sexta-feira, 14 de maio de 2010

Greve dos rodoviários: Carta aberta a população trabalhadora


Informativo do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Ananindeua e Marituba
No dia 10/05 ocorreu a 6º reunião de negociação entre o Sintram e a patronal. A categoria foi flexível, aprovou contra-propostas e se esforçou em busca de um acordo. Infel izmente a patronal se negou a negociar. Foi intransigente. Abusou da paciência dos rodoviários. Por fim, retirou da mesa todas as propostas que construímos conjuntamente e ainda ameaçou retirar nosso triênio. A pat ronal obrigou os rodoviários de Ananindeua Marituba a entrar em greve,
cuja deflagração será zero hora da segunda-feira, dia 17/05.

Os ônibus estão sucateados, são velhos, sujos. A frota não dá conta da demanda. Os empresários
demitem rodoviários e diminuem a oferta do serviço. Todos os dias, o povo se espreme feito sardinha, em latas velhas, para chegar ao trabalho. Do mesmo modo, fica horas nas paradas para
retornar pra casa. As linhas são insuficientes. Há bairros em que o serviço nem chega. Andamos kilômetros, ainda de madrugada para chegar a parada mais próxima, sempre com risco de sermos assaltados.
Por pressão da patronal , o transporte alternativo está na ilegalidade, prejudicando o povo trabalhador, que busca nas vans uma saída pro sufoco cotidiano. Esse problema nem mesmo é percebido pela portuguesada, dona das empresas, afinal eles vivem em outra realidade. Moram em condomínios de luxo, com ótima infra-estrutura e segurança. Habitam bairros atendidos por grandes avenidas e por elas desfilam com seus carros importados da europa.
Os governos concederam perdão das dividas aos patrões, em seguida isenção fiscal do ISS. Como se fosse pouco, concederam aumento abusivo, completamente acima da inflação, no preço da passagem de ônibus. Com essa margem eles poderiam atender nossas reivindicações. Há dinheiro para atender o que exigimos, pois também não há investimentos no serviço. Os termos de ajustamento de conduta, assinados junto com o reajuste da tarifa, prevendo a renovação da frota e melhorias nunca foram cumpridos. Este é mais um abuso cometido pelos empresários sem que sofram qualquer penalidade. Eles são inimigos do povo trabalhador.

Nos estranhou que a patronal se negue a aceitar propostas que levem a verificação de seu faturamento real. Alegam que não podem dar um plano de saúde aos rodoviários, pois teriam problemas junto ao fisco. Quem não deve não teme. Só há problemas se existir alguma irregularidade nos livros-caixa das empresas ou se houver sonegação de imposto.

Unidos somos mais forte

Os rodoviários estão com salários arrochados e sem as mínimas condições de trabalho. Há finais de linha em que nem mesmo há água e papel higiênico para nossa categoria. Enquanto isso, os empresários faturam rios de dinheiro. Eles possuem negócios no Rio de Janeiro, em Portugal e até na Espanha. Nós queremos reajuste, não estamos pedindo esmola, queremos apenas o que é nosso, o que produzimos com muito suor.

A população trabalhadora está convidada a apoiar nossa greve. Lutamos para que o transporte cumpra sua função social, por isso combatemos a ganância de lucros dos empresário. Apoiamos as greves em curso nesse momento: professores estaduais, servidores federais do INCRA, IBAMA, SPU, Judiciário. Apoiamos a luta dos trabalhadores da saúde; as lutas populares nos bairros; a mobilização dos estudantes do NPI, da UNAMA e da UFPA; a luta contra a construção de Belo Monte. Propomos a todos e todas a construção de uma agenda de mobilizações unificadas agora em maio. Os rodoviários devem ficar atentos, pois o SINTRAM pode convocar novas reuniões e novas assembléias para debater nossa data-base. Para informar a população sobre nossa paralisação, nos próximos dias, vamos rodar com os faróis acesos. Agora é greve!

Traição
Infelizmente o sindicato de Belém, atuou nessa data-base como aliado dos patrões. Fechou um acordo rebaixado, sem fazer qualquer luta, em troca de um agrado de R$ 175 mil reais para sua diretoria. Eles são amigos dos patrões e inimigos dos rodoviários. Quem faz conchavo com a patronal é inimigo do povo, do transporte de qualidade. Essa é a prática de inúmeros sindicatos no Pará e no Brasil comandados pela CUT, UGT, CTB, Força Sindical.

Esse é um dos motivos que leva o SINTRAM a construir o CONCLAT – Congresso da Classe Trabalhadora, para fundar uma nova central sindical.

Diretoria do Sintran

terça-feira, 11 de maio de 2010

O conhecimento que desmascara as mentiras que Lula conta

Frankenstein de água
Por Lúcio Flávio Pinto*. 05.05.10 - 13h37


Mal colocou em funcionamento no rio Tocantins, no Pará, a hidrelétrica de Tucuruí, a quarta maior do mundo, em 1984, a Eletronorte já se preparou para repetir a dose, em escala ampliada. Avançando para oeste nos afluentes do Amazonas, arrematou os estudos para a primeira de seis usinas que pretendia construir no Xingu, destinada a ser a terceira maior do planeta.

O modelo era praticamente o mesmo, não só da gigantesca Tucuruí, como de hidrelétricas menores que saíram da prancheta da subsidiária da Eletrobrás: uma barragem de alta queda para segurar grande volume de água no reservatório e acionar turbinas de tal potência que precisam de pelo menos 300 mil litros de água por segundo.

O problema é que os maiores rios amazônicos têm baixa declividade natural. Represados por um elevado paredão de concreto, inundam grandes áreas rio acima. Além disso, a variação da sua vazão entre o máximo do inverno e o mínimo do verão pode ser de mais de 30 vezes.

Um turbilhão de águas na cheia é substituído por um fio d’água na vazante tanto no Tocantins quanto – e ainda mais – no Xingu. Para que as máquinas de energia funcionem regularmente o ano inteiro, pagando seu pesado custo, é preciso estocar muita água. Em Tucuruí, são 50 trilhões de litros de água estocados numa área de mais de três mil quilômetros quadrados. Só assim a usina pode se manter quando a vazão se torna mínima.

A hidrelétrica do Tocantins começou a ser construída com pouca reação (e conhecimento) da sociedade em 1975, seis anos antes da legislação ambientalista brasileira ter início. Em menos de dez anos já estava em operação. Seu maior problema foi a descontinuidade de recursos financeiros mais do que críticas ou guerra judicial. A Eletronorte achava que podia reeditar a façanha com Belo Monte no Xingu.

Mas o facão da índia Tuíra (foto), passado cinematograficamente no rosto do tecnocrata que tinha o principal papel nesse enredo, o engenheiro José Antônio Muniz Lopes, pôs fim a essa ilusão. Foi em 1989, durante o I Encontro dos Povos Indígenas, em Altamira, que reuniu índios, celebridades e ONGs internacionais.

A cena da índia pintada para a guerra e com ar feroz brandindo seu facão diante do assustado engenheiro correu mundo e provocou impacto. O mundo primitivo dizia não à civilização pós-moderna**. Sentimentos mal reprimidos de consciência culpada afloraram. O Banco Mundial decidiu não mais financiar grandes barragens na Amazônia. Fechou-se assim a grande porta de financiamento internacional, base de sustentação do “barragismo” no Brasil durante o governo militar, que levantou gigantes de concreto sobre leitos de rios, como Itaipu e Tucuruí**.

Belo Monte parecia condenada ao esquecimento. Mas em 2002 ela foi reapresentada com nova moldura: sem as demais barragens rio acima e com seu reservatório reduzido a um terço do tamanho original (de 1.200 para 400 km2), metade dele coincidindo com a área natural de inundação do Xingu à altura de Altamira, a maior cidade do vale.

Era a primeira grande hidrelétrica a fio d’água do Brasil, mesmo projetada para ser a terceira maior do planeta. Foi despojada dos efeitos negativos de Tucuruí, com área de inundação quase oito vezes maior (e 30% menos energia). Mas sem o estoque de água da barragem de Babaquara, que seria construída a montante, alagando 6 mil km2, as 20 gigantescas turbinas da casa de força ficariam paradas, por absoluta falta de água, durante três meses e funcionariam a baixa potência por igual período.

A energia firme (disponível em média) ficaria aquém do nível recomendado, de 50%, podendo bater em pouco mais de 30%. E havia ainda outro problema: o custo da transmissão da energia cresceu tanto que se aproximou do custo da geração, relação inédita nesse tipo de orçamento. A preocupação com a imagem ambiental do projeto, abalada desde 1989, afetou sua viabilidade técnica e econômica, que se tornou tremendamente complexa e temerária.

A construção dos diques para conduzir a água por dois igarapés até a casa de força, num desnível de 90 metros e uma distância de 50 quilômetros, demandará um volume enorme de concreto e uma precisão tal para evitar vazamentos. Iniciativa de risco diante das condições da área na Volta Grande do Xingu, com muita drenagem, rochas e terra. Uma barragem secundária foi concebida para manter a vazão pelo leito natural do rio, impedindo-o de secar. Mas depois foram aduzidas oito turbinas a bulbo, que produzem energia – embora em muito menor quantidade do que as turbinas tipo Francis da casa de força principal – com água corrente, sem reserva e sem precisar de desnível.

A condução do projeto também se tornou descontínua. Depois de ficar sob o controle total da Eletronorte, foi dividido entre a Odebrecht, a Andrade Gutierrez e Eletrobrás. A Chesf, estatal com jurisdição no Nordeste, substituiu a estatal amazônica, que está sem condições financeiras, enquanto as duas empreiteiras privadas acabaram se desinteressando por apresentar o lance vencedor no leilão. O consórcio que arrematou a concessão será incapaz de executar a obra, convicção a que se pode chegar apenas examinando as empresas que o compuseram.

A expectativa de que o outro grupo seria o vencedor, por combinar construtoras experientes e habilitadas com grupos de consumidores intensivos de energia (como a Vale e a CBA), se frustrou por algum incidente de bastidores ainda não reconstituído. A própria marginalia do leilão deve ter crescido tanto que, se chegar a ser revelada, desnudará provavelmente um escândalo de acertos prévios e cartas marcadas, o maior do governo Lula.

A sofreguidão do presidente da República arrematou a sucessão de erros e irregularidades com a decisão de que, se tudo der errado, como está acontecendo, o governo assumirá sozinho o projeto, estatizando-o de vez. As tinturas de privatização são tênues demais para que se acredite nelas.

O BNDES se dispõe a financiar – em condições favoráveis ao tomador do dinheiro – 80% dos 19 bilhões de reais orçados para a obra (pelo menos R$ 30 bilhões, segundo os empreiteiros). Já a Sudam comprometeu isenção de 75% do imposto de renda por dez anos. Outros benefícios já se incorporaram à cesta de favores, com o objetivo de reduzir ao mínimo o risco do empreendedor.**

Com tudo isso, a rentabilidade do negócio dependerá ainda da disposição do governo de ir além se a obra ultrapassar o valor orçado oficialmente. Nele ainda não está incluída a transmissão, e ficam pendentes detalhes técnicos que não podem ser minimizados diante da grandiosidade do projeto.

O projeto de Belo Monte se tornou um monstro, um Frankenstein, depois de tantas mudanças, correções, ajustes e mistificações feitos nos seus 30 anos de história. Começou como uma cópia do modelo de hidrelétricas no Brasil, com ênfase em Tucuruí, apenas com ligeiras correções e adaptações.**

Depois, tentou agradar os ambientalistas atendendo sua principal queixa: a grande inundação provocada pelas barragens. Mas ao cobrir essa falha, como a visão era curta, acabou inviabilizando a obra, por aumentar descontroladamente o seu custo. Hoje, o negócio só pode ir em frente com muito dinheiro público. E quando isso acontece, sem uma diretriz firme, a história começa a feder.
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*Lúcio Flávio Pinto é paraense de Santarém; tem 60 anos e é jornalista há 44. Passou por algumas das principais publicações brasileiras, e hoje é editor do Jornal Pessoal, newsletter quinzenal que circula em Belém desde 1987. Já recebeu quatro prêmios Esso e dois Fenaj, além do International Press Freedom Award. Tem 15 livros publicados, a maioria sobre a Amazônia.
Escreve a coluna Cartas da Amazônia quinzenalmente, às quartas-feiras, no Yahoo.
FALE COM ELE
**Grifos do blog.

Indaiá ou Fraudiá?!

MPF quer mudança nos rótulos das águas engarrafadas vendidas no PA
Do sítio do MPF no Pará:

Última modificação 11/05/2010 08:27

Comercializadas como se fossem minerais, a maior parte das marcas é, na verdade, de água apenas potável. Água mineral precisa ter ação medicamentosa, segundo definição legal.

O Ministério Público Federal pediu à Justiça Federal que ordene revisão nos rótulos das águas engarrafadas vendidas no estado do Pará com a classificação de água mineral. O Departamento Nacional de Produção Mineral, responsável por classificar e aprovar os rótulos, é acusado de descumprir o Código das Águas Minerais ao permitir que as indústrias vendam água potável como se fosse mineral.
Pela lei, a água só é mineral quando possui características físico-químicas especiais e consequente ação medicamentosa. E as marcas de água industrializadas do Pará se enquadram na classificação de água potável de mesa, boas para consumo humano, mas sem qualquer diferencial terapêutico.“O prejudicado, certamente, é o consumidor, que aceita pagar um valor mais elevado por acreditar que estará consumindo um produto mais benéfico à sua saúde, desconhecendo, no entanto, que na maior parte das vezes o produto que adquiriu não traz em si a excepcionalidade imaginada”, diz o procurador da República Bruno Araújo Soares Valente, responsável pelo caso.

Além de pedir a revisão dos rótulos e da classificação das águas vendidas como minerais no Pará, o MPF quer que, na ausência das condições químicas determinadas em lei, as empresas sejam proibidas de comercializar o produto com denominações como “água mineral”, “água mineral natural”, água mineral fluoretada” e “água mineral hipotermal na fonte”.
É que pelo Código das Águas Minerais, o fato de ser natural, fluoretada ou hipotermal não confere à água a classificação de mineral. “A classificação das águas minerais brasileiras tem por base a composição química e as características físicas, físico-químicas e microbiológicas, que são propriedades variáveis e inerentes a cada tipo de água proveniente do subsolo”, explica a ação do MPF.

O MPF pediu ainda que o DNPM e as empresas tenham prazo máximo de 120 dias para fazer as mudanças, se a Justiça considerar que são realmente necessárias. Os rótulos passarão a trazer a classificação água potável de mesa ou água natural, nesse caso.

Além da União Federal e do DNMP, são réus na ação nove pessoas físicas e jurídicas que industrializam e comercializam água engarrafada no Pará (veja os réus abaixo).

Quem o MPF acusa pelas irregularidades nos rótulos:

Aguanat Indústria e Comércio de Águas Minerais da Amazônia
Águas Cristalinas Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda
Amazônia Mineração Indústria e Comércio Ltda
Benevides Água SA
Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)
Gena – Geologia e Mineração Montalverne Ltda
Iagupe Iara Daibes
Indaiá Brasil Águas Minerais Ltda
Itaguá Itaituba Águas Ltda
Satagua Santarém Águas Ltda
União Federal

Fonte: Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Pará
Atendimento à imprensa: Helena Palmquist e Murilo Hildebrand Abreu
Fones: (91) 3299.0148 / (91) 8403.9943 / (91) 9999.8189 / (91) 8212.9526
Twitter: @MPF_PA

Entrevista com historiador russo sobre Stálin

Entrevista publicada no jornal alemão Der Spiegel:

"Aos olhos da maioria, Stalin é um vencedor", diz historiador russo
Joséf Stáli foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (1922-1953) e primeiro-ministro (1941-1953) .
O historiador Nikolai Svanidze falou à “Spiegel” sobre as razões da popularidade de Stalin na Rússia. Ele argumenta que os arquivos precisam ser abertos para revelar os crimes do ditador e explica porque o presidente Dmitry Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin têm abordagens tão diferentes da história russa.

Spiegel: Como se explica que os estalinistas e os apologistas de Stalin são uma parte amplamente aceita da paisagem política da Rússia?
Nikolai Svanidze: Porque Stalin é um vencedor aos olhos da maioria. E não condenamos os vencedores. Associamos a Stalin não só a vitória sobre Hitler, mas também os sucessos da União Soviética que hoje são praticamente mitológicos: a industrialização, a transformação numa superpotência, a previsibilidade da vida cotidiana. As coisas negativas foram esquecidas.

Spiegel: Para os alemães, as palavras de elogio a Stalin soam como elogios a Hitler. Algo que é impensável.
Svanidze: Isso porque Hitler perdeu a guerra. O mundo o considera um criminoso e os alemães o veem como um sedutor que liderou o país para a catástrofe. Os que querem justificar Hitler dizem que ele eliminou o desemprego, reduziu o crime, construiu estradas e unificou o país. Coisas muito semelhantes podem ser ditas em relação a Stalin. Mas diferentemente de Hitler, Stalin nunca foi claramente condenado, e certamente não por seu próprio povo. Não houve julgamento, então formalmente, pelo menos, ele tem uma ficha limpa.

Spiegel: Mas não há simplesmente estalinistas em seu país.
Svanidze: Stalin anda divide a sociedade. Alguns dizem que ele matou pessoas inocentes, enquanto outros acreditam que as vítimas eram simplesmente inimigos do povo e que o fim justificou os meios. Infelizmente, a maioria dos russos o veem de forma positiva. O fato de que a União Soviética atingiu o auge de seu poder imperial e tamanho territorial sob o governo de Stalin faz com que muitas pessoas gostem dele.

Spiegel: Em entrevista à “Spiegel”, o presidente Medvedev disse que “a liquidação de um grande número de cidadãos soviéticos foi um crime”, e que o Estado precisa honestamente chamá-lo assim. Por que Medvedev ousa dar essas declarações quando a maioria vê as coisas de outra forma?
Svanidze: É simplesmente o que ele pensa.

Spiegel: Ele espera marcar pontos com o Ocidente?
Svanidze: Quando escrevi meu livro sobre Medvedev em 2008, aconteceu uma coisa estranha. Eu perguntei sua opinião sobre Stalin. Ele respondeu demoradamente e do jeito ponderado que lhe é característico. Ele descreveu Stalin como extremamente negativo. Mas quando enviei o texto a Medvedev, ele deletou o que havia dito sobre Stalin.

Spiegel: Ele perdeu a coragem?
Svanidze: Quando nos encontramos novamente, ele me explicou que embora ele houvesse sido eleito presidente, ainda não havia assumido o poder e não queria estragar seu relacionamento com o povo logo de cara. Ele então pensou sobre o assunto – e acabou deixando o trecho original.
Spiegel: Por quê?
Svanidze: Porque a visão negativa de Stalin é uma profunda convicção sua e porque, ao se referir ao passado, ele pretende tomar uma posição para o presente e o futuro. Medvedev também está usando o debate sobre Stalin para retratar a si mesmo como um político ideologicamente diferente de Putin.

Spiegel: Putin, para quem o colapso da União Soviético foi “a maior catástrofe política do século 20”.
Svanidze: Putin não é estalinista. Sei disso pelas conversas que tive com ele. Mas ele vem do serviço de inteligência. Aos olhos dos intelectuais, em particular, ele se comporta como um estalinista. Medvedev se posiciona de forma diferente: como um liberal e um antiestalinista.

Spiegel: Medvedev reclama que 90% dos jovens russos não sabem nada sobre as vítimas da repressão estalinista, nem mesmo o nome de Alexandr Solzhenitsyn, o vencedor do prêmio Nobel de literatura, que passou oito anos no gulag. Como isso pode ser mudado?
Svanidze: Com o Estado se posicionando claramente. Ele deveria criminalizar a glorificação da ditadura de Stalin. Mas ainda é muito cedo para isso. Em segundo lugar, precisamos de uma educação ativa nas escolas e na mídia. Infelizmente, a situação costuma ser reversa no momento.

Spiegel: Por que a Rússia não abre todos os arquivos de sua agência de inteligência? Eles revelariam as atrocidades da era de Stalin de uma vez por todas.
Svanidze: Você, como alemão, sabe como uma agência de inteligência pode permear uma sociedade. Não estou pensando somente na época de Hitler, mas também na da Stasi na antiga Alemanha Oriental. Meu sonho é que os arquivos sejam abertos, mas nem todas as listas secretas de informantes. Muitas surpresas desagradáveis viriam à tona.

Spiegel: Mas talvez seja a única forma de curar o país de sua síndrome estalinista?
Svanidze:
Não saberíamos lidar com isso, porque quase uma pessoa em cada família fazia parte do sistema de informantes. Se os arquivos fossem abertos, isso seria um duro golpe para muitas pessoas, porque elas descobririam coisas sobre seus ancestrais e parentes próximos que não esperavam. A psique do meu país já é muito perturbada hoje em dia. Quase todo mundo aqui poderia ir ao um psiquiatra por causa dos eventos das décadas passadas.

Tradução: Eloise De Vylder

Belo Monte: Volta Grande e Valo Grande, volta ao século XIX

Telma Monteiro mostra neste artigo, que Lula além de repetir o autoritarismo da ditadura militar e mentir para implementar Belo Monte, ele também foi mais longe e pode ser comparado ao imperador D. Pedro I, o qual também fez obras que impactaram de forma negativa no meio ambiente.
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“A Natureza para ser comandada precisa ser obedecida”. Francis Bacon, em 1620
“Se tiveres que tratar com água, consulta primeiro a experiência e depois a razão”. Leonardo Da Vinci, em torno de 1.500[1]

Este é um resgate da história, um tanto esquecida, de um desastre ambiental de proporções imensuráveis chamado Valo Grande, no município de Iguape, litoral sul do Estado de São Paulo. Os casos de Valo Grande, no rio Ribeira de Iguape, e da Volta Grande, no rio Xingu, guardadas as devidas proporções, têm uma triste semelhança: a desastrosa ignorância ambiental das decisões autoritárias fomentadas por elites políticas e econômicas para alterar o curso de um rio. O primeiro aconteceu no século XIX por ordem do imperador D. Pedro I. O segundo poderá ocorrer agora, no século XXI, por ordem de um presidente inspirado no imperador.

Telma Monteiro

O rio Ribeira de Iguape tem sua foz no município de Iguape no litoral sul de São Paulo, no Vale do Ribeira. Nas primeiras décadas do século XIX ele servia para escoar a produção de arroz até o porto fluvial do Ribeira. Para ganhar tempo, os produtos seguiam por terra do Porto do Ribeira até o Porto de Iguape no litoral do Mar Pequeno. Esse caminho diminuía o percurso entre o porto fluvial e o porto marítimo. Ler a matéria toda.

A distância entre os portos, percorrendo o trecho do rio Ribeira de Iguape até sua foz e de lá pela costa até o porto marítimo, era de 30 quilômetros. Para poupar essa viagem os representantes da elite econômica e política de Iguape tiveram a idéia de escavar um canal de três quilômetros ligando os dois portos.

D. Pedro I autorizou a construção do canal de 4 metros de largura que desviou parte da água do rio Ribeira de Iguape. Em 1827 foram iniciadas as obras do Valo Grande com mão de obra escrava.

A produção seria transportada através de canoas, ao invés de carroças, com uma grande economia de tempo. Mas o que ninguém imaginava é que esse canal provocaria uma resposta violenta da natureza, insatisfeita com a ousadia humana de alterar as vazões do trecho final do rio Ribeira de Iguape. Em menos de 50 anos os originais 4 m de largura do canal passaram para 200 m e depois para 300 m.

O rio não suportou o desrespeito. Nas cheias, as águas desviadas para o trecho artificial, sem os meandros para domar sua velocidade, solaparam suas margens carreando todo o sedimento para o porto de Iguape, que acabou assoreado. Esse é conhecido como um dos mais trágicos desastres ambientais decorrentes do desvio de um rio. Erosão e assoreamento transformaram definitivamente o ecossistema da região e a biodiversidade do complexo lagunar Iguape – Cananéia.


Inúmeras espécies de peixes e mariscos que eram a base da atividade econômica para sobrevivência de caiçaras e ribeirinhos do município desapareceram. A foz natural do rio Ribeira de Iguape, à míngua até hoje, é “também vítima do assoreamento e da alteração de sua dinâmica flúvio-marinha. Enfim, uma radical transformação geológica de toda a região.”[2]
Atualmente cerca de 70% da vazão do rio são escoados pelo canal diretamente no mar – criou-se uma foz artificial. A natureza cobrou caro o preço da interferência humana. O Mar Pequeno que separa a Ilha Comprida do continente, onde afloram algumas dunas de sedimentos trazidos pelo canal, está completamente assoreado.

Ainda no século XIX Iguape perdeu a prosperidade e seu porto marítimo, que competia em importância com o do Rio de Janeiro . Hoje as grandes enchentes na região levam enormes prejuízos à agricultura. O assoreamento do Mar Pequeno onde deságua o canal artificial do Valo Grande é um obstáculo ao escoamento normal da vazão das cheias do rio Ribeira de Iguape.
A construção do Valo Grande em 1827, na extremidade norte da ilha próxima à Iguape, acelerou os processos de erosão e sedimentação na área, inclusive na Ilha Comprida.

Se o desvio de um rio que começou com um canal de 4 m de largura com 3 km de comprimento causou tamanho desastre, pode-se imaginar as conseqüências do desvio de um rio da importância do Xingu através de canais que variam de 160 m a 750 m de largura por 20 km de comprimento?

Essa interferência no fluxo do rio se deu numa escala centenas de vezes menor que a pretendida no projeto de Belo Monte, mas levou a alterações ambientais inimagináveis na temperatura e nas propriedades físico-químicas das águas da região. Valo Grande é uma grande ferida que não vai cicatrizar nunca.

Especialistas têm alertado para a fragilidade do equilíbrio natural e biológico no trecho da Volta Grande do Xingu. A vazão chamada “ecológica” que a prepotência humana pretende liberar magnanimamente para o trecho de 100 quilômetros da Volta Grande, não satisfará as necessidades da natureza. Alterar o curso do rio Xingu vai desencadear um processo de destruição da vida nos pedrais que se refletirá até a foz do Amazonas.

A ironia é que estamos no século XXI enfrentando decisões autoritárias apesar de todo o conhecimento acumulado com amargas experiências em desastres ambientais. Na verdade estamos ainda sob o mesmo obscurantismo das elites econômicas e políticas do século XIX.
O projeto da hidrelétrica Belo Monte prevê a escavação de 20 quilômetros de canais artificiais para desviar 80% das águas do rio Xingu, no trecho da Volta Grande. O objetivo, neste caso, é criar um reservatório artificial alimentado pelas águas desviadas para acionar as turbinas da casa de força principal.

São 100 quilômetros do rio Xingu que perderão sua vazão normal à semelhança do que aconteceu com os 30 quilômetros do rio Ribeira de Iguape, no século XIX. Não são precisos estudos ou exercícios de futurologia para ter idéia das conseqüências disso para o meio ambiente. Basta ir até Iguape e constatar.

Sobre Valo Grande:
http://wikimapia.org/8409467/pt/Canal-do-Valo-Grande
http://noticias.ambientebrasil.com.br/artigos/2007/06/19/31786-valo-grande-uma-ferida-aberta-de-enorme-carga-didatica.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Mapa-1930-Iguape-Canal-do-Valo-Grande-artigo-Sud-Mennucci.jpg
http://revistas.ung.br/index.php/geociencias/article/viewFile/137/276
http://camiloaparecido.blog.terra.com.br/2009/11/27/a-historia-do-valo-grande-em-iguape-sp/


[2] Valo Grande: uma ferida aberta de enorme carga didática, artigo de Álvaro Rodrigues dos Santos. Geólogo, autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar” e “Cubatão”; consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia.
http://noticias.ambientebrasil.com.br/artigos/2007/06/19/31786-valo-grande-uma-ferida-aberta-de-enorme-carga-didatica.html

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Professores entram em greve no Pará

Cerca de 800 mil alunos ficarão sem aulas.
Para sindicato, proposta oferecida pelo estado é ‘imoral’.

Foto e texto: Lucas Gabriel Corrêa Nogueira
Internauta, Belém, PA

Os professores da rede estadual de educação no Pará entraram em greve por tempo indeterminado, na manhã desta sexta-feira (7), para reivindicar reajuste salarial, melhores condições de trabalho e a aprovação imediata do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR).

No total, cerca de 800 mil alunos ficarão sem aulas, enquanto aproximadamente 60 mil professores mantêm as atividades paralisadas.

“Na quinta-feira (6), o governo apresentou proposta de piso salarial que é imoral, com aumento de R$ 510,00 para R$ 512,00 para professores do 1º ao 4º ano”, afirmou Conceição Holanda, coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp).

PSOL insiste na construção da Frente de Esquerda unitária e socialista nestas eleições!

Nota da Executiva Nacional do PSOL

O PSOL realizou sua III Conferência Nacional Eleitoral no dia 10 de abril e após um intenso e importante processo de debates definiu a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio a presidente da República. Definiu também uma base inicial de diretrizes programáticas e a tática da Frente de Esquerda buscando aliança eleitoral com o PSTU e PCB e um diálogo com os movimentos sociais autênticos e combativos da classe trabalhadora brasileira e com todos os atores que se coloquem em oposição de esquerda e conseqüente ao governo Lula. Nesse sentido, o PSOL vem manifestar sua disposição de empreender todos os esforços possíveis para construir essa unidade, pois consideramos que a Frente de Esquerda é uma necessidade no atual momento para a classe trabalhadora brasileira, para os setores oprimidos, para todos aqueles que lutam por outro projeto político que resgate as bandeiras históricas do povo brasileiro.

O cenário eleitoral se apresenta como uma grande peça de manipulação do povo, pois as candidaturas de Dilma, amparada pelo governo Lula e a máquina de Estado; a de José Serra, da nefasta aliança PSDB-DEM; a de Marina Silva, do PV, que aceitou aliar-se ao PSDB e ao DEM no Rio de Janeiro, defendem a mesma política econômica em vigor no país há 16 anos, que submete o Brasil ao capital financeiro e à lógica do neoliberalismo. Basta ver a política de privatizações e a entrega da soberania nacional, do patrimônio público e a desastrosa política ambiental, como verificada no leilão da usina Belo Monte e nas recentes enchentes, que causaram desmoronamentos de encostas deixando centenas de vitimas, devido à ausência de uma política habitacional para as populações carentes. O caso da usina de Belo Monte é outra grande negociata, patrocinada agora pelo governo Lula, para favorecer grandes empreiteiras e com os mesmos métodos antidemocráticos e truculentos de desrespeitar os direitos dos povos originários, tal como ocorria no governo FHC. Ao lado disso, o grande capital, que tem assumido em suas grandes publicações, como a revista Veja, não ter contradições de fundo entre as candidaturas Dilma e Serra, patrocina uma ofensiva sobre os direitos do povo trabalhador brasileiro. O Estado, suas leis e seu aparato repressivo, perseguem brutalmente os movimentos sociais e suas ações, e criminalizam a pobreza.

É preciso, portanto, construir nas lutas sociais uma frente de resistência que tenha capacidade de potencializar um plano de ação e uma plataforma de reivindicações para defender a classe e mobilizá-la contra os ataques do grande capital e dos seus governos. É por isso que o PSOL saúda e está engajado na construção do CONCLAT, que ocorrerá em junho, e que deverá fundar uma nova central combativa e classista no Brasil. É este mesmo espírito de unidade na ação para criar um novo instrumento de frente única que deve balizar a disposição de todos para constituir a Frente de Esquerda eleitoral. O Brasil precisa nestas eleições de uma alternativa socialista e de esquerda, buscando construir a unidade de todos que têm responsabilidades reais junto ao movimento de massas e ao povo pobre e trabalhador. O momento é de superarmos nossas dificuldades e construir a unidade. Vamos partir daquilo que nos une e não daquilo que nos divide. Não é o momento de decretar impossibilidades de se formar a Frente de Esquerda, pois terão responsabilidade no movimento os que optarem pela divisão antes mesmo de esgotarmos as possibilidades de um acordo por essa unidade.

O PSOL está propondo com os aliados da Frente, com os movimentos sociais, com a intelectualidade crítica, a realização de um esforço coletivo de elaboração de um programa mínimo comum, que pode ter como patamar mínimo o programa/manifesto da Frente de Esquerda de 2006 que uniu a todos nós, e que agora pode ser atualizado. para ter como ponto de partida, um programa de claro corte anticapitalista e ecosocialista. Dessa forma, chamamos os companheiros do PSTU e do PCB a assumirem a responsabilidade pela construção de uma Frente de Esquerda nas eleições de outubro, para apresentarmos ao povo pobre, ao conjunto da classe trabalhadora e aos setores médios uma verdadeira alternativa de esquerda, que coloque na ordem do dia o chamado à mobilização.

Foi esse o sentido do esforço do PSOL de ter chegado ao nome de Plínio Arruda Sampaio, para avançarmos na construção de um projeto de esperança, de luta e de unidade da esquerda socialista, combativa e democrática.

São Paulo, 27 de abril de 2010
Executiva Nacional do PSOL

terça-feira, 4 de maio de 2010

Imprudência é causa de acidentes

A governadora Ana Júlia Carepa (PT), o prefeito de Belém Duciomar Costa (PTB) e o prefeito de Ananindeua Hélder Barbalho (PMDB) são responsáveis pelo caos na região metropolitana. Deveriam estar atrás das grades devido ao crime de responsabilidade. São responsáveis por cada trabalhador que vive mal, com estresse, surdez, todo tipo de pertubações psíquicas oriundas do caos em que se transformou o trânsito na grande Belém.

Para fazer um caminho de apenas três quilômetros, está se consumindo mais de meia hora. A todo momento é ônibus lotado, caindo aos pedaços, poluindo, etc.

São responsáveis por cada morte que ocorre no trânsito fruto de uma rua não sinalizada, de um condutor mal preparado ou mesmo de planejamento urbano que nunca fizerame e aplicaram de fato. Belém tem quase quatro séculos. Na região metropolitana, que tem uma população de mais de dois milhões e meio de habitantes, até hoje não possui sequer um terminal de integração. Isso é o caos!

São Luís do Maranhão, que é uma aprazível ilha, tem cinco terminais desses. Mas aqui não tem umzinho sequer. Resultado: um ônibus sái lá do Distrito Industrial (em Aninindeua) e tem que obrigatoriamente passar no centro histórico da cidade (Ver-o-peso ou Pte. Vargas). Roda por "todo lugar". Acaba gerando mais estresse para o motorista e cobrador, e todas as moléstias disso derivados (problemas de pressão arterial, doenças coronarianas, hemorróidas, problemas na coluna, etc.), enfim, é o caos..., além de mais buracos nas vias, mais CO2 detonando a atmosfera, etc., etc.

São coisas ilógicas, que todo mundo prometeu resolver, mas até hoje não saiu da promessa. Por isso mesmo, que esses senhores e senhora já citados, deveriam estar atrás das grades.
Eles não querem resolver nada, pois o que fazem a cada dia é piorar a vida do povo pobre e trabalhador.

Enquanto o povo se lasca, os donos de empresas de coletivos ganham milhões e mais milhões a cada mês. Duciomar não tem mais limite para o descaramento dele junto a patronal do setor, que ainda perdoou uma dívida do I.S.S. na ordem de mais de R$ 20.000.000,00. Enquanto os portuga recebem esse tipo de presente de nosso prefeito charlatão, o povo continua amargando um dos mais deficientes e humilhantes serviços de transporte público que existe nesse país.
A matéria abaixo mostra a face de mais um desses atores que diariamente tem que vencer o caos nmo trânsito, para garantir a população seu sagrado direito de ir e vir que nem Ana Júlia Carepa no estado, nem Duciomar Costa em Belém, nem Hèlder Barbalho em Ananindeua e nem os portuga são capazes de garantir. Eita bando de gente incopetente...

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A difícil jornada sobre duas rodas
por Igor de Souza / foto Wagner Meier


Recorrente em bairros e regiões menos favorecidas, o serviço de mototáxi tem tido sucesso no âmbito dos transportes alternativos para a população. “Além de ser mais barato que um táxi comum, tem sempre um mototáxi na esquina onde moro, e aí não preciso esperar ônibus se meu destino não for muito longe”, comenta Camilo Brabo, usuário costumeiro do serviço. Mas, olhando pelo lado daqueles que exercem a profissão, podemos encontrar alguns percalços no cotidiano dos mototaxistas, como demonstrou o pesquisador Galafre Guttemberg da Costa Filho em sua monografia apresentada ao Curso de Especialização em Bioestatística, da Universidade Federal do Pará.

Intitulada “Avaliação estatística das características de mototaxistas da Vila dos Cabanos” e orientada pela professora Adrilayne dos Reis Araújo, a monografia é pioneira na análise estatística dessa classe de trabalhadores em ascensão no País, principalmente, no que diz respeito à saúde desses profissionais. Localizado no município de Barcarena, o Distrito Vila dos Cabanos possui cerca de 350 mototaxistas, 141 estão cadastrados no Sindicato dos Mototaxistas de Barcarena (Simoba), universo de onde foi retirada a amostra utilizada pelo pesquisador - 103 homens e 6 mulheres.

A profissão de mototaxista ainda não é reconhecida em várias cidades brasileiras, mesmo com a Lei 12.009 sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2009, que regulamenta o trabalho dos mototaxistas profissionais. De acordo com a Lei, o motociclista que exerce a profissão precisa ter, no mínimo, 21 anos, habilitação na categoria A (de motos) há, pelo menos, dois anos, curso especializado, nos termosda regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito, além de haver obrigatoriedade do uso de coletes com dispositivos retrorrefletivos e equipamentos de segurança, como o “mata-cachorro”, fixado no chassi do veículo, destinado a proteger a moto e a perna do motociclista em caso de tombamento.


Na Vila dos Cabanos, assim como em Belém, a profissão ainda não é amparada pelo poder público municipal, fato este que traz diversos problemas para a classe de trabalhadores em questão, os quais trabalham sob condições geralmente adversas e enfrentam concorrência com outros mototaxistas inabilitados para o serviço e fazem parte de um sindicato ou associação.
58% dos entrevistados sofrem com estresse

De acordo com a pesquisa, dos 109 mototaxistas entrevistados, 66,97% disseram apresentar algum tipo de problema de saúde desde que começaram a exercer a profissão. Entre os que apresentaram problemas, 58,56% dizem estar estressados e 28,83% apresentam problemas na coluna, sendo que somente 12,33% trataram seus problemas.
O pesquisador Galafre da Costa Filho acredita que o estresse não é causado pelo trânsito, sintoma comum em cidades grandes. “Creio que o estresse diagnosticado na pesquisa é por conta do tempo de trabalho dos mototaxistas, já que a maioria trabalha mais de dez horas, diariamente”, afirma o pesquisador. De fato, os dados comprovam a afirmação, já que 80,73% dos mototaxistas atuam na profissão todos os dias da semana e 35,78% trabalham de 11 a 12 horas por dia.

Para a maioria (29,36%), a renda mensal pelo tempo dedicado ao serviço não passa de R$ 1.000,00, sendo que 85,32% dos entrevistados não realizam outro tipo de serviço remunerado. Segundo a pesquisa, essa situação gera uma certa insatisfação, 64,22% dos entrevistados afirmaram que sairiam da profissão de mototaxista em troca de um emprego fixo, mesmo ganhando menos e trabalhando oito horas por dia.

A falta de apoio do poder público municipal e a ausência de fiscalização abre espaço, também, para irregularidades por parte dos mototaxistas. Mais da metade dos entrevistados não usa capacete (50,23%) e apenas 34,70% usam o “mata-cachorro” em suas motocicletas, o qual é requisito obrigatório de acordo com a Lei 12.009. 27,52% não possuem habilitação e quase 30% não têm os dois anos de carteira previstos por Lei para o exercício da profissão.

Categoria dividida entre sindicato e associação

Além do Sindicato dos Mototaxistas de Barcarena (Simoba), Vila dos Cabanos possuía duas outras associações de mototaxistas até 2009. Uma delas é a “Expresso Duas Rodas”, criada em 2008 por Raniere Fernandes, a qual selecionava apenas pessoas que tivesse habilitação e conhecimento dos equipamentos de segurança. Muitos foram rejeitados não só na associação, mas também no Simoba. Isso fez com que, no mesmo ano, os "rejeitados" se unissem e criassem a “Briolândia”. A nova associação não possuía limite de associados e muito menos a preocupação com habilitação e equipamentos de segurança obrigatórios.

No intuito de juntar forças para legalização da profissão no município, em maio de 2009, a “Expresso Duas Rodas” aglutinou-se ao Simoba, porém a “Briolândia” não seguiu o mesmo caminho alegando que a legalização poderia ser prejudicial para a categoria. Com isso, a Associação “Briolândia” não reconhece o sindicato como uma força capaz de lutar por melhorias para a categoria, como: tabela de preços dentro do município, qualidade de vida dos profissionais, linhas de créditos bancários, entre outros avanços.

A pesquisa revela que 95,42% dos entrevistados acreditam que a regulamentação trará melhorias para os mototaxistas, mas o pesquisador Galafre da Costa Filho afirma que a desunião da categoria pode prejudicar o andamento do processo. Na esperança de que a legalização seja rápida, como já ocorreu em Tailândia e Castanhal, onde a profissão de mototaxista já está regulamentada, o pesquisador reforça o recado de Raniere Fernandes, atual presidente do sindicato, “é preciso unir todos os grupos e entidades para podermos conquistar, cada vez mais, espaço no quadro econômico, social e político do País”.
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Imprudência é causa de acidentes

por Jessica Souza
foto Wagner Meier

Entrocamento: 20 primeiros quilômetros da BR-316 já foram considerados os mais perigosos do país

O trânsito nas rodovias federais brasileiras mata, por acidentes de veículo ou atropelamentos, um número superior a 40 mil pessoas por ano. O trecho correspondente aos 20 primeiros quilômetros da BR-316, no Pará, por exemplo, já foi considerado como o intervalo onde ocorrem mais acidentes nas BRs de todo o país. Esses são alguns dos dados levantados pelas pesquisas de integrantes da Polícia Rodoviária Federal, que concluíram, recentemente, na Universidade Federal do Pará, a especialização em Segurança Pública e Gestão da Informação, coordenada pelo professor Wilson José Barp, docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA.

As pesquisas resultaram em monografias que abordaram estatísticas de acidentes, multas aplicadas e mortes ocorridas, do quilômetro zero ao 20 da BR-316, no ano de 2008. De acordo com as informações levantadas e analisadas pelo especialista Irlando Lopes, os tipos de acidentes que mais ocorrem neste trecho da rodovia, que corresponde à saída da cidade de Belém, são colisões laterais e colisões traseiras, cujo principal fator contribuinte é a falta de atenção dos condutores. Notou-se, ainda, que a grande maioria dos acidentes ocorre próximo aos semáforos e retornos, o que também demonstra a imprudência por parte de condutores e pedestres revelando a precariedade da sinalização existente no local.

É o que também concluiu Henrique Lopes, cuja monografia tratou das estatísticas de multas aplicadas entre os quilômetros zero e 20 da BR-316. "Basicamente, há falta de planejamento e investimentos para a melhoria da rodovia. O trecho em questão possui um grande fluxo de pedestres, ciclistas e veículos. A população não tem consciência da importância do uso da passarela; existem semáforos - com pequenos intervalos -dividindo a rodovia, o que impede o fluxo contínuo dos veículos; há necessidade da remoção dos trabalhadores da atividade informal, os quais lotam as calçadas nas áreas mais próximas ao Entroncamento; além da melhoria do transporte público e das mudanças no transporte alternativo, que não segue regras. Somam-se a isso a imprudência e a falta de atenção dos condutores e pedestres”.

Mais de três mil acidentes em rodovias paraenses

Conforme dados do Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF), no Brasil, ocorreram 138.175 acidentes, em 2008, tendo como saldo um total de 6.836 mortos, somente nas rodovias federais. Segundo dados referentes ao mesmo período, levantados pelo especialista Erlon Andrade, no Pará, foram 3.159 acidentes, que lesionaram 1.524 pessoas e tiveram como saldo um total de 166 mortos, sendo o maior percentual, neste total de vítimas, de condutores do gênero masculino. Dentro desse universo de dados, o trabalho deteve-se em quantificar o número de mortos ou de vítimas de acidentes de trânsito na BR-316, totalizando 69 acidentes com 76 mortos, em toda a extensão da rodovia.

A partir daí, buscou-se verificar os tipos de acidentes com maior percentual de vítimas fatais e suas particularidades. "Traçando o perfil das vítimas de acidentes na BR-316, destacamos as seguintes informações: 78,95% dos mortos são do gênero masculino, a faixa etária informada com maior incidência de óbitos está entre 20 e 29 anos, o que representa 27,63% dos casos, e a vítima fatal, em 59,21% dos casos, era o condutor do veículo. Os tipos de acidentes que mais mataram foram colisão com bicicletas, com 19 mortos; e atropelamento de pedestres, com 16 vítimas fatais", revela o pesquisador.

O trabalho traz, ainda, uma sequência de tabelas e gráficos cruzando as mortes com outras informações, tais como: mês, dia da semana, tipos de acidentes (colisões, atropelamentos, capotamentos, entre outros), horário e perímetro (km da BR onde aconteceu o acidente). De acordo com Erlon, essas informações dão subsídios ao planejamento da PRF, que desencadeia operações incisivas, visando ao combate das causas dos acidentes. "Mas a conduta diária neste trânsito enlouquecedor é de responsabilidade, sobretudo, nossa, condutores. E é essa conduta que vai ajudar a salvar vidas”, afirma o pesquisador em um tom de alerta sobre as consequências que podem advir da direção irresponsável.

Sindicato dos Bancários: Uma eleição marcada por muitas irregularidades

Grupo da governadora do Pará, tendência interna do PT, que só tem socialismo no nome: Democracia Socialista, preparou um golpe nos bancários, os quais sofrem há anos com essa direção aparelhista, traidora e sem qualquer autonomia diante dos governos e banqueiros. Tal qual o governo de Ana Júlia e sua coalizão com o que há de mais sórdido neste estado, na santa aliança para massacrar o povo, no Sindicato dos Bancários, a prática da DS não difere em nada. São a mais pura expressão da mentira.
A realidade que eles apresentam para os bancários, tal qual no governo, só existe nas peças publicitárias, mas não se reflete nem no salário do trabalhador, bem como em nenhuma prática sindical que pudesse representar a luta dos trabalhadores por conquistar melhores condições de trabalho, fim dos assédios morais, mais segurança, enfim, tudo o que o governo Lula e Ana Júlia se esforçaram por combater, pois estão em definitivo ao lado da banca internacional, são os controladores do cofre que infelizmente permanece nas mãos dos mesmos há séculos.
Os Bancários certamente votaram contra essa maré de imobilismo e de traição representada por uma direção atrelada a CUT e ao governo, que comprovou sua capacidade de não querer, nem poder, encaminhar quaisquer lutas de forma consequente. Esse grupo da governadora, comprova com essas manobras, que assim como sua grande estrela, eles também não tem mais qualquer resquício de moral e respeito pelos trabalhadores. Incorporaram de vez o vale tudo pelo poder, e a nefasta moral burguesa. Cabe aos trabalhadores responder com muita luta. (MB)
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Eleições passam, mandatos também passam, mas a honra, a dignidade e o comprometimento das pessoas envolvidas nestes processos ficam marcados na história.
NA NOITE DE QUINTA-FEIRA O DESESPERO DA CHAPA CONTRÁRIA ERA VISÍVEL. PROTELARAM A APURAÇÃO QUE DEVERIA TER SIDO INICIADA NAQUELA NOITE, CONFORME DETERMINA O ESTATUTO.
Todos os bancários e bancárias que estiveram na noite de quinta-feira, 29 de abril, na sede do Sindicato se assustaram com o visível nervosismo dos integrantes e apoiadores da chapa 1. Eles estavam agitados, abalados, claramente angustiados. Naquela noite em que, obedecendo o Estatuto, deveria ter sido aberta a apuração, logo após o término da eleição, eles encontraram uma forma, até agora inexplicável, de protelar a apuração. Em entrevista a uma repórter, o atual presidente e membro da chapa 1, chegou a confidenciar a possibilidade de uma nova eleição. Esperamos até às 3h da madrugada pedindo a apuração imediata. Mas eles estavam com medo.

NA SEXTA-FEIRA ELES JÁ ESTAVAM TRANQUILOS, COMO QUE SEGUROS DO CAMINHO ENCONTRADO PARA GARANTIR, DE QUALQUER JEITO, UM RESULTADO FAVORÁVEL NA APURAÇÃO.

Da mesma forma na sexta-feira, 30 de abril, eles conseguiram um artifício para continuar protelando a apuração e já afirmavam, nos corredores, que queriam apurar apenas na segunda-feira. Como dominam a comissão eleitoral e a mesa apuradora, propuseram uma legitimação da fraude: queriam conferir os votos em separado apenas com a lista geral de votantes, sem comparar com as listas específicas por roteiros de bancos. Nós queríamos a apuração imediata, sem fraude, com a conferência correta, como determina o Estatuto. A mesa apuradora, então, decidiu suspender os trabalhos e convocar nova reunião para segunda-feira. Eles vibraram. Aliás, esta era a única diferença entre a quinta e a sexta-feira: eles estavam mais tranquilos, seguros e até sorridentes, como se já estivessem com os caminhos traçados para garantir, de qualquer jeito, um resultado favorável na apuração.

A INSEGURANÇA DAS URNAS NO SINDICATO DOS BANCÁRIOS. OS VOTOS QUE ALI ESTÃO, AINDA SÃO OS VOTOS DA CATEGORIA? QUEM PODE AFIRMAR?

As urnas ficaram por quatro dias e quatro noites na sede do Sindicato, que está longe de ser um terreno neutro e seguro. Como todos sabemos, a atual direção do Sindicato compõe, coordena e financia a chapa 1, e comanda todo o processo através da comissão eleitoral indicada em uma assembléia manipulada, e da mesa apuradora formada pela CUT, que já declarou apoio aberto à chapa 1.Como se não bastasse todo esse atrelamento, o processo eleitoral está repleto de irregularidades que abrem brechas e comprometem, totalmente, a lisura do processo e prejudicam a vontade da categoria.

ALGUMAS DAS IRREGULARIDADES QUE MACULARAM O PROCESSO ELEITORAL:

1) AUSÊNCIA DE REGIMENTO ELEITORAL.

Nas primeiras reuniões da comissão eleitoral, nosso representante solicitou a cópia do Regimento Eleitoral, no que foi informado que não havia Regimento Eleitoral. Nosso representante, então, propôs que se escrevesse um Regimento Eleitoral e a comissão eleitoral votou e aprovou que não seria escrito qualquer Regimento Eleitoral;

2) MESA APURADORA DA CUT.

Ficou bem visível, durante a campanha eleitoral, o apoio da CUT para a chapa 1. Em diversos materiais de propaganda, no site, em camisas, panfletos e até nos adesivos de carro a logomarca da CUT está colada à da chapa 1. Que isenção, portanto, tem os dirigentes sindicais da CUT para coordenar a mesa apuradora? Todas as manobras com as quais a mesa apuradora concordou neste processo não foram previamente combinadas entre a atual direção do Sindicato e os dirigentes da CUT? Os bancários e bancárias que estiveram no Sindicato nas noites de quinta, sexta e segunda-feira puderam perceber, claramente, esse vínculo, e não havia, sequer, uma preocupação em disfarçar; as ordens eram ditadas pelo coordenador da chapa 1 e a presidente da mesa apuradora, presidente da CUT, acatava imediatamente, muitas vezes, contrariando uma decisão sua, tomada minutos antes;

3) PROTELAMENTO DO INÍCIO DA APURAÇÃO, CONTRARIANDO O ESTATUTO.

O Estatuto determina que a apuração deve iniciar imediatamente após o encerramento da eleição, assim que estiver confirmado o quórum. A eleição se encerrou às 20h da quinta-feira, dia 29 de abril. Nesta mesma noite, a comissão eleitoral, repassou aos nossos fiscais as atas de urnas que confirmavam que o quórum havia sido atingido. Todos os membros da mesa apuradora estavam na sede do Sindicato dos Bancários, tudo estava pronto para que a apuração se iniciasse, conforme determinação do Estatuto, mas havia uma decisão política da direção do sindicato e da chapa 1 de protelar a apuração. Inventaram um "quórum físico" que nunca constou no Estatuto e, como têm o domínio do processo, adiaram a apuração para sexta-feira, dia 30. Na sexta-feira encontraram outra desculpa: queriam uma legitimação da fraude com a conferência dos votos em separado sem considerar a duplicidade do voto. A mesa apuradora da CUT novamente se submeteu à decisão política da direção do sindicato e da chapa 1 e protelou o início da apuração para segunda-feira dia 3 de maio. As urnas ficaram, por quatro dias e quatro noites na sede do Sindicato e o Estatuto foi rasgado em sua clara determinação;

4) 21 URNAS NA RECEPÇÃO DO SINDICATO.

As suspeitas em relação à segurança das urnas se confirmaram na tarde de segunda-feira, quando, inadvertidamente, um dos membros da nossa chapa adentrou a sede do Sindicato e se deparou com uma cena comprometedora: 21 urnas estavam largadas no sofá da recepção. Por quantas horas? Estavam ali desde que chegaram; ou chegaram, subiram e desceram para, dali, serem levadas à sala da comissão eleitoral? O que se passou desde a chegada das urnas até o momento em que foram entregues à comissão eleitoral? O mesmo ocorreu com as demais urnas? Qual o procedimento seguro adotado? Houve procedimento seguro? Para essas 21 urnas não houve. Para as demais, quem pode afirmar? O que chama a atenção é que dentre as urnas expostas na recepção do Sindicato, estavam as urnas de Macapá e Marabá, grandes colégios eleitorais;

5) URNAS SEM LACRE NUMÉRICO E OUTRAS VISIVELMENTE ALTERADAS.

O lacre numérico é um aro que contém uma numeração única e, uma vez colocado, só pode ser retirado se for quebrado. Muitas urnas estavam sem o lacre numérico no momento da apuração. Um outro lacre era o de papel com as assinaturas dos mesários e fiscais. Algumas urnas apresentavam aparência estranha, como que os lacres de papel tivessem sido amassados, alterados. Cada vez que nossos fiscais, na apuração, se manifestavam no sentido de registrar tais ocorrências, eram simplesmente ignorados pela mesa apuradora, que se negava a constar em ata o que era visível para todos.

6) A REPRESENTANTE DA OAB FOI RETIRADA DA APURAÇÃO.

A solicitação para que a OAB e o Ministério Público do Trabalho acompanhassem o processo eleitoral, inclusive a apuração foi feita pela chapa 2, e encaminhada pela comissão eleitoral. Apenas a OAB enviou representante para o que seria a apuração. Desde a noite de quinta-feira, dia 29 de abril, a Ordem dos Advogados do Brasil estava acompanhando os fatos que envolveram a protelação da apuração, através de sua representante Dra. Ana Kelly. Na sexta-feira, a advogada, integrante da direção da OAB, reiniciou seu trabalho de acompanhamento normalmente, mas em determinado momento se retirou, visivelmente contrariada. Desde então, não mais foi vista na apuração e nem a OAB enviou novo representante.

O QUE ESTÁ NAS URNAS AINDA É A EXPRESSÃO DA VONTADE DA CATEGORIA?

Ontém, dia 3 de maio, segunda-feira, decidiram iniciar a apuração. Saltava aos olhos a felicidade expressa nas faces antes tão angustiadas. Os membros da chapa 1, ao contrário do que se viu na noite da quinta-feira, estavam afirmando, para quem quisesse ouvir, que a eleição já estava ganha.

Neste momento, a apuração mostra ainda um quadro bastante indefinido, isso afirmamos porque temos uma avaliação das urnas que até agora foram apuradas e das urnas que ainda estão por serem apuradas. Até às 5h da madrugada, a diferença entre as chapas era de cerca de 200 votos; com 831 votos para a chapa 1, e 626 votos para a chapa 2.

Independente do resultado da apuração, o que estamos questionando é a lisura do processo, o que estamos questionando é se as urnas ainda carregam, intactas, a vontade da categoria expressa em votos, o que estamos questionando é: até que ponto a atual direção do Sindicato chegaria, ou chegou, para manter-se no poder, principalmente neste ano eleitoral, quando perder a eleição no Sindicato dos Bancários conta, e muito, para o jogo da reeleição da governadora, que é bancária, e pertence ao mesmo grupo político da direção do Sindicato e da chapa 1.

Para que nada maculasse o processo eleitoral, algumas regras deveriam ter sido respeitadas, o Estatuto deveria ter sido respeitado, as condutas da comissão eleitoral e da mesa apuradora deveriam ter sido sérias e inquestionáveis, as urnas deveriam ter sido protegidas em local neutro e seguro, e a OAB deveria ter acompanhado toda a situação envolvendo a apuração. Por quais motivos não foi assim? Neste momento, é possível afirmar, com total certeza, que o processo está seguro e limpo? Se pode afirmar que a lisura está garantida?

Então como fica a vontade da categoria? Quem, realmente, está decidindo, a esta altura, a eleição: os votos dos bancários ou as manipulações da apuração? Quem pode responder com segurança diante de tantas irregularidades?

Fonte:http://sindicatolivreedosbancarios.blogspot.com/2010/05/uma-eleicao-marcada-por-muitas.html

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Um bebê morre a cada dois dias por falta de equipamento em maternidade de Macapá

Na capital do Amapá existe uma única opção de maternidade pública. Lá, os funcionários têm que decidir quem vai viver e quem vai morrer.

http://www.youtube.com/watch?v=iiOam4tTzpg

Em um cemitério estão enterrados os sonhos de centenas de mães. Uma delas é Kamila Souza. A filha dela viveu apenas 15 dias. “A dor de ter um filho passa. Mas a dor de perder um filho não passa de jeito nenhum”, diz ela.

Em Macapá, capital do Amapá, existe uma única opção para as mães que não têm como pagar por um parto: a Maternidade Estadual Mãe Luzia.
“Eu sentia que não era para eu ir para lá. Eu disse para minha mãe não me levar para lá porque eu não quero ter filho naquela maternidade”, lembra Kamila.

A Maternidade Mãe Luzia recebe gestantes de todo o estado e também da Ilha de Marajó e faz uma média de 800 partos por mês. A equipe do Fantástico entrou na maternidade com uma câmera escondida e presenciou uma cena dramática: havia apenas um respirador para três bebês na UTI para recém-nascidos.

Um dos bebês que precisava do respirador acabou morrendo horas depois. “Você está ali por um ser humano e, de repente, tem que decidir quem vive e quem morre. É muito complicado para nós”, diz uma funcionária da maternidade que não quis se identificar. “Mortes com crianças e uma rotina“, conta. O Fantástico reuniu mães que entraram grávidas na Maternidade Mãe Luzia e saíram de lá sem os filhos.

“É uma dor que nunca vai passar. Aquela cena vai ficar para o resto da minha vida”, diz Cilene Castro, de 31 anos. O grupo pediu ao Ministério Público que as mortes dos bebês fossem investigadas. “De janeiro até agora nasceram 1755 crianças, das quais 57 foram a óbito”, diz o promotor Marcelo Moreira dos Santos. Na estatística de mortes de bebês no estado do Amapá, chama a atenção o percentual registrado apenas na Maternidade Mãe Luzia. “Deste número, de 60% a 70% dos óbitos foram na maternidade”, afirma o promotor.

O Fantástico procurou o secretário de Saúde do estado, mas ele pediu que o diretor da maternidade falasse em nome do governo.

Fantástico: Como obstetra, você considera que hoje as condições da maternidade são satisfatórias?
“As condições não são satisfatórias. Temos superlotação, carência de médicos, enfermagem. Nossa maternidade está pequena para a demanda que temos hoje”, constata o diretor Dílson Ferreira da Silva.

O Fantástico perguntou ao diretor sobre o elevado número de mortes registradas dentro da maternidade.
“Esse índice de mortalidade está dentro da média. Se você procurar no site do Ministério, vai olhar que está dentro da média”, assegura ele.

Mas a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia contesta o diretor da maternidade. Só este ano, o índice de mortalidade de bebês de até um mês de vida na Maternidade Mãe Luzia chegou a 32 para cada mil nascimentos. E a média brasileira é bem menor.

“Em cada mil, de cinco a seis crianças é que morreriam nessa faixa etária. A gente vê que lá é um número de cinco a seis vezes maior do que ocorre nas grande capitais”, diz Lucia Nagata, membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. O Fantástico mostrou à médica as imagens do hospital.

“Acho que seria uma situação aceitável se a gente estivesse em guerra, em um lugar onde realmente não houvesse condições”, avaliou Lucila Nagata. “Eu acho que só aceitaríamos se estivéssemos em uma situação de extrema urgência, em um terremoto.

Em uma situação de calamidade publica, até poderia acontecer de gestantes em trabalho de parto dividirem uma mesma maca. É totalmente desumano uma paciente dividir uma cama com mais duas pessoas que estão na mesma situação que ela”, conclui.

A dona de casa Ivete Nascimento diz ter sido vítima da falta de estrutura. Depois de completar nove meses de gravidez, ficou uma semana indo à maternidade em busca de atendimento. Quando conseguiu, era tarde demais. “À 0h30, a enfermeira disse que minha filha havia passado da hora de nascer e o caso dela era muito grave.

O certo seria estar na UTI, mas não havia vaga. Às 10h30, ela faleceu”, conta Ivete. “Estamos solicitando uma intervenção federal na saúde pública do Amapá, para tentar evitar as mortes que estão acontecendo de forma acelerada dentro da maternidade do estado”, adianta o diretor do Sindicato de Trabalhadores de Saúde do Amapá, Dorinaldo Malafaia.

“Eu não tenho dúvida de que existem responsáveis. Vamos apurar e buscar que se faça justiça em relação a essas vidas que se perderam desnecessariamente aqui no estado do Amapá”, afirma o promotor Marcelo Moreira. O Ministério Público pediu a abertura de um inquérito policial e ingressou na Justiça para que os serviços prestados pela maternidade melhorem.

Fonte: http://migre.me/BlNd

Enquanto os homens exercem seus podres poderes

Do Espaço Aberto:

O PP – ou PG – e o boi que avua

Matéria da Folha mostra que o PP está rachado em 11 Estados.
O PP, vocês sabem, é a sigla de Partido Progressista.
Mas por aqui podem também chamá-lo de PG.
Partido do Gerson.
Gerson de Gerson Peres, o decano dos parlamentares paraenses que compõem a bancada do Estado no Congresso.

Diz a Folha:

Das 11 possíveis alianças regionais, os tucanos terão que enfrentar jogo duplo em Estados como Alagoas e Rondônia, onde o PP promete apoiar o candidato do PSDB ao governo, mas deve pedir voto para Dilma. Pesam a favor de Serra, no entanto, declarações de pepistas pró-Dilma afirmando que trocam de lado caso se concretize o convite a Dornelles.
Dos dez diretórios inclinados a coligações dilmistas, destacam-se Bahia, Pará e Rio de Janeiro, Estado onde o PP apoia a reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB). É justamente esse um dos "trunfos" apresentados pelos petistas - o de que o reduto de Dornelles, o possível vice de Serra, apoia Dilma. O outro argumento é o de que o PP não abandonará os cargos que possui no governo federal.


Mas podem apostar.
O PP, até aqui, segue firme com Ana Júlia – e com Dilma, portanto.
Mas pode mudar.
Tudo pode mudar.
Até porque, como diz o próprio Gerson, apontado como autor dessa máxima, em política, até boi avua.
E avua mesmo.

domingo, 2 de maio de 2010

NOTÍCIAS DA AMAZÔNIA

Câncer de colo de útero mata mais mulheres no Norte, constata Inca

Último acusado da morte de Dorothy Stang nega crime e não responde perguntas da acusação

Com aporte do Tesouro Nacional, linha do BNDES para hidrelétricas é de R$8 bilhões

Compensações de Jirau e Santo Antônio devem chegar a R$ 1,2 bilhão

ANA defende leilões integrados para hidrelétricas na Amazônia

Estudo revela impactos socioambientais da produção de agrocombustíveis na Amazônia
No Mato Grosso, maior produtor de soja do país, com 11 usinas de biodiesel em funcionamento, o grão adquirido para produção do agrocombustível provém, em parte, de áreas com problemas fundiários e ambientais. A situação é parecida no Pará. Essas são conclusões de um estudo lançado hoje pela ONG Repórter Brasil.

"É preciso incluir a Amazônia no debate sobre migração", diz especialista
O perfil de pessoas que deixam seus países de origem para irem viver na Amazônia está mudando. A região deixou de receber pessoas de continentes como Europa ou Ásia, para receber imigrantes da própria América Latina. Confira a entrevista com o professor Luís Aragón que organizou o livro “Migração Internacional na Pan-Amazônia”.

Considerada uma das empresas mais irresponsáveis do mundo, GDF Suez é questionada pela atuação na Amazônia
A GDF Suez, empresa francesa de energia conhecida internacionalmente por ser finalista no Prêmio Public Eye, concedido às piores empresas do mundo em termos de responsabilidade social e ambiental, foi novamente alvo de protestos pelo seu envolvimento na construção de usinas hidrelétricas na Amazônia.
Fonte - www.amazonia.org.br

Belo Monte goela abaixo: da Ditadura aos dias de hoje

A vila de Belo Monte se localiza nas proximidades do rio Xingu, Estado do Pará, no coração da selva amazônica, próxima à cidade de Altamira. É ali que o governo brasileiro pretende construir uma das maiores hidrelétricas do mundo, também com o nome de Belo Monte, realizando um projeto do tempo da Ditadura Militar, que data dos anos 70. (No Xingu Vivo para Sempre)

A reportagem é de Amazonia.org.br, 30-04-2010.

Originalmente, o plano previa a construção de cinco usinas na região. Desde então, indígenas, ribeirinhos, ambientalistas e representantes da Igreja, que vivem no local, vêm lutando contra o projeto de Belo Monte.

Em 1989, os índios realizaram o "Primeiro Encontro das Nações Indígenas do Xingu", que alcançou repercussão nacional e internacional. Essa mobilização contou com o apoio do cantor Sting, que se uniu ao líder indígena Raoni na luta contra Belo Monte. Pouco depois desse encontro, o Banco Mundial negou suporte financeiro ao projeto, fazendo com que fosse arquivado.

Porém, o empreendimento não foi abandonado, e, 30 anos depois, a intenção de realizá-lo volta com toda a força. O estímulo maior para que as obras, finalmente, saiam do papel, parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que incluiu a usina dentre os projetos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Para acalmar a resistência popular a Belo Monte, o governo reduziu a proposta para a construção de uma única usina, ao invés de cinco. Porém, estudiosos afirmam que a construção de uma usina é apenas uma etapa, e o projeto será financeiramente deficitário caso se limite a uma única barragem. Aprovada e iniciada a primeira, o projeto das outras quatro viria necessariamente.Além disso, o volume de terra a ser retirado para formar os canais de uma única usina será tão grande quanto aquele escavado para a construção do canal do Panamá.

Milhares de pessoas dos municípios de Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo serão retiradas de suas terras compulsoriamente, e perderão a possibilidade de viver e obter meios de subsistência de acordo com seus costumes tradicionais. Um terço da cidade de Altamira ficará submerso.
Especialistas alertam para o fato de que o objetivo principal da energia gerada por Belo Monte será o de atender às necessidades das grandes empresas que já estão instaladas ou pretendem se estabelecer na região ou em suas proximidades.

Se for construída, como pretende o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Belo Monte será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, com capacidade total instalada de 11.233 Megawatts (MW), dos quais somente uma média de 4.571 Megawatts (MW) terá geração assegurada, devido ao regime de cheias do rio Xingu.

O custo total da obra deverá ser de R$ 19 bilhões, quantia que torna o empreendimento o segundo mais custoso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), atrás apenas do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, orçado em R$ 34 bilhões.

Desrespeito à população continua
Para garantir que projeto seja aprovado, o governo federal vem passando por cima de uma série de exigências: seriam necessárias 27 audiências públicas, mas foram feitas apenas quatro. Nesses encontros, os principais interessados, os indígenas, não tiveram acesso a informações suficientes sobre o projeto, ou tiveram acesso ao local dos debates dificultado. Essa situação foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF), que, inclusive, chegou a pedir que as audiências públicas fossem anuladas, mas não teve esse pedido acatado.

Para que a licença ambiental prévia fosse concedida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à obra, houve pressão sobre os funcionários do órgão. Dois deles, inclusive, deixaram o instituto no final do ano passado em função disso. O Ministério das Minas e Energia (Edson Lobão) e o Ministério do Meio Ambiente (Carlos Minc) pressionaram para que a licença ambiental fosse concedida o quanto antes. E isso, de fato, aconteceu no dia 1° de fevereiro deste ano.

A Advocacia Geral da União (AGU), logo em seguida à concessão da licença, lançou uma nota - apoiada pelo Presidente da República - ameaçando processar os membros do Ministério Público que viessem a colocar em questão a licença concedida ou o próprio projeto.

Essas investidas contrariam promessa feita por Lula, em julho do ano passado, durante encontro com movimentos sociais da região de Altamira e com o bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Kräutler. Na ocasião, o presidente afirmou que o projeto de Belo Monte não seria empurrado "goela abaixo" da população.

Hoje, Lula faz críticas abertas às ONGs contrárias a Belo Monte, e informa que fundos de pensão poderão participar da licitação da obra. Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que facilitaria o empréstimo aos empreendedores da obra, apesar de questionamentos do MPF sobre essa conduta. O banco já foi avisado de que poderá ser co-responsabilizado por eventuais danos socioambientais de Belo Monte, caso insista em financiar o projeto, por meio de comunicado redigido por organizações não-governamentais.

Tais atitudes também lembram práticas da Ditadura, período em que os militares construíram, de forma autoritária, grandes obras e projetos com importantes impactos socioambientais, como a inundação das Cataratas de Sete Quedas, a construção das barragens de Tucuruí e outras, a estrada Transamazônica, e a usina nuclear de Angra dos Reis. Essas obras foram realizadas, passando-se por cima da sociedade, dos povos indígenas, de populações ribeirinhas, dos atingidos por barragens e do respeito ao meio ambiente, todos vistos como obstáculos ao desenvolvimento.

Impactos da obra

O Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) da usina hidrelétrica de Belo Monte, apresentado pelos empreendedores, durante as audiências públicas, continha diversas falhas.Dentre os erros, foram indicados: a omissão de impactos socioambientais, falta de previsão sobre formas de compensar as famílias que serão impactadas pela obra e superestimação da energia e dos empregos que serão gerados pelo empreendimento.

As lacunas foram apresentadas por pesquisadores, Ministério Público e sociedade civil organizada. Um Painel de Especialistas, formado por 38 estudiosos dedicados a analisar o EIA/Rima da usina, identificou que impactos descritos no projeto subestimam as populações urbanas e rurais que serão afetadas pela obra e também desconsideram as conseqüências socioambientais do projeto no trecho do rio que terá sua vazão reduzida.

Segundo os estudiosos, cerca de 3/4 ou 100 km da Volta Grande [do Xingu] serão submetidos a condições de uma falta de água severa com a construção da usina, o que irá prejudicar o aproveitamento do rio pela população local, para pesca e navegação.

Além disso, o empreendimento irá gerar o inchaço das cidades do entorno da obra, e não foram previstos recursos para a ampliação da oferta de serviços públicos nesses locais.
Além de gerar desmatamento de 516 km² de floresta amazônica, que serão inundados com a construção da barragem, a obra, a partir da mudança da vazão do rio Xingu, levará à destruição da biodiversidade de fauna e flora existentes no trecho previsto para a instalação da usina.

Por esses motivos, e também devido à falta de consulta prévia às comunidades indígenas que serão atingidas pelo empreendimento, Belo Monte foi denunciada à ONU por movimentos sociais e organizações defensoras dos direitos humanos.

Orlando Chirino y representantes de Provea denunciaron el sicariato antisindical

Jue 29/04/2010 - 09:36



Por: Noticias 24/Globovisión
El dirigente obrero revolucionario Orlando Chirino denunció este miércoles el asesinato de Jerry Díaz, secretario del sindicato Sintramanpa en el estado Aragua. Afirmó que desde hace cinco años se profundiza el sicariato contra dirigentes sindicales.

"Es una práctica de asesinatos por encargo y se ha venido expresando también en las manufactureras, en la administración pública. Hemos sido críticos, hemos denunciado la política antiobrera del Gobierno. Hace aproximadamente un año tres compañeros nuestros también fueron asesinados... Es un ataque contra los dirigentes sindicales democráticos que defendemos a los trabajadores”, aseveró Chirinos.

Por su parte, Marino Alvarado, coordinador de la organización Provea, denunció la existencia de impunidad en los casos de sicariato sindical. Coincidieron en que estos últimos cinco años se ha incrementado el asesinato de dirigentes sindicales.

Desde Provea consideran que el sicariato tiene como fondo distorsiones en el sindicalismo con el surgimiento de mafias que controlan los cupos de empleo, y dado que la mayoría de los sindicalistas asesinados defienden los derechos de los trabajadores, se podría suponer que detrás de estas muertes se encuentran también empresarios del sector privado y patrones del sector público. El representante de Provea confirmó estas declaraciones, las cuales respaldó con investigaciones realizadas por dicho instituto en el caso.

“Estaríamos hablando que en los últimos 5 años se han asesinado más de 200 sindicalistas en el país. Pero desde hace dos años se observa que este sicariato se ha orientando a tener como víctimas a un conjunto de sindicalistas que se caracterizan por ser defensores de los derechos de los trabajadores del país”, señaló Alvarado.

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Promueven campaña nacional e internacional contra el sicariato
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Llegan las primeras adhesiones

Gran concentración obrera en Maracay este 1o. de Mayo
UNT-Aragua
En Sanitarios Maracay: contra el sicariato y el plan de ajuste del gobierno
Mañana 10 a.m., boulevard Av. Panteón, Caracas