domingo, 17 de abril de 2011

Almir Gabriel não pode morrer sem ser punido por mais esse crime


Passados 15 anos do tenebroso massacre de 19 trabalhadores rurais sem-terras na  curva do S na cidade de Eldorado dos Carajás no Pará, infelizmente até hoje nenhum dos responsáveis por esse crime foram punidos. 
Mais uma vez a (in)Justiça paraense demonstra toda a sua conivência com os crimes, fundamentalmente aqueles cometidos contra tabalhadores rurais e os do resultantes da luta pela posse da terra, ao não punir severamente nenhum dos comandantes da PM, bem como gozam impunes o ex-secretário de Segurança Pública do Pará Paulo Sette Câmara e o ex-governador, a época no nefasto PSDB, Almir Gabriel. (M.B.)
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Via Campesina lança convocatória para o Dia Internacional de Luta Campesina
Por Camila Queiroz

17 de abril de 1996. 19 sem-terra brasileiros que ocupavam um latifúndio são chacinados pela polícia na cidade de Eldorado dos Carajás, no estado do Pará. No mesmo dia, estava acontecendo a Segunda Conferência Internacional da Via Campesina, no México. Os companheiros decidiram prontamente que a data passaria a ser o Dia Internacional de Luta Campesina.

Neste ano, o dia de mobilização e resistência tem como palavra de ordem a luta "contra a acumulação e pela recuperação da nossa terra e nossos territórios”. As ações acontecem em todos os continentes.

Em uma convocatória, a Coordenação Latino-Americana de Organizações do Campo – CLOC/Via Campesina declara que o imperialismo está cada vez mais forte no continente, associado ao agronegócio e à mineração a céu aberto.

A produção de agrocombustíveis e transgênicos desgasta a terra, agrava a crise climática e acaba gerando o deslocamento forçado dos camponeses a grandes cidades, onde farão parte dos estatísticas de pobreza. 

A invasão por empresas multinacionais saqueia recursos naturais e impõe monoculturas. Sem diversidade, os camponeses não têm como se alimentar. O uso de agrotóxicos envenena a terra e as populações, pontua a Convocatória.

Frente a tantas adversidades, a CLOC reafirma a importância da luta de camponeses, povos originários e afrodescendentes, lembrando que há séculos a América Latina resiste às invasões. 

"Há muito tempo somos discriminados, oprimidos, detidos, perseguidos, assassinados e massacrados por lutar por nossos direitos e de todo povo do mundo, mas a cada momento nossa luta se reforça, a cada dia e a cada clamor do povo nós ensinamos revolta, indignação, solidariedade, mudança e luta!”, declaram.

Ações

No Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organiza, desde a semana passada, a Jornada Nacional de Lutas 2011. As mobilizações ocorrem em 20 estados do país. Os sem-terra estão acampados em latifúndios improdutivos e em órgãos do governo, como as secretarias de desenvolvimento agrário e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

O movimento prepara mais mobilizações para o dia 17 de abril. Segundo a coordenadora nacional do MST, Maria de Jesus, as ações deverão se concentrar na cidade de Eldorados dos Carajás. "Neste dia, nós queremos denunciar os 15 anos de impunidade de Carajás e, com isso, insistir na Reforma Agrária, nossa prioridade”. Em todo o país, 100 mil famílias estão acampadas. Para assentar a todos, Maria de Jesus afirmou que é necessária a quantia de R$ 5 bilhões.

O movimento esteve durante toda a semana na capital Brasília para negociar a Reforma Agrária com o governo. "Até hoje a Dilma não assinou um decreto para desapropriação de terras para a Reforma Agrária. Estamos aqui, falamos com vários ministérios e teremos um retorno no dia dois de maio”, relata.

Manifestações

Justiça do Pará continua sendo injusta

Grileiro vai ganhar na justiça do Pará?
Por Lúcio Flávio Pinto
Jornalista paraense. Publica o Jornal Pessoal (JP)

Em 1999 o empreiteiro Cecílio do Rego Almeida (foto) propôs contra mim uma ação de indenização por dano moral. Declarava-se ofendido por ter sido tratado como "pirata fundiário” em artigo que publiquei neste jornal. O dono da Construtora C. R. Almeida se considerava proprietário de direito de uma área que podia ter de 5 milhões a 7 milhões de hectares na Terra do Meio, no vale do rio Xingu, no Pará.

Todas as fontes oficiais de consulta sobre questões fundiárias o apontavam como grileiro, o maior do mundo, em virtude de suas pretensões. Três anos antes o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) propusera uma ação na justiça para cancelar os registros imobiliários que estavam em nome dele no cartório de Altamira.

O registro remontava aos anos 1920, mas não tinha por base nenhum documento oficial. Jamais as terras tinham sido desmembradas do patrimônio público. A cadeia dominial tinha início no nada. Logo, a pretensão era nula de pleno direito. Os serventuários do cartório foram demitidos, a bem do serviço público, por terem servido aos interesses da apropriação ilícita das terras, conforme comprovado na apuração dos fatos, feita pelo poder judiciário estadual. Cecílio foi submetido a inquérito na Polícia Federal e só não foi preso porque já tinha mais de 70 anos de idade.

Todo o esquema não desmoronou de uma vez porque uma sentença do então desembargador (recentemente falecido) João Alberto Paiva manteve a grilagem pendurada no mundo das coisas reais. Desfazer tudo que foi armado para transferir a área – enorme e extremamente valiosa – do patrimônio público para a propriedade privada tem sido uma batalha. Entrei nela ao assessorar o chefe do departamento jurídico do Iterpa, Carlos Lamarão (agora na presidência do órgão), a preparar e propor, em 1996, a ação de anulação e cancelamento dos registros imobiliários. Foi o primeiro ato de reação ao saque fundiário, seguido por iniciativas do Ministério Público Federal, Polícia Federal, Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário e da própria justiça.

Desde então, escrevi vários artigos denunciando a grilagem e prestei depoimento (por duas vezes) à CPI da Câmara Federal que a investigou. Fiquei visado por Cecílio Almeida. Em 1996 mesmo ele contratou o brilhante (e perigoso) jornalista paraense Oliveira Bastos (já falecido), que me atacou através de duas cartas sucessivas, ferinas e agressivas. Dei três respostas aos ataques. Oliveira desistiu de tentar me intimidar. Pouco depois se desentendeu com o patrão e deixou o cargo de coordenador dos ditos projetos especiais da C. R. Almeida.

O empresário decidiu então partir para o ataque através do judiciário. Primeiro propôs a ação cível perante a comarca de São Paulo, que era, evidentemente, incompetente (a sede do meu jornal é em Belém). Ele chegou a dizer que o Jornal Pessoal tem ampla circulação na capital paulista. O objetivo era simples: causar dificuldades à minha defesa. Mas a inverdade bradou aos céus com a mesma ênfase da reação que rejeitou a alegação do juiz Francisco das Chagas, que me condenou, em outro processo, a indenizar os Maiorana em 30 mil reais, porque este jornal seria de tal sucesso de vendagem que poderia arcar com o ônus.

O processo foi desaforado para Belém, o que foi legal, mas talvez não tenha sido bom. A justiça paulista rejeitou ação idêntica contra repórter da revista Veja e outras pessoas processadas pelo empresário, como o advogado Carlos Lamarão. Ao invés de serem condenados, deviam ser condecorados por defenderem o interesse público, disse o juiz. Talvez eu tivesse sorte idêntica. Ao contrário, na justiça que tem sob o alcance da sua jurisdição as terras públicas sujeitas à usurpação, fui condenado em 1o grau.

Manifesto das Famílias do Assentamento 17 de Abril a Sociedade Paraense e ao Povo Brasileiro.


Daqui, da Comunidade 17 de Abril, hoje somos quase seis mil pessoas numa das maiores agrovilas de assentamentos de Reforma Agrária do país; nossa residência política, ética, moral e cultural, nos manifestamos. Pelos nossos mortos e pelos sobreviventes nos manifestamos. Pela reforma agrária, pelo fim do latifúndio e sua força jurídica nos manifestamos e exigimos justiça.

Até que cesse a gana dos impunes, não se pode perdoar o carrasco, um só deles. Estamos intranqüilos, como quer o momento de vigília.

Logo, em 17 de abril de 2.011, aniversaria o massacre de Eldorado do Carajás. 15 anos! E não cabe outra definição, senão que impunidade e, Pedro Tierra o mais solidário dos poetas, ressuscitou uma palavra vil da garganta dos dicionários e a pôs nos lábios dos séculos para descrever o golpe: “atroz” Eldorado do Carajás, símbolo vigente do caráter antipopular, anti-social e antidemocrático dos que monopolizam o poder e, por ele se opõem violentamente aos que lhes contestam, por terra, dignidade, trabalho, alegria e direitos, onde tudo é negado.

O massacre é um sinal, aos pusilânimes do poder é um fardo de agonia, que jamais poderão desmentir, nem mensurar nas fibras do passado. A memória é subversiva, ninguém a modela, insurge contra os truques midiáticos e os opõe a cada ano, nesta data da classe trabalhadora e das novas gerações nascidas na luta e na resistência do povo brasileiro e amazônida frente a máquina voraz do capital.

Da marcha interrompida pela morte, onde pretendíamos chegar a Belém do Pará para uma negociação por terra, andando a pé quase oitocentos kilômetros, que para os governantes algo injustificável, como o ato insólito e traiçoeiro dos mesmos e, de todos os envolvidos. Chegamos ao mundo em notícias, em páginas de jornais e imagens televisivas numa curva onde hoje está o monumento das castanheiras e o nosso coração, um bosque simbólico.

Sabemos, uma poderosa voz nacional e internacional de denúncia e exigência ergueu-se soberana. Por isso, tudo o que somos hoje, cada fragmento das conquistas políticas, culturais e econômicas no Assentamento têm esse traço indelével, de solidariedade afetiva, religiosa e mística de milhares de estudantes, artistas, professores, intelectuais, e da grande massa do povo que, desde o primeiro instante não nos pediram conciliação dos interesses inconciliáveis, mas luta e organização. Intransigência dos pobres contra a intolerância dos ricos!

Já não somos mais os mesmos, estamos nos reabilitando com o passar dos dias da grande dor e, nessa construção que já perdura 15 anos fizemos muitos progressos na organização social das famílias, no apoderamento político e cultural, na produção de alimentos, na educação, na infância e na juventude. Há uma escola que teima ser para a vida e não para o mercado, uma mobilização pela eliminação do analfabetismo e a construção de uma pedagogia transformadora.

Não abdicamos um só momento da luta e da memória, da construção da comunidade autônoma aos interesses imperiais. Estamos sim, muito longe da vida miserável que levávamos quando vagávamos nômades pelas ruas da fronteira, massa sobrante de um modelo de desenvolvimento predatório. Hoje portamos uma identidade camponesa e desenvolvemos formas de existir mais avançadas e democráticas.

Nesses anos aprendemos que os nossos direitos só a luta faz valer e reconhecemos que temos muitos limites, agruras impostas por uma política caduca, negligente, e cheia de camaradilhas, lusco-fusco da repressão, hoje até mais sofisticada que outrora, em perseguição sistemática às organizações, às suas pautas, aos seus militantes e dirigentes e que nos impediu de fazermos mais onde não havia nada, senão cercas, escravidão e violência do latifúndio.

O que vale a pena dizer, é que inauguramos seguramente um processo novo, cujo sentido é sermos sempre melhores naquilo que fazemos, uma comunidade ligada a toda uma trajetória de luta e que aspira futuro, um novo modelo de desenvolvimento para o campo, na defesa de uma agricultura diversificada, sadia e barata à população.

Faremos esforços grandiosos para ir mudando, o que ainda não pode ser mudado, sendo com toda força e beleza, exemplo pedagógico à sociedade e aos pobres que perecem nas cidades embrutecidas pela lógica abismal de que cada um é aquilo que consome, e que sabemos não tem mais nada a perder, pois já perderam por demais na vida, que a luta é o único encontro possível que possa livrá-los da barbárie e do aniquilamento social!

Nesse momento queríamos saudá-los com essa epígrafe, de um dos melhores amigos que o Assentamento e nossa Organização teve e, que nos deixou no ano passado, o escritor José Saramago. E com esse sentimento exigir e reivindicar, o que nos cabe nessa quadra histórica: dignidade. É o nosso gesto de aliança permanente, com os ambientalistas, com os partidos políticos, com a intelectualidade, com os indígenas, com os quilombolas com as organizações urbanas e rurais, com o movimento estudantil, com os operários, com as organizações latino americanas e via campesina internacional enfim, com os que lutam e sonham e fazem superações!

Levantado do Chão!

“Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores,
levantam se os animais que correm os campos ou voam por cima deles,
levantam-se os homens e as suas esperanças. Também
do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo
ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira.
Enfim, cá estou outra vez a sonhar. Como os homens
a quem me dirijo.”
José Saramago


Da nossa residência, pelos nossos mortos, pelos sobreviventes e pela nossa luta, nos manifestamos e exigimos:

1. Exigimos Reforma Agrária; uma política que confronte o latifúndio e desenvolva o campo sobre outro signo, que não é o do agronegócio; hoje traduzido, em agrotóxico, comida envenenada, transgenia, reconcentração de terras e uso intensivo da biodiversidade para fins privados. O atual programa de regularização fundiária na Amazônia (terra legal) legitima o latifúndio, não se traduz em maior numero de áreas destinadas a Reforma Agrária e nem resolve os conflitos sociais.

2. Exigimos um programa imediato para assentar as quase cem mil famílias acampadas no país, em especial as famílias acampadas no Pará, nas áreas emblemáticas do Grupo Santa Bárbara, Mutran´s, Quagliatos e Josué Bengston e Fazenda São Luis, onde a VALE é o principal empecilho. Assim como a destinação das áreas públicas que tiveram seus títulos cancelados, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para um amplo programa de Reforma Agrária no Estado, como forma de cessarem os conflitos e também de reparação pública.
3. Exigimos uma política agrícola que esteja associada ao bioma amazônico, que respeite o campesinato amazônico e sua complexidade, para que sejam guardiões da água, da terra, da floresta, dos ecossistemas e da biodiversidade. E possam exercer soberania sobre suas riquezas. Por exemplo, parar por completo, pois, não há justificativas, a não ser do interesse do capital, a construção da hidrelétrica de Belo Monte!
4. Exigimos um plano de reestruturação do INCRA nacional e das suas superintendências na Amazônia, em especial no Pará. Pesa saber, onde se estruturam os mais graves conflitos agrários no País, o INCRA seja o órgão mais desestruturado e desarticulado com a sua missão, cindindo entre os mais diversos interesses. Exigimos um plano imediato de recuperação dos assentamentos com programas sociais e infra-estrutura, em especial o Assentamento 17 de abril.

5. Exigimos justiça; reparação política e econômica às famílias dos mortos do Massacre de Eldorado do Carajás. Assim como um plano de julgamento por parte do Tribunal de Justiça do Estado (TJE) para os casos emblemáticos, que esperam julgamentos mandantes e assassinos de Trabalhadores Sem Terra, indígenas e militantes sindicais e religiosos. O fim dos despejos no campo e nas cidades!
 
6. Exigimos um novo modelo de desenvolvimento econômico e social para as regiões e para o Estado. Uma alternativa aos mega-investimentos e ao monopólio do projeto mineral da Vale, que devoram os ecossistemas e biodiversidades das regiões e produz desigualdade e barbárie social nas cidades, desterritorialização das famílias e grupos sociais, e tem como marca indissociável uma política de compensação social mais atrasada do mundo!

Com ternura,
Assentamento 17 de Abril,
Eldorado do Carajás
Abril, de 2.011
Ano de luta e resistência na Amazônia!

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, MST/PA
Reforma agrária: Por justiça Social e Soberania Popular!

Vídeo - Viva a luta das trabalhadoras faxineiras da USP!

Certamente é mais um grande exemplo de luta no país contra os bandidos exploradores que humilham diariamente com salários de miséria @s trabalhador@s terceirizados.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Nota do Cimi sobre mentiras que a Funai conta


Após a reação arrogante e equivocada do Ministério de Relações Exteriores à decisão da Organização dos Estados Americanos – OEA, que recomenda a suspensão do licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte, mais uma representação governamental, a Fundação Nacional do Índio (Funai), revela o descontrole do Governo brasileiro ao receber tal recomendação.

Em nota publicada no dia 5, há uma tentativa clara de confundir a opinião pública através da falsa informação da realização das consultas às comunidades indígenas, conforme estabelece o Artigo 231 da Constituição brasileira e a Convenção 169 da OIT.

As reuniões realizadas por técnicos da Funai nas aldeias indígenas possuem caráter meramente informativo e constituem parte dos Estudos de Impacto Ambiental. Todas elas foram gravadas em vídeos. Nas gravações os técnicos explicam aos índios que as consultas seriam feitas depois.

Ao afirmar, na referida nota, que “nas TIs Paquiçamba, Arara da Volta Grande do Xingu e Juruna do Km 17, vivem populações que passaram por processos de miscigenação, isto é, que se misturaram com população não indígena”, a Funai reforça a visão racista, ainda predominante na sociedade brasileira, sobre a existência de duas categorias indígenas, os índios puros e os índios misturados. Com essa distinção, de maneira sutil, o órgão insinua que na aplicação dos direitos indígenas poderia haver uma diferenciação, onde os primeiros, por serem puros, teriam mais direito do que os segundos.

Esse comportamento lembra o episódio ocorrido em 1980 quando a Funai tentou estabelecer os chamados “Critérios de Indianidade”, que definiam como indicadores da condição de indígena o indivíduo com “mentalidade primitiva, características biológicas, psíquicas e culturais indesejáveis, presença de mancha mongólica ou sacral, medidas antropométricas, desajustamento psíquico-social etc”. Graças à ampla mobilização dos povos indígenas e seus apoiadores a iniciativa foi frustrada.

O que chama a atenção é o fato dos referidos critérios também terem surgido como resposta do Governo brasileiro a uma demanda internacional. Na época, o então presidente da Funai, Nobre da Veiga, na condição de executor da tutela do Estado sobre os indígenas, tentou impedir que o líder Xavante, Mário Juruna, viajasse à Holanda para participar do IV Tribunal Russel, sob a alegação de que o indígena estava proibido de apresentar denúncia contra o Governo. A viagem somente foi possível após o julgamento, pelo Tribunal Federal de Recursos, de Habeas Corpus em favor de Mário Juruna, impetrado pelos advogados Paulo Machado Guimarães e José Geraldo de Sousa Júnior. Juruna ainda se encontrava na Holanda, quando numa atitude revanchista, a Funai divulgava no Brasil um documento de seis páginas com a descrição minuciosa dos “critérios de indianidade”.

Considerando-se o avanço ocorrido na legislação indigenista brasileira ao longo dos últimos 30 anos, sobretudo com a aprovação da Constituição Federal de 1988 e posteriormente a ratificação, pelo Estado brasileiro, da Convenção 169 da OIT, que reconhece aos índios o direito à auto-identificação, não se pode admitir que a Fundação Nacional do Índio faça uso de artifícios preconceituosos e discriminatórios, próprios do período ditatorial da história do Brasil.

O Conselho Indigenista Missionário repudia veementemente esse tipo de procedimento, que em nada contribui para o processo de mudança da mentalidade colonialista que ainda predomina no nosso país.

Brasília, 07 de abril de 2011.
Cimi - Conselho Indigenista Missionário

Senadora Marinor Brito representa contra o ex-deputado Jader Barbalho

 Senadora Marinor Brito em recente
audiência com procuradores do MPF
A senadora Marinor Brito, líder do PSOL no senado federal, protocola logo mais, às 10h30 na procuradoria do Ministério Público Federal, em Belém, representação contra o ex-deputado Jader Barbalho (PMDB).  
Na representação,  a parlamentar do PSOL solicita apuração de atos de improbidade administrativa cometidas pelo ex-deputado solicitando à procuradoria do MPF a incumbência de tomar todas as decisões cabíveis nas esferas: eleitoral, fiscal, tributária, enfim para proteger a sociedade paraense.
  A participação com cota de 50% do ex-deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) no STC (Sistema Tapajós de Comunicação), com matriz em Santarém (807 km de Belém) não consta dos 21 bens declarados pelo parlamentar à Justiça Eleitoral para o pleito de 2010, quando Barbalho se candidatou ao senado federal, disse o advogado da parlamentar, Pedro Cavalero.  
Segundo a peça jurídica,  elaborada por advogados da senadora, quando Jader omitiu que detém 50% do STC, ele, Jader, "cometeu ação criminosa". "E assim, mais uma vez, agiu provando a sua mais alta periculosidade em ter negócios e omitindo para a justiça eleitoral seus bens, com contratos de gaveta, assinados há anos atrás, mas somente apresentados perante os órgãos oficiais depois de 10 anos da realização do negócio, e o que é o mais grave disso tudo: a omissão do referido negócio, e concomitante seu bem perante a Justiça Eleitoral", afirma o documento.

Fonte: http://marinorbrito.blogspot.com

Leia mais: 
Dutra analisa interesse de Jader pela Globo.
Jader pagou R$ 28 mil por rádio e TV.
Emissora pode perder o sinal da TV Globo.
Jader se diz sócio de afiliada da Globo.
Luzes na disputa da afiliada da Globo

terça-feira, 12 de abril de 2011

Hoje acontece o Seminário Xingu Vivo para Sempre



Por Marcus Benedito

Este Seminário será uma extraordinária oportunidade para você, que ainda tem dúvida, e também para toda a sociedade que pensa no futuro e não aguenta mais ser roubada por esses 'grandes projetos' que só trazem destruição de nosso patrimônio cultural, ambiental, e social; deixando depois um rastro de doenças, fome, dor, desemprego, violência, exploração sexual da criança e do adolescente, violência contra a mulher; enfim, o caos social no Pará e na Amazônia.

Você precisa debater este, que pode ser um dos últimos patrimônios naturais do planeta, o único lugar no mundo onde ainda não se deu por completo o encontro do nativo com o homem branco, essa vastidão que nem o Avatar consegue exprir na ficção, pela sua magnitude e grandeza: o "Império Verde", como já então descrevia Frei Vicente do Salvador em fins do século XVII em sua História do Brasil (clique AQUI para lê-la), a Amazônia. 

Jamais imaginaria o nefasto invasor português, que ao ver o imenso Amazonas bem como seus caudalosos afluentes, o qual pela imponência e vastidão comparou aos oceanos, chamando de mar dulce, que um dia esses gigantes de vida e maravilhosidades, um dia estariam ameçados pela mesma lógica perversa que lá pelos 1500 os guiaram até aqui. 

Pois é, olhando para história, olhando para os marajoaras, tapajônicos e  outros grupos que existiram por aqui e que tem gente que diz que ninguém consegue explicar como foi que desapareceram, fica muito claro agora: basta olhar para as intervenções fundamentalmente desde Pombal até os destrutivos projetos do século XX com JK, Ditadura Militar, a qual também deixou como perversa herança o mesmo insano projeto e lógica capitalista de destruir, de nada preservar, e de muito enganar aos seus sucessores: Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma.

O "Império Verde", que antes era retalhado pelos portuga, e que depois nos entregaram à dívida com as libras esterlinas muito, muito mais cara e perversa, e mais um ou dois séculos não tardaríamos a cair nas garras da águia gringa do Norte...; infelizmente assim tem sido a sina do Brasil no mundo. E infelizmente o Brasil independente herdou a espreiteiza e safadeza mercantil e capitalista do Marquês de Pombal, e aplicou sua lógica de devastar sem querer saber quem por ali por aquela região do baixo Tocantins morava, nem mesmo se sua empresa de alguma forma afetaria a vida, a natureza, os "gentios", que por vezes, a Metrópole portuguesa aliada a sua Santa Inquisição, chamava-os de nada gentios: vide os inúmeros Autos da Devassa, por exemplo, praticados contra os índios das Nações Mura que viviam margeando o tocantins. Se alguém quizer, fale com o professor Antônio Maria no Goeldi da Perimetral sobre essas peças demoníacas que contra os índios eram vergonhosamente armadas para justificar seus apresamentos, quando não, a sua descarada execução. E tudo porque sempre buscavam avançar de forma predatória e devastadora sobre as terras indígenas.

Hoje os tribunais parecem mais civilizados. Mas é só aparência. Como vemos, em tudo regredimos. Os governos ditos "democráticos", ressuscitam projetos imponderáveis, absurdamente inviáveis e com comprovados impactos sobre o meio ambiente e as populações. Hoje o governo brasileiro continua coscientemente entregando a Amazônia e seus recursos de mão-beijada às grandes multinacionais estrangeiras. Ao Pará, o estado mais rico e igualmente explorado da região, cabe também os maiores e piores índices de desenvolvimento humano no Norte brasileiro.

Hoje o "rei" vem rapidinho à Província do Grão-Pará; basta pegar seu transcontinental e pousar em Val-De-Cães. A Vale do Rio Doce, e suas associadas, são quem de longe lideram o saque sobre nosso estado.

Não há um único 'grande projeto' na Amazônia que não ESTEJA CAUSANDO DESTRUIÇÃO À AMAZÕNIA, AO PARAENSE E SEU POVO! NÃO HÁ UM ÚNICO SEQUER! NENHUM! 

No rastro da Cargil em Santarém, dos Projetos no Rio Trombetas da Alcoa, das famigeradas usinas hidroelétricas do Governo Federal no Amazonas, Pará, Rondônia ou Acre, que não tenham trazido destruição das culturas, da diversidade de espécies nos rios e nas matas. Olhem para Serra do Navio no Amapá, do honorável bandido e presidente do Senado, José Sarney: um lugar moribundo e fantasma, desgraçadamente!

Depoismais de um século que o governo brasileiro começou uma grande e catastrófica obra de contrução no meio da  floresta amazônia, a estrada de ferro Madeira-Mamoré, que já virou até minissérie na televisão, e que levou do nada a lugar nenhum, apenas endividou enormemente o país, os mesmos problemas daquela empreitada se vêem nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento. E foi justamente no rio Madeira, esse rio encantado, que os operários viseram jus à sua história de lutas, não rasgaram a cartilha, e passaram por cima da burocracia sindical da CUT e Força Sindical, por estarem tão corrompidas, cooptadas pelo governo Lula/Dilma, e consequentemente distante dos interesses de sua base na selva sujeita aos gatos, mosquitos, malárias, péssimas condições de trabalho, tendo que tolerar a quebra de todas as convenções das Organização Mundial do Trabalho só para ter que sobreviver. Mas contra a moderna escravatura e a destruição da vida, os operários empacaram as duas maiores obras do em PAC em andamento em Rondônia: as UHE de Santo Antônio e Jirau, em um processo de mobilizações e resposta às condições desumanas oferecidas pelo Consórcio liderado pela contrutora Camargo Correa e pago com nosso dinheiro.

Continuamos sendo aviltados, e os nossos governantes aqui no Pará, são sócios nessa sórdida lógica de assaltar a região, os cofres públicos e distribuir mentiras, dor, fome, caos e miséria para a grande maioria.
No último século todos os senhores (e já neste, a única senhora) que governaram o Pará, administraram como, se o senhor do mato, fossem apenas. Verdadeiros traidores e algozes dos interesses da região, dos trabalhadores e do povo pobre. Aceitaram e ajudaram criminosamente a privatizar a Vale, e depois se curvaram diante de sua nada moderna colonização.

Chega de barragens demoníacas na Amazônia!

Viva a Volta Grande e suas riquezas vivos para sempre!

Viva o Xingu Vivo para Sempre!

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Veja a programação completa do Seminário logo após assistir aos vídeos:





Entender a dinâmica da região amazônica, seu povo, a floresta, o fluxo de seus rios, a flora e a fauna em seu conjunto, e como tudo isso se interliga em um sistema equilibrado, determinante para a existência da vida nesta imensa região, e no mundo, é tarefa obrigatória se queremos superar a destruição que o atual modelo de desenvolvimento, pautado na exploração dos recursos vegetais, minerais e hídricos, implementa.
Conhecer, compreender e agir são nossos únicos caminhos.

PROGRAMAÇÃO
8:30h – Abertura do Seminário
9:00h às 12:30h – Mesa 1: “Modelos energéticos e políticas de desenvolvimento para a Amazônia”
Moderador: Comitê Metropolitano Xingu Vivo
Palestrante: Francisco Del Moral Hernandez (USP)
Debatedores: Lúcio Flávio Pinto (Jornalista), Marinor Brito (Senadora/PSOL), Edmilson Rodrigues (Deputado Estadual/PSOL).

14:30h às 18:00h – Mesa 2: “Os diversos olhares sobre a luta contra as hidrelétricas na Amazônia”
Moderador: Comitê Metropolitano Xingu Vivo
Palestrante: Felício Pontes (MPF/PA)
Debatedores: Antonia Melo (MXVPS), Movimento de Pescadores(as) do Xingu, Movimento Indígena.

REALIZAÇÃO: XINGU VIVO PARA SEMPRE – COMITÊ METROPOLITANO

Apoio: Mandato da Senadora Marinor Brito, Mandato do Deputado Edmilson Rodrigues, UFPA, UEPA, CPT, FAOR.

Contatos: comitexinguvivo@hotmail.com

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A peãozada deu uma lição aos comissários

Por ELIO GASPARI

REAPARECEU NO MEIO da mata amazônica, dentro do canteiro de obras da Camargo Corrêa, o eterno conflito dos trabalhadores da fronteira econômica com as arbitrariedades e tungas a que são submetidos por grandes empreiteiros, pequenos empresários, gatos e vigaristas.

Num só dia, incendiaram-se 45 ônibus e um acampamento na obra da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Em poucos dias, a peãozada zangou-se também nos canteiros de Santo Antônio (RO), nas obras da Petrobras de Suape (PE) e em Pecém (CE). Ocorreram problemas até em Campinas (SP). Estima-se que entraram em greve 80 mil trabalhadores da construção civil. Esse setor da economia emprega 2,4 milhões de brasileiros.

Do nada (ou do tudo que fica escondido nas relações de trabalho nos acampamentos), estourou um dos maiores movimentos de trabalhadores das últimas décadas. Sem articulação, redes sociais ou ativismo político, apanhou o governo de surpresa. Assustado, ele mandou a tropa da Força Nacional de Segurança. Demorou uma semana para que o Planalto acordasse.

Numa época em que os sindicalistas andam de carro oficial, o representante da CUT foi a Rondônia com um discurso de patrão, dizendo que os trabalhadores não podiam parar uma obra do PAC. (Essa mesma central emitiu uma nota condenando o bombardeio da Líbia.)

Paulo Pereira da Silva, marquês da Força Sindical, disse que nenhuma das duas grandes centrais está habituada a lidar com multidões. De fato, nas obras de Jirau e Santo Antônio juntam-se 38 mil trabalhadores. Há sindicatos na área, mas eles mal lidam com as multidões dos associados. Disputam sobretudo o ervanário de R$ 1 milhão anual que rende a coleta do imposto sindical da patuleia.

As lideranças políticas e sindicais nascidas no rastro dos movimento de operários do final dos anos 70, quando pararam 200 mil trabalhadores no ABC por conta de um barbudo chamado Lula, mudaram de andar. Preocupados com a distribuição de cargos e de Bolsas Ditadura, esqueceram-se dos sujeitos que precisam da cesta básica.

Não perceberam que as mudanças sociais ocorridas no país haveriam de chegar aos alojamentos dos peões das grandes obras.

Ou as grandes empreiteiras se dão conta de que devem zelar pela qualidade e pelo cumprimento de seus contratos trabalhistas, ou marcas como a da Camargo Corrêa, da Odebrecht e da OAS ficarão marcadas pelas patas dos gatos que entram no recrutamento de seus trabalhadores.

Entre as reivindicações de Santo Antônio estava a instalação de banheiros exclusivos para mulheres. Alô, doutora Dilma.

Nenhuma dessas empresas foi fundada por um empreendedor genial nem tentou um empreendimento de ambição comparável à Fordlândia. Foi na matas da Amazônia que, no século passado, Henry Ford atolou seu projeto de extração e industrialização da borracha.

Maus modos, incompreensão e complexo de superioridade resultaram numa revolta que destruiu boa parte das instalações do empreendimento. Isso em dezembro de 1930. (As grandes empreiteiras deveriam obrigar seu diretores a ler "Fordlândia", do professor americano Greg Grandin.)

Felizmente os tempos mudaram, e a Força Nacional de Segurança disparou balas de borracha. Em 1996, diante dos sem-terra de Eldorado do Carajás, a PM paraense disparou tiros de verdade e matou 19 pessoas.

La rebelión obrera de Jirau


Hace más de 20 años que Brasil no vivía una explosión de luchas obreras como la que se registró en marzo en las megaobras del Programa de Aceleración del Crecimiento (PAC), el más ambicioso plan de modernización de la infraestructura desde la dictadura militar (1964-1985). Más de 80 mil obreros de la construcción civil se declararon en huelga luego de la rebelión de los que construyen la central hidroeléctrica de Jirau, en el estado de Rondonia, sobre el río Madera, en plena selva cerca de la frontera con Bolivia.

La tarde del 15 de marzo parte de los 20 mil trabajadores incendiaron las instalaciones de la multinacional brasileña Camargo Correa, quemaron entre 45 y 80 autobuses según las diversas fuentes, los dormitorios de los encargados e ingenieros, oficinas y cajeros automáticos. La “revuelta de los peones”, como ha sido bautizada, es una formidable respuesta a las miserables condiciones de trabajo y a la sobrexplotación que sufren los trabajadores. Llegan desde los más pobres rincones del país, sobre todo del noreste y el norte, muchas veces engañados por los “gatos” (contratistas intermediarios), que les pintan un panorama irreal.

Al llegar a Porto Velho, capital de Rondonia, ya están endeudados. Son trasladados a barracones superpoblados cerca de las obras, muchas veces deben dormir en colchones en el suelo, trabajan bajo presión porque las constructoras se comprometieron a terminar las obras en tiempo récord. Ganan apenas mil reales por mes (600 dólares), deben comprar los alimentos y las medicinas en comercios de las empresas a precios abusivos, pierden mucho tiempo haciendo largas filas a la hora del almuerzo y en los largos traslados de los dormitorios a las obras. Y sufren la prepotencia, y los golpes, de encargados y vigilantes en el aislamiento de la selva amazónica.

Por eso los colectivos que acompañan sus luchas dicen que fue una revuelta por la dignidad más que por el salario. Las empresas los tratan con el mismo desprecio que emplearon durante el régimen militar, cuando varias de ellas dieron los primeros pasos en la construcción de grandes obras en la Amazonia. Pero esta vez se encontraron frente a nuevas camadas de obreros, que tienen mayor autonomía, autoestima y formación que sus padres. No están dispuestos a tolerar la brutalidad de las multinacionales brasileñas, que ganan miles de millones, y violan la legislación ambiental y laboral en un acelerado proceso de acumulación de capital.

Días después de la revuelta en la central de Jirau, comenzó un huelga de los 17 mil obreros de San Antonio, la otra planta sobre el río Madera que construye un consorcio liderado por Odebrecht cerca de Porto Velho, a unos 150 kilómetros de Jirau. También se lanzaron a la huelga los 20 mil trabajadores de la refinería Abreu e Lima en Pernambuco, otros 14 mil en la petroquímica Suape en la misma ciudad, y 5 mil en Pecém, en Ceará, todas obras del PAC. En total, unos 80 mil obreros pusieron en negro sobre blanco las contradicciones del ambicioso proyecto de convertir a Brasil en potencia global.

En las grandes obras del PAC las muertes en el trabajo superan el promedio mundial pese a que las construyen empresas multinacionales. La construcción civil brasileña tiene una tasa de 23.8 muertos por cada 100 mil empleados, y las obras del PAC, de 19.7. En Estados Unidos es de 10 por 100 mil, en España de 10.6 y en Canadá de 8.7. La cifra es demasiado alta aunque las grandes constructoras tienen tecnología suficiente para proteger a los trabajadores. En las obras de Jirau y San Antonio se ha denunciado la existencia de epidemias expandidas por el clima y las agotadoras jornadas de trabajo.

La reacción del gobierno de Dilma Rousseff fue enviar 600 policías militares e instar a las empresas a negociar mejores condiciones de trabajo. Brasil necesita incrementar la producción de energía eléctrica, como sucede con todos los países emergentes. La planta de Jirau producirá 3 mil 350 MW y San Antonio 3 mil 150 MW. El objetivo es aumentar en 65 por ciento el aprovechamiento de los ríos amazónicos. El Plan Nacional de Energía se propone alcanzar los 126 mil MW de hidroelectricidad, frente a los actuales 75 mil 500 MW que producen las represas, lo que supone duplicar el potencial hidroeléctrico en las cuencas del Amazonas y el Tocantins.

Es imposible alcanzar esas metass sin generar un terremoto social entre los obreros de la construcción y en las poblaciones amazónicas. Desde que se iniciaron las obras, hace dos años, en Porto Velho la población creció 12 por ciento, la malaria 63 por ciento, los homicidios 44 por ciento y los abusos a menores 76 por ciento (por la difusión de la prostitución, según la Pastoral del Migrante de Rondonia). En septiembre de 2009 el Ministerio de Trabajo liberó a 38 personas que trabajaban en situación de esclavitud y en junio de 2010 constató 330 infracciones en la obra de Jirau.

Los empresarios y los sindicatos coincidieron en que “no hay líderes, no hay con quién negociar”. Las grandes centrales, CUT y Força Sindical, tienen problemas para disciplinar a tantos trabajadores concentrados en grandes obras. Más de 20 días después de la revuelta la obra de Jirau sigue paralizada y los destrozos están lejos de haber sido reparados. En las demás obras las empresas concedieron pequeños aumentos y algunas mejoras en la alimentación, aunque los movimientos que apoyan a los obreros (sin tierra, afectados por las represas, indígenas) han dicho que esta película recién empieza.

En efecto, aún faltan las grandes obras para la Copa del Mundo de 2014 y las Olimpiadas de 2016, además de la gigantesca central de Belo Monte, también en la región amazónica, entre las más destacadas. Aunque la revuelta obrera de Jirau no es la primera, el año pasado hubo otra de menor intensidad en San Antonio, ha sido la más potente y la que mayor impacto tuvo en la joven clase obrera de la construcción. Desde muy abajo, una camada de trabajadores está enviando un potente mensaje: no se puede construir el “Brasil potencia” sobre las espaldas de los oprimidos.

Desembargador Milton Nobre, membro do CNJ, tenta calar A Perereca da Vizinha

Do Jornal Pessoal de Lúcio Flávio Pinto:

Juíza cala blog para atender o "mais igual"

No dia 22 a jornalista Ana Célia Pinheiro da Costa recebeu uma intimação da juíza da 1ª vara do juizado especial cível de Belém, Danielle Silveira Bürhein. Era para suprimir de seu blog, A Perereca da Vizinha, a íntegra da publicação que havia postado no dia 11, "até a sentença de mérito". Não cumprindo a ordem, sofreria multa diária de 3 mil reais.
Além disso, devia se abster "de fazer nova publicação, bem como qualquer alusão, menção ou ilação à imagem e ao nome" do autor da ação cível proposta contra a jornalista, o desembargador Milton Augusto de Brito Nobre, que também integra o Conselho Nacional de Justiça. (...)

Assim, a justiça impôs censura prévia ao blog de Ana Célia Pinheiro em tudo que diga respeito ao ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Em tese, nem elogiar o personagem a blogueira pode depois do despacho.(...)
(...) A jornalista questionou a moralidade de um contrato de um imóvel do conselheiro do CNJ com o Estado e da contratação do seu filho pela procuradoria do município de Belém. (...)
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Para ler a íntegra do artigo de Lúcio Flávio Pinto sobre mais este episódio triste de censura e de permanência das posturas autoritárias herdadas da Ditadura Militar em nossa nada nobre Justiça, vá à uma banca de revista mais próxima aqui em Belém e compre por apenas R$ 3,00 o Jornal Pessoal.

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Do Blog do Barata, outro jornalista paraense sob censura por determinação das juízas Luana Santalices e Tânia Batistello:

MILTON NOBRE – Conflito de interesses


Internauta que se apresenta sob o codinome Cidadão Paraense adverte-me sobre a prorrogação do contrato de aluguel do casarão localizado na travessa Apinagés, nº 270, de propriedade do desembargador Milton Augusto de Brito Nobre, o magistrado paraense que integra o CNJ, o Conselho Nacional de Justiça. O imóvel foi alugado pelo governo do Pará, para abrigar unidades da Sead, a Secretaria de Estado de Administração, por R$ 40.245,82 mensais, em um contrato que se estenderá de 1º de abril de 2011 a 12 de setembro de 2011.

A situação configura um claro conflito de interesses. Trata-se de um conflito de interesses que conspira, particularmente, contra o desembargador Milton Nobre. Diante da situação, soa inevitável a ilação segundo a qual Nobre possa ser beneficiário de si mesmo. Seu status profissional sugere, fatalmente, que tenha sido beneficiário do tráfico de influência. Afinal, como magistrado, a ele cabe dirimir, frequentemente, contenciosos que envolvem o Executivo, que no caso é o locatário. Melhor seria, pela sua própria condição de magistrado, manter-se à margem de situações como essa, que sugerem a promiscuidade entre o público e o privado, tão a gosto da cultura patrimonialista.
Segue, abaixo, o termo aditivo.  

TERMO ADITIVO A CONTRATO

NÚMERO DE PUBLICAÇÃO: 217838
ERRATA DA PUBLICAÇÃO: 217486
TERMO ADITIVO: 11
Data de Assinatura: 28/03/2011
Valor: 40.245,82
Vigência: 01/04/2011 a 12/09/2011
Justificativa: Prorrogação de prazo contratual da locação do imóvel situado na Trav. Apinagés, 270, para funcionamento de unidades organizacionais da SEAD.
Contrato: 2006-017
Exercício: 2011
Orçamento: Programa de Trabalho Natureza da Despesa Fonte do Recurso
Origem do Recurso
13122012545340000 339036 0101000000
Estadual
Contratado: Milton Augusto de Brito Nobre
Endereço: R dos Caripunas, Bairro: Jurunas, 1399
CEP. 66033-230 - Belém/PA
Telefone: 0000000000
Ordenador: ALICE VIANA SOARES MONTEIRO

DOEPA, 04-04-2011, CADERNO 1, PÁGINA 8

Artistas contra Belo Monte

Por Rodolfo Salm*

Estava tudo certo para ser tranqüilo o doutoramento "honoris causa" do ex-presidente Lula pela Universidade de Coimbra. Mas um grupo de estudantes portugueses e brasileiros  (foto ao lado) conseguiu causar-lhe algum constrangimento ao recebê-lo com faixas de protesto contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte no Xingu: "Em defesa da Amazônia - Dilma pare a barragem de Belo Monte" era o que se lia numa faixa que colocaram à porta da universidade, segundo divulgou a Agência Lusa, em uma nota que falava que ele e Dilma foram recebidos sob gritos de que "água e energia não são mercadoria" (um dos motes preferidos das manifestações aqui em Altamira).
 
Os manifestantes conseguiram entregar-lhes um folheto com questionamentos sobre a barragem. Pode-se dizer que era uma manifestação nanica, ignorada pela imprensa brasileira, mas aqueles estudantes se colocaram muito apropriadamente como examinadores da "obra" do nosso ex-presidente, que lhe permitiu sentar entre os "sábios" da academia portuguesa. De tudo o que ele fez nesses oito anos, o que lhes pareceu mais relevante (e digno de protesto) foi plantar a semente desta obra desastrosa no coração da floresta amazônica. As obras da barragem mal começaram e a campanha pela sua paralisação vem ganhando cada vez mais adeptos, com mais e mais visibilidade.
 
Esteve de passagem por Altamira no ultimo dia 23 de março o astro de Hollywood e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, que a convite do cineasta James Cameron e do líder Kayapó Raoni sobrevoou o Rio Xingu e conversou com índios preocupados com a construção de Belo Monte. Os dois participavam do Fórum Mundial de Sustentabilidade, que ocorria em Manaus, onde o ex-presidente norte-americano Bill Clinton também manifestou sua preocupação com relação à hidrelétrica.
 
No ano passado, a atriz Sigourney Weaver também veio à cidade e eu fiz questão de ir à beira do rio enquanto ela saía em uma expedição para se encontrar com os índios, para agradecer sua participação na luta contra a barragem. James Cameron, que disse que vai filmar um documentário sobre Belo Monte, recentemente tornou-se o principal interlocutor internacional dos movimentos de resistência à barragem, ocupando mais ou menos o mesmo papel que o roqueiro britânico Sting desempenhou no fim dos anos 1990, quando este velho projeto da ditadura militar ressurgiu.
 
A participação dos artistas estrangeiros na campanha contra Belo Monte é muito bem-vinda, principalmente devido à extrema dificuldade dos críticos deste projeto para falar em larga escala sobre os vários aspectos da tragédia que significaria e efetivação da obra, devido à dificuldade de acesso à grande imprensa nacional. Mas é evidente que a ajuda dos estrangeiros vem despertando as mais iradas reações xenófobas e falsamente nacionalistas.
 
No artigo "Qual o mistério por trás do Belo Monte?", publicado no Monitor Mercantil de 25 de fevereiro de 2011, por exemplo, Osvaldo Nobre se queixa da campanha das celebridades internacionais contra a barragem. E de "outros, menos badalados (...) e com raras exceções, sem nenhum vínculo com a nacionalidade brasileira ou com a nossa soberania". Realmente, é vergonhosa a complacência da maior parte da nossa intelectualidade e classe artística diante da tragédia que neste momento se arma na Região Amazônica.
 
Mas há cada vez mais "exceções". Como, por exemplo, a brasileiríssima (e paraense!) atriz Dira Paes, que narrou a versão em português do filme "
 
Defendendo os Rios da Amazônia", cuja versão em inglês fora narrada por Sigourney Weaver (Defending the Rivers of the Amazon).
 
Também merecem destaque as manifestações de Marcos Palmeira ("Sou contra a usina de Belo Monte pelo impacto que vai causar na região, além de não ser a solução para a nossa energia. Tínhamos o Xingu como marco da preservação no Brasil e agora o ‘progresso’ chegou de vez para poluir a região e aumentar o desequilíbrio ambiental, causando mais pobreza e desigualdade!"); Letícia Spiller ("Não se pode usar como álibi o progresso, quando milhares de pessoas estão morrendo por negligenciarem o desmatamento e a mudança do curso de rios"); Christiane Torloni ("Fico preocupada com Belo Monte. Será que é uma obra de que o mundo precisa?"); e Victor Fasano ("Sou contra Belo Monte, pois sou contra a destruição de qualquer floresta, destruição de qualquer população indígena e sua cultura, contra a ignorância de alguns governantes que afirmam de peito estufado que temos o direito de destruir nosso meio ambiente porque ele é nosso, nos pertence"). Osvaldo Nobre há de admitir que temos um elenco e tanto (clique aqui para ver todos os depoimentos na íntegra).
 
A polêmica acerca da construção da barragem de Belo Monte segue esquentando. Ainda mais agora que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos solicitou oficialmente a suspensão da obra pela falta de "prévia, livre, informada, de boa-fé e culturalmente adequada" consulta dos povos indígenas. Que é legalmente uma violação de direitos humanos. Mas a situação já se tornou explosiva nas obras das hidrelétricas do Rio Madeira, onde operários amotinados recentemente tacaram fogo em dezenas de ônibus em seus alojamentos, reivindicando melhorias nas suas condições de trabalho. A mesma situação caótica está se armando em Altamira.
 
Enquanto, no imaginário popular, o rio Madeira é uma fronteira distante a ser colonizada, como observou Marcos Palmeira, o Xingu é um "marco da preservação no Brasil". "Qual o mistério por trás do Belo Monte?", pergunta o artigo xenófobo do Monitor Mercantil. A resposta está justamente nas cachoeiras da Volta Grande, que historicamente impediram a navegação rio-acima dos colonizadores, permitindo a preservação de uma quantidade imensa e única de povos indígenas e de florestas em todo o mundo.
 
Cachoeiras que pretendem destruir com Belo Monte em nome da produção de energia barata para empresas multinacionais. Assim, chegam a ser ridículos os defensores da barragem falando pela "nacionalidade brasileira" e "soberania". Como os estudantes da Universidade de Coimbra (muito mais conscientes que os seus professores) deixaram bem claro, a luta pela vida ou a morte do Xingu é o grande drama do nosso tempo. A montagem do grande elenco já começou.
 
*Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Altamira, e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte.

sábado, 9 de abril de 2011

Informes sobre Belo Monte

Últimas Novidades

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Belo Monte: acompanhe a letra de uma tragédia anunciada

Sobradinho

Composição : Sá e Guarabyra

O homem chega, já desfaz a natureza
Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá pra cima da Bahia
Diz que dia menos dia vai subir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o Sertão ia alagar

O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum dia o mar também vire sertão

Adeus Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o gaiola vai, vai subir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai-se embora com medo de se afogar.

Remanso, Casa Nova, Sento-Sé
Pilão Arcado, Sobradinho
Adeus, Adeus ..

Vídeo: Infoproletários diante da crise do capital

Nesse vídeo feito em Portugal pelo sítio esquerda.net, o professor da Unicamp Ricardo Antunes vai defender a tese que está em seu livro de que a crise estrutural do capitalismo é de tal intensidade que a classe trabalhadora, e as  demais forças que vivem do trabalho, se levantam nas mais diversas rebeliões no mundo e se apresentam como substrato decisivo para superar a crise do capital, colocando na ordem do dia a batalha pelo socialismo no século XXI. 

Vale a pena refletir sobre suas palavras!

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Ricardo Antunes, sociólogo do Trabalho, veio a Portugal lançar o livro "Infoproletários" e explicou ao esquerda.net as transformações em curso nas relações laborais e nas lutas dos trabalhadores nos dias de hoje.

Realengo: em tempos de barbárie vale mais a prevenção

O que é o Bullying?

        Segue alguns conceitos sobre o bullying citados por vários pesquisadores no mundo que podem melhorar o entendimento deste fenômeno destrutivo que atinge milhares de pessoas que fazem parte não só da comunidade escolar. Afinal, as agressões não atinge com  exclusividade os alunos. Atinge pais, professores, alunos e toda a sociedade. Está na hora de darmos um basta a esse conjunto de aitudes violentas, repetitivas e cruéis. 
  • "Bullying é a agressão repetida, verbal, psicológica ou física, conduzida por um indivíduo ou grupo contra outro"  Departamento de Educação - Diretrizes de Combate ao Bullying em Escolas Primárias e pós-primárias  (Dublin: 1993)
  • "Ação de colocar apelidos, ofender, zoar, gozar, encarnar, sacanear, humilhar, fazer sofrer, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, chutar, empurra, ferir, roubar e quebrar pertences." ABRAPIA – Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção á Infância e á Adolescência.
  • "O bullying é um problema comportamental que afeta a vida de milhares de crianças em idade escolar e suas famílias. A humilhação, medo, frustração e isolamento social e perda da auto-estima que as crianças experimentam quando intimidadas resultam em evasão escolar, deterioração da escola, mudança de personalidade, a depressão e, infelizmente, o suicídio. Bullying não conhece limites de idade, sexo ou contexto socio-económico. Ele pode assumir muitas formas, o prazo pode ser curto ou continuar por longos períodos, até mesmo anos." Centro Anti-Bullying , 'Bullying na escola: Fatos' (Dublin: 2001) 
  • "O comportamento cruel e abusivo que é persistente e generalizado e que causa sofrimento aos indivíduos, de maneira grave e permanente" K. Rigby, "Bullying nas Escolas e O que fazer Sobre Isto" (Londres: Kingsley, 1997) 
  • "Incidentes isolados de comportamento agressivo, enquanto indicação de um problema que precisa ser resolvido, não se constituem bullying. No entanto, quando existe um desequilíbrio e abuso de poder e o comportamento é sistemático e permanente, alí sim temos o bullying" Sticks and Stones Theatre Company Handbook, (Lisboa: 1995)
  • "Bullying pode causar dano físico, mental, psicológico, emocional e mental para uma pessoa ou grupo. É um tratamento premeditado, penetrante, persistente e cruel com a intenção de ferir ou prejudicar, e ainda é apreciado pelo autor do bullying. "  David Fitzgerald, 'Bullying nas nossas escolas; Compreender e enfrentar o problema' (Dublin: 1999)
Fonte: Blog Garagem Social - juntos por uma terra sem bullying