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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Para dizer que falei das flores: Chapa 2 Mudança Já, Sindicato é pra Lutar!


 Foto: Divulgação Chapa 2

Esta categoria nunca mais será a mesma. Junho tem cheiro e gosto de outubro. 
Incrível!

Desde as Jornadas de Junho de 2013, quando vi inúmeros profissionais da imprensa desta capital do Pará participando de um protesto na Avenida Almirante Barroso, com a pena e câmara em posição de "descansar", desta vez como "gente comum", de carne e osso, pertencente ao grupo de dezenas de milhares de manifestantes, cada qual com seu cartaz ou palavra de ordem, como protagonista e não redator da história, sabia que algo de muito sério e lindo e límpido e revolucionário e único e belo estava a ser gestado também em Belém, na Amazônia, e atingiria todas as categorias, o que incluiu os jornalistas, e levaria a radicalidade à classe trabalhadora.

Algo que fez a juventude novamente tomar o norte das ruas, algo que produz inumeráveis e extraordinárias greves e manifestações por todo o estado e país, como a HISTÓRICA e VITORIOSA greve dos trabalhadores contra o regime esclavagista mantido pela família Barbalho no Diário do Pará, Diário Online e TV RBA (afiliada ao Grupo Bandeirantes).

De lá pra cá os jornalistas não pararam de lutar, tipo um passarinho que acabou de aprender a voar.

Acredito que sejam mesmo todos passarinhos. Mas não qualquer um. São daqueles que produzem a dura labuta e que não aguentando mais a ausência de uma entidade que historicamente tem servido apenas para amortecer (no sentido de pelego) as lutas e para legitimar os interesses dos empregadores exploradores sanguessugas, resolveu soltar o mais estridente e vivo canto contra as amarras e contra a submissão. 

O canto com a beleza de uma Chapa 2 que leva os acordes magníficos de mudança como bem faz o uirapuru. 

O canto que faz se unir os inimigos: Barbalhos e Maioranas. 
O canto que fez unir-se a categoria. 

A história do Sindicato dos Jornalistas do Pará (SINJOR-PA) não será mais a mesma, como já não era desde as lutas do ano passado. Independente do resultado. 
Apesar de que arrisco um palpite, acreditando como eu acredito nos bons frutos da Primavera: vai dar Chapa 2 hoje! Porque Mudança é preciso e necessária! Porque Sindicato é pra Lutar!

Porque existe o novo, ah o novo... e sempre o novo como essa imagem acima que vai de um clique para a História.

Que orgulho destes dois profissionais (Paulo Ferreira e Tourinho) e dos lutadores que aceitaram o compromisso de encabeçar esse movimento através da Chapa 2!

Nazareno Tourinho, maestro da luta de classes, segue produzindo suas óperas em nossas vidas e dando exemplo de retidão e compromisso consequente com a luta de classes e as necessárias mudanças sociais.

Muito obrigado, mestre!

#MudançaJá!
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Última atualização: 11/06/2014, às 14h32min

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tourinho me levou até a Cabanagem

Falo que estou doido pra ver a pororoca da nossa revolução estourar
Domingos "Sapateiro" - Curiboca

Quando acordei nesta terça-feira, 22/03, não imaginava que ao ir para a Universidade Federal do Pará, Campus do Guamá, teria a magnífica sorte de ter, de forma quase exclusiva em minhas mãos, as duas últimas peças teatrais do jornalista, escritor e teatrólogo Nazareno Tourinho: CABANAGEM e QUINTINO BOM DE BRIGA DEFENSOR DOS SEM TERRA.

Li Cabanagem de uma tascada só! Me arrepio só de lembrar cada ato dessa emocinante e vibrante narrativa. A Cabanagem foi o maior movimento revolucionário ocorrido até hoje no Brasil. Uma revolta contra as linhagens coloniais (os portugueses representados no Partido Caramuru) que seguiam castigando e oprimindo a maioria da população do Grão Pará.

Desde a independência do Brasil em 1822, que os ânimos na Província do Grão Pará estavam acirrados. Primeiro porque as elites locais não queriam a adesão da Província à Independência, o que levou o Império a uma série de investidas, até culminar por exemplo no massacre do Brigue Palhaço, e ainda na perseguição, assassnatos e encarceramento da oposição. Aceita a independência pelas elites locais, golpes e novos golpes, colocaram os portugueses no poder do Pará com Brasil já independente.

É nesse processo de enfrentamento e crescente insatisfação da população de negros, tapuios, curibocas, etc. que sob a direção do cônego Batista Campos, dos irmãos: Francisco e Antônio Vinagre; Eduardo "Angelim", Geraldo "Gavião" e Manoel Nogueira, além de Domingos "Onça", Felipe "Mãe da Chuva", Domingos "Sapateiro" e o primo de B. Campos e seu braço direito, João Gonçalves Campos, que os revoltosos organizam a revolução do dia da morte de Batista Campos (31/12/1834) até a execução de todo o alto escalão da província, incluindo o presidente Lobo de Souza, no dia 07 de janeiro de 1835, quando os cabanos assumem o Palácio do Governo.

Foi o companheiro Felipe Puxirum, o Felipe "Maranhão" quem repassou-me as peças, ainda com os manuscritos do grande intelectual e uma invejável dedicatória. Cópia que foi entregue dia 16/03 pelo próprio Tourinho ao companheiro Edmilson Rodrigues (Dep. Estadual/PSOL) no salão vip da Alepa (Assembléia Legislativa do Pará).
Sempre nutri imensa admiração pelo Nazareno Tourinho, e quando percebi que se tratava de textos seus, fiquei mais interessado ainda e queria ali mesmo, nas margens do rio Guamá, consumir a peça. 

Percebi que tinha em minhas mãos um texto extraordinário. Um texto, como o prórpio escritor e músico Alfredo Oliveira, que fez a apresentação, diz: "Embora pudesse ter usado tanto a livre imaginação quanto a memória dos fatos, para construir o espetáculo cênico, preferiu se prender aos registros históricos. A obra adquire portanto um cunho didático. Declaro que gostei dessa orientação. Pois tal atitude revela não apenas um respeito apaixonado pela autenticidade da luta, como desvenda um caminho que não é fácil de percorrer, porque exige pesquisa, estudo, interpretação, tudo de maneira adequada ao aproveitamento teatralizado".

Sinceramente falando, nunca havia estudado tão bem a Cabanagem! Me perdoe minha grande profª. Dra. Magda Ricci, Júlio José Chiavenato, Alfredo Oliveira, o grande Vicente Sales, Di Paolo, Caio Prado Jr. etc, mas foi com essa peça-história, que saiu daquela mente brilhante, porque resistente e revolucionária, que mergulhei pela primeira vez nesse grande movimento que foi a Revolução Cabana!

Uma história de luta e libertação das masssas contra a tirania, a vilania e a maldade que sempre emana das elites nefastas no poder.
Aguardarei ansiosíssimo para ver essa peça encenada nos palcos!

Essa lição tem que ser dada nas ruas, praças, escolas, campos e construções: a Cabanagem mostrou que a maioria pode e deve governar seus destinos! Foram cinco anos de lutas e resitências. A contra-revolução imperial conseguiu a peso da dizimação de um terço dos moradores do Grão Pará, sufocar esse sonho de justiça, igualdade e liberdade.

A data do triunfo da Revolução, diz uma das personagens, "será lembrada no futuro como um dia de glória, até porque, por feliz coincidência, em 7 de janeiro, do ano de 1619, o índio guerreiro Guaimiaba, da tribo Tupinambás, morreu heroicamente atacando com arco e flechas o Forte do Castelo para expulsar da nossa terra os portugueses". A personagem tinha razão!

Como fala o grande teatrólogo através de sua personagem Angelim: "(...) a História provará para sempre que a nossa revolução foi vitoriosa". Também tem muita razão o escritor! Os ensinamentos dessa epopéia amazônica continuam vivos em nosso sangue caboclo, em nossa pele marcada de sol, em nossa dignidade que abomina a exploração, servindo de inequívoco exemplo de que só a luta pode transformar a sociedade e mudar a vida pra melhor!

Obrigado Mestre Tourinho por mais essa lição!
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Como logo mais é hora de comemorar o enterro definitivo do intento golpista do ex-ministro, ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal, Jáder Barbalho/PMDB (o ficha suja) de querer voltar ao Senado; aproveitarei só então para tentar escrever sobre a outra grande peça de Nazareno Tourinho: QUINTINO BOM DE BRIGA DEFENSOR DOS SEM TERRA, pois a mesma tem muito a ver com Jáder e sua política de criminalização dos movimentos sociais no estado.
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Notícia relacionada:

Do blog do Edmilson
Edmilson recebeu peças de Tourinho no salão vip da Assembléia Legislativa do Pará
O teatrólogo Nazareno Tourinho entregou nesta quarta-feira, 16, o texto de duas peças teatrais em que ele resgata a história do povo do Pará. “Cabanagem” e “Quintino bom de briga defensor dos sem terra” foram escritas por Tourinho a partir de um trabalho amplo de pesquisa. “Eu faço questão de ter a opinião de Edmilson sobre essas duas peças porque me identifico com a forma dele de pensar a história sob a ótica do povo”, disse o autor, durante o encontro que foi realizado, por volta das 10 horas, na sala vip da Assembléia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).

O deputado Edmilson Rodrigues fez referência, em plenário, à presença de Nazareno Tourinho, a quem definiu como “um dos maiores intelectuais vivos do país”. “É uma honra poder receber a visita, nesta casa, de um dos maiores intelectuais vivos desse país, que me trouxe duas peças escritas, recentemente, por ele, após ter enfrentado problemas graves de saúde. E quero declarar que farei todo o esforço que puder para que essas obras sejam publicadas e divulgadas”, destacou Edmilson, fazendo referência também à dedicação do autor ao Espiritismo.

Foto: Assessoria de Imprensa