segunda-feira, 21 de junho de 2010

Honduras: escalada de crimes praticados por ditadura

Enquanto a Copa rola, inebriando e entorpecendo todas as atenções do mundo; a crise econômica da Europa e as crises afins no mundo não esperam para acontecer. Exemplo disso é a escalada de violência que tem assombrado Honduras desde um golpe militar no ano passado, apoiado diretamente pelo imperialismo ianque.

Centenas e centenas de pessoas que reclamam por democracia e tem coletado milhares de assinaturas em todo o país pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte livre e soberana, tem sido assassinados e presos pelo governo golpista daquele país.

Chamamos a atenção das entidades dos movimentos sociais e de defesa dos direitos humanos para esses crimes. A grande mídia burguesa e mentirosa não mostra, mas em defesa da vida, Além da Frase não deixa passar em branco. As cenas são fortes, por isso peço desculpas, mas como tal qual no sítio original, as mantive, pois são essenciais para chamar a atenção para esses terríveis crimes. Barack Obama e Lula mantém um abominável silêncio solidário aos que praticam as atrocidades relatadas.

Toda apoio ao povo hondurenho! Todo apoio aos que lutam em defesa da vida e da democracia! (MB)
___________________________________________________________
Militares y policías asesinan a campesino hondureño y capturan a seis

El campesino Oscar Geovanny Ramírez (16) fue asesinado y cinco más detenidos en un operativo violento que realizó la policía y el ejército, en la Cooperativa La Aurora, del Movimiento Campesino Unificado del Aguán, MUCA, este domingo 20 de junio, entre las 9:30 a 10:00 de la mañana.

El campesino Oscar Geovanny Ramírez (16) fue asesinado y cinco más detenidos en un operativo violento que realizó la policía y el ejército, en la Cooperativa La Aurora, del Movimiento Campesino Unificado del Aguán, MUCA, este domingo 20 de junio, entre las 9:30 a 10:00 de la mañana.

La Cooperativa La Aurora, es una de las 24 del MUCA con las que el régimen de Porfirio Lobo, firmó un compromiso el 17 de abril de este año para solventar el problema de la tierra, la cual es estatal pero que es reclamada ilegalmente por los terratenientes Miguel Facussé, René Morales y Reinaldo Canales. Sin embargo, a pesar de ese acuerdo, la militarización en el Bajo Aguán no ha cesado, las denuncias de la utilización de policías y militares que están dentro de algunas fincas, están documentadas con fotografías.

Según información proporcionada por Esly Banegas, Coordinadora de la Coordinadora de Organizaciones Populares del Aguán, COPA y del Frente Nacional de Resistencia regional del Aguán, los afectados le informaron que los militares y policías llegaron en dos patrullas, una de ellas era la número 51 de la Policía Nacional Preventiva y desde que se bajaron de las mismas dispararon a mansalva contra los campesinos.

Hasta hace una hora, el cuerpo del joven Oscar Geovanny Ramírez, permanecía en la tierra donde se ubica la Cooperativa La Aurora, que está localizada a unos ocho kilómetros de Tocoa, Colón. Aún las autoridades no han llegado a hacer el reconocimiento de Ley.

Mientras tanto en la jefatura policial de Tocoa, Colón está detenidos Jairo Rubén Murillo Gutiérrez (21), Miguel Ángel Ramírez Reyes (28), José María García, Jaime Noel Ramos Ramírez (16), quienes fueron capturados y acusados de portación ilegal de armas y asociación ilícita, sin presentar pruebas sobre el delito que se les imputa a los labriegos .

Los agentes de policía y militares disparaban a matar, aparte de Ramírez pudieron haber matado a Jairo Rubén Murillo, que estaba junto a su esposa que está embarazada, pero que escapó de las balas al lanzarse a tierra.

Desde diciembre de 2009, las cooperativas afiliadas al MUCA decidieron recuperar su tierra, pero a la par la represión de los terratenientes en apoyo de los cuerpos armados del Estado hondureño, ha dejado unos ocho campesinos muertes, decenas de perseguidos y amenazados a muerte. Con la firma del compromiso del régimen se creía que la represión se iba a detener y la militarización cesaría, pero las cosas no han sido fáciles para más de tres mil familias que confiaron en el acuerdo.

A mediados de esta semana, el MUCA informó en conferencia de prensa, la voracidad del empresario y terrateniente Miguel Facussé que pretende cobrar por cada hectárea de tierra el triple del valor, o sea 250 mil lempiras, pero en realidad el costo es de 90 mil.

Los campesinos también creyeron que las incursiones armadas también ya serían tema del pasado, no obstante con este nuevo hecho violento, hay varias preguntan que el régimen de Porfirio Lobo debería responder.

A la par de todo esto, en los medios corporativos al servicio de los terratenientes se ha llevado a cabo una campaña para hacer parecer que de concretarse el acuerdo afectaría a otras familias, para lo cual se anunció que Miguel Facussé cesantearía a 500 trabajadores que están en los predios reclamados por MUCA.

La organización FIAN Internacional-Sección Honduras se pronunció al respecto y condenó los hechos, "Enfrentamos la historia de nunca acabar. Sigue el asesinato, la persecución y diferentes agresiones físicas y sicológicas. Cuando las 24 organizaciones campesinas afiliadas a MUCA suscribieron el convenio con el régimen de Porfirio Lobo Sosa entendieron que terminarían las agresiones de la policía y de particulares armados, pero los hechos actuales desdicen tal creencia.

Recordamos que esas 24 organizaciones de MUCA, cumpliendo con el acuerdo, se retiraron de igual número de fincas y se concentraron en cinco (La Lempira, La Confianza, La Aurora, La Concepción y Camarones) mientras se les entregan las restantes hasta completar las 11 mil hectáreas convenidas. Con lo que no queda duda que el incumplimiento viene del régimen de Lobo Sosa, señaló el comunicado difundido este mismo domingo.

En tanto, los operadores de justicia del Estado, no se han pronunciado hasta la fecha sobre el asesinato de campesinos que pertenecen al MUCA, ya que todos sus esfuerzos están encaminados en perseguir a los opositores al golpe de Estado militar que se ejecutó hace un año.

Cortesía de: defensoresenlinea.com

Fuente: ellibertador.hn


Publicado por Honduras en lucha! en 12:45

Sobre a crise petista no Maranhão


Somos solidários aos petistas que não se curvam para Sarney e sua máfia!

A imposição da aliança com Roseana Sarney produziu uma forte resistência no PT do Maranhão. 50% do Partido é contra o sarneysmo da direção nacional. Isso explica a greve de fome do deputado Domingos Dutra, Teresinha Fernandes e de Manoel da Conceição. Este último é um dos lendários fundadores do PT.

Há uma grande bronca na base que se verificam em vigílias, notas públicas e pronunciamentos na assembléia legislativa.

A maioria dos petistas deseja votar contra Roseana (PMDB, Ex-DEM), utilizando a chapa de Flavio Dino (PC do B). Essa política foi deliberada no encontro estadual do Partido. A ala anti-sarney conseguiu maioria no encontro pois houve um racha no campo majoritário. Essa votação enfrentou a máquina da direção petista e o peso do aparato sarneysta, que tentou comprar o voto de delegados com cargos e ofertas de até R$ 40 mil.

No entanto, o diretório nacional do PT anulou o encontro. Não houve contestação da validade do evento. A decisão foi política, numa clara intervenção em favor da reeleição do clã Sarney, que reina no estado desde os anos 60 do século passado.

É importante ressaltar que o apoio desconsidera que o PT integrou uma frente que questionou a posse de Roseana Sarney após a justiça determinar a cassação de Jackson Lago do PDT. O governo atual é ilegítimo, pois deveriam ter ocorrido novas eleições no estado.

A direção destruiu a democracia interna

O desrespeito ao encontro de base do Maranhão, infelizmente não é um fato isolado. Em MG, por exemplo, o PT realizou uma previa com milhares de votantes, tendo como vencedor Fernando Pimentel, ex-prefeito de BH. No entanto, a direção do partido impôs a aliança com o PMDB. Isso motivou o descontentamento de muitos petistas e a desfiliação de Sandra Starling, uma das fundadoras do Partido.

Em Pernambuco, a participação no governo de Eduardo Campos, fez a direção dar um golpe no encontro estadual. A base aprovou moção condenando medida do governador do PSB, que reduz o salário dos trabalhadores na educação. No entanto, após algumas horas, no momento previsto para um ato político, o Encontro foi burocraticamente reinstalado e a decisão foi revogada por meio de uma ordem.

Agora no PT já não importa a decisão da base ou os direitos dos trabalhadores. O que realmente importa são os cálculos eleitorais.

Esse processo começou com o fim dos núcleos de base, passou pelo fim da escolha da direção nos encontros e culminou no desrespeito ao programa do congresso de Olinda substituído pela carta ao povo brasileiro, elaborada por fora das instâncias do PT. Um dos pontos altos desse giro autoritário, impondo as decisões de cima pra baixo, foram as expulsões de Heloisa Helena, Babá, Luciana Genro e João Fontes, em 2003. Nesse último caso, gerou a fundação do PSOL, aglutinando setores Petistas e da Esquerda que se negavam a abandonar a plataforma fundacional do PT. Nosso partido se orgulha de contar em suas fileiras com inúmeros dos ex-dirigentes do PT do RJ que enfrentaram a intervenção nacional de 1998, quando se cassou a candidatura própria para impor o acordo com Garotinho.

Em todo esse processo, infelizmente a direção do PT atua com a concordância de Lula e Dilma. Agora mesmo, Genoino, Ricardo Berzoini e Cândido Vaccarezza, lideram a ala pró-Sarney, em Brasília, contra Domingos Dutra e de Manoel da Conceição com apoio do presidente e sua candidata.

O PT é refém de Sarney

Em nível nacional o PT se tornou refém de Sarney e do PMDB. Lula, pessoalmente comandou a operação abafa, quando Sarney esteve prestes a cair da presidência do Senado, dando sobrevida ao sarneysmo. O apoio do PT no episódio dos atos secretos que incriminavam Sarney custou caro, pois a bancada do PT teve que acatar a linha ditada por Lula e perdeu Marina Silva e Fernando Arns.

A aliança com os Sarney é tão profunda, que no congresso nacional Roseana foi líder do governo do PT até 2009, antes de assumir o posto de governadora do MA.

O PT esta tão entregue ao PMDB que o partido de Sarney nem sequer tem que retribuir os apoios nos estados onde o PT está melhores condições. Em outros, como em SP, terra de Michel Temer, o vice de Dilma, o PMDB é diretamente pró-tucano.

O PT do Maranhão, ao coligar-se com o PMDB, vai revitalizar uma das piores oligarquias do país. Porém, o PT já fez isso anos atrás, em SP, na aliança com Maluf. Outro exemplo é o PA, onde a aliança com Jader Barbalho foi tão boa para o PMDB que eles discutem a possibilidade de lançar candidatura própria contra Ana Júlia.

O fim da democracia se explica pelo projeto político

No governo Lula aplica-se uma política privatista. O ministério da Agricultura é comandado pelo PMDB em favor do agronegócio. Na comunicação pretende-se privatizar os Correios, ao transformá-lo em Sociedade Anônima , sendo Helio Costa, do PMDB-MG, é um dos mais entusiastas defensores da Medida. Assim como o Ministro Jobim quer privatizar a Infraero. O Banco Central foi entregue para Henrique Meireles, ex-PSDB e hoje no PMDB. O giro do PT para a defesa desse projeto, que já foi aplicado pelo PSDB/PMDB, impõe o autoritarismo da direção. Toda metodologia de condução partidária está sempre vinculada a uma política e a um programa.

Não se trata de problema causado pela coalização com o PMDB como dizem setores do PT. Ministérios comandados por Petistas aplicam medidas semelhantes às de FHC. Paulo Bernardo, no MPOG, com o PL 549, pretende impor congelamento salarial por 10 anos aos servidores. A coalização com o PMDB somente é possível porque o PT mudou completamente seu programa, em muitos casos chocando-se com sua antiga base social. O deputado Domingos Dutra, em discurso emocionado, fala das dificuldades de votar 100% com o governo, pois diz que todo dia recebe “mensagem dos aposentados me esculhambando, porque votei no fator previdenciário”. O fator previdenciário criado por FHC/PSDB, com o qual hoje o PT e Lula hoje concordam. Hoje, seguir no PT significa votar, continuamente, em projetos tucanos.

O outro fator é a conversão do PT ao jogo do Poder e sua integração as instituições do Regime. Um dos únicos argumentos da ala majoritária para impor a coligação com Roseana, são os 2 milhões de votos que Dilma poderia conseguir colando-se na família Sarney no Maranhão. Nada diferente do velho toma-lá-dá-cá da política tradicional. Anteriormente vimos que o PT se enrolou no primeiro mandato com o esquema de compra de votos para garantir a aprovação de seus projetos no Congresso nacional. Esse processo, denunciado em 2005, gerou uma segunda onda de rupturas com o PT que entrou no PSOL.

As movimentações da direção são para enterrar o PT, consolidado Lula como uma figura acima dos partidos, esperando a eleição de 2014. Uma coisa eles já conseguiram: enterrar as bandeiras históricas e a metodologia do PT dos anos 1980. A direção do PT segue os mesmo passos do PMDB, que nasceu com uma cara combativa e terminou sendo o sustentáculo regional de todos os partidos que ocupam o palácio do planalto. A diferença é que o PT quer manter o poder central aliando-se com quem quer que seja nos estados.

Unidos contra o governo dos Sarney!

Em primeiro lugar apoiamos todas as lutas travadas pelos companheiros do PT que não se curvam a esse processo. Discordamos de setores do PT que são contra a greve de fome ou do que dizem que a decisão do diretório nacional é “juridicamente legitima”. Na prática uma posição como essa leva a uma rendição. Sabemos que a situação é difícil, pois a direção do partido empurra para fora todos os que pensam diferente. No momento a ala anti-Sarney sofre um processo camuflado de expulsão e seus direitos democráticos são retirados. Em todo o país os petistas que não se curvam estão sendo pisoteados pela direção. Sem dúvida, com a mobilização da base maranhenses juntamente com a greve de fome das lideranças arrancou o direito de fazer campanha para Flavio Dino, apesar da coligação com Roseana. No entanto a polarização interna ainda seguirá, pois o PT se divide em dois grupos divergentes no estado.

Do ponto de vista das eleições em nosso estado, o PC do B, colhe os resultados da eleição passada, onde encabeçou a chapa que foi ao segundo turno na capital. Flavio Dino capitaliza hoje o descontentamento contra os Sarney. De nossa parte chamamos atenção para o fato de que o PC do B já esteve no governo de Roseana Sarney sem nenhum constrangimento político ou ideológico. Além disso, o PC do B foi um dos partidos que mais defendeu Sarney durante a crise do senado. Por isso, no MA, o PSOL esta fazendo esforços para que se concretize uma frente de esquerda com PSTU e PCB.

O PSOL nasceu com a convicção de que era necessário e possível construir uma esquerda socialista e democrática, como uma trincheira a todos os que querem lutar. Sabemos que o PSOL estará aberto a um dialogo assim que os companheiros, que hora se encontram em uma dura batalha, julgarem que é o momento apropriado. Sabemos que o PSOL estará de portas abertas, caso os companheiros que já saíram do PT decidam construir outra alternativa a esquerda do governo Lula.

Em nível nacional sabemos que os companheiros ainda seguem com Dilma e que estaremos separados no processo eleitoral, pois nós do PSOL vamos com Plínio de Arruda Sampaio, histórico defensor da Reforma Agrária. De todas as formas, desde agora, propomos uma agenda comum de debates sobre o futuro da esquerda no Maranhão e nos demais estados.

Por outro lado, há uma grande probabilidade de que Roseana, com a máquina nas mãos, garanta sua reeleição. Esperamos que nesse cenário, possamos estar juntos combatendo de forma classista, nas ruas, juntos mais um possível mandato sarneysta.


CST-Maranhão.

Corrente Socialista dos Trabalhadores – Tendência interna do PSOL/MA

Contato: Denise Albuquerque – Executiva Estadual do PSOL MA

Fone: 98 - 88042811

Foto de Manoel da Conceição - petista histórico que fez greve de fome contra aliança do PT com Sarney.

COPA DO MUNDO: Como é a Africa do Sul em 2010?

Miguel Lamas - Tradução: Silvia Santos

Começada a Copa do Mundo, a TV nos mostra, além dos jogos, algumas cenas do país. Mas dificilmente nos mostrem as violentas contradições atuais desse país. Ali, sua população negra protagonizou uma rebelião heróica derrotando o regime racista do Apartheid. Mas hoje os brancos continuam sendo os donos das minas, fábricas, das melhores terras, dos bancos... Enquanto que os negros vivem majoritariamente na miséria.

População: 49.052.489 habitantes
79% de raça negra
20 milhões vivem com menos de dois dólares diários
12% têm AIDS
Pobreza: 50%
Desemprego: 30%
Expectativa de Vida: 48,9 anos

O governo sudafricano investiu em torno de 2 bilhões de dólares na construção e remodelação de estádios para um evento que durará um mês, e mais 1 bilhão em outras obras. Os estádios estão rodeados de casas precárias nas quais vivem milhões de pessoas todas negras. É claro que o governo afirma que os investimentos trarão enormes benefícios para Sudáfrica. Mas a população pobre e trabalhadora suspeita –e com razão- que, como sempre aconteceu, los benefícios somente cheguem a poucos, enquanto que as contas serão pagas por todos.

Em um país com 30% de desemprego, a construção de estádios, hotéis e outras obras, geraram demanda de trabalhadores. Mas, sob as duras condições de super exploração que impõem os empresários (a maioria brancos) os 70 mil trabalhadores da construção civil tiveram que fazer uma duríssima greve, com piquetes, para impor um aumento salarial de 13% sobre o salário miserável de 310 dólares que recebiam.

Frente a uma onda de greves por aumento salarial, em 09 de Maio o Presidente Jacob Zuma, chamou a “não fazer greves” enquanto dure a Copa. “Se recebes visita em casa não comeces a brigar”, afirmou Zuma. Evidentemente, os trabalhadores perceberam que a Copa é uma oportunidade para lutar pelas suas reivindicações.

O país mais desigual do mundo

Em 03 de Abril o dirigente ultra direitista racista Eugene Terreblanche morreu assassinado no seu sitio por dois empregados aos quais ele não pagava o salário. O fato reviveu o fantasma do ódio racial.

Hoje a maioria negra -80% da população- tem igualdade jurídica com os brancos. Mas a sociedade está profundamente dividida, sendo um dos países mais desigual do mundo. Em Johanesburgo, ademais de Soweto, está Alexandra, uma favela com mais de dois milhões de habitantes. Mas percorrer as ruas de Sandton –braço financeiro do cone sul africano- é como se trasladar a Europa. A segregação agora é social. Isto se reflete brutalmente na expectativa de vida que era de 61 anos em 1990, e de 48,9 em 2008 – uma queda que supera a dos países da ex URSS após a restauração do capitalismo. Este numero aterrador só pode ter uma explicação: a extrema pobreza junto com deploráveis condições sanitárias. O maior problema da saúde é a AIDS, que em 2007 afetou 18% da população entre 15 e 49 anos. Esta extrema pobreza está reservada à maioria negra. E os pobres entre os pobres, e os mais segregados, são os 10 milhões de imigrantes negros de outros países africanos que vieram em procura de trabalho.

A maioria branca (10% da população) continua sendo proprietária de quase todos os meios de produção: as minas, fábricas, bancos, terras, transporte, riquezas roubadas dos negros durante 300 anos de colonialismo. Associado com ela, uma pequena classe rica, negra, geralmente vinculada à corrupção dos lideres do partido governante, o CNA (Congresso Nacional Africano), que se mudou aos bairros fechados dos brancos com guardas armados e cercas eletrificadas.
O governo do CNA, desde o primeiro presidido por Mandela em 1994, não só não mexeu com as propriedades que os brancos tinham acumulado durante séculos de exploração aos negros, mas aplicou uma política neoliberal, favorecendo ainda mais aos brancos ricos. O capitalismo traz desigualdade e miséria, como no mundo inteiro. Mas em Sudáfrica isto se agrava pela sua história de opressão racial.

O presidente Zuma, de origem camponês da etnia zulu, ganhou as previas do CNA. E ganhou o governo prometendo governar em favor da maioria popular negra. Seu triunfo foi expressão do descontentamento popular com a desigualdade social. Mas, pertencente a uma elite dos ricos negros, suas promessas foram esquecidas no dia seguinte, e sua política continua a dos seus predecessores. Sem dúvida, somente uma nova revolução que acabe com o capitalismo, expropriando as minas, bancos, terras, grandes empresas e com um governo dos trabalhadores e dos camponeses poderá terminar definitivamente com a opressão da maioria negra.
Hoje Sudáfrica é um país capitalista semicolonial submetido ao imperialismo europeu e ianque, com seus empresários brancos que se sentem mais europeus que sudafricanos. A TV mostra preferentemente os setores modernos e as luxuosas construções feitas para a Copa, enquanto que a maioria popular e trabalhadora, negra, continua vivendo na extrema miséria.

Mandela e a derrota do Apartheid

Nelson Mandela é o herói nacional. Tem hoje 94 anos e esta retirado da vida política. Foi o líder que encabeçou a luta contra o sinistro regime da Apartheid imposto pela minoria branca. Foi preso durante 27 anos, desde os 44 aos 72. De acordo às leis da Apartheid, os negros, 80% da população, não tinham direito a votar e estavam segregados em quase todas as atividades. Não podiam entrar nos bairros brancos, nem a hotéis, escola ou transportes para brancos. Ademais, em 300 anos de colonialismo haviam sido despojados de quase tudo. A melhor terra e a propriedade das minas e fábricas estavam –e continuam estando- em mãos dos brancos.

A rebelião dos negros, encabeçada pelo Conselho Nacional Africano e a Central operária COSAT foi reprimida de forma sangrenta, milhares de ativistas foram encarcerados, torturados e assassinados. Mas a rebelião nãos e deteve e conseguiu apoio mundial, especialmente dos negros norte americanos, que conseguiram um boicote mundial contra o regime racista.

Finalmente, derrubaram o regime o Apartheid, isolado internacionalmente e frente a uma rebelião negra avassaladora. Em 1990 Mandela foi libertado, com base a um acordo com Frederick Le Klerk, o governante branco. Por esse acordo foi suprimido o Apartheid e foram convocadas eleições com base a “um homem, um voto”, a palavra de ordem democrática negra. Mas Mandela comprometeu-se a respeitar a propriedade dos brancos e a deixar impune seu genocídio contra os negros. Assim foi como em 1994 o CNA venceu as eleições levando Nelson Mandela à presidência, e que terminou incluindo no seu governo ao antigo líder racista Frederick Le Klerk.

A destruição do Apartheid foi um grande triunfo da rebelião negra, uma revolução democrática. Mas essa revolução foi congelada pelo pacto de Mandela com os brancos, que impediu que a derrota do regime se aprofundasse até a satisfação das necessidades postergadas do povo negro, culminando em uma revolução socialista que acabara com a propriedade dos brancos.

Praticamente não houve mudanças respeito do poder econômico monopolizado pelos brancos .Hoje Sudáfrica é um país com igualdade jurídica mas com a maior desigualdade social do mundo.

--------------------------------------------------------------------------------
Futebol, “coisa de negros”

Como herança do Apartheid, os brancos não vão aos estádios sudafricanos e praticamente não jogam futebol, ainda que acompanham os campeonatos europeus pela TV. Em 1962 e frente à massiva campanha mundial, a FIFA suspendeu a equipe composta exclusivamente por brancos da Copa Mundial e em 1976 excluiu à SAFO, Federação de Futebol branca. Os clubes de futebol branco sumiram e o futebol se converteu em um esporte dos negros. Hoje os brancos, que abandonaram o futebol, acompanham rugby e cricket.
Galeria de Fotos:

Extraído de CST/PSOL

Ja era, Galvão

Charge que circula pela Internet


sábado, 19 de junho de 2010

O caos da (In)Segurança Pública no Pará

Por Marcus Benedito

Basta qualquer cidadão tentar buscar o mínimo serviço relacionado à segurança pública, ou movido pela falta dela, como o registro de um Boletim de Ocorrência (BO), para ter a terrível sensação de que nada funciona. Seja na rua, seja na delegacia, seja nas corregedorias, seja nas secretarias de segurança, seja nos batalhões da PM.

Qualquer cidadão na Região Metropolitana de Belém (RMB), ou mesmo nas cidades médias do estado, vive na pele a macabra sensação se estar sob uma guerra civil não declarada. Todas as estatísticas do país demonstram que no Brasil morrem mais pessoas vítimas de arma de fogo do que em países como o Afeganistão, Iraque ou Cizjordânia.

Esse quadro é resultado direto da incapacidade dos governos, da falta de investimentos nas áreas sociais, bem como de uma política de segurança pública que em vez de resolver o problema atingindo a raiz, criminaliza a pobreza. Cena comum no Pará é a violação dos direitos humanos, práticas de tortura e a repetição de crimes, como o de execução, cometidos justamente por aqueles de que deveriam garantir a proteção às pessoas: a polícia.

O governo Ana Júlia (PT) aprofundou a situação de caos e barbárie. As pegadas de sangue, deixadas no Pará por Jáder Barbalho (PMDB), Almir Gabriel (PSDB) e Simão Jatene (PSDB) infelizmente não foram apagadas pelo “Governo democrático e popular” da petista. Pelo contrário, se os números no Brasil demonstram a escalada da violência contra o cidadão comum, no Pará a coisa é bem pior.

O sucateamento dos órgãos de segurança, a ausência de concursos públicos, e a conivência da justiça são ingredientes fundamentais na manutenção da impunidade. Nunca se criminalizou tanto as lutas no Pará, quanto neste governo. Nunca se cometeu tantos atentados à dignidade humana como neste governo. Basta relembrarmos o caso da adolescente de Abaetetuba, colocada em uma jaula junto a 20 homens. Nunca se viu no Pará, como agora, tantos casos de pessoas colocadas sob a condição de reféns ou seqüestros relâmpagos. Nunca se viu, como agora no Pará, pessoas sendo assassinadas a sangue frio em tentativas de assalto.

Tal qual tucanos ou peemedebistas, petistas tem sido eficientes apenas em mascarar a realidade. Com o cidadão pagando a conta para ser enganado pela milionária propaganda institucional do Governo do Pará.

Um caso ilustra bem a situação de nosso sistema de (in)segurança. Há cerca de duas semanas, uma promotora pública envolveu-se em um acidente de trânsito ali no entorno da Praça Amazonas. Seu C4 entregou as laterais para uma blazer que seguia seu caminho normal. Na maior tranqüilidade, a promotora reconheceu ter sido responsável pela batida, conversou com o jovem condutor da blazer, disse que seu seguro resolveria tudo, mas que necessitavam fazer um Termo Circunstancial de Ocorrência – TCO na delegacia mais próxima.

A delegacia mais próxima era a do Jurunas, na avenida Roberto Camellier. Foram até lá.

Encontraram o portão trancado por um cadeado. Lá dentro, vários policiais civis e militares. A promotora falou com uma funcionária e disse que gostariam de fazer um TCO, mas receberam como resposta a informação de que ali só funcionava até as 18h.

– Quer dizer que ninguém pode ser roubado ou qualquer outra coisa depois das seis da tarde?! disse a promotora.

– Aqui é assim, disse a funcionária.

Indignados, seguiram cada qual no seu carro amassado e com pára-choque arriado, para a Seccional da Cremação.

Nenhuma diferença. Na verdade, a revolta com a situação referente ao atendimento da população se tornou bem maior, pois ao chegar ali, a promotora pública falou com uma moça que também aguardava para fazer um BO.

– A quanto tempo você está aqui? indagou a promotora.

– Desde as quatro da tarde, respondeu a moça.

A promotora ficou muito enfurecida com essa situação, pois a garota estava esperando para fazer esse BO há mais de três horas, e ainda não havia previsão para voltar o serviço. Sem fazer esse procedimento, a moça não tinha como voltar para o bairro do Guajará, “pois lá é que não tem mesmo como fazer um BO”, disse ela.

A promotora mandou chamar o delegado e deu uma “mijada”* daquelas. E disse que aquela situação era absurda. Ela tinha condições e tempo para ficar correndo atrás de delegacias que pudessem cumprir com sua função, mas e as outras pessoas. E nós, homens comuns, que não podemos dar “uma mijada”? O delegado disse que no comércio estava funcionado. Antes de irem para a terceira delegacia em busca de realizar o TCO, a promotora exigiu do delegado que ligasse do celular para saber se lá funcionava o serviço. A resposta foi negativa. Enfim, só foram conseguir por volta das 20h realizar o serviço que buscavam.

A violência no Pará está pior do que diz a governadora, o secretário de segurança e o delegado geral. Ninguém anda mais em paz pelas belas ruas de Belém. Quase fui assaltado próximo ao DATA e da Delegacia do Jurunas. Corri no DATA e relatei o ocorrido. O policial de plantão me respondeu com um desdém nefasto: “é mesmo?!”.

Nada funciona direito no Pará, a não ser a indústria do crime e da corrupção do governo. Para não deixar acompanhar a realidade e poder expressar o mais perto o que ocorre na (in)segurança pública, talvez por isso ninguém consiga fazer um BO ou TCO nas delegacias e seccionais de Belém.

Como dizia o slogan do governo Ana Júlia, o Pará é uma “Terra de Direitos” violados.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Globo vai dar uma forra

Plínio na Globo News às 19h30 de sábado e na Rede TV, domingo à 0h15

O programa “Fatos e Versões” deste sábado (19 de junho) traz entrevista com o pré-candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio Arruda Sampaio. Apresentado pela jornalista Cristiana Lobo, o noticioso é exibido pela Globo News às 19h30 de sábado e reprisado em horários alternativos (domingo: 0h30, 10h30 e 16h30, e segunda: 7h30). O “Fatos e Versões” comenta os bastidores da política nacional e tem aberto espaço ao debate sobre as eleições presidenciais deste ano.

No domingo, Plínio é o entrevistado do programa “É Notícia”, apresentado pelo jornalista Kennedy Alencar, na Rede TV. O programa, de uma hora de duração, discute a trajetória política do pré-candidato do PSOL, suas propostas programáticas e a avaliação de Plínio sobre o cenário eleitoral.
Durante sua visita à Rede TV, ao contrário do que vêm divulgando alguns veículos de mídia, foi confirmado o interesse da emissora na presença de Plínio no debate entre os presidenciáveis que será realizado no dia 12 de setembro. O PSOL já formalizou perante a todas as emissoras que não aceitará “compensações” para que o pré-candidato não participe dos debates.

Beirut - "Nantes"

Gostei muito - Beirut - Elephant Gun

Saramago, parte 3: Israelenses aprenderam bem as lições recebidas dos nazistas


24/06/2009 - 09:33 Alfonso Daniels Enviado especial a Lisboa


Na terceira e última parte da entrevista concedida a Opera Mundi, o escritor português José Saramago expressa decepção com atuais líderes latino-americanos, deposita esperança em Barack Obama e critica sem dó os israelenses por sua política em relação aos palestinos. “A Cisjordânia é uma espécie de queijo gruyère. Na cabeça de muitos políticos, há ideias de um Grande Israel que não admite a existência de um povo palestino. Agora o Holocausto é sofrido pelos palestinos”, afirma.

O fato de você ter sido criado no campo explica seu lendário pessimismo?
Não sei como nasceu em mim essa tendência de ver o lado escuro das coisas. Uma coisa é certa: nunca fui um menino alegre. Pelo contrário, fui melancólico, sério, gostava de fazer longos passeios solitários pelo campo. Acho que as pessoas nascem assim.

Só tive a consciência de ver o outro lado das coisas quando tinha uns 20 anos. Tinha a sorte de assistir em Lisboa a espetáculos de ópera do balcão superior, e à frente ficava o camarote real decorado com uma enorme coroa. Vista da plateia e dos outros balcões, era dourada. No entanto, vista de trás, não estava completa, era oca, empoeirada, com teias de aranha, e entendi que, para conhecer as coisas, é preciso dar-lhes a volta completa. Isto se tornou uma espécie de regra de vida e de algum modo contribuiu para meu pessimismo, pois as coisas vistas por trás normalmente são piores.

Você se tornou menos pessimista com o tempo?
Não, nada. Não melhoramos, nada está melhorando. Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, discutia-se muito na Europa sobre progresso técnico, progresso moral, e o que está claríssimo é que, do ponto de vista técnico e tecnológico, nos desenvolvemos a uma velocidade extraordinária, mas no progresso moral andamos para trás. E não há nada no mundo neste exato momento indicando que vamos melhorar. Não vamos melhorar.

Você deposita alguma esperança na ascensão dos movimentos sociais na América Latina?
Tive contato com mapuches no Chile e na Argentina, com os zapatistas no México... Estes movimentos nascem com enorme generosidade de intenções, mas veja a Nicarágua: derruba-se o ditador, instala-se um movimento revolucionário e o que é a Nicarágua hoje? Um desastre.

Veremos o que acontece na Bolívia com Morales. Chávez sofre da tentação perigosa do autoritarismo. Agora, o melhor que ocorreu nesta região é que os Estados Unidos deixaram de se interessar exageradamente por ela como acontecia no passado, apoiando ditadores criminosos, e Obama não parece acreditar em aventuras como essas.

O que você pensa de Fidel Castro?
Conversamos três, quatro vezes. A revolução cubana mobilizou o entusiasmo de milhões de pessoas no mundo, pôs fim a governos corruptos e a aplaudimos. Mas o mal que se faz agora em nome de um suposto bem futuro me parece um erro intelectual gravíssimo, pois não se pode ter a segurança de que num futuro as coisas serão melhores, o pensamento utópico não tem sentido.

É como nas guerras: os pais se sacrificam para que os filhos se beneficiem da paz, mas a paz não chega nunca, e sempre pais e filhos são chamados para morrer. Existem, isso sim, alguns indícios positivos, há negociações entre os EUA e Cuba. É como um jogo de pôquer, para ver quem tira mais proveito da negociação.

Considerando o colapso do comunismo, você ainda se considera um comunista?
Mudar por que e para quê? Por algo que é melhor? Em que sentido? Teria vergonha de abandonar o que penso, embora o que penso não tenha nenhuma aplicação prática hoje. Mas em todo caso prefiro ficar onde estou a me transformar em outra pessoa. Sou um comunista hormonal, em meu corpo há hormônios que me fazem crescer a barba e outros que me fizeram ser comunista. Não quero me transformar em outra pessoa.

Mas comunista em que sentido?
Há uma citação de Marx e Engels que usei em um de meus livros e que resume tudo: "Se o homem é formado pelas circunstâncias, é preciso formar as circunstâncias humanamente." As circunstâncias nos formam, mas só um louco, um idiota, dirá que as circunstâncias que nos estão formando agora são circunstâncias humanas. É justamente o contrário, embora eu seja consciente do fracasso do projeto comunista.

Além de suas opiniões esquerdistas, você é possivelmente mais famoso por ter comparado os territórios palestinos com Auschwitz durante uma visita a Ramallah em 2002, causando um enorme escândalo...
O que eu disse é que havia encontrado o espírito de Auschwitz em Ramallah. É outra maneira de dizer que os israelenses aprenderam muito bem as lições que receberam de seus carrascos, os nazistas. Há algo de nazista no espírito do exército de Israel. Quando os (judeus) ortodoxos são pagos para não fazer mais nada na vida além de crianças, é um pouco similar às doutrinas genéticas do nazismo, as mulheres em clínicas para fazer filhos para a glória da Grande Alemanha. É uma loucura e é preciso denunciá-la, doa a quem doer.

Auschwitz é uma espécie de muro atrás do qual os israelenses se justificam para fazer todo tipo de coisa, coisas que os nazistas fizeram com os judeus que morreram nos campos de concentração. A Cisjordânia é uma espécie de queijo gruyère. Na cabeça de muitos políticos, há ideias de um Grande Israel que não admite a existência de um povo palestino. Agora o Holocausto é sofrido pelos palestinos.

Você realmente acredita que as duas situações são comparáveis?
Uma comparação quantitativa, não, pois nos campos morreram 6 milhões de judeus, isso não é comparável. No entanto, a partir de 1948, quando mais de um milhão de palestinos tiveram de ir embora, perdendo suas casas, suas terras, ocupadas por aqueles que chegavam nos barcos ingleses e norte-americanos, não vejo muita diferença. Não são 6 milhões de palestinos mortos, mas são suficientes para dizer que isto não pode continuar assim, que os palestinos têm o direito de ter um Estado, um lugar onde possam viver. Uma morte é o mesmo que mil mortes, isto não se mede pela quantidade.

Por que você não critica outros conflitos similares, como os bombardeios em massa de civis tâmeis no Sri Lanka, noticiados recentemente?
Em outros lugares, quase sempre sabemos o que está acontecendo, mas quase nunca sabemos por que está acontecendo, este é o problema. Os tâmeis normalmente são apresentados com cores sinistras, provavelmente com razão, mas ignoramos o que realmente ocorre por culpa de uma imprensa que informa mal. Por isso, muitas vezes é difícil ter uma opinião objetiva sobre o que acontece. Isto não nos impede de opinar em casos como o de Israel e da Palestina, onde as coisas estão bastante claras.

Leia as outras partes:
1ª: "Sou um comunista hormonal"
2ª: Uma autobiografia seria a coisa mais chata do mundo
__________________________________________________________________
Assunto relacionado: Repudio mundial ao massacre praticado por Israel à Flotilha da ...
11 Jun 2010
Comandos de elite israelenses atacaram a partir de helicópteros, com armas de guerra a uma flotilha de 08 barcos com 700 passageiros desarmados que levavam alimentos e remédios para a Faixa de Gaza, sitiada por Israel, assassinando 19 ...
http://alemdafrase.blogspot.com/2010/06/repudio-mundial-ao-massacre-praticado.html

Honduras: assassinaram o diretor do Canal 19 por denunciar dirigente políticos

9 periodistas muertos en lo que va de año

La nueva víctima de los asesinatos contra periodistas corresponde al director de Canal 19 que operaba por televisión por cable, quien había denunciado a varios dirigentes políticos de cometer actos de corrupción. A Mondragón lo ultimaron frente a su residencia mientras compartía con su hijo. Este es el noveno caso de asesinato que se comete en lo que va de 2010.

Un periodista de Honduras, el noveno en lo que va de 2010, fue asesinados la noche del pasado lunes por desconocidos que le dispararon desde un vehículo en movimiento en la ciudad de El Paraíso, así lo informaron familiares y autoridades a medios locales.

El director de Canal 19, Luis Arturo Mondragón, fue ultimado hacia las 22H00 hora local (04H00 GMT delmartes) cuando estaba sentado con su hijo en la acera de su casa minutos después de salir de su programa, según los informes.

Mondragónhabía denunciado amenazazs por criticar a funcionarios locales y diputados por actos de corrupción. Las autoridades forenses no habían llegado a practicar el reconocimiento del cuerpo que estaba aún en la acerca hacia la medianoche de este lunes.

Este es el noveno profesional de la comunicación que es últimado en lo que va de año. El pasado 18 de febrero, el periodista Nicolás Asfura, de 42 años de edad, fua hallado muerto atado de pies y manos en la bañera de su vivienda. Seguidamente, el 1 de marzo, Joseph Hernández Ochoa, de 26 años, fue abaleado cuando iba en su vehículo.

El 11 de marzo es acribillado, David Meza, de 51 años de edad, quien se desempeñaba como corresponsal del Canal 10. Tres días después, el 14 de marzo, es asesinado el periodista Nahum Palacios Arteaga, de 34 años cuando también se desplazaba en su carro.

Los otros periodistas hondureños asesinados durante al año son Georgino Orellana (el 20 de abril), Luís Chévez Hernández (11 de abril), Bayardo Mairena y Manuel Juárez (26 de marzo).

La CIDH había pedido protección para Palacios Arteaga el año pasado, después que recibiera amenazas de militares tras el golpe de Estado.

El comunicador Bayardo Mairena, de 52 años, y su asistente Manuel Juárez, de 54 fueron asesinados, el 26 de marzo, mientras viajaban en un vehículo.

El11 de abril fue muerto el locutor Luis Chévez Hernández, de 23 años, quien trabajaba en la emisora W105.

Por último, el pasado 20 de abril, el periodista Georgino Orellana, de 48 años, es asesinado de un disparo al salir del canal de televisión donde trabajaba.

La relatora especial para la Libertad de Expresión de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH), Catalina Botero, señaló el pasado 24 de abril que la institución había “denunciado los crímenes y aexhortado al Estado” a adoptar las medidas necesarias para “investigar yjuzgar a las personas que cometieron” los asesinatos, para que de una vez por todas la prensa pueda realizar su trabajo “de manera libre y desinhibida”.

Boteró lamentó que aún no hayan “resultados de lasinvestigaciones”.

“La relatoría ha dicho que es muy importante que haya diversidad de medios, para que el público, la sociedad pueda estar informada y no tenga una sola visión del mundo”, agregó.

Despuésdel golpe de Estado militar, el pasado 28 de junio de 2009, el cual secuestró y expulsó de Honduras al constitucional presidente Manuel Zelaya, el país se vio sumido en una crisis constitucional.

El Frente de la Resistencia contra el golpe, que nació el mismo día del Golpe, continúa luchando para conseguir orden constitucional y una Asamblea Nacional Constituyente.

El sucesor del régimen de factofue elegido bajo unas elecciones “espurias” y asumió la presidencia en enero de este año, el mismo día que salió Zelaya del país como huésped de honor hacia República Dominicana, después de permanecer más de 100 días en la embajada en Brasil en Tegucigalpa.

Fuente: Resumen Latinoamericano / Prensa Rural - www.rebelion.org

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A farsa do Estatuto da "Democracia Racial"

O Estatuto da Democracia Racial

Por Douglas Belchior *

Mais uma vez, os senhores determinaram a regra, a lei e os limites da existência e da sobrevivência dos negros no Brasil. O dia 16 de junho de 2010 entra para a história, cinco séculos após a chegada dos primeiros africanos escravizados nestas terras e 122 anos após o fim da escravidão. Encerra-se mais um triste capítulo da luta entre senhores brancos racistas versus escravizados negros e pobres. Desta vez, nas salas acarpetadas do Senado Federal, em Brasília.

Em tramitação desde 2003, o chamado Estatuto da Igualdade Racial, apresentado pelo Senador Paulo Paim (PT), animou a esperança de o Estado Brasileiro finalmente iniciar um processo de reparação aos descendentes da escravidão no Brasil. No entanto, nesses difíceis anos de debate e enfrentamento aos que resistiam à sua aprovação, a proposta original sofreu muitas alterações que esvaziaram a possibilidade de eficácia e o sentido reparatório.
Ainda em 2009, alterações feitas na Câmara Federal rebaixaram o Estatuto para uma condição “autorizativa”, além de não garantir recursos para sua execução. Com isso, os gestores públicos já não seriam obrigados a colocá-lo em prática.

O Estatuto da Igualdade Racial aprovado pelo Senado neste dia 16 de junho foi ainda mais fundo no poço da hipócrita democracia racial brasileira. Fruto de um acordo espúrio entre o senador Paulo Paim (PT), o senador Demóstenes Torres (DEM), relator do projeto e presidente da CCJ no Senado, e o Ministro da Seppir, Elói Ferreira (representante dos interesses do ex-titular da pasta Edson Santos), significou alta traição à luta do povo negro no Brasil.

O acordo que possibilitou a aprovação do Estatuto (e que será usado como bandeira no processo eleitoral tanto pelo PT quanto pelo DEM), simplesmente enterrou as reivindicações históricas do povo negro, uma vez que o texto aprovado excluiu as Cotas para negros nas universidades, nos partidos e nos serviços públicos; excluiu a garantia do direito a titulação das terras quilombolas; excluiu a defesa e o direito a liberdade de prática das religiões de matriz africanas e não fez referência a necessidade de atenção do Estado ao genocídio cometido pelas polícias que vitimam a juventude negra.

Pior ainda que a supressão destas demandas, o texto de Demóstenes do DEM – aceito por Paim e pela Seppir, negou-se a reconhecer os efeitos dos mais de 350 anos de escravidão e a existência de uma identidade negra no país!

O Senador Demóstenes Torres, representante dos senhores, do agronegócio e dos ruralistas, é o mesmo que durante a audiência pública sobre cotas no STF, realizada em março deste ano, afirmou que as mulheres negras escravizadas se entregavam ao deleite sexual com seus senhores. Este homem, conservador e racista, é o padrinho do Estatuto da Igualdade Racial aprovado no Senado e que agora segue para sanção do presidente Lula. Tudo isso sob a égide da submissão dos negros da Seppir e do parlamento, que nem de longe representam as aspirações dos movimentos da luta negra no Brasil.

Aliás, mesmo sob pressão de importantes organizações do Movimento Negro – entre as quais, o Movimento Negro Unificado (MNU), o Coletivo de Entidades Negras (CEN), o Círculo Palmarino, a UNEafro-Brasil – e do Movimento Social, como o Tribunal Popular, o MST e a Federação Nacional das Associações de Moradores, que encaminharam Carta Aberta ao Senado pedindo a retirada do projeto do Estatuto, e mesmo da posição contrária da CONEN, organização negra que agrega militantes petistas, a Seppir, Paulo Paim e deputados historicamente ligados a luta racial, como Janete Pietá e Vicentinho, sucumbiram. Reafirmando sua índole traiçoeira, o parlamento aproveitou a comoção provocada pela copa do mundo para articular o golpe do Estatuto do DEM.

Há informações de que haverá uma festa no momento da sanção presidencial. Festa na Casa Grande, com a presença dos escravos de dentro que, uma vez mais, hão de se lambuzar e saciar sua fome individual com os restos do banquete. Brancos, ricos e poderosos ao lado de negros bem educados e emergentes. A coroação perfeita da democracia racial brasileira.

Enquanto isso, nas senzalas, cabe aos movimentos combativos continuar a luta, certos de que qualquer mudança concreta deste país rumo à justiça e igualdade passa necessariamente pelas mãos calejadas e ensaguentadas do povo negro brasileiro.

Douglas Belchior é prof. de história e membro do Conselho Geral da Uneafro-Brasil

____________________________________________________________________

Votação sobre Estatuto da Igualdade Racial prevista para hoje

Está prevista para hoje (17 de junho) a votação, no Senado, do Estatuto da Igualdade Racial. Impulsionada por um acordo confesso dos senadores Paulo Paim (PT), Demóstenes Torres(DEM) e do ministro da Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Eloi Ferreira.

Demóstenes Torres foi o senador que afirmou, em audiência pública sobre as cotas, que as escravas negras consentiam em ser estupradas e que o escravismo foi positivo pois, deu lucro para a África.

O projeto é rejeitado pela maioria das entidades do movimento negro porque foi retaliado no Congresso Nacional e teve vários pontos reivindicados pelas entidades que lutam contra o racismo retirados. Foram retirados, entre outros, a questão das cotas para negros em universidades, partidos e serviços públicos, além da garantia do direito à titulação das terras quilombolas e a defesa e o direito à liberdade de prát ica das religiões africanas.

Seminário da Região Norte com Plínio adiado

17 de junho de 2010

O seminário do PSOL que aconteceria neste dia 17 (quinta), em Belém do Pará, foi adiado devido a problemas de confirmação dos palestrantes. Por isso, o pré candidato à presidência pelo PSOL Plínio Arruda Sampaio, adiou sua viagem à região Norte. Hoje, Plínio, retornou de sua visita ao Rio de Janeiro e, amanhã, grava entrevistas na Rede TV e participa de jantar em São Caetano do Sul para oficializar a candidatura à reeleição do deputado federal Ivan Valente.

OAB aplica Exame que nem seu presidente conseguiria resolver

Exame da Ordem, aplicado a quase 100 mil candidatos ontem, foi o mais difícil da história, segundo principais especialistas. O propósito foi o de reprovar apenas! Havia o descarado dolo de que ninguém pudesse ser aprovado com o absurdo de exame aplicado ontem.
Imaginem 100 mil candidatos pagando R$ 200,00s para serem reprovados?! Essa indústria criminosa do impedimento profissional tem que acabar!!
Dizem os especialistas que juízes, promotores e até mesmo o presidente da OAB, Ophir Cavalcante Jr., poderiam ficar reprovados na avaliação do último domingo... O que eles exigiram ontem, nem mesmo advogados com anos de militância, conseguiriam responder.

Os professores dos princiapais cursinhos preparatórios do país, bateram os neurônios para corrigir as questões. Esse Exame da Ordem é uma tortura psicológica e uma extorção desumana aplicada aos novos barachéis. Por que não avaliam durante a formação?! Cinco horas de prova não podem impedir a profissionalização de quem se preparou por cinco anos para isso. Chega de oportunismo, corporativismo, clientelismo e paternalismo!
Diga não ao Exame da Ordem! Não vai ser nada fácil acabar com essa prova que não prova nada, pois pelo menos três vezes ao ano eles recebem - tal qual o cartão Y.Yamada, fácil fácil, cerca de R$ 20.000.000,00 (para que não reste dúvida, escrevo: VINTE MILHÕES DE REAIS). Não é um, nem dois nem cinco, mas cerca de VINTE MILHÕES de reais a cada exame aplicado.

A OAB não quer abdicar desse assalto aos futuros advogados, mas pede que milhares abdiquem do sonho de ser advogado e de ter uma profissão, após anos de tanta luta para passar em um vestibular concoridíssimo como o da UFPA, por exemplo. Essa vergonha tem que acabar!!!
Cadê o Ministério Público Federal que não investiga esse CRIME?

Veja o que os especialistas dizem:
Postado originalmente dia 14/06/10 - 18:44. Última atualização, 17/06/10 - 12:43.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Estudantes de Porto Rico em luta pela universidade pública

Por Elaine Tavares*

Nestes tempos de Copa do Mundo, quando o planeta inteiro vira uma bola e as emissoras de televisão dão destaque aos mínimos fazeres dos craques do futebol, um pequeno país do Caribe, a menor das ilhas das Antilhas Maiores, vive um movimento de luta que já dura quase dois meses, mas permanece no silêncio da mídia. E não é para menos, Porto Rico é um pedaço de terra agregado dos Estados Unidos, um país dominado e subjugado, sem direito a gritar por liberdade, apesar de oficialmente chamar-se “estado livre associado”. Conquistado pela Espanha em 1493, o pequeno país foi ocupado militarmente pelos Estados Unidos em 1898, trocando de dono desde então. Porto Rico foi colônia até 1952, quando passou a ser considerado um estado autônomo, tendo direito inclusive a eleição de seus dirigentes. Essa “concessão” por parte dos Estados Unidos não aconteceu por bondade. Ela foi alavancada pela luta do povo que se levantou em rebelião no chamado “grito de Jayuya”. Por conta desta luta veio autonomia, mas ela existe só na aparência, uma vez que a moeda, a defesa, e as políticas de relações exteriores e comerciais de Porto Rico são totalmente comandadas pelos Estados Unidos.

A luta da gente de Porto Rico por independência nunca cessou. Vem desde os Tainos, povos originários que foram dizimados pelos espanhóis, e segue até hoje. Muitas foram as revoltas e revoluções, todas abafadas militarmente pela metrópole colonial. Os Estados Unidos realizaram vários plebiscitos para que a população escolhesse entre ser livre, permanecer como estado autônomo ou se integrar à nação estadunidense, sendo o último deles no ano de 1998. A maioria decidiu por permanecer como está, mas este resultado é contestado pelas gentes que lutam por libertação. “É preciso que se compreenda como se forma essa maioria, o poder financeiro que está por trás, a despolitização causada pela própria condição de colônia”. A velha Borinquen (nome originário que significa ilha do senhor valente), de 176 quilômetros de comprimento por 56 de largura, que foi uma das primeiras ilhas vistas por Cristóvão Colombo, volta e meia assoma em meio ao domínio estadunidense e as gentes se lembram quem são. Então ressurgem as lutas de libertação.

Os estudantes

Em todo o mundo os estudantes são quase sempre a ponta de lança nas revoltas e revoluções. Por estarem num ambiente de conhecimento e por possuírem a deliciosa rebeldia juvenil, eles abrem janelas nos muros escuros da opressão e saltam por elas, com suas bandeiras e utopias. Assim tem sido em Porto Rico desde que o país foi entregue aos Estados Unidos como despojo de guerra. Ocupado militarmente, Porto Rico precisou se levantar em muitas batalhas para defender sua cultura e sua história. E, quando os Estados Unidos tentaram imputar uma nova língua ao povo local em 1902, os estudantes disseram não. E resistiram no que ficou conhecido como “guerra da língua”. Até hoje o país mantém o espanhol como língua oficial por se entender mais para a América Latina do que para o norte. Hoje, são os estudantes universitários, outra vez, que escrevem mais uma página da história do pequeno país, numa greve memorável na qual reivindicam a autonomia para a universidade e lutam contra a privatização do ensino público.

No dia 21 de abril de 2010 os estudantes da Universidade de Porto Rico iniciaram uma greve contra uma nova lei que prepara a privatização da instituição, privando a universidade de recursos, assim como também a saúde, a cultura e a assistência social. Em pouco tempo, o que era só um movimento estudantil passou a ser uma luta nacional. Como se um grande dique de sonhos e esperanças estivesse se rompido as gentes começaram a identificar na luta particularista dos estudantes um projeto de nação. No grito contra a privatização e pela autonomia da universidade, também os estudantes foram percebendo que a questão era muito mais profunda e assomou, de novo, o desejo de liberdade popular.

A lei que levou os estudantes às ruas acabou por provocar o congelamento de salários dos trabalhadores públicos e também eles, mais de 15 mil, foram para as ruas defender seus direitos e os serviços públicos em geral. Como a população mais pobre depende dos serviços públicos no que diz respeito à educação, saúde e assistência social, o apoio às lutas dos trabalhadores e estudantes foi imediato. Já em 2005 os estudantes universitários tinham realizado greves, uma vez que o processo de privatização vem se fazendo devagar, como em quase toda América Latina, mas, este ano, as medidas do governo, reduzindo o orçamento e aumentando o valor das matrículas foram decisivas para outra explosão que, com a parceria dos trabalhadores, se transformou numa tormenta.

Já se vão quase dois meses e a luta segue firme em Porto Rico. E, como sempre acontece, a repressão tem sido violenta. Os estudantes fizeram greve de ocupação e o governo colocou a universidade sob sítio impedindo a entrada de água e alimentos. Mas, o povo, solidário, tem encontrado maneiras de fazer chegar a comida e a água. A medida de força levou o país a se levantar e sindicalistas, artistas, trabalhadores de todos os tipos realizam marchas, atos políticos, colocam o país em efervescência.

No mês de maio o governo ameaçou suspender o ano acadêmico e declarou que a UPR iria perder sua condição de universidade pública. Alegava que a greve era abusiva, ilegal e, por isso, endurecia na repressão e na criminalização dos estudantes. Como se pode notar, tudo muito igual, receita da cartilha neoliberal e entreguista bem comum aos governantes desta nossa América Latina. Mas, os estudantes não se intimidaram. Exigiam negociações e mantinham a greve. A mobilização popular tomava dimensões gigantescas e o governo teve de recuar, abrindo negociações. De qualquer forma há uma guerra midiática em curso. Na televisão porto-riquenha o governo e entidades empresariais gastam fortunas tentando convencer a população de que a greve na universidade é ruim para o país. Por outro lado, os estudantes, através da “Rádio Huelga” (http://radiohuelga.com/wordpress) buscam o diálogo com o povo, mostrando que quando as gentes estão unidas, podem vencer, como já aconteceu no final dos anos 90, quando mobilizações como essa tiraram as tropas estadunidenses da região de Vieques.

Hoje, na metade do mês de junho, a luta no campus de Río Piedras continua. Os estudantes que seguem acampados na UPR realizam atos, fazem formaturas simbólicas, criam hortas comunitárias, fazem limpeza, promovem teatro, chamam a população para visitar o campus, para que possa ver como é possível existir uma universidade autossustentada, autônoma, e livre para pensar a realidade nacional. As negociações seguem de maneira lenta, a universidade continua sitiada, a repressão recrudesce.

Os estudantes estão esperançosos com um novo mediador do conflito, o ex-juiz Pedro Lopez Oliver, que parece estar conseguido fazer avançar as conversas e pode até ser que nos próximos dias as coisas se resolvam, com o governo voltando atrás no aumento das taxas de matrícula e na retirada de orçamento da universidade e garantindo que nada será privatizado. Os grevistas também querem garantias de não punição uma vez que há ameaças de expulsão das lideranças. Só assim o movimento encerra.

* Elaine Tavares é jornalista em SC

Veja a fala dos estudantes numa mensagem ao país, publicada no post abaixo.

Fonte: ANDES-SN

GREVE DOS ESTUDANTES DE PORTO RICO: Mensaje al País, Comité Negociador Nacional, UPR (English subtitled; sou...