segunda-feira, 16 de maio de 2011

Homofobia, estupidez e algo de podre no reino do Yahoo

Bolsonaro, os gays e a estupidez humana

Por Kiko Riaze

Vamos celebrar a estupidez humana…

Assim cantou o saudoso Renato Russo em “Perfeição”. Uma obra-prima. Um tapa na cara dos conformados e dos impassíveis. A bestialidade do homem exposta numa bandeja para que possamos saboreá-la… E nos engasgar com ela.

Vamos celebrar
A estupidez do povo
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos…

E, no fim, comemorar como idiotas! É o que a maioria das pessoas têm feito desde sempre. Renato Russo não estava errado. Apesar dos muitos avanços, a essência do homem de hoje ainda é medieval. Acata-se a indecência dos poderosos com uma cegueira voluntária, engole-se as imposições religiosas sem se questionar, curva-se diante dos desmandos ditatoriais como um fantoche numa arena de circo.

A União Civil gay recentemente reconhecida pelo STF foi um avanço. Podemos comemorar, sim. Mas tenhamos em mente que ela só se deu por que o Governador do Rio, Sérgio Cabral, iniciou a ação. Ela não partiu dos grupos gays. Os mais interessados no assunto não foram às ruas pleitear os seus direitos. O assunto “correu por fora” do Congresso Nacional. Se tivesse sido discutido pelos deputados e senadores “representantes do povo”, certamente teríamos perdido, pois o Congresso está empesteado de gente homofóbica com cabeça miúda de Idade Média.

Vide o episódio grotesco envolvendo os defensores do projeto de Lei que criminaliza a homofobia e os evangélicos somente uma semana após a aprovação da união civil gay. No Brasil, o progresso e o retrocesso digladiam-se como um espelho límpido da mentalidade da nossa gente. Entrem neste link do Yahoo Notícias e vocês terão uma noção clara do que estou tentando dizer:


Reparem como a grande maioria dos mais de 800 comentários de leitores é agressiva, preconceituosa e explicitamente homofóbica. Muitos incitam a violência e a morte aos gays e nem sequer são bloqueados pelo moderador do site. Liberdade de expressão??… Bem, incitar a violência é crime e a liberdade de expressão é cerceada pela Lei, é bom lembrar. O Yahoo deveria saber.

Mas leiam mais atentamente e vocês perceberão uma serie de reclamações de leitores pró-gays que não tiveram seus comentários aceitos. Um deles é do leitor deste blog, Fernando, que sugeriu esta pauta e me mandou um e-mail reclamando da imparcialidade daquele site de notícias. Ele escreveu um comentário bem redigido sobre a laicidade do Estado e do perigo de se ter religiosos influenciando nas decisões legais. No entanto, o Yahoo, simplesmente, não publicou. Ora, um site ético de notícias deveria ser imparcial. Ou será que o Yahoo é mais um veículo de disseminação do preconceito orientado por evangélicos?

Para o leitor Fernando, este é um indicativo de que as coisas vão mal. Eu concordo com ele. Na medida em que os gays avançam em suas conquistas, os opositores também se erguem na mesma ou em maior intensidade. A bancada evangélica é poderosa e se movimenta com seus Bolsonaros, Magnos Maltas e Malafaias da vida… E nós? O que temos feito para mostrar à sociedade que somos vítimas, e não vilões? De que maneira temos agido para nos salvar das chamas da fogueira desta nova Inquisição?

Uma foto de homem sem camisa no Facebook recebe milhões de “curtiu” e centenas de comentários dos facegays de plantão. Mas um link que eu postei há poucos dias sobre um abaixo-assinado contra a pena de morte aos homossexuais em Uganda recebeu apenas dois ou três “curtiu” e apenas um comentário… O que importa, afinal?

Será que a grande massa gay deste país não dá a mínima? Será que as pessoas acham que está tudo bem?

Lembro-me agora de uma frase em uma cena do clássico Kuhle Wampe, de Bertold Bretch, que eu assisti na aula de Estrutura Dramática na última 4a feira.

“Quem pode mudar o mundo?” – perguntou um personagem numa antológica discussão política dentro de um trem.

“Quem não está satisfeito com ele” – respondeu o outro.

Utópico?

Não… Se todo mundo pensar como a personagem de Bretch e agir, fazendo a sua parte, “o que vem é Perfeição”…

(Saiba mais sobre Kiko Riaze aqui)

Até que enfim! STF reconhece união civil homossexual

Por Roberto Seitenfus*

Dia 05 de maio de 2011 está marcado na história do Brasil!

É o dia em que homossexuais brasileiros garantiram um dos direitos mais simples e ao mesmo tempo tão difícil dentro da sociedade que vivemos.

O direito de amar uma pessoa do mesmo sexo, construir uma vida a dois e não ter que, após tudo isso, o desrespeito de familiares e de oportunistas que sempre usaram do não reconhecimento desta união para roubar tudo que fora construído dentro de uma união de amor, dentre outros desdobramentos da decisão.

Antes de qualquer coisa, devo ressaltar que não vejo a atitude dos Ministros do Supremo Tribunal Federal – STF, uma atitude fora do seu normal, inclusive, demorou muito tempo para que houvesse esta decisão no Supremo, algo que muitos juízes no país todo, em 1ª instância estavam concedendo, em questões pontuais, como adoção, etc.

Falo isso, pois vejo a construção do preconceito e da discriminação, parte de um projeto de sociedade, que exclui negros, mulheres, homossexuais, chamados de “minorias”, com a única perspectiva do capital, do papel social que cumpre cada segmento dentro de uma sociedade capitalista, mas enfim, este seria um debate para muitas páginas e meu propósito, neste momento, é saudar a decisão e falar das suas implicações positivas.

O STF está de parabéns desta vez, pois diferente da vez que absolveu o corrupto Fernando Collor de Mello, dando às costas ao povo brasileiro, reconheceu o direito de uma parcela significativa da sociedade e não se curvou a ameaças de grupos religiosos, fazendo jus a nossa Constituição Federal que ressalta vivermos em um Estado laico, ou seja, sem a imposição de nenhuma religião.

Até este momento, seguimos sem NENHUMA LEI QUE GARANTA DIREITOS AOS HOMOSSEXUAIS, reflexo de governos e de um parlamento que não representa a maioria da sociedade e está mais preocupado com os esquemas de corrupção, enriquecimento ilícito e apadrinhamento dos CCs.

Esquece que milhares de homossexuais neste país são brutalmente assassinados, jovens como Alexandre Ivo, que com 14 anos perdeu a vida pela intolerância a diferença, em junho de 2010 no RJ. De lá até aqui NADA MUDOU!

O Programa Brasil Sem Homofobia do então governo Lula não saiu do papel e muito pouco foi feito. Até hoje segue na Câmara dos Deputados o projeto da então Deputada e hoje Senadora Marta Suplicy de Parceria Civil homossexual, e o que dizer da Projeto de Lei Complementar 122, que criminaliza a homofobia no país. Até hoje nada foi alterado.

Por isso a decisão do STF é importante, pois garante um efeito cascata importantíssimo, por ter efeito vinculante, acabando com a tese utilizada por preconceituosos para justificar o não reconhecimento, interpretando o parágrafo 3º do art. 226 da Constituição Federal e o artigo 1723 do Código Civil como algo taxativo para sepultar qualquer direito a gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Foram derrotados!.

Neste momento, o Brasil, de uma forma diferente, se aproxima de países como a Holanda, Espanha e tantos outros que reconhecem a união entre homossexuais, como a Argentina, onde milhares de LGBTs estiveram na madrugada na porta do congresso, fazendo pressão para que fosse aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, arrancando esta conquista.

O que se tem agora é outra perspectiva no campo patrimonial e de direitos civis, mas nada mudará se não houver mobilização, se continuarmos com Paradas LGBTs que a cada dia é mais festiva, seguiremos vendo homossexuais sofrendo preconceito em shoppings, praças, escolas, trabalho e sendo assassinados.

Agora é necessário com esta vitória importante, fortalecer a luta para que tenhamos outras conquistas, que não acabem com uma lei, mas que seja uma mudança política, que comecem a tratar as pessoas como seres humanos, sem o “crachá” de heterossexual ou de homossexual, mas como SER HUMANO e para isso, é necessário políticas públicas, como o Brasil Sem Homofobia, que contribua para uma mudança do pensamento da sociedade.

Que façamos mais manifestações, marchas, mobilizações e as conquistas extrapolem o campo dos direitos civis e tenhamos uma mudança política e de sociedade, pois mais do que compartilhar uma vida com alguém, quero andar, abraçar e beijar a pessoa que amo em qualquer lugar, sem medo de ser feliz.

Parabéns ao STF, que mostrou, neste momento, uma posição correta, que sirva de exemplo aos políticos deste país!
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*Roberto Seitenfus é integrante do Grupo Desobedeça LGBT e estudante de Direito 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Menos de 12 horas para impedir a pena de morte a gays em Uganda!

Na foto acima: David Kato, amigo da Avaaz, brutalmente assassinado em Uganda há dois meses.
12 horas para impedir a lei homofóbica de Uganda
 
Para o presidente Museveni, de Uganda, membros do comitê de revisão, parlamento e governos doadores: 
"Nós nos colocamos ao lado de cidadãos de Uganda que estão apelando a seu governo para que retire a Lei Anti-homossexual, e que proteja os direitos humanos universais contidos na constituição ugandense. Nós instamos os líderes e doadores ugandenses a se juntar a nós na rejeição da perseguição e na defesa dos valores de justiça e tolerância."
 
Você já é um apoiador da Avaaz? Clique AQUI para assinar a petição. Abaixo modelo que será preenchido no site da Avaaz:
Primeira vez aqui? Por favor preencha o formulário.

 Já asssinou e quer fazer mais?

Atualizado em 09 de maio de 2011
Em menos de 12 horas, o parlamento ugandense pode votar uma nova lei brutal que prevê a pena de morte para a homossexualidade. Milhares de ugandeses podem enfrentar a execução - só por serem gays.

Nós ajudamos a impedir esta lei antes, e podemos fazê-lo novamente. Depois de uma manifestação global massiva no ano passado, o presidente de Uganda, Museveni, bloqueou o progresso da lei. Mas os tumultos políticos estão crescendo em Uganda, e extremistas religiosos no parlamento esperam que a confusão e a violência na rua distraiam a comunidade internacional de uma segunda tentativa de passar esta lei cheia de ódio. Nós podemos mostrar a eles que o mundo ainda está observando. Se bloquearmos o voto por mais dois dias até que o parlamento feche, a lei expirará para sempre.

Não temos tempo a perder. Vamos chegar a um milhão de vozes contra a pena de morte para gays em Uganda nas próximas 12 horas - assine agora e então divulgue a campanha!

Faça mais para ajudar

Se você assinou e divulgou, clique aqui para falar com seu chefe de estado para agir imediatamente para ajudar a impedir a lei homofóbica.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A liberdade e maior democracia na internet incomodam Dilma e Consórcio Morte Energia S/A

Consórcio de Belo Monte quer afastar procurador por causa de blog

A Norte Energia S.A. (Nesa), consórcio responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Estado do Pará, entrou com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público contra o procurador da República Felício Pontes Júnior devido a artigos que ele publicou na internet sobre os processos judiciais envolvendo a usina.

A empresa quer que Felício, responsável por ações contra a obra, “seja afastado das ações referentes à Hidrelétrica de Belo Monte”. A Nesa também solicita que um link para o blog, existente no site do Ministério Público Federal, seja retirado “sob pena de estar o MPF compactuando com a instigação de sérios e graves conflitos sociais”. 

Apesar da petição da Norte Energia datar de março deste ano, o Conselho Nacional do Ministério Público a encaminhou à Corregedoria apenas no dia 26 de abril e esta chegou, na semana passada, ao Ministério Público Federal do Pará – que respondeu na sexta (6) e a tornou pública. A corregedora do MPF, Ela Wiecko de Castilho, vai agora decidir sobre a procedência dos pedidos da empresa.

De acordo com a Nesa, o blog Belo Monte de Violências “incita à violência”, “utiliza-se de informações privilegiadas”, tem o “nítido propósito de inviabilizar a construção da hidrelétrica de Belo Monte” e “desrespeita a autonomia do Poder Executivo, na medida em que expõe os atos administrativos dos órgãos competentes à execração pública, taxando-os de ilegais e irregulares”. 

Em sua defesa para o Corregedoria, Felício afirma que “se esse pensamento vigorar, o governo não pode ser criticado, ainda que as críticas expostas no blog tenham como origem autos processuais. Se assim for, não só o direito à informação deve ser abolido, mas também o direito de expressão”. O procurador afirma que a Norte Energia parece estar se insurgindo “contra a natureza mesma da internet, veículo de comunicação que inaugurou a era do diálogo entre emissores e receptores de informação, revolucionando a comunicação humana”.

Também lembra que, apesar de ser o governo federal o criticado, a empresa é que toma as dores: “Peculiar o fato do ente privado Norte Energia S.A acusar tamanho ressentimento pela crítica a atos governamentais que lhe beneficiam. É até compreensível, ressalte-se, tamanho cuidado com a imagem governamental por parte da Norte Energia S.A, dado o custo da obra (R$ 25 bilhões, por enquanto), a intensa participação, direta e indireta do Estado no financiamento da obra e na própria composição societária da empresa, subvertido que foi o projeto original de Belo Monte, antes investimento da iniciativa privada, agora um híbrido não previsto na legislação”.

Por fim, Felício Pontes aponta que o blog da Presidência da República do Brasil tem um link para o blog do consórcio construtor de Belo Monte

“Como justificar que um site do poder público faça link para o blog de uma empresa privada, se um site do Ministério Público Federal não pode fazer link para o blog de um procurador, especialmente quando tal blog nada mais faz do que reproduzir argumentos trazidos em uma série de ações judiciais?”, questiona em sua defesa. 

A polêmica construção da usina de Belo Monte está deixando o governo brasileiro com os nervos à flor da pele. O último lance envolveu a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) que solicitou oficialmente ao governo brasileiro a suspensão do processo de licenciamento e construção do Complexo Hidrelétrico, citando o potencial prejuízo da construção da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu.

O documento da OEA afirma que o Brasil deve garantir que as comunidades indígenas beneficiárias tenham acesso a um estudo de impacto social e ambiental do projeto em um formato acessível tanto à sua extensão como no que diz respeito à tradução aos respectivos idiomas indígenas. A decisão da CIDH foi uma resposta à denúncia encaminhada em novembro de 2010 em nome de varias comunidades tradicionais da bacia do Xingu

O governo federal já encaminhou resposta à Comissão afirmando que todos os pré-requisitos sociais foram cumpridos, mas não divulgou a íntegra da comunicação.

A íntegra da defesa do procurador pode ser lida aqui.

Del 11 de septiembre a la revolución árabe

Protestos com mais de 2 milhões de pessoas, que ajudaram a derrubar o ditador egípcio Mubarack
Por Simón Rodríguez Porras (USI)

De acuerdo con la versión oficial, un grupo comando yanqui entró en la noche del 1 de mayo a la vivienda donde se encontraba escondido Osama Bin Laden junto con miembros de su familia, cerca de la capital pakistaní, y pese a no ofrecer resistencia fue ejecutado, al igual que varios de sus acompañantes. Luego arrojaron su cuerpo al mar, aplicando el método de la desaparición forzada que durante años la Escuela de las Américas enseñó a los terroristas de Estado latinoamericanos.

Bin Laden fue un integrista islámico armado y entrenado por la CIA, como otros miles de mercenarios, para combatir a los soviéticos en Afganistán. Los cuervos criados por el imperialismo luego impulsaron su propia agenda, que incluía expulsar las bases militares yanquis de Arabia Saudita, donde se encuentran los sitios religiosos más importantes para los musulmanes, y terminar con la situación colonial de Palestina. La agrupación de Bin Laden ya había alcanzado cierta notoriedad antes de 2001, por ataques contra objetivos militares de EEUU en Arabia Saudita y Yemen, y contra las embajadas gringas en Kenya y Tanzania, ataques en los que hubo centenares de víctimas civiles africanas. Su actividad había sido el pretexto para bombardeos criminales como el perpetrado por el gobierno de Clinton contra la precaria industria farmacéutica de Sudán. 

Cuando cayeron las torres gemelas de Nueva York el 11 de septiembre de 2001, Bin Laden aplaudió los atentados sin asumir responsabilidad por su ejecución. Como suele ocurrir con las acciones aisladas, estos atentados no generaron ningún tipo de movilización contra la política exterior de los EEUU, ni siquiera en aquellos países oprimidos donde fueron percibidos como una venganza por los largos años de matanzas y crímenes de todo tipo perpetrados directamente o con apoyo del gobierno estadounidense, tales como Irak y Palestina. En EEUU generaron una confusión general que fue aprovechada por la élite gobernante para alimentar un patrioterismo extremo. 

El gobierno de Bush solicitó a la dictadura teocrática del Talibán que extraditara a Bin Laden por la autoría intelectual de los ataques, pero la dictadura pidió pruebas de las acusaciones para detenerlo y entregarlo. Bush respondió a esta solicitud invadiendo Afganistán, invasión que ha cobrado decenas de miles de víctimas civiles. (1)

Casi diez años después, embriagado por la ejecución de Bin Laden, Obama pronunció un discurso en el que aseguró que EEUU podía hacer cualquier cosa que se propusiera en el mundo. Los hechos nos dicen todo lo contrario: hoy el imperialismo no puede hacer lo que le dé la gana. Es cierto que los ataques de 2001 crearon las condiciones políticas internas para que el gobierno de los EEUU pudiera lanzar una campaña de invasiones, restringiera las libertades democráticas con la Ley Patriota y otros instrumentos regresivos, e incluso creara centros de tortura secretos en Europa y un campo de concentración en Guantánamo, todo esto a nombre de la guerra contra el terrorismo. Parecía que, como diría Obama, los yanquis podían hacer lo que se propusieran, sin importar el odio que despertaran en todo el mundo sus crímenes. Pero esa situación ha cambiado radicalmente. 

El pueblo árabe "ha dicho basta y ha echado a andar"

Los invasores han tenido que replegarse en Irak y comenzar su retirada, derrotados por la resistencia, mientras que Afganistán se ha convertido en un pantano para los invasores. Los saharahuis y los palestinos se mantienen en resistencia contra la ocupación colonial, que no ha podido ser derrotada. A partir del presente año se ha desatado una insurrección de masas contra las dictaduras y las degeneradas monarquías que plagan el mundo árabe. Uno de los pilares de la dominación yanqui en la región, y aliado incondicional de Israel, el dictador egipcio Hosni Mubarak, ha caído, al igual que el dictador tunecino Ben Alí. 

Hay tremendos procesos revolucionarios en curso en Libia, Siria, Yemen y Bahrein. Son procesos con una importante carga antiimperialista, en los que los integristas islámicos no juegan ningún papel relevante. En Egipto, los Hermanos Musulmanes tienen un programa político se asemeja al del partido gobernante de Turquía, autoritario y sin roces significativos con el imperialismo. Pese a ser una organización de relativa importancia dentro de Egipto, no apoyaron activamente la rebelión, de hecho se pronunciaron contra Mubarak después de que había caído

El programa burgués y autoritario de los integristas islámicos choca con las reivindicaciones democráticas y sociales que están en el centro de la rebelión árabe, las cuales son la expresión de sus potencialidades anticapitalistas. Incluso en Palestina, donde Hamas había capitalizado un gran apoyo popular gracias a su posición de independencia y resistencia frente al fascismo sionista, se ha materializado un pacto de unificación del gobierno con la dirección de Fatah, que es la máxima expresión del colaboracionismo y de la renuncia a las banderas originales de la lucha anticolonial. El camino recorrido por Fatah es análogo al de los nacionalismos burgueses de la región, incluyendo el propio Mubarak, heredero del nasserismo, Kadafi y Al Assad de Siria, quienes demostraron las limitaciones y el retroceso de ese proyecto histórico, convirtiéndose en apéndices de la política imperialista en la región y sus regímenes son hoy el blanco de la furia popular.

Terrorismo o revolución

Por enésima vez se confirma que el terrorismo como método de lucha no sólo es ineficaz sino perjudicial para la causa de los pueblos, pues impide a las masas asimilar que a través de la movilización pueden tomar su destino en sus propias manos. Acciones aisladas e indiscriminadas, que cobran numerosas víctimas civiles, aterrorizan mucho más a la población general que a la élite gobernante, y por eso le brindan a ésta la ocasión para desatar la represión y en ocasiones utilizar otro tipo de terrorismo mucho más poderoso, por cuanto cuenta con recursos infinitamente mayores, como lo es el terrorismo de Estado.

En cambio, las acciones de masas en Yemen, las huelgas en Egipto, la creación de los comités revolucionarios en Túnez, el armamento popular y el combate contra Kadafi en Libia, los choques con los esbirros del ejército sirio y la quema del Palacio de Justicia por parte de miles de manifestantes enardecidos, los alzamientos estudiantiles contra la monarquía corrupta marroquí, son experiencias en las que son protagonistas y se educan políticamente millones de personas, saboreando el verdadero poder transformador de la movilización. Cuando el ejército reprime salvajemente, se fractura, como ha ocurrido en Libia y en menor grado en Siria, y si es incapaz de hacerlo, como en Túnez y Egipto, los gobiernos caen. 

Obama: alegría de tísico 

Los festejos en Washington por la ejecución del líder de Al Qaeda no se corresponden con la severa crisis de dominación yanqui en el mundo árabe, la cual no se revertirá por la desaparición física de un fanático que llevaba años aislado y sin ejercer una influencia significativa sobre la vida política de la región. El propio secretismo oficial sobre la ejecución es una muestra de debilidad, y es pasto para que proliferen diversas versiones sobre qué pretende Obama ocultar. 

Con la intervención militar en Libia y la invasión saudí contra Bahrein, el imperialismo intenta frenar la revolución árabe, pero hasta los momentos no ha tenido el menor éxito. Hundiéndose en una crisis económica de enormes dimensiones y con escaso apoyo popular para aventuras guerreristas, la tradicional disposición agresiva y violenta de la política exterior yanqui se resiente de una tremenda impotencia. La celebración del gobierno de Obama es alegría de tísico. Hoy los pueblos árabes están logrando algo mucho más importante y efectivo que derribar las Torres Gemelas. Están derribando los regímenes en los que se ha apoyado EEUU durante décadas para oprimir y saquear el Mahgreb y el Oriente Medio.

Nota:
1.- Hasta el día de hoy, no se han publicado los resultados de una investigación profunda sobre los ataques del 11 de septiembre. La página del FBI incluye a Bin Laden en su listado de "Criminales más buscados", y en esta ficha menciona su responsabilidad en los ataques a las embajadas estadounidenses en Tanzania y Kenya, pero curiosamente no menciona su relación con los ataques del 11 de septiembre. La ficha de Bin Laden se puede observar en el siguiente enlace: http://www.fbi.gov/wanted/wanted_terrorists/usama-bin-laden

(Consultada el 9 de mayo de 2011).

Fonte: La Clase

segunda-feira, 9 de maio de 2011

PAC, Copa, Foxconn e CIA: a chinalização e o PRONATEC


Trabalhadores chineses protestam em frente  a feira Computex 2010, que aconteceu em taipei na China, contra a onda de suicidios nas fábricas de computadores do país, como a Foxconn
Por Júlio Miragaia
 
Vamos acompanhar uma linha do tempo: Obama vem ao Brasil no mês passado e declara que “chegou a hora de tratar o Brasil como a Índia e a China”. Entre as inúmeras declarações do presidente ianque essa intriga. Afinal, tem sido cada vez mais notório que nesses países se instalam as relações trabalhistas das mais precarizadas no mundo. Bom exemplo disso é o suicídio de 14 operários da Foxconn, ano passado na China.

Falando em China, e falando em Foxconn, a presidente Dilma Roussef esteve na semana passada visitando a ditadura capitalista chinesa. A agenda da chefe do Estado brasileiro rendeu o anúncio da mesma Foxconn e de outras empresas em investimentos no Brasil. Desta primeira, de cerca de R$ 12 bilhões e a criação de filiais.

Superexploração e grades

Atualmente a Foxconn tem dois complexos na cidade chinesa de Shenzhen. Neles trabalham cerca de 400 mil funcionários em linhas de produção de iPhone, iPad e outros produtos eletrônicos. Depois do suicídio dos jovens operários no ano passado, os trabalhadores tiveram aumento de 60% nos salários, mas a superexploração segue sendo uma rotina. A jornada diária é de 10 horas, seis dias por semana, em troca de um salário equivalente a R$ 1.083 e seguro-saúde. "Nós produzimos os eletrônicos mais luxuosos, mas não os consumimos", diz um operário em entrevista a um repórter da Folha de São Paulo que acompanhou a visita presidencial. Após os suicídios a Foxconn instalou grades nas janelas e redes sob os dormitórios para evitar novas mortes.

Em cada um dos quatro complexos onde vivem os trabalhadores da empresa residem 100 mil funcionários. Num quarto dormem oito pessoas. A divisão dos edifícios é por gênero, e visitas estão proibidas. A Foxconn estuda construir no Brasil algo semelhante. As relações trabalhistas não são nada modernas: cobranças dos chefes por meio de humilhantes broncas públicas, longas horas extras, falta de privacidade e de lazer nos dormitórios e baixos salários são parte da rotina.

O que há por trás do PRONATEC?

Em seu primeiro pronunciamento, a presidente Dilma anunciou a criação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec), que deverá ser lançado na próxima semana. O objetivo do mesmo é a "capacitação profissional" de cerca de 3,5 milhões de trabalhadores até 2014. Só esse ano serão 500 mil inscritos no programa. O foco será nos setores mais carentes de profissionais especializados, como construção civil, tecnologia da informação e serviços (hotelaria e gastronomia, por exemplo).

O Pronatec será criado por projeto de lei, porque altera várias regras, como a do seguro-desemprego, por exemplo. Como o governo tem pressa, a proposta deverá ser enviada ao Congresso com pedido de tramitação em regime de urgência.

Seria o único objetivo do governo federal a qualificação profissional de tarbalhadores para o mercado de trabalho? Não é tão simples assim.

A instalação do complexo de montagem da Foxconn é apenas a ponta de um iceberg. A movimentação do governo Dilma, no que diz respeito a política que está tendo de criar uma imensa quantidade de mão de obra técnica supostamente qualificada parece parte de uma plano maior. Os recentes levantes operários ocorridos nas obras do PAC, com maior expressão em Jirau e Santo Antônio, mostram que uma "chinalização" das relações trabalhistas pode estar em andamento no Brasil.

É preciso uma mão de obra não tão bem qualificada assim para os inúmeros projetos em curso, como as obras do PAC, da Copa do Mundo, das Olimpíadas e as instalações de multinacionais como a Foxconn por exemplo. Para esses projetos não é preciso uma mão de obra oriunda do ensino superior, por isso a tendência é de um "boom" sobre o ensino técnico, a partir de projetos como o PRONATEC, com cursos rápidos e que dêem a impressão na população de que o governo está investindo em educação. Nada mais falso.

Uma chinalização do Brasil à vista

Dilma vai ao longo de seu mandato cumprindo com o compromisso de campanha feito com o empresariado, em especial com os da construção civil que tem um prato cheio para os próximos anos, com uma mão de obra barata para uma fácil mais-valia. Não à toa a Gerdau inicia uma "consultoria" ao governo, sendo que desde a gestão de Lula, Jorge Gerdau foi um dos membros mais atuantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Obama não disse que havia chegado a hora de tratar o Brasil como a Índia e a China por acaso. A intenção do imperialismo é aprofundar em território verde e amarelo a superexploração existente nesse países. Precisamos denunciar essa chinalização que está por trás de projetos como o PRONATEC e os inúmeros projetos em curso. Pode até parecer clichê falar, mas é necessário: ou os trabalhadores e a juventude se mobilizam a exemplo dos levantes nas obras do PAC, ou podemos (e deveremos) ver casos como o dos suicidas na Foxconn se repetir aqui . Alguém duvida? As mobilizações em Jirau foram contra uma superexploração em muito semelhantes as da ocorrida em Shenzhn, ou qualquer semelhança é mera coincidência? Com a palavra, o futuro. 
 

terça-feira, 3 de maio de 2011

Vídeo mostra a verdade sobre Belo Monte

Norte Energia é o Consórcio formado pelas empreiteiras, governo Dilma, e agora a Vale do Rio Doce, os quais querem acabar com o rio Xingu, sua riqueza ambiental, cultural e social.

Eduardo Galeano e nosso Sangue Latino

Estou lendo um livreto deste grande pensador da esquerda latino americana, Améria Latina (E a descoverta que ainda não houve). Trata-se de uma genial obra deste escritor que tão bem problematiza as dificuldades desta nossa humilhada e explorada região, mas que também aponta importantes saídas para o atual quadro de caos e abandono que nossos países encontram-se diante da perversa subserviência dos governos de turno aos ditames do imperialismo ianque!

 Conversando com alguns amigos aqui em Belém do Pará e comentando sobre esse escritor uruguaio, autor do magistral Veias Abertas da América Latina, infelizmente descobri que muitos deles, com ensino superior na área de humanas, não conhecem Galeano.

 Por isso posto esta entrevista, onde Eduardo Galeano comenta nossos problemas e nos brinda com sua coragem e inteligência explicando sobre o significado do Sangue Latino, e mais, alimentando nossa força para que lutemos para conquistar liberdade, vida digna, pão, paz e terra. (M.B.)

Belo Monte: resposta do Brasil à OEA é vergonhosa


Do blog de Telma Monteiro.

Atônita com a atitude do Brasil frente às recomendações da OEA sobre Belo Monte, acabo de levar um grande susto com a retaliação de Dilma Rousseff em retirar a contribuição anual à organização. Todos os membros da OEA contribuem anualmente para manter sua estrutura. Não que isso vá acabar com a OEA. Mas a atitude do Brasil tem um significado vergonhoso.

Fiquei então pensando se Dilma, durante a ditadura, quando presa e torturada, na solidão de sua cela, exausta e sofrida, teria ansiado por um organismo internacional que intercedesse por ela e por aqueles que sofriam com a violação dos direitos humanos. Assim como fez a Comissão de Direitos Humanos (CIDH) da OEA em favor dos indígenas do Xingu, para resguardar seus direitos ao consentimento livre prévio e informado.

Estranho, pois, que o governo brasileiro tenha uma atitude tão ou mais xenófoba que as dos militares brasileiros da ditadura, algozes autoritários. Aqueles militares que esbravejavam e que esbravejam ainda, caquéticos hoje, contra uma ridícula ameaça americana de conquistar a Amazônia e as suas riquezas naturais. No entanto, o que consta é que os que querem explorar as riquezas naturais da Amazônia são as nossas próprias empresas estatais consorciadas com as grandes empreiteiras, com mineradoras ávidas, com bancos públicos, privados e holdings internacionais. Belo Monte significa uma montanha de dinheiro, ou a Vale não estaria agora interessada.

Com tudo isso o Brasil, não este maravilhoso dos brasileiros, mas aquele dessa presidente autoritária e arrogante, está dando mostras contundentes de que não tem maturidade para integrar o tal Conselho de Segurança da ONU, tão almejado. Quem não respeita os direitos humanos e desse crime é apontado publica e internacionalmente, não pode ser levado a sério.

Será que Dilma Rousseff e entourage estão esquecendo como sofreram horrores na ditadura? Será que estão fazendo uma releitura da dita ao ignorar o clamor dos indígenas do Xingu e agora o grito dos Munduruku do Tapajós?

O governo, a AGU, suas excelências no Congresso, estão agindo, no caso da OEA e Belo Monte, com visível medo de que essa Medida Cautelar proferida pela CIDH se transforme em um precedente. Levando-se em conta tudo que está planejado nas obras tenebrosas do PAC, dá para entender o temor.

Belo Monte: Dilma está ao lado das empreiteiras e contra a vida

Dilma retalia OEA por Belo Monte e suspende recursos

País deixará Comissão de Direitos Humanos e não vai repassar US$ 800 mil em resposta a pedido de suspensão de obras. Brasil já havia suspendido indicação de Paulo Vanucchi para comissão e convocado representante na OEA

O governo brasileiro decidiu jogar duro com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos): deixará o órgão a partir de 2012 e suspendeu, por ordem presidente Dilma Rousseff, o repasse de verba à entidade previsto para este ano, de US$ 800 mil.

A reação do Brasil veio após a comissão pedir, em abril, a interrupção das obras de Belo Monte. O órgão alegou irregularidades no processo de licenciamento ambiental da hidrelétrica de Belo Monte, atendendo a uma medida cautelar de entidades indígenas que questionaram o empreendimento.

Como reação à época, a diplomacia brasileira usou termos fortes e pouco usuais. Chamou a decisão de “precipitada e injustificável” e alegou não ter tido tempo suficiente para se defender.

Irritada com o que considerou interferência indevida, Dilma quis mostrar um posicionamento ainda mais duro: convocou de volta ao país o representante do Brasil na OEA, embaixador Ruy Casaes. Ele, até agora, ainda não recebeu autorização para retomar seu posto em Washington, tampouco sabe quando o terá.

A comissão integra o sistema interamericano de direitos humanos nas Américas. Embora ligada à OEA, é um órgão formalmente independente; não representa países, embora a indicação venha deles. Seus sete membros, entre eles o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, são eleitos por assembleia-geral.

O Brasil havia apresentado o nome de Paulo Vanucchi, ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos no governo Lula, para substituir Pinheiro a partir de janeiro de 2012. A indicação, porém, acabou suspensa em caráter irrevogável.

A relação pode piorar ainda mais. Isso porque a comissão passou a analisar uma nova reclamação de ONGs, que contestam obras no Rio para a Copa-2014 e Olimpíada-2016, eventos caros a Dilma. Quando soube do novo processo, Dilma mandou um recado às lideranças do órgão: se isso for levado adiante, levará o caso à própria OEA, dando contornos de crise real ao caso.

No caso de Belo Monte, o Brasil argumenta que a CIDH concedeu apenas 28 dias para que o governo se explicasse, quando o prazo médio de solicitações semelhantes supera a marca de 100 dias.

Nessa semana, o governo enviou à entidade um relatório de 52 páginas explicando sua atuação no empreendimento junto às comunidades locais. Disse ter ouvido as comunidades indígenas da região e que está atento aos efeitos sociais e ambientais da iniciativa.

Fonte: Folha de São Paulo, 30.04.2011

Tucuruí, umas das maiores insanidades da Ditadura, ainda causa dor e miséria


O maior lago artificial do mundo. Criadouro de mosquitos: afogando a vida,
o peixe e proliferando doenças
Tucuruí: "Mesmo depois de 30 anos continuamos sem receber indenização”

Câncer, depressão, prostituição, extinção de peixes, desmatamento e destruição de toda uma vida foram alguns dos custos que pagam há 30 anos mulheres e suas famílias após a vinda da usina hidrelétrica de Tucuruí (PA). Muitas ainda não receberam nenhum tipo de compensação pelos impactos recebidos ( Thais Iervolino, Amazonia.org.br, 29.04.2011).

Uma vida construída às margens do rio Tocantins. Lá a família plantava e pescava o que comia e o que vendia para sobreviver. Toda uma história de luta para construir uma vida melhor. Até que, de repente, sua família viu-se obrigada a ter de sair do local, com uma ‘mão atrás da outra’, ‘sem eira nem beira’. O motivo? A construção da maior hidrelétrica nacional, Tucuruí, que a partir da década de 1970 desalojou, além da família de Dilma Ferreira Silva, também outras centenas de pessoas com o discurso da vinda de mais desenvolvimento à população.
“Minha cidade ficou alagada. A usina, quando abriu as comportas, levou tudo. Assim foi, assim será com outras [usinas hidrelétricas]“, diz Dilma. Atualmente, existem 573 hidrelétricas e Pequenas Centras Hidrelétricas (PCHs) no país, 62 sendo construídas e 167 em planejamento, segundo os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica.
 
Apesar de ter o mesmo nome da presidenta do Brasil, Dilma pouco foi reconhecida pelo governo: mesmo após 30 anos da vinda da obra, sua família não recebeu nenhuma compensação por tudo o que teve que deixar no local.
 
Ela, que atualmente coordena a regional de Tucuruí do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), conta que na época em que se iniciaram as obras, não havia um estudo apropriado para a indenização das pessoas atingidas. “Naquele tempo, não tínhamos orientação, era a empresa que oferecia o que ela queria a quem ela escolhia indenizar. Outras famílias foram indenizadas, mas nós não recebemos nada. Mesmo depois de 30 anos continuamos sem receber”.
 
Obrigada a sair do local sem quaisquer recompensas por tudo o que tinham deixado, a família de Dilma teve que iniciar uma nova vida. “Depois da chegada da usina, todos fomos para a cidade. Meu pai não se acostumou a morar na cidade e teve que recomeçar sua vida no Maranhão. Ele passou toda uma vida dando estrutura para nós [família] e, quando ele conseguiu, tivemos que sair: perdemos tudo de uma hora para outra”, diz Dilma.
 
Com o intuito de gerar mais energia e tornar navegável um trecho do rio, iniciou-se, em 1975, a construção da . Com ela, são gerados 8.370 MW de energia, sendo que a maior parte, cerca de 70%, é destinada às siderúrgicas para a produção de alumínio para exportação.
 
No entanto, a energia produzida tem um custo, com um valor muito mais caro a ser pago pelas mulheres. De acordo com o estudo “O Impacto das Barragens na vida das mulheres: relatório sobre a violação dos direitos humanos das mulheres atingidas”, elaborado pelo MAB e que ainda não foi lançado, “ademais dos impactos ambientais e sociais, a perda do rio e da casa, as mulheres sofrem profundas perdas que vão para além do material, sofrendo graves problemas de depressão e desilusão associados à desestruturação de suas vidas e ao afastamento do convívio de parentes e amigos”.
 
“Para matar a floresta, eles [responsáveis pela obra] usaram o veneno de efeito laranja e, com isso, as famílias da jusante tiveram doenças, principalmente as mulheres, que tiveram câncer de pele”
 
O caso da família de Dilma não foi diferente. “Minha mãe, quando soube que tinha que deixar sua casa, entrou em depressão. Ela chorava, não queria construir nada porque se o construísse, a usina iria levar embora. Ela ficava deitada”, conta Dilma, que também sentiu o impacto que a usina iria trazer à sua vida. “Eu me senti muito estranha, a barragem mudou toda a minha estrutura. Tive que deixar o meu local, a minha história, tudo o que vivi e tentar me estruturar na cidade”.
 
Segundo o estudo, a comissão especial do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) reconheceu que as mulheres são atingidas “de forma particularmente grave e encontram maiores obstáculos para a recomposição de seus meios e modos de vida; [...] não têm, via de regra, sido considerados em suas especificidades e dificuldades particulares”, e por isso “têm sido vitimas preferenciais dos processos de empobrecimento e marginalização decorrentes do planejamento, implementação e operação de barragens”.
 
Um dos efeitos desses processos é a exploração sexual vivida por mulheres. De acordo com o estudo, durante as obras para construção de barragens, a prostituição nas cidades que recepcionam os grandes projetos de barragens vem crescendo. Em Tucuruí, não foi diferente. “Muitas mulheres que não tinham de onde tirar o seu sustento, foram para a prostituição”, diz Dilma.
 
As mulheres também sofreram com as doenças trazidas pela obra. “Tanto na montante, como na jusante do rio, há impactos. Para matar a floresta, eles [responsáveis pela obra] usaram o veneno de efeito laranja e, com isso, as famílias da jusante tiveram doenças, principalmente as mulheres, que tiveram câncer de pele”, diz Dilma.

Outros impactos

Com a vinda do empreendimento, outras mudanças foram sentidas, a começar pelo meio ambiente: com a construção, mais de 37 espécies de peixes sumiram.
 
Acompanhados à destruição ambiental, chegaram os problemas sociais. Antes de a hidrelétrica chegar, Tucuruí possuía 9 mil habitantes. Atualmente, ela abriga 90 mil. Essa população sofre até hoje com a falta de planejamento na infraestrutura para atender a população migrante. A superlotação da cidade trouxe alguns “presentes” aos seus habitantes. “Com essa obra, veio o roubo, o vandalismo, a exploração sexual. A violação dos direitos humanos foi muito grande”, explica Dilma.
 
“Com essa obra, veio o roubo, o vandalismo, a exploração sexual.
As mulheres que não tinham de onde tirar o seu sustento, tinham que ir para a prostituição”
 
A coordenadora do MAB mostra que até hoje o desenvolvimento prometido pelo consórcio administrador da usina não tem se mostrado. “Hoje não há tratamento de água, na seca do rio, a água é grossa, o banheiro não tem fossa e o esgoto mistura-se com a água do rio. Não mudou nada”, diz.
 
“Tucuruí é pior do que um monstro. Porque um monstro a gente vê e mata, esse bicho [usina], não. É preciso muito trabalho, muita articulação para amenizar a vida da população atingida. Vivemos num país democrático, mas as coisas continuam iguais com as reclusas de Tucuruí”, desabafa Dilma, que logo faz um convite: “Gostaria que todos que tivessem dúvidas sobre o que criticamos viessem ver a realidade daqueles que são afetados pelas barragens. O melhor conhecimento é a experiência, por isso convido a todos que nos visitem, que visitem outras hidrelétricas para ver a realidade”.

Luta organizada

A luta social em busca de seus direitos traz uma importância fundamental às mulheres, dentro de seu processo de empoderamento. Apesar de sofrer mais impactos que homens, as mulheres que estão organizadas não deixam de ter a luta desde a perspectiva de comunidade.
 
“O que nos dá força é o movimento [MAB], é a luta para não deixar o que aconteça com os outros”, explica Dilma, ao ser questionada sobre o motivo que a fez entrar no Movimento dos Atingidos por Barragens.
 
Foi no MAB que Dilma encontrou um caminho para lutar por seus direitos. A partir do início de sua participação, ela mudou sua perspectiva de mundo.
 
“Antes vivia com um companheiro e pensava que era natural a mulher não participar de movimentos e tomadas de decisões. Comecei a ir aos encontros do MAB porque eles entregavam cestas básicas, mas logo vi a que era necessário lutar pela comunidade, e nunca mais deixei o MAB”, diz ela.
 
Dilma hoje vive somente com a filha. “Meu esposo disse que era para eu escolher entre a casa e o movimento. Escolhi o movimento porque tenho que ser respeitada enquanto mulher”, conta.

Fonte: Xingu Vivo

Indígenas Munduruku reúnem-se para discutir hidrelétricas no rio Tapajós

Criança munduruku se refrescando nas águas do belo rio Tapajós
Por Xingu Vivo

Aldeia Saí-Cinza, Jacareacanga – PA, 26 de abril de 2011

Nos dias 25 e 26 de abril de 2011, em um encontro organizado pela Associação Indígena Pussuru em parceria com o Fórum da Amazônia Oriental (FAOR), cerca de 70 indígenas Munduruku do Alto Tapajós, representantes de 19 aldeias, reuniram-se na Aldeia Saí-Cinza, município de Jacareacanga no estado do Pará, para debaterem sobre os impactos que o complexo hidroelétrico Tapajós/Teles Pires pode causar em seus modos de vidas (Cimi, 28.04.2011).

Para muitos dos presentes no encontro, a sensação de medo ficou evidente, pois estes temem que, como em outras obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as comunidades indígenas não sejam ouvidas e que tenham seus direitos constitucionais desrespeitados em benefício do consórcio empreendedor.

Flaviano Akay, da aldeia Trairão, foi enfático ao afirmar que “nós, Munduruku, não queremos de jeito nenhum este projeto, pois irá trazer problemas para nós e nossos filhos”. Osmarino Manhuary, cacique da aldeia Jacarezinho, afirmou que ”nossos pensamentos hão de dizer para o governo que nós somos os primeiros habitantes do Brasil, ue nós somos verdadeiros brasileiros, por isso, não dá para o governo construir seu projeto sem consultar a comunidade indígena”.

Para Francisco Saw, da aldeia Maloquinha, o encontro foi importante porque agora “nós todos estamos cientes sobre a barragem, porque foram mostradas no vídeo as conseqüências do projeto e os problemas que podem existir no nosso futuro”.

Ao invés de barragens nos rios, os indígenas propuseram que o governo traga programas para beneficiar a comunidade em relação à saúde e à educação escolar indígena, já que segundo um dos participantes do evento, “isso o governo não traz para as comunidades”.

Durante o encontro foram exibidos vários vídeos com depoimentos de pessoas atingidas pela usina hidrelétrica de Estreito, no rio Tocantins, além das comunidades que estão sendo ameaçadas com a construção de diversas outras usinas, como Jirau e Belo Monte.

Ao final do encontro, foi aprovada por unanimidade uma carta contendo os principais posicionamentos dos Munduruku em relação às hidroelétricas, que deverá ser encaminhada ao Ministério Público Federal, órgãos governamentais e a toda a imprensa.

Abaixo, leia a carta do encontro:

Carta Aberta dos Povos Indígenas Munduruku do Alto Tapajós

Nós indígenas Munduruku, representantes das aldeias Saí-Cinza, Caroçal Rio das Tropas, Boca do Caroçal, Vila Nova, Bananal, Boca das Tropas, Karapanatuba, Jacaré Velho, Jacarezinho, Jardim Kaburuá, Porto, Biriba, Katõ, Estirão das Cobras, Maloquinha, Monte Alegre, São João, Trairão, Missão Velha, reunidos na Aldeia Saí-Cinza – Terra Indígena Saí-Cinza, município de Jacareacanga, Pará, reunidos. nos dias 25 e 26 de abril de 2011, vimos através desta Carta Aberta declarar a toda a sociedade que:

Nós Munduruku, não queremos de jeito nenhum os Complexos Hidroelétricos do Tapajós e Teles Pires nos nossos rios, pois irão trazer problemas para nós e nossos filhos;

Queremos dizer ao governo que nós somos os primeiros habitantes do Brasil, que nós somos os verdadeiros brasileiros, por isso, não dá para o governo construir seus projetos sem consultar os povos indígenas;

Sabemos que se construir uma barragem, o governo vai construir todas. Por isso, nós devemos lutar para não acontecer a construção de nenhuma;

Exigimos que as autoridades do governo, antes de pensar em qualquer projeto dentro ou no entorno das terras indígenas, que venham se fazer presente e não mandem seus secretários ou representantes e que respeitem o que está escrito na Constituição Federal de 1988 e na Convenção 169 da OIT no que diz respeito aos direitos dos povos indígenas;

Denunciamos que o governo não liga para os pobres, só para os grandes empreendedores. O governo olha pra nós como se não fôssemos ninguém;

Denunciamos ainda que a barragem com certeza irá interferir em nossa cultura e, por isso, exigimos que ao invés de apresentar projetos que vão destruir nosso modo de vida, o governo mostre programas para beneficiar as comunidades em relação à saúde e a educação indígena.


Declaramos a nossa solidariedade a todos os nossos parentes dos rios amazônicos que também estão ameaçados pelos projetos hidroelétricos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.

Lembramos que nós devemos ser fortes nesta luta, nós temos que dizer não às barragens. Se nós formos fracos, o governo vai nos pisar. Por isso, não queremos barragens, porque com nossos rios livres, nós temos liberdade de pescar, de caçar e trazer alimentos para a família e filhos.

Sabemos que os grandes projetos de hidroelétricas vão acabar com tudo. Os rios, peixes, terra são a nossa vida. Por isso, o governo tem que nos respeitar, porque nós estamos vivos ainda.

NÃO ÀS HIDROELÉTRICAS NOS RIOS TAPAJÓS E TELES PIRES!

VIVA OS NOSSOS RIOS, VIVOS PARA SEMPRE!

Aldeia Saí-Cinza, Jacareacanga – PA, 26 de abril de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

ALEPA: roubo, sexo e traição



Salários aumentados por atos secretos. Contratação de assessores laranja e estagiários fantasmas. Sonegação de impostos na folha de pagamento. Desvio de vales alimentação. Deputados e ex deputados no comando da roubalheira. Mais de 100 milhões pode ser o tamanho do roubo. Os pilantras tentam impedir as investigações. Mas a hora vai chegar. 
CPI JÁ! Isenta e transparente. 
O Deputado Edmilson Rodrigues (PSOL) é proponente da CPI.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Belo Monte é tragédia, pelos exemplos de Jirau e Santo Antônio, anunciada!

Não às demissões em Jirau

Nenhuma confiança nas centrais sindicais que traíram os trabalhadores!

Enquanto as empreiteiras anunciam demissões de 6 mil trabalhadores para conter a situação explosiva nos canteiros de obras, o governo e as centrais sindicais acham normal!!!

22 mil homens e mulheres da Usina Hidrelétrica de Jirau, com refeições de péssima qualidade, alojamentos improvisados que parecem senzalas, banheiros indignos e passando meses sem ver as famílias por um salário miserável, fizeram uma justa rebelião.
 
A mídia escondeu quanto pode porque as usinas são as obras do PAC, principal “investimento” do governo Dilma. Os funcionários foram tratados como delinqüentes porque são trabalhadores braçais, peões do interior do país! A CUT declarou que eram vândalos a serviço da Força Sindical, e ela por sua vez negou apoio.

Carrascos defendem condenados

Quando o conflito foi a público, essas mesmas centrais que permitiram toda essa falta de dignidade foram a negociar em nome dos trabalhadores!!! O governo inventou a Comissão Tripartite Permanente, entre centrais sindicais, empresas e governo. Novamente prejudicando a classe trabalhadora, a CUT e a Força Sindical entraram no jogo!

Após semanas de greve, num movimento espontâneo, que apenas contou com a simpatia de milhares de trabalhadores brasileiros, conquistaram a maioria das reivindicações imediatas e a promessa de diminuir as terceirizadas e a assinatura de Acordo Coletivo.

Dias depois a Camargo Corrêa anunciou 6 mil demissões! Patrões, centrais e Ministério do Trabalho se reuniram em Brasília e pactuaram. O ministro Gilberto Carvalho disse -“Demissões são naturais, a empresa sabia que contratou mais gente do que o adequado”. As centrais falaram -“a rotatividade é grande, mas é um avanço porque antes de ocorrer às demissões serão negociadas com os sindicatos...” São 30% do efetivo da obra, o que representaria uma limpeza no quadro de trabalhadores, principalmente dos que participaram das manifestações. E eles acham normal. Isso é um crime! Uma traição contra os trabalhadores!
O bobo da corte

Foto: Rede Cultura

Dilma fez jogada de cena completa, convidou a CSP-Conlutas, "todas as centrais do país participaram", assim passou a idéia de que medidas efetivas seriam tomadas. Conlutas e o Pstu, que sempre foram contra as "Comissões tripartites", rapidamente entraram. Parece que a vaidade e a pressa para legalizar sua Central falaram mais alto.

Direito a participar? Claro que tinham. Mas ficar calados sem denunciar a armadilha foi muito grave! Não fazer um estardalhaço com milhares de panfletos e propaganda paga na televisão foi um descaso com os trabalhadores. Legitimaram o fórum anti-operário e ajudaram a iludir a imensa massa de trabalhadores desamparados. Isso é o que dá confiar nas negociações com o governo. A Conlutas não alertou sobre as demissões! Não exigiram que as comissões de base participassem nas negociações!

A luta continua!

Porém, a crise não está resolvida. O descontentamento é muito grande, já são mais de 100 mil trabalhadores no país que fizeram greve e a situação pode se espalhar. Nenhuma confiança nos sindicatos governistas e nas centrais sindicais pelegas! Os trabalhadores devem se organizar de maneira independente, pela base! Nenhum trabalhador deve ser demitido! Toda a solidariedade aos trabalhadores da construção civil!

Unidos pra Lutar – Associação Nacional de Sindicatos Independentes