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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Jovem morto por PMs ajudava mãe e avô em pizzaria: “ele gritava ‘socorro’, mas ninguém podia fazer nada”

Morto por policiais da Rondesp, Alexsandro Lima entregava as pizzas que a mãe fazia. Ele apanhou, teve as pernas quebradas e levou 5 tiros
Por Bruno Wendel e Luana Amaral

Alexsandro Pinheiro dos Santos Lima, 20 anos, ajudava a mãe entregando as pizzas que ela preparava, e o avô, na barraquinha de cachorro-quente que ele mantém no fim de linha de Cosme de Farias. Foi justamente quando subia a rua Wenceslau Galo, por volta das 19h de sexta-feira, para chegar à pizzaria da mãe que Alexsandro encontrou policiais da Rondesp Atlântico fazendo uma operação no bairro — e que, segundo a família, conheciam bem Alexsandro, pois comiam frequentemente na pizzaria da mãe do rapaz.

Vizinhos disseram aos pais de Alexsandro que ele deu de cara com os policiais num trecho escuro da rua. Segundo os relatos, os PMs surravam Rafael de Oliveira Cerqueira, 19, e Denilson Campos dos Santos, 22. Quando pensou em retornar, Alexsandro foi alertado por um dos PMs.

“Você tem três minutos para vir até aqui”, disse o policial. “Ele foi, disse que trabalhava, mas mesmo assim apanhou, e muito. Ele gritava: ‘Socorro, socorro’, mas ninguém podia fazer nada’”, contou o pai, Edilson Souza Lima, 42. “Meu neto conhecia todo mundo do bairro e era muito querido. Era um rapaz franzino, diabético. Não bebia nem voltava tarde pra casa por causa da doença”, contou a avó.

“Eles dizem que aconteceu troca de tiros. Mas como? Ele levou cinco tiros e teve as pernas quebradas. Já os policiais, não levaram nenhum tiro”, declarou Carla Lima, 35, mãe de Alexsandro. Segundo a polícia, os três rapazes eram envolvidos com o tráfico de drogas na região e com eles foram encontrados 32 papelotes de cocaína, 21 balas de maconha e um revólver calibre 38 com numeração raspada.

Mãe e avô de Alexsandro se desesperam durante o sepultamento (Foto: Arisson Marinho)
Alexsandro foi sepultado na tarde da segunda-feira (9), no cemitério Quinta dos Lázaros, Baixa de Quintas. Muitos familiares, amigos e moradores de Cosme de Farias compareceram ao enterro. Entre os presentes, pedidos: “Hoje foi o Alexsandro, um inocente. Amanhã pode ser o filho de algum de nós. Até quando? Não é porque somos da periferia que somos bandidos. Queremos respeito”, disse Marcos Oliveira, 29, amigo de Alexsandro.

Ainda de acordo com vizinhos que ouviram a ação, o rapaz reconheceu seu algoz, que, segundo eles, frequentemente lanchava na pizzaria de sua mãe. “Não faz isso comigo, Bira!”, relataram ter sido as últimas palavras do jovem. Após o enterro, por volta das 18h, moradores de Cosme de Farias seguiram em direção à Avenida Bonocô em protesto. O caso está sendo apurado pela Corregedoria da PM.
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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Doleiro ligado a vice presidente da Câmara intermediava doações para PMDB e PP

Por Eduardo Bresciani, João Domingos e Fausto Macedo, para o Estadão

Documentos da Operação Lava Jato da Polícia Federal mostram que o doleiro Alberto Yousseff teria intermediado doações para deputados e diretórios do PP e para o PMDB de Rondônia nas eleições de 2010. Ele está preso desde o dia 17, por suspeita de comandar um esquema de lavagem de dinheiro. Yousseff ainda é investigado por suas ligações com o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, também detido pela PF. 

As negociações foram flagradas pela PF com a quebra de sigilo de e-mails do doleiro. Em um dos endereços eletrônicos atribuído a Yousseff ele trata das doações com representantes das empresas Queiroz Galvão e Jaraguá Equipamentos, ambas fornecedoras da Petrobrás em empreendimentos como a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A PF acusa Costa de corrupção passiva em relação a esse projeto da estatal.

Os interlocutores de Yousseff são Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor-geral de desenvolvimento comercial da Queiroz Galvão, e Cristian Silva, da Jaraguá. Ambos tratam com o doleiro de dados bancários e emissão de recibos das contribuições eleitorais.

Cruzamentos feitos pelo Estado mostram correspondência entre os valores mencionados nos e-mails com o montante declarado pelos beneficiários à Justiça Eleitoral. O PP nacional aparece em uma conversa entre Yousseff e Moraes em 17 de agosto de 2010 como destinatário de uma doação de R$ 500 mil que deveria se registrada em nome da Vital Engenharia, empresa que faz parte do grupo Queiroz Galvão. O diretório aparece em outra troca de e-mails entre os dois como beneficiário de R$ 2,040 milhões. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PP relata ter recebido R$ 2,240 milhões da Vital Engenharia e R$ 500 mil da Queiroz Galvão.

O PP baiano foi outro agraciado com doações da construtora que aparece nos documentos da investigação. O diretório é presidido pelo deputado Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades e apontado como um dos padrinhos da indicação de Costa na diretoria da Petrobrás. Por e-mail, o executivo cobra de Yousseff um recibo de doação de R$ 500 mil. No TSE, há duas doações de R$ 250 mil cada.

O mesmo ocorre com o diretório pernambucano do PP. O executivo pede recibo para uma doação de R$ 100 mil. Na Justiça Eleitoral constam três doações - uma é de R$ 100 mil.

Parlamentares. Deputados do PP também são citados nos e-mails do doleiro. Nelson Meurer (PR) foi beneficiário de R$ 500 mil, Roberto Teixeira (PE) recebeu R$ 250 mil e Roberto Britto (BA) ficou com R$ 100 mil. Todos declararam esses valores ao TSE. Aline Corrêa (SP) aparece em uma mensagem como beneficiária de R$ 250 mil. No total, ela declarou R$ 350 mil. Aline é filha do ex-presidente do PP Pedro Corrêa, condenado no processo do mensalão.

Também condenado no processo, Pedro Henry (MT) é citado pelo doleiro como beneficiário de R$ 100 mil. O valor foi declarado ao TSE. O deputado é ainda beneficiário de uma doação da Jaraguá. E-mail enviado por Cristian Silva informa os dados da empresa que devem constar no recibo. A doação registrada no TSE é de R$ 100 mil.

Além dos diretórios do PP, o regional de Rondônia do PMDB é citado nos e-mails de Yousseff. Presidente licenciado em Rondônia, o senador Valdir Raupp está a frente do diretório nacional em virtude da licença do vice-presidente da República, Michel Temer. A doação referida nos e-mails é de R$ 300 mil. A prestação de contas do diretório regional informa o recebimento de R$ 500 mil da construtora. Um dos recibos é de R$ 300 mil.

Infográfico - conexões entre doleiro e partidos:

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,doleiro-ligado-a-ex-diretor-da-petrobras-intermediava-doacoes-para-pp-e-pmdb,1150230,0.htm