nós, cidadãs e cidadãos brasileiros, precisamos muito de uma aula como essa!
São Paulo, 15 de novembro de 2015.
*Jorge Luiz Souto Maior é professor da Faculdade de Direito da USP.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

GREVE PETROLEIRA atinge bases dos 17 sindipetros brasileiros

Trancaços e manutenção da greve por tempo indeterminado na Amazônia

Foto: Jean Oliveira/FNP
por Priscila Duque*

A greve petroleira já atinge as bases dos 17 sindipetros brasileiros e na Amazônia vem ganhando cada dia mais adesões, conquistando o comprometimento dos trabalhadores. O movimento já é pauta dos principais veículos de comunicação e causa preocupação em Dilma/Bendine e no mercado financeiro, que vê a greve como uma ameaça aos seus planos nefastos de retirada de direitos e privatização da Petrobrás.

GREVE na AMAZÔNIA
Na última quinta-feira, 05, novamente foram realizados trancaços nas unidades da Transpetro, em Belém e São Luís, e na Petrobrás Regional Norte (UO-AM). Na Transpetro Belém houve adesão de 100% da operação, manutenção e administrativo. Para furar a greve, vergonhosamente, o gerente do TA entrou escondido pela BR Distribuidora. Na UO-AM, após duas horas de trancaço, foi liberada apenas a entrada dos trabalhadores terceirizados, permanecendo a mobilização dos próprios fora do prédio, com ratificação da greve por tempo indeterminado.

Além disso, foi feito trabalho político de convencimento com os petroleiros do prédio de Tecnologia da Informação (TIC), e a partir desta sexta-feira, 06, esses trabalhadores irão aderir à greve nacional da categoria.

Tendência é zerar produção no Urucu
Na Província Petrolífera do Urucu (AM) apenas uma equipe de contingência, formada por engenheiros, supervisores e gerentes, ou seja, pessoas que estão desviadas das suas funções, operando os painéis da sala de controle da planta, na tentativa de normalizar a produção. A medida adotada pela companhia coloca em risco tanto trabalhadores quanto as instalações do campo de Urucu, pois além do improviso para furar a greve, a planta está vulnerável por não haver brigada de emergência. 

Alguns companheiros da equipe de contingência já entraram em contato com a direção do Sindipetro PA/AM/MA/AP, alegando exaustão e solicitando o desembarque. O jurídico do sindicato já está intervindo para garantir o desembarque dos companheiros o mais rápido possível. Além disso, os trabalhadores que não embarcaram mantém firme a decisão de não ceder às pressões e assédios da companhia para garantir a rendição da equipe de contingência. A Petrobrás está bloqueando o contato dos petroleiros de Urucu com o movimento grevista.

Os trabalhadores da Amazônia mantém a decisão de greve por tempo indeterminado até que a companhia reveja sua política de ataque aos direitos da categoria e ao caráter público da Petrobrás.

Esclarecimento sobre notícia veiculada no jornal “A Crítica”
A Direção do Sindipetro PA/AM/MA/AP esclarece aos petroleiros que a notícia veiculada pelo jornal “A Crítica”, do Amazonas, a qual coloca uma declaração onde supostamente o diretor Silvio Cláudio afirma que a companhia colocou sua segurança armada para intimidar os trabalhadores a sair à força da sala de controle, não condiz com a declaração feita pelo diretor. Na verdade, o Inspetor de Segurança do Urucu, Aluísio Neves, se negou a ameaçar os petroleiros em greve e entregou sua arma, por apoiar o movimento. Diante da negação do Inspetor em cumprir a ordem de intimidação, a Petrobrás ameaçou chamar a polícia civil para realizar o trabalho sujo de repressão e criminalização da luta.
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*Priscila Duque é jornalista e assessora do Sindpetro PA/AM/MA/AP.


Quadro nacional do 12º dia da greve nacional petroleira nas bases da FNP

A cada dia que passa, a greve dos petroleiros se fortalece, recebe apoios e solidariedade da sociedade e de diversas categorias profissionais e já é a maior greve desde 1995, quando Lula, PT e a CUT traíram os petroleiros e capitularam ao governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), derrotando a grandiosa mobilização. 

Foto: FNP
por Jean Oliveira, para a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP)

Alagoas/Sergipe
Na base do Sindipetro AL/SE, as unidades de Pilar, Furado e Transpetro Alagoas, em Alagoas continuam paralisadas. A categoria fez carreata para visitar as sondas de Alagoas com o objetivo de reforçar a paralisação nessas áreas, principalmente junto aos terceirizados. O movimento também conta com a paralisação de 90% do efetivo Petrobrás e TRANSPETRO TA e 100% de adesão da Transpetro Dutos.
Em Carmópolis, por mais que haja pressão, por parte da empresa, para que os petroleiros voltem à unidade, a greve continua forte, com adesão de 80% do ADM e 90% dos operadores, envolvendo todas as estações, exceto Coqueiro e Riachuelo. Três estações estão completamente paradas: Entre Rios, Nova Magalhães e Jericó.
Na FAFEN, muitos petroleiros ouviram a convocação do Sindipetro AL/SE e compareceram na porta da fábrica para participar de uma assembleia. Ficou deliberado pela continuidade do movimento grevista. A produção continua sendo mantida de forma irresponsável por uma equipe de turno e o grupo de contingência formado pela empresa desde o dia 31 de outubro.
Na Sede, a mobilização continua forte, com adesão superior a 90% do adm.  No Tecarmo, mesmo com a “Judicialização”, via interdito proibitório, os trabalhadores seguem fortes na luta, com adesão de 80% da operação. Um grupo grande de operadores da Transpetro que estavam confinados em hotel próximo como equipe de contingência, aderiram ao movimento, fortalecendo a luta.
Litoral Paulista
Na RPBC, em Cubatão, mais de 30 petroleiros de base compareceram à refinaria e ajudaram o Sindicato a organizar durante a manhã um forte operativo nas portarias da unidade, fechando inclusive a entrada do CEAD e do SMS. A adesão à greve é de 100% no turno e 90% no ADM.
Na Alemoa, em Santos, trabalhadores e diretores do Sindicato fecharam as principais entradas para o terminal. Com a denúncia de que o grupo de contingência estaria entrando na unidade utilizando uma passagem não autorizada na Codesp, parte dos manifestantes se dirigiram ao local, por onde ninguém passou. A greve no terminal tem adesão de 100% do turno e administrativo. Houve atraso de uma hora na entrada dos terceirizados.
No Litoral Norte, com 100% de adesão operação e de supervisão, 90% da manutenção e 80% do ADM, a greve dos petroleiros segue no Tebar. A produção da unidade já despencou em 40%. Mais de 40 trabalhadores madrugaram na entrada principal do terminal. Outros grupos, com cerca de 10 petroleiros, também ficaram nas outras três portarias da companhia com faixas de protesto, desde às 4h30 da manhã.
Na Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato (UTGCA), em Caraguatatuba, mesmo após o ato de repressão orquestrado pela gerência da UTGCA, que acionou a justiça para acabar com o piquete na frente da unidade, o movimento segue forte. A adesão é de 100% da operação, 100% dos técnicos de manutenção sobreaviso e 70% adm (manutenção e SMS). Os trabalhadores em greve continuam se revezando para manter a escala (12 horas) que fariam se estivessem trabalhando mesmo com o clima de tensão imposto pela empresa. Muitos companheiros têm recebido telegramas com aviso de demissão com a justificativa de “abandono de emprego”. No Terminal de Pilões, em Cubatão, segue a greve com adesão de 80% no turno e 90% no ADM.
Pará/Amazonas/Maranhão/Amapá
No Sindipetro PA/AM/MA/AP hoje teve um trancaço no Maranhão Terminal de Itaqui com forte 100% de adesão da operação. Na sede da UO-AM, a adesão é de a greve tá forte a maioria ficou % dos trabalhadores mesmo após o interdito proibitório instaurado pela justiça.
Em Urucu (AM), a gerência está recuperando a produção através do trabalho da contingência. Os petroleiros que deveriam embarcar em Urucu cruzaram os braços. Os trabalhadores que estão sem embarcar estão engrossando a greve na porta do Prédio de Manaus. Na Transpetro Miranar, em Belém, os trabalhadores continuam em greve, que foi aprovada, em assembleia, por ampla maioria.
Rio de Janeiro
Os petroleiros estão desde às 8h da manhã desta segunda (9) em vigília na frente do Edifício Sede da Petrobrás, no Centro do Rio. O protesto irá continuar por todo o dia como forma de pressão sobre a direção da empresa que hoje retomou o diálogo com os sindicatos e federações. O Sindipetro-RJ também realizou um ato no TBG, na Praia do Flamengo, como forma de fortalecer a mobilização da greve nacional da categoria.
No TABG, a greve está forte. Houve um acordo com a gerência proposto pelo Sindipetro-RJ e os trabalhadores assumiram o controle e acompanhamento das atividades. No TBIG, em Angra dos Reis, a greve está forte com adesão de 80% no turno, quase 100% na manutenção e muito apoio no administrativo. O terminal está operando de forma irregular e insegura, com 2 grupos se revezando de 12 horas, utilizando pessoas em desvio de função e sem habilitação para desenvolver as atividades em curso. Em condições normais, o trabalho é desenvolvido por 5 grupos com escala de 8 horas. No Cenpes, vão ser realizadas reuniões setoriais nesta noite para avaliar se haverá corte de rendição de turno.
São José dos Campos

Na Revap, em São José dos Campos, os operadores continuam fazendo corte de rendição e no dia de hoje seguem mobilizados na porta da unidade.
Fonte: http://fnpetroleiros.org.br/?p=9575

Rio Doce e mídia calada: isto não Vale!

Instante em que onda de lama passa pelo Rio Doce/Distrito de Cava Grande/ES. Fonte: em.com.br
por Rogério Godinho

Vou dar a medida da encrenca. 
O que está acontecendo no Rio Doce [Espírito Santo] é pior do que a soma dos piores desastres ambientais dos últimos 30 anos. 
Algodões, Camará, Macacos, os três rompimentos de Cataguases (2003, 2007 2009) até Itabirito no ano passado. 
Por qualquer critério disponível, seja extensão ou volume de rejeitos. 

Repito: o que está acontecendo é pior do que a soma de todos eles.
São 62 bilhões de litros de uma lama impregnada de metais que vai chegar até o litoral do Espírito Santo. Sem contar que o rejeito – pela presença do ferro – está cimentando (mesmo!) diversas partes do rio. 
E estamos falando da mais importante bacia hidrográfica dentro da Região Sudeste. 

Sentiu o problema?
No que se refere a mortes, ainda não sabemos, até porque a Samarco (a Vale!) fechou a região das barragens e não dá informação nenhuma. Isso também é inédito: a empresa responsável e que precisa ser investigada é a única a ter acesso ao local do crime. 
Mas sabemos que são centenas de pessoas desaparecidas. 
Só em Bento Rodrigues, metade dos moradores não conseguiu sair a tempo. Sem contar os milhares de animais mortos. 
Imagine uma longa estrada de destruição.
Visualize. 
Peixes, vacas, cavalos, cachorros, tudo que estava na frente. 
Até ninhos de tartarugas lá na foz do rio estão removendo para tentar salvar antes que a lama chegue.

Mais inédito do que tudo isso é o absoluto desinteresse da mídia. 
No primeiro dia, os jornais deram uma pequena e ridícula chamada na primeira página. No segundo dia, o assunto sumiu. 
Este é o nosso vazamento de óleo do Golfo México, nosso vazamento da Exxon no Alasca, nosso Fukushima.
Mas quem se importa?


Fonte: https://www.facebook.com/rogergodinho/posts/10153223608333339?fref=nf&pnref=story