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terça-feira, 8 de março de 2016

Incêndio no Colégio Universo: tragédia anunciada


O que se viveu hoje no Colégio Universo "Kids" em Belém do Pará é a expressão do que melhor a ganância capitalista produz: destruição e tragédia.

Por volta das 09h da manhã desta terça-feira, 08 de março, Dia Internacional da Mulher, pais e responsáveis chegavam desesperados de todos as partes da Região Metropolitana de Belém para apanhar seus filhos. Um incêndio de grandes proporções, conforme comprova o vídeo conseguido pelo blog, atingiu a cantina da escola.

Ao ver o desespero das crianças e adolescentes no vídeo, a gente tem ideia da gravidade do sinistro e mais, do tamanho da irresponsabilidade e crimes cometidos pelos mantenedores do Colégio Universo. 

1) Crianças e adolescentes do ensino fundamental, bem como os funcionários, correm apavorados e aos berros por todos os pátios e dependências da escola na tentativa de fugir das imensas labaredas. A falta de qualquer preparo da equipe de funcionários é evidente.

2) As crianças do pré escolar e da creche, assim como seus professores, na impossibilidade e na ausência de saídas de emergências, foram obrigados a recorrer a um portão (que estava fechado) que fica por trás da escola e dá acesso à Igreja Presbiteriana. Felizmente um funcionário da Igreja, ao ouvir gritos de socorro e choro de crianças, correu para ver o que era e prontamente abriu o portão.

Uma mãe nos informou que a escola precariza muito as condições de trabalho dos funcionários e que explora sobremaneira seus professores. Uma sala de aula tem dezenas de crianaças e apenas dois profissionais. Encontramos na porta da escola um professor chorando ao entregar um aluno para sua mãe. Chorava porque ficou desesperado ao ver muitas crianças em condição de vulnerabilidade e poucos profissionais para orientá-los, ajudá-los e protegê-los.

Tragédia anunciada

Enviado pelo WhatsApp/DOL
Essa não foi a primeira vez que isso aconteceu. Segundo pais, professores e responsáveis ouvidos pelo blog, ano passado a tragédia poderia ter sido maior, na ocasião em que toda a escola ficou impregnada de gás butano que vazava da mesma cantina que hoje fora consumida pelo fogo.

Segundo um professor, que por motivos óbvios vamos preservar a identidade, "a escola nunca criou um plano de contenção ou de evacuação da escola em caso de tragédias como essa". Na escola, que têm centenas de alunos de diversas séries da educação básica e ensino fundamental, não existem bombeiros civis e até hoje nenhum funcionário fora treinado em caso de sinistros como o ocorrido.

Nas imagens (que tem a duração de pouco mais de um minuto), que são revoltantes e fortes, fica claro que, se haviam equipamentos para fazer o combate das chamas, nenhuma extintor fora usado. Na verdade o que se vê é o desespero humano que faz a gente lembrar imediamente do bárbaro incêndio que vitimou quase trezentos jovens na boate Kiss, em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul.

Relação promíscua, sede de lucro, morte

O ano passado assistimos estupefatos as tenebrosas cenas de pacientes sendo retirados em macas pelas janelas do maior  Hospital de Pronto Socorro Municipal da região Norte do país, o PSM Mário Pinotti, em decorrência de um  incêndio, que também era uma tragédia anunciada.

O prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) tinha conhecimento das péssimas condições de infraestrutura e segurança do prédio do PSM. Inclusive, em virtude de denúncias feitas pela Associação dos Servidores da Saúde do Município de Belém (ASSESMUB), o Ministério Público Federal, através de uma de suas promotorias, havia feito Termo de Ajustamento de Conduta obrigando a Prefeitura de Belém a promover reformas e garantir condições mínimas que impedissem que um sinistro se precipitasse ali.

Ciente dos problemas e em vez de resolvê-los, Zenaldo Coutinho fraudou junto a três bombeiros militares uma inspeção do PSM e liberaram o uso do espaço de forma irresponsável. Por conta do incêndio, das 3 mortes e das fraudes, Zenaldo e os militares respondem criminalmente na Justiça (civil e Militar).

Novamente um incêndio acomete um estabelecimento que já mativera próximas relações com o tucanato paraense. O ano passado, foi necessário o Ministério Público do Estado agir para impedir que o governador Simão Jatene (PSDB), através da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), contratasse o Grupo Universo para a oferta de aulas de reforço para alunos das escolas públicas. Essa nada idônea atividade levaria dos cofres públicos a estratosférica soma de cerca de R$ 15 milhões de reais.

Como o lucro é o que define as atitudes/ações do empresário da educação, a ética, o denodo, o zelo e o respeito para com a coisa pública e para com a vida das pessoas ficam em segundo e terceiro planos.

Omissão e crime

 O Além da Frase esteve na escola e um funcionário da equipe técnico-pedagógica nos informou que um Boletim de Ocorrência foi feito e que uma equipe do Corpo de Bombeiros Militares do Pará se encontra no estabelecimento fazendo perícia das dependências da escola que foram consumidas pelo incêndio. As aulas foram suspensas por tempo indeterminado ou até que se conclua a reforma do espaço e se tenha uma resposta das autoridades.

Acreditamos que pais e responsáveis exijam todos os esclarecimentos possíveis, realizem assembleias, mas acima de tudo cobrem na justiça a criminalização dos diretores (donos) do Grupo Universo, que desde o ano passado, sabedores do vazamento de gás butano na cantina que hoje ardeu em chamas, nada ou pouco fizeram para evitar que esse terror se abatesse sobre a vida de familiares e alunos que viveram um terrível trauma.

Das autoridades, esperamos rigor nas apurações, mas que acima de tudo o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e demais órgãos competentes façam seus trabalhos e um verdadeiro mutirão de averiguação das condições de segurança dos estabelecimentos de ensino ou não de todo o estado, sejam eles, públicos ou particulares. Só assim, as famílias terão tranquilidade e as pessoas poderão desenvolver seus ofícios sem o medo de uma tragédia desse porte.

CUIDADOS

Toda a atenção dos pais e responsáveis nesse momento é fundamental. Como se vê das imagens, o incêndio produziu muita fumaça, e certamente, com a queima de produtos tóxicos. A fumaça é altamente nociva para o corpo humano. Nas crianças pode produzir efeitos devastadores.

As autoridades médicas indicam que em casos como esse, que se redobre os cuidados e a atenção junto às vítimas, pois os problemas advindos da inalação da fumaça só se manifestam em cerca de 2 a 3 dias depois. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

Tenebrosas transações e fraude fundiária de sobrinho de Jatene

Sobrinho de Jatene envolvido em fraude fundiária em Castanhal. Crime envolve também o prefeito Paulo Titan (PMDB). É mais um rolo de Eduardo Salles, o sobrinho de Jatene, que também é sócio do empresário Antonio Carlos Vieira, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do advogado Jorge Pimentel.


O governador Simão Jatene: sobrinho milionário e enrolado comanda o Nordeste do Pará.

por Ana Célia Pinheiro

O empresário Eduardo Salles, sobrinho do governador do Pará, Simão Jatene, e o prefeito de Castanhal, Paulo Titan, do PMDB, estariam envolvidos em um rumoroso caso de fraude fundiária naquele município.

Segundo fontes do Ministério Público Estadual, que investiga o caso desde 2013, já há fortes indícios de crime e “a fraude é grande”.

Ela envolveria a expedição de títulos de aforamento, com a adulteração e até sumiço de processos e de livros de inscrições de imóveis daquela Prefeitura. Uma secretária municipal já teria admitido, em depoimento ao MP, que os livros são falsos.

O MP obteve autorização do Tribunal de Justiça do Estado para investigar o caso, já que o prefeito de Castanhal possui foro privilegiado.

Ainda não se sabe quanto hectares teriam sido fraudados. No entanto, fontes do MP não descartam a necessidade de um recadastramento fundiário naquele município.

Não é a primeira vez que o sobrinho do governador Simão Jatene é envolvido em um escândalo de grandes proporções.

Um empreendimento imobiliário de Eduardo Salles em Castanhal, o Salles Jardins, tem como sócia uma empresa pertencente ao empresário Carlos Antonio Vieira, acusado de ser um dos mandantes dos assassinatos do advogado Jorge Guilherme Araújo Pimentel e do madeireiro Luciano Capaccio, em março de 2013, no município de Tomé-Açu.

O ex-gerente regional do Detran em Castanhal, Washington Luís Antunes Nóbrega, que foi afastado do cargo, em 2013, por suposto envolvimento em uma quadrilha que fraudava carteiras de habilitação, é um dos sócios da Engecon, empresa que funcionava no galpão de uma das fazendas de Eduardo Salles.

A Engecon faturou milhões no primeiro Governo de Jatene, entre 2003 e 2006. Washington chegou a figurar como preposto de Eduardo em processos da Justiça do Trabalho que nada tinham a ver com a Engecon, mas, com fazendas pertencentes ao sobrinho do governador.

Perereca conseguiu comprovar o registro cartorário de cerca de 5 mil hectares em nome de Eduardo Salles, nos municípios de Castanhal e Inhangapi.

Ele também é ligado a várias empresas e até exporta gado para o Líbano. 

A Plataforma Logística do Guamá, na qual o governador Simão Jatene promete investir milhões, fica às proximidades das terras de Eduardo Salles, anteriormente já beneficiadas com a pavimentação de estrada, pelo governo estadual, e até com um projeto de recuperação da piscosidade de rios e igarapés.

Segundo jornalistas de Castanhal, Eduardo Salles é presidente de honra do PSDB daquele município. Ele também representa o tio em palanques eleitorais de candidatos a prefeito no Nordeste do Pará.

No Governo Jatene que foi de 2003 a 2006, quem comandava a Regional da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa) era a assistente social Maria de Fátima Motta Salles, que seria mulher de Jorge Salles, irmão de Eduardo.

Jorge Salles é hoje presidente do Instituto de Previdência de Castanhal e Maria de Fátima é assessora do prefeito Paulo Titan.

Embora do PMDB, o prefeito apoiou a reeleição do tucano Simão Jatene ao Governo do Pará, no ano passado. O vice de Titan, Milton Campos, foi eleito deputado estadual pelo PSDB nas últimas eleições.

Perereca está tentando obter mais detalhes do MPE acerca desse caso de fraude fundiária em Castanhal. 

Leia as reportagens já publicadas pelo blog sobre os rolos e o impressionante enriquecimento do sobrinho do governador:

10 de abril de 2012 - "Família feliz: projeto do Governo do Estado vai beneficiar região onde sobrinho de Jatene adquiriu milhares de hectares. Serão R$ 50 milhões no Complexo Integrado do Guamá, que abrange o Porto de Vila Pernambuco, em Inhangapi. Mas não se sabe se Eduardo Salles, o felizardo sobrinho de Jatene, ainda mantém a propriedade desses terrenos”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/04/familia-feliz-projeto-do-governo-do.html 

28 de fevereiro de 2013 – “Sobrinho de Jatene enriquece a olhos vistos e comanda o nordeste do Pará. Só por um terreno ele pagou R$ 1 milhão e duas de suas fazendas somam mais de 5 mil hectares. E mais: um investimento de R$ 66 milhões do governo vai valorizar ainda mais as terras do sobrinho do governador. Afinal, de onde vem a fortuna de Eduardo Salles?”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/02/sobrinho-de-jatene-enriquece-olhos.html 

26 de abril de 2013 – “Ligações Perigosas: Sobrinho do governador do Pará é sócio do empresário acusado de mandar matar o advogado Jorge Pimentel. Empresário, que é pai do prefeito de Tomé-Açu, está foragido”: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/04/ligacoes-perigosas-sobrinho-do.html 

27 de abril de 2013 – “Uma turma da pesada: sobrinho do governador Simão Jatene é sócio do empresário que seria mandante de assassinatos em Tomé-Açu, e que também seria sócio de empresário envolvido em fraude imobiliária em Alagoas. E mais: Eduardo Salles, o sobrinho de Jatene, e Carlos Vieira, que está foragido, também estão envolvidos em complicadas transações pela posse de terrenos, em Ananindeua e Rondon do Pará”: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/04/uma-turma-da-pesada-sobrinho-do.html 

31 de outubro de 2013 – “Presidente da OAB ameaça denunciar Pará a organismos internacionais e a levar Jatene a responder por crime de responsabilidade. Assassinato do advogado Jorge Pimentel vai completar 8 meses, supostos mandantes continuam foragidos e governador não pede ajuda à Polícia Federal. Sobrinho de Jatene estaria ajudando foragidos. Presidente da OAB diz que Justiça do Pará só funciona “para a ralé” e que “a paciência acabou”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2013/10/presidente-da-oab-ameaca-denunciar-para.html 

5 de outubro de 2014 – “Fortuna da família do governador Simão Jatene pode chegar a mais de R$ 40 milhões. Postos de gasolina de Beto Jatene faturam 21,6 milhões por ano e valem pelo menos R$ 15 milhões. Fazendas, terrenos e empreendimentos imobiliários de Eduardo Salles, sobrinho de Jatene, alcançam quase R$ 15 milhões. Apartamentos de luxo da família do governador valem mais de R$ 3 milhões. E ainda falta contabilizar casas noturnas e cabeças de gado”:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2014/10/fortuna-da-familia-do-governador-simao.html
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Fonte: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2015/03/sobrinho-de-jatene-envolvido-em-fraude.html

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Preso o maior desmatador da Amazônia de todos os tempos


Ezequiel Antônio Castanha, o maior grileiro da BR 163, foi preso pelo Ibama no último sábado (21), em Novo Progresso, no Pará. A ação contou com a participação da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Federal de Itaituba por ação movida pelo Ministério Público do Pará.

A prisão de Castanha coroa com êxito a Operação Castanheira, deflagrada pelo Ibama, Ministério Público Federal, Receita Federal e Polícia Federal, que desarticulou a maior quadrilha de grileiros que operava na região da BR 163, no estado do Pará, respondendo por 20% de todo o desmatamento da Amazônia.

Segundo o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, que acompanhou a operação, a efetivação da prisão do grileiro Castanha é o maior marco representativo das ações de combate ao desmatamento no oeste do Pará. “A desarticulação desta quadrilha contribui significativamente para o controle do desmatamento na região”.

Castanha vinha atuando na BR 163 invadindo terras da União, promovendo o desmatamento e comercializando ilegalmente as terras furtadas. Apenas o núcleo familiar do grileiro responde por quase R$ 47 milhões em multas junto ao Ibama, sem contar com os autos de infração em nome dos demais membros da quadrilha.

O maior desmatador da Amazônia será julgado pela Justiça Federal e poderá receber pena de mais de 46 anos de prisão pelos diversos crimes cometidos, tais como desmatamento ilegal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, uso de documentos falsos, além de outros.

Fonte: Ascom Ibama, a partir do blog Língua Ferina.