domingo, 9 de outubro de 2011

Precisamos derrotar a proposta que leva o PSOL a seguir o caminho de capitulação do PT

Polemica com o temerário documento apresentado ao III Congresso do PSOL por Milton Temer, Martiniano, Jefferson, Janira e outros companheiros.

Nosso campo é o das ruas e greves para derrubar Sarney e o
Regime, e não o do conchavo com ele!

Por Silvia Santos*
Numerosos textos foram apresentados neste terceiro pré-congresso do PSOL. Todos eles apresentam visões da realidade, propostas, balanços, e todos eles devem ser discutidos. No entanto, há um texto que, do nosso ponto de vista, merece especial atenção: é o encabeçado pelos companheiros Milton Temer, Martiniano, Jefferson, José Luis Fevereiro e Janira, que aborda a estratégia do Partido e nesse novo marco proposto é que localiza as tarefas da conjuntura. Com bastante clareza os companheiros nos apresentam uma proposta que, caso o partido venha adotar, significará o abandono do programa e do Projeto do PSOL, como partido socialista independente, de luta e de classe, para se converter numa caricatura trágica do PT. Por esta razão, é que fazemos um chamado aos militantes do partido a acompanhar este debate e a combater suas propostas, ratificando os objetivos fundamentais pelos quais fundamos o PSOL.

1– A crise mundial e a sua dinâmica.

Corretamente, o texto parte da crise da economia mundial capitalista e nesse marco coloca os processos do norte da África, Europa, etc. definindo que nos encontramos em um novo momento histórico que gera expectativas para os socialistas, pois permitirá disputar projetos em melhores condições. No entanto, expressa uma visão unilateral, centrada no aspecto econômico da crise, menosprezando a luta de classes e a ação do movimento de massas. Em nenhum momento destaca o conjunto dos elementos que definem a situação mundial: a crise econômica estrutural que se aprofunda – a crise política dos projetos burgueses/imperialistas e reformistas e um fortíssimo ascenso de massas centrado nos países do norte da África e na Europa, mas com reflexos dispares no mundo inteiro. A definimos como uma crise da hegemonia imperialista, uma de cujas expressões militares é a derrota sofrida no Iraque e no Afeganistão. Ou estaríamos frente à mesma situação mundial se a coalizão imperialista tivesse triunfado nesses países reforçando seu domínio na região?

No entanto, os companheiros colocam o acento nos elementos econômicos da crise, minimizando as ações do movimento para depois centrar nos “Cuidado, não simplificar, não exagerar!”; criticam o “otimismo vulgar” de não sabemos quem, criticam supostos profetas que esperam a crise revolucionária, para definir a continuação que os avanços concretos “são bem limitados”, visto que “na Tunísia e no Egito os agentes do regime anterior continuam hegemônicos no poder real”. Minimizam assim a fantástica rebelião, revolta ou revolução popular que sacode aquela região, que derrubou ditaduras de décadas, agentes prediletos do imperialismo, com uma heroicidade sem limites. Processos que conquistaram para as massas o direito de lutar, de atuar, de se organizar, de falar, e isso para as massas são avanços qualitativos, pois derrubaram a barreira que significava nada menos que a morte nas mãos desses regimes sanguinários. Que a burguesia e os donos do capital não abandonam a cena pacificamente? Mas é claro! Que os militares sobre tudo da alta patente são seus agentes? Também está claro! Que o imperialismo tenta influir e influi em todos estes processos? Está claro também, pois esse é o seu papel. E ignorá-lo pode nos levar a graves erros de todo tipo.

Mas o que devemos discutir é o papel da esquerda, daqueles que se reivindicam socialistas quando se está frente a processos dessa magnitude. E, sobretudo, devemos aprofundar na Líbia e na Síria, uma vez que o texto dos companheiros em nenhum momento defende a queda pelas mãos do povo das sanguinárias ditaduras de Kaddafi e Assad. Pelo contrário, confunde as multidões que na Síria arriscam sua vida nas ruas contra a ditadura com “provocadores armados pela monarquia Saudita”, restando desta forma toda legitimidade a gigantesca onda popular que luta dia após dia para derrubar o tirano. Não podemos nos confundir! A luta do povo sírio e líbio é legítima, é parte do ascenso que sacode a região, e enfrenta ditaduras pró-imperialistas até o tutano! Se o PSOL existisse nesses países o que faria? Estaria nas ruas junto com o povo Sírio chamando a derrubar Assad? Estaria na Líbia com as milícias rebeldes tentando derrubar Kaddafi? Ou com o argumento que a monarquia saudita e a OTAN buscam capitalizar, e que os dirigentes do CNT são pró-imperialistas nos alinharíamos na trincheira dos ditadores? Da nossa parte, repudiamos Kaddafi e sua sanguinária, truculenta, assassina e pró-imperialista ditadura, da mesma forma que rejeitamos a ingerência da OTAN e de qualquer intervenção imperialista, que, montados na fragilidade política dos rebeldes e na confusão de setores da esquerda, procuram aparecer como salvadores e democratas aos olhos dos povos da região e das massas do mundo. Quando na realidade os diversos imperialismos foram apoiadores e beneficiários desse regime, que abandonaram uma vez que viram a inevitabilidade de sua derrubada, e intervêm precisamente para evitar que seja o povo em armas que cumpra a tarefa, pois isso sim faria perigar seus interesses!

Não duvidamos que o centro da política imperialista agora para Líbia é a “democracia”: buscar “normalizar” o mais rapidamente a situação, dando o canal da institucionalidade burguesa para desmontar o poderoso ascenso de luta do movimento de massas. Afinal, este foi o caminho escolhido pelo imperialismo e as burguesias nacionais para desmobilizar e desmontar as situações explosivas da luta de classes, uma vez derrotada sua política repressiva no terreno militar. Por esta via, cooptaram partidos e direções no mundo inteiro e recuperaram o controle da situação, como foi o caso da Nicarágua. O que nem com a utilização da guerrilha contrarrevolucionária conseguiram, conquistaram através das eleições! Para isso, na Líbia, tanto os dirigentes do CNT, quanto o imperialismo, centrarão numa tarefa crucial do ponto de vista dos interesses burgueses: o desarmamento do povo armado, o fim das milícias. Os socialistas, no entanto, devemos ser os maiores defensores de que se mantenham as milícias, contra toda tentativa de desmontá-las, pois somente dessa forma poderão continuar a mobilização pelo real poder do povo, pela democratização verdadeira para a maioria da população explorada, e pelas medidas econômicas de ruptura imprescindíveis para melhorar a vida da população trabalhadora e/ou desempregada.

Mas a visão dos companheiros, que chamam de “reflexiva” é globalmente equivocada. O texto define que é na Europa onde existem maiores possibilidades de construir uma alternativa de massas anticapitalista. Para a continuação alertar que quando há crise, mas não existem referências de massas alternativas à esquerda, todo termina em triunfo da direita, do fascismo e da xenofobia, colocando como exemplo a crise de 29 e o triunfo do nazismo na Alemanha. Ou seja, para os companheiros as crises são perigosas, e esta que estamos atravessando particularmente é mais ainda, pois ao não existir uma esquerda socialista mundial forte o mais provável é que descambe para a direita!

A este raciocínio respondemos, em primeiro lugar, que sempre que há crise se abre a oportunidade de disputar por superá-la tanto do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores e do povo como do ponto de vista do capital; ao contrário quando não há crise e prima a estabilidade, o crescimento econômico e o controle político os socialistas tem que privilegiar tarefas de acúmulo e de maior peso na propaganda. A crise é, portanto uma oportunidade, pois o capital tem dificuldades de resolvê-la da forma tradicional. Também, que sempre que há crise econômica, social, e ascenso das lutas, existe polarização social entre direita e esquerda, os dois se postulando para resolvê-la. Estranho seria se não existisse. Finalmente, a existência de alternativas socialistas de massas não é garantia do triunfo, pode ser derrotada também, pois isso dependerá da luta de classes e de uma política correta. Neste sentido, os companheiros esquecem que na crise da década de 30 na Alemanha, a socialdemocracia e o partido comunista, nessa ordem, eram fortíssimos, com peso de massas. Mas infelizmente, a política do Partido Comunista da URSS, na época já controlada pela burocracia stalinista, teve políticas que ajudaram o triunfo do nazismo, pois durante um período definiram que o inimigo principal a enfrentar era a SD e não o nazismo que avançava, e posteriormente, quando Stálin fez um pacto de não agressão secreto com Hitler confiando em que este o respeitaria!

Os companheiros, argumentando que a situação mundial é desfavorável, têm colocado em plenária que hoje “há menos socialistas no mundo”. Da nossa parte, afirmamos: É verdade, há menos pessoas que acreditam nos chamados partidos socialistas e nos falsos comunistas. A razão disto é que estão sentindo na pele as traições e a aplicação dos ajustes neoliberais aplicados pelos governos chamados socialistas na Grécia, em Portugal, Espanha, ou França na época. Porque suportaram o ajuste por parte do trabalhismo inglês, e porque não enxergam no governo Putin, herdeiro do “comunismo” russo, nem nos ditadores capitalistas chineses do partido comunista alternativas que possam favorecer os trabalhadores e os povos. Até na Bolívia, onde sucessivas insurreições levaram um camponês ao governo, que se declara socialista, este está descumprindo todos os compromissos de defesa da nação, dos recursos naturais, dos índios e da natureza. A Constituição reformada através de uma Assembléia foi mudada pelo pacto assinado por Evo Morales com a direita fascista de Santa Cruz, acabando com a possibilidade de reforma agrária nas terras do latifúndio e preservando o interesse das multinacionais do petróleo, por pressão direta de Lula e da Petrobrás. Nestes dias estamos acompanhando um duro confronto, visto que comunidades indígenas e camponesas enfrentam Evo, pois este, como parte do IIRSA (Integração da Infraestrutura Regional Sul Americana) está construindo uma rodovia que atravessa montanhas, vales, rios, florestas, acabando com comunidades indígenas e terras que deveriam ser protegidas. Tudo realizado pela empreiteira OAS, com créditos do BNDES e inaugurado por Lula. Enquanto isso, os indígenas e camponeses que com suas famílias iniciaram uma longa marcha até a capital, são chamados de agentes da direita e reprimidos com polícia e tropa de choque do partido de governo. Como desta forma vão continuar acreditando naqueles que se dizem “socialistas”?

Mas por sua vez, a experiência concreta está aproximando cada vez mais setores de massas a aspectos fundamentais do verdadeiro programa socialista: estão aprendendo que não podem mais confiar nos parlamentos e cada vez mais devem apostar na sua ação direta; na Grécia vão às ruas com cartazes que dizem: “Não a um mundo de banqueiros e patrões”, e “sim a um mundo de democracia direta e justiça popular”. Chegam à conclusão que esta democracia do capital é falsa e está a serviço dos donos do poder econômico; começam a defender o não pagamento das dívidas que estão afundando seus países e fundamentalmente as economias populares e rejeitam os políticos, pois a única política que conhecem é a “política de negócios”, seja dos capitalistas ou de falsos socialistas e comunistas.
No entanto, a visão do texto que estamos discutindo leva a uma lógica política que se apresenta posteriormente com clareza, no programa e nas tarefas.

Da nossa parte, afirmamos que as revoluções democráticas que triunfaram nos países do norte da África, são triunfos poderosos que mudaram a correlação de forças que precisamente a burguesia e o imperialismo tentam reverter. Mas no marco da crise da economia mundial, ao não haver espaço para concessões de tipo econômicas, e também não haver espaço para regredir à novas/velhas ditaduras, a disputa continuará aberta por outros caminhos e reivindicações. Continuarão as tarefas democráticas pendentes como a punição aos assassinos do regime deposto, e a ampliação dos direitos da população, mas combinadas com as demandas econômicas e de defesa do nível de vida dos povos. Isto ajudará a fazer a experiência com a falsa democracia que tentarão impor os que estão no poder seja militares ou civis, ajudando a esclarecer quais sãos as tarefas a cumprir para soluções de fundo aos dramáticos problemas dos trabalhadores, da juventude e do povo explorado e pobre. Nesse processo, sem dúvida que existe maior espaço para o fortalecimento de uma alternativa de esquerda e de massas, uma alternativa verdadeiramente socialista.

2 – As revoluções do Século XX e a concepção do Estado

Os companheiros, na sua interpretação do fracasso das revoluções do Século XX, definem que o que fracassou foi em primeiro lugar a ditadura do proletariado, em segundo lugar o terror (a violência) e finalmente as expropriações, que se foram importantes na Rússia e em Cuba, hoje “provocariam um banho de sangue sem precedentes”. Por isso, a proposta do texto, chamada de novo socialismo do século XXI é clara: Com base num amplo processo de negociação social se trata de disputar a hegemonia com eixo na democracia e na liberdade, lutando contra as adversidades durante um longo período histórico até derrotar a hegemonia ideológica das classes dominantes. Sendo que, de acordo com os autores, as propostas erradas da maior parte da esquerda mundial podem contribuir para que o impasse se prolongue favorecendo saídas reacionárias e finalmente o triunfo da barbárie.

Mas, da nossa parte perguntamos aos companheiros: qual o significado da formulação ditadura do proletariado? Por acaso a horrorosa ditadura contra o proletariado que impôs a burocracia estalinista nos países do chamado “socialismo real”?

Pois bem, a proposta dos marxistas não é outra que o governo dos trabalhadores, dos camponeses e dos setores populares, que deverá se impor derrotando a violência da classe dominante, e deverá reprimir os levantes contrarrevolucionários das classes dominantes derrotadas que jamais renunciaram nem renunciarão aos seus privilégios através de nenhuma “negociação” como nos propõem os companheiros. Não tem classe nem setor mais pacífico que os trabalhadores, o povo e os socialistas, assim como não tem classe mais agressiva e violenta que a capitalista, que continua provocando banhos de sangue para se manter no poder político e econômico.
O “socialismo real” fracassou não por excesso de expropriação, mas por burocratismo, por usar o controle da nova economia expropriada para usufruir privilégios particulares monstruosos, para finalmente, abandoná-la para se converter em donos das empresas, das terras, etc. como vemos hoje na Rússia, no leste europeu, no Vietnã ou na China, e como também está acontecendo infelizmente em Cuba.

Não fracassou por ter utilizado a violência ou o terror. O problema é que a violência foi utilizada contra o povo, contra a vanguarda que fez a revolução, e não por acaso a burocracia da União Soviética massacrou o comitê central do Partido Bolchevique, fez os “Processos de Moscou” e mandou para a morte e os campos de concentração milhares e milhões de opositores e lutadores. Enquanto utilizou a violência contra o povo, a quem negou a liberdade, outorgou mais liberdade para os capitalistas, com quem fez pactos e acordos, a quem outorgou o direito de entrar e explorar como também acontece hoje em Cuba, aonde os capitais estrangeiros vão como abutres para lucrar com o turismo, o petróleo e as riquezas da ilha. A necessidade da insurreição e da violência revolucionária para responder a violência da burguesia constitui o ABC do marxismo, e por esta razão afirmamos que a proposta dos companheiros é uma proposta de ruptura com o marxismo, com o socialismo científico.

O PSOL tem a obrigação de abrir o debate sobre a concepção marxista acerca do Estado, questão crucial que ainda estabelece claras divisões entre revolucionários e oportunistas. Quando Lênin escreveu O Estado e a Revolução, em agosto de 1917 partiu de Engels e da sua obra “A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”: O Estado é o produto e a manifestação do antagonismo inconciliável das classes, e polemizando com os ideólogos burgueses e pequeno burgueses que interpretam o Estado como um “órgão de conciliação de classes” definiu de forma precisa: “O Estado é sempre o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante que se torna, por isso mesmo, politicamente dominante, o que lhe possibilita novos meios para explorar a classe dominada”.

Um dos traços característicos do Estado burguês que define Lênin é que não pode ser reformado nas suas características centrais. Por esta razão, para acabar com a exploração e iniciar o caminho do socialismo, é preciso quebrá-lo por meio de uma revolução violenta, categoricamente defendida em todo o pensamento marxista.

A revolução de 1848 na França confirmou o que no Manifesto Comunista formularam Marx e Engels: O Estado que os trabalhadores precisam transitoriamente, é o estado dos trabalhadores organizados como classe dominante para quebrar a resistência dos exploradores, minoria da sociedade, e acabar com a exploração. A Comuna de Paris, em 1871 apresentou de forma categórica quais instituições e de que tipo substituiriam o Estado burguês. Como por exemplo: substituição do exército permanente pelo povo armado; conselheiros ou deputados revogáveis a qualquer momento, salário dos funcionários, policias, deputados, etc. não poderia ser superior ao de um operário. Juízes eleitos e revogáveis; igreja deixou de ser financiada pelo Estado; a comuna legisla e executa acabando assim com o “parlamentarismo” dos políticos profissionais, dos “socialistas de negócios”, entre as mais importantes.

Qual é o caráter da “democracia” e da “liberdade” que nos apresentam os companheiros e que propõem como eixo programático para o partido? Por acaso a Democracia venezuelana, apresentada como a máxima expressão da democracia em algumas oportunidades? Claro que se a comparamos com o regime de Kaddafi ou com a ditadura chinesa, existe democracia formal no país de Chávez, o povo vota, houve uma Assembléia Constituinte que acabou com o senado e impôs a Câmara Única, o que é muito positivo e superior à democracia que impera na maioria dos países. E também houve plebiscitos. Mas isso não significa que seja o “modelo” a seguir! Acaso não é conhecida a feroz criminalização das lutas e das greves que existe no país, com dirigentes operários, indígenas e camponeses presos, perseguidos e assassinados? Não é publicamente conhecida a entrega que fez Chávez ao regime do colombiano Santos do lutador social colombiano Joaquin Perez Becerra, assim como de outros guerrilheiros das FARC e da ELN? Que exemplo de democracia é essa que apóia Kaddafi, Assad, apoiou Mubarak e Bem Ali, apóia a ditadura capitalista chinesa e manda fazer cursos aos seus burocratas sindicais junto aos sindicalistas (pelegos e patronais) do PC chinês? Não por acaso o limite das mudanças chavistas, em nome do “Socialismo de século XXI” são mantendo a ordem capitalista e os estado burguês, que continua mantendo sua essência: ser o órgão de opressão da classe capitalista.

Mais uma vez reafirmamos que o socialismo com liberdade que defendemos significa a liberdade como nunca teve o povo e todos os explorados para derrotar a inevitável reação capitalista imperialista e para poder sim acabar com a propriedade privada e a exploração.

Finalmente, não vemos nenhuma possibilidade de derrotar a hegemonia ideológica das classes dominantes se não se mudam as condições materiais de vida do movimento de massas. Ou acaso o socialista deveu trabalhar para contar com os meios materiais e financeiros que nos possibilitem enfrentar em igualdade de condições a imprensa e toda a mídia da burguesia; seus aparelhos ideológicos como a educação, as diversas igrejas; a indústria cultural; suas instituições de poder etc.? Pois se for assim, não só será um trabalho que durará muitos anos, como será diretamente impossível.
A “hegemonia” que podemos conquistar os socialistas é a hegemonia dentro dos trabalhadores e dos setores explorados, no movimento de massas, propondo-lhes nossa política, para enfrentar os patrões e o governo, para derrotar as diversas burocracias sindicais e políticas, em uma palavra para derrotar o aparelho fundamental que contribui para formar sua falsa consciência: os burocratas sindicais traidores, os dirigentes vendidos, os partidos reformistas e traidores, como em nosso país é o PT. Assim como batalhamos contra a direção da CUT e da FS e propomos outro programa e formas de organização democráticas onde as bases devem decidir; ou como batalhamos no movimento estudantil propondo derrotar o PCdoB conformando uma oposição de esquerda que deve apresentar alternativas programáticas e de formas de luta. E como batalhamos e devemos continuar batalhando no país, para derrotar a política de exploração e miséria do PT, buscando tirar da influência deste partido a maioria do povo, sem deixar de combater a falsa oposição da velha e derrotada direita. A batalha então é essencialmente política, através de nosso programa e de nossa vinculação direta com o movimento de massas.

Mas, os que poderão transformar a sociedade, os trabalhadores, populares, os jovens, os desempregados, os camponeses o farão sem abandonar seus preconceitos religiosos, seu machismo, seus preconceitos culturais ou de sexo, tabus familiares, etc. todas falsas consciências com que educa o capitalismo para manter sua “hegemonia”. Falsas consciências que desaparecerão sim em um processo mais evolutivo, quando deixe de existir a base material atual, e os povos possam ter livre acesso à cultura, a um nível de vida decente com satisfação de suas necessidades básicas, sem necessidade do trabalho brutal, extenso, mal pago e alienante para finalizar depois afogando suas mágoas na cachaça, na igreja ou batendo na esposa e nos filhos.
O papel do partido socialista e revolucionário é insubstituível não por combater durante décadas a hegemonia burguesa desde o parlamento, mas porque deverá ser capaz, através da luta, de sua ação e de suas propostas, de convencer o movimento a abraçar seu programa e sua política. Utilizando o parlamento a serviço desta tarefa estratégica, para o qual pode e deve cumprir um papel muito importante.

O problema fundamental do texto é que nos propõe deixar de propor aos trabalhadores três pontos fundamentais da estratégia socialista: 1 – que somente através de seu próprio governo poderão acabar com a miséria, as guerras, a exploração. 2 – que para isso vai ter que ter muita luta e organização, pois a burguesia jamais se deixou nem se deixará tirar o poder político e econômico sem lutar de forma violenta. 3 – que deveremos expropriar as grandes empresas, bancos, multinacionais, agronegócio, empreiteiras, para que funcionem sob controle dos trabalhadores e usuários, e que dessa forma organizaremos a economia de baixo para cima, pois enquanto não façamos isso, não solucionaremos nenhum dos problemas que existem.

Infelizmente os companheiros substituem estes três aspectos pela “negociação” e a luta pacífica parlamentar, centrada na institucionalidade, na “gestão” do Estado burguês, e através de uma luta de décadas para disputar a hegemonia ideológica da burguesia sobre o movimento de massas.

3 – Um Brasil mais instável

Quando o texto dos companheiros aborda a política nacional, o faz dentro desta visão e dentro destas propostas, que ficam mais claras uma vez que as baixam à terra.

Na mesma visão derrotista da realidade mundial, apresentam o governo Dilma de forma imutável, mais forte ainda que o governo Lula, fortalecido inclusive pela “faxina”. Definem o regime como estável, blindado e favorecido pela crise mundial, prevendo desde agora que a correlação de forças se manterá até as eleições de 2014. Pelo qual nos propõem assumir o Programa Democrático e Popular abandonado pelo PT, e preparar desde já uma fórmula presidencial para conquistar um governo com “participação popular que tire os instrumentos do poder das mãos do grande capital”, sendo que esta tarefa que definem como democrática, será realizada pela via eleitoral e de forma negociada. Daí que propõe também ampliar as alianças a setores do PT, PCdoB, PDT, PSB, PV e PPS, chegando finalmente a Marina Silva. Esta por sua vez, é definida não pelo seu programa que eles mesmos reconhecem como conservador e continuista, mas pela sua imagem frente à população!

Vejamos se esta é a realidade. A nove meses de ser eleita, a sucessora de Lula perdeu nada menos que cinco ministros, quatro dos quais por denúncias de corrupção. Não caíram pelo ímpeto anticorrupção da “faxina” da presidente, mas porque as denúncias na imprensa fizeram insustentável sua situação. A nova presidente que se elegeu somente por ser indicada por Lula e não por méritos próprios, enfrentou desde fevereiro a maior onda de greve começada com Jirau e as greves que pipocaram no país inteiro nos canteiros de obras do PAC; ferroviários de SP, bombeiros, servidores públicos federais, estaduais e municipais, rodoviários e policiais, seguida agora pelas de correios e bancários, construção civil dos estádios das Obras do Maracanã e do Mineirão. Tanto que na sua viagem a MG pra inaugurar o relógio que marcou os mil dias para o começo da copa de 2014 foi recebida pelos grevistas da construção civil com faixas da greve; pelos grevistas dos correios e por professores que se encadearam para protestar e que já estão no terceiro mês de greve! Todo um recorde! Por sua vez, a juventude estudantil saiu à luta contra o aumento das tarifas de ônibus no PI e ES sendo que no mês de setembro foram ocupadas as reitorias de numerosas universidades exigindo verbas para educação e para solucionar os problemas concretos de falta de professores, salas de aula, RU etc. E no dia 7 de Setembro, a Presidente teve que enfrentar a maior manifestação contra a corrupção em Brasília, convocada espontaneamente por setores da população.

Isso é assim porque o Brasil não está blindado frente à crise mundial, e aplica a mesma receita que manda o figurino do capital: ajustes contra o povo! Por isso cortou 50 bilhões do orçamento; por isso privatiza os hospitais universitários e os aeroportos; por isso aumentaram as tarifas de transporte, energia, e serviços em geral enquanto aumenta também o preço dos alimentos; por isso congelaram praticamente o salário dos servidores públicos e deram um pífio aumento no salário mínimo; por isso se acentua a crise da saúde publica, por isso enquanto aumenta a inflação, a perspectiva do país é crescer menos e não mais, e ter menos emprego e não mais, e que haverá menos salário e não mais, ao contrário do prognóstico dos companheiros no seu texto. Todos estes elementos são a base fundamental da instabilidade social, das lutas que aumentam e do enfraquecimento da presidente, que não tem nem o carisma, nem a trajetória, nem a habilidade que tinha o presidente Lula para lidar com estas situações. Em síntese: temos que preparar o PSOL para mais greves como a dos bombeiros; para explosões espontâneas como as de Jirau; para greves longas como a dos professores; para marchas e atos contra a corrupção como em Brasília; para mais ocupações e lutas nas universidades. Preparar o partido com política, propostas, instrumentos como panfletos, cartazes, e a presença constante de nossos parlamentares como foi no Rio com os bombeiros onde Marcelo e Janira cumpriram um excelente papel.

É neste contexto que devemos nos preparar para as eleições de 2012, processo que deve estar subordinado e à serviço de nossos objetivos estratégicos, para fortalecer as lutas e mobilizações que começaram; para convencer o povo que deve confiar cada vez mais nas suas próprias forças e na sua ação, para ajudar a derrotar a política econômica de FHC/Lula/Dilma/PMDB e toda sua base aliada. E nossas propostas, longe de se limitar aos problemas democráticos ou a luta contra a corrupção, que tem imensa importância, deverá apresentar medidas econômicas alternativas para sair da crise: a auditoria e o fim do pagamento das dívidas – estatização do sistema financeiro e dos setores fundamentais da economia – reajuste salarial de acordo com a inflação e salário mínimo de acordo com as necessidades populares – reforma agrária e urbana; nenhuma verba para a saúde e educação privadas, aumento para a educação e a saúde publica, entre outros. E, sobretudo, orientando o partido a participar cada vez mais ativamente nas lutas e na resistência operária e popular.

Mas os companheiros nos apresentam o caminho inverso, que não por acaso é o mesmo que seguiu o PT, com a diferença que o PT e Lula ganharam prestígio e reconhecimento dirigindo todo o movimento operário e de massas do país, enquanto que o PSOL é ainda um pequeníssimo partido que está dando seus primeiros passos, com frágil inserção social e política no movimento e com pouca militância organizada.

4 - O Programa Democrático e Popular (PDP), o Programa do PSOL e as alianças para 2012
O PDP não terminou por acaso no giro ao neoliberalismo. É evidente que grande parte de suas propostas, sobretudo dos primeiros anos do PT, eram muito positivas. Nosso questionamento dele não é por tal ou qual medida, que são discutíveis, mas porque o PDP se apoiava fundamentalmente na lógica institucional e eleitoral para alcançar o poder e fazer as mudanças prometidas. Para essa lógica, era inevitável que devia ir se rebaixando o programa, como o fez o PT, e nessa lógica se compreende a ampliação das alianças que começou com o PSB e o PCdoB para terminar hoje com o PMDB como vice!

Mudando assim a estratégia do PSOL os companheiros nos propõe um novo programa baseado não na luta, mas na “negociação”. Oposto pelo vértice ao que diz nosso programa:

“Assim, a defesa do socialismo com liberdade e democracia deve ser encarada como uma perspectiva estratégica e de princípios. Não podemos prever as condições e circunstâncias que efetivarão uma ruptura sistêmica. Mas como militantes conscientes que querem resgatar a esperança de dias melhores, sustentamos que uma sociedade radicalmente diferente, somente pode ser construída no estímulo à mobilização e auto-organização independente dos trabalhadores e de todos os movimentos sociais. [...] Uma alternativa global para o país deve ser construída via um intenso processo de acumulação de forças e somente pode ser conquistada com um enfrentamento revolucionário contra a ordem capitalista estabelecida.”(Programa do PSOL)

Também nosso programa é categórico ao definir que as reformas como a agrária, a tributária que taxe o grande capital, a reforma urbana e a conquista de melhores salários, emprego e o fim da corrupção “não se realizam plenamente nos parâmetros do sistema capitalista”.

Como também nosso programa é categórico quando rechaça a conciliação de classes: “3) Rechaçar a conciliação de classes e apoiar as lutas dos trabalhadores. Nossa base programática não pode deixar de se pautar num principio: o resgate da independência política dos trabalhadores e excluídos. Não estamos formando um novo partido para estimular a conciliação de classes. Nossas alianças para construir um projeto alternativo têm que ser as que busquem soldar a unidade entre todos os setores do povo trabalhador – todos os trabalhadores, os que estão desempregados, com os movimentos populares, com os trabalhadores do campo, sem-terra, pequenos agricultores, com as classes médias urbanas, nas profissões liberais, na academia, nos setores formadores de opinião, cada vez mais dilapidadas pelo capital financeiro, como vimos recentemente no caso argentino. São estas alianças que vão permitir a construção da auto-organização independente e do poder alternativo popular, para além dos limites da ordem capitalista. Por isso, nosso partido rejeita os governos comuns com a classe dominante.”

Mais uma vez, o texto dos companheiros nos propõe um caminho inverso: rebaixando nosso programa, nos propõem que o centro deve ser a luta institucional; o fundamental não é a luta e a ação direta, mas a negociação (o que significa a conciliação, pois ao negociar tem que se considerar os interesses do interlocutor) e a política de alianças está subordinada a esta estratégia negociadora. Daí a proposta de ampliar as alianças para partidos da base governista, formulada como setores do PT, do PCdoB, do PSB, e até com setores vinculados tradicionalmente a antiga direita tucana, como o PV e o PPS. Há companheiros que consideram vitoriosa a tática do senador Randolfe de se aliar com o corrupto PTB para conquistar sua vaga. Sem ver que caso se insista nessa direção, o PSOL definirá o caminho inevitável da sua degeneração.
Destes objetivos se deriva o critério de partido que propõem: já não contam mais os militantes, mas os filiados, que pelo simples fatos de assinar uma ficha, passam a ter o poder de definir programa, estratégia, tática e direção. E com o argumento de um partido amplo, e de não sermos sectários, abandonam por completo o elementar de um partido que se reivindica socialista: que deve haver compromisso com os interesses da classe trabalhadora e com o programa do partido para poder ter direitos e sobre tudo para ser expressão publica dele.

Até o PT no seu Manifesto inicial defendia que: “Queremos um partido amplo e aberto a todos aqueles comprometidos com a causa dos trabalhadores e com seu programa”.

Ouvimos com surpresa até a proposta de nos aliar com Wagner Montes para garantir a eleição de Marcelo Freixo para a Prefeitura do Rio! Entendemos que no nosso trabalho parlamentar é lícito e necessário buscar apoios para nossos projetos e propostas. Nesse sentido, fazer acordos até com parlamentares da extrema direita é licito, em torno de aspectos pontuais que possam ajudar o povo. Por exemplo, tivemos acordos pontuais com Clarissa Garotinho para apoiar a luta dos bombeiros. Outra coisa e nos aliar para governar, apresentando estas figuras como parte do projeto dos socialistas, legitimando este ou outros bandidos que fazem a tradicional “política de negócios”. E não passa pela cabeça de ninguém nos aliar com a filha de Garotinho para disputar o governo do Rio.

Com Marcelo Freixo, temos a possibilidade de disputar a Prefeitura do Rio, o que será o maior desafio de todo o partido em 2012. Mas é errado tentar nos aliar com Gabeira pensando nos votos, sem ver que não temos nada em comum com ele. Não por acaso foi criticado ferozmente pelo candidato do PSOL ao governo do Estado, corretamente o acusando de ser o “ex Gabeira” uma vez que era aliado dos tucanos. Vamos dizer agora que Gabeira mudou de novo? Ou é um setor do PSOL que está mudando?

Se caímos na vala comum dos “negócios” buscando alianças em troca de financiamento ou segundos na TV entraremos inevitavelmente na lógica do capital iniciando o caminho de nossa derrota como alternativa.
Infelizmente, os companheiros, sem nenhuma discussão no partido, já estão aplicando sua política. Por isso, fomos surpresos pela imprensa ao saber que os membros do DN Edilson (PE) Martiniano (GO) e Jefferson (RJ) reuniram em Brasília com Marina Silva no ato de lançamento de seu movimento por uma “nova política” em direção à sua candidatura presidencial em 2014, sendo que a imprensa noticia que Heloísa Helena a autorizou a utilizar seu nome em apoio.

Assim, os companheiros que defendem a “democracia” como critério estratégico no texto, ignoram a democracia partidária, pois comprometem o PSOL publicamente num projeto alheio, que jamais discutimos nem votamos em nenhum fórum. Pelo contrário, nos únicos fóruns legítimos do partido que houve, em 2010 foi rejeitado o apoio à sua candidatura. Ratificamos que nossa tarefa não é colaborar com as falsas ilusões de setores das massas que acham Marina lutadora, honesta e ambientalista consequente. Pois sem julgar seu caráter como individuo, seu projeto está longe de defender o “desenvolvimento sustentável com responsabilidade social”, pois não é possível defender o meio ambiente aliada com as multinacionais que o destroem ou defendendo a política econômica de FHC e Lula, como tantas vezes repetiu.

Pelas razões expostas, consideramos que o debate central é a defesa do PSOL na sua estratégia e programa. Não fizemos o PSOL para defender o Programa Democrático e Popular, nem legenda para Marina e muito menos para ser caricatura do PT.

sábado, 1 de outubro de 2011

Legalização do aborto é debatida na web e silenciada na grande mídia


O Dia Latino-Americano pela Legalização do Aborto na América Latina e Caribe de 2011 foi marcado no Brasil por uma blogagem coletiva convocada pelas Blogueiras Femenistas e por um tuitaço (esforço concentrado na rede social e microblog Twitter) que manteve a hashtag #legalizaroaborto em 1º lugar nos Trending Topics Brasil – como expressão mais citada no Twitter – durante quase todo o dia.
Se por um lado o esforço virtual das feministas nas redes sociais foi um sucesso, não podemos dizer o mesmo dos demais meios de comunicação que sequer citaram o dia 28 de setembro, e isso vale também para a ampla maioria das chamadas redes da imprensa alternativa. Basta fazer um busca rápida no google para comprovar. Afora o próprio Blogueiras Feministas juntamente com os blogues individuais que atenderam ao chamado da blogagem coletiva, apenas a Revista Fórum – que republicou um texto da jornalista Karol Assunção, da Adital e um texto excelente do Túlio Vianna – e a Rede Brasil Atual – registrando a atividade das feministas em São Paulo – deram atenção ao assunto. Para os demais, passou batido.
O movimento feminista tem apenas três datas durante o ano em que concentra esforços e organiza coletivamente atividades e ações unificadas para terem o mínimo de destaque. São elas o 8 de Março – Dia Internacional da Mulher -, o 28 de setembro e o 25 de novembro – Dia Latino-americano de luta pelo fim da violência contra a mulher -, e até as pedras sabem disso. Não dar destaque vendo toda essa movimentação e barulho que fizemos é uma opção e sabemos disso.
Sabíamos também que a grande imprensa não tocaria no assunto. Afinal, para uma imprensa preconceituosa (vide o mico internacional pago no dia anterior com o título de Doutor Honoris Causa do Instituto Sciences Po, da França, concedido ao ex-presidente Lula) e com recortes claros de classe, não faz sentido divulgar uma luta que se preocupa com a vida de mulheres pobres e negras, as grandes vítimas de abortos mal feitos no país. Além de ser um assunto polêmico pelo seu viés moralista e religioso, sabemos que a grande imprensa só o usa quando lhe é útil, como no caso da campanha eleitoral de 2010 em que a então candidata Dilma Rousseff foi “acusada” de defender a legalização do aborto e criou-se um clima de pânico em torno da questão.
Mesmo sabendo que o assunto só foi explorado por um erro monumental da coordenação da própria candidata, que respondeu oficialmente num dos programas de tevê a um spam (a versão eletrônica dos boatos, algo muito comum em todas as campanhas eleitorais), o resultado para as mulheres e para a luta pela descriminalização do aborto no Brasil foi desastroso. O movimento feminista tem muito a recuperar nessa luta específica do aborto e demonstra estar disposto a isso. Falta apenas conseguirmos colocar o bloco pró-legalização do aborto na rua, tal e qual estamos fazendo com a marcha das vadias (slutwalk) – passeatas pelo fim da violência contra mulher, pelo direito de nos vestirmos como quisermos e pelo direito ao nosso corpo. Quem sabe não esteja aí o viés, o ponto comum, entre essas duas lutas tão necessárias do movimento feminista.
Os links dos principais posts que circularam através da hashtag#legalizaroaborto e #AbortoLegal (hahstag usada pelos demais países latino-americanos) estão no post Blogagem Coletiva Pela Descriminalização e Legalização do Aborto do Blogueiras Feministas. Além deles tivemos dois guest posts no blog Escreva Lola Escreva – “Fiz um aborto e não sofri” e “Fiz um aborto e quero respeito” -, um post excelente da Cynthia Semiramis “pela legalização do aborto” e o excelente texto do Dr. Drauzio Varella sobre “a questão do aborto“:
“Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros.”
Nesta blogagem coletiva o destaque vai para o texto da jornalista Amanda Vieira, que questionou: “e o desejo de ser mãe, onde fica?“, e chamou a atenção para o fato de que essa mesma sociedade que proibe o aborto e condena milhares de mulheres à morte por abortos mal feitos (as pobres e negras, porque as ricas e brancas o fazem confortavelmente assistidas em clínicas sofisticadas) não dá nenhuma assistência à maternidade. 
No tuitaço, um destaque especial ao Leonardo Sakamoto e ao Drauzio Varellaque além de manterem o bom humor, passaram o dia juntos conosco na hashtag respondendo a verdadeiros absurdos e argumentando sem rebaixar o debate ao nível das acusações que nos foram feitas.
*Niara de Oliveira é jornalista

Belo Monte: Raoni desabafa na ONU


No dia 30 de setembro, o grande líder indígena dos Kayapó, Raoni Metyktire, esteve na Organização dos Estados Americanos (ONU) para falar sobre as ameaças às terras do seu povo. Ele disse que a bacia do rio Xigu está contaminada e envenenada pelas plantações de soja e pela pecuária e que se opõe firmemente à construção de barragens na Amazônia, como Belo Monte.  Confira o vídeo


video

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Obras de hidrelétrica no Teles Pires são embargadas por Sema e MPE

De Sinop - Alexandre Alves

Obras de hidrelétrica no Teles Pires são embargadas por Sema e MPE
As obras de construção da Usina Hidrelétrica de Energia (UHE) Colíder, que estavam sendo feitas no rio Teles Pires, em Colíder (650 km de Cuiabá), foram embargadas, ontem, e a Companhia Paranaense de Energia (Copel), responsável pelo empreendimento, multada em R$ 1,2 milhão, em virtude do não cumprimento de recomendações feitas pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Os promotores de Justiça Hellen Uliam Kuriki e Marcelo Caetano Vacchiano acompanharam o superintendente de fiscalização da Sema, Paulo Ferreira Serbija Filho, para uma inspeção no canteiro de obras da Usina. De acordo com os promotores, a empresa também não estava cumprindo decisão judicial que suspendeu a construção, no mês de agosto, por ausência de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). Já a suspensão do licenciamento foi realizada pela Sema no dia 13 de setembro após constatação de que a Copel não atendeu as determinações administrativas e a notificação recomendatória do MPE.

"A Copel foi notificada para sanar dezenas de irregularidades nas áreas de engenharia e meio ambiente, incluindo a execução e implementação do PGRS. Entre as irregularidades detectadas está a ausência de comprovação, por parte da Copel, de acordos com os proprietários das áreas que serão alagadas, contratação de profissionais sem "Anotação de Responsabilidade Técnica" responsáveis pela execução dos Programas Básicos Ambientais que, por seu turno, não possuem cronogramas de execução", afirmou o promotor de Justiça, Marcelo Caetano Vacchiano, por meio da assessoria de comunicação do MPE.

Segundo ele, a notificação recomendatória que embasou a decisão de suspensão das obras demonstra que a geração dos mais de 8 mil empregos diretos e indiretos na região, previstos nos estudos ambientais, acarretará diversos impactos negativos. "Esses impactos serão observados nas áreas ambiental, social, econômica, urbanística, infância e juventude, educação, saúde e segurança pública, já que não foram eficazmente previstos e não estão sendo monitorados e trabalhados pelo empreendedor, o que lhe competia".

Os promotores ressaltaram que os municípios de Colíder e Nova Canaã do Norte não estão suficientemente aparelhados para receberem tamanho fluxo populacional. "Os responsáveis pela Copel não estão apoiando tecnicamente as prefeituras municipais no enfrentamento dos impactos sociais. Ao contrário do que preveem os estudos, a Copel não está priorizando a contratação de mão de obra local, assim como não cumpre as normas de contratação por meio do Sistema Nacional de Emprego (Sine)", ressaltou a promotora de Justiça Hellen Ulliam Kuriki.

Ela afirmou, ainda, que embora conste no procedimento de licenciamento que o empreendedor deva acatar as solicitações das prefeituras municipais e assumir os impactos que a execução das obras resultarão nos serviços públicos, a Copel não vem prestando nenhum auxílio aos municípios impactados.

Fonte: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Obras_de_hidreletrica_no_Teles_Pires_sao_embargadas_por_Sema_e_MPE&id=206485

Jornal da ditabranda desqualifica a Comissão da Verdade

Por Celso Lungaretti em 25/09/2011

A Folha de S. Paulo se tornou cautelosa com seus editoriais reacionários, depois que alguns deles tiveram o efeito de devastadores bumerangues — o da  ditabranda, p. ex., foi um dos mais piores tiros pela culatra que um jornal já deu.

Então, para ajudar seus antigos parceiros a se livrarem do merecido opróbrio, como já se livraram da merecida prisão, o Grupo Folhaagora recorre a uma enrolação um tantinho mais sofisticada para desqualificar a Comissão da Verdade:

…Não cabe a um organismo indicado pelo Executivo (…) estabelecer ‘a Verdade’, com ‘V’ maiúsculo, neste ou em qualquer assunto que seja.

…É irrealista supor que, no exíguo prazo de dois anos, uma comissão de 7 membros e 14 auxiliares, como estabelece o projeto, venha a levantar todos os casos de violação aos direitos humanos.

Em que medida (…) estariam contemplados representantes e defensores do próprio regime militar? Sua presença, não é exagerado supor, traria dificuldades e entraves ao trabalho da comissão. Sua ausência, por outro lado, abriria o flanco a acusações de parcialidade nas investigações.
A Comissão da Verdade cumpriria melhor seu papel, a rigor, se estabelecesse as condições mais amplas possíveis para o acesso dos cidadãos a documentos do período.
Investigações independentes, feitas por organizações, pesquisadores e jornalistas sem vínculos com o Estado, constituem no melhor mecanismo para se chegar mais próximo de um ideal nunca definitivo, a verdade histórica. Esta não é monopólio de nenhum colegiado oficial, por mais imparcial que seja.
RACIONÁLIA INFAME


Esta racionália infame parte do pressuposto de que haveria duas versões em pé de igualdade, a serem levadas  imparcialmente em conta: a dos torturados e a dos torturadores. É a tese do DEM, partido que remonta à antiga Arena, avalista de atrocidades e genocídios.

No entanto, a civilização adota critérios bem diferentes. Começando pela ONU, que recomenda aos países saídos de ditaduras a apuração rigorosa dos crimes cometidos pelos déspotas e seus esbirros, a punição exemplar dos responsáveis, a indenização das vítimas e a criação de mecanismos institucionais que dificultem a recaída nas trevas.


O Brasil, a rigor, não fez nem metade da lição de casa.

Concedeu reparações aos torturados, lesionados fisica e psicologicamente, estuprados, prejudicados em sua carreira e em todas as esferas de sua vida. Mesmo assim, sob uma enxurrada de ataques falaciosos das  viúvas da ditadura, de seus discípulos e dos seus bobos úteis.

A apuração dos crimes só se deu em termos de reconhecimento e quantificação de direitos gerados para as vítimas ou seus herdeiros, por meio das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Punido, nem o pior dos carrascos foi. Zero. Com a omissão do Executivo e do Legislativo.

E com a cumplicidade da mais alta corte do País, que produziu em abril/2010 uma das decisões mais escabrosas de sua História, fazendo lembrar os juristas franceses da República de Vichy, que colaboravam com os nazistas (vide o ótimo filme de Costa Gravas,Seção Especial de Justiça).

Os antídotos ao golpismo também foram descurados. Tanto que a caserna continua sendo até hoje uma espécie de quarto poder e apita mais do que os outros três em determinados assuntos — como o de passarmos ou não a limpo o festival de horrores dos anos de chumbo.

Seu veto à revogação da anistia que os verdugos concederam previamente a si próprios em 1979 garantiu a impunidade eterna das bestas-feras do arbítrio. E sua resistência ao resgate e exposição da verdade é que está levando aos contorcionismos ridículos e concessões absurdas que marcam a gestação da Comissão respectiva.

A saída da ditadura pela porta dos fundos em 1985, mediante conluio da oposição com situacionistas que abandonaram a canoa furada para se manterem no poder (Sarney à frente), impediu que houvesse uma verdadeira redemocratização do País e nos legou a situação anômala que nos faz motivo de pilhérias no mundo civilizado. Estamos sendo os últimos e os mais tímidos no acerto das contas do passado infame.


ÚLTIMA CHANCE


Comissão da Verdade, que em suas linhas mestras fui dos primeiros a defender, é o última chance de deixarmos estabelecido, como veredito oficial do Estado brasileiro, o repúdio ao golpismo, à ditadura, ao estupro dos direitos humanos.

Caso contrário, os totalitários continuarão podendo alegar impunemente que em 1964 foi dado um contragolpe preventivo e que ambos os lados cometeram excessos equivalentes durante os anos de chumbo.


E nada vai impedir que se batizem ruas e praças com os nomes de sérgio paranhos fleury, emílio garrastazu médici e outros que tais (as minúsculas são intencionais).

É discutível que se consiga avançar muito, com mais de um quarto de século de atraso e depois da diligente destruição de arquivos por parte de quem tinha esqueletos no armário, no esclarecimento de episódios ainda obscuros.

Mas, apenas reunir o que já se apurou numa espécie de balanço final do período já dará aos democratas um trunfo poderoso nos embates políticos do presente e do futuro.

Pois, a esta altura, só nos resta tentarmos criar anticorpos, para que nunca mais o Brasil mergulhe nas trevas da tirania e da barbárie.


Nem isto o jornal da  ditabranda admite.


Fonte: http://www.consciencia.net/jornal-da-ditabranda-desqualifica-a-comissao-da-verdade/

Bolivia: El gobierno del MAS declara la guerra al movimiento indígena y popular

Violentísima represión a la marcha indígena.
Por La Protesta (Bolivia) 

Declaración de La Protesta ante la represión violenta contra la marcha indígena

Sorpresivamente a las 17.30 del domingo la policía enviada por el gobierno de Evo Morales comenzó una violenta represión con gases, balines y palazos contra los marchistas indígenas que aguardaban desde hace días poder pasar y continuar su marcha hacia La Paz. Los primeros reportes hablan de muchos heridos y detenidos.

La marcha había sido bloqueada por grupos enviados por el MAS con dinamita y por la policía, supuestamente, según decían, para “evitar enfrentamientos”.

El ataque fue premeditado, sorpresivo y feroz. En medio de una nube de gases lacrimógenos, que afectaban también a mujeres y niños de la marcha pacífica, quitándole sus cámaras a los reporteros, avanzaron gran cantidad de policías (según informaciones el contingente original de 400 policías había sido reforzado), procedieron a detención masiva de marchistas a los que subían en buses y enviaban a San Borja (a 45 minutos de bus).

Ya está demostrado, podemos esperar absolutamente cualquier atropello, cualquier mentira y engaño, cualquier acción represiva, tratando de hacer aparecer como víctima al gobierno del MAS. Una vez más el supuesto “diálogo” encarado por el gobierno fue una burla, y esta vez, además una trampa provocación para iniciar la represión.

Como una maniobra distractiva a la acción represiva, el presidente había invitado a los 20 dirigentes de la marcha indígena a dialogar en la Casa de Gobierno a la noche del domingo. ¡Una burla!

La provocación de ayer 24 de septiembre

El sábado 24 de septiembre el ministro Sacha Llorenti, el canciller David Choquehuanca y todos los medios oficiales acusaron a los marchistas indígenas de “secuestrar” al canciller y al viceministro Cesar Navarro. También afirmaronn que había 4 policías heridos “por flechas”, y que la marcha fue infiltrada por un “grupo violento”, refiriéndose a gente que fue a dar su apoyo a los marchistas. Sin siquiera algo de sentido del ridículo, el gobierno afirmó que va a llevar a la OEA una denuncia internacional (¡Como si se tratara de una invasión del país por alguna potencia extranjera!).

El dirigente de la CONAMAQ, Rafaél Quispe, que es parte de la marcha, nos cuenta lo sucedido:
“Rafael Quispe, aseguró la tarde de este sábado que nunca secuestraron al canciller David Choquehuanca y que la autoridad gubernamental decidió acompañar la marcha en defensa del Territorio Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS) de manera voluntaria.

“Hemos tenido la reunión del comité de la marcha, el diálogo se ha retomado y se ha decidido continuar en Quiquibey en un acuerdo entre (la comisión gubernamental) y nosotros; pero (el Canciller Choquehuanca) dijo que estén los colonizadores y nosotros dijimos que no porque el Estado tiene que atender las demandas de (los marchistas), luego (nos) dijo que iba a comunicar para que se desbloqueen en el puente de San Lorenzo. “(Entonces) respondimos que ya son más de 40 días de marcha y que íbamos a continuar, en ese momento él indicó muy bien, entonces acompañaré la marcha”, afirmó Quispe.

“Agregó que nadie secuestró a la comitiva gubernamental y que estuvieron conversando en aymara con el Canciller, quien posteriormente habría ido a hacer gestiones ante los colonizadores para que continúe la caminata.

“Indicó que pasaron tres barricadas de policías y que ahora se encuentran a la espera de que los colonizadores levanten el bloqueo en el puente, para luego dirigirse hasta Quiquibey a fin de seguir con el diálogo con el Ejecutivo.

“Hasta este momento la marcha por el TIPNIS es completamente pacífica y la autoridad gubernamental fue a conversar con los colonos para dar vía libre a la caminata y el diálogo va a continuar en Quiquibey, puntualizó Quispe, en comunicación con la Red Erbol”.

La otra gran mentira es la de que hay policías “heridos con flechas” según dijeron, que ayer a la mañana era uno sólo, según comunicados oficiales, y a la noche del sábado ya eran 3. Afirmamos categóricamente según diversos corresponsales en la marcha, no hubo un ataque con flechas ni con ninguna otra arma contra los policías. Hubo empujones y, puede ser que algunos golpes aislados, porque la marcha se puso en marcha, con el canciller y atravesó el cordón policial. El único herido que reportaron ayer al medio día, fue un policía que se cayó y se golpeo la boca (ellos dicen que recibió “un flechazo en la boca”).

Este choque fue consecuencia de un bloqueo policial ilegal impuesto por el gobierno. Es decir, que la violencia fue ejercida por el gobierno contra los marchistas. Había indignación, totalmente comprensible, y determinación de continuar la marcha. La policía en lugar de replegarse, mantuvo la barricada policial provocando el choque que, repetimos, fue básicamente de empujones y forcejeos.

Los hechos de hoy

Aun se están desarrollando. Es muy posible que alguno de los jueces sometidos que tiene el gobierno haya ordenado la detención de marchistas, a los que el gobierno acusó falsamente de “secuestro” y “ataque a la policía”. En cualquier caso, como queda dicho, es una falsedad total y una provocación montada por el gobierno. 

Los que deberían ir presos son los funcionarios oficiales desde el presidente hasta el ministro Sacha Llorenti por violar todas las garantías constitucionales y mandar apalear a su pueblo y precisamente a los indígenas, tantos siglos oprimidos y apaleados, antes por la derecha racista, hoy por el gobierno de Evo que se comporta igual que la derecha racista.

Capataz de las transnacionales

La dirigente guaraní Justa Cabrera denunció a Evo como represor y lo comparó con los capataces que apaleaban a los esclavos guaraníes en su infancia, incluyendo a sus padres. Justa Cabrera dijo que Evo era “capataz de las transnacionales”. Evo apalea a los indígenas con el objetivo claro de favorecer a las transnacionales petroleras Petrobrás, Repsol, Total, Petroandina, todas las cuales ya tienen áreas prometidas por el gobierno dentro del TIPNIS. Este es uno de los principales motivos por el que el gobierno dijo que “si o sí” harán la carretera por el TIPNIS, pese a la manifiesta oposición de sus habitantes indígenas, que además son propietarios legales del TIPNIS porque es tierra comunitaria de origen, propiedad colectiva reconocida por la Constitución de 1994 y por la actual CPE.

¡Movilización nacional y huelga general en apoyo a marcha indígena!

Ahora más que nunca hay que redoblar la solidaridad. Distintas organizaciones están llevando adelante bloqueos y movilizaciones de solidaridad. La Central Obrera Boliviana ha convocado en un ampliado nacional, a propuesta de Jaime Solares y la COD de Oruro, a un paro nacional para el próximo miércoles 28. Centrales Obreras Departamentales, cuya conducción antes apoyaba al gobierno como la de Cochabamba, resolvieron también en ampliado, llamar a la huelga. Se han realizado grandes movilizaciones en Santa Cruz, Cochabamba y La Paz. 

¡Hay que redoblar la movilización con marchas, bloqueos y vigilias en todas las ciudades!
¡Libertad a todos los presos!
¡Retiro inmediato del bloqueo policial y masista!
¡Viva la marcha indígena!
¡No a la carretera por el Tipnis!
¡Miércoles 28 huelga general y gran jornada de movilización en solidaridad con el Tipnis!


Bolívia: Evo Morales é um traidor, assassino e inimigo dos trabalhores e indígenas

FÓRUM SOCIAL PAN-AMAZÔNICO (FSPA)
 
NOTA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA A MARCHA INDIGENA EM DEFESA DO TIPNIS
 
O Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA), coletivo composto por mais de 50 organizações e movimentos sociais do Brasil, Peru, Estado Plurinacional de Equador, Estado Plurinacional de Bolívia, Colômbia, República Bolivariana da Venezuela, República Cooperativa da Guiana, Suriname e Guiana, repudia veementemente a violenta, covarde e brutal agressão que as forças policiais bolivianas cometeram contra os indígenas do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS).
Há mais de 40 dias estes indígenas encontram-se marchando em defesa de seu território, ameaçado pelo governo boliviano e pela empreiteira brasileira OAS, que querem construir uma rodovia que passará por dentro daquele parque sem o consentimento das comunidades que o habitam. A intenção dos manifestantes é ir de Trinidad até La Paz, exigir que o presidente Evo Morales escute as populações que serão impactadas.
Não é de hoje que governos latino-americanos servem para implementar as agendas das grandes corporações, nacionais e internacionais, sem se preocupar com o que pensam ou sofrem os povos, em especial, os povos indígenas. Em nome de um desenvolvimento que já destruiu mais de um terço de todos os recursos naturais do planeta, destroem-se florestas, rios, vidas.
Reafirmamos que o direito dos povos originários de manterem suas culturas, suas identidades e seus territórios é sagrado. Povos indígenas e quilombolas devem ter suas terras demarcadas e juntamente com as comunidades tradicionais ter reconhecidos seus direitos à autonomia e ao autogoverno sem que isto signifique separatismo ou cisão do território nacional. Isto significa que nenhum projeto pode ser implantado sem o prévio consentimento das comunidades que vivem nestes territórios. Somos contra mega-projetos que alteram a geografia, destroem o meio-ambiente, desalojam populações, afogam culturas, gerando miséria e sofrimento. Somos contra o agronegócio e modelos que exploram a terra com o intuito de lucro. Defendemos o direito inalienável de todos os seres humanos de viverem em paz, com saúde, educação, moradia e todas as garantias para desenvolverem plenamente suas potencialidades.
O que aconteceu no dia 25 de setembro não pode ser de forma nenhuma aceito. Nada justifica a violência que irmãos e irmãs indígenas sofreram. Certamente todos os abusos e autoritarismos serão mundialmente denunciados.
Exigimos que todas as mulheres e homens presos sejam imediatamente libertados. Que nenhum deles seja processado por ter se defendido dos violentos ataques que sofreram. Que nenhum deles seja criminalizado por lutar pela justiça, pela igualdade, por uma forma de viver que não leve ao fim do planeta.
O FSPA está ao lado de todos aqueles que lutam por um TIPNIS livre da opressão e ganância do capital. Esta luta não pode e não deve ser interrompida.
 
VIVA O TIPNIS LIVRE!
VIVA A PAN-AMAZÔNIA LIVRE!
 
Belém, 26 de setembro de 2011
 
 COMITÊ DE ARTICULAÇÃO DO FSPA

sábado, 24 de setembro de 2011

Povos do planeta levantai-vos contra Belo Monte: um chamado em defesa da vida e do planeta!

Todos à Altamira!!!

Seminário Mundial contra Belo Monte acontece em Altamira

TERRITÓRIOS, AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO NA AMAZÔNIA: A LUTA CONTRA OS GRANDES PROJETOS HIDRELÉTRICOS NA BACIA DO XINGU
Falo assim sem tristeza,
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer
Nós iremos crescer,
Outros outubros virão
Outras manhãs, plenas de sol e de luz
Alertem todos alarmas
Que o homem que eu era voltou
A tribo toda reunida,
Ração dividida ao sol
E nossa vera cruz,
Quando o descanso era luta pelo pão
E aventura sem par
Quando o cansaço era rio
E rio qualquer dava pé
(Fragmento da canção “O que foi feito deverá”)

Atendendo ao chamado dos povos do Xingu, em especial dos pescadores que, sem ter respostas do governo querem saber o que realmente acontecerá com suas vidas, com a vida da floresta, com a vida do rio se a usina de Belo Monte for construída, diversas organizações, movimentos sociais, fóruns e indivíduos se reuniram para construir um grande seminário mundial denominado “Territórios, ambiente e desenvolvimento na Amazônia: a luta contra os grandes projetos hidrelétricos na bacia do Xingu”.
Este seminário objetivará, a luz dos estudos e pesquisas científicas já realizadas, mas também a partir das experiências concretas vivenciadas na região, discutir com estudantes, trabalhadores das áreas rurais e urbanas, especialistas, juristas, com os povos da Amazônia e do mundo, os impactos e problemas ambientais, sociais, econômicos, políticos e culturais, entre outros, que decorrerão de Belo Monte.
O seminário será realizado de 25 a 27 de outubro de 2011, na cidade de Altamira/PA, esperando-se a participação de pessoas de todo o Brasil, e de diversos outros países do mundo.
A forma de inscrição, orientações sobre alojamento, alimentação, transporte, programação do evento, bem como outras informações serão disponibilizadas até o final deste mês de setembro.
Outros outubros sempre virão, mas, antes do próximo terminar, todos os povos do mundo estarão na Amazônia, estarão em Altamira, estarão no Xingu, defendendo as pessoas, a floresta, os rios e a vida.
comitexinguvivo@hotmail.com

Da série Barbáries de Belo Monte: Dilma e Norte Energia S/A, especialistas da roubalheira

Norte Energia toma terra de ribeirinhos à força sem pagar pela área e parte da produção

Após recusar uma proposta rebaixada de valores que não contemplavam as principais plantações do lote, a família de Maria das Graças Militão e Sebastião Pereira foi expulsa de suas terras.
[Publicado em 16 de setembro de 2011 no site do Xingu Vivo.]

Por Xingu Vivo.
A Norte Energia (Nesa), concessionária responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, desapropriou, através de ordem judicial, mais uma propriedade na área de construção do canteiro de obras da barragem, às margens do Rio Xingu, destruindo a casa da família e depositando o valor da indenização em juízo no Banco da Amazônia.

Após recusar uma proposta rebaixada de valores que não contemplavam as principais plantações do lote, a família de Maria das Graças Militão e Sebastião Pereira foi expulsa de suas terras. O casal, que tem quatro filhos, era dono do lote há 8 anos. “Quando chegamos aqui, era só mato”, conta Sebastião. “Aí eu e meu filho abrimos tudo e começamos a plantar, a montar o barraco na beira do rio”, continua. Na época, seu filho Jefferson tinha 13 anos. E do mato surgiram 16 mil pés de cacau, 50 mil de açaí, 24 mil de banana, além de milhares de pés de mamão, abacaxi, macaxeira e diversas outras culturas.

Além das plantações, seu Sebastião conserva floresta em 3/4 de seu território. “Nunca quis mexer”, explica.  “A gente tem 4 alqueires de cacau, o resto é tudo mato. O resto é [faz as contas]…  38 alqueires de mata virgem. Mais de um lote e meio de reserva”. Segundo ele, a Norte Energia não incorporou a floresta nas indenizações.

Negociação

Segundo dona Graça, a primeira proposta de indenização, feita verbalmente pela Nesa, foi de que seriam pagos 120 reais por cada pé de cacau plantado em sua propriedade. Contudo, no laudo de avaliação entregue em 23 de fevereiro deste ano, o valor praticado era de 96,93 reais por pé. O cacau, somado às diversas outras plantações e às benfeitorias, totalizava pouco mais de 1 milhão de reais.

No entanto, a versão final do acordo – já rebaixada, porque ignorava plantações como o açaí e a floresta protegida (3/4 do território) – era muito diferente desta. O valor do pé de cacau, de 96,93 reais, caiu para 12,31 reais – e a indenização pela plantação caiu para R$ 240 mil. A justificativa para a redução do preço era de que as sementes usadas no plantio do cacau não eram as fornecidas pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Dona Graça, então, juntou os documentos que provavam, sim, que as sementes eram da “ceprac” – pronúncia regional.

Propriedade

Então, surgiu um novo problema. A Nesa informou que não pagaria a indenização referente à terra, pois existia um documento duplicado de propriedade daquele terreno, e o proprietário do documento duplicado havia deixado uma dívida no Banco da Amazônia (Basa). “Isso é comum em Altamira e aqui na região”, explica a coordenadora do Movimento Xingu Vivo, Antonia Melo. “Já teve até cartório que fechou na cidade, por conta de emitir documentos falsos de propriedade”.

Mas, mesmo em posse de todos os documentos que provavam a compra e a propriedade da terra, não houve mudança no acordo proposto. Seu Sebastião e a família decidiram, então, que não aceitariam uma indenização. “Minha vida é trabalhar. Eu sempre fui assim”, diz. “O mundo parece que tá meio atravessado. Não tô contente com essa coisa aqui não. Você trabalha pra ter as coisas, aí o cara vem aqui jogar a gente pra fora, como se isso aqui fosse terra grilada. Eu comprei, eu paguei, tenho escritura. Pra que o cartório fez a escritura? Pra que o Incra fez documento?”, desabafa.

No último dia 6 de setembro, por ordens da Nesa e da Justiça, a polícia foi à propriedade de dona Graça e seu Sebastião, destruiu a casa sem a presença dos proprietários e levou seus pertences a Altamira. No momento, seu Sebastião estava na roça de cacau, e acha que isto o salvou de ser levado também.

Para Dona Graça, a família está sendo perseguida pela Norte Energia. “Eu já fiz até um B.O. contra o advogado da empresa ”.  Ela se refere ao advogado  e  gerente de assuntos fundiários da companhia, dr. Arlindo Gomes de Miranda – figura non-grata por onde passa. “Eu sempre discuti com ele, porque eu nunca quis barragem, a gente nunca pediu isso aqui. E ainda tratam a gente como lixo, como obstáculo”, expõe. “Sabe como ele me respondia? Dizia que ia passar aqui em cima com trator de esteira, se a gente aceitasse ou não”.

“A gente sabe que tem muita coisa errada”, conta Jefferson. “Tem muito beradeiro que aceitou qualquer valor por causa dessa pressão, porque ficou com medo de não receber nada. Eles não pagaram o açaí de ninguém”, explica.

Apesar da brutalidade sofrida, seu Sebastião e a família não deixaram de trabalhar no lote. Continuam produzindo. “Eu não vou sair daqui. Tô trabalhando igual, apesar da preocupação. Tem muito cacau pra colher e tenho que me preparar pro ano que vem. Não sei ficar parado. Se eu ficar parado, vou começar a pensar em besteira”.

Abaixo, veja depoimento de seu Sebastião:

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Por um PSOL classista, de luta e democrático

Apresentação da tese Indignados ao 3º Congresso Nacional do PSOL, na plenária municipal, dia 15/09/11 em Belém do Pará.


Em defesa do PSOL das origens!




"Um, dois, três, quatro, cinco, mil, cresce Indignados, em todo Brasil!!"

"PSOL de luta, é pra valer, Sem a Marina e o PCdoB!"

Rumo à frente de esquerda e social do PSOL-PSTU-PCB.